1ª Revisão Quadrimestral das Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2023-2027
2 de março de 2026
Apresentação
Este informe tem como objetivo apresentar os principais resultados das
previsões de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) para o
período 2025 a 2030, no âmbito do Planejamento Anual da Operação
Energética - Ciclo 2026 (2026-2030), realizadas em conjunto pela
Empresa de Pesquisa Energética – EPE, Operador Nacional do Sistema
Elétrico – ONS e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE.
As projeções foram realizadas tomando como base a avaliação da
conjuntura econômica, o monitoramento do consumo e da carga até,
respectivamente, outubro e novembro de 2025 através das Resenhas
Mensais de Energia Elétrica da EPE, dos Boletins de Carga Mensais do
ONS e dos InfoMercados Mensais da CCEE, bem como os desvios entre
os valores observados e suas respectivas projeções elaboradas na 2ª
Revisão Quadrimestral do Planejamento Anual da Operação Energética
2025-2029, em agosto de 2025.
Cabe ressaltar que os valores de carga e consumo apresentados estão
considerando em sua composição a Micro e Minigeração Distribuída
(MMGD). Para os valores realizados, a estimativa de geração considera
as unidades geradoras existentes em outubro de 2025. Para os meses
à frente, projeta-se a expansão desse tipo de geração utilizando-se
como base a metodologia do modelo 4MD, como definido no Relatório
Fase II do GT MMGD do CT PMO/PLD.
- Panorama econômico
Segundo o relatório World Economic Outlook, de outubro de 2025, publicado pelo FMI, a taxa de crescimento do PIB Mundial foi revisada para cima (de 2,8% para 3,2%). Isso decorre, principalmente, do fato de a política tarifária americana não ter se transformado em uma guerra comercial como era esperado. A elevação das expectativas de crescimento foi direcionada tanto para as economias avançadas (de 1,4% para 1,6%), quanto para as economias emergentes (de 3,7% para 4,2%).
Para 2026, houve uma leve alta na projeção de crescimento da economia mundial (de 3,0% para 3,1%). Nas economias emergentes, foi mantida a projeção anterior (3,9%) e para as economias avançadas, houve um pequeno aumento na projeção (de 1,5% para 1,6%). Cabe destacar que as taxas de crescimento do PIB mundial projetadas para 2025 e 2026 ainda estão abaixo da média observada entre os anos de 2000 e 2019 (3,8%). Quanto à inflação global, espera-se um ritmo de queda mais lento, alcançando 4,2% em 2025 e 3,7% em 2026.
No que se refere ao cenário doméstico, o PIB brasileiro do 2º trimestre cresceu 2,2% em relação ao mesmo trimestre de 2024. Esse resultado foi superior ao esperado pelo mercado e pela 2ª Revisão Quadrimestral 2025-2029. Pelo lado da oferta, o crescimento foi impulsionado pela agropecuária (10,1%). O setor de serviços (2,0%) e a indústria (1,1%) também tiveram resultados positivos. Pela ótica da demanda, a formação bruta de capital fixo (4,1%) e o consumo das famílias (1,8%) foram os destaques.
Com a expansão observada no 2º trimestre, houve uma elevação do carregamento estatístico para 2025. O mercado de trabalho segue com desempenho favorável, com diminuição da taxa de desocupação (5,6%) e crescimento dos rendimentos médios reais. Entretanto, dada a pressão inflacionária, o Banco Central tem mantido uma política monetária restritiva, o que limita o crescimento econômico.
Diante desse cenário, apesar do aumento do carregamento estatístico, manteve-se a estimativa de 2,3% para 2025, tendo em vista as perspectivas de manutenção dos juros em patamares elevados por mais tempo.
No médio prazo, foram feitas pequenas alterações nas premissas qualitativas da 2ª Revisão Quadrimestral 2025-2029. Em função das perspectivas de manutenção da política monetária restritiva e da elevação dos riscos internos (aumento da dívida pública) e dos riscos externos (continuidade dos conflitos geopolíticos e política tarifária americana), foi feito um ajuste para baixo (-0,1%) das taxas de crescimento do horizonte de 2026-2029.
Para tanto, manteve-se a premissa de que no médio e longo prazo, a implantação da reforma tributária tenderá a favorecer o aumento dos investimentos e da produtividade da economia. Em especial, espera-se uma elevação dos investimentos em infraestrutura, possibilitando uma melhoria do ambiente de negócios e da competitividade do País.
Diante desse cenário, espera-se que a economia brasileira cresça a uma taxa média de 2,4% a.a. no período entre 2026 e 2030. A Tabela 1 (ao final dessa publicação) apresenta as taxas anuais de expansão do PIB.
Por fim, cabe ressaltar que, para a concretização do cenário proposto, há diversos riscos relevantes tais como questões geopolíticas, eventos climáticos extremos, crises sanitárias, questões fiscais, bem como incertezas políticas e econômicas. - Mercado de energia elétrica
O consumo de eletricidade no SIN, incluindo a parcela de MMGD não
injetada na rede, alcançou 485.683 GWh até outubro, registrando
aumento de 1,6% frente ao mesmo período de 2024. Embora a
atividade econômica siga favorecida pelo bom desempenho do mercado
de trabalho — com avanços tanto no nível de ocupação quanto no
rendimento — condições climáticas mais amenas em comparação ao
ano anterior reduziram o ritmo de expansão do consumo.
A menor incidência de ondas de calor no país, juntamente com a elevada base de comparação, contribuíram para o aumento de 3,8% no consumo residencial.
Esses mesmos fatores ajudam a explicar o crescimento de 0,5% no consumo associado à atividade comercial e de 0,2% no consumo agregado, que reúne a atividade agropecuária e diversos serviços públicos de administração governamental. Na indústria, apesar da desaceleração do ritmo de crescimento ao longo dos trimestres, houve alta de 1,6%. Entre os segmentos de maior peso no consumo da classe, a fabricação de alimentos, de produtos não metálicos e a extração de minerais metálicos tiveram resultados positivos entre 2,5% e 7%. Por sua vez, o segmento de químicos registrou retração da ordem de 3%. Entre os subsistemas do SIN, o subsistema Norte apresentou desempenho superior em todas as principais classes, combinando crescimentos equilibrados em torno de 5% nos consumos residencial e comercial e acumulando um aumento de aproximadamente 10% na indústria, impulsionado, principalmente, pelo setor metalúrgico, além da fabricação de alimentos e da extração de minerais não metálicos. - Evolução da Carga do SIN e Subsistemas no período
janeiro-dezembro/2025
O comportamento da carga do SIN durante o ano de 2025 foi
influenciado por diversos fatores, tanto meteorológicos quanto
econômicos. Com relação aos fatores econômicos, observou-se um
mercado de trabalho bastante resiliente, refletindo em aumento do
poder de compra das famílias, mesmo em um ambiente de alta taxa de
juros e de pressão inflacionária sobre a renda. A partir do segundo
trimestre de 2025, iniciou-se o processo de desaceleração da economia,
com a paulatina perda de tração da demanda interna, reflexo da política
monetária contracionista. Ainda assim, atividades exógenas ao ciclo
econômico, como a agricultura e a indústria extrativista, seguiram
alavancando o crescimento ao longo de 2025.
Os fatores meteorológicos também impactaram, de forma relevante, o comportamento da carga do SIN ao longo do ano. No 1º trimestre, nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Sul, a carga respondeu positivamente aos efeitos de anomalias positivas de temperatura e negativas de precipitação. O mês de fevereiro de 2025 foi marcado pela atuação de um sistema de alta pressão que impediu o avanço das frentes frias e chuvas no Sudeste e região central do país. Esse cenário antecipou o final do período úmido do Sudeste e manteve temperaturas elevadas na região. Foram verificadas anomalias positivas de
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temperaturas na maior parte do país, com destaque para o Sul e
Sudeste, cenário que impactou no aumento expressivo da carga no
período. Em contrapartida, nos subsistemas Nordeste e Norte, o 1º
trimestre foi marcado por elevados acumulados de precipitação
(superior à média histórica) que resultaram em temperaturas mais
amenas. O efeito das elevadas temperaturas nos subsistemas
Sudeste/Centro-Oeste na carga, se sobrepuseram ao das temperaturas
mais amenas nos subsistemas Nordeste e Norte.
A partir do início do 2º trimestre até o mês de novembro, o
comportamento da carga passou a ser influenciado pela verificação de
temperaturas máximas inferiores à média histórica em grande parte
das áreas que compõem os Subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Sul.
Nos meses de maio a outubro foram observadas temperaturas máximas
inferiores às do ano de 2024 em diversas capitais que compõem os dois
subsistemas, tais como Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Curitiba
entre outras. Especificamente na Região Sul, nos meses de julho e
agosto, foram registradas temperaturas negativas e geadas em várias
cidades da Serra Gaúcha e Catarinense.
No Subsistema Nordeste, o mês de abril foi marcado por temperaturas
elevadas, em decorrência de menores totais de precipitação. Por outro
lado, entre maio e junho foram observados maiores totais de
precipitação na região litorânea, o que resultou em temperaturas
máximas inferiores à média. Ao longo do 3º trimestre e nos meses de
outubro e novembro, as temperaturas permaneceram próximas à
média. No subsistema Norte, a partir do mês de abril, também
predominaram temperaturas próximas a média. Em outubro, Manaus
apresentou temperaturas inferiores às observadas em 2024. Nos
demais meses, observou-se estabilidade com relação ao ano de 2024.
Em suma, no 1º trimestre do ano, a carga foi impactada positivamente
por temperaturas extremas acima da média e baixo acumulado de
precipitação nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Sul, enquanto no
2º trimestre foi impactada, negativamente, pelas temperaturas
amenas. Adicionalmente, a ocorrência do carnaval, atipicamente, em
março e, a junção do feriado da Semana Santa com o feriado de
Tiradentes, em abril, contribuíram para o comportamento observado da
carga dos referidos meses. Importante também ressaltar a interligação
de Roraima ao subsistema Norte em setembro de 2025.
A combinação dos fatores mencionados provocou no período janeiro- outubro/25 um aumento de 1,6% na carga do SIN, de 0,5% no SE/CO, 2,8% no Sul, 1,7% no Nordeste e 5,7% no Norte em relação ao mesmo período do ano anterior. Considerando os valores verificados da carga de energia de janeiro a outubro, a estimativa para novembro e a previsão para o mês de dezembro, espera-se, para 2025, um crescimento anual da carga de 1,58% no SIN, 0,48% no SE/CO, 2,26% no Sul, 1,85% no Nordeste e 6,36% no Norte, em comparação a 2024. 4. Previsão da carga de energia 2026-2030 A carga de energia do SIN, prevista para o ano de 2026, apresenta um crescimento de 4,6% em relação ao ano anterior, ou seja, 3.765 MW médios superior à carga verificada em 2025. Essa projeção situa-se 331 MW médios abaixo do valor da carga previsto, para o mesmo ano, na 2ª Revisão Quadrimestral da carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2025-2029. Considerando a interligação de Roraima ao SIN a partir de setembro de 2025, prevê-se um crescimento médio anual da carga de energia do SIN, no período de 2026 a 2030, de 3,8% ao ano, o que representa uma expansão média anual nos cinco anos de 3.370 MW médios, atingindo em 2030 uma carga de 98.151 MW médios no SIN. As Tabelas 2, 3 e 4, a seguir, resumem os valores da carga de energia previstos, em MW médios, as taxas de crescimento resultantes e os acréscimos de cargas anuais por subsistema, respectivamente. A Tabela 5 mostra as diferenças entre as previsões de carga de energia, por subsistemas do SIN, para o PLAN 2026-2030 e a 2ª Revisão Quadrimestral da carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2025-2029 (2ª RQ do PLAN 2025-2029). Por fim, a Tabela 6 resume os valores de carga de energia de MMGD previstos, em MW médios.
TABELAS ANEXAS Tabela 1
Tabela 2
Inclui MMGD Tabela 3
Tabela 4
2025 2026 2027 2028 2029 2030 2,3% 2,1% 2,4% 2,5% 2,5% 2,5% 2025 2026 2027 2028 2029 2030 0,0% -0,1% -0,1% -0,1% -0,1%
Projeção anual do crescim ento do PIB (%)
Planejam ento Anual 2026-2030
Diferença entre Taxas (%)
[PLAN 2026-2030] - [2ª RQ 2025-2029]
Subsistema202520262027202820292030
Norte
8.2898.8619.0999.3729.640
9.915
Nordeste
13.42614.20814.86915.65116.231
16.829
Sudeste/CO
45.57647.63449.47651.31753.037
54.804
Sul
14.01114.36514.86115.43516.041
16.602
SIN
81.30285.06788.30691.77594.949
98.151
Planejamento Anual 2026-2030
Carga global de energia (MWmédios)
Subsistema202520262027202820292030
Norte6,4%6,9%2,7%3,0%2,9%2,9%
Nordeste1,8%5,8%4,7%5,3%3,7%3,7%
Sudeste/CO0,5%4,5%3,9%3,7%3,4%3,3%
Sul2,3%2,5%3,5%3,9%3,9%3,5%
SIN1,6%4,6%3,8%3,9%3,5%3,4%
Carga de energia - Taxas de crescimento (% ao ano)
Planejamento Anual 2026-2030
Subsistema
2025
2026
2027
2028
2029
2030
Norte
496
572
239
273
268
275
Nordeste
243
781
661
782
580
598
Sudeste/CO
247
2.058
1.842
1.841
1.720
1.767
Sul
311
353
497
573
607
561
SIN
1.296
3.765
3.239
3.469
3.174
3.201
Carga de energia - Acréscimos/Decréscimos anuais (MWmédios)
Planejamento Anual 2026-2030
1ª Revisão Quadrimestral das Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2023-2027
2 de março de 2026 Tabela 5
Tabela 6
Considera expansão da base
Subsistema 2025 2026 2027 2028 2029 2030 Norte 174 159 153 147 141
Nordeste -12 38 111 233 245
Sudeste/CO -146 -248 -294 -240 -144
Sul -256 -279 -308 -285 -251
SIN -240 -331 -337 -145 -9
Carga de Energia (MWmédio) Diferenças [PLAN 2026-2030] - [2ª RQ 2025-2029]