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Sumário Executivo do PLD

Emitido por elety
Assinado em 18/08/2026
Leitura de 15 min
Versão v1.0

Contexto de Mercado & Impacto Financeiro

O Sumário Executivo é o documento oficial que atesta as condições hidrológicas e operacionais que ditaram o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) da semana. Ele explica o porquê de os preços do Terminal de Analytics estarem nos patamares atuais.

[!NOTE] A Elety já extraiu as tabelas deste sumário. Para monitorar as oscilações numéricas exatas, utilize o Terminal de Liquidação e Garantias. Os arquivos originais em anexo servem apenas para due diligence e auditoria técnica.


Meta-dados Técnicos

Impactos das Mudanças Climáticas no Planejamento do Setor Elétrico Brasileiro RESUMO EXECUTIVO Por meio da:

O projeto “Impactos das Mudanças Climáticas no Planejamento do Setor Elétrico Brasileiro”
consolida os resultados de um conjunto abrangente de estudos sobre os impactos das mudanças
climáticas no planejamento da expansão e na operação do setor elétrico brasileiro. Além de analisar a robustez do sistema, também avaliou-se aspectos sociais, regulatórios e de governança. O PROJETO OBJETIVOS 01 Criar uma metodologia de estudo reprodutível 02 Traçar um diagnóstico dos possíveis impactos das mudanças climáticas sobre a
vazão, irradiação, vento e temperatura no Brasil 03 Apresentar indicações para fomentar um sistema resiliente, justo e adaptado a um futuro climático incerto. O Projeto Sistemas de Energia do Futuro é fruto da Cooperação Brasil-Alemanha para o
Desenvolvimento Sustentável, executado pela Deutsche Gesellschaft für Internationale
Zusammenarbeit (GIZ) GmbH em parceria com o Ministério de Minas e Energia (MME) e com
recursos do Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento (BMZ) da
Alemanha. O projeto tem como objetivo principal apoiar a integração das energias renováveis e
eficiência energética no sistema brasileiro de energia.

O planejamento do setor elétrico brasileiro deve considerar a possibilidade de concretização de
cenários climáticos influenciados pela mudança do clima. Há indicação de viabilidade técnica e econômica da antecipação de medidas de adaptação. IMPACTOS NOS RECURSOS ENERGÉTICOS E NA DEMANDA As mudanças climáticas provocam incerteza com relação às características futuras dos sistemas
elétricos, como disponibilidade de recursos energéticos e demanda. Tais incertezas são observadas pela dependência da trajetória climática e do modelo climático. A base da análise considerou 24 Modelos de Circulação Global (GCMs) do projeto CMIP6*, com  foco na realidade climática brasileira. Os resultados indicam uma transformação sensível dos recursos
primários que sustentam o Sistema Interligado Nacional (SIN). *CMIP6 se refere à sexta fase do Projeto de Intercomparação de Modelos Acoplados (Coupled Model Intercomparison
Project), uma colaboração internacional que avalia e compara modelos climáticos. O projeto fornece projeções de
mudanças climáticas passadas, presentes e futuras e é a base de relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Análise das premissas de vazão, geração renovável e demanda de cada modelo DESAFIOS PARA HIDRELÉTRICAS O estudo mostra tendência de redução significativa das vazões médias nos subsistemas Sudeste, Norte e Nordeste, justamente onde se concentra a maior parte da capacidade de armazenamento do SIN. Em contrapartida, o Sul tende a ter aumento nas afluências, mas em regiões com menor capacidade de regularização. Destaca-se que os reservatórios desempenham papel estratégico para a segurança energética. E, no contexto das mudanças climáticas, a operação dos reservatórios tende a ser impactada.

FONTES RENOVÁVEIS VARIÁVEIS Eólica e solar não apresentam mudanças sistêmicas nos fatores de capacidade médios, mas trazem incerteza regional e entre modelos climáticos. O impacto da elevação da temperatura na eficiência dos módulos fotovoltaicos, por exemplo, tende a neutralizar eventuais aumentos na irradiação solar. DEMANDA SOB O AUMENTO DO CALOR A maior demanda por resfriamento levará a um aumento de 3% a 4% da demanda média nos meses mais quentes, chegando a picos de 6% em cenários de emissões elevadas (SSP585)**. O risco ao sistema é que esses picos coincidam com períodos de menor vazão, criando uma sobreposição crítica entre oferta limitada e consumo elevado. **Cenário de altas emissões do IPCC, considerando um futuro com políticas climáticas reduzidas,
crescimento econômico e populacional acelerados e alto nível de gases de efeito estufa. IMPACTOS NA MATRIZ ELÉTRICA A análise comparou três estratégias de planejamento para um futuro em que a demanda elétrica dobra em relação a 2024: 01 02 CASO DE REFERÊNCIA: O portfólio de geração é baseado em uma política operativa que não considera antecipadamente os possíveis impactos de mudanças climáticas. 03 CASOS DE DESCARBONIZAÇÃO: Os portfólios de geração combinam adaptação e o
objetivo de uma matriz com emissões líquidas nulas. CASOS ALTERNATIVOS: Corresponde a uma estratégia de adaptação planejada. Os
portfólios de geração são construídos a partir de cenários impactados pelas mudanças climáticas, considerando alternativas de custos futuros de tecnologias que alteram a
expansão do Sistema Interligado Nacional (SIN). CAPACIDADE INSTALADA DO SIN OBTIDA PARA OS CASOS ALTERNATIVOS (EM GW) Caso Refe rênciaCaso Alternativo 1 - Modelo climático de maior impacto Caso Alternativo 2 - Modelo climático de menor impacto Caso Alternativo 3 - Modelo climático que melhor representa as séries históricas 130 130 130 130 100 110 108 104 102 109 109 105 101 108 101 100 11 1 1 HidroTérmicaSolarEólica (onshore)Armazenamento 434458440449

CUSTOS DE INVESTIMENTOS E DE OPERAÇÃO PARA OS CASOS DE REFERÊNCIA E ALTERNATIVOS (EM R$ BI/ANO) CUSTOS DE INVESTIMENTOS E DE OPERAÇÃO PARA OS CASOS DE REFERÊNCIA E DE DESCARBONIZAÇÃO (EM R$ BI/ANO) *O estudo definiu três tipos de portfólios de geração de energia elétrica: o de referência (utilizando os resultados do caso de referência do ano de 2034 do PDE 2034); um de portfólios de casos alternativos, que incorporam cenários obtidos com modelos de mudança climática para a janela 2040-2070; e outro de casos de descarbonização, que busca reduzir emissões descomissionando usinas térmicas na medida em que seus contratos são expirados. Os portfólios de geração de casos de descarbonização são
gerados para os cenários base e para os cenários dos modelos de mudanças climáticas avaliados nos portfólios alternativos. O estudo considerou os cenários de mudança climática SSP245 e SSP585 do CMIP6. Caso ReferênciaCaso Alt ernativo 1 Caso ReferênciaCaso Alt ernativo 2 Caso ReferênciaCaso Alt ernativo 3 103 92 93 89 88 86 133 153 133 144 133 138 Custo de operaçãoCusto de investimento Modelo ukesm1-0-llModelo HadGEM3-GC31-MMModelo EC-Earth3 237244227233221224 Caso ReferênciaCaso Descarbonização 1Caso Descarbonização 2Caso Descarbonização 3 10 2 22 341 514 501 445 Custo de operaçãoCusto de investimento 351515502447 Caso Refe rênciaCaso Descarbonização 1 - Modelo climático de maior impacto Caso Descarbonização 2 - Modelo climático de menor impacto Caso Descarbonização 3 - Modelo climático que melhor representa as séries históricas 140 140 140 140 159 166 166 166 5 59 58 37 81 91 81 81 10 10 10 10 130130130130 30 34 34 34 HidroEólica onshoreEólica offshoreSolarGas-t o-wireArmazenamentoOutras térmicas 555630 598 619

A indefinição em relação às condições climáticas futuras e seus efeitos resulta em um grau adicional de incerteza para o planejamento do setor elétrico brasileiro. Dessa forma, estratégias de adaptação podem ser utilizadas para mitigação de possíveis incrementos de custos operacionais e sociais no futuro. INCERTEZA ADICIONAL Os cenários adotados no caso alternativo indicam a expansão de até 31 GW de capacidade instalada adicionais, combinando as fontes eólica e solar e geração despachável, para o atendimento dos
critérios de confiabilidade do sistema (Probabilidade de perda de carga - LOLP > 5%). Nos cenários com mudanças climáticas revela-se uma mudança de paradigma: o período chuvoso, antes
considerado seguro, passa a ser o mais crítico pela combinação de aumento da demanda e redução de afluência em relação ao caso de referência. CAMINHO DA ADAPTAÇÃO A transição para uma matriz neutra em emissões é tecnicamente viável, porém a custos mais elevados. O trade-off entre sustentabilidade e custo torna a coordenação regulatória ainda mais crucial. O DESAFIO DA DESCARBONIZAÇÃO CONCLUSÕES 02 01 A avaliação da operação do caso de referência indica, no longo prazo, que planejar a expansão e a operação do sistema sem considerar os cenários de mudança climática pode resultar em aumento de custos operativos e violações de critérios de confiabilidade. Antecipar os cenários de mudanças climáticas no cálculo da política operativa indica uma redução de até 13% dos custos de operação nessas condições, o que representa um efeito médio de redução de 7% nas tarifas. Nota-se, no entanto, que nestes cenários o critério de confiabilidade ainda ultrapassa o limite de 5% nas simulações realizadas. Incorporar os cenários de mudanças climáticas na etapa de cálculo da expansão da geração do sistema garante um aumento de capacidade que permite que os critérios de suprimento sejam respeitados. Considerar as mudanças climáticas no planejamento da expansão não é um custo, mas um investimento que diminui impactos operativos e sociais maiores no futuro A construção de um portfólio de geração com emissões neutras e que atenda aos critérios de suprimento pode requerer um investimento adicional expressivo para a implantação de 121 GW, com destaque para tecnologias de armazenamento. Apesar de ser um sistema com custo de operação reduzido, é observado um aumento de 70% dos custos totais (R$ 144 bilhões), sob as condições do cenário base. 03 04

RECOMENDAÇÕES 02 01 03 04 05 Incorporar nos modelos de expansão e operação regimes climáticos distintos e suas transições, utilizar ferramentas analíticas apropriadas e aplicar índices de assertividade para priorizar modelos climáticos com maior aderência a dados históricos, reduzindo incertezas nas projeções. Revisitar continuamente critérios de planejamento energético avaliando também
sensibilidades e riscos associados às mudanças climáticas Fazer refinamento constante dos dados de bacias hidrográficas disponíveis no país, aprimorando os resultados dos modelos setoriais e avaliando a competição pelo seu uso nos períodos de escassez. Incorporar no modelo de expansão a opção de investir em recursos do lado da
demanda como alternativa à construção de nova geração, avaliando o custo total do sistema. Aumentar a resiliência da infraestrutura ao aprimorar novos mecanismos de
remuneração de serviços como capacidade, flexibilidade e serviços ancilares. Os impactos climáticos não são neutros: tendem a desproporcionalmente atingir os mais
vulneráveis. Povos indígenas, quilombolas, populações urbanas de baixa renda, mulheres, crianças e idosos enfrentam riscos agravados. DIMENSÃO SOCIAL DA CRISE CLIMÁTICA RISCOS EM CASCATA 01 Segurança alimentar (quebras de safra de alimentos básicos, gerando inflação de alimentos) 02 Saúde pública (expansão de doenças transmitidas por vetores, como a dengue) 03 Segurança hidroenergética (maior impacto no orçamento de famílias de baixa renda)