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NOTA TÉCNICA EPE DEA-SEE 007/2023
Modelo de Mercado da Micro e
Minigeração Distribuída (4MD):
Metodologia – Versão 1ª Revisão
Quadrimestral da Carga para o
Planejamento Anual da Operação
Energética PLAN 2023 - 2027
Maio de 2023
MINISTÉRIO DE
MINAS E ENERGIA
GOVERNO FEDERAL MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA MME/SPE
Ministério de Minas e Energia
Ministro
Alexandre Silveira de Oliveira
Secretário Executivo Efrain Pereira da Cruz
Secretário de Planejamento e Transição Energética Thiago Vasconcellos Barral Ferreira
Secretário de Energia Elétrica Gentil Nogueira de As Junior
Secretário de Petróleo, Gás Natural e
Combustíveis Renováveis
Pietro Adamo Sampaio Mendes
Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral Vitor Eduardo de Almeida Saback
Empresa pública, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, instituída nos termos da Lei n° 10.847, de 15 de março de 2004, a EPE tem por finalidade prestar serviços na área de estudos e pesquisas destinadas a subsidiar o planejamento do setor energético, tais como energia elétrica, petróleo e gás natural e seus derivados, carvão mineral, fontes energéticas renováveis e eficiência energética, dentre outras.
Presidente Angela Regina Livino de Carvalho (interina) Diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais Giovani Vitoria Machado
Diretor de Estudos de Energia Elétrica Giovani Vitoria Machado (interino) Diretor de Estudos de Petróleo, Gás e Biocombustível Heloisa Borges Bastos Esteves Diretor de Gestão Corporativa Angela Regina Livino de Carvalho
URL: http://www.epe.gov.br
Sede
Esplanada dos Ministérios Bloco "U" - Ministério de Minas e
Energia - Sala 744 - 7º andar – 70065-900 - Brasília – DF
Escritório Central
Praça Pio X, n° 54
20091-040 - Rio de Janeiro – RJ
NOTA TÉCNICA EPE DEA-SEE
007/2023
Modelo de Mercado da Micro e
Minigeração Distribuída (4MD):
Metodologia – Versão 1ª
Revisão Quadrimestral da Carga
para o Planejamento Anual da
Operação Energética
PLAN 2023 - 2027
Coordenação Geral Giovani Vitoria Machado Coordenação Executiva Carla da Costa Lopes Achão Luciano Basto Oliveira Equipe Técnica Allex Yujhi Gomes Yukizaki Gabriel Konzen Mariana Weiss de Abreu Simone Saviolo Rocha Thiago Toneli Chagas
N o EPE-DEA-SEE NT 007/2023 Data: 11 de maio de 2023
1
Ministério de Minas e Energia SUMÁRIO SUMÁRIO ....................................................................................................................................... 1 AGRADECIMENTOS........................................................................................................................ 2
- INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 2
- OBJETIVO ............................................................................................................................... 4
- FUNDAMENTOS TEÓRICOS ................................................................................................... 4
- CARACTERÍSTICAS GERAIS ..................................................................................................... 7 4.1. Fontes consideradas ...................................................................................................... 7 4.2. Resolução espacial ......................................................................................................... 7 4.3. Resolução temporal e Horizonte de análise ................................................................. 8 4.4. Segmentação dos consumidores ................................................................................... 9 4.5. Ambiente de programação ............................................................................................ 9 4.6. Resumo da metodologia ................................................................................................ 9
- ESTIMATIVA DO MERCADO POTENCIAL .............................................................................. 10 5.1. Avaliação Socioeconômica .......................................................................................... 10 5.1.1. Residencial ................................................................................................................... 10 5.1.2. Outros segmentos de consumo .................................................................................. 11 5.2. Crescimento do Mercado Potencial ........................................................................... 12 5.3. Mercado Potencial Final .............................................................................................. 13 5.3.1. Tempo de payback ....................................................................................................... 15
- DIFUSÃO DO MERCADO ...................................................................................................... 17 6.1. Definição dos parâmetros de inovação e imitação ..................................................... 17 6.1. Cálculo dos adotantes ................................................................................................. 19 6.2. Abertura por fonte ...................................................................................................... 20
- POTÊNCIA E ENERGIA .......................................................................................................... 20 7.1. Capacidade instalada anual .......................................................................................... 20 7.2. Capacidade instalada mensal ....................................................................................... 20 7.3. Geração mensal ........................................................................................................... 21
- A Lei n° 14.300 e seu efeito no 4MD ................................................................................... 24 8.1. O ajuste em 2023 ........................................................................................................ 28
- CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................................... 28
- REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 29
- APÊNDICE ........................................................................................................................ 32
2
Ministério de Minas e Energia 11.1. Código para reprodução das projeções da 1ª RQ do PLAN 2023-2027 ................... 32
AGRADECIMENTOS A EPE agrade as contribuições do GT MMGD do Subcomitê Temático para Dados, Processos e Regulação do Comitê Técnico PMO/PLD, coordenado pelo ONS e pela CCEE. A metodologia apresentada para a abertura da geração anual em geração mensal (seção 7.3) foi desenvolvida em conjunto com o GT.
- INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, tem-se observado uma aceleração da inserção dos Recursos Energéticos
Distribuídos (RED)
1
, justificada principalmente pela redução nos custos de investimentos e
transação, pela maior disseminação das tecnologias de telecomunicação e controle e pelo papel
mais ativo dos consumidores.
Dentre os diferentes RED, a micro e minigeração distribuída (MMGD) têm papel de destaque, sendo uma modalidade de geração que cresce exponencialmente no país. A MMGD foi regulamentada no Brasil em 2012 pela ANEEL através da Resolução Normativa (REN) n° 482, que instituiu o modelo de net-metering no país. Em 2015, o regulamento foi aprimorado, de modo a tornar o processo de conexão mais célere e ampliar o acesso à geração distribuída para um número maior de unidades consumidoras. No início de 2022, foi aprovada a Lei n° 14.300, estabelecendo o marco legal da microgeração e minigeração distribuída no Brasil. Essa lei oferece mais segurança jurídica aos investidores, apresentando aprimoramentos em relação à regulamentação da ANEEL, e estabelecendo um mecanismo gradual de remuneração da energia injetada na rede de acordo com um cálculo de custos e benefícios. Além do potencial de transformar profundamente os sistemas elétricos, que hoje são predominantemente operados com recursos de maior porte e gerenciados centralizadamente, a inserção dos RED exige novas práticas de planejamento, conforme detalhado em nota específica da EPE (2018). Nesse sentido, projetar a difusão da geração distribuída é um dos desafios que precisa ser enfrentando. Além disso, é importante ter estimativas precisas, pois caso o planejador projete um cenário de baixo desenvolvimento da geração distribuída e, na verdade, se materialize um cenário “alto”, haverá um sobreinvestimento na matriz elétrica centralizada. Por outro lado, caso seja assumido que haverá elevada penetração de geração distribuída e, na prática, se realize um cenário de “baixo” desenvolvimento, a confiabilidade do sistema pode ficar comprometida ou os custos de suprimento podem ser encarecidos. Esse dilema do planejador está ilustrado no diagrama a seguir.
1 Inclui i) geração distribuída (GD), ii) armazenamento de energia, iii) veículos elétricos (VE) e estrutura de recarga, iv) eficiência energética e v) gerenciamento pelo lado da demanda (GLD).
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Ministério de Minas e Energia
Figura 1 - Dilema do planejador numa matriz com geração distribuída
Cabe ressaltar que a adoção de sistemas de geração distribuída é tomada por diferentes
indivíduos e suas decisões nem sempre são economicamente racionais, havendo outros fatores
socioculturais e ambientais, por exemplo, que influenciam suas ações. Dessa forma, projetar o
mercado de micro e minigeração distribuída não é tarefa trivial.
Sabendo da importância de projetar adequadamente a difusão da micro e minigeração
distribuída no Brasil, a EPE vem desde 2013 trabalhando em modelos com essa finalidade.
Inicialmente, utilizava-se um modelo baseado em paridade tarifária e em 2015 foi desenvolvido
um modelo de Bass, com base no trabalho de Konzen (2014), que foi batizado de Modelo de
Mercado da Micro e Minigeração Distribuída (4MD). Desde então, o modelo vem sendo
aperfeiçoado e ampliado para incluir mais setores de consumo, fontes e cenários regulatórios.
De fato, com o intuito de aprimorar o modelo, a EPE lançou no final de 2022 a NT EPE DEA-SEE
017/2022 para discutir mais detalhadamente as limitações do 4MD, possíveis aprimoramentos,
e apresentar sensibilidades nos resultados a partir da alteração de alguns parâmetros. A partir
da NT, a EPE recebeu contribuições públicas e implementou algumas mudanças no modelo,
apresentadas na sequência.
Além de ser utilizado pela EPE, o 4MD também foi adotado pela ANEEL em seus estudos
relacionados à regulamentação da micro e minigeração distribuída no Brasil
2
. Adicionalmente,
o 4MD começou a ser utilizado no âmbito do Grupo de Trabalho MMGD que integra o Comitê
Técnico PMO/PLD. Segundo o cronograma do Comitê, a partir de 2024, a expansão de MMGD
prevista pelo 4MD passará a ser incorporada nos modelos de formação de preços do setor
elétrico brasileiro.
As principais novidades desta edição, em relação à versão do PDE 2032, são:
2 Vide a Análise de Impacto Regulatório da Audiência Pública 026/2015 e Análise de Impacto Regulatório da Audiência Pública 001/2019.
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Ministério de Minas e Energia
• A divulgação do modelo 4MD como um software aberto através do pacote em R
denominado epe4md. O pacote está disponível no site https://github.com/EPE-GOV-
BR/epe4md, podendo ser acessado e revisado por qualquer agente.
• Em apêndice a este documento consta o código em R que pode ser utilizado, após a
instalação do pacote, para a reprodução das projeções da 1ª Revisão Quadrimestral.
• Aumento do mercado potencial das classes não residenciais através de duas alterações:
(i) aumento do fator comercial e (ii) e utilização da métrica payback simples (ao invés
do descontado) para esses consumidores.
• Uso de método de séries temporais para prever a taxa de crescimento do mercado
potencial cativo do Grupo A.
• O cálculo de payback histórico passou a considerar a data de entrada em vigor do
Convênio 16/2015 do CONFAZ por UF. Anteriormente, era utilizado o ano de 2016 para
todo o Brasil.
- OBJETIVO Descrever a metodologia utilizada no Modelo de Mercado da Micro e Minigeração Distribuída (4MD), com o intuito de dar transparência ao trabalho desenvolvido pela EPE, estimular a pesquisa no campo das projeções de geração distribuída e de receber contribuições construtivas acerca da metodologia utilizada.
- FUNDAMENTOS TEÓRICOS As tecnologias de micro e minigeração de energia podem ser classificadas como inovações descontínuas. Envolvem a introdução de um produto inteiramente novo, alterando significativamente os padrões de comportamento do consumidor. Esta classificação permite enquadrar a micro e a minigeração distribuída dentro da estrutura das teorias de inovações e, consequentemente, das trajetórias qualitativas de difusão segundo estas teorias (ISLAM, 2014). Nesse campo de pesquisa, a Teoria da Difusão de Inovações, de Everett Rogers (2003), é a principal referência. O estudo diz que o processo de difusão é sobretudo um processo social, que envolve relações interpessoais para dar suporte às decisões da maioria da população. Essa dinâmica acaba moldando a forma como uma inovação é adotada pela sociedade, que pode ser ilustrada por uma curva “S”, conforme ilustra a Figura 2.
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Ministério de Minas e Energia
Figura 2 - Curva S - Fonte: Adaptado de Rogers, 2003.
Inicialmente, poucos indivíduos adotam a nova ideia (inovadores). Assim que a inovação começa
a ter seus benefícios visíveis, passa a ser adotada pelo segundo grupo, composto por formadores
de opinião e, à medida que as redes interpessoais são ativadas, a curva S decola. Esta fase,
quando a inovação passa a ser adotada por 10% a 20% da população, é o cerne do processo.
Passando desta etapa, acredita-se ser quase impossível parar o processo de difusão.
Naturalmente, a “curva S” começa a atenuar quando a metade dos indivíduos de um sistema
social tenha adotado a inovação. Neste ponto, cada novo adotante encontra uma dificuldade
crescente de passar a ideia adiante para um novo indivíduo que ainda não adotou, pelo fato
destes estarem cada vez mais escassos.
Conforme ilustra a Figura 3, a curva “S” pode ser verificada em diversos produtos e serviços,
com preços heterogêneos, com velocidades diferentes de adoção.
Figura 3 - Curva S - Fonte: Adaptado de Rogers, 2003
6
Ministério de Minas e Energia
O estudo de Rogers descreveu o processo de difusão e suas características, mas sem modelá-lo.
A sua representação matemática foi elaborada posteriormente por alguns autores, sendo o
modelo de Bass (1969) o mais conhecido e referenciado na literatura.
Basicamente, o modelo parte da seguinte formulação:
푓(푡)=(푝+푞퐹
(
푡
)
)(1−퐹
(
푡
)
)
(1)
onde:
f(t) é a probabilidade de adoção no tempo t.
F(t) é a distribuição acumulada.
p é o coeficiente de inovação. Representa a influência externa ao processo de difusão.
q é o coeficiente de imitação. Representa a influência interna ao processo de difusão.
No início do processo de difusão, F(t) é muito baixo, e, portanto, o fator “inovação” (p) é
responsável pelo crescimento do mercado. Com o passar do tempo, F(t) fica maior, e então o
efeito “imitação” (q) ganha destaque.
Finalmente, a taxa de adoção acumulada no tempo é multiplicada pelo mercado potencial final,
para então determinar o número absoluto acumulado de adotantes.
푁
(
푡
)
=푚퐹(푡)
(2)
onde
N(t) representa o número acumulado de adotantes no tempo t;
m é o mercado potencial final, i.e., o número de indivíduos que adotarão a tecnologia dado
tempo suficiente de difusão;
F(t) é a distribuição acumulada da probabilidade de adoção.
O modelo de Bass “puro” é um modelo top-down que tem como vantagem a baixa necessidade
de dados de entrada, sendo de fácil implementação. Como exemplo, os parâmetros p, q, e
mesmo o mercado potencial (m) podem ser extraídos através de uma regressão não-linear,
baseada exclusivamente nos dados históricos de adoção. No entanto, essa abordagem não
permite fazer análise de cenários com alterações de regulamentações e políticas energéticas
(Dong et al, 2017).
7
Ministério de Minas e Energia
Para conduzir análises mais sofisticadas, muitos autores (BECK, 2009; DENHOLM et al., 2009;
KONZEN, 2014; NREL, 2016) adotam uma abordagem híbrida, com um modelo bottom-up prévio
para definir o mercado potencial (m). Essa abordagem é útil para estimar o mercado potencial
com base no payback, por exemplo. No entanto, esses modelos têm uma limitação para fazer
análises de alterações regulatórias no meio do processo de difusão. Basicamente, ao haver uma
mudança na regulação que leve a um salto no valor do payback, ocorre uma quebra no mercado
potencial (m), e, por consequência, uma quebra no número acumulado de adotantes. Portanto,
é necessário utilizar um método de adoção incremental, que será apresentado no capítulo 5.
Essa abordagem foi introduzida pela ANEEL, em 2019, nas análises da Audiência Pública
001/2019 (ANEEL, 2019).
Dessa forma, no capítulo 4 são descritas algumas características gerais do modelo; no capítulo
5 é apresentado como é feito o cálculo do mercado potencial para cada ano; e no capítulo 6 é
apresentado como são calibrados os parâmetros p e q e calculado o número de adotantes anuais
de MMGD. No capítulo 7 é exposto como é feita a distribuição dos adotantes por fonte, e o
cálculo em potência e energia gerada. Por fim, no capítulo 8 são discutidas adaptações na
modelagem em função da Lei n° 14.300.
4. CARACTERÍSTICAS GERAIS
4.1. Fontes consideradas
Conforme a divisão empregada pela ANEEL no seu banco de dados sobre micro e minigeração
distribuída, o 4MD inclui quatro fontes nas projeções: (i) fotovoltaica, (ii) eólica, (iii)
termelétricas
3
e (iv) CGHs.
O 4MD utiliza o modelo de Bass para calcular o número de adotantes de micro e minigeração
distribuída, sem distinguir imediatamente a tecnologia. Numa etapa posterior, são utilizados
fatores para distribuir o número de adotantes para cada tecnologia. Essa abordagem se justifica
em função da regulamentação atual permitir modelos de geração compartilhada e
autoconsumo remoto, fazendo com que um consumidor tenha acesso às diferentes tecnologias,
mesmo sem ter o recurso energético no seu terreno. Portanto, inicialmente o número de
adotantes calculado pelo modelo se refere ao número de consumidores que recebem créditos
de micro e minigeração distribuída, que não necessariamente é o número de micro e
minigeradores instalados. As próximas seções descreverão os detalhes desta modelagem.
4.2. Resolução espacial Um dos principais fatores que influenciam a adoção dos sistemas de geração distribuída é a atratividade econômica. Essa, por sua vez, é influenciada pelo investimento inicial e pelas tarifas
3 Inclui biomassa de diversas fontes e cogeração qualificada.
8
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de eletricidade. Portanto, faz sentido segmentar os consumidores de acordo com a distribuidora
a qual pertencem.
A base de dados georreferenciada das áreas de concessão das distribuidoras foi obtida através
do Sistema de Informações Georreferenciadas do Setor Elétrico (SIGEL)
4
, concebido pela Agência
Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Em função de algumas fusões e aquisições que ainda não
estavam incorporadas no mapa, foi atualizada manualmente a lista de distribuidoras para
adequá-la à realidade. Dessa forma, o modelo conta com 54 diferentes distribuidoras
5
.
Figura 4 - Divisão geográfica das áreas de concessões das distribuidoras brasileiras de energia elétrica - Fonte: ANEEL, 2014.
4.3. Resolução temporal e Horizonte de análise O modelo considera 2013 como ano inicial das projeções (ano em que a Resolução n° 482/2012 da ANEEL entrou em vigor), indo até 2050, com uma resolução anual.
4
http://sigel.aneel.gov.br/portal/home/index.html
5
São 53 distribuidoras distintas, mais um conjunto de distribuidoras de pequeno porte agrupadas como
“Outras”.
9
Ministério de Minas e Energia
4.4. Segmentação dos consumidores
O modelo inclui nas projeções todas as unidades consumidoras do país. No entanto, existem
diversas classes de consumo e cada uma delas tem aberturas de acordo com o nível de tensão,
tipo de atividade comercial, entre outras. Portanto, em função da complexidade de desagregar
cada classe e faixa de tensão, o modelo foi configurado para trabalhar com cinco segmentos,
denominados:
▪ Residencial (Local): projetos de geração em telhados residenciais para uso próprio;
▪ Residencial (Remoto): projetos de geração em telhados residenciais para uso próprio,
mas que possuem dimensionamento superior ao consumo da própria unidade, e geram
créditos para outros imóveis do mesmo dono. Também inclui modelos de geração
compartilhada residenciais conectados em baixa tensão;
▪ Comercial BT (Local): projetos de geração em telhados de unidades não residenciais de
pequeno porte para consumo próprio.
▪ Comercial AT (Local): projetos em telhados de shoppings, supermercados, galpões
industriais, atendidos especialmente no subgrupo A4, e cujos créditos de energia são
consumidos no local.
▪ Comercial AT/BT (Remoto): projetos em solo, em unidades consumidoras do grupo A,
sem consumo, que geram créditos para clientes remotos atendidos no subgrupo B3,
especialmente.
Cabe destacar que os segmentos “comerciais”, incluem também os consumidores dos setores
industrial, rural, poder público e poder público. Ao longo do documento, serão dadas mais
informações sobre o tratamento de cada segmento.
4.5. Ambiente de programação Inicialmente criado em interface Excel, o 4MD foi migrado para a linguagem R em 2021. O pacote pode ser acessado no site https://github.com/EPE-GOV-BR/epe4md
4.6. Resumo da metodologia Na sequência, é apresentado um diagrama resumido da metodologia.
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Ministério de Minas e Energia
Figura 5 - Diagrama da metodologia 5. ESTIMATIVA DO MERCADO POTENCIAL 5.1. Avaliação Socioeconômica 5.1.1. Residencial Ao estudar a difusão de um produto no mercado, deve-se ter definido qual é o mercado potencial para tal produto, i.e., quem tem condições iniciais de adquiri-lo ou adotá-lo. No caso dos sistemas de micro e minigeração distribuída (MMGD), dado o elevado custo inicial, entende- se que somente domicílios com maior renda tenham condições de fazer tal investimento. Mesmo através de financiamento, que pode reduzir a barreira do custo inicial, há uma exigência de renda para a qualificação de crédito, portanto, é razoável limitar o mercado potencial de acordo com a renda do domicílio. Essa delimitação de acordo com o perfil econômico formará o mercado nicho. Antes das atualizações propostas pela ANEEL através da REN 687/2015, a EPE considerava como aptos domicílios cujo responsável recebesse acima de cinco salários-mínimos. No entanto, a atualização do regulamento possibilita modelos de negócio inovadores, como a geração
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Ministério de Minas e Energia
compartilhada, que pode facilitar o acesso de consumidores com menor renda. Dessa forma, o
modelo passou a considerar domicílios cuja renda do responsável seja superior a três salários-
mínimos como mercado nicho.
O mercado nicho inicial foi levantado com base em georreferenciamento com as bases de dados
de renda do Censo 2010 do IBGE e das áreas de concessão de cada distribuidora disponíveis no
SIGEL – ANEEL.
Adicionalmente, deve-se reconhecer que nem todos os domicílios têm condições físicas de
instalar um sistema de geração distribuída em sua propriedade. Por exemplo, moradores de
apartamentos não dispõem de telhado para a instalação de um sistema fotovoltaico. Outra
restrição se origina da condição de ocupação do imóvel, isto é, se o mesmo é próprio, alugado
ou cedido. Por se tratar de um investimento de longo prazo e que dificilmente será transferido
de uma residência à outra, não se percebe como atrativa a instalação de sistemas fotovoltaicos
para consumidores que não estejam morando num domicílio próprio. O percentual de
domicílios nessa condição para cada distribuidora foi extraído do trabalho de Konzen (2014), e
será denominado aqui como Fator de Aptidão Local (FAL). Portanto, para o segmento
“Residencial (Local)” foi aplicado o FAL sobre o mercado nicho para calcular o mercado potencial
inicial (mpi).
Os domicílios que não se enquadram na instalação local (casa própria) foram alocados dentro
do segmento “Residencial (Remoto)”.
5.1.2. Outros segmentos de consumo
A base das unidades consumidoras de outros setores foi levantada através dos “Relatório
Mercado Cativo - SAMP (Atualização Mensal)”, presente no site da ANEEL
6
. São selecionados os
números de unidades consumidoras em dezembro do último ano disponível, com as
classificações presentes na Tabela 1. Também se utiliza um fator para diferenciar consumidores
com potencial de instalação local e remota. Na ausência de base detalhada das unidades
comerciais e industriais, foi utilizado o mesmo fator residencial (FAL) para consumidores
atendidos em BT. Para o segmento Comercial AT (Local), entende-se que as edificações tenham
perfil predominante horizontal, com telhado ou áreas adjacentes em solo disponíveis para
instalações. Portanto, não foi considerado o fator FAL para esse segmento.
Ao contrário do segmento residencial, que permite uma classificação por renda, não se dispõe
de base de dados detalhada para a classificação das demais classes. No segmento Comercial BT
e Comercial AT/BT (Remoto), por exemplo, entende-se que também há limitações relacionadas
a capacidade financeira de muitos consumidores, que limitaria a adoção a sistemas de MMGD.
Até o PDE 2032, era utilizada a mesma razão resultante da segregação do potencial residencial
(cerca de 15%) para limitar o mercado das demais classes. No entanto, a partir da NOTA TÉCNICA
EPE DEA-SEE 017/2022, foi discutido que esse “fator comercial” estaria subdimensionando o
6 https://portalrelatorios.aneel.gov.br/luznatarifa/cativo
12
Ministério de Minas e Energia mercado potencial dos segmentos Comercial BT (Local) e Comercial AT/BT (Remoto). De fato, como aponta a Figura 6, o fator comercial original (com mesmo nível de restrição de potencial adotado para o residencial) leva a um estrangulamento do segmento Comercial (BT) quando se inicia a projeção, a partir de 2023. Por outro lado, utilizando um fator comercial igual a 0,3 percebe-se uma homogeneização entre o histórico e o indicativo. Assim, passou-se a utilizar o fator comercial igual a 0,3.
Figura 6 - Potência instalada anual por segmento com diferentes fatores comerciais Para o segmento Comercial AT (Local), entende-se que são clientes com maior capacidade financeira e, portanto, não seriam limitados pelo fator mencionado. Tabela 1 - Segmentação da base de consumidores comerciais Grupo do Modelo Classe de Consumo (Base ANEEL) Faixa de Tensão (Base ANEEL) Fator de Aptidão Local Aplica Fator Comercial Comercial BT (Local) Todas as classes, menos a residencial Todas as faixas de tensão, menos Grupo A FAL Sim Comercial AT (Local) Todas as classes, menos a residencial Grupo A Não Não Comercial AT/BT (Remoto) Todas as classes, menos a residencial Todas as faixas de tensão, menos Grupo A (1-FAL) Sim
5.2. Crescimento do Mercado Potencial O crescimento do mercado potencial inicial depende de condições demográficas e econômicas. Como premissa, para todos os segmentos de mercado, com exceção do Comercial AT (Local) são
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Ministério de Minas e Energia
utilizadas as projeções anuais de crescimento do PIB nacional feita pela EPE no horizonte em
análise para as taxas anuais de crescimento do mercado potencial inicial
7
.
Para o caso dos consumidores do Grupo A, em função da migração de consumidores desse
segmento para o mercado livre, observa-se uma redução no número de unidades consumidoras
no mercado cativo. Dessa forma, foi feita uma análise de séries temporais, através do método
de suavização exponencial, considerando o histórico desde 2015, quando há uma inflexão na
curva do número de consumidores. Essa análise resultou em diminuição do mercado do
segmento Comercial AT (local) à uma taxa média de 0,73% a.a.
Figura 7 - Tendência de progressão do número de consumidores cativos do Grupo A
5.3. Mercado Potencial Final O mercado potencial anteriormente segregado indica uma parcela dos consumidores que estaria apta, técnica e financeiramente, a adotar um sistema de geração distribuída. Desses, empiricamente se sabe que apenas um percentual será estimulado a realizar este investimento de acordo com a atratividade econômica. O estímulo varia individualmente, sendo que alguns consumidores aceitam realizar investimentos com prazos de retorno maiores, enquanto a maioria só é atraída por retornos financeiros rápidos (KASTOVICH, 1982; NAVIGANT CONSULTING, 2007; SIGRIN e DRURY, 2014). Com base em alguns estudos internacionais (NREL, 2016 e AEMO, 2012), o valor do payback simples foi utilizado para estimar o mercado potencial final, ou seja, qual o percentual do mercado que teria interesse em investir em um sistema de GD, dada a sua atratividade
7 Para o ano de 2020, o PIB negativo de 4,1% em função da pandemia da Covid-19 foi substituído por 0%.
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Ministério de Minas e Energia
econômica. Cabe ressaltar que, apesar do payback simples não ser a métrica mais acurada
8
, ela
é referência para o modelo de difusão porque o modelo trabalha com a perspectiva do
consumidor comum. Nesse sentido, alguns estudos estadunidenses apontam que o payback
simples é a métrica mais utilizada pelos consumidores residenciais (RAI e SIGRIN, 2012;
DENHOLM et al., 2009). Para consumidores comerciais e industriais, outras métricas também
costumam ser utilizadas, mas no modelo também foi utilizado o payback simples por ser uma
aproximação da atratividade econômica e existir uma forma direta de transformar o tempo de
payback em percentual de mercado disposto a investir.
O perfil de intenção de investimento de acordo com o valor de payback simples foi levantado
empiricamente em Kastovich (1982) e Navigant Consulting (2007), sendo utilizadas estas
referências em estudos americanos de difusão fotovoltaica (PAIDIPATI et al., 2008; BECK, 2009;
DENHOLM et al., 2009; NREL, 2016). Beck (2009) apresenta uma função que representa os
resultados obtidos com as duas pesquisas citadas. Esta equação é apresenta a seguir:
푓푚푚=푒 −푆푃퐵 × 푇푃퐵
(4) Onde: fmm – fração de máximo mercado; SPB – sensibilidade ao payback; TPB – tempo de payback, calculado em anos.
8 Não leva em consideração a taxa de juros, inflação ou custo de oportunidade no período, por exemplo.
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Ministério de Minas e Energia
Figura 8 – Mercado Potencial Final vs. Payback – Fonte: KONZEN, 2014.
Como visto, a equação gera uma curva condizente com os resultados experimentais de Kastovich
(1982) e Navigant Consulting (2007), demonstrando um aumento exponencial do mercado
potencial final conforme o tempo de payback diminui.
Para o caso brasileiro, na ausência de estudo empírico similar, optou-se por uma curva com fator
de sensibilidade ao payback (SPB) igual a 0,3, com base no exemplo internacional.
Como aprimoramento futuro da metodologia, sugere-se uma pesquisa da propensão dos
domicílios e firmas em adotarem um sistema de geração distribuída de acordo com o tempo de
retorno do investimento.
Ao multiplicar a fração de máximo mercado (fmm) pelo mercado potencial inicial (mpi), obtém-
se o mercado potencial final (m), conforme a equação a seguir:
푚=푓푚푚×푚푝푖 ( 5 ) 5.3.1. Tempo de payback O cálculo do tempo de payback é calculado através de um fluxo de caixa, com o custo de investimento, “receitas” provenientes da economia na conta de luz e despesas com O&M e demanda contratada (segmento Comercial AT/BT Remoto), entre outras. As “receitas” são separadas por parcelas, como receita de autoconsumo e receita de injeção (parcelas TE e TUSD). Essa separação é feita para capturar as particularidades da tributação de ICMS e do modelo de compensação. O modelo roda o fluxo de caixa para cada ano, distribuidora e segmento.
16
Ministério de Minas e Energia Em função da relevância da fonte fotovoltaica no mercado de micro e minigeração e da maior disponibilidade nacional de dados para a fonte, o cálculo do payback foi feito com base nas características dessa fonte. Essa premissa pode ser considerada como conservadora, uma vez que outras fontes podem apresentar custos menores em determinadas localidades. A Tabela 2 apresenta as principais premissas para o cálculo do payback. Tabela 2 – Premissas para o cálculo do payback Premissa Valor Referência Tipo de Cálculo Payback Simples RAI e SIGRIN, 2012 Potência típica de um SFV 9
Residencial: 4,68 kW Residencial Remoto: 6 kW Comercial BT: 10 kW Comercial AT: 77 kW Com. AT/BT Remoto: 72 kW Valor mediano de acordo com os sistemas presentes na base da ANEEL Irradiação Global Inclinada Valor médio por área de concessão Pereira et al., 2017 Performance Ratio (PR) Sistemas Locais: 75% Sistemas Remotos: 80% Pinho e Galdino, 2014 Degradação anual de produtividade 0,50% Pinho e Galdino, 2014 Vida útil do sistema 25 anos Pinho e Galdino, 2014 Despesas anuais com O&M Sistemas Locais: 1% do investimento inicial Sistemas Remotos: 2% do investimento inicial EPE, 2019 Evolução das tarifas de eletricidade Tarifa real constante EPE, 2012 Custo Inicial do Sistema Fotovoltaico Instalado (2023) Residencial: R$ 4,39/Wp Residencial Remoto: R$ 3,92/Wp Comercial BT: R$ 3,67/Wp Comercial AT: R$ 3,84/Wp Com. AT/BT Remoto: R$ 4,38/Wp Greener, 2023 Fator de autoconsumo Residencial: 40% Residencial Remoto: 20% Comercial BT: 50% Comercial AT: 80% Com. AT/BT Remoto: 0% Premissa EPE com base em ANEEL, 2019a e DINIZ, 2019 Redução de custos 2,9% a.a. (2021 - 2030); 1,5% a.a. (a partir de 2031) IEA, 2014 e NREL, 2018 Custo do inversor (10° ano) 15% do CAPEX ANEEL, 2019a Custo de reforço da rede (projetos AT Remotos) R$ 200/kW ANEEL, 2019b Pagamento de disponibilidade BT 10
30% de 100 kWh ao mês ANEEL, 2019a Tempo de construção da planta Residencial: 2 meses Residencial Remoto: 2 meses Comercial BT: 3 meses
9 Nos estudos de micro e minigeração distribuída, foi assumido um Fator de Dimensionamento do Inversor (FDI) igual a 1. Ou seja, potência CC igual a potência CA. 10 Considerado apenas até 2022 em função das novas regras de cobrança de custo de disponibilidade trazidas pela Lei n° 14.300/2022.
17
Ministério de Minas e Energia Premissa Valor Referência Comercial AT: 4 meses Com. AT/BT Remoto: 8 meses Em relação às tarifas utilizadas no modelo, é feito um levantamento periódico das tarifas “abertas” das distribuidoras através do site da ANEEL 11 , em que cada componente é especificada. Dessa forma, o modelo permite avaliar a “receita” da geração distribuída para diferentes mecanismos de compensação (ex: compensação integral, somente parcela de energia, etc.). 6. DIFUSÃO DO MERCADO Na seção anterior, foi definida a metodologia utilizada para estimar o mercado potencial final. Ou seja, ao longo do processo de décadas de difusão, e se este for bem-sucedido, todo o mercado potencial final (m) terá adotado a tecnologia. A próxima etapa consiste em definir a forma como o fenômeno da difusão se desenvolve neste mercado (m) ao longo do tempo. Para isso, foi utilizado o modelo de Bass, que é o modelo de difusão mais citado e referenciado na literatura de marketing, havendo sido testado em diversas indústrias para diferentes produtos (BASS BASEMENT, s.d). O resultado do modelo é uma curva “S” de adoção, sendo uma representação matemática do processo social teorizado por Rogers (2003).
6.1. Definição dos parâmetros de inovação e imitação O ponto de partida do 4MD é a expressão na sua forma fechada, conforme em Guidolin e Mortarino (2010) e em Islam (2014). Assim sendo, a função distribuição acumulada de um potencial adotante em realizar a adoção no tempo t é
퐹 ( 푡 )
1−푒
−
(
푝+푞
)
푡
1+
푞
푝
푒
−
(
푝+푞
)
푡
, t > 0, p,q > 0
( 6 )
Como pode ser visto na equação 6, dois parâmetros são usados: um deles (p) é exógeno (efeito
da inovação), e o outro (q) é endógeno (imitação ou efeito boca-a-boca). Desta forma, quanto
maior o número de usuários efetivos de uma tecnologia, maior o número de usuários potenciais
que tomarão conhecimento da mesma e, consequentemente, tornar-se-ão adotantes
(BONADIA, 2007).
Existem diversos métodos para estimar os parâmetros p e q do modelo de Bass, podendo ser
baseados em dados históricos de vendas com auxílio de regressão linear ou não linear caso o
produto esteja disponível no mercado há algum tempo, através de analogia com outros
11 https://portalrelatorios.aneel.gov.br/luznatarifa/basestarifas
18
Ministério de Minas e Energia
produtos similares ou via pesquisas de opinião para levantar a intenção de compra dos
consumidores (LILIEN et al., 2007).
Inicialmente, o modelo utilizava parâmetros da literatura, no entanto, considerando o histórico
da tecnologia no Brasil, optou-se por calibrar os parâmetros p e q através de regressão não linear
com auxílio do Método dos Mínimos Quadrados, através da função optim do pacote “stats”,
método "L-BFGS-B". Desta forma, o otimizador procura os valores de p e q que minimizem a
soma das diferenças entre os valores da projeção e os dados verificados. Segundo o trabalho de
Jeuland (1994, apud MAHAJAN et al., 1995), o valor de p costuma ser entre 0 e 0,01 e o valor de
q costuma ser entre 0,3 e 0,5.
No entanto, como apresentado na Figura 3, produtos recentes (a partir da década de 1990) têm
experimentado uma curva de adoção mais rápida do que produtos mais antigos. Uma das
explicações para esse efeito é o advento de novas tecnologias de comunicação, que facilitou o
processo de difusão do conhecimento. A MMGD tem apresentado uma adoção bastante
acelerada, indicando uma curva S empinada, com parâmetro q acima de 0,5. No estudo de Dong
et al. (2017), por exemplo, foi utilizado um limite superior para q de 0,8. Já a PSR (2019), indica
um valor q de aproximadamente 0,9 em seu estudo. Dessa forma, a EPE, neste estudo, utilizou
as seguintes restrições para p e q:
Tabela 3 - Restrições para os parâmetros p e q p (inovação) q (imitação) 0 < p ≤ 0,01 0 ≤ q ≤ 1 A calibração dos parâmetros p e q foi realizada para cada segmento e por distribuidora, resultando em 270 curvas diferentes de adoção. Dessa forma, as restrições permitem capturar diferentes velocidades de difusão para cada mercado.
19
Ministério de Minas e Energia
Figura 9 - Exemplo de curvas de adoção
6.1. Cálculo dos adotantes
A partir dos parâmetros p e q é calculada a taxa de adoção acumulada – F(t) – para cada segmento e distribuidora. Em cada ano, essa função é multiplicada pelo mercado potencial naquele ano, como mostra a seguinte fórmula:
푁 ( 푡 ) =퐹 ( 푡 ) ∙푚(푡) (7) em que N(t) é número acumulado de adotantes no ano t. No entanto, como o mercado potencial pode diminuir em função de aumentos do payback (no caso de uma mudança das regras de compensação, por exemplo), a função de N(t) pode resultar numa diminuição do número acumulado de adotantes. Esse resultado não parece realista, pois indicaria que alguns adotantes desinstalariam seus sistemas de GD. Para contornar esse efeito, é calculado o número incremental de adotantes – n(t) – e então, se esse for negativo, é atribuído o valor 0, que indica que naquele ano não haveria instalações:
푛 ( 푡 ) =푀Á푋[푁 ( 푡 ) −푁 ( 푡−1 ) ;0] (8)
푁 퐹 ( 푡 ) =푛 ( 푡 ) +푛(푡−1) (9) Cabe ressaltar que essa metodologia produz resultados idênticos aos gerados pela metodologia apresentada na seção 6.1 desta Nota Técnica apresentada no PDE 2030.
20
Ministério de Minas e Energia Por fim, é aplicada uma suavização nos anos corrigidos pela equação 8 (valores negativos substituídos por 0). É calculada uma média simples entre esses anos iguais a zero (t) e o ano subsequente (t+1). Depois ambos os anos (t e t+1) são substituídos pela média. Portanto, não há uma alteração do resultado final das projeções. Essa é uma abordagem simplificada para lidar com momentos de quebra de série, mas salienta-se que o foco do 4MD é trazer resultados de médio e longo prazos para fins de planejamento energético.
6.2. Abertura por fonte
Nas seções anteriores, foi explicado como o modelo projeta o número de adotantes de um
sistema de micro ou minigeração distribuída. No entanto, apesar da análise ser feita com base
na competitividade de um sistema fotovoltaico, considera-se que o resultado representa um
adotante genérico, que recebe créditos de energia, independentemente de a fonte de geração
ser fotovoltaica, eólica, termelétrica ou hidrelétrica. Para fins de cálculo de contribuição
energética e contribuição para a demanda máxima, além de apresentação para a sociedade, é
estimada a distribuição dos adotantes por tecnologia.
A distribuição é feita com base na distribuição histórica do último ano base. A participação
percentual de cada fonte é calculada por segmento e distribuidora, conforme base da ANEEL.
Caso uma distribuidora não possua nenhum dado para algum segmento, a distribuição média
nacional para aquele segmento é utilizada.
7. POTÊNCIA E ENERGIA
7.1. Capacidade instalada anual
Para o cálculo da potência anual instalada, é multiplicada a projeção de adotantes por fonte pela
potência média histórica
12
(por segmento, distribuidora e fonte). Caso uma distribuidora não
possua dados, a potência média nacional (por segmento e fonte) é utilizada.
7.2. Capacidade instalada mensal Como apresentado ao longo do documento, toda a projeção é realizada até este ponto em base anual. Para obter-se uma abertura mensal dos resultados, utiliza-se uma metodologia para decompor cada ano.
12 A potência média é calculada pela soma da capacidade instalada dividida pela soma do número de unidades consumidoras que recebem créditos.
21
Ministério de Minas e Energia Dada a tendência de crescimento observada nos últimos anos, foi utilizado um modelo de decomposição multiplicativa clássica de séries temporais 13 para separar o efeito tendência do efeito sazonalidade da série (mais uma componente aleatória). A análise foi feita de forma nacional para o período de 2014 a 2022, retirando-se assim o ano de 2013 por ter dados incompletos. O gráfico a seguir traz um exemplo da decomposição realizada.
Figura 10 - Exemplo da decomposição multiplicativa de séries temporais Após obter-se os fatores para cada mês do ano, calcula-se:
푃 푀퐼 ( 푡,푚 )
푃 퐴퐼 (푡) 12 ∙푄(푚) (10) Onde P MI (t,m)
é a potência mensal incremental instalada no ano t e mês m, P AI (t) é a potência anual incremental instalada no ano t e Q(m) é o fator de sazonalidade do mês m. Cabe ressaltar que a soma dos fatores sazonais mensais é igual a 1 dentro de um ano. Portanto, a soma das potências mensais calculada pela equação 10 será igual à potência anual naquele ano.
7.3. Geração mensal
A partir da capacidade instalada em cada mês, estima-se a contribuição energética da MMGD.
Em primeiro lugar, são calculados os fatores de capacidade mensais. No caso da fonte
fotovoltaica, é utilizada a seguinte fórmula (adaptada de Zilles, 2012):
13 Função classical_decomposition da biblioteca feasts.
22
Ministério de Minas e Energia
퐹퐶 ( 푑,푚 )
푃푅∙퐺푇퐼 ( 푑,푚 ) 24∙퐼 푆푇퐶
(11)
Onde: • PR é o Performance Ratio. É um fator que incorpora perdas por temperatura, sujeira, conversão CC/CA, eficiência do inversor etc. Assumido valor igual a 0,80 para sistemas do segmento Comercial AT/BT Remoto e 0,75 para os demais segmentos (baseados em Pinho e Galdino, 2014). Isso se justifica pelo fato de sistemas em solo possuírem melhor orientação dos módulos e limpeza mais frequente, o que garante menores perdas de produção. • GTI(d, m) é a irradiação diária global média no plano inclinado para a distribuidora d no mês m. Obtidas a partir do Atlas Brasileiro de Energia Solar – 2ª Edição (Pereira et al., 2017). • I STC é a irradiância nas condições padrões de teste = 1 [kW/m 2 ]. Para as demais fontes, foram utilizados os seguintes fatores de capacidade, obtidos a partir de dados de plantas centralizadas. Cabe ressaltar que, em função da metodologia apresentada em 6.2, nem todos os subsistemas possuem contribuição de todas as fontes. Caso não haja histórico de inserção de determinada fonte naquele subsistema, não haverá projeção de inserção no futuro.
Tabela 4 – Fatores de capacidade por fonte, subsistema e mês (exceto fotovoltaica) Subsistema Fonte 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 MAD Hidro 0,59 0,61 0,65 0,64 0,58 0,52 0,48 0,43 0,40 0,43 0,52 0,56 MAN Hidro 0,59 0,61 0,65 0,64 0,58 0,52 0,48 0,43 0,40 0,43 0,52 0,56 N Hidro 0,59 0,61 0,65 0,64 0,58 0,52 0,48 0,43 0,40 0,43 0,52 0,56 NE Hidro 0,30 0,29 0,28 0,28 0,28 0,37 0,39 0,38 0,32 0,31 0,32 0,33 S Hidro 0,56 0,49 0,50 0,48 0,46 0,59 0,64 0,57 0,58 0,62 0,55 0,52 SE Hidro 0,56 0,57 0,60 0,60 0,54 0,49 0,42 0,36 0,34 0,34 0,45 0,56 NE Eólica 0,39 0,39 0,32 0,37 0,45 0,52 0,56 0,60 0,61 0,54 0,49 0,42 S Eólica 0,38 0,36 0,37 0,32 0,37 0,41 0,43 0,46 0,46 0,42 0,41 0,42 SE Eólica 0,27 0,25 0,26 0,22 0,26 0,29 0,30 0,32 0,32 0,29 0,29 0,29 MAD Eólica 0,27 0,25 0,26 0,22 0,26 0,29 0,30 0,32 0,32 0,29 0,29 0,29 MAN Eólica 0,27 0,25 0,26 0,22 0,26 0,29 0,30 0,32 0,32 0,29 0,29 0,29 N Eólica 0,27 0,25 0,26 0,22 0,26 0,29 0,30 0,32 0,32 0,29 0,29 0,29 MAD Termelétrica 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 MAN Termelétrica 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 N Termelétrica 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 NE Termelétrica 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 S Termelétrica 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 SE Termelétrica 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70
Em posse dos fatores de capacidade, da capacidade instalada no mês e do número de horas no mês, é calculada a geração de energia mensal. Para fins de cálculo, considera-se que a potência total instalada no mês entra em operação no dia 15 desse mês. No caso da fonte fotovoltaica, é
23
Ministério de Minas e Energia considerada uma degradação anual da produtividade de 0,5% a.a. (baseado em Pinho e Galdino, 2014). A equação a seguir exemplifica o cálculo realizado para estimar a geração de cada mês.
퐸 푚푡,푓,푑,푠 =∑푃 푖,푓,푑,푠 ∙퐹퐶 푚,푓,푑 푚푡 푖=2013.1 ∙푍 푚 ∙24∙(1−푘) 푍푇
(12)
Onde:
• E
mt,f,d,s
é a energia gerada no mês m e ano t, para a fonte f, distribuidora d e segmento
de mercado s;
• i é o índice do mês e ano de instalação de sistemas de MMGD, iniciando em janeiro de
2013 e sendo incrementado até o mês m e ano t;
• P
i,f,d,s
é a potência mensal instalada (incremental) no mês e ano i, para a fonte f,
distribuidora d e segmento de mercado s;
• FC
m,f,d,s
é o fator de capacidade no mês m, para a fonte f, distribuidora d e segmento de
mercado s;
• Z
m
é o número de dias de operação da potência P
i
no mês m;
• k é o fator de degradação diário da tecnologia. Para a fonte fotovoltaica, foi calculado
como (1+0,005)
(
1/365
)
−1. Para as demais fontes, k é igual a zero;
• ZT é o número total de dias em operação da Pi desde a sua instalação até o final do mês
m e ano t. A contagem é reiniciada caso o número de dias supere o equivalente a 25
anos, indicando que uma renovação da potência ao final da vida útil.
Por fim, a geração anual consiste na soma dos valores mensais.
Para algumas análises, é desejado ter uma estimativa do percentual da geração que é
autoconsumida instantaneamente e o percentual que é injetado na rede para compensação
posterior. Para isso, a EPE utiliza os seguintes fatores anuais típicos de autoconsumo. Para a
fonte fotovoltaica, a EPE utilizou algumas referências como ANEEL (2019a) e Diniz (2019). No
entanto, para outras fontes e segmentos, na ausência de referências, foram assumidos alguns
valores a partir dos dados da fonte fotovoltaica.
Tabela 5 - Fatores anuais típicos de autoconsumo Segmento Eólica Fotovoltaica Hidro Termelétrica comercial_at 80% 80% 50% 50% comercial_at_remoto 0% 0% 0% 0% comercial_bt 60% 50% 50% 50% residencial 60% 40% 50% 50% residencial_remoto 25% 20% 25% 25%
24
Ministério de Minas e Energia 8. A Lei n° 14.300 e seu efeito no 4MD A Lei n° 14.300, publicada em 6 de janeiro de 2022, manteve a essência do modelo de compensação de energia regulamentado pela ANEEL em 2012. Portanto, em linhas gerais, o 4MD se mantém como uma opção de modelagem da difusão da MMGD no Brasil. Por outro lado, a Lei trouxe algumas alterações que devem impactar o ritmo e o mercado potencial das instalações de MMGD no Brasil. A Tabela 6 resume as principais alterações, o impacto previsto nas projeções e como o 4MD foi adaptado.
Tabela 6 - Adaptações no 4MD a partir da Lei n° 14.300 Alteração trazida pela Lei n° 14.300 Impacto na Projeção de MMGD Incorporação no 4MD Alteração da remuneração pela energia injetada na rede (regra geral) Médio-Alto. A cobrança gradual pelo Fio B e a posterior remuneração com base no cálculo de custos e benefícios altera a atratividade do investimento e impacta a inserção da MMGD. Novas regras incorporadas nos fluxos de caixa do modelo. Alteração da remuneração pela energia injetada na rede para projetos acima de 500 kW de GD remota Baixo. Sistemas que se enquadram nessa categoria representam menos de 2% da capacidade instalada total de MMGD no Brasil. Sem alterações. Manutenção do modelo “original” de remuneração para quem protocolar solicitação de acesso em até 12 meses a partir da publicação da Lei. Médio. Prazo criou uma “janela de oportunidade” que deve impulsionar as instalações em 2022 e em 2023. Solução ad-hoc para substituir resultado do modelo em 2022 e 2023 (detalhes na sequência). Redução do limite de potência para sistemas fotovoltaicos (de 5 MW para 3 MW). Baixo. Sistemas FV acima de 3 MW representam cerca de 1% da capacidade instalada total de MMGD no Brasil. Sem alterações. Exigência de apresentação de garantia de fiel cumprimento para projetos com mais de 500 kW. Baixo. Pouco altera a viabilidade de projetos. Sem alterações. Diminuição da cobrança de custo de disponibilidade. Baixo-médio. Melhora o payback e pode ampliar o mercado potencial de consumidores de menor consumo. Redução foi incorporada no fluxo de caixa. No momento, não foi expandido o mercado potencial.
25
Ministério de Minas e Energia
Alteração trazida pela Lei n°
14.300
Impacto na Projeção de MMGD Incorporação no 4MD
Alteração da cobrança de
demanda (de TUSD consumo
para TUSD geração).
Baixo-médio. Melhora o payback de
sistemas AT, especialmente remotos.
Incorporado nos fluxos de
caixa.
Novas formas de associação
civil para geração
compartilhada.
Baixo-médio. Facilita a concepção de
sistemas de geração compartilhada.
Sem alterações. Uma
eventual aceleração desse
mercado consegue ser
capturada na calibração
dos próximos anos.
Possibilidade de contratação
de serviços ancilares.
Baixo. Pode melhorar o payback, mas
precisa ser regulamentado pela ANEEL.
Sem alterações.
Possibilidade de venda de
excedentes para as
distribuidoras.
Baixo. Pode melhorar o payback, mas
precisa ser regulamentado pela ANEEL.
Sem alterações.
Opção de faturamento como
B optante (aumento do limite
de 75 kW para 112,5 kW).
Baixo. Permite sistemas de maior
potência e sem pagamento de
demanda, mas atinge apenas um nicho
de consumidores.
Sem alterações.
Criação do Programa de
Energia Renovável Social.
Baixo-Médio. Deve aumentar a
capacidade instalada em domicílios de
baixa renda. Efeito depende de
recurso disponibilizado ao programa.
Sem alterações. Por se
tratar de uma contratação
feita pelas distribuidoras,
efeito é simulado por fora
do 4MD.
Possibilidade de divisão de
usinas FV flutuantes.
Baixo. Pode estimular projetos
remotos de grande potência. No
entanto, não está claro se o ganho de
escala compensa o custo adicional de
um sistema flutuante e o menor FC
comparado a uma usina com
rastreamento.
Sem alterações.
Como visto na tabela, a maior parte das alterações que trazem impacto relevante na adoção de
MMGD foram incorporadas no 4MD. No entanto, o dispositivo que estabelece o modelo
“original”
14
de remuneração para quem protocolar solicitação de acesso em até 12 meses a
partir da publicação da Lei criou um efeito difícil de capturar no modelo.
Conforme noticiado no início de 2023, houve uma “corrida” de solicitações para aproveitar as
regras antigas de compensação. Entre outubro de 2022 e 7 de janeiro de 2023, o volume de
14 Modelo estabelecido na REN 482/2012 com a compensação de todas as componentes tarifárias.
26
Ministério de Minas e Energia pedidos de conexão foi de 32 GW 15 . No entanto, deve-se ter em mente que somente parte desse volume deve ser, de fato, instalada ao longo de 2023. Há restrições de conexão elétrica, mão de obra e de financiamento, que devem limitar parte do desenvolvimento desse mercado, especialmente para sistemas de minigeração distribuída, que respondem por 80% do volume dos pedidos. Portanto, restam dúvidas sobre o percentual dos pedidos que irão se concretizar ao longo de 2023. Adicionalmente, há uma incerteza sobre o efeito dessa corrida após janeiro de 2023. Passada a oportunidade de se enquadrar nas regras originais, os consumidores irão se desestimular a investir em novos sistemas? Qual o grau do arrefecimento? A Espanha é um exemplo clássico do efeito boom and bust. Eles aprovaram em 2007 um período de transição de um ano para reduzir as tarifas de remuneração de sistemas de GD. Em 2008, as instalações cresceram 400% em relação ao ano anterior. Na sequência, com a entrada das novas tarifas, o mercado caiu a zero em 2009 e depois retornou a valores tímidos nos anos seguintes (Figura 11).
Figura 11 – Instalações mensais de sistemas fotovoltaicos na Espanha. Fonte: DEL RÍO e MIR- ARTIGUES, 2014 Na Califórnia, por outro lado, a atualização do modelo original de net-metering (NEM 1.0) produziu efeitos mais brandos nas instalações anuais (Figura 12). Sob o novo NEM 2.0, o gerador começou a pagar uma taxa única de conexão do sistema, teve que migrar para uma tarifa dinâmica e parou de compensar alguns componentes tarifários 16 .
15 https://canalsolar.com.br/entrada-da-lei-14-300-gerou-mais-de-32-gw-em-pedidos-de-projetos/ acesso em 25 de abril de 2023. 16 Mais detalhes em: https://www.cpuc.ca.gov/industries-and-topics/electrical-energy/demand-side- management/net-energy-metering
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Ministério de Minas e Energia
Figura 12 - Instalações anuais de sistemas de geração distribuída FV na Califórnia. Fonte:
https://www.californiadgstats.ca.gov/charts/nem/
Nota: Data de início do NEM 2.0 variou de acordo com a distribuidora, mas ficou em torno de meados de 2016 a
meados de 2017.
Em termos de impactos na atratividade dos investimentos, a revisão californiana foi mais suave
que a espanhola. Nesse aspecto, o Brasil se assemelha à Califórnia em função da pequena e
gradual cobrança pelo uso da rede. Por outro lado, o caso californiano apresenta uma distinção
em relação ao Brasil e a Espanha. Enquanto no primeiro caso foi adotado um gatilho de
capacidade para a alteração das regras
17
, no Brasil e na Espanha foi adotado o gatilho de data,
o que favorece o efeito boom and bust.
Alguns dados levantados com 57 empresas brasileiras do setor indicam uma queda nas vendas
do primeiro trimestre de 2023 de 63% em relação ao primeiro trimestre de 2022. Por outro lado,
as empresas se mostram otimistas em relação ao restante do ano, esperando um crescimento
de 2,5 vezes no volume de vendas para o próximo trimestre
18
.
Portanto, esses elementos demonstram a incerteza na dinâmica de instalações de MMGD no
Brasil nos próximos anos. Entende-se que somente a partir de meados de 2023 e em 2024 será
possível ter maior clareza dos efeitos do novo marco legal na dinâmica de difusão da MMGD.
17 Quando a capacidade (MW) atingisse 5% da demanda de pico agregada dos consumidores. 18 https://www.greener.com.br/como-as-vendas-de-sistemas-fotovoltaicos-vem-se-comportando-no- inicio-de-2023/ acesso em 25/04/2023.
400 800 1.200 1.600 2.000 200720082009201020112012201320142015201620172018201920202021 [MW] NEM2.0 NEM1.0
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Ministério de Minas e Energia 8.1. O ajuste em 2023 Diante das incertezas sobre o volume de instalações ao longo de 2023 a partir dos pedidos realizados até o início do ano, a EPE optou neste estudo por substituir o número de adotantes de 2023 oriundo do modelo por uma extrapolação linear baseada na adição verificada nos primeiros dois meses do ano. Não foi possível utilizar mais meses de histórico pois a projeção foi realizada durante o mês de março, respeitando o calendário da 1ª Revisão Quadrimestral da Carga para o PLAN 2023-2027. Portanto, o número de adotantes em 2023 foi calculado multiplicando por seis o número verificado em janeiro e fevereiro de 2023, por distribuidora e segmento de mercado.
푛 2023,푑,푠 =6∙푛 푗푓,푑,푠
(13)
Onde: • 푛 2022,푑,푠
é o número de adotantes em 2023, por distribuidora d e segmento de mercado s; • 푛 푗푓,푑,푠 é o número de adotantes em janeiro e fevereiro de 2023, por distribuidora d e segmento de mercado s.
Na sequência, prosseguiu-se com a metodologia a partir do passo 6.2 desta nota para fazer a abertura por fonte e calcular a capacidade instalada e geração de energia. Com esse ajuste, a projeção de adição de capacidade para o ano de 2023 foi alterada de 5,7 GW para 8,1 GW. Ressalta-se que essa é uma solução pontual e que possui suas limitações. Em termos de projeção por segmento, por exemplo, espera-se que haja maior entrada de sistemas de mini GD comerciais no segundo semestre pois esses projetos possuem prazo de até 12 meses para efetivar as conexões a partir da data do parecer de acesso. Projetos de microgeração distribuída, por outro lado, tem um prazo limitado a quatro meses. Portanto, a extrapolação com os primeiros meses do ano pode não capturar a maior concentração de minigeradores a serem instalados no final de 2023. 9. CONSIDERAÇÕES FINAIS A EPE vem desde 2013 aperfeiçoando seus modelos para projetar a micro e minigeração no país. Inicialmente, a abordagem era limitada à geração fotovoltaica no setor residencial. No entanto, com o passar dos anos, o avanço tecnológico, as mudanças da REN 482 e a chegada da Lei n° 14.300, e o desenvolvimento de novos modelos de negócio tornou o mercado de micro e minigeração muito mais amplo, evidenciando a necessidade de uma ampliação do modelo. Dessa forma, o 4MD foi atualizado para englobar todas as fontes permitidas pela Lei n° 14.300 e todos os setores de consumo. Por outro lado, cabe a ressalva de que a abordagem utilizada para as demais fontes e setores ainda é simplificada. Isso porque há menor disponibilidade de dados para avaliar a economicidade das demais tecnologias em todas as áreas do Brasil e o perfil
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detalhado das unidades consumidoras não residenciais. Adicionalmente, a metodologia tem
outras limitações decorrentes do impacto produzido pela Lei n° 14.300 e da existência de poucos
estudos que avaliem a intenção de investimento dos consumidores dadas as condições de
retorno.
Dadas as limitações metodológicas e a inerente incerteza decorrente do comportamento
humano, os resultados das simulações do 4MD devem ser utilizados com ressalvas. Busca-se
com o modelo enxergar alguns movimentos da expansão do mercado de micro e minigeração
distribuída e o potencial desse mercado, com foco no longo prazo. O efeito de políticas de
incentivo e alterações regulatórias podem ser modelados, mas o resultado da transição no curto
prazo é bastante incerto. Portanto, reforça-se o objetivo do modelo em identificar resultados
de médio e longo prazo.
Dada a importância da ferramenta e das limitações existentes, a intenção da EPE é aperfeiçoar
continuamente o 4MD, contando com o auxílio de demais pesquisadores e instituições
interessados no tema. Nesse sentido, o e-mail contato.4md@epe.gov.br pode ser utilizado para
o envio de contribuições ao modelo.
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- APÊNDICE 11.1. Código para reprodução das projeções da 1ª RQ do PLAN 2023-2027
library(epe4md)
premissas_regulatorias <- readxl::read_xlsx(system.file("dados_premissas/2022/premissas_reg.xlsx", package = "epe4md"))
projecao_referencia <- epe4md_calcula(
premissas_reg = premissas_regulatorias,
ano_base = 2022,
ano_max_resultado = 2027,
altera_sistemas_existentes = TRUE,
ano_decisao_alteracao = 2023,
fator_local_comercial = "residencial",
ajuste_ano_corrente = TRUE,
ultimo_mes_ajuste = 2,
metodo_ajuste = "extrapola",
filtro_comercial = 0.3,
tx_cresc_grupo_a = -0.0073
)