\
NOTA TÉCNICA EPE DEA 016/2021
CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL SETOR RESIDENCIAL BRASIL Novembro de 2021
GOVERNO FEDERAL MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA
MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA
Ministro
Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Junior
Secretária Executiva
Marisete Fátima Dadald pereira
Secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético Paulo Cesar Magalhães Domingues
Secretário de Energia Elétrica Rodrigo Limp Nascimento
Secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis José Mauro Ferreira coelho
Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral Alexandre Vidigal de oliveira
Empresa pública, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, instituída nos termos da Lei n° 10.847, de 15 de março de 2004, a EPE tem por finalidade prestar serviços na área de estudos e pesquisas destinadas a subsidiar o planejamento do setor energético, tais como energia elétrica, petróleo e gás natural e seus derivados, carvão mineral, fontes energéticas renováveis e eficiência energética, dentre outras.
Presidente Thiago Vasconcellos Barral Ferreira Diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais Giovani Vitoria Machado
Diretor de Estudos de Energia Elétrica Erik Eduardo Rego Diretor de Estudos de Petróleo, Gás e Biocombustível Heloisa Borges Bastos Esteves Diretor de Gestão Corporativa Angela Regina Livino de Carvalho
URL: http://www.epe.gov.br Sede Esplanada dos Ministérios Bloco "U" - Ministério de Minas e Energia
- Sala 744 - 7º andar – 70065-900 - Brasília – DF Escritório Central Praça Pio X, 54 – 5° andar. 20091-040 - Rio de Janeiro – RJ
NOTA TÉCNICA EPE DEA 016/2021
CONSUMO DE LENHA E
CARVÃO VEGETAL
SETOR RESIDENCIAL BRASIL
Coordenação Técnica Rogério Antônio da Silva Matos
Elaboração Felipe Klein Soares Rogério Antônio da Silva Matos
Superintendente de Estudos Econômico- Energéticos Carla da Costa Lopes Achão
Superintendente Adjunto de Estudos Econômico-Energéticos Gustavo Naciff de Andrade
Consultor Técnico Glaucio Vinícius Ramalho Faria
N o NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 Data: 17 de novembro de 2021
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
i
CONTEÚDO RESUMO EXECUTIVO _________________________________________ 1
- INTRODUÇÃO ______________________________________________ 3
- METODOLOGIA DE ESTIMAÇÃO DO CONSUMO RESIDENCIAL DE LENHA E CARVÃO VEGETAL _________________________________________________ 5
- METODOLOGIA DA PESQUISA DE CAMPO _____________________________ 8
- PRINCIPAIS RESULTADOS DA PESQUISA DE CAMPO _____________________ 11
- ESTIMAÇÃO DO CONSUMO DE LENHA NO SETOR RESIDENCIAL ______________ 28 APÊNDICE A METODOLOGIA DA PESQUISA DE CAMPO __________________ 36 A.1 Pesquisa Residencial 37 A.2 Planejamento e Seleção Amostral 37 A.3 Questionários para Entrevistas 59 APÊNDICE B QUESTIONÁRIO DA PESQUISA RESIDENCIAL _______________ 62 APÊNDICE C MANUAL DE TREINAMENTO DE EQUIPE ____________________ 73 C.1 Objetivo da Pesquisa 73 C.2 Aspectos Subjetivos da Pesquisa de Campo 73 C.3 Lidando com Percepções Negativas 75 C.4 Processo de Trabalho e Organização 75 C.5 Seleção e Treinamento dos Entrevistadores 77 C.6 Seleção Amostral – Quem Entrevistar? 79 C.7 Entendimento e Leitura do Questionário 80 C.8 Preenchimento do Questionário 81 C.9 Roupas Adequadas 83 C.10 Abordagem, Postura e Comportamento 84 C.11 Postura Séria e Educada 85 C.12 Neutralidade e Uniformidade 85 C.13 Conhecendo um Setor Censitário 86
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
ii APÊNDICE D DIRETRIZES DE SUPERVISÃO, PROCESSAMENTO E CRÍTICA DOS DADOS _____________________________________________ 93 D.1 Treinamento dos Supervisores 94 D.2 Fraude e Erros Não Intencionais 95 APÊNDICE E DIRETRIZES DE PROCESSAMENTO E CRÍTICA DOS DADOS _____ 99 E.1 Crítica 99 E.2 Digitação 100 APÊNDICE F PESQUISA DE CAMPO CP2 _____________________________ 102 F.1 Elaboração 102 F.2 Objetivo geral 102 F.3 Metodologia utilizada 102 F.4 Prazo de realização 102 F.5 Público alvo 103 F.6 Caracterização socioeconômica 103 F.7 Caracterização dos energéticos usados 110 F.8 Consumo de lenha 114 F.9 Consumo de lenha famílias que Compram o energético 123 F.10 Consumo de lenha famílias que apanham o energético 126 F.11 Consumo de carvão vegetal 128 F.12 Resultados da Pesquisa e Aplicação das Variáveis encontradas no Modelo de Estimação 130
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
iii TABELAS Tabela 1 Amostra utilizada na pesquisa de campo ___________________________________________________ 12 Tabela 2 Escolaridade do chefe do domicílio ________________________________________________________ 13 Tabela 3 Ocupação do (a) chefe do domicílio ________________________________________________________ 13 Tabela 4 Renda mensal per capita ________________________________________________________________ 14 Tabela 5 Gastos mensais variados nos domicílios ____________________________________________________ 14 Tabela 6 Classificação econômica das famílias de acordo com o critério Brasil _____________________________ 16 Tabela 7 Energéticos utilizados para cocção ________________________________________________________ 17 Tabela 8 Além de cozinhar, para quais atividades a família utiliza botijão de gás ___________________________ 18 Tabela 9 Utilização da lenha _____________________________________________________________________ 21 Tabela 10 Origem da lenha comprada _____________________________________________________________ 23 Tabela 11 Como a lenha é transportada até a casa ___________________________________________________ 23 Tabela 12 Local onde a família costuma apanhar lenha _______________________________________________ 24 Tabela 13 Tipo de local onde a família apanha a lenha ________________________________________________ 24 Tabela 14 Quantidade de domicílios que utilizam lenha, carvão vegetal ou outro energético para cocção _______ 26 Tabela 15 Dispositivos usados para cocção _________________________________________________________ 26 Tabela 16 Consumo específico de lenha ____________________________________________________________ 27 Tabela 17 Consumo específico de carvão vegetal ____________________________________________________ 28 Tabela 18 Quantidade de fogões por tipo de combustível e região ______________________________________ 28 Tabela 19 Quantidade de usuários residenciais por tipo de combustível utilizado para cocção – POF ___________ 30 Tabela 20 Quantidade de fogões por tipo de combustível e região ______________________________________ 31 Tabela 21 Consumo Específico em kg/dia – Pesquisa CP2 _____________________________________________ 31 Tabela 22 Número de dias de utilização do fogão por semana _________________________________________ 32 Tabela 23 Consumo Específico em kg/ano setor rural ________________________________________________ 32 Tabela 24 Consumo de lenha e carvão no setor residencial (Série pesquisa X Série atual) - 2011 e 2012 _________ 32 Tabela 25 Variável de interesse por pesquisa ________________________________________________________ 38 Tabela 26 Região do país por Tipo de combustível utilizado no fogão com maior frequência (absoluto) _________ 41 Tabela 27 Região do país por Tipo de combustível utilizado no fogão com maior frequência (%)_______________ 41 Tabela 28 Tipo de Combustível utilizado no fogão com maior frequência por Situação Censitária ______________ 44 Tabela 29 Tipo de Combustível utilizado no fogão com maior freqüência por Situação Censitária ______________ 44 Tabela 30 Unidade da Federação por Tipo de Combustível utilizado no fogão com maior freqüência por Tipo de Setor Censitário _______________________________________________________________________________ 45 Tabela 31 Taxa de Urbanização por decil de urbanização dos Municípios Brasileiros ________________________ 51 Tabela 32 Estudos de consumo domiciliar de lenha ___________________________________________________ 57 Tabela 33 Variáveis de interesse para a pesquisa residencial ___________________________________________ 60 Tabela 34 Número de Domicílios por Tipo de Setor Censitário __________________________________________ 86 Tabela 35 Classificação de Setores Censitários Residenciais ____________________________________________ 87 Tabela 36 Amostra – quantidade de entrevistas realizadas, margens de erro e pesos amostrais ______________ 103
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
1
RESUMO EXECUTIVO
A coleta sistemática de dados primários que quantifiquem o consumo de lenha e carvão vegetal
no Brasil constitui-se uma tarefa de difícil equacionamento, pois é alto o grau de dispersão dos
usuários de produtos e subprodutos florestais para fins energéticos e é baixo o nível de
formalidade em sua comercialização.
Com o objetivo de aprimorar as estatísticas nacionais relacionadas ao consumo de produtos e
subprodutos florestais para fins energéticos, mais especificamente o consumo de lenha e
carvão vegetal no setor residencial do Balanço Energético Nacional, no ano de 2006, a Empresa
de Pesquisa Energética (EPE) iniciou um conjunto de atividades que culminaram na execução
de pesquisa de campo para coleta de dados primários.
A pesquisa de campo sobre o consumo residencial de lenha e carvão vegetal foi realizada, por
amostragem, entre os anos de 2011 e 2012, e abrangeu a área rural de todas as regiões do
país. Os indicadores obtidos na pesquisa, aplicados ao sistema de estimação do consumo
residencial de lenha e carvão vegetal desenvolvido pela EPE/CENBIO, revelaram um consumo
de lenha semelhante aos valores publicados no Balanço Energético Nacional.
A Figura 1 Consumo de lenha no setor residencial: Metodologia Nova X Série AtualFigura 1
mostra os valores de consumo residencial de lenha, para os anos de 2011 e 2012, estimados a
partir da metodologia EPE/CENBIO (“Série Pesquisa”), e a série publicada no BEN (“Série
Atual”), elaborada de acordo com a metodologia tradicionalmente utilizada.
Figura 1 Consumo de lenha no setor residencial: Metodologia Nova X Série Atual
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
2
Observa-se que, para os anos de 2011 e 2012 há um ligeiro descolamento entre a curva de
consumo de lenha estimada segundo o critério adotado historicamente pelo BEN (“Série Atual”)
e a curva obtida através da nova metodologia (“Série Pesquisa”). Cabe esclarecer que a
metodologia adotada para contabilização da lenha e carvão vegetal no âmbito do Balanço
Energético Nacional está fundamentada na Nota Técnica COBEN 07/1988
1
, elaborada pelo
Ministério de Minas e Energia.
Os resultados obtidos através da pesquisa de campo confirmam a tendência de redução do
consumo de lenha no setor residencial, sinalizando ainda que a melhoria no rendimento
energético global do setor residencial está associada, dentre outros fatores, à disseminação do
uso de equipamentos de cocção movidos à gás em substituição aos antigos fogões à lenha
(muito pouco eficientes), a alteração de hábitos alimentares (introdução de alimentos
industrializados nos domicílios), ao aumento da frequência do consumo alimentar fora do
domicílio, ou seja, fatores que já haviam sido captados pela metodologia anterior.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
3
- Introdução
A Empresa de Pesquisa Energética – EPE, empresa pública instituída nos termos da Lei n°
10.847, de 15 de março de 2004, e do Decreto n° 5.184, de 16 de agosto de 2004, vinculada
ao Ministério de Minas e Energia – MME, tem por finalidade prestar serviços na área de estudos
e pesquisas destinados a subsidiar o planejamento do setor energético, tais como energia
elétrica, petróleo e gás natural e seus derivados, carvão mineral, fontes energéticas renováveis
e eficiência energética, dentre outras.
A DEA - Diretoria de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais - da EPE tem, dentre suas
responsabilidades, apurar e consolidar estatísticas relativas ao uso de energia do Brasil, bem
como elaborar projeções de consumo destes setores que serão incorporadas aos diferentes
documentos do planejamento energético brasileiro.
O Balanço Energético Nacional – BEN, elaborado pela Diretoria de Estudos Econômico- Energéticos e Ambientais da EPE, é o instrumento básico e fundamental para o estudo da matriz energética. Alguns energéticos constantes no BEN ainda não apresentam condições satisfatórias de contabilização, particularmente os produtos florestais para fins energéticos, tradicionalmente chamados de lenha e carvão vegetal. Embora o uso dos recursos florestais para fins energéticos seja expressivo – uma vez que sua participação é estimada em aproximadamente 10% da matriz energética brasileira –, existe carência de informações estatísticas e de dados sistematizados sobre seu consumo. Estudos recentes sobre fontes de energia têm destacado a importância crescente assumida pelos produtos derivados da biomassa florestal na geração de energia mundial. As estimativas realizadas por organismos internacionais (FAO) são de que aproximadamente um terço da população de todo o mundo utiliza combustíveis de madeira, principalmente a lenha. O uso dessas fontes de energia concentra-se principalmente nas zonas rurais de países em desenvolvimento da América do Sul e Central, assim como da Ásia. Apesar da expressividade e importância dos recursos florestais para fins energéticos, particularmente da lenha e do carvão vegetal, as informações estatísticas e os dados sistematizados sobre a verdadeira dimensão da produção, da oferta e do consumo destas fontes de energia ainda são muito precárias. Uma das causas deste problema refere-se à ausência de pesquisas de campo sistemáticas sobre o tema. Atualmente, a maior parte das informações sobre os energéticos lenha e carvão vegetal deriva de estimativas realizadas com dados secundários, apreendidos por instrumentos de coleta cujo objetivo original não seria o de mensurar a oferta, o consumo e a produção dessas fontes de energia.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
4
Assim, para o setor residencial, o Balanço Energético Nacional tem como fundamento a
estabilidade do montante de energia útil necessário para a cocção de alimentos per capita.
Portanto, a matriz energética deste setor, para este uso final, é obtida a partir de correlações
referentes ao consumo de GLP e gás natural e se apoia em dados do IBGE sobre o número de
fogões por tipo de combustível e em dados obtidos de pesquisas pontuais, realizadas em alguns
estados, como balizadores dos resultados.
Tendo em vista a necessidade de aprimoramento das estatísticas destinadas à contabilização do
consumo de produtos e subprodutos florestais para fins energéticos, a EPE iniciou em 2006 um
conjunto de estudos visando o desenvolvimento de uma metodologia de estimação do consumo
de lenha e carvão vegetal nos setores residencial e econômico. Naquele ano, a EPE contratou o
Centro Nacional de Referência em Biomassa (CENBIO) para desenvolver uma “METODOLOGIA
PARA ESTIMAÇÃO DA PRODUÇÃO, OFERTA E CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS DE MADEIRA
PARA O BALANÇO ENERGETICO NACIONAL”, que resultou, entre outros produtos, em um
sistema de estimação do consumo de lenha e carvão vegetal no setor residencial.
Para calibrar a metodologia de estimação proposta e ainda produzir dados para a contabilização
anual, em todo o território nacional, para o Balanço Energético Nacional, a CENBIO considerou
necessário um levantamento de campo, específico, uma vez que os dados disponíveis nas
estatísticas púbicas não atendiam plenamente aos objetivos propostos no método de
estimação.
Em outubro de 2006, a EPE contratou a Fundação Getúlio Vargas, com o objetivo de elaborar
uma metodologia de pesquisa destinada a colher dados primários que, aplicados à metodologia
de estimação desenvolvida, permitissem a contabilização anual do consumo de lenha e carvão
vegetal no setor residencial. Desta forma, foi desenvolvida uma metodologia de pesquisa
indicando o planejamento dos métodos de execução, os parâmetros da pesquisa, sua
periodicidade, características e abrangência, incluindo manual para a execução e
desenvolvimento da pesquisa de campo, estabelecendo-se, assim, as condições para a coleta
de dados primários.
Em continuidade ao estudo iniciado no ciclo do BEN 2006, a EPE realizou uma pesquisa piloto,
executada pela Fundação Getúlio Vargas, com o propósito de ensaiar a operacionalização dos
métodos de campo em uma amostra reduzida, validando os instrumentos e procedimentos que
foram concebidos para a realização da pesquisa de campo em âmbito nacional.
A pesquisa piloto reproduziu passo a passo as etapas e orientações contidas no plano de
pesquisa, o que permitiu a verificação da exequibilidade do que foi planejado tanto quanto a
identificação de eventuais desvios de ordem operacional.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
5
Desenvolvidas as metodologias de estimação e de pesquisa de campo, no ano de 2011, a EPE
contratou a empresa CP2, que realizou a coleta de dados e informações sobre o consumo de
lenha e carvão vegetal em conformidade com o planejamento pré-estabelecido na metodologia
de pesquisa.
Embora a finalidade direta deste esforço seja o aprimoramento das estatísticas publicadas no
BEN, todas as atividades de planejamento e pesquisa energéticos serão beneficiadas, pois
disporão de estatísticas fundamentadas e com rigor metodológico.
Esta nota técnica tem como objetivo dar publicidade às metodologias utilizadas e aos resultados
obtidos sobre o consumo dos energéticos lenha e carvão vegetal no setor residencial.
Os capítulos 2 e 3 apresentam respectivamente os resumos das metodologias de estimação do
consumo destes energéticos e de pesquisa de campo.
O capítulo 4 desta nota técnica discorre sobre os dados e informações da pesquisa de campo
no setor residencial rural do Brasil, que resultou, entre outras informações, na determinação
dos consumos específicos de lenha e carvão vegetal por domicílio/dia.
Por fim, no capítulo 5, a partir da aplicação das variáveis oriundas dos levantamentos de campo
ao modelo de estimação do consumo de lenha e carvão vegetal no setor residencial brasileiro
(CENBIO), obtém a nova série histórica do consumo destes energéticos para o setor.
Os apêndices veiculam mais detalhadamente a metodologia de pesquisa e os levantamentos de
campo.
2. Metodologia de Estimação do Consumo residencial de Lenha e
Carvão vegetal
A metodologia apresentada neste item foi desenvolvida em parceria com o Centro Nacional de
Referência em Biomassa (CENBIO), no ano de 2006, a partir da revisão da literatura
especializada e apoiada em estatísticas e dados de abrangência nacional, regularmente
publicados por instituições de pesquisa e por associações dos grandes setores produtivos.
A metodologia proposta tem como finalidade gerar dados para a contabilização anual do BEN,
em todo o território nacional e, assim, atender à necessidade dos usuários por informações dos
combustíveis de madeira com dados confiáveis e passíveis de reprodução.
As fontes dos dados escolhidas para alimentar o modelo de estimação são confiáveis, regulares,
duradouras e de abrangência nacional, considerando que os valores que alimentarão o BEN
serão gerados anualmente.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
6
A seguir serão descritos os elementos básicos que compõem o modelo de estimação.
2.1 Abrangência geográfica
A estimação do consumo de combustíveis florestais tem por âmbito toda a área geográfica do
território nacional, sendo as informações levantadas em nível regional.
2.2 Lenha setor residencial
2.2.1 Unidade de investigação: a unidade de investigação é o domicilio onde se consome
lenha.
2.2.2 Variáveis investigadas:
Quantidade de domicílios que utilizam lenha
Quantidade de domicílios que utilizam lenha e outro combustível
Consumo específico de lenha por domicílio
Os dados utilizados no método são obtidos para os meios rural e urbano e para cada região do
país.
2.2.3 Unidade de medida, características físicas e poder calorífico
A unidade primária da lenha de uso residencial é o quilograma [kg].
Onde for necessária a conversão de volume [m
3
st] em massa [kg], será considerada a
densidade da lenha predominante no bioma do consumo, na medida da disponibilidade da
informação. Para a lenha de uso residencial, predominantemente de origem nativa, será
adotada a densidade de 330 kg/m
3
st, valor médio identificado em pesquisa realizada pela
Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais – CETEC em localidades do Estado de Minas
Gerais (CEMIG, 2005). Esse valor varia com a densidade da madeira, sua umidade, forma,
dimensões e a perícia com que é empilhada.
O poder calorífico da madeira seca em forno varia muito pouco para diferentes espécies de
arvores, e o conteúdo energético depende principalmente da umidade da madeira. Os valores
de consumo específico são em base seca, descontando a umidade da lenha utilizada.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
7 Adotou-se o valor de 3.100 kcal/kg como poder calorífico inferior da lenha, tanto a de origem nativa quanto a de reflorestamento. Esse valor provém de ensaios realizados pelo CETEC (CEMIG, 2005). 2.2.4 Processamento dos dados A entrada, armazenamento e processamento dos dados são realizados em planilhas desenvolvidas em Excel, que geram tabelas em formato Word, assim como planilhas e gráficos em Excel. O consumo de lenha para o setor residencial será estimado por intermédio da relação [1]. Esta relação considera o universo dos consumidores de lenha no setor residencial, o consumo específico médio por região, o uso de mais de um combustível na preparação de alimentos em domicílios, além do local do consumo. 4 10 PCi celo qflo cel qfl celo qflo cel qfl Clr r r r r u u u u [1] Onde: Clr – consumo de lenha para o setor residencial, em tep; qflu – quantidade de fogões em domicílios urbanos que utilizam apenas lenha, em unidades; celu – consumo específico de lenha em domicílios urbanos que utilizam apenas lenha, em kg/ano/domicilio; qflou – quantidade de fogões em domicílios urbanos que utilizam lenha e outro combustível, em unidades; celou – consumo específico de lenha em domicílios urbanos que utilizam lenha e outro combustível, em kg/ano/domicilio; qflr – quantidade de fogões em domicílios rurais que utilizam apenas lenha, em unidades; celr – consumo específico de lenha em domicílios rurais que utilizam apenas lenha, em kg/ano/domicilio; qflor – quantidade de fogões em domicílios rurais que utilizam lenha e outro combustível, em unidades;
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
8
celor – consumo específico de lenha em domicílios rurais que utilizam lenha e outro
combustível, em kg/ano/domicilio;
PCi – poder calorífico inferior, em kcal/kg.
A utilização dos dados da Pesquisa de Orçamento Familiar – POF – para a estimação do
consumo específico resultou em diferenças estatisticamente significativas, quando relacionado
ao local de consumo, urbano ou rural, a Unidade da Federação e o uso de mais de um
combustível para cocção (LUNARDI; PATRIOTA; ROSA, 2006).
Para efeitos de correção das diferenças observadas e calibração do modelo, a EPE realizou uma
pesquisa de campo no setor rural, com o objetivo de identificação das seguintes variáveis:
Consumo específico de lenha, para consumidor exclusivo de lenha e para consumidor de
mais de um combustível para cocção, em kg/domicílio;
Teor de umidade da lenha utilizada, em %;
Número de dias de utilização do fogão a lenha e a carvão vegetal por semana.
Os dados da POF também foram utilizados para definir a proporção de domicílios que utilizam
mais de um combustível para a cocção.
2.3 Carvão vegetal setor residencial
O mesmo modelo de estimação do consumo residencial de lenha, descrito no item 2.2 desta
Nota Técnica será aplicado para o carvão vegetal. A pesquisa de campo realizada pela EPE
também abrangeu as variáveis relativas ao carvão vegetal.
No caso do poder calorífico inferior do carvão vegetal adotou-se o valor de 6.460 kcal/kg, tanto
o de origem nativa quanto o de reflorestamento. Esse valor provém de ensaios realizados pelas
Companhias Siderúrgicas Belgo Mineira e Acesita (BRASIL, 2005).
3. Metodologia da Pesquisa de Campo
A metodologia de pesquisa, para determinação dos parâmetros de consumo energético de
lenha e carvão vegetal no setor residencial foi desenvolvida pela Fundação Getúlio Vargas no
ano de 2006 e está descrita nos APÊNDICE A, APÊNDICE B e APÊNDICE C desta nota técnica.
Cabe destacar que a metodologia desenvolvida se configura como pesquisa de campo
presencial utilizando a técnica de survey, onde a unidade analisada é o domicílio de uma
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
9 amostra estratificada por região, de acordo com o tipo de zoneamento e grau de urbanização, sendo priorizados os municípios predominantemente rurais conforme seleção dos setores censitários, de acordo com a proporção de fogões a lenha e/ou a carvão vegetal, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. A seleção dos domicílios aos quais os pesquisadores se dirigiram para aplicação dos questionários ocorreu dentro dos setores censitários selecionados, de forma aleatória, a partir de um sorteio. As informações para o sorteio dos domicílios foram obtidas por meio da varredura dos setores censitários, para identificação de quais domicílios em cada setor são usuários de lenha e de carvão vegetal. As entrevistas foram realizadas com os chefes de família ou cônjuge, identificados como as unidades respondentes, tendo em vista que estas pessoas são as mais indicadas para fornecer informações acerca dos consumos e dos hábitos familiares. O planejamento e seleção das amostras aplicadas à pesquisa residencial foram conduzidos de forma a garantir que as características da população que se deseja investigar estivessem presentes na amostra, segundo as principais diretivas: Definição da unidade elementar: famílias que utilizam a lenha ou o carvão vegetal, exclusivamente, para prover necessidades familiares, tais como: cozinhar, esquentar a água para o banho, ferver roupas, aquecer o ambiente, etc. A unidade elementar a ser investigada deverá ser o domicílio; Conhecimento do sistema de referência e consequente identificação e listagem da população referenciada; Seleção do tipo de amostra a ser utilizado; Fixação do tamanho da amostra; Escolha dos melhores estimadores e seus erros amostrais. As variáveis de interesse pesquisadas foram: Localização: rural; Finalidade do consumo: Cozimento, calefação; Tipo de combustível de madeira: lenha e/ou carvão vegetal utilizado; Quantidade de domicílios que utilizam lenha; Quantidade de domicílios que utilizam lenha e outro combustível;
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
10
Consumo específico de lenha, calculado na base seca
2
para consumidor exclusivo de
lenha em kg/domicílio;
Consumo específico de lenha (base seca) para consumidor de mais de um combustível
para cocção, em kg/domicílio;
Quantidade de domicílios que utilizam carvão vegetal;
Quantidade de domicílios que utilizam carvão vegetal e outro combustível;
Consumo específico de carvão vegetal para consumidor exclusivo de carvão vegetal
kg/domicílio;
Consumo específico de carvão vegetal para consumidor de mais de um combustível
para cocção, em kg/domicílio;
Dispositivos (aparelhos) usados para a combustão:
Tipo de fogão;
Quantidade;
Frequência de uso;
Fonte de abastecimento de lenha e carvão vegetal;
Unidade de medida: A unidade primária da lenha de uso residencial é o quilograma
[kg];
Teor de umidade da lenha utilizada (obtido através do medidor portátil de teor de
umidade para madeira), em %;
O poder calorífico da madeira seca varia muito pouco para diferentes espécies de
arvores. Os valores de consumo específico são em base seca, descontando a umidade
da lenha utilizada. Adotou-se o valor de 3.100 kcal/kg como poder calorífico inferior da
lenha, tanto a de origem nativa quanto a de reflorestamento. Esse valor provém de
ensaios realizados pelo CETEC (CEMIG, 2005);
A unidade primária do carvão vegetal de uso residencial é o quilograma [kg]. Adotou-
se o valor de 6.460 kcal/kg como poder calorífico inferior do carvão vegetal, tanto o de
origem nativa quanto o de reflorestamento. Esse valor provém de ensaios realizados
pelas Companhias Siderúrgicas Belgo Mineira e Acesita (BRASIL, 2005).
Para a realização das entrevistas, foram desenvolvidos questionários baseados nas informações
e dados identificados na metodologia de pesquisa e estimação de recursos energéticos
selecionados.
Os questionários contêm as variáveis a serem avaliadas e foram concebidos para obter
informações padronizadas, objetivas e subjetivas, da população investigada, passíveis de serem
2 Consumo calculado na base seca = peso medido x (1 - teor de umidade) [kg]
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
11
tratadas quantitativamente. As informações objetivas são aquelas relacionadas a dados ou fatos
concretos e que, por isso, podem ser comprovados, como nível de renda, grau de escolaridade,
características da associação a qual pertence, etc. Já as informações subjetivas são aquelas que
dizem respeito a opiniões, atitudes, intenções, valores, juízos, sentimentos, aspirações,
expectativas etc. do entrevistado.
4. Principais Resultados da Pesquisa de Campo
Neste capítulo serão apresentados os principais resultados consolidados, a análise estatística
dos dados e os indicadores estratificados por região geográfica, obtidos a partir da pesquisa de
campo realizada.
A pesquisa de campo, no setor residencial rural do Brasil, resultou, entre outras informações,
na determinação dos consumos específicos de lenha e carvão vegetal por domicílio/dia.
As variáveis referentes ao consumo específico de lenha e carvão vegetal no setor residencial
serão internalizadas no modelo de estimação do consumo destes energéticos, em escala
nacional. Os resultados então obtidos serão comparados aos valores da série histórica publicada
no BEN, para subsequentemente, promover-se, se for o caso, as correções no BEN, tanto
quanto implementar-se a nova metodologia de contabilização destes energéticos.
A coleta de dados foi realizada entre os meses de abril e dezembro de 2011, em 5 etapas, cada
uma correspondente a uma região do Brasil, conforme o cronograma a seguir:
Região Sudeste: de 30/04/2011 a 03/06/2011; Região Norte: de 10/06/2011 a
10/07/2011; Região Centro-Oeste: de 30/07/2011 a 06/09/2011; Região Nordeste: de
25/09/2011 a 25/10/2011; Região Sul: de 13/11/2011 a 21/12/2011.
O público alvo teve como composição as famílias residentes em área rural de municípios com
até 60% de urbanização, que utilizam lenha e/ou carvão vegetal para prover as necessidades
familiares, tais como: cozinhar, esquentar água para o banho, ferver roupas, aquecer o
ambiente, etc.
Para que as estimativas obtidas sobre o consumo domiciliar de lenha sejam válidas para o Brasil
como um todo, foram consideradas as proporções da população-alvo em cada região, através
da correção das estimativas com base em pesos amostrais probabilísticos. Assim, foram
realizadas entrevistas que contemplaram todas as regiões do país, seguindo um desenho
amostral predefinido na metodologia de pesquisa desenvolvida pela Fundação Getúlio Vargas,
apresentado na Tabela 1.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
12
Tabela 1 Amostra utilizada na pesquisa de campo
Região
Nº de
entrevistas
% da amostra mínima
(2000)
% da amostra máxima
(2400)
Margem de erro
máxima
Peso
Amostral
Centro-Oeste
480
24,0% 20,0% 4,49% 0,711
Nordeste
480
24,0% 20,0% 4,47% 2,251
Norte
481
24,1% 20,0% 4,47% 0,711
Sudeste
484
24,2% 20,2% 4,45% 0,59
Sul
483
24,2% 20,1% 4,46% 0,754
Brasil (total)
2408
120,4% 100,3% 2,00% 5,0
4.1 Caracterização socioeconômica
As informações acerca de estado civil, escolaridade, renda, posse de bens, gastos mensais,
número de moradores do domicílio, tipo de setor censitário, entre outras, permitiram entender
o perfil das famílias e fazer o cruzamento destes grupos socioeconômicos pelos hábitos de
consumo de lenha e carvão vegetal. Os dados demonstram a grande diversidade existente no
Brasil, evidenciando as diferenças entre as regiões, tendo, quase sempre, Sul e Nordeste em
extremos opostos e Sudeste, Norte e Centro-Oeste em posições intermediárias.
Para realização da pesquisa, foram considerados informantes qualificados apenas o chefe da
família ou o cônjuge, pelo teor dos dados a serem coletados. Assim, pouco mais de 60% do
total de entrevistados no Brasil foram os chefes dos domicílios, e o restante dos entrevistados
são os cônjuges, conforme apresentado na Figura 2.
Figura 2 Tipo de entrevistado
A coleta dos dados foi realizada em setores rurais dos tipos 5, 6, 7 (aglomerados rurais: povoado, núcleo e outros) e 8 (zona rural não aglomerada). Grande parte dos domicílios amostrados pertencem a setores do tipo 8, caracterizados como “Dispersos”. No total Brasil, apenas 12% são do tipo “Povoados” (Figura 3). 57,1% 58,6% 63,8% 67,6% 69,2% 61,2% 42,9% 41,4% 36,3% 32,4% 30,8% 38,8% Nordeste Sul Centro-Oeste Sudeste Norte Total Chefe de casa Outro
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
13 Figura 3 Tipo de setor censitário entrevistado
Grande parte dos entrevistados é casado ou amigado. O maior percentual de casados está na
região Sul, enquanto no Norte há o maior índice de casais amigados. Os demais estados civis
não alcançam 10% dos casos em nenhuma região. Para o total Brasil, quase 60% são casados
e ¼ amigados.
A escolaridade predominante dos chefes das famílias entrevistadas é até a 4ª série completa
(primário), com cerca de ¾ das respostas. No Centro-Oeste e no Sul há mais chefes de família
com escolaridade de 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental. No Norte e no Sul há o maior índice
de chefes que cursaram o Ensino Médio, embora este não ultrapasse os 10%, conforme mostra
a Tabela 2.
Tabela 2 Escolaridade do chefe do domicílio
Escolaridade do chefe do domicílio Norte Nordeste Sudeste Centro-Oeste Sul Total
1º segmento (Analfabeto até 4ª série do Ensino Fundamental) 72,6% 82,1% 83,3% 69,2% 58,4% 73,1%
2º segmento (5ª a 8ª série do Ensino Fundamental)
17,5% 13,8% 11,8% 23,5% 31,9% 19,7%
Ensino Médio
8,7% 2,9% 4,1% 6,9% 8,7% 6,3%
Ensino Superior
1,0% 0,6% 0,4% 0,4% 0,8% 0,7%
NS/ NR
0,2% 0,6% 0,4% 0,4% 0,2% 0,3%
A maior parte dos entrevistados declarou o chefe do domicílio como sendo pardo. A única
região onde a maioria é branca é o Sul, passando de 80%. O total Brasil mostra maioria de
pardos, cerca de 1/3 de brancos, 10,5% de pretos e 3,2% de índios.
Em todas as regiões predominam os chefes de famílias que trabalham em áreas rurais, como
lavradores e/ou meeiros. Em segundo lugar aparecem aposentados e pensionistas (Tabela 3).
Tabela 3 Ocupação do (a) chefe do domicílio
Situação ocupacional do(a) chefe do domicílio Norte
Nordeste Sudeste
Centro-
Oeste
Sul Total
Trabalhador rural, lavrador, meeiro
71,7% 58,3% 62,8% 66,3%
53,8%
61,2%
Aposentado/Pensionista
14,8% 24,0% 21,3% 19,2%
25,9%
22,0%
79,6%
85,8%
87,4%
94,8%
96,1%
87,9%
20,4%
14,2%
12,6%
5,2%
3,9%
12,1%
Norte
Nordeste
Sudeste
Centro
Oeste Sul Total Disperso Povoado
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
14
Autônomo/diarista
5,4% 8,3% 4,8% 3,1%
5,8%
6,4%
Empregado (assalariado - exceto trabalho no campo)
1,9% 4,2% 3,3% 5,4%
7,0%
4,4%
Dona de casa
2,7% 2,1% 4,1% 3,5%
3,5%
2,8%
Funcionário público/militar
3,1% 1,3% 1,0% 1,9%
1,4%
1,6%
Empregador (empresários)
0,0% 0,0% 0,8% 0,4%
0,6%
0,3%
Estudante/aprendiz ou estágio sem remuneração
0,2% 0,6% 0,0% 0,0%
0,0%
0,3%
Desempregado
0,2% 0,0% 1,2% 0,0%
0,4%
0,2%
Trabalhador em negócio/empreendimento familiar
0,0% 0,0% 0,4% 0,2%
0,6%
0,2%
A média de moradores por domicílio entrevistado fica entre 3 e 4 pessoas. A maior média de
pessoas por casa aparece na região Nordeste, de 3,8 moradores, enquanto no Centro-Oeste
aparece a menor média, de 3,07 pessoas.
Grande parte das famílias entrevistadas tem renda mensal de até 2 salários mínimos,
percentual que chega a 96% no total Brasil (Tabela 4).
Tabela 4 Renda mensal per capita
Renda mensal per capita
Norte Nordeste Sudeste Sul
Centro-
Oeste
Total
Até R$ 100,00 (até 1/6 SM) 17,9%
29,8%
14,0% 3,1% 6,3% 18,9%
- de R$ 100,00 a R$ 200,00 (1/6 a 1/3 SM) 29,1% 31,5% 27,1% 10,1% 25,6% 26,6%
- de R$ 200,00 a R$ 300,00 (1/3 a 1/2 SM) 20,0% 11,9% 22,30% 15,5% 22,1% 16,2%
- de R$ 300,00 a R$ 400,00 (1/2 a 2/3 SM) 9,1% 9,6% 9,30% 18,4% 14,2% 11,5%
- de R$ 400,00 a R$ 500,00 (2/3 a 4/5 SM) 3,7%
2,9%
4,50% 11,0% 6,7% 5,0%
Acima de R$ 500,00 (Acima de 4/5 SM) 20,0%
14,2%
21,70% 39,8% 25,2% 21,3%
NS/NR 0,2%
0,2%
1,00% 2,1% 0,0% 0,6%
Média
R$
296,64
R$ 254,97
R$ 343,35
R$
544,38
R$
399,01 R$ 466,05 Nas regiões Norte e Nordeste as famílias estão divididas, quase meio a meio, entre as com renda até 1 SM e entre 1 e 2 SM. No Sudeste e Centro-Oeste existem mais famílias com renda entre 1 a 2 SM, e cerca de 30% com até 1 SM. No Sul, a predominância é de famílias com renda entre 1 e 2 SM, e há percentual significativo com renda acima de 2 SM. A maior média de renda é no Sul, e a menor no Nordeste. A renda per capita é mais elevada na região Sul, com 40% dos moradores tendo renda superior a 500 reais/mês. Já no Nordeste aparece o maior percentual – de quase 30% - de pessoas que vivem com menos de 100 reais por mês.
Os principais gastos declarados pelas famílias entrevistadas, Tabela 5, são com alimentação (99,1%), energia elétrica (83%) e GLP (72,9%). Tabela 5 Gastos mensais variados nos domicílios
Gasto (em R$) Norte Nordeste Sudeste Centro-Oeste Sul Total Base Média Base Média Base Média Base Média Base Média Base Média Alimentação
em geral
98,8% R$ 296,24 99,4% R$ 269,58 97,9% R$ 325,53 99,2% R$ 341,18 99,6% R$ 380,59 99,1% R$ 306,76 Energia elétrica 82,7% R$ 39,42 77,1% R$ 27,45 90,9% R$ 45,99 81,5% R$ 57,58 95,9% R$ 90,16 83,0% R$ 46,62 Gás 72,8% R$ 27,77 64,6% R$ 23,11 79,5% R$ 41,67 79,4% R$ 31,13 86,5% R$ 25,34 72,9% R$ 27,79
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
15
Vestuário
59,5% R$ 42,89 65,4% R$ 29,19 48,1% R$ 72,21 62,1% R$ 52,19 71,8% R$ 62,70 63,0%
R$ 43,84
Telefone
53,2% R$ 39,67 53,1% R$ 17,53 57,0% R$ 40,23 79,2% R$ 28,92 82,4% R$ 46,70 61,7%
R$ 30,63
Em remédios
65,1% R$ 88,25 54,0% R$ 74,05 66,1% R$ 108,54 60,2% R$ 95,70 61,1% R$ 154,91 58,9%
R$ 96,56
Educação
30,6% R$ 43,57 38,8% R$ 22,13 25,8% R$ 83,19 30,8% R$ 40,04 31,7% R$ 121,28 33,9%
R$ 46,59
Água
7,3% R$ 19,88 28,3% R$ 18,20 14,5% R$ 18,26 14,6% R$ 24,89 38,1% R$ 18,05 23,2%
R$ 18,84
Lazer
17,3% R$ 44,95 8,1% R$ 44,15 21,5% R$ 95,35 18,3% R$ 93,07 44,1% R$ 86,08 17,8%
R$ 74,21
Transporte p/
trabalho
26,0% R$ 72,86 5,2% R$ 38,00 24,0% R$ 58,78 10,0% R$ 83,54 19,7% R$ 183,23 13,2%
R$ 89,54
Com aluguel
1,2% R$ 56,67 11,0% R$ 53,00 2,7% R$ 147,54 2,3% R$ 29,54 0,6% R$ 138,33 1,2%
R$ 78,89
As regiões Sul e Sudeste são as que apresentam bases e médias de gastos mais altos em
grande parte das despesas avaliadas. A região Nordeste é a que possui médias mais baixas em
relação às outras regiões. A pesquisa demonstrou algumas particularidades regionais no quesito
gastos mensais, podendo-se destacar:
Região Norte: registrou o maior percentual de famílias que gastam mensalmente com
remédios, 66,1% e o maior percentual de famílias que têm despesa com transporte para
o trabalho.
Região Nordeste: mais famílias declararam gastar mensalmente com educação e aluguel
em relação às demais regiões.
Região Sudeste: apresenta um dos maiores percentuais de gastos com energia elétrica,
gás, remédios e transporte para o trabalho. E todas as médias de gasto, com exceção
de energia elétrica, água e transporte, estão entre as maiores do país.
Região Centro Oeste: mais famílias têm despesa com gás e telefone, e o valor médio do
gasto com lazer é mais elevado do que nas demais regiões.
Região Sul: os percentuais de famílias que gastam dinheiro com alimentação, energia
elétrica, gás, vestuário, telefone água e lazer são os maiores entre as cinco regiões. O
valor médio gasto com energia elétrica, remédios, educação, transporte para o trabalho
e aluguel são bastante elevados (Tabela 5).
A pesquisa também captou a presença de bens de consumo por domicílio. Televisão e Rádio
estão presentes em boa parte dos domicílios entrevistados, com percentual menor nas regiões
Norte e Nordeste. O vídeo cassete ou DVD também estão em mais da metade dos domicílios,
em todas as regiões, com percentual maior no Sul. O telefone fixo está presente em quase 1/3
do total de lares. Destaque para as regiões Centro-Oeste e Sul, com percentuais de 40% e 60%
de domicílios com telefone fixo.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
16 A máquina de lavar está presente em mais de 70% dos lares do Sul, em quase metade do Centro-Oeste e 1/3 dos domicílios do Sudeste e Norte, mas é quase inexistente no Nordeste. O aspirador de pó é praticamente inexistente nos lares, assim como empregada doméstica. Geladeira e banheiro estão presentes quase na mesma proporção nas regiões. Destaque para regiões SE, CO e S, onde mais de 90% dos domicílios possuem no mínimo um banheiro e uma geladeira. O freezer está presente em quase 80% dos lares do Sul e mais de 45% do Centro Oeste. No Nordeste há freezer em parcela bastante reduzida dos lares. Os domicílios que têm carro são cerca de 30% no Sudeste e no Centro-Oeste. O maior percentual, contudo, aparece na região Sul, mais de 68%. No Norte e no Nordeste poucos domicílios possuem carro. No total Brasil, os consumidores de lenha e carvão vegetal pesquisados são predominantemente da classe D, com 45%. Há cerca de 20% da classe C2 e em torno de 15% das classes C1 e E. Nas regiões Norte e Nordeste as classes sociais são mais baixas. Há a concentração na classe D, principalmente no Nordeste, e grande percentual da classe E (Tabela 6). Tabela 6 Classificação econômica das famílias de acordo com o critério Brasil Norte Nordeste Sudeste Centro-Oeste Sul Total A2 0,0% 0,0% 0,2% 0,0% 0,0% 0,0% B1 0,0% 0,4% 0,2% 0,4% 1,9% 0,6% B2 1,0% 0,0% 4,3% 5,8% 15,5% 3,8% C1 8,9% 4,0% 16,9% 17,1% 50,3% 15,0% C2 22,2% 12,7% 26,4% 33,1% 20,5% 19,7% D 45,9% 58,1% 45,0% 37,9% 11,0% 44,9% E 21,8% 24,8% 6,8% 5,6% 0,8% 15,9% No Sudeste e Centro Oeste, há maior concentração nas classes D e C2, sendo a C1 a terceira classe mais presente. No Sul estão os domicílios com maior classe social: metade das famílias está na classe C1. Cerca de 20% pertence à C2 e 15% à B2. O percentual de famílias de classe D está muito abaixo das demais regiões (Tabela 6). 4.2 Caracterização dos energéticos usados Lenha e carvão podem ser considerados complementares, pois são duas fontes energéticas que não precisam ser compradas, podendo ser coletadas no quintal de casa, ou próximo à residência. Essa constatação ajuda a explicar o fato de que grande parte dos domicílios usam ou lenha ou carvão, sendo pouco comum o uso combinado de ambos.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
17
O GLP, que precisa ser comprado, está presente em número expressivo de domicílios,
complementando a necessidade energética do lar. Tanto GLP, quanto carvão e lenha são
utilizados principalmente para cocção de alimentos para a família e para os animais, sendo os
três combustíveis predominantes para este fim. Percebe-se que o energético comercial (GLP) e
os nãos comerciais (lenha e/ou carvão) convivem em harmonia, sendo revezados na cozinha,
de acordo com as necessidades de cocção, em função do tempo gasto para o preparo de cada
alimento e do poder aquisitivo das famílias.
Nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul praticamente todas as famílias entrevistadas utilizam
apenas lenha nos domicílios. Já no Norte e Nordeste, a participação do carvão é mais
expressiva, com mais de 20% das famílias utilizando apenas carvão e quase 10% utilizando
ambos os combustíveis em cada região (Figura 4).
Figura 4 Utilização de carvão vegetal ou lenha nos domicílios
A Tabela 7 mostra os energéticos utilizados para a cocção. Nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul predominam a lenha e o botijão de gás como energéticos para cocção de alimentos. As regiões Norte e Nordeste apresentam maior heterogeneidade de energéticos, com forte presença do carvão vegetal junto à lenha e ao gás. No Nordeste também aparece o uso do querosene em mais 4% das famílias. Tabela 7 Energéticos utilizados para cocção Energéticos Norte Nordeste Sudeste Centro-Oeste Sul Total Botijão de gás 94,8% 78,8% 89,5% 95,6% 97,3% 87,5% Lenha 74,6% 78,1% 100,0% 99,2% 99,0% 86,3% Carvão vegetal 34,5% 30,0% 0,2% 1,0% 4,1% 19,1% Querosene 0,8% 4,4% 0,6% 0,0% 0,6% 2,2% Gás canalizado 0,2% 0,0% 0,0% 0,2% 0,0% 0,1% 80,9% 99,8% 99,0% 95,9% 70,0% 65,5% 13,6% 0,8% 0,6% 21,9% 25,4% 5,5% 0,2% 0,2% 3,5% 8,1% 9,1% Total Sudeste Centro
Oeste Sul Nordeste Norte Usa lenha Usa carvão Usa lenha e carvão vegetal
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
18 Em relação à destinação do GLP por tipo de atividade (Tabela 8), nota-se que, em geral, os percentuais de utilização do botijão de gás para as atividades secundárias listadas são menores, sendo o uso focado no preparo de alimentos para consumo da família. Destaque para o uso do botijão de gás para preparo de alimentos para animais por cerca de 20% das famílias das regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sul que utilizam este energético. Além dos 15% que utilizam para ferver água para beber no Sul.
Tabela 8 Além de cozinhar, para quais atividades a família utiliza botijão de gás Utilização de botijão de gás Norte Nordeste Sudeste Centro-Oeste Sul Total Preparar alimentos para animais 1,3% 17,2% 1,8% 20,7% 19,8% 13,9% Aquecer a água para o banho 2,2% 7,9% 5,1% 3,3% 0,0% 4,7% Ferver a água para beber 6,6% 3,2% 4,4% 2,6% 15,3% 5,6% Ferver roupas 0,9% 1,1% 0,7% 0,0% 0,4% 0,7% Outros 0,2% 0,0% 0,7% 0,0% 0,0% 0,2% Os principais usos da energia elétrica em todas as regiões coincidem: iluminação do ambiente e utilização de aparelhos domésticos. Nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, destaca-se também o uso para aquecimento de água para banho. Além disso, na região Sul também há índice expressivo da utilização da energia elétrica para cozinhar ou preparar alimentos para a família. Consumo de lenha: O perfil de consumo de lenha é distinto nas regiões do Brasil. As regiões Sul e Norte apresentam a maior média diária de consumo, enquanto o consumo per capita é maior no Norte e Centro-Oeste. Em cada região a quantidade de lenha utilizada varia pelos aspectos físicos do energético – principalmente a umidade –, e também pelos usos e tamanho da família. No Norte, as famílias têm maior número de integrantes e o acesso a outros tipos de energéticos, como o GLP, é mais restrito devido à localização de algumas regiões. No Sul há um uso expressivo de lenha para calefação de ambientes, aumentando o consumo diário. O Nordeste, apesar de ter a maior média de pessoas por domicílio, possui maior índice de consumo de alimentos crus, como farinhas, sementes e outros. A coleta de dados foi realizada de modo a evitar o período chuvoso nas regiões, tendo como objetivo a identificação e mensuração da quantidade média de lenha utilizada por dia nos domicílios, do percentual de umidade na lenha, a quantidade média per capita de lenha utilizada diariamente, finalidade de utilização de energia elétrica, tipo de lenha utilizada além do emprego e forma de obtenção deste energético.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
19
As quantidades médias de lenha em base seca utilizada diariamente nos domicílios ficam entre
7,6 e 9,3 quilos, sendo superiores nas regiões Norte e Sul. A média na base úmida também é
maior nestas duas regiões, superior a 11 kg/dia (Figura 5).
Figura 5 Quantidade média de lenha usada por dia em cada domicílio (kg/dia/domicílio)
A Figura 6 apresenta o percentual médio de umidade da lenha consumida. Os maiores índices
de umidade encontrados na lenha ocorrem nas regiões Sul e Sudeste. A menor média de
umidade está nas lenhas da região Centro-Oeste, bem abaixo da média geral.
Figura 6 Percentual (%) médio de umidade da lenha consumida
Em relação ao consumo médio per capita de lenha (Figura 7), a pesquisa identificou que a maior média per capita de consumo diário e semanal está no Norte, seguido pelo Centro-Oeste. No Sudeste aparece a menor média de consumo por dia e por semana por pessoa.
11,16 11,07 10,21 9,39 9,29 10,00 9,30 9,13 8,50 7,66 7,81 8,36 Sul Norte Centro
Oeste Sudeste Nordeste Total kg/dia/domicílio Base úmida Base seca 17,66 16,76 14,75 14,02 9,04 14,64 SulSudesteNorteNordesteCentro-OesteTotal
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
20
Figura 7 Consumo médio per capita de lenha (kg/dia/pessoa) – diário e semanal
Dentre as famílias que utilizam apenas lenha, duas regiões apresentam consumo médio superior ao da amostra: Centro-Oeste e Norte com, respectivamente, 15 kg/dia/domicílio e 11 kg/dia/domicílio (Figura 8). Figura 8 Quantidade média de lenha usada por dia em cada domicílio (kg/dia/domicílio) apenas domicílios com uso exclusivo de lenha
Nos domicílios que consomem lenha e pelo menos mais de um combustível (Figura 9), a pesquisa identificou que a região Sul tem a maior média de consumo diário entre as famílias com este perfil, seguida pela região Norte. O menor consumo médio está na região Sudeste. 4,07 3,83 3,20 2,80 2,65 3,16 22,37 20,63 20,06 16,82 16,01 Norte Centro
Oeste Sul Nordeste Sudeste Total kg/ dia/ pessoa Consumo semanal Consumo diário 15,06 10,92 9,30 8,29 8,11 10,34 Centro
Oeste Norte Sudeste Nordeste Sul Total kg/ dia/ domicílio
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
21 Figura 9 Quantidade média de lenha usada por dia em cada domicílio (kg/dia/domicílio) total em kg - base seca – apenas uso não exclusivo de lenha
Tipo de lenha utilizada: As madeiras utilizadas em cada região para lenha são bastante
diversas. Na região Norte há a maior diversificação, com nenhuma madeira passando de 7%.
No Nordeste destaca-se a jurema e no Centro-Oeste o angico. Na região Sudeste, o eucalipto e
o café dividem o posto de madeiras mais utilizadas. No Centro-Oeste, o angico e a aroeira são
os mais utilizados. Na região Sul a madeira mais utilizada é o eucalipto (40,5%), que em geral
vem de áreas de reflorestamento.
O total ponderado da amostra para o Brasil mostra que o eucalipto é o mais utilizado, seguido
pelo angico e depois pela jurema, chamada em outras regiões de bracatinga.
A pesquisa de campo identificou que, em 100% dos domicílios, a lenha é utilizada para a
cocção e preparo de alimentos para a família (Tabela 9). O principal uso secundário nas regiões
N, NE e CO é o preparo de alimentos para animais e o aquecimento de água para banho. Na
região Sul o segundo uso mais expressivo é aquecer a casa, e no Sudeste o segundo uso mais
frequente é para aquecer água para banho.
Tabela 9 Utilização da lenha
Utilização de lenha
Norte Nordeste Sudeste Centro-Oeste Sul Total
Cozinhar ou preparar alimentos para a família 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%
Preparar alimentos para animais 36,5% 40,8% 16,5% 52,1% 33,3% 37,5%
Aquecer a água para o banho 16,2% 27,5% 39,7% 14,9% 3,3% 21,5%
Aquecer a casa 4,7% 0,0% 9,7% 2,5% 64,6% 13,5%
Ferver a água para beber 4,2% 2,7% 2,9% 3,2% 10,4% 4,3%
Ferver roupas 6,4% 2,1% 2,9% 5,9% 3,4% 3,7%
Base: apenas famílias que utilizam lenha
359
(74,6%)
375
(78,1%)
484
(100%)
473
(99,4%)
480
(99,4%)
2080
(86,4%)
Sobre as formas de aquisição, verificou-se que, em grande parte dos domicílios, a lenha é apenas apanhada e não comprada, chegando a 90% no total Brasil. Nas regiões N, CO e S, o 9,33 9,04 8,15 7,70 7,48 8,34 Sul Norte Centro
Oeste Nordeste Sudeste Total kg/ dia/ domicílio
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
22
percentual que só apanha ainda ultrapassa os 90%. Já as regiões NE e SE apresentam um
percentual de quase 10% de domicílios onde a lenha é só comprada (Figura 10).
Figura 10 Formas de aquisição da lenha
As famílias que utilizam lenha encontram uma série de problemas para ter acesso ao
energético, sendo os principais relacionados à escassez de lugares para coletar e à escassez da
própria lenha. Estas dificuldades são ainda mais expressivas na região Centro-Oeste. A
dificuldade de transporte e a falta de vendedores também são problemas relevantes em todas
as regiões.
A fiscalização do governo aparece como outro fator que interfere no acesso deste combustível
nas regiões Norte, Sudeste, Centro-Oeste e Sul. No Nordeste, o preço da lenha é um grande
empecilho para quase 50% das famílias. A região Sul é onde as famílias têm menos dificuldades
para conseguir lenha, nenhum dos problemas foi citado por mais de 50%.
A compra de lenha não é comum entre as famílias – apenas 7,8% declararam pagar pelo
energético que consomem, conforme registrado na Tabela 10. Isso confirma a lenha como um
energético predominantemente não comercial, acessível às famílias, independente de sua renda
familiar. Entre as famílias que compram lenha, a maior parte do combustível é originada de
áreas nativas ou roças. Nas regiões Sudeste e Sul há percentual expressivo que compra
madeiras de áreas de reflorestamento, chegando a mais de 2/3 no Sul. Grande parte das
famílias que compra este energético o faz com um vendedor que vai de porta em porta.
90,7%
98,6%
95,6%
91,7%
87,5%
86,0%
6,8%
0,8%
3,6%
6,5%
9,3%
9,1%
2,3%
0,3%
0,8%
1,9%
2,9%
4,5%
Total
Norte
Centro-
Oeste
Sul
Nordeste
Sudeste
Só apanha
Só compra
Compra e apanha
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
23
No Nordeste e no Sul aparecem os maiores percentuais de famílias que compram lenha no
comércio, quase 30% do total.
Tabela 10 Origem da lenha comprada
Origem da lenha Norte Nordeste Sudeste Centro-Oeste Sul Total
Área nativa 25,0% 87,0% 60,6% 42,9% 72,5% 74,9%
Roças 100,0% 52,2% 60,6% 47,6% 40,0% 52,3%
Área de reflorestamento 0,0% 6,5% 33,3% 9,5% 67,5% 21,7%
Beira de estrada 0,0% 19,6% 7,6% 9,5% 12,5% 14,9%
Mourões 0,0% 6,5% 13,6% 4,8% 10,0% 8,3%
Outros 0,0% 6,5% 4,5% 19,0% 0,0% 3,0%
Base: apenas famílias que compram lenha 4 (0,8%) 46 (9,6%) 66 (13,6%) 21 (4,4%) 39 (8,4%) 189 (7,8%)
A maior parte das famílias pesquisadas que compram lenha informou que o vendedor entrega
nas casas. A quantidade transportada por carroça é expressiva no Sudeste e no Nordeste,
sendo nesta região também significativa a utilização de cavalo ou burro. No Centro-Oeste, o
percentual de transporte com automóvel é alto (Tabela 11).
Tabela 11 Como a lenha é transportada até a casa
Como a lenha é transportada até as
residências
Norte Nordeste Sudeste Centro-Oeste Sul Total
O comércio ou vendedor entregam 50,5% 50,0% 65,2% 42,9% 62,5% 54,3%
Carroça 25,0% 37,0% 33,3% 14,3% 22,5% 32,0%
Cavalo ou Burro 0,0% 39,1% 12,1% 0,0% 0,0% 23,8%
Carro 25,0% 10,9% 16,7% 42,9% 25,0% 17,0%
Manualmente/ cabeça/ na mão 25,0% 6,5% 9,1% 0,0% 0,0% 5,8%
Bicicleta 25,0% 4,3% 1,5% 0,0% 0,0% 3,1%
Outros 0,0% 6,5% 13,6% 4,8% 19,2% 7,2%
Base: apenas famílias que compram lenha
4
(0,8%)
46
(9,6%)
66
(13,6%)
21
(4,4%)
39
(8,4%)
189
(7,8%)
As famílias que compram lenha o fazem na média geral de 4,2 vezes por ano. O gasto médio a
cada compra é de R$100,79. Nas regiões Nordeste e Sudeste estão as maiores frequências
médias de compra de lenha. Na região Sul está a maior média de gasto a cada compra.
Contudo, considerando as duas variáveis, quantidades de vezes por ano que consome e valor
gasto a cada compra, o valor gasto no Sul é o maior, seguido do Centro-Oeste e do Sudeste.
Sobre o consumo de lenha por famílias que apanham o energético, de acordo com a Tabela 12,
a lenha em geral é apanhada em áreas nativas ou no quintal de casa. Na região Sul há
expressiva coleta em áreas de reflorestamento, relacionando-se com o uso frequente de
eucalipto nesta região. Grande parte das famílias apanha galhos secos.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
24
Nas regiões Norte e Centro-Oeste predominam as famílias que apanham lenha no quintal de
casa, mas a participação da área nativa também é grande. No Sudeste há praticamente o
mesmo percentual de lenha apanhada no quintal e em área nativa, além da presença
significativa das áreas de reflorestamento e terrenos vizinhos. Na região Nordeste mais de 90%
apanha lenha em área nativa e metade no quintal de casa.
Na região Sul as famílias apanham lenha de áreas nativas, do quintal de casa e de áreas de
reflorestamento com percentuais bem próximos.
Tabela 12 Local onde a família costuma apanhar lenha
Local onde a lenha é apanhada
Norte Nordeste Sudeste Centro-Oeste Sul Total
Área nativa
64,2% 92,0% 54,8% 63,6% 73,7% 75,5%
Quintal de casa
86,8% 50,4% 56,8% 80,4% 70,2% 64,5%
Terreno de vizinho
24,8% 28,3% 33,3% 13,5% 9,6% 22,8%
Área de reflorestamento
2,8% 1,5% 28,1% 3,1% 62,8% 16,1%
Outros
16,1% 4,7% 13,2% 11,8% 1,8% 4,8%
Base: famílias que apanham
lenha
355
(73,8%)
339
(70,6%)
438
(90,5%)
459
(96,2%)
449
(92,9%)
1.934
(80,3%)
A Tabela 13 mostra que a coleta de lenha é predominante em áreas de cultura ou com pouca
vegetação, em todas as regiões. Com destaque para a região Sul, que apresenta percentual de
quase 80%. No Centro Oeste há percentual expressivo de coleta também em áreas destruídas.
E nas demais regiões – Norte, Nordeste, Sudeste e Sul, há percentual expressivo de coleta em
áreas de floresta.
Tabela 13 Tipo de local onde a família apanha a lenha
Local onde a lenha é apanhada
Norte Nordeste Sudeste Centro-Oeste Sul Total
Área de Cultura 59,2% 59,9% 46,3% 49,0% 79,7% 59,6%
Área com pouca vegetação 54,4% 64,9% 40,4% 45,3% 33,4% 51,4%
Área de floresta 25,9% 31,9% 36,8% 9,8% 32,5% 28,0%
Área de cercas vivas 3,4% 8,8% 4,6% 0,4% 2,8% 5,1%
Área destruída 25,9% 10,0% 18,3% 43,4% 0,0% 0,0%
Outros 12,1% 1,8% 11,5% 23,3% 18,5% 16,0%
Base: famílias que apanham
lenha
355
(73,8%)
339
(70,6%)
438
(90,5%)
459
(96,2%)
449
(92,9%)
1.934
(80,3%)
A grande maioria das famílias apanha galhos secos. Nas regiões Sul e Nordeste aparecem os
únicos percentuais expressivos de uso de galhos secos e verdes, 25,4% e 10,6%
respectivamente.
Sobre a frequência de apanha de lenha há um padrão entre as diversas regiões. Em média,
grande parte das famílias apanha lenha entre 1 e 2 vezes por semana, com mediana de 1 vez
por semana.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
25
O carvão vegetal é um energético presente apenas nos domicílios das regiões Norte e
Nordeste. Nas demais regiões, é praticamente inexistente o uso do carvão. É mais um indício
de que lenha e carvão ocupam o mesmo lugar como energéticos, sendo que grande parte das
famílias utilizam um ou o outro. O uso do carvão vegetal é praticamente diário. A diferença no
perfil de consumo em relação à lenha, é que o índice de famílias que compram o carvão vegetal
é bem maior, chegando a quase 50% aquelas que afirmaram pagar pelo energético.
Em média, as famílias pesquisadas que utilizam o carvão vegetal o fazem cerca de três
semanas (21 dias) por mês, com exceção do Sul e do Sudeste. Nestas regiões, o uso é bastante
restrito, não passando de 4 dias/mês em média. A região Nordeste possui a maior média de
utilização, com mediana de 30 dias por mês.
A média nacional é de 3,34 kg de carvão utilizados por dia, por domicílio. O maior consumo
diário de carvão vegetal nas regiões em que o uso é expressivo (NE, N e S), aparece no NE,
com 3,54 kg/dia/domicílio (Figura 11).
Figura 11 Consumo médio diário per capita de carvão vegetal
Nas regiões Nordeste e Norte estão as maiores médias per capita de consumo de carvão/dia,
sendo também as duas regiões com consumo mais expressivo.
Todos os domicílios utilizam carvão principalmente para o preparo de alimentos para consumo
da família. Em segundo lugar aparece o uso de carvão para preparo de alimentos para os
animais.
Para maiores detalhes sobre está pesquisa consultar o APÊNDICE F.
4.3 Síntese dos principais resultados
A pesquisa “Consumo domiciliar de lenha e carvão vegetal no Brasil” revelou o perfil de
consumo destes energéticos em municípios brasileiros com até 60% de urbanização.
1,14 1,11
0,97
0,83
0,67
1,12
NordesteNorteSulSudesteCentro-OesteTotal
Kg/ dia/ pessoa
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
26
A lenha predomina sobre o carvão vegetal como combustível para fogões e fornos, sendo que o
uso do carvão ganha expressividade apenas nas regiões Norte e Nordeste, sendo utilizado por
19% das famílias da amostra Brasil (Tabela 14).
Tabela 14 Quantidade de domicílios que utilizam lenha, carvão vegetal ou outro energético para cocção
Variáveis
Região
Total Brasil
NE SE CO N S
Quantidade de domicílios que utilizam só lenha
73 50 21 15 13 229
Quantidade de domicílios que utilizam só carvão
vegetal
23 0 0 5 0 55
Quantidade de domicílios que utilizam lenha ou lenha
e outro combustível exceto carvão
375 484 476 359 480 2080
Quantidade de domicílios que utilizam carvão vegetal
ou carvão e lenha
144 1 5 166 20 336
Quantidade de domicílios que utilizam lenha e outro
combustível para cocção exceto carvão vegetal
302 434 455 344 467 1851
Quantidade de domicílios que utilizam carvão vegetal
e outro combustível para cocção.
121 1 5 161 20 406
A lenha é consumida em 96% dos domicílios pesquisados, sendo de quase 90% o índice de
consumo exclusivo de lenha, sem combinação com o carvão vegetal. A finalidade da utilização
de ambos os energéticos é sempre o cozimento de alimentos para a família e,
secundariamente, também para os animais. A lenha é bastante utilizada na região Sul para a
calefação, enquanto no Sudeste há um uso acentuado do combustível para aquecer água para
banho (Tabela 9).
Ressalta-se que na grande maioria dos domicílios pesquisados há a presença do fogão a gás
junto com outro tipo de fogão (à lenha ou carvão). Nas regiões SE, S, N e CO, há cerca de 90%
de domicílios que possuem fogão a gás, sendo a região Nordeste a única onde 20% não utiliza
este eletrodoméstico. A quantidade e frequência de uso do fogão para a cocção por região do
Brasil é apresentado na Tabela 15.
Tabela 15 Dispositivos usados para cocção
Variáveis
Região
Total Brasil
NE SE CO N S
Dispositivos (tipo de fogão) usados para a cocção
Lenha
Quantidade 375 490 476 359 480 2084
Frequência de uso 6,1 5,7 5,1 5,3 6,1 5,8
GLP
Quantidade 378 454 459 456 471 2119
Frequência de uso 6,6 6,1 6,6 6,5 6,5 6,5
Elétrico
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
27
Quantidade 0 0 9 0 0 6
Frequência de uso 0,0 0,0 1,9 0,0 0,0 0,3
Em todas as questões propostas, em especial quando se trata de renda, perfis de gasto e
características das famílias e domicílios, há grande diferença entre as cinco regiões do Brasil,
tendo, quase sempre, a região Sul em um extremo e a região Nordeste no outro.
As Tabela 16 e Tabela 17 abaixo apresentam os resultados obtidos para as variáveis de
interesse.
Tabela 16 Consumo específico de lenha
Variáveis
Região
Total Brasil
NE SE CO N S
Base úmida
Consumo específico médio de lenha, para consumidor
exclusivo de lenha em kg/domicílio/dia
9,6 10,8 14,3 12,0 10,3 10,8
Consumo específico médio de lenha, para consumidor de
mais de um combustível para cocção, em kg/domicílio/dia
9,2 9,2 10,0 11,0 11,2 9,9
Teor de unidade médio da lenha utilizada em % 14,1 16,2 9,0 13,4 17,6 14,1
Base seca
Consumo específico médio de lenha, consumidor
exclusivo de lenha em kg/domicílio/dia
8,3 9,3 15,1 10,9 8,1 9,8
Consumo específico médio de lenha, consumidor de mais
de um combustível para cocção em kg/domicílio/dia
7,7 7,5 8,2 9,0 9,3 8,2
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
28
Tabela 17 Consumo específico de carvão vegetal
Variáveis
Região
Total Brasil
NE SE CO N S
Consumo específico médio de carvão vegetal para
consumidor exclusivo de carvão vegetal em
kg/domicílio/dia
3,93 0,00 0,00 3,03 0,00 2,20
Consumo específico médio de carvão vegetal por
domicílio, consumidor de mais de um combustível em
kg/domicílio/dia
3,54 4,15 1,00 2,80 3,51 3,14
Os dados de consumo específico de lenha, obtidos na pesquisa de campo, aplicados ao modelo
de estimação desenvolvido pela EPE/CENBIO, permitiram a quantificação do consumo desta
fonte energética para o setor residencial nacional.
5. Estimação do Consumo de Lenha no Setor Residencial
O novo consumo de lenha no setor residencial foi resultante da introdução no modelo de
estimação EPE/CENBIO, dos indicadores oriundos das pesquisas elaboradas pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (PNAD e POF) e da pesquisa de campo organizada
pela EPE/CP2. A seguir serão apresentados os valores das variáveis utilizados para a estimação
da nova série de consumo de lenha no setor residencial.
Indicadores obtidos das pesquisas do IBGE:
Quantidade de fogões a lenha, Quantidade de fogões a carvão vegetal, Quantidade de
fogões a GLP (Tabela 18): esta informação é fornecida todos os anos na Pesquisa
Nacional por Amostragem de Domicílios – PNAD e nos Censos Demográficos, realizados
a cada dez anos.
Tabela 18 Quantidade de fogões por tipo de combustível e região
2011 2012 Região Norte
Fogões GLP urbano [unidades] 3.351.308 3.455.309
Fogões GLP rural [unidades] 752.839 775.272
Fogões lenha urbano [unidades] 10.024 9.286
Fogões lenha rural [unidades] 126.578 122.292
Fogões carvão urbano [unidades] 9.733 9.016
Fogões carvão rural [unidades] 27.230 24.972
Região Nordeste
Fogões GLP urbano [unidades] 11.282.240 11.680.216
Fogões GLP rural [unidades] 2.425.730 2.486.973
Fogões lenha urbano [unidades] 107.547 99.330
Fogões lenha rural [unidades] 945.364 929.422
Fogões carvão urbano [unidades] 110.463 102.929
Fogões carvão rural [unidades] 241.795 227.175
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
29 Região Sudeste
Fogões GLP urbano [unidades] 23.773.214 26.385.640
Fogões GLP rural [unidades] 1.337.147 1.343.223
Fogões lenha urbano [unidades] 94.488 87.475
Fogões lenha rural [unidades] 472.499 465.695
Fogões carvão urbano [unidades] - -
Fogões carvão rural [unidades] - -
Região Sul
Fogões GLP urbano [unidades] 8.251.035 8.513.444
Fogões GLP rural [unidades] 913.048 919.409
Fogões lenha urbano [unidades] 98.232 91.793
Fogões lenha rural [unidades] 490.446 483.937
Fogões carvão urbano [unidades] - -
Fogões carvão rural [unidades] - -
Região Centro-Oeste
Fogões GLP urbano [unidades] 4.075.573 4.204.527
Fogões GLP rural [unidades] 479.588 483.697
Fogões lenha urbano [unidades] 6.748 6.260
Fogões lenha rural [unidades] 68.822 65.391
Fogões carvão urbano [unidades] - -
Fogões carvão rural [unidades] - -
Fonte: PNAD - IBGE
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
30 Quantidade de usuários residenciais por tipo de combustível utilizado para cocção: apresentados na Tabela 19 a seguir, são dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares – POF. Tabela 19 Quantidade de usuários residenciais por tipo de combustível utilizado para cocção – POF 2008/2009 3
Região Norte
Só GLP - urbano [unidades] 2.614.571 GLP e Lenha - urbano [unidades] 97.602 GLP e Carvão - urbano [unidades] 115.982 Só Lenha - urbano [unidades] 25.401 Só Carvão - urbano [unidades] 22.026 Só GLP - rural [unidades] 441.328 GLP e Lenha - rural [unidades] 290.120 GLP e Carvão - rural [unidades] 84.509 Só Lenha - rural [unidades] 167.478 Só Carvão - rural [unidades] 35.649 Região Nordeste
Só GLP - urbano [unidades] 9.433.381 GLP e Lenha - urbano [unidades] 611.162 GLP e Carvão - urbano [unidades] 655.211 Só Lenha - urbano [unidades] 175.222 Só Carvão - urbano [unidades] 150.589 Só GLP - rural [unidades] 1.033.972 GLP e Lenha - rural [unidades] 1.559.573 GLP e Carvão - rural [unidades] 470.140 Só Lenha - rural [unidades] 564.276 Só Carvão - rural [unidades] 264.069 Região Sudeste
Só GLP - urbano [unidades] 22.530.809 GLP e Lenha - urbano [unidades] 651.387 GLP e Carvão - urbano [unidades] 8.394 Só Lenha - urbano [unidades] 41.368 Só Carvão - urbano [unidades] - Só GLP - rural [unidades] 1.205.958 GLP e Lenha - rural [unidades] 694.396 GLP e Carvão - rural [unidades] - Só Lenha - rural [unidades] 218.074 Só Carvão - rural [unidades] - Região Sul
Só GLP - urbano [unidades] 6.373.021 GLP e Lenha - urbano [unidades] 1.051.643 GLP e Carvão - urbano [unidades] 1.144 Só Lenha - urbano [unidades] 58.301 Só Carvão - urbano [unidades] - Só GLP - rural [unidades] 451.265 GLP e Lenha - rural [unidades] 797.868 GLP e Carvão - rural [unidades] 296 Só Lenha - rural [unidades] 97.474 Só Carvão - rural [unidades] - Região Centro-Oeste
Só GLP - urbano [unidades] 3.646.213 GLP e Lenha - urbano [unidades] 128.826 GLP e Carvão - urbano [unidades] 2.945 Só Lenha - urbano [unidades] 7.873 Só Carvão - urbano [unidades] - Só GLP - rural [unidades] 314.447 GLP e Lenha - rural [unidades] 198.880 GLP e Carvão - rural [unidades] - Só Lenha - rural [unidades] 37.659 Só Carvão - rural [unidades] - Fonte: POF – IBGE
3 O cálculo da quantidade de domicílios que utiliza mais de um combustível para cocção, por região, teve como base a última Pesquisa de Orçamentos Familiares realizada pelo IBGE (POF 2008/2009).
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
31 Quantidade de fogões a lenha e outros, Quantidade de fogões a carvão vegetal e outros, (Tabela 20): estes valores foram calculados através dos percentuais de quantidade de fogões GLP e outro combustível obtidos da Tabela 19, e que são aplicados aos dados da Tabela 18. Tabela 20 Quantidade de fogões por tipo de combustível e região
2011 2012 Região Norte
Fogões lenha e outros urbano [unidades] 115.656 119.246 Fogões lenha e outros rural [unidades] 267.678 275.654 Fogões carvão e outros urbano [unidades] 137.436 141.701 Fogões carvão e outros rural [unidades] 77.972 80.295 Região Nordeste
Fogões lenha e outros urbano [unidades] 644.433 667.165 Fogões lenha e outros rural [unidades] 1.234.821 1.265.997 Fogões carvão e outros urbano [unidades] 690.880 715.251 Fogões carvão e outros rural [unidades] 372.242 381.640 Região Sudeste
Fogões lenha e outros urbano [unidades] 667.752 741.131 Fogões lenha e outros rural [unidades] 488.598 490.819 Fogões carvão e outros urbano [unidades] 8.605 9.550 Fogões carvão e outros rural [unidades] - - Região Sul
Fogões lenha e outros urbano [unidades] 1.168.512 1.205.674 Fogões lenha e outros rural [unidades] 583.060 587.122 Fogões carvão e outros urbano [unidades] 1.271 1.312 Fogões carvão e outros rural [unidades] 216 218 Região Centro-Oeste
Fogões lenha e outros urbano [unidades] 138.974 143.371 Fogões lenha e outros rural [unidades] 185.808 187.400 Fogões carvão e outros urbano [unidades] 3.177 3.277 Fogões carvão e outros rural [unidades] - - Fonte: PNAD/POF - IBGE
Indicadores obtidos da pesquisa realizada pela EPE/CP2:
Consumo específico de lenha e carvão vegetal para o setor rural (Tabela 21).
Tabela 21 Consumo Específico em kg/dia – Pesquisa CP2
Tipo de combustível
Consumo específico
Região
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Total
Só lenha
Kg/dia/domicílio
10,9 8,3 9,3 8,1 15,1 10,3
Lenha e outros
9,0 7,7 7,5 9,3 8,2 8,3
Só Carvão
3,0 3,9 - - - 2,1
Carvão e Outros
2,8 3,5 4,2 3,5 1,7 3,3
Fonte: EPE – Pesquisa sobre o consumo de lenha e carvão vegetal no setor residencial
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
32
Frequência de utilização de fogões no setor rural (Tabela 22).
Tabela 22 Número de dias de utilização do fogão por semana
Número de dias de utilização do fogão por semana Média
Região
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Total
Gás
Dias
6,54 6,62 6,17 6,46 6,64 6,53
Lenha 5,30 6,06 5,71 6,13 5,06 5,77
Carvão vegetal 4,31 5,78 1,00 1,00 4,20 5,23
Fonte: EPE – Pesquisa sobre o consumo de lenha e carvão vegetal no setor residencial
A partir dos valores das Tabela 22 e Tabela 23 foi calculado o consumo específico médio anual
(Tabela 23)
Tabela 23 Consumo Específico em kg/ano setor rural
Tipo de combustível
Consumo específico
Região
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Total
Só lenha
Kg/ano/domicílio
3.009,6 2.612,3 2.761,4 2.133,9 4.800,5 3.102,4
Lenha e outros
2.491,4 2.426,4 2.221,0 2.454,9 2.597,9 2.502,3
Só carvão
652,5 1.133,2 - - - 549,3
Carvão e outros
49,6 83,9 101,0 166,5 447,0 873,7
Fonte: EPE – Pesquisa sobre o consumo de lenha e carvão vegetal no setor residencial
O modelo desenvolvido para estimação do consumo de lenha no setor residencial propõe a
utilização do consumo específico rural e urbano. A pesquisa desenvolvida pela EPE definiu o
consumo específico para o setor rural. No caso do setor urbano, o consumo específico por
região foi obtido através da relação entre os consumos específicos urbano e o rural, divulgados
na POF 2003.
Finalmente, após inserir todos os dados no modelo elaborado EPE/CENBIO, obteve-se os
montantes de consumo residencial de lenha para os anos de 2011 e 2012.
A Tabela 24 compara estes valores de consumo de lenha com os publicados no BEN.
Tabela 24 Consumo de lenha e carvão no setor residencial (Série pesquisa X Série atual) - 2011 e 2012
Tipo de combustível 2011 2012
Série pesquisa Série pesquisa
Lenha 6.653 6.603
Série atual Série atual
Lenha 6.505 6.472
Diferença (Série pesquisa/ série atual) Diferença (Série pesquisa/ série atual)
Lenha 2,3% 2,0%
Fonte: EPE
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
33 De acordo com a Figura 11, observa-se que, no caso da lenha, os montantes obtidos a partir da nova metodologia são ligeiramente superiores aos que foram publicados no BEN. Figura 12 Comparação de séries para consumo de lenha no setor residencial
Cabe, novamente, esclarecer que a metodologia anterior de contabilização da lenha e carvão vegetal no âmbito do Balanço Energético Nacional era fundamentada na nota técnica COBEN 07/1988. Nesta nota técnica o critério proposto era o de energia per capita para cocção, considerando 4 (quatro) possíveis combustíveis para este fim: GLP, gás natural, lenha e carvão vegetal. Em adição era aceita a hipótese de que este coeficiente se manteria estável ao longo dos anos. Com isto, uma única equação era necessária para apurar a demanda destes energéticos, para o uso final cocção.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
34
A
Figura 13 apresenta a nova série histórica da lenha juntamente com os outros energéticos para
o setor residencial, compondo consequentemente uma nova série histórica para o total para o
setor.
Figura 13 Série histórica ajustada do consumo de combustíveis no setor residencial (mil tep) – 1970 a 2012
Esta série mostra que, o consumo total de energia no setor, até o início da década de 2000, era fortemente influenciado pela movimentação do consumo de lenha. Este período foi caracterizado pela gradativa substituição do fogão a lenha por equipamentos de cocção a gás, mais eficientes, e pela penetração do uso de energia elétrica para as mais diversas finalidades domésticas. Os resultados obtidos através da pesquisa de campo confirmam a tendência de redução do consumo de lenha no setor residencial, sinalizando ainda que, a melhoria no rendimento energético global do setor residencial está associada, dentre outros fatores, à disseminação do uso de equipamentos de cocção movidos à gás em substituição aos antigos fogões à lenha (muito pouco eficientes), a alteração de hábitos alimentares (introdução de alimentos industrializados nos domicílios), ao aumento da frequência do consumo alimentar fora do domicílio, ou seja, fatores que já haviam sido captados pela metodologia anterior.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
35
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
36
APÊNDICE A METODOLOGIA DA PESQUISA DE CAMPO
A metodologia de estimação de recursos energéticos, particularmente lenha e carvão vegetal,
desenvolvida pela Fundação Getúlio Vargas, no ciclo do BEN 2006, teve por objetivo rever a
contabilização anual do uso de recursos energéticos selecionados, em todo o território nacional,
para aprimorar essas estatísticas no Balanço Energético Nacional e, desta forma, subsidiar as
demais atividades de planejamento e pesquisa energéticos.
As metodologias específicas de estimação desenvolvidas para a contabilização integram a
combinação de dados secundários, obtidos junto às fontes tradicionais e regulares de dados,
com dados primários, obtidos em pesquisas de campo especialmente realizadas para este
propósito, seguindo a diretriz de superar as limitações existentes nas estimativas baseadas
apenas em dados secundários.
O planejamento da pesquisa determinou o emprego da técnica de survey ou inquérito. Baseia-
se em entrevistas com uso de questionários para obter informações padronizadas, objetivas e
subjetivas, da população investigada, passíveis de serem tratadas quantitativamente.
No survey é indiferente se as entrevistas serão realizadas com todas as unidades elementares,
que configura um censo, ou com uma amostra que reflita a população; porém, sua realização
adequada requer critérios técnicos específicos para cada fase da sua realização:
a) Seleção da amostra;
b) Elaboração de questionários;
c) Aplicação dos questionários;
d) Codificação das respostas, e;
e) Análise das informações obtidas.
A partir da classificação dos usuários de lenha e carvão vegetal para fins energético, a pesquisa
se divide em dois tipos:
a pesquisa sobre o uso residencial, realizada nos domicílios, e;
a pesquisa sobre o uso econômico, englobando os estabelecimentos industriais e de
serviços.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
37 A.1 PESQUISA RESIDENCIAL A pesquisa residencial se configura como pesquisa de campo presencial utilizando a técnica de survey que será aplicada aos domicílios para estimar o consumo energético doméstico de lenha e carvão vegetal no Brasil. A unidade analisada é o domicílio de uma amostra estratificada por região, de acordo com o tipo de zoneamento e grau de urbanização, sendo priorizados os municípios predominantemente rurais conforme seleção dos setores censitários, de acordo com a proporção de fogões a lenha e/ou carvão vegetal, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. A seleção dos domicílios aos quais os pesquisadores se dirigirão para aplicação dos questionários ocorrerá dentro dos setores censitários selecionados, de forma aleatória, a partir de um sorteio. As informações para o sorteio dos domicílios serão obtidas por meio da varredura dos setores censitários, para identificação de quais domicílios em cada setor são usuários de lenha e de carvão vegetal. As entrevistas são realizadas com os chefes de família ou cônjuge, identificados como as unidades respondentes, tendo em vista que estas pessoas são as mais indicadas para fornecer informações acerca dos consumos e dos hábitos familiares. A.2 PLANEJAMENTO E SELEÇÃO AMOSTRAL O planejamento e seleção das amostras aplicadas à pesquisa residencial deverão obedecer às regras específicas apresentadas no planejamento da pesquisa, de forma a garantir que as características da população que se deseja investigar estejam presentes na amostra, segundo as principais diretivas: Definição da unidade elementar (elemento da população portador da informação que se deseja coletar); Conhecimento do sistema de referência e conseqüente identificação e listagem da população referenciada; Seleção do tipo de amostra a ser utilizado; Fixação do tamanho da amostra, e; Escolha dos melhores estimadores e seus erros amostrais.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
38 A.2.1 UNIDADES ELEMENTARES DE ANÁLISE Os usuários finais que serão arrolados para as pesquisas de campo sobre o consumo de lenha e carvão vegetal no setor residencial são caracterizados por famílias que utilizam a lenha ou o carvão vegetal, exclusivamente, para prover necessidades familiares, tais como: cozinhar, esquentar a água para o banho, ferver roupas, aquecer o ambiente, etc. A unidade elementar a ser investigada deverá ser o domicílio; A.2.2 UNIDADE RESPONDENTE EM CADA PESQUISA As unidades respondentes, ou seja, os indivíduos que serão abordados como informantes qualificados para responder à pesquisa serão o chefe do domicílio ou cônjuge, no caso da pesquisa residencial. A Tabela 25Erro! Fonte de referência não encontrada. apresenta a síntese das variáveis de interesse, dos setores e das unidades amostrais a serem investigadas, que são, respectivamente, os domicílios e os estabelecimentos econômicos. Tabela 25 Variável de interesse por pesquisa Variável de interesse Pesquisa Unidade amostral Consumo de lenha ou carvão vegetal em quilos (total, media etc.) Residencial Zona rural Domicílios A.2.3 DETALHAMENTO DAS VARIÁVEIS DE INTERESSE PARA PESQUISA RESIDENCIAL Localização: rural; Finalidade do consumo: Cozimento, calefação; Tipo de combustível de madeira: lenha e/ou carvão vegetal utilizado; Quantidade de domicílios que utilizam lenha; Quantidade de domicílios que utilizam lenha e outro combustível; Consumo específico de lenha, calculado na base seca 4 para consumidor exclusivo de lenha em kg/domicílio Consumo específico de lenha (base seca) para consumidor de mais de um combustível para cocção, em kg/domicílio; Quantidade de domicílios que utilizam carvão vegetal; Quantidade de domicílios que utilizam carvão vegetal e outro combustível; Consumo específico de carvão vegetal para consumidor exclusivo de carvão vegetal kg/domicílio
4 consumo calculado na base seca= peso medido X( 1-teor de umidade)Kg
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
39 Consumo específico de carvão vegetal para consumidor de mais de um combustível para cocção, em kg/domicílio; Dispositivos (aparelhos) usados para a combustão: Tipo de fogão; Quantidade; Freqüência de uso; Fonte de abastecimento de lenha e carvão vegetal; Unidade de medida, características físicas: A unidade primária da lenha de uso residencial é o quilograma [kg]. Onde for necessária a conversão de volume [m 3 st] em massa [kg], será considerada a densidade da lenha predominante no bioma do consumo, na medida da disponibilidade da informação. Para a lenha de uso residencial, predominantemente de origem nativa, será adotada a densidade de 330 kg/m 3 st, valor médio identificado em pesquisa realizada pela Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais – CETEC em localidades do Estado de Minas Gerais (CEMIG, 2005); Teor de umidade da lenha utilizada (obtido através do medidor portátil de teor de umidade para madeira), em %; O poder calorífico da madeira seca em forno varia muito pouco para diferentes espécies de arvores, e o conteúdo energético depende principalmente da umidade da madeira. Os valores de consumo específico são em base seca, descontando a umidade da lenha utilizada. Adotou-se o valor de 3.100 kcal/kg como poder calorífico inferior da lenha, tanto a de origem nativa quanto a de reflorestamento. Esse valor provém de ensaios realizados pelo CETEC (CEMIG, 2005); A unidade primária do carvão vegetal de uso residencial é o quilograma [kg]. Adotou-se o valor de 6.460 kcal/kg como poder calorífico inferior do carvão vegetal, tanto o de origem nativa quanto o de reflorestamento. Esse valor provém de ensaios realizados pelas Companhias Siderúrgicas Belgo Mineira e Acesita (BRASIL, 2005). A.2.4 AMOSTRA DA PESQUISA RESIDENCIAL Para estimar o consumo de lenha e carvão vegetal no Brasil no setor residencial, o plano amostral seguirá as seguintes diretrizes:
- a unidade a ser analisada é o domicílio de uma amostra estratificada por região;
- seleção dos municípios de acordo com o grau de urbanização, considerando apenas municípios predominantemente rurais, tendo em vista a concentração do consumo de lenha e de carvão vegetal nestas áreas;
- seleção dos setores censitários, de acordo com a proporção de fogões a lenha (e/ou carvão) em cada nível de urbanização do setor, segundo classificação do IBGE;
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
40
4. varredura dos setores censitários, para conhecimento de quais domicílios em cada setor
são usuários de lenha e de carvão vegetal;
5. seleção dos domicílios ocorrerá dentro dos setores censitários selecionados, de forma
aleatória, a partir de um sorteio. As informações para o sorteio dos domicílios serão
obtidas por meio da varredura;
6. as entrevistas serão realizadas com os chefes de família ou cônjuge (unidades
respondentes), tendo em vista que estas pessoas são as mais indicadas para fornecer
informações acerca do consumo de energia e dos hábitos familiares.
A.2.4.1 ESTRATIFICAÇÃO POR REGIÃO
A amostra será estratificada por região natural do Brasil (Norte, Centro-Oeste, Nordeste,
Sudeste e Sul), conforme definido pelo IBGE. O principal objetivo neste estágio de estratificação
da pesquisa de lenha e de carvão vegetal é definir grandes áreas com vegetação relativamente
homogênea, de forma a ser possível representar o potencial energético de cada “bioma”.
As regiões geográficas possibilitam amostras com representação adequada dos biomas
existentes. A escolha das regiões naturais ao invés de uma definição geográfica mais próxima
dos recortes regionais dos biomas se deveu a sua maior facilidade de operacionalização no
planejamento dos agentes públicos e privados.
A.2.4.2 EQUILÍBRIO POR REGIÃO
Para que seja possível realizar inferência acerca do consumo de lenha e carvão vegetal em
todas as regiões do Brasil, a amostra será de 400 entrevistas por região natural, de
forma a alcançar um nível de erro adequado, em torno de 5 pontos percentuais.
Embora as informações da Pesquisa Nacional Domiciliar por Amostra (PNAD) de 2005 mostrem
que há diferenças significativas no consumo de lenha e carvão vegetal entre as regiões
naturais, a pesquisa só poderá realizar inferências por regiões se fizer no mínimo 400
entrevistas em cada uma delas. Desse total de entrevistas, considerou-se, a partir de
experiências de pesquisas domiciliares anteriores, que cerca de 20% apresentarão
problemas de “recusa”, ou seja, pessoas que não se dispõem a responder a pesquisa. Para
que este tipo de problema não comprometa o resultado da pesquisa, optou-se por realizar
480 entrevistas por região, assim, será possível garantir a representatividade de cada região
do país no total da amostra.
Observa-se na Tabela 26 e Tabela 27 que a utilização de lenha e de carvão vegetal em fogões
varia consideravelmente de uma região para outra. Na região Sudeste, a mais urbana do país,
apenas de 3,5% dos domicílios entrevistados declarou a lenha ou o carvão vegetal como
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
41 combustível mais utilizado no fogão. Por outro lado, em regiões como o Nordeste e o Nordeste, menos urbanizadas, este percentual sobe para 17,9% e 10,3%, respectivamente. Assim, embora a amostra seja do mesmo tamanho para as regiões naturais, o indicador do consumo de lenha e carvão vegetal para o País como um todo deverá considerar estas diferenças regionais. Tabela 26 Região do país por Tipo de combustível utilizado no fogão com maior frequência (absoluto) Região Tipo de combustível
Gás botijão/
Canalizado
Lenha Carvão
Energia Elétrica/
Outro
combustível
Sem declaração
Total
Norte 3.144.129 254.271 109.063 796 - 3.508.259
Nordeste 10.515.981 1.673.584 611.124 4.841 - 12.805.530
Sudeste 22.262.201 779.339 22.490 1.478 5.687 23.071.195
Sul 7.300.242 866.096 4.162 2.015 - 8.172.515
Centro-
Oeste
3.543.288 166.264 5.333 719 - 3.715.604
Total 46.765.841 3.739.554 752.172 9.849 5.687 51.273.103
Tabela 27 Região do país por Tipo de combustível utilizado no fogão com maior frequência (%)
Região Tipo de Combustível
Gás botijão/ Canalizado Lenha Carvão Energia Elétrica/ Outro combustível Sem declaração Total
Norte 89,6% 7,2% 3,1% 0,0% 0,0% 100,0% Nordeste 82,1% 13,1% 4,8% 0,0% 0,0% 100,0% Sudeste 96,5% 3,4% 0,1% 0,0% 0,0% 100,0% Sul 89,3% 10,6% 0,1% 0,0% 0,0% 100,0% Centro-Oeste 95,4% 4,5% 0,1% 0,0% 0,0% 100,0% É importante que as regiões selecionadas tenham um grau considerável de consumo de lenha e carvão vegetal. Caso contrário, o trabalho de coleta de dados terá um custo muito elevado, na medida em que será selecionada para a pesquisa uma quantidade elevada de domicílios cujas informações não serão úteis para o estudo - ou seja, municípios nos quais as questões sobre o consumo de lenha e carvão não se aplicam. Quando isso ocorre, é preciso substituir o domicílio ou o setor censitário a ser pesquisado, acarretando desperdício de recursos e pessoal. A.2.4.3 SELEÇÃO DOS MUNICÍPIOS E DOS SETORES CENSITÁRIOS PELO NÍVEL DE URBANIZAÇÃO A amostra se concentrará na área rural, como citado anteriormente. Pesquisas sobre lenha e carvão vegetal realizadas em outros países mostram que o consumo destes energéticos concentra-se fortemente nas regiões rurais.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
42
A seleção dos municípios será feita de acordo com o grau de urbanização, enquanto a seleção
dos setores censitários será realizada de acordo com a presença de fogões a lenha ou carvão
vegetal em cada nível de urbanização dos setores.
A Tabela 28Erro! Fonte de referência não encontrada. e a Tabela 29, que apresentam o
tipo de combustível utilizado nos fogões com mais frequência por tipo de setor censitário,
mostram que o uso de lenha e de carvão vegetal para cozinhar concentra-se nos setores
censitários rurais. No setor “Rural - Zona rural exclusive aglomerado rural”, por exemplo, 40,7%
dos domicílios declaram utilizar lenha para cozinhar com mais frequência do que os demais
combustíveis. No caso dos setores classificados como “Rural - Aglomerado rural, isolado,
povoado” e “Rural - Aglomerado rural, isolado, outros aglomerados” esse percentual chega a
21,9% e 24,5%, respectivamente. Esses dados corroboram a tese defendida de que a grande
maioria dos consumidores residenciais de lenha e carvão vegetal está localizada em áreas
rurais. Os números do carvão vegetal são significativamente menores, mas, seguem o mesmo
padrão.
As categorias de urbanização dos setores censitários que serão incluídos na amostra residencial
são:
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado
RURAL - Aglomerado rural, isolado, núcleo;
RURAL - Aglomerado rural, isolado, outros aglomerados;
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural.
Embora a tabela 5 mostre que 5,1% dos domicílios entrevistados registrados no setor censitário
“Urbana - Cidade ou vila, área não urbanizada” tenham declarado que utilizam a lenha como
principal combustível para cozinhar, optou-se por excluir este setor. O número absoluto de
domicílios que utilizam lenha ou carvão nesse tipo de setor é relativamente pequeno, não
justificando o custo de coleta de dados. Como se pode observar na Tabela 30Erro! Fonte de
referência não encontrada., no Estado do Paraná 7,69% dos domicílios declararam que a
lenha é o combustível utilizado com maior freqüência no fogão. Contudo, este número refere-se
apenas a 1.196 domicílios, enquanto no setor censitário classificado como “RURAL - Zona rural
exclusive aglomerado rural” o número de domicílio é de 178.504, neste mesmo Estado, e que
apresentam uma incidência de 39,8% de fogões a lenha ou carvão vegetal como principal
forma de cocção. Além disso, a utilização de lenha e de carvão vegetal em áreas urbanas tende
a diminuir mais rapidamente do que nas zonas rurais: conforme o município se moderniza
outras fontes de energia, como o GLP, tornam-se mais acessíveis à população.
Por último, destaque-se que, apesar da incidência zero de fogões de lenha e carvão vegetal nos
domicílios do tipo “RURAL - Aglomerado rural, isolado, núcleo”, incluiu-se este tipo de setor na
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
43 seleção da amostra. Esta categoria apresenta um número absoluto de setores bastante baixo, cerca de 23 mil. É possível que a não incidência tenha ocorrido devido à instabilidade natural de estimativas para subgrupos tão pequenos. Além disso, devido ao pequeno tamanho do grupo, poucos setores deste tipo serão sorteados na amostra, o que acrescenta um custo bastante pequeno à pesquisa. Os domicílios localizados em áreas muito urbanizadas não farão parte da população referenciada e, portanto, serão excluídos do processo de coleta de dados. Este procedimento evitará problemas durante a execução do trabalho de campo. Por exemplo, se o município de São Paulo fosse sorteado, dificilmente encontraríamos um setor censitário com um consumo de lenha significativo. Além disso, os benefícios auferidos para o custo praticado na coleta de dados seriam insignificantes, uma vez que os consumidores desses combustíveis são predominantes rurais. Com esta definição, segundo a PNAD 2005, nas categorias de urbanização dos setores censitários, que serão incluídos na amostra residencial, há cerca de 7,8 milhões de domicílios para o total do Brasil.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
44 Tabela 28 Tipo de Combustível utilizado no fogão com maior frequência por Situação Censitária 5
Tipo de Combustível utilizado no fogão com maior frequência Situação Censitária URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada URBANA - Cidade ou vila, área não urbanizada URBANA
- Área urbana isolada RURAL - Aglomerado rural de extensão urbana RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado RURAL - Aglomerado rural, isolado, núcleo RURAL - Aglomerado rural, isolado, outros aglomerados RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural Total Gás de botijão/canalizado 41.679.285 358.602 242.958 244.870 580.038 23.227 13.433 3.623.428 46.765.841 Lenha 812.408 19.224 4.045 5.146 174.103 - 4.514 2.720.114 3.739.554 Carvão 363.728 2.020 - 511 40.594 - 511 344.808 752.172 Outros combustíveis 7.644 - 452 - - - - 1.753 9.849 Sem declaração 5.687 - - - - - - - 5.687 Total 42.868.752 379.846 247.455 250.527 794.735 23.227 18.458 6.690.103 51.273.103 Fonte: PNAD 2005 Tabela 29 Tipo de Combustível utilizado no fogão com maior freqüência por Situação Censitária 6
Tipo de Combustível utilizado no fogão com maior freqüência Situação Censitária
5 Percentuais para o país como um todo. 6 Percentuais para o país como um todo.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
45 URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada URBANA - Cidade ou vila, área não urbanizada URBANA - Área urbana isolada RURAL - Aglomerado rural de extensão urbana RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado RURAL - Aglomerado rural, isolado, núcleo RURAL - Aglomerado rural, isolado, outros aglomerados RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural Gás de botijão/canalizado 97,2% 94,4% 98,2% 97,7% 73,0% 100,0% 72,8% 54,2% Lenha 1,9% 5,1% 1,6% 2,1% 21,9% 0,0% 24,5% 40,7% Carvão 0,8% 0,5% 0,0% 0,2% 5,1% 0,0% 2,8% 5,2% Energia elétrica/outros combustíveis 0,0% 0,0% 0,2% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% Sem declaração 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0%
Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% Fonte: PNAD 2005
Tabela 30 Unidade da Federação por Tipo de Combustível utilizado no fogão com maior freqüência por Tipo de Setor Censitário
Unidade da Federação Tipo de Setor Censitário
% dos domicílios que utiliza
lenha ou carvão
Domicílios que
utilizam Lenha
Domicílios que
utilizam Carvão
Total de Domicílios
Rondônia URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 1,35% 3.077 709 280.601,00
URBANA - Cidade ou vila, área não urbanizada 0,00% - - 7.806,00
RURAL - Aglomerado rural de extensão urbana 0,00% - - 21.903,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 0,00% - - 4.133,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 41,46% 42.448 1.641 106.352,00
Total 11,38% 45.525 2.350 420.795,00
620 1.239 112.603,00
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
46
Unidade da Federação Tipo de Setor Censitário
% dos domicílios que utiliza
lenha ou carvão
Domicílios que
utilizam Lenha
Domicílios que
utilizam Carvão
Total de Domicílios
Acre URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 1,65% 531 145 10.627,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 6,36% 15.855 3.362 34.495,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 55,71% 17.006 4.746 157.725,00
Total 13,79% 5.196 612 579.884,00
Amazonas URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 1,00% - - 2.175,00
RURAL - Aglomerado rural de extensão urbana 0,00% 6.831 350 21.350,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 33,63% 36.222 350 136.074,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 26,88% 48.249 1.312 739.483,00
Total 6,70% - 161 73.546,00
Roraima URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 0,22% 337 337 1.685,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 40,00% 2.393 2.458 16.168,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 30,00% 2.730 2.956 91.399,00
Total 6,22% 14.375 45.062 1.206.323,00
Pará URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 4,93% 349 872 17.274,00
URBANA - Cidade ou vila, área não urbanizada 7,07% - - 2.895,00
RURAL - Aglomerado rural de extensão urbana 0,00% 994 10.059 100.470,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 11,00% - - 23.227,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, núcleo 0,00% 76.074 31.876 292.238,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 36,94% 91.792 87.869 1.642.427,00
Total
10,94% 417 110.281,00
Amapá URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 0,38% 107 1.665,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 6,43% 1.291 6.728,00
Total 1,53% 1.815 118.674,00
Tocantins URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 3,44% 6.766 1.746 247.152,00
URBANA - Cidade ou vila, área não urbanizada 0,00% - - 655,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 33,94% 3.933 4.367 24.455,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 61,34% 36.455 3.717 65.494,00
Total 16,87% 47.154 9.830 337.756,00
Maranhão URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 7,23% 4.782 65.355 969.975,00
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
47
Unidade da Federação Tipo de Setor Censitário
% dos domicílios que utiliza
lenha ou carvão
Domicílios que
utilizam Lenha
Domicílios que
utilizam Carvão
Total de Domicílios
RURAL - Aglomerado rural de extensão urbana 0,00% - - 9.564,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 20,29% - 11.158 54.994,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 44,91% 48.617 95.641 321.197,00
Total 16,64% 53.399 172.154 1.355.730,00
Piauí URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 15,86% 16.717 59.041 477.524,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 34,03% 5.224 3.132 24.552,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 81,13% 111.825 83.589 240.874,00
Total 37,62% 133.766 145.762 742.950,00
Ceará URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 9,34% 74.307 70.149 1.547.069,00
URBANA - Cidade ou vila, área não urbanizada 26,98% 9.450 218 35.840,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 50,42% 24.285 2.017 52.170,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 43,73% 145.485 19.533 377.388,00
Total 17,17% 253.527 91.917 2.012.467,00
Rio Grande do Norte URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 2,67% 7.489 7.489 561.740,00
RURAL - Aglomerado rural de extensão urbana 0,00% - - 16.385,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 12,20% 2.809 1.872 38.381,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, outros aglomerados 18,18% 936 - 5.149,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 32,51% 38.855 4.214 132.473,00
Total 8,44% 50.089 13.575 754.128,00
Paraíba URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 10,56% 40.685 34.354 710.628,00
URBANA - Área urbana isolada 5,88% 452 - 7.685,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 40,91% 4.068 - 9.944,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 64,94% 89.507 29.383 183.079,00
Total 21,78% 134.712 63.737 911.336,00
Pernambuco URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 3,90% 34.415 31.351 1.685.833,00
URBANA - Cidade ou vila, área não urbanizada 27,77% 4.089 511 16.566,00
URBANA - Área urbana isolada 4,55% 213 - 4.683,00
RURAL - Aglomerado rural de extensão urbana 12,82% 2.044 511 19.931,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 30,05% 9.030 4.599 45.359,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, outros aglomerados 80,00% 3.578 511 5.111,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 59,69% 196.526 47.529 408.878,00
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
48
Unidade da Federação Tipo de Setor Censitário
% dos domicílios que utiliza
lenha ou carvão
Domicílios que
utilizam Lenha
Domicílios que
utilizam Carvão
Total de Domicílios
Total 15,32% 249.895 85.012 2.186.361,00
Alagoas URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 2,66% 9.540 3.635 495.696,00
URBANA - Área urbana isolada 3,13% 455 - 14.538,00
RURAL - Aglomerado rural de extensão urbana 16,67% 1.817 - 10.902,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 6,76% 2.272 - 33.624,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 32,04% 46.795 13.183 187.193,00
Total 10,47% 60.879 16.818 741.953,00
Sergipe URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 1,43% 5.022 1.004 421.579,00
URBANA - Cidade ou vila, área não urbanizada 0,00% - - 17.404,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 21,05% 4.016 - 19.077,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 46,97% 33.787 - 71.937,00
Total 8,27% 42.825 1.004 529.997,00
Bahia URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 6,26% 138.793 16.693 2.485.565,00
URBANA - Área urbana isolada 0,76% 215 - 28.371,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 37,16% 73.216 1.979 202.353,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 56,74% 482.268 2.473 854.319,00
Total 20,04% 694.492 21.145 3.570.608,00
Minas Gerais URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 3,55% 163.151 784 4.619.259,00
URBANA - Cidade ou vila, área não urbanizada 2,56% 393 - 15.351,00
URBANA - Área urbana isolada 2,13% 785 - 36.775,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 55,78% 30.088 579 54.975,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 63,81% 461.321 1.157 724.774,00
Total 12,08% 655.738 2.520 5.451.134,00
Espírito Santo URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 1,56% 12.685 812.404,00
URBANA - Área urbana isolada 0,00% - 1.410,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 39,94% 64.372 161.166,00
Total 7,90% 77.057 974.980,00
Rio de Janeiro URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 0,37% 5.049 12.417 4.726.060,00
URBANA - Cidade ou vila, área não urbanizada 0,00% - - 5.375,00
URBANA - Área urbana isolada 0,00% - - 2.686,00
RURAL - Aglomerado rural de extensão urbana 0,00% - - 17.013,00
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
49
Unidade da Federação Tipo de Setor Censitário
% dos domicílios que utiliza
lenha ou carvão
Domicílios que
utilizam Lenha
Domicílios que
utilizam Carvão
Total de Domicílios
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 2,94% 448 - 15.223,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 12,83% 13.184 652 107.872,00
Total 0,65% 18.681 13.069 4.874.229,00
São Paulo URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 0,18% 13.073 6.901 10.980.216,00
URBANA - Cidade ou vila, área não urbanizada 0,00% - - 80.763,00
URBANA - Área urbana isolada 1,91% 1.715 - 89.811,00
RURAL - Aglomerado rural de extensão urbana 0,66% 900 - 135.403,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 0,00% - - 14.406,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, outros aglomerados 0,00% - - 3.429,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 2,61% 12.175 - 466.824,00
Total 0,30% 27.863 6.901 11.770.852,00
Paraná URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 3,19% 81.823 2.562.973,00
URBANA - Cidade ou vila, área não urbanizada 7,69% 1.196 15.544,00
URBANA - Área urbana isolada 0,00% - 5.392,00
RURAL - Aglomerado rural de extensão urbana 5,88% 385 6.547,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 6,25% 385 6.163,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 39,84% 178.504 448.045,00
Total 8,61% 262.293 3.044.664,00
Santa Catarina URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 4,97% 67.185 1.159 1.374.376,00
URBANA - Cidade ou vila, área não urbanizada 2,63% 1.158 - 44.013,00
URBANA - Área urbana isolada 0,00% - - 12.742,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 39,06% 115.839 - 296.542,00
Total 10,73% 184.182 1.159 1.727.673,00
Rio Grande do Sul URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 3,21% 84.987 1.792 2.703.715,00
URBANA - Cidade ou vila, área não urbanizada 3,59% 2.259 419 74.636,00
URBANA - Área urbana isolada 2,04% 210 - 10.276,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 33,62% 4.494 - 13.369,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, outros aglomerados 0,00% - - 2.096,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 55,10% 327.671 792 596.086,00
Total 12,43% 419.621 3.003 3.400.178,00
Mato Grosso do Sul URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 1,37% 7.403 - 540.740,00
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
50
Unidade da Federação Tipo de Setor Censitário
% dos domicílios que utiliza
lenha ou carvão
Domicílios que
utilizam Lenha
Domicílios que
utilizam Carvão
Total de Domicílios
URBANA - Cidade ou vila, área não urbanizada 0,00% - - 9.566,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 0,00% - - 4.934,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 19,48% 15.728 618 83.905,00
Total 3,72% 23.131 618 639.145,00
Mato Grosso URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 1,18% 5.610 1.319 586.998,00
URBANA - Cidade ou vila, área não urbanizada 3,03% 330 - 10.890,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 43,94% 76.226 2.640 179.502,00
Total 11,08% 82.166 3.959 777.390,00
Goiás URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 0,63% 8.624 345 1.421.255,00
URBANA - Área urbana isolada 0,00% - - 30.003,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 3,41% 1.035 - 30.348,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 28,32% 50.691 - 178.990,00
Total 3,66% 60.350 345 1.660.596,00
Distrito Federal URBANA - Cidade ou vila, área urbanizada 0,18% 617 411 574.757,00
URBANA - Cidade ou vila, área não urbanizada 0,00% - - 28.163,00
URBANA - Área urbana isolada 0,00% - - 3.083,00
RURAL - Aglomerado rural de extensão urbana 0,00% - - 7.809,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, povoado 0,00% - - 10.478,00
RURAL - Aglomerado rural, isolado, outros aglomerados 0,00% - - 2.673,00
RURAL - Zona rural exclusive aglomerado rural 0,00% - - 11.510,00
Total 0,16% 617 411 638.473,00
Fonte: PNAD 2005
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
51
Como o foco da pesquisa será centrado em setores censitários rurais, optou-se por excluir os
municípios mais urbanizados do país do processo amostral. A taxa de urbanização dos
municípios brasileiros está disponível na base de dados do Censo de 2000. Contudo, não é
possível relacionar diretamente o grau de urbanização das cidades com a utilização de fogão a
lenha ou a carvão vegetal, como feito para os setores censitários nas tabelas acima, pois a
informação sobre fogões não consta na base do censo. Neste sentido, optou-se por arbitrar
uma taxa de urbanização de corte para a seleção dos municípios a partir da tabela apresentada
a seguir.
A tabela abaixo apresenta os decis da taxa de urbanização dos municípios brasileiros. O decil é
uma divisão da distribuição de casos, ordenados do menor para o maior valor, em 10 grupos
com tamanho igual, cada um deles correspondendo a 10% dos casos. É usado para se
compreender melhor a distribuição dos valores de um indicador. Para auxiliar a decisão,
calculou-se a taxa de urbanização de corte, ou seja, a urbanização máxima de cada decil. Como
se pode ver no primeiro decil, de número 1, apresenta a menor taxa de urbanização.
A partir desta distribuição optou-se por excluir os municípios com taxa de urbanização superior
a 60%, acima do decil 5. Com este corte a amostra será realizada a partir do universo de cerca
2.752 municípios menos urbanizados do país, cerca de 50% do total dos municípios brasileiros.
Por fim, destaca-se que, caso não fossem retirados os municípios mais urbanizados do processo
amostral, incorrer-se-ia no risco de sortear municípios muito urbanizados e com consumo
insignificante de lenha e de carvão vegetal. Esse procedimento facilitará a execução da
pesquisa, além de possuir impactos positivos sobre o orçamento da coleta de dados.
Tabela 31 Taxa de Urbanização por decil de urbanização dos Municípios Brasileiros
Decil Taxa de urbanização Nº de municípios
1 26,935 551
2 36,190 1101
3 44,190 1651
4 51,420 2202
5 59,330 2752
6 66,980 3303
7 74,475 3853
8 81,870 4404
9 90,400 4954
Fonte: Censo 2000 – IBGE
A.2.4.4 RECONHECIMENTO DO PERÍMETRO DO SETOR CENSITÁRIO
Esta etapa, anterior à varredura, tem por objetivo evitar que a pesquisa extrapole as fronteiras
do setor. Este tipo de trabalho também é realizado em algumas pesquisas em áreas urbanas,
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
52
mais especificamente em “aglomerados subnormais”, ou seja, favelas. Como as favelas, por
definição, são construídas sem um planejamento, a delimitação dos setores é muito difícil. Além
disto, os mapas fornecidos pelo IBGE muitas vezes apresentam informações incompletas ou
estão desatualizados, já que o crescimento nessas áreas é muito dinâmico. Desta forma, antes
da realização da varredura, um pesquisador é enviado à localidade para se informar com líderes
comunitários sobre mapas mais atualizados e a localização das ruas que constam na descrição
do IBGE.
No caso da pesquisa sobre o consumo de lenha e carvão vegetal em áreas rurais, deve-se fazer
um trabalho similar ao realizado em favelas. Em uma etapa anterior à varredura, um
pesquisador será enviado ao setor censitário sorteado para atualizar o mapa fornecido pelo
IBGE, se informar sobre a existência de croquis e nomes das localidades pertencentes ao setor
censitário sorteado. No caso do mapa não existir, o pesquisador deve confeccionar ele mesmo
os croquis ou mapas. Considerando que o grau de dificuldade em cada área do País pode variar
consideravelmente, o prazo para esta etapa deve ser de 20 (vinte) dias.
Mesmo que o IBGE forneça todos os mapas necessários e a descrição dos setores que serão
sorteados para a pesquisa nacional, a etapa de reconhecimento de perímetro do setor
censitário e atualização dos mapas se fazem necessárias à metodologia, de forma que as fases
de varredura e entrevistas possam ser realizadas com confiabilidade.
Por fim, será necessário do uso de GPS e PDA para a demarcação das fronteiras dos setores
censitários. A partir do Censo de 2007, o IBGE incorporou a coleta digital de informações
através do computador de mão (Personal Digital Assistant – PDA), em substituição aos
questionários tradicional em papel. Entre as vantagens enumeradas pelo IBGE para uso do
instrumento digital estão:
a crítica imediata dos dados no momento da digitação;
correção de informações no ato da entrevista;
preenchimento de todos os quesitos obrigatórios do questionário;
realização de saltos automáticos no formulário, evitando perda de informações;
acompanhamento em tempo real do trabalho de coleta de dados;
redução, e conseqüentemente maior facilidade de transporte, do material de coleta.
Além disso, de acordo com informações do IBGE, os PDAs podem facilitar a localização de
unidades recenseadas, visto que são equipados com receptor de sinais Global Position System -
GPS, o que possibilita o georreferenciamento de todas as unidades de coleta, estabelecimentos
de saúde e de educação localizados nas áreas rurais. O GPS seria útil para a definição de quais
localidades pertencem a cada setor censitário.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
53
A.2.4.5 VARREDURA
Para identificar quais domicílios consomem lenha e carvão vegetal, a pesquisa deverá realizar
uma varredura nos setores censitários sorteados. A varredura consiste em uma etapa anterior
às entrevistas, onde o entrevistador ou outra equipe verifica a existência do consumo de lenha
e/ou carvão vegetal em cada uma das residências do setor censitário.
Para a pesquisa sobre o consumo de lenha e de carvão vegetal a varredura se faz necessária,
tendo em vista dois principais motivos. Primeiro, com a varredura será possível conhecer o
percentual de domicílios que consome lenha e carvão vegetal nos setores censitários
selecionados no desenho amostral descrito acima. Como o IBGE fornece o número total de
domicílios existentes naquele conjunto de categorias de urbanização dos setores censitários
selecionados para a pesquisa, será possível generalizar o consumo de lenha e de carvão vegetal
para esta população em todo o País. Segundo, ao conhecer os domicílios que consomem esses
energéticos será possível realizar o sorteio dos domicílios que os entrevistadores deverão
pesquisar durante a coleta de dados
7
.
O trabalho de varredura contempla as seguintes ações:
- Listar e reconhecer todas as localidades do setor censitário. Marcar no mapa as localidades;
- Numerar as localidades conforme aparecem no sentido horário, primeiro as mais próximas da extremidade do setor e, por fim, as do interior; e
- Varrer localidade por localidade, de acordo com a ordem da numeração. A varredura da localidade se dará de acordo com a metodologia do IBGE de varredura de setor urbano, dividindo a localidade em quadras e faces, seguindo sempre com o setor pela direita ou no sentido horário. A.2.4.6 GUIAS LOCAIS A experiência da Pesquisa Piloto mostrou que a utilização de guias locais foi fundamental para a conclusão da varredura. Para que a pesquisa seja padronizada ao máximo, sugere-se a apresentação de alguns critérios para a contratação dos guias nos setores que serão sorteados para a pesquisa nacional, tendo em vista que há diferenças no resultado do trabalho de acordo com o perfil do guia.
7 Os procedimentos para a varredura dos setores censitários estão detalhados no produto 4 “Manual de Treinamento da Equipe”.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
54
Sugere-se a contratação de pessoas que conheçam bem a cidade e os moradores,
preferencialmente, pessoas acima de 30 anos de idade que possuam o conhecimento de nomes
antigos. Muitas vezes as descrições fornecidas pelo IBGE são antigas e os jovens não são
familiarizados com esses nomes. O ideal é contratar uma pessoa que trabalhe em um órgão
oficial da cidade como Prefeitura, IBGE ou FUNASA, já que essas pessoas possuem um
conhecimento maior da área e, ao mesmo tempo, flexibilidade de horário de trabalho. A
realização do trabalho de coleta de dados também deve contar com a presença de um guia.
A.2.4.7 MEDIÇÕES DA PESQUISA
A varredura além de ser uma etapa importante da pesquisa domiciliar irá fornecer um dado
fundamental para a pesquisa, o percentual de domicílios que consome lenha. A pesquisa
não será generalizável para o total dos domicílios do país, mas, apenas para o conjunto de
domicílios dentro das categorias de urbanização selecionadas para a amostra, nos cerca de
50% de domicílios com 60% de urbanização ou menos. A varredura permitirá saber qual o
percentual deste conjunto de domicílios em que há consumo de lenha.
Na etapa seguinte realizar-se-á a entrevista nos domicílios quando será mensurada a média de
lenha consumida por domicílio com uso de dinamômetro com capacidade de 25 kg com
precisão de 250 g, sendo que, caso necessário, a pesagem seja realizada em mais de um
volume. Desta forma, será possível calcular o consumo total de lenha no país pela
multiplicação da média de consumo pelo número de domicílios incluídos no universo incluído na
pesquisa. Quando o entrevistado não possuir o energético no momento da entrevista, o
entrevistador deve retornar à residência antes de finalizar o setor e, caso a família tenha
comprado, produzido ou apanhado o energético, pesá-lo. Como o principal objetivo da pesquisa
é conhecer o consumo de lenha e carvão vegetal, o retorno ao domicílio não prejudica a
metodologia: ao contrário, aumenta a confiabilidade do dado coletado
8
.
A.2.4.8 DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA
Com o objetivo de alcançar a representação estatística regional dos dados coletados a amostra
de cada região deve alcançar 400 entrevistas. No entanto, como se prevê uma recusa de
20% serão sorteados 480 domicílios por região, para se conseguir realizar cerca de 400
entrevistas.
8 O retorno ao domicílio só não é aconselhável em surveys que investigam variáveis subjetivas que necessitam da opinião do entrevistado que pode ser afetada por acontecimentos repentinos como, por exemplo, pesquisas eleitorais ou de avaliação de governos locais ou nacional.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
55
Serão, assim, sorteados 480 domicílios por região totalizando 2.400 entrevistas no
país. No total serão sorteados cem (100) municípios como segundo estágio de
amostragem, configurando vinte (20) municípios por região. Dentro de cada
município serão sorteados dois (2) setores censitários, dentro das categorias de
urbanização rurais, como especificado acima, totalizando duzentos (200) setores em
todo o país. Em cada setor serão sorteados doze (12) domicílios, para a realização
de cerca de dez (10) entrevistas.
A.2.4.9 DESPERDÍCIO DE SETORES CENSITÁRIOS
Existe a possibilidade de que, após a varredura, não seja encontrado um número suficiente de
domicílios que consumam lenha ou carvão vegetal em um determinado setor censitário.
Mesmo que o número de domicílios consumidores destes energéticos seja inferior a
12 (entrevistas por setor censitário), ele não deve ser excluído da amostra porque
se trata de uma realidade do consumo de lenha e carvão vegetal. Excluir estes setores
enviesaria os resultados tanto do percentual de domicílios que consomem lenha quanto à média
de consumo de lenha, pois se espera que lugares com uma incidência menor de consumidores
de lenha apresente também uma média menor de consumo de lenha.
Como esta é uma pesquisa inédita, não há como antecipar a quantidade de setores onde isto
irá ocorrer. Se a quantidade de setores com um número muito pequeno de
consumidores for significativa, isto pode comprometer a amostra total, impedindo a
pesquisa de alcançar os níveis de generalidade amostral desejados.
Desta forma, sugere-se um procedimento de reposição de entrevistas sem excluir
estes setores onde o número de consumidores é menor do que 12. Considera-se que o
mais adequado é sortear novos setores censitários para repor as entrevistas não realizadas.
Destaque-se que estes setores devem ser sorteados nos municípios selecionados na fase de
seleção amostral anterior, e não em novos municípios.
Para fins de planejamento é importante estabelecer de antemão a quantidade de setores que
devem ser complementados por este procedimento. Como não há parâmetros para este tipo de
determinação, sugerimos usar o mesmo parâmetro tradicionalmente utilizado para a recusa:
20%. Sendo assim, ao invés de 200 setores censitários, serão sorteados 240.
A.2.4.10 UNIDADES RESPONDENTES
Os entrevistados serão o chefe do domicílio ou o cônjuge. Informações de pesquisas anteriores
de diversos temas mostram que o chefe ou o cônjuge são as pessoas mais indicadas para
responder perguntas relacionadas ao consumo e aos gastos gerais do domicílio.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
56 A.2.4.11 PARÂMETROS DA AMOSTRA E ESTIMAÇÃO O cálculo do tamanho da amostra requer conhecimento da variância do consumo de lenha dos domicílios rurais. Todavia, tal informação não está disponível. É possível, não obstante, chegar a uma aproximação grosseira daquele parâmetro utilizando-se as poucas informações disponíveis. Desde que tal aproximação seja conservadora, i.e., não subestime o valor do parâmetro, a amostra poderá ser considerada suficientemente representativa. Por outro lado, esse procedimento implica em mais custo de pesquisa na medida em que requer uma amostra maior do que seria necessário caso o parâmetro fosse conhecido. As informações disponíveis sobre o consumo domiciliar médio de lenha provêm de alguns poucos estudos empíricos, realizados em algumas poucas localidades rurais, principalmente da Região Sudeste. Os estudos são os apresentados nas seguintes referências:
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
57
Tabela 32 Estudos de consumo domiciliar de lenha Estudo Abrangência Estimativa CEMIG (1985) Setor rural de MG 12-18,1 Oliveira (1992) Zona rural do Semi-Árido da Paraíba 9,4-9,6 Mata (2000) Setor rural do distrito de Fonseca, em MG 25,5 López (2000) Cachoeira de Santa Cruz (MG) 10,0 Vale et al. (2003) Comunidade rural de São João D'Aliança (GO) 10,5* Notas: Unidade de medida das estimativas: Kg/domicílio/dia. (*) Apenas cocção. Fonte: Vale et al. (2003) Pelas informações disponíveis, pode-se concluir que: Exceto por Mata (2000), as estimativas mais recentes giram em torno de 10 Kg/domicílio/dia. As únicas estimativas intervalares disponíveis (CEMIG, 1985; Oliveira, 1992) indicam que a dispersão dos valores é pequena. É razoável pressupor que o consumo de lenha domiciliar é normalmente distribuído. Pode-se, assim, chegar a uma estimativa aproximada da sua variância ou desvio padrão utilizando-se uma estimativa da amplitude do consumo na população. Para chegar-se a uma estimativa da amplitude, utilizou-se critérios conservadores, conforme explicado a seguir. A necessidade de cozer ou mesmo apenas esquentar o alimento implica em consumo diário de lenha. Tal consumo pode ser muito baixo como, por exemplo, no caso de um domicílio com apenas um residente. Em vista disso, a expectativa é de que o limite inferior do consumo não seja menor que 0,5 Kg/domicílio/dia. O limite superior do consumo é mais difícil de ser definido porque é função crescente (mas não linear) do número de pessoas que residem no domicílio. Sabe-se que domicílios com 10 pessoas ou mais representam apenas 0,6% do total nacional, sendo que a maior incidência regional está no Norte, com 1,7% 9 . Considerando ainda que estudos anteriores identificaram um consumo per capita médio na ordem de 2 a 3,8 Kg/dia, considerou-se que um limite superior esperado de 60 Kg/domicílio/dia (10 pessoas x 6 Kg) é um valor possível porém muito pouco provável e, por isso, suficientemente conservador para o ponto de máximo da amplitude esperada. Assim, se Y é o consumo de lenha em Kg/domicílio/dia, então
9 IBGE. Censo Demográfico 2000.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
58 amplitude = max(Y) – min(Y) = 60 – 0,5 = 59,5 É uma propriedade de populações com distribuição normal que praticamente todas as observações encontram-se contidas no intervalo de 6 desvios-padrão em torno da média (pela chamada Regra Empírica). Então, pelo pressuposto que o consumo domiciliar de lenha é normalmente distribuído, tem-se um desvio padrão (dp) aproximado de 10 Kg/domicílio/dia, apurado através da seguinte fórmula: 59 5 10 66 amplitude , dp
Fica a critério do pesquisador a definição do grau de confiança e do erro amostral. Para o primeiro, o procedimento usual é utilizar 95%. Para o segundo, e tendo em vista a pequena dispersão esperada, utilizamos o valor de 1 Kg/domicílio/dia. Com esses valores chegamos a uma amostra de tamanho n = 384, conforme demonstrado abaixo: 22 22 1 96 1 96 10 384 1 ,, n dp erro
onde 1,96 é o valor da Distribuição Normal Padronizada (escore z) correspondente a um grau de confiança de 95%. Por uma questão de conveniência, arredondou-se o tamanho da amostra para 400 casos. Então, teremos amostras de tamanho 400 para cada uma das cinco regiões brasileiras, ou seja: Na região, as 400 entrevistas serão distribuídas uniformemente entre 20 municípios, selecionados aleatoriamente dentre o conjunto de municípios da respectiva região com taxa de urbanização igual ou menor a 60%. Dentro de cada município, serão selecionados aleatoriamente 2 setores censitários e, em cada setor, serão selecionados aleatoriamente 10 domicílios, com uma taxa de recusa de 20%, o que totaliza 12 domicílios. A.2.4.12 PESOS AMOSTRAIS Tal como descrito anteriormente, a pesquisa é originalmente estratificada por região. Para se obter estimativas do consumo domiciliar de lenha que sejam válidas para o país, é necessário observar as proporções da população-alvo nas regiões (estratos). As desproporcionalidades decorrentes do plano amostral (que prevê amostras de igual tamanho para as regiões) serão corrigidas através do uso de um peso amostral probabilístico. A fórmula do peso (w) é a seguinte:
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
59
1
1
,
{N,NE,CO,SE,S}
J
jj
j
j
J
jj
j
Nn
wj
nN
onde j w é o peso das observações da j-ésima classe do estrato; j é o indexador das J classes do estrato; n j é o tamanho da amostra relativa à classe j do estrato; e N j é o tamanho da população relativa à classe j do estrato. O uso de pesos implica em alterações nas estatísticas descritivas usuais. Sejam Y o consumo de lenha em Kg/domicílio/dia e n* o tamanho total da amostra. Então, tem-se: Variável Estimador sem peso Estimador com peso Consumo total 1 n* T i i YY
1 n* Tw ii i Y wY
Consumo médio 1 n* i i Y Y n*
1 n* w i i Y wY
Variância do consumo 2 1 V 1 n* i i YY Y n*
2 1 V 1 n* ii w i w Y Y Y n*
A.3 QUESTIONÁRIOS PARA ENTREVISTAS Para a realização das entrevistas, foram desenvolvidos questionários baseados nas informações e dados identificados na metodologia de pesquisa e estimação de recursos energéticos selecionados, que permitirão a extração de dados primários diretos e de outras informações complementares e a integração de dados secundários, obtidos junto às fontes tradicionais e regulares de dados, na estimação da contabilização para o Balanço Energético Nacional. Os questionários contêm as variáveis a serem avaliadas e foram concebidos para obter informações padronizadas, objetivas e subjetivas, da população investigada, passíveis de serem tratadas quantitativamente. As informações objetivas são aquelas relacionadas a dados ou fatos concretos e que, por isso, podem ser comprovados, como nível de renda, grau de escolaridade, características da associação a qual pertence, etc. Já as informações subjetivas são aquelas que
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
60 dizem respeito a opiniões, atitudes, intenções, valores, juízos, sentimentos, aspirações, expectativas etc. do entrevistado. O questionário a ser aplicado na pesquisa do setor residencial está apresentado no APÊNDICE A.
Tabela 33 Variáveis de interesse para a pesquisa residencial
Variáveis
Região
Total Brasil NE SE S CO N Quantidade de domicílios que utilizam lenha
Quantidade de domicílios que utilizam lenha e outro combustível
Consumo específico médio de lenha, para consumidor exclusivo de lenha
Consumo específico médio de lenha, para consumidor de mais de um combustível para cocção, em kg/domicílio;
Quantidade de domicílios que utilizam carvão vegetal;
Quantidade de domicílios que utilizam carvão vegetal e outro combustível
Consumo específico médio de carvão vegetal por domicilio
Consumo específico médio de carvão vegetal para consumidor exclusivo de carvão vegetal kg/domicílio
Consumo total de lenha, para consumidor exclusivo de lenha
Consumo total de lenha, para consumidor de mais de um combustível para cocção, em kg/domicílio;
Consumo total de lenha na região
Consumo total de carvão vegetal, para consumidor exclusivo de carvão vegetal,
Consumo total de carvão vegetal, para consumidor de mais de um combustível para cocção, em kg/domicílio;
Consumo total de carvão vegetal na região
Variância do consumo específico de lenha para consumidor exclusivo de lenha
Variância do consumo específico de lenha, para consumidor de mais de um combustível para cocção, em kg/domicílio;
Variância do consumo específico de carvão vegetal por domicilio
Variância do consumo específico de carvão vegetal para consumidor de mais de um combustível para cocção, em kg/domicílio;
Dispositivos (aparelhos) usados para a combustão:
Tipo de fogão
Lenha
Quantidade
Freqüência de uso
GLP
Quantidade
Freqüência de uso
Elétrico
Quantidade
Freqüência de uso
Teor de umidade médio da lenha utilizada, em %
Fonte de abastecimento de lenha
Fonte de abastecimento de carvão vegetal
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
61
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
62 APÊNDICE B QUESTIONÁRIO DA PESQUISA RESIDENCIAL Instrumento de Coleta de Dados Residencial Procurar o Chefe da casa ou Cônjuge
APRESENTAÇÃO: Bom dia/tarde. O Ministério das Minas e Energia está realizando uma pesquisa com o objetivo de conhecer melhor os hábitos de consumo de energia dos brasileiros. Pedimos sua colaboração para participar de nossa pesquisa, pois, ela é muito importante para o país. A pesquisa que fazemos não revela o nome dos entrevistados, faremos apenas análises por grupos, nunca individuais. Portanto, o(a) Sr(a) pode ficar a vontade para responder.
Estrato Estado Nº Município Nº Questionário
Distrito Subdistrito Setor Censitário Dom. Sorteado
Data:
CEP: --
Horário de Início: :
- O(a) Sr(a) ou alguém da sua família costuma utilizar lenha ou carvão vegetal, na sua casa ?
- Sim, apenas a lenha
- Sim, apenas o carvão vegetal
- A lenha e o carvão vegetal
- Não, nenhum dos dois [Encerre o questionário] 99. Não Sabe [Encerre o questionário]
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
63 2. O (a) Sr(a) e a sua família costumam cozinhar com: [Ler todas as opções] Mais alguma outra coisa? [Resposta Múltipla] Energético Sim Não Não Sabe
-
Botijão à gás 1 2 99
-
Querosene 1 2 99
-
Lenha 1 2 99
-
Carvão vegetal 1 2 99
-
Gás canalizado 1 2 99
-
Outro _______________________ [Especificar] 1 2 99
-
Outro _______________________ [Especificar] 1 2 99
-
[Somente para quem respondeu que usa botijão à gás] Além de cozinhar, para quais atividades o(a) Sr(a) e a sua família utilizam botijão à gás? [ESPONTÂNEA]
Sim Não NS/NR NA
-
Ferver a água para beber 1 2 99 88
-
Aquecer a água para o banho 1 2 99 88
-
Preparar alimentos para animais 1 2 99 88
-
Ferver roupas 1 2 99 88 5.Outro_________________________ [Especificar] 1 2 99 88
-
A sua casa possui energia elétrica?[Se Sim] Para quais atividades o(a) Sr(a) e a sua família utilizam energia elétrica? [ESPONTÂNEA]
Sim Não NS/NR
-
Cozinhar ou preparar alimentos para a família 1 2 99
-
Ferver a água para beber 1 2 99
-
Aquecer a água para o banho 1 2 99
-
Preparar alimentos para animais 1 2 99
-
Ferver roupas 1 2 99
-
Iluminar o ambiente 1 2 99
-
Utilizar aparelhos domésticos 1 2 99 8.Outro_________________________ [Especificar] 1 2 99
-
Agora vou citar alguns tipos de fogões e gostaria que o (a) Sr.(a) me dissesse se tem algumem casa e quantos. O(a) Sr(a) possui na casa algum fogão a gás? [ SE SIM] Quantos? O(a) Sr(a) possui na casa algum fogão [ CITAR CADA ITEM]? Quantos?
Quantidade de fogões Quantidade NS/NR
- À gás 99
- Lenha 99
- Carvão vegetal 99
- Outro _______________________ [Especificar] 99
- Outro______________________ [ Especificar] 99
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
64
- Em média, quantas vezes por semana o(a) Sr(a) e a sua família utilizam na sua casa o fogão [Repetir a pergunta para cada item que o entrevistado respondeu SIM na pergunta 5]? Uso semanal (máximo de 7 vezes) NS/NR NA
- À gás 99 88
- Lenha 99 88
- Carvão vegetal 99 88
- Outro _______________________ [Especificar] 99 88
- Outro ______________________ [Especificar] 99 88
- Agora, eu vou citar alguns itens e gostaria que o(a) Sr.(a) me dissesse se tem algum em casa e quantos. O(a) Sr.(a) possui na sua casa algum(a) televisão? Quantas? [Circule os pontos] O(a) Sr.(a) possui na sua casa algum(a) [Citar cada item]? Quantos(a)?
Eletrodomésticos
Não tem Tem 1 Tem 2 Tem 3 Tem 4 ou +
Televisão 0 1 2 3 4
Rádio/aparelho de som 0 1 2 3 4
Banheiro 0 1 2 3 4
Carro 0 1 2 3 4
Empregada doméstica 0 1 2 3 4
Aspirador de pó 0 1 2 3 4
Máquina de Lavar 0 1 2 3 4
Vídeo cassete/DVD 0 1 2 3 4
Geladeira 0 1 2 3 4
Freezer 0 1 2 3 4
Linha de telefone fixo ou
convencional
0 1 2 3 4
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
65
- Vamos falar um pouco sobre os hábitos das pessoas que moram em sua casa, incluindo o(a) Sr.(a) e as crianças.
8.1 - Nome 8.2- Idade 8.3 - Sexo (não perguntar) 8.4 - quantidade de Refeições
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
VERIFIQUE A P.1, SE O ENTREVISTADO CONSOME APENAS CARVÃO VEGETAL PULE A SEÇÃO DE LENHA.
SEÇÃO LENHA Agora vamos falar um pouco sobre o consumo de lenha da sua família.
8.1. O(a) Sr.(a) poderia me dizer o nome e a idade de cada uma das pessoas que moram em sua casa, incluindo as crianças e os bebês. Vamos começar pelo(a) Sr.(a). Mais alguém que more na sua casa?
8.4. Considerando almoço e janta, quantas vezes por dia o(a) Sr(a) come em sua casa? Ainda considerando o almoço e a janta quantas vezes por dia [citar cada morador] come em sua casa? E...
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
66
9. O(a) Sr(a) poderia me mostrar a quantidade de lenha que o(a) Sr(a) e a sua família usam
em um dia? Eu poderia pesar a lenha?
R- ________Peso da Lenha em Kg 0. Não permitiu que a lenha fosse pesada
99. Não sabe 88 Não se Aplica
-
Qual o nome dessa lenha que eu pesei? [CASO NÃO ENTENDA] Qual o tipo de madeira? R __________________________________________________________________________
-
Não sabe 88 Não se Aplica
-
Em geral, para quais atividades o(a) Sr(a) e a sua família utilizam a lenha? [Espontânea e Múltipla] Para mais alguma coisa?
Sim Não NS/NR NA
-
Cozinhar ou preparar alimentos para a família 1 2 99 88
-
Ferver a água para beber 1 2 99 88
-
Aquecer a água para o banho 1 2 99 88
-
Aquecer a casa 1 2 99 88
-
Preparar alimentos para animais 1 2 99 88
-
Ferver roupas 1 2 99 88 7.Outro_________________________ [Especificar] 1 2 99 88 8.Outro_________________________ [Especificar] 1 2 99 88
-
Sem considerar o pagamento com o transporte, O(a) Sr(a) e a sua família compram ou apanham a Lenha? [Espontânea]
-
Compra a lenha 2. Apanha a lenha
-
Compra e apanha a lenha 99. Não sabe [pule para p.25] 88 Não se Aplica
-
O(a) Sr(a) e a sua família possuem alguma dificuldade para conseguir a lenha que utilizam? [Se Sim] Quais dificuldades? [Espontânea e Múltipla] Mais alguma? Sim Não NS/NR NA
-
Existem poucos vendedores 1 2 99 88
-
A lenha é muito cara 1 2 99 88
-
O transporte é difícil 1 2 99 88
-
Existem poucos lugares para apanhar a lenha 1 2 99 88
-
Fiscalização de órgão do governo 1 2 99 88
-
A lenha está acabando/escassez 1 2 99 88
-
Outro ______________________________ 1 2 99 88
-
Outro _______________________________ 1 2 99 88
[AS QUESTÕES 15 ATÉ 17 DEVEM SER FEITAS SOMENTE PARA QUEM COMPRA LENHA-VER P13 ITEM 1 E 3].
- Em geral, o(a) Sr(a) e a sua família costumam comprar a lenha de área nativa ou em área de reflorestamento? [Espontânea]
Sim Não NS NA
-
Área nativa 1 2 99 88
-
Área de reflorestamento 1 2 99 88
-
Roças
-
Beira de estrada
-
Mourões
-
Outro ______________________ 1 2 99 88
-
Outro ______________________ 1 2 99 88
-
Em geral, com quem o(a) Sr(a) e a sua família compram lenha? [Espontânea]
-
No comércio 2. Vendedor de porta em porta 3. Comercio e vendedor de porta em porta
-
Não sabe 88 Não se Aplica
-
Como o(a) Sr(a) e a sua família trazem a lenha para a sua casa?[RESPOSTA MÚLTIPLA E ESPONTÂNEA] Sim Não NS/NR NA
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
67
-
O comércio ou vendedor entregam 1 2 99 88
-
Cavalo ou Burro 1 2 99 88
-
Carroça 1 2 99 88
-
Bicicleta 1 2 99 88
-
Carro 1 2 99 88
-
Manualmente/ cabeça/ na mão 1 2 99 88
-
Outro __________________________ 1 2 99 88
-
Outro __________________________ 1 2 99 88
-
Em média, quantas vezes por ano o(a) Sr(a) e a sua família compram lenha para usar em casa? R- ________________ Número de Vezes 99. Não sabe 88 Não se Aplica
-
E, em média, quanto o(a) Sr(a) gasta cada vez que compra essa quantidade de lenha?
R$ I ____ I ____ I . I ____ I ____ I ____ I , 00 99. Não sabe 88. Não se aplica
[AS QUESTÕES 21 ATÉ 24 DEVEM SER FEITAS SOMENTE PARA QUEM APANHA LENHA - VER P13 ITEM 2 E 3].
Agora gostaria de saber um pouco sobre como o(a) Sr(a) e a sua família fazem para apanhar a lenha que consomem. Por favor, quero lembrá-lo(a) que nosso objetivo é apenas conhecer melhor o dia-a-dia das famílias brasileiras.
-
Onde o(a) Sr(a) e a sua família costumam apanhar a lenha: [Espontânea e Múltipla] Sim Não NS NA
-
Área nativa 1 2 99 88
-
Área de reflorestamento 1 2 99 88
-
Quintal de casa 1 2 99 88
-
Terreno de um vizinho 1 2 99 88
-
Outro ______________________[Especificar] 1 2 99 88
-
Outro ______________________ [Especificar] 1 2 99 88
-
O local onde o(a) Sr(a) e a sua família apanham a lenha é: [LER AS OPÇÕES, RESPOSTA MÚLTIPLA]
Sim Não NS/NR NA
-
Área de Cultura 1 2 99 88
-
Área com pouca vegetação 1 2 99 88
-
Área de floresta 1 2 99 88
-
Área de cercas vivas 1 2 99 88
-
Área destruída 1 2 99 88
-
Outro _________________________ 1 2 99 88
-
Em geral, o(a) Sr(a) e a sua família apanham lenha (galhos) seca ou verde?
-
Galhos secos 2. Galhos verdes 3. Galhos secos e verdes
-
Não sabe 88 Não se Aplica
-
Em média, quantas vezes por semana o(a) Sr(a) ou alguém da sua família costuma apanhar a lenha para o uso na sua casa? R- ________________ Número de Vezes 99. Não sabe 88 Não se Aplica
VERIFICAR NA P.1, SE O ENTREVISTADOR CONSOME APENAS LENHA PULE A SEÇÃO DE CARVÃO VEGETAL.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
68 SEÇÃO CARVÃO VEGETAL. [SOMENTE PARA OS ITENS 2 E 3 DA P1]
Agora vamos falar um pouco sobre o consumo de carvão vegetal da sua família
-
Quantos dias por mês, em média, o(a) Sr(a) e a sua família costumam usar o carvão vegetal? R- ___________ Nº de dias por mês 99. Não sabe 88 Não se Aplica
-
O(a) Sr(a) poderia me mostrar a quantidade de carvão vegetal que o(a) Sr(a) e a sua família usam em um dia? Eu poderia pesar o carvão?
R- ______________Peso do Carvão em Kg 0. Não permitiu que o carvão fosse pesado -
Não sabe 88 Não se Aplica
-
Em geral, para quais atividades o(a) Sr(a) e a sua família costumam utilizar o carvão vegetal? [Espontânea e Múltipla] Para mais alguma coisa? Sim Não NS/NR NA
-
Cozinhar ou preparar alimentos para a família 1 2 99 88
-
Ferver a água para beber 1 2 99 88
-
Aquecer a água para o banho 1 2 99 88
-
Aquecer a casa 1 2 99 88
-
Preparar alimentos para os animais 1 2 99 88
-
Ferver roupas 1 2 99 88 7.Outro_________________________ [Especificar] 1 2 99 88
-
Como o(a) Sr(a) e a sua família conseguem o carvão que utilizam em casa?
-
Compra 2. Produz 3. Compra e Produz
-
Outro __________________ [Especificar] 99. Não sabe 88. Não se Aplica
-
O(a) Sr(a) e a sua família possuem alguma dificuldade para conseguir o carvão que utilizam? [Se Sim] Quais dificuldades? [Espontânea e Múltipla]
Sim Não NS/NR NA
- Existem poucos vendedores 1 2 99 88
- O carvão é muito caro 1 2 99 88
- O transporte é difícil 1 2 99 88
- A produção é muito cansativa 1 2 99 88
- A produção prejudica nossa saúde 1 2 99 88
- Outro _________________________________ 1 2 99 88
- Outro _________________________________ 1 2 99 88
[AS PERGUNTAS P.30 ATÉ A P.34 DEVEM SER FEITAS SOMENTE PARA QUEM COMPRA CARVÃO VEGETAL]
-
Em geral, onde o(a) Sr(a) e a sua família costumam comprar o carvão vegetal?
-
Comércio formal 2. Vendedor de porta em porta
-
Comércio e vendedor de porta em porta 99. Não sabe 88. Não se Aplica
-
Em geral, o(a) Sr(a) e a sua família costumam comprar o carvão vegetal de área nativa ou de área de reflorestamento? [Espontânea]
Sim Não NS NA
-
Área nativa 1 2 99 88
-
Área de reflorestamento 1 2 99 88
-
Outro ______________________ 1 2 99 88
-
Outro ______________________ 1 2 99 88
-
Em média, quantas vezes por semana o(a) Sr(a) e a sua família compram carvão vegetal para usar em casa?
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
69 R- ________________ Número de Vezes 99. Não sabe 88 Não se Aplica
-
Quantos quilos de carvão vegetal o(a) Sr(a) e a sua família costumam comprar cada vez?
R- ___________Kg 99. Não sabe 88. Não se aplica [CASO O ENTREVISTADO NÃO SAIBA CALCULAR EM QUILOS, PERGUNTE QUANTOS MONTES IGUAIS AO QUE FOI PESADO NA P26. ENTÃO MULTIPLIQUE O NÚMERO DE MONTES PELO PESO MEDIDO NA P26 PARA CHEGAR AO PESO COMPRADO A CADA VEZ] -
E, em média, quanto o(a) Sr(a) gasta cada vez que compra essa quantidade carvão vegetal?
R$ I ____ I ____ I . I ____ I ____ I ____ I , 00 99. Não sabe 88. Não se aplica
[AS PERGUNTAS P35 ATÉ P37 DEVEM SER FEITAS SOMENTE PARA QUEM PRODUZ CARVÃO VEGETAL- VER FILTRO P28].
-
Onde o(a) Sr(a) e a sua família conseguem madeira para a produção de carvão vegetal que consomem na sua casa? [EPONTÂNEA, RESPOSTA MÚLTIPLA] Sim Não NS NA
-
Área nativa 1 2 99 88
-
Área de reflorestamento 1 2 99 88
-
Quintal de casa 1 2 99 88
-
Terreno de um vizinho 1 2 99 88
-
Outro ______________________[Especificar] 1 2 99 88
-
Outro ______________________ [Especificar] 1 2 99 88
-
O local onde o(a) Sr(a) e a sua família apanham a madeira para produzir carvão é: [LER AS OPÇÕES, RESPOSTA MÚLTIPLA] Sim Não NS/NR NA
-
Área de Cultura 1 2 99 88
-
Área com pouca vegetação 1 2 99 88
-
Área de floresta 1 2 99 88
-
Área de cercas vivas 1 2 99 88
-
Área destruída 1 2 99 88
-
Outro ______________________________ 1 2 99 88
-
O carvão que o(a) Sr(a) e a sua família produzem é apenas para o consumo familiar ou uma parte é vendido?
-
Apenas para o consumo familiar 2. Consumo familiar e venda
-
Não sabe 88 Não se Aplica
Agora vamos falar um pouco sobre o(a) Sr(a):
- O(a) Sr(a) é o chefe da casa?
1 Sim 2. Não [pule para p.40]
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
70
- Até que série o(a) Sr(a) estudou? [NÃO LER AS RESPOSTAS] O(a) Sr(a) completou esta
série?
Fundamental
1 o Segmento 2 o Segmento Médio Superior - Analfabeto 5. Quinta série 9. Primeiro ano
- Iniciou a faculdade mas não completou
Primeira série 6. Sexta série 10. Segundo ano 18. Graduação completa 2 . Segunda série 7. Sétima série 11. Terceiro ano 21. Mestrado completo 3. Terceira série 8. Oitava série . 26. Doutorado completo 4. Quarta série
-
Não sabe 88. Não se aplica
-
[Somente se o entrevistado não for o chefe da casa] Até que série o chefe da casa estudou?
[NÃO LER AS RESPOSTAS] Ele completou esta série? Fundamental
1 o Segmento 2 o Segmento Médio Superior -
Analfabeto 5. Quinta série 9. Primeiro ano
-
Iniciou a faculdade mas não completou
Primeira série 6. Sexta série 10. Segundo ano 18. Graduação completa 2 . Segunda série 7. Sétima série 11. Terceiro ano 21. Mestrado completo 3. Terceira série 8. Oitava série . 26. Doutorado completo 4. Quarta série
-
Não sabe 88 Não se aplica
-
Vou ler as categorias de cor ou raça que o IBGE, o instituto que faz os censos no Brasil, utiliza para classificar as pessoas e gostaria que o (a) Sr(a). dissesse qual destas categorias melhor descreve o(a) chefe da casa: branco, pardo, preto, amarelo ou índio? [ler todas as opções independente da cor do entrevistado] 1 Branco 2 Pardo 3 Preto 4 Amarelo ou 5 Índio 99 NS/NR
-
O(a) Sr(a) é:
-
Casado(a) 2. Amigado(a) (vive junto) 3. Solteiro(a) 4. Divorciado(a)
-
Separado(a) OU 6 Viúvo (a) 7. Outro _______________________ 99. Não sabe
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
71
- Entre as opções que vou ler, qual melhor descreve a situação do chefe da casa no trabalho: [Ler todas as opções]
- Trabalhador rural, lavrador, meeiro [Confirmar se está trabalhando no momento da entrevista]
- Empregado (assalariado, excluindo o trabalho no campo)
- Empregador (empresários)
- Autônomo/diarista (represt. comercial, camelô, dono de van, artesão)
- Dona de casa
- Aposentado/Pensionista
- Estudante/Aprendiz ou estagiário sem remuneração
- Funcionário público/militar
- Profissional liberal
- Aprendiz ou estagiário com remuneração
- Trabalhador em negócio/empreendimento familiar OU
- Desempregado
- Outro _____________________________[ESPECIFICAR]
- NS/NR
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
72
Para Finalizar,
42. Agora o(a) Sr.(a) poderia me dizer quanto é a renda mensal da sua família. Somando a sua
renda com a renda das pessoas que moram com o(a) Sr(a), juntando salário, pensão,
rendimento de poupança, auxílio desemprego e a ajuda do governo quanto é a renda
familiar na sua casa por mês?
R$ I ____ I ____ I . I ____ I ____ I ____ I , 00 0 Sem renda 77 NS 99 NR
43. Desse total, em média, quanto é gasto com alimentação na sua casa por mês? E com...?
[Atenção: se a pessoa não gastou nada ou não pagou a conta colocar 0]
NS/NR
a. Alimentação em geral (supermercado,
açougue,padaria)
R$ |||.|||| ,00 99
b. Em remédios
R$ |||.|||| ,00
99
c. Com aluguel ( OU prestação da casa/apto)
R$ |||.|||| ,00
99
f. Energia elétrica
R$ |||.|||| ,00
99
g. Água
R$ |||.|||| ,00
99
h. Educação (escola, livros)
R$ |||.|||| ,00
99
i. Telefone
R$ |||.|||| ,00
99
l. Gás
R$ |||.|||| ,00
99
m. Vestuário (roupas, sapatos, etc)
R$ |||.|||| ,00
99
n. Transporte para o trabalho
R$ |||.|||| ,00
99
o. Lazer (praia, cinema, etc)
R$ |||.|||___| ,00
99
Horário Final: :
Muito obrigada pela sua atenção. Como eu falei no início a pesquisa que fazemos não revela o nome de quem é entrevistado. Apesar disso, nós pedimos um telefone de contato (trabalho ou casa) para que o supervisor da pesquisa possa conferir se o(a) Sr(a) foi entrevistado(a) corretamente. O(A) Sr(a) poderia dizer o seu telefone de contato?
Nome do entrevistado: _______________________________________________________
Telefone: _______________________ 1 Casa 2. Celular 3 Trabalho 4
Vizinho
5 Outro __________________ [especificar] 0 Não possui telefone
Endereço:
Entrevistador: __________________________________________
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
73 APÊNDICE C MANUAL DE TREINAMENTO DE EQUIPE O presente manual tem como principal objetivo apresentar parâmetros para a realização do trabalho de campo da pesquisa sobre consumo de lenha e carvão vegetal nas residências e nas empresas brasileiras. Como cada empresa de pesquisa possui técnicas específicas para cumprir a etapa de trabalho de campo, apresentaremos, em linhas gerais, alguns critérios básicos para a sua realização, deixando liberdade para os procedimentos específicos de cada empresa. C.1 OBJETIVO DA PESQUISA A pesquisa de lenha e carvão vegetal tem como principal objetivo identificar os padrões de consumo desses energéticos no Brasil. Para o governo brasileiro essas informações serão de fundamentais para o desenvolvimento de políticas públicas na área de energia, enquanto que para o setor privado será possível elaborar um plano de investimento de longo prazo com informações precisas. Desse modo, os resultados dessa pesquisa permitirão à sociedade brasileira: Conhecer a dimensão real do consumo de lenha e carvão vegetal; Determinar a participação econômica e social da lenha e do carvão vegetal na matriz energética nacional; Planejar melhor políticas estratégicas para o setor de energia como um todo e para os energéticos de lenha e carvão vegetal em particular; Aumentar o investimento privado na produção de lenha e carvão vegetal; Aprofundar os estudos sobre esses dois energéticos; Elaborar políticas para o uso sustentável da lenha e do carvão vegetal. C.2 ASPECTOS SUBJETIVOS DA PESQUISA DE CAMPO A pesquisa de campo para identificar o consumo de lenha e carvão vegetal no Brasil será realizada a partir da investigação dos padrões de consumo de dois grandes grupos, a saber: residenciais e econômicos. Os usuários residenciais podem ser divididos em duas grandes categorias: urbano e rural. No entanto, os estudos indicam que a grande maioria desses
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
74 usuários esteja localizada em áreas rurais. Já os usuários econômicos estão divididos em três subgrupos, são eles: agropecuária, indústria e serviço/comércio. 10
Ao contrário de outros combustíveis como a energia elétrica ou a energia nuclear que precisam
ser geradas por uma empresa específica, a lenha e o carvão vegetal podem ser utilizados para
a geração de energia diretamente, seja por usuários residenciais, seja por empresas. Uma
característica específica do consumo de lenha é a possibilidade do usuário coletar diretamente o
combustível na natureza, sem a necessidade de intermediários. No caso do carvão vegetal, a
empresa ou a família consumidora também pode produzi-lo, apanhando madeira em áreas
florestais. Essa distinção da lenha e do carvão vegetal pode gerar alguns conflitos entre os
objetivos da pesquisa e os seus grupos de consumidores. Sabe-se que uma parte da lenha e da
madeira utilizada para a produção de carvão vegetal é extraída de forma ilegal, de áreas
florestais protegidas. Neste sentido, é importante que os entrevistadores sejam treinados para
evitar que os usuários da lenha e carvão vegetal sintam-se, de alguma maneira, ameaçados
com a pesquisa.
As empresas usuárias podem se sentir mais ameaçadas, tendo em vista que, em geral,
necessitam desmatar uma área significativa para suprir a demanda de energia. As empresas,
especialmente, as legalizadas são mais fáceis de serem autuadas, se comparadas, com os
usuários residenciais, por isso a idéia de ameaça é mais presente no primeiro grupo. Desse
modo, o temor de uma denúncia pode resultar em um elevado número de “recusas
11
”, tornando
o trabalho de campo mais custoso e cansativo para os entrevistadores.
Os usuários residenciais possivelmente se sentirão menos ameaçados com a pesquisa, uma vez
que a grande maioria utiliza a lenha e o carvão vegetal para os afazeres domésticos da família –
preparo de alimentos, aquecimento de água para banho, ferver roupas, etc – sem perceber
suas atividades como algo ilegal. Além disso, as localidades onde muitos desses usuários vivem,
áreas rurais e de baixa renda, a idéia do desmatamento como uma atividade ilegal é pouco
difundida. Apesar disso, algumas pessoas, conscientes que o desmatamento é ilegal, podem
acreditar que o objetivo da pesquisa seja denunciá-las. Neste sentido, é importante que os
entrevistadores e os supervisores estejam preparados para lidarem com situações adversas
durante a realização do trabalho de campo.
10 No decorrer deste Manual detalharemos com mais precisão cada um desses usuários. 11 Como recusa entende-se a negativa do selecionado em conceder a entrevista.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
75
C.3 LIDANDO COM PERCEPÇÕES NEGATIVAS
O entrevistador deverá ser orientado a ter um posicionamento firme, contudo gentil, em relação
a possíveis atitudes negativas dos entrevistados, prestando informações corretas sem
demonstrar dúvidas. Ao perceber que o entrevistado, seja ele de uma empresa ou de uma
residência, está se sentindo desconfortável em responder uma pergunta por acreditar que
poderá ser denunciado, o entrevistador deve enfatizar novamente o objetivo da pesquisa e o
caráter confidencial do trabalho que está sendo desenvolvido. O entrevistador deve ser
instruído a afirmar que nenhuma informação será utilizada individualmente, mas apenas em seu
conjunto e com objetivo estrito de conhecer padrões gerais acerca do consumo de lenha no
Brasil. A experiência em pesquisas realizadas anteriormente sobre temas delicados como este
mostram que, em geral, os entrevistados sentem-se mais confiante quando o entrevistador
enfatiza o anonimato do entrevistado.
Como veremos adiante, a identificação dos entrevistadores e supervisores com crachás e
camisas para identificação da a empresa de pesquisa e dos entrevistadores também pode
aumentar a credibilidade do entrevistado em relação aos verdadeiros objetivos da pesquisa. O
mais importante é treinar os entrevistadores, de forma que eles transmitam confiança para os
entrevistados, sabendo responder a todas as perguntas e duvidas que estes possam ter.
C.4 PROCESSO DE TRABALHO E ORGANIZAÇÃO
Durante a execução de uma pesquisa, seja ela um survey ou não, a divisão de funções é
fundamental para sua eficiência. Uma das tarefas mais importantes é a coordenação do
trabalho de campo que, em geral, é realizada por uma pessoa organizada e que conhece todas
as etapas necessárias para a coleta de dados. O coordenador de campo é o responsável por:
A distribuição dos questionários;
Preparar documentos necessários ao trabalho de campo, como mapas para localização
do domicílio, cartas endereçadas aos entrevistados, etc.
A equipe de retaguarda, responsável pelo processamento das informações coletadas
em campo pelos entrevistadores;
Treinamento e seleção dos supervisores;
Treinamento e seleção dos entrevistadores, entre outros.
Destaque-se que o coordenador de campo deve ter uma equipe interna que possa auxiliá-lo
durante o processo de coleta de dados, evitando que as tarefas fiquem concentradas em uma
única pessoa. O número de auxiliares de pesquisa necessários varia de acordo com as
características da pesquisa, especialmente, o tempo de duração do trabalho de campo, o
número de entrevistadores necessários e o número de entrevistas. Quanto maiores forem esses
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
76
números mais pessoas serão necessárias. Para que esses números sejam estimados da forma
mais precisa possível, deve-se elaborar um cronograma de trabalho onde todas as etapas da
pesquisa sejam contempladas. Neste cronograma, o coordenador deve calcular o tempo de
execução de cada etapa a partir da quantidade de pessoas disponíveis em sua equipe.
C.4.1 PREPARAÇÃO DO MATERIAL DE CAMPO
O material que será utilizado para a coleta de dados durante a execução do trabalho de campo,
deve ser preparado com antecedência para que sejam evitados problemas de última hora como
atrasos de cópias de material e preparação de documentos que não ficam prontos a tempo.
Esses atrasos podem comprometer o planejamento da pesquisa, não apenas a etapa de coleta
de dados, mas também o processamento das informações coletadas e o relatório da pesquisa.
Em uma pesquisa de survey o documento mais importante para a coleta de dados é a
preparação dos questionários. Para que os dados coletados sejam registrados de forma correta,
todos os questionários devem ser numerados seqüencialmente no campo apropriado, antes de
serem entregues aos entrevistadores. Isto impede que os questionários tenham o mesmo
número, facilitando o trabalho de digitação e crítica, como veremos adiante.
No entanto, além do número de questionário definido pela amostra, a coordenação da pesquisa
deve selecionar questionários extras para todos os entrevistadores, para que seja feita a
substituição durante o trabalho de coleta de dados, quando necessário. É comum a ocorrência
de erros na aplicação, anulação de questionários, abandono da entrevista, entre outros
imprevistos. É importante que os questionários extras não sejam numerados, visto que, ao
serem validados, o entrevistador deverá anotar o número correspondente ao questionário
numerado que fora invalidado. Durante o treinamento os entrevistadores deverão ser
orientados sobre como lidar com questionários anulados, em decorrência de alguns desses
problemas citados.
Além de questionários, algumas pesquisas elaboram um documento para serem apresentados
ao entrevistado. Este procedimento é muito comum em pesquisas com empresas, por exemplo,
onde muitas vezes o funcionário selecionado deseja saber a procedência da pesquisa, através
de um documento oficial da empresa que está executando o trabalho de campo. Neste caso, a
coordenação da pesquisa deverá reservar um número de cartas suficientes para cada
entrevistador. Em pesquisas residenciais esse procedimento é mais comum em trabalhos
relacionados à saúde.
No caso de pesquisas domiciliares e com empresas, como é o caso da pesquisa sobre o
consumo de lenha e carvão vegetal, os entrevistadores também deverão receber os endereços
das residências e das empresas sorteadas em cada um dos setores. Essas informações, são
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
77
obtidas em uma etapa anterior ao da coleta de dados, a saber: a listagem dos setores. A
listagem consiste em uma etapa onde algumas pessoas, entrevistadores ou não, são
contratados para listar o número de residências e empresas existentes no setor censitários
sorteado. A pessoa contratada para listagem deve percorrer todas as ruas existentes do setor
sorteado, anotar em um formulário específico as residências, comércios e indústrias da rua. No
caso específico de residências é importante que o listador anote todas as casas existentes no
quintal. Muitas vezes é necessário chamar algum morador para perguntar quantas casas em
determinada localidade.
Com a listagem de cada setor em mãos, a equipe responsável pela elaboração da amostra
indicará ao coordenador o procedimento de seleção dos domicílios e das empresas para, em
seguida, passar essas informações aos entrevistadores. Em determinados locais de difícil
acesso, o entrevistador deverá levar o mapa da localidade. Esse procedimento facilita a
localização das residências e dos estabelecimentos sorteados.
Para que os entrevistadores e os listadores tenham mais credibilidade e segurança sobre o
trabalho que estão executando, a coordenação da pesquisa deve providenciar canetas,
camisetas, crachás e bolsas exclusivas da pesquisa. Se possível, a pesquisa deve providenciar
um brinde para entregar aos seus entrevistados ao término de cada pesquisa. Em geral são
oferecidos brindes simbólicos, com objetivo de incentivar o entrevistado a participar de outras
pesquisas e de agradecer a atenção concedida. Relatos de entrevistadores que participaram de
pesquisas que forneceram brindes aos seus entrevistados mostram que eles ficam muito
satisfeitos com a lembrança. A seguir apresentamos alguns exemplos de brindes que não
costumam comprometer o orçamento da pesquisa:
Camisetas com o “logo” da pesquisa;
Canetas com o “logo” ou o nome da pesquisa – costumam ser muito utilizadas em
conjunto com outros brindes;
Bonés;
Chaveiros;
Imã de geladeira com os mais diversos formatos, por exemplo, o mapa do Brasil,
entre outros.
C.5 SELEÇÃO E TREINAMENTO DOS ENTREVISTADORES Os entrevistadores selecionados para a execução do trabalho de campo são de extrema importância para o sucesso da pesquisa. Muitos institutos de pesquisa consideram que qualquer pessoa disponível pode aplicar um questionário, uma vez que o trabalho realmente importante é a análise dos dados realizada posteriormente a esta etapa. Entretanto, se o trabalho de
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
78
campo for realizado de forma incorreta as etapas seguintes poderão ser de pouca ou nenhuma
utilidade, dependendo da qualidade da coleta de dados. Deste modo, uma equipe mal treinada
ou pouco motivada pode prejudicar ou invalidar os objetivos da pesquisa, uma vez que o
entrevistador será o intermediário entre o objeto de estudo e o pesquisador.
Embora não exista um perfil específico para ser um entrevistador, há alguns critérios objetivos
que podem ser seguidos pelo coordenador de campo para a seleção das pessoas destinadas a
esta tarefa.
C.5.1 SELEÇÃO DE ENTREVISTADORES
Para a realização de entrevistas domiciliares, entrevistadores com algum tipo de experiência em
pesquisa são os mais indicados, uma vez que este tipo de entrevista costuma ser mais difícil e
exige um maior comprometimento dos profissionais. As pesquisas realizadas na rua como as de
quota, em geral, são mais fáceis e rápidas, uma vez que os entrevistadores podem abordar
qualquer pessoa que estiver passando na rua e que se encaixe no perfil determinado pela
pesquisa. Por outro lado, a pesquisa domiciliar exige que o entrevistador se direcione a um
domicílio ou empresa específica, onde uma certa categoria de pessoa deverá ser entrevistada.
Neste caso, há uma maior restrição da pesquisa exigindo maior habilidade de convencimento do
entrevistador, pois ele não poderá substituir a entrevista devido a uma simples recusa. Ao
contrário, o treinamento deve orientar a equipe de coleta de dados a insistir, de forma educada
para que a entrevista seja realizada.
Ao selecionar seus entrevistadores, o coordenador deve considerar que não é trivial bater à
porta de uma pessoa e solicitar 40 minutos de sua atenção. Para conseguir êxito neste
trabalho, os entrevistadores devem ter algumas habilidades. Em alguns casos, a coordenação
perceberá que certas pessoas possuem muita experiência em pesquisas mais rápidas como as
de quota, mas não estão preparados para trabalharem em uma pesquisa domiciliar, onde o
entrevistador é bem mais exigido. Abaixo apresentamos algumas características objetivas para
seleção dos entrevistados, são elas:
a) Pessoas com boa pronúncia e entonação durante a leitura. Este ponto é
fundamental para o sucesso da entrevista, uma vez que se o entrevistador possuir
dificuldades para realizar a leitura do questionário o entrevistado se sentira
desestimulado em responder. Além disso, pessoas com problemas de dicção, em
geral, são tímidas e nervosas apresentando dificuldades em abordar as pessoas.
b) Agilidade para resolução de problemas. O trabalho de coleta de dados deve ser
executado por pessoas dinâmicas que possuam a capacidade de resolver problemas
e imprevistos que venham ocorrer durante a sua realização.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
79
c) Pessoas com iniciativa e que não sintam vergonha de abordarem os entrevistados.
Como a principal tarefa do entrevistador é convencer as pessoas a darem
entrevistas, é fundamental que ele/a seja uma pessoa desembaraçada e que não
fique intimidada com o primeiro não.
C.5.2 TREINAMENTO DOS ENTREVISTADORES
Para a pesquisa de consumo de lenha e carvão vegetal deve-se realizar dois treinamentos, um
para a pesquisa residencial e outro para a pesquisa econômica, isto facilitará o entendimento
do entrevistador sobre os procedimentos de coleta de dados de cada uma delas.
Durante a realização do treinamento dos entrevistadores, o coordenador deverá apresentar
todos os procedimentos pertinentes ao trabalho de campo. Um primeiro ponto a ser destacado
durante o treinamento é a supervisão, neste caso, é muito importante que os supervisores
estejam presentes. Deve-se apresentar os supervisores aos entrevistados, deixando claro que o
trabalho dos supervisores é garantir que as entrevistas estejam sendo realizadas da maneira
correta, ou seja, de acordo com o que for estabelecido no treinamento. A participação dos
supervisores evitará ruídos de comunicação durante a coleta de dados, evitando que o
entrevistador diga ao supervisor que no treinamento foi informado de procedimentos que
conflitam com suas orientações.
C.6 SELEÇÃO AMOSTRAL – QUEM ENTREVISTAR?
A pesquisa sobre o consumo de lenha e carvão vegetal será realizada com empresas de todos
os tipos e em residências que consumam lenha e carvão vegetal. Um item fundamental no
treinamento é explicar quem deverá ser entrevistado.
C.6.1 PESQUISA ECONÔMICA
Na pesquisa econômica, o entrevistador deverá entrevistar o dono da empresa ou um gerente
capacitado para informar acerca do consumo de energia da empresa. No caso de grandes
empresas, o ideal é que o supervisor entre em contato por telefone para tentar descobrir o
funcionário mais adequado para a realização da entrevista. Esse procedimento também pode
ser realizado pelo entrevistador e dependerá, também, da estrutura organizada pela empresa
contratada para realizar a pesquisa.
C.6.2 PESQUISA RESIDENCIAL
Na pesquisa residencial os entrevistados deverão ser o chefe do domicílio ou o conjugue, tendo
em vista que são as pessoas mais capacitadas para responderem sobre os padrões de consumo
da família. Em hipótese alguma deverão ser realizadas entrevistas com outros moradores da
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
80 casa, tais como: filhos(a), netos(a), sogra(o), genro, avós, etc. Essas pessoas, embora possuam muitas informações sobre o funcionamento e gastos da residência, não são os mais capacitados para responderem o questionário residencial. Para as duas pesquisas, o ideal é dar exemplos de quem poderá ser ou não entrevistado, o coordenador deve apresentar situações dúbias que permitam os entrevistadores refletirem sobre quem deverá ser selecionado em cada domicílio ou empresa. Por exemplo, na pesquisa domiciliar se o entrevistador chegar em um domicílio onde apenas os filhos trabalham, quem deverá ser entrevistado? Os filhos que trabalham ou o pai que está desempregado? Neste caso específico o entrevistador deverá refletir sobre quem toma as decisões na residência, quem é o dono da casa e quem, em última instância, é o responsável pelo domicílio. A partir dessas considerações ele deverá entrevistar o pai que o chefe do domicílio. É importante chamar atenção que podem ocorrer situações inversas, onde o pai mora com um dos filhos e não é o chefe da casa. C.7 ENTENDIMENTO E LEITURA DO QUESTIONÁRIO Durante o treinamento da equipe que irá a campo, é necessário ler o questionário completo para os entrevistadores, tendo atenção às instruções para o entrevistador contidas no questionário, aos pulos, à entonação das perguntas, etc. O elemento principal para que os entrevistadores apliquem o questionário de maneira igual é que todos eles entendam o questionário da mesma forma. Após a leitura do questionário, o coordenador pode solicitar aos entrevistadores e supervisores para aplicarem o questionário uns com os outros, em duplas. Esse procedimento facilitará a familiarização dos entrevistadores com o instrumento de pesquisa. Uma boa maneira de verificar se os entrevistadores estão compreendendo o questionário é fazer um círculo e pedir que cada entrevistador leia uma pergunta em voz alta. Para a atividade se tornar mais dinâmica, a pessoa que está realizando o treinamento pode fingir ser um entrevistado. Neste momento, deve ser verificado e corrigido a leitura e a entonação das perguntas. O entrevistado fictício deve criar situações de entrevistas que exigirão do entrevistador maior perspicácia. Por exemplo, podem ser criados personagens rabugentos, grosseiros, que não respondem ao que foi perguntado, que mudam de assunto, que fazem perguntas ao entrevistador, etc. Esta dinâmica ajudará a orientar como os entrevistadores deverão se comportar em uma situação insólita. É recomendável que o treinamento seja feito o mais próximo possível do início do trabalho de campo, para que as instruções dadas não sejam esquecidas com o passar do tempo. Inicie o trabalho de campo logo após a realização do treinamento e do pré-teste.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
81
C.8 PREENCHIMENTO DO QUESTIONÁRIO
O entrevistador deve entender toda a lógica do questionário que está aplicando, pois ele nunca
deve se perder durante a entrevista, pois isso demonstrará ao entrevistado a falta de seriedade
com o trabalho que está sendo desenvolvido. Ao final de cada entrevista, aconselhamos que o
entrevistador verifique se o questionário foi preenchido corretamente. Este procedimento
evitará erros que obriguem o supervisor ou a coordenação anular o questionário. Deste modo,
o entrevistador deve ser orientado a prestar bastante atenção no questionário que está
aplicando. A atenção e o conhecimento do instrumento de coleta de dados evitará que
entrevistador, solicite informações desnecessárias, pule perguntas ou perca a entonação correta
da pergunta.
O ideal é que a coordenação da pesquisa determine que os seus entrevistadores preencham o
questionário sempre com uma caneta da mesma cor. A cor mais utilizada é a azul, a cor
vermelha ou o preenchimento a lápis deve ser rejeitado. A caneta azul padroniza o
preenchimento dos questionários, a cor vermelha deve ser específica para a crítica do
questionário ou correções específicas.
Existem várias maneiras de assinar as respostas dadas pelos entrevistados, cada instituto de
pesquisa utiliza um padrão de preenchimento. Um padrão considerado eficiente e prático por
vários institutos de pesquisa é circular a opção de resposta. A resposta dada pelo entrevistado
deve ser circulada, conforme o exemplo 1. A pergunta do exemplo abaixo permite apenas uma
resposta, neste caso, é importante o entrevistador ter atenção para não circular duas respostas.
Caso isto ocorra não será possível identificar qual resposta foi dada pelo entrevistado.
Exemplo 1:
O carvão que o(a) Sr(a) e a sua família produzem é apenas para o consumo familiar
ou uma parte é vendido?
-
Apenas para o consumo familiar 2. Consumo familiar e venda
-
Não sabe 88 Não se Aplica Uma forma de correção em caso de erro de preenchimento é exemplificada no exemplo 2, a seguir, onde o entrevistador é instruído a fazer dois traços sobre a resposta circulada incorretamente. Exemplo 2: O local onde a empresa apanha a lenha é: [Ler as opções, resposta múltipla] Sim Não NS/NR NA
-
Área de Cultura 1 2 99 88
-
Área com pouca vegetação 1 2 99 88
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
82 3. Área de floresta 1 2 99 88
-
Área de cercas vivas 1 2 99 88
-
Área destruída 1 2 99 88
-
Outro Parente ___________________ 1 2 99 88
C.8.1 PULOS DO QUESTIONÁRIO
O entrevistador precisa compreender as situações de “pulos” no questionário. De acordo com
as respostas do entrevistado a(s) pergunta(s) seguinte(s) podem não fazer sentido. Neste caso,
o entrevistador não deve fazer esta(s) pergunta(s), mas marcar a opção 88 “NA, Não se
Aplica”. É importante que o entrevistador marque a opção NA para que as pessoas que vão
fazer a crítica do questionário tenham certeza que aquela(s) pergunta(s) não se aplicava(m) ao
entrevistado. Quando o entrevistador não marca a opção “NA” ocorrem muitos erros de
preenchimento e a crítica não tem como saber se a pergunta não se aplicava ao entrevistado
ou se o entrevistador simplesmente esqueceu de marcar a opção.
Algumas vezes pode ocorrer do entrevistado não responder a uma determinada questão por
não saber a melhor resposta, por não ter entendido a pergunta ou por não querer opinar sobre
o assunto. Nesta situação, o entrevistador deve marcar a opção 99 NS/NR (Não Sabe ou Não
respondeu) e verificar se não há uma indicação de pulo para esta opção.
C.8.2 PERGUNTAS ESTIMULADAS
Nestas perguntas, as opções de respostas são lidas para o entrevistado, que deverá escolher
aquela que melhor exprime a sua opinião. Caso o entrevistado responda algo que não se
enquadre nas opções, o entrevistador deve repetir a pergunta. Se o entrevistado insistir em não
escolher uma das opções, o entrevistador deve verificar se a questão possui a opção “outro” e
anotar a resposta na linha correspondente. Não havendo a opção “outro”, o entrevistador
deverá marcar o código “99 NS/NR”.
Os questionários da pesquisa de consumo de lenha e carvão vegetal possuem uma indicação
para o entrevistador identificar quando a pergunta é ou não estimulada. Neste caso, há uma
mensagem para o entrevistador: “LEIA AS OPÇÕES”.
C.8.3 PERGUNTA ESPONTÂNEA
Nas perguntas espontâneas o entrevistador não dever ler as opções de resposta para o
entrevistado. O entrevistador deve ouvir atentamente a resposta e marcar a opção
correspondente. Quando a resposta fornecida pelo respondente não se enquadrar em nenhum
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
83
dos itens oferecidos pela questão, o entrevistador deve explorar a resposta dada pelo
entrevistado sem aceitar respostas vagas e anotar a resposta no item “outro”. O entrevistador
pode explorar a resposta fazendo perguntas do tipo: “como assim?”. Este é um tipo de
pergunta vaga que não induz a resposta do entrevistado.
C.8.4 PERGUNTAS COM RESPOSTAS MÚLTIPLAS
Os questionários da pesquisa sobre consumo de lenha e carvão vegetal possuem algumas
perguntas que aceitam mais de uma resposta, estas são denominadas respostas múltiplas.
Neste caso, o entrevistador pode marcar mais de uma resposta. O entrevistador precisa
prestar muita atenção no enunciado da pergunta, observando se possui a indicação que a
pergunta pode aceitar mais de uma resposta. Todas as perguntas da pesquisa de lenha e
carvão vegetal que são múltiplas possuem uma indicação para o entrevistador.
O fato de uma pergunta poder ter múltiplas respostas não impede que o entrevistado queira
dar apenas uma resposta. Nessa situação, o entrevistador deve preencher apenas o que o seu
entrevistado respondeu. Por outro lado, se a pergunta não possuir indicação de resposta
múltipla, o entrevistador só poderá marcar uma única opção. Se o entrevistado insistir em dizer
duas resposta deve-se marcar a opção “99 NS/NR”.
C.8.5 PERGUNTAS ABERTAS
Neste tipo de pergunta, não existem opções para serem marcadas, mas um espaço para as
respostas serem escritas por extenso. O entrevistador precisa ter muita atenção nas respostas
dadas às perguntas abertas, para não aceitar respostas vagas e imprecisas. O importante é
explorar o que o entrevistado quer dizer concretamente com sua resposta. Deve-se usar
perguntas do tipo: Por que? Como assim? Onde? Você pode me dar um exemplo? Sempre
utilizando recursos que não induzam a resposta do entrevistado.
O entrevistador deve anotar com clareza e integralmente a resposta obtida. Durante o
treinamento é importante destacar que outros integrantes da pesquisa deverão entender o que
foi escrito na pergunta aberta para a realização da crítica do questionário. Deste modo, ao
terminar cada entrevista o entrevistador deve reler as respostas e verificar se a sua letra
está ou não legível. No caso da letra estar ilegível, ele deve reescrever a resposta.
C.9 ROUPAS ADEQUADAS
O entrevistador deve ser orientado a vestir-se com roupas adequadas para a realização de um
trabalho sério. Ao escolher a roupa que deverá ser usada o entrevistador precisa seguir dois
critérios, a saber:
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
84
O entrevistador não deve constranger os entrevistados. Certos trajes de roupas
podem inibir e afastar algumas pessoas, por exemplo, um entrevistador muito bem
vestido pode inibir pessoas mais pobres. Por outro lado, pessoas mal vestidas e com
roupas rasgadas podem gerar um certo desconforto e desconfiança de algumas
famílias e empresas. Assim, deve prevalecer o bom senso, ou seja, a utilização de
roupas aceitáveis em todas as camadas sociais. O melhor é a utilização de camisas
padronizadas da pesquisa e o uso de calcas do tipo jeans.
As roupas devem ser confortáveis para um dia inteiro de trabalho na rua. Roupas
muito apertadas ou sapatos com salto alto podem impedir a realização da coleta de
dados, assim, os entrevistadores devem ser orientados a vestirem roupas confortáveis.
No caso da realização de entrevistas em grandes empresas o entrevistador deve se
arrumar melhor, contudo, sem exageros. É importante destacar que o entrevistador do
sexo masculino nunca deve usar bermudas. A calça comprida sempre transmite
seriedade do trabalho que está sendo executado.
C.10 ABORDAGEM, POSTURA E COMPORTAMENTO
O entrevistador deve ser simpático, educado e objetivo no momento da abordagem. Estes
fatores são fundamentais para a realização de uma entrevista. Se o entrevistador for simpático
e atencioso na abordagem, a chance de conseguir a entrevista aumenta consideravelmente. Na
pesquisa domiciliar, ele deve ser orientado a cumprimentar o entrevistado, dizer seu nome e
falar objetivamente sobre a pesquisa, da sua relevância e o quanto a participação dele é
importante para a pesquisa.
É importante destacar que o entrevistador não deve falar o assunto específico da pesquisa
quando o seu primeiro contato não for o entrevistado selecionado pelos critérios da pesquisa.
Neste caso, deve falar de forma vaga sobre o objetivo da pesquisa, por exemplo, que está
realizando uma pesquisa sobre consumo de energia no Brasil, sem especificar que deseja saber
o consumo de lenha e carvão vegetal. Isto porque se a pessoa selecionada tiver alguma
indisposição com relação ao tema, nunca concederá a entrevista. Este pode ser o caso de
grandes empresas que desmatam de forma irregular para obterem a lenha que utilizam para a
geração de energia.
Algumas se negarão em conceder a entrevista, seja por não disporem de tempo, seja por
acreditarem que a pesquisa não é importante. Se em um primeiro contato a pessoa selecionada
negar conceder a entrevista, o entrevistador deve ser orientado a insistir, apresentado
pelo menos três argumentos, são eles:
Informar o objetivo da pesquisa;
Ressaltar a importância da pesquisa para a elaboração de políticas públicas para o
país;
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
85
Se o problema for tempo, além dos argumentos acima, o entrevistador deve dizer
que pode voltar em um outro dia que seja mais conveniente para o entrevistado.
No primeiro contato, o entrevistador deve sempre informar o tempo real da entrevista. No caso
do questionário da pesquisa de lenha e carvão, o entrevistado deve ser informado que a
pesquisa dura cerca de 40 minutos e que o tempo final depende do entrevistado. Os
entrevistadores que mentem para seus entrevistados costumam ser “abandonados” durante a
entrevista. Neste caso, a entrevista deverá ser substituída e o entrevistador terá desperdiçado
seu tempo.
C.11 POSTURA SÉRIA E EDUCADA
No treinamento o entrevistador deve ser orientado a ter sempre uma postura séria e educada
com os entrevistados e com outras pessoas da empresa ou do domicílio sorteado. Durante o
trabalho de campo o entrevistador não deve fazer ou retribuir brincadeiras com entrevistados.
Muitos entrevistados podem se mostrar “brincalhões”, em especial, homens sendo entrevistados
por mulheres. Existem vários casos em que entrevistadoras foram paqueradas por
entrevistados. Nesta situação, a entrevistadora deve sempre evitar qualquer tipo de
reciprocidade, para não comprometer a imagem da pesquisa.
C.12 NEUTRALIDADE E UNIFORMIDADE
Uma parte importante em qualquer pesquisa social é garantir que todos os entrevistadores
coletem os dados da mesma maneira. Além dos procedimentos de seleção dos entrevistados, a
abordagem e o enunciado das perguntas devem ser padronizados, ou seja, o mais semelhante
possível. Deve-se tentar ao máximo que cada pergunta e cada resposta possuam o mesmo
significado para todos os respondentes. Para que assim as variações encontradas na pesquisa
sejam em parte devido às diferenças na maneira de se aplicar a entrevista e não diferenças
reais de percepção sobre o serviço em análise. Por isso, é fundamental que o entrevistador
conheça bem o questionário que será aplicado, para não usar enunciados distintos daqueles
existentes no questionário, procurando inclusive utilizar a mesma entonação nas perguntas.
O entrevistador deverá ser advertido para não dar “dicas” aos entrevistados ou conversar sobre
o questionário durante a realização da entrevista. Muitas vezes o entrevistado pede para que
entrevistador escreva o que ele acha, seja porque não entendeu o enunciado da pergunta, seja
porque não a considera importante. Entretanto, o preenchimento do questionário pelo
entrevistador sem que a resposta tenha sido dada pelo entrevistado pode ser caracterizada
como fraude. Assim, o entrevistador não deve escrever a sua opinião no questionário, nem
mesmo tentar explicar uma pergunta. Se o entrevistado não entendeu a pergunta ela deve ser
repetida, caso ele continue sem entender ele deve marcar a opção de “não resposta”. Neste
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
86
caso, é melhor não termos a informação, do que termos uma informação com algum grau de
indução.
É importante que o entrevistador não emita a sua opinião sobre qualquer pergunta do
questionário. O objetivo da pesquisa é conhecer a opinião e os padrões de consumo dos
entrevistados e não dos entrevistadores. Por último, o entrevistador não deve contradizer o
entrevistado. Ao perceber que o entrevistado emitiu alguma resposta que não condiz com a
verdade, o entrevistador não deve dizer diretamente ao entrevistado que ele está mentindo.
C.13 CONHECENDO UM SETOR CENSITÁRIO
As entrevistas residencial e econômica sobre o consumo de lenha e carvão vegetal ocorrerão no
âmbito do setor censitário. Desse modo, é importante que o coordenador de trabalho de campo
e os entrevistadores possuam um conhecimento mínimo do que é um setor censitário, quais
suas limitações, como se orientar dentro de um setor e etc.
C.13.1 DEFINIÇÃO DE SETORES RESIDENCIAIS
Como setor censitário podemos entender uma área, urbana ou rural, contínua definida pelo
IBGE, que varia de tamanho (área quadrada) de acordo com as características populacionais e
geográficas de cada bairro ou município. Como o tamanho do setor censitário está relacionado
ao número de domicílios existentes em cada um deles, de tempos em tempos o IBGE precisa
fazer algumas atualizações. No Censo de 2000, os mapas dos setores censitários foram
digitalizados e encontram-se a disposição para qualquer pesquisado.
A Tabela 34 apresenta a definição que o IBGE utiliza para classificar os setores censitários, de
acordo com o número de domicílios dentro de cada um. É claro que esses números
apresentados pelo IBGE são parâmetros para a composição dos setores, em alguns casos pode
haver uma variação no número de domicílios ou pessoas.
Tabela 34 Número de Domicílios por Tipo de Setor Censitário
Número de domicílios
Situação do setor Mínimo Máximo
Urbano 250 350
Rural 150 250
Além do número de domicílio uma outra forma de classificação dos setores censitários utilizadas
pelo IBGE é o tipo de habitação, por exemplo, favelas, urbano típico, áreas militares, etc. Essa
classificação é apresentada na Tabela 35 a seguir.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
87
Tabela 35 Classificação de Setores Censitários Residenciais
Especificação
Situação do setor
Situação urbana Situação rural
Situação
rural
Cidade ou vila
Aglomerado rural
Zona rural
Extensão
urbana
Isolado
Área
Urbanizada
Área não
Urbanizada
Área
urbanizada
Isolada
Povoado Núcleo
Outros
Aglomerados
Exclusive
aglomerado
Rural
Não especial
10 20 30 40 50 60 70 80
Especial de
aglomerado
subnormal (favelas
e similares)
11 - 31 41 - - - -
Especial de
quartéis, bases
militares, etc.
12 22 32 42 52 62 72 82
Especial de
alojamentos,
acampamentos,
etc.
13 23 33 43 53 63 73 83
Especial de
embarcações,
barcos, navios, etc.
14 24 34 44 54 64 74 84
Especial de aldeia
indígena
15 25 35 45 55 65 75 85
Penitenciárias,
colônias penais,
presídios, cadeias,
etc.
16 26 36 46 56 66 76 86
Asilos, orfanatos,
conventos,
hospitais, etc.
17 27 37 47 57 67 77 87
A Tabela 34 nos fornece a classificação do IBGE para cada tipo de setor censitário residencial.
Por exemplo, se o setor censitário for do tipo 10 ele é urbano típico, como condomínios ou
apartamentos. Já o se o setor for do tipo 11 ele será uma favela em área urbana, e assim por
diante. É importante chamar a atenção que a classificação da Tabela 34 é utilizada apenas para
orientar os pesquisadores na pesquisa residencial.
O IBGE apresenta 3 tipos de configuração de setores censitários residenciais, a saber:
Setores divididos em quarteirões;
Setores não divididos em quarteirões;
Setores com unidades isoladas (as moradias são isoladas umas das outras).
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
88 Figura 14 – Setor Dividido em Quarteirão
Descrição do IBGE: encontro da rua Poacu (exclusive) com a rua Eng. Pinto de Magalhães do ponto inicial até a av. Meriti; desta até a rua Samoa; desta até a rua Poacu (exclusive); dai até o ponto inicial. Figura 15 – Setor Não Dividido em Quarteirão
Descrição do IBGE: cruzamento da "rua social" com a "rua circular" do ponto inicial segue pela "rua circular" até a "rua central" dai segue até a "praça da caixa d’água"; dai segue até a "rua social"; dai segue até o ponto inicial.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
89 Figura 16 – Setor com Comunidades Isoladas
Nesses setores de comunidade isolada o mapa traz indicações de referência bem detalhados, já que as moradias são isoladas umas das outras. Normalmente cada domicílio vem indicado no mapa, conforme ilustrado na Figura 16.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
90 C.13.2 DESCRIÇÃO DOS SETORES CENSITÁRIOS Como visto na seção anterior, o IBGE utiliza descrições para determinar os limites de um setor censitário, definindo uma linha imaginária que separa um setor do outro. Para a coleta de dados é fundamental que o entrevistador e o listador entenda a descrição dos setores para que nenhum domicílio seja excluído do sorteio da amostra. A descrição do IBGE utiliza termos específicos para informar se uma rua ou um ponto pertence ou não ao setor sorteado. Esses termos auxiliam o entrevistador e o listador a percorrerem o setor de forma correta e a identificar suas faces. Abaixo apresentamos os termos utilizados pelo IBGE na descrição dos setores: exclusive ou excluído: trata-se de uma rua ou construção/imóvel que não pertence ao setor; inclusive ou incluído: é utilizado para definir a inclusão de um imóvel. É muito usado em setores que terminam ou se iniciam no meio de uma rua/face; linha imaginária: usada para conectar pontos que não se cruzam na maioria das vezes; passando paralelo: contornando paralelamente; linha seca de deslocamento: é uma linha imaginária paralela a uma via principal a uma distância constante; linha seca de extensão: é a linha imaginária que conecta um ponto de referência visível a outro ponto; contornando os fundos dos prédios: “passando” pelos fundos de forma imaginária; contornando os fundos das casas: “passando” pelos fundos de forma imaginária; contornando: passando em volta; ponto fronteiro: ponto situado em frente; o eixo (...): o ponto de uma rua, estrada; ambos os lados: os dois lados da rua/logradouro fazem parte do setor; Para percorrer o setor devemos definir os quarteirões e suas faces. A seguir apresentamos a forma indicada pelo IBGE para se percorrer um quarteirão e suas faces Os quarteirões/quadras são numerados na ordem crescente que serão percorridos. Exemplo: 1, 2, 3 ...;até quantos quarteirões/quadras existirem no setor. A numeração das quadras leva em consideração os extremos do setor.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
91
As faces devem ser nomeadas pela ordem do alfabeto com letra maiúscula, por
quadra/quarteirão. Exemplo: A, B, C, ...Z, AA, AB, AC, ...AZ, BA, BB, BC, ... .
Um quarteirão/quadra é normalmente um trecho retangular, podendo também possuir
forma irregular. É limitado por ruas e/ou estradas, estrada de ferro, cursos d’água, ou encostas.
Destaca-se que alguns quarteirões podem ser limitados por pontos de referência não físicos,
tais como limites político-administrativos.
A face de quarteirão é um dos lados do quarteirão, contendo ou não domicílios. Uma face
pode conter/limitar um ou mais setores. Um setor urbano pode ser constituído de:
Um (1) ou mais quarteirões/quadras (com formato regular ou irregular);
Apenas uma face de um quarteirão;
Apenas um trecho da face de um quarteirão; e
Apenas um único prédio.
O IBGE indica alguns procedimentos para se percorrer um setor censitário durante o trabalho
de entrevistas e de varredura ou listagem, são eles:
Todo setor tem um ponto inicial, que deve ser marcado com um “x” no mapa.
O setor deve ser percorrido sempre à direita, ou no sentido horário a partir do
ponto inicial;
Deve-se percorrer um quarteirão de cada vez, iniciando-se pelo ponto de referência
(um traço), seguindo a ordem das faces;
Qualquer diferença existente, de ruas e logradouros, entre o mapa e a realidade
deve ser registrada no próprio mapa e repassada à coordenação do trabalho;
Quando uma rua não constar no mapa, mas existir na realidade, deve-se entrar e
percorrer pela direita, da mesma forma, até o seu final. Atravessar e continuar o
trabalho pela direita até retornar à rua principal;
Quando uma rua não constar no mapa e existir na realidade, atravessando todo o
quarteirão, até chegar na outra rua pertencente ao setor, deve-se continuar o
trabalho pela direita até completar o quarteirão. No entanto, as faces deverão ser
renomeadas e o quarteirão renumerado. Ao término desse quarteirão “novo”, deve-
se retomar o trabalho a partir do ponto de interrupção e repetir o procedimento
Abaixo apresentamos um exemplo de um setor censitário urbano da cidade do Rio de Janeiro.
As faces do setor ajudam o entrevistador e o listador a identificarem como o setor deve ser
percorrido. O “X” no setor indica o início do setor.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
92 Figura 17 – Exemplo de Setor Censitário com suas Faces
MUNICÍPIO: Rio de Janeiro SUBDISTRITO: Santa Cruz BAIRRO: Paciência Descrição do IBGE: Encontro da estrada Santa Eugenia com a rua Cedro Alto. Rua Cedro Alto até a rua Duartina; Por esta até a rua das Marombas; Por esta até a rua Guerra Junqueira; Por esta até a rua Serrolandia; Por esta até a estrada de Santa Eugenia. Desta até o ponto inicial.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
93 APÊNDICE D DIRETRIZES DE SUPERVISÃO, PROCESSAMENTO E CRÍTICA DOS DADOS A grande maioria dos institutos de pesquisa utiliza alguma forma de supervisão do trabalho de coleta de dados, cujo objetivo é garantir a qualidade e a confiabilidade da pesquisa. Na pesquisa sobre o consumo de lenha e carvão vegetal, o supervisor deverá conferir se a equipe de entrevistadores está aplicando corretamente o questionário e se está seguindo os procedimentos corretos para a seleção dos entrevistados em cada domicílio e empresa. Este procedimento garante a qualidade dos dados coletados, uma vez que inibe o comportamento fraudulento por parte dos entrevistadores. Ao identificar uma fraude ou um erro grave durante a aplicação do questionário 12 a coordenação da pesquisa deve sortear novos domicílios ou empresas e anular os questionários para, dessa forma, não comprometer os resultados da pesquisa. Embora nenhuma pessoa esteja imune à fraude os institutos de pesquisas desenvolveram métodos de supervisão que inibem de forma considerável a fraude e os erros. Os resultados obtidos com esses métodos variam de acordo com o rigor de cada instituição. É recomendável que sejam conferidos, aproximadamente, 30% dos questionários. Para a pesquisa de lenha e carvão vegetal onde teremos a realização de 2.025 entrevistas, recomendamos que sejam supervisionados 607 desse total. Entre os diversos métodos de supervisão, consideramos que os mais adequados são: A. Supervisão presencial, onde o supervisor se dirige até o domicílio ou empresa para conferir se a entrevista realmente foi realizada e se os procedimentos de seleção do entrevistado foi utilizado de forma correta. B. Supervisão telefônica, quando os entrevistados são contatados por telefone após a realização da entrevista. C. Testes estatísticos que ajudam a identificar fraudes. A supervisão presencial é a mais cara, tendo em vista que a pesquisa precisa pagar pelo deslocamento e pela diária de um supervisor que deverá conferir se a pessoa entrevistada foi selecionada corretamente. É muito comum em pesquisa domiciliar, o entrevistador disposto a
12 Adiante apresentaremos detalhadamente a diferença entre erro e fraude.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
94
fraudar selecionar pessoas mais “disponíveis” em vez de utilizar os critérios determinados pela
coordenação. Este método de supervisão deve ser utilizado em locais onde a maioria dos
entrevistados não possuem telefone para contato, por exemplo, em favelas.
Em situações onde a maioria dos entrevistados possui telefone para contato recomenda-se a
realização de supervisão telefônica. Neste caso, o entrevistado é contatado logo após a
entrevista, recomenda-se que a coordenação da pesquisa não espere por muitos dias para
realizar a supervisão. Como a pesquisa de lenha e carvão vegetal será realizada em todo país, o
ideal é estipular um número de questionário para o entrevistador enviar para o instituto de
pesquisa, via Sedex. Isto facilitará a supervisão e evitará que os questionários se percam com o
entrevistador. Este tipo de supervisão demanda menos recursos do orçamento da pesquisa, se
comparada com a supervisão presencial, além de possui a mesma eficácia.
Um terceiro método para supervisionar o trabalho de coleta de dados é a comparação de
algumas estatísticas dos entrevistadores. Por exemplo, pode-se comparar o percentual de
entrevistas com e sem telefone de cada entrevistador e os locais em que eles realizaram as
entrevistas. Se um entrevistador fez muitas entrevistas em uma área urbana que não é
considerada favela, espera-se que a maioria dos seus questionários possua telefone para
contato. Quando isso não ocorre, a coordenação da pesquisa poderá enviar um supervisor para
conferir se esses questionários foram realmente aplicados para as pessoas corretas.
Além disso, durante a realização da crítica, a coordenação da pesquisa também pode solicitar
que sejam anotados os erros de cada questionário para depois compará-los entre os
entrevistadores. Esse procedimento apontará problemas relacionados a erros e permitirá a
coordenação identificar entrevistadores que não entenderam corretamente o instrumento de
coleta de dados, o que ajuda no esforço de melhorar a qualidade dos dados. Entretanto, em
alguns casos também será possível identificar entrevistadores fraudadores.
D.1 TREINAMENTO DOS SUPERVISORES
Os supervisores devem ser pessoas experientes que já tenham participado de pesquisas
anteriores demonstrado responsabilidade para serem supervisores. O seu treinamento deve ser
realizado em separado dos demais participantes da equipe, simplesmente, pelo fato de ser
desnecessário o acompanhamento por outras pessoas.
A principal mensagem a ser passada durante o treinamento é a relevância do trabalho do
supervisor para a qualidade dos dados que serão coletados e para a conclusão das demais
etapas da pesquisa. A coordenação deve enfatizar que o supervisor não tem como objetivo
punir o trabalho dos entrevistadores. Sua função consiste em garantir a qualidade do trabalho.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
95
Contudo, caso seja encontrada alguma irregularidade, o supervisor não deve deixar de informá-
la a coordenação da pesquisa, mesmo que esta tenha sido cometida por um amigo.
Para os supervisores que realizarão a supervisão presencial, o coordenador deverá estipular
os procedimentos que deverão ser seguidos. Por exemplo, conferir se o entrevistado é
realmente o chefe do domicílio ou a pessoa mais adequada na empresa para responder sobre
consumo de energia e o tempo aproximado que durou a entrevista, com essa informação será
possível identificai se o entrevistador aplicou todo o questionário.
Alguns institutos de pesquisa fazem um resumo do questionário com algumas perguntas
“chaves” e pedem para o supervisor aplicá-las novamente ao entrevistado. Este método é mais
comum na supervisão telefônica, mas também é utilizado na supervisão presencial. A
experiência de pesquisa em muitos institutos mostra que o entrevistado não costuma mentir
quando um supervisor telefona ou vai a sua casa ou empresa. Um bom exemplo são as
pesquisas eleitorais por quota, neste tipo de entrevista a idade, o sexo e a escolaridade são
controlados rigorosamente. Alguns entrevistadores pedem ao entrevistado para mentir ao
supervisor a idade ou a escolaridade. Contudo, ao serem questionados por telefone o
entrevistado diz a verdade, muitas vezes por acreditar que aquela mentira não prejudicará o
entrevistador.
Por fim, é importante destacar que os supervisores que realizarão a supervisão telefônica
devem ser orientados a não questionarem o entrevistado. Se o entrevistado responder diferente
do que consta no questionário, a coordenação deverá estipular critérios para os casos que
serão considerados fraudes, erros de anotação do questionário ou simplesmente erros do
entrevistado.
D.2 FRAUDE E ERROS NÃO INTENCIONAIS
Um entrevistador sempre estará sujeito a errar, seja por mera distração, cansaço, seja por
dúvidas em como lidar com determinadas respostas. Isso é normal em toda a dinâmica do
trabalho de campo. Esses erros devem ser eliminados ou minimizados com a orientação
durante o treinamento. No entanto, também são recorrentes as tentativas de fraude, ou seja,
entrevistadores que tentam burlar os procedimentos, não realizando o trabalho corretamente.
O desafio dos supervisores é distinguir o erro da fraude. Isto é possível? O erro está
relacionado a fatores de incompreensão do questionário e de distração durante a realização da
entrevista. Existem alguns erros que são mais comuns, entre os quais podemos destacar:
- Deixar de realizar uma ou mais perguntas;
- Esquecer de marcar a resposta, ou seja, a pergunta é feita ao entrevistado, mas não é assinalada pelo entrevistado;
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
96
3. Confundir a escolaridade do entrevistado, entre outras.
Estes erros acontecem principalmente no início do trabalho, pois os entrevistadores estão ainda
se familiarizando com o questionário. A pessoa responsável por receber os questionários que
retornam do trabalho de campo deve ler cuidadosamente os primeiros questionários aplicados.
Isto permitirá identificar rapidamente se os entrevistadores estão ou não entendendo o
trabalho. Em pesquisas domiciliares ou com empresas que o entrevistador leva os questionários
para casa, é muito importante que sejam estipulados prazos para que ele encaminhe-os
rapidamente ao instituto de pesquisa, seja por Sedex, seja pessoalmente.
Até aqui falamos de erros bem intencionados, mas infelizmente em pesquisa também lidamos
com “erros” mal intencionados. Ao contrário dos erros cometidos pelos entrevistadores, as
fraudes acontecem, principalmente, do meio para o final do trabalho de campo. Neste
momento, os entrevistadores já estão cansados querendo terminar logo o trabalho. Muitas
pessoas acreditam que não fará diferença se algumas entrevistas não forem realizadas nas
condições estabelecidas. Este engano pode comprometer fortemente toda a pesquisa.
Os motivos são os mais variados e incluem cansaço, como citado acima, e descontentamento
com as condições de trabalho, em especial com o pagamento. Por isso, é necessário planejar
uma carga de trabalho que não seja excessiva e pagar um preço que os entrevistados
considerem justo pelo trabalho. O que especificamente é uma carga de trabalho e pagamento
justos é muito difícil de determinar, variando conforme a região do país, o nível de experiência
dos entrevistadores, as dificuldades do trabalho de campo e a dificuldade do questionário.
Apenas com a experiência em pesquisa a tarefa de determinar a carga de trabalho e
pagamento justos se torna menos espinhosa. Coordenadores de pesquisa com pouca
experiência devem estar preparados para renegociar os termos do trabalho durante a pesquisa.
Isto porque muitas vezes a pesquisa apresenta dificuldades que não foram previstas durante a
fase de preparação da pesquisa e de negociação dos pagamentos.
Podemos, contudo, fornecer alguns elementos para ajudar na determinação da carga de
trabalho e pagamento. É importante tentar projetar quantos questionários cada entrevistador
será capaz de fazer em um dia de trabalho, em média, e então, tentar imaginar quanto um
trabalhador com o perfil dos entrevistadores costuma ganhar. Há duas opções: pagar um valor
fixo por dia ou pagar por cada questionário aplicado. Normalmente o pagamento por
questionário é melhor, simplesmente porque evita desentendimentos entre os entrevistadores
devido a diferenças no ritmo de trabalho entre eles, quem trabalhar mais vai ganhar mais. Para
pesquisas domiciliares e com empresas aconselhamos o pagamento por questionário, isto
estimula mais trabalho dos entrevistadores.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
97
D.2.1 TIPOS MAIS COMUNS DE FRAUDES
As condições de trabalho citadas anteriormente podem diminuir a fraude, mas não eliminá-la
completamente. Deste modo, se faz necessário uma supervisão constante do trabalho de
campo. A seguir apresentaremos os tipos de fraudes mais comuns em pesquisas sociais:
a) O entrevistador não respeita os procedimentos de seleção dos entrevistados.
A coordenação da pesquisa estipula um critério de seleção dos entrevistados. Por
exemplo, na pesquisa residencial o entrevistado deverá ser o chefe do domicílio ou
o cônjuge. Mas o entrevistador encontra mais facilidade de entrevistar o filho mais
velho que está desempregado.
b) O entrevistador não respeita o filtro da pesquisa. Essa é a situação mais comum
de fraude. O entrevistador realiza a entrevista com uma família que não consome
lenha ou carvão vegetal, inserindo os consumos de valores que achar mais
conveniente. Por ser a pergunta mais importante do questionário, o consumo de
lenha e carvão vegetal deve ser conferido pela supervisão da pesquisa.
c) O entrevistador preenche todos os questionários em casa. Neste caso, em vez
de ir ao setor censitário selecionado ou na empresa sorteada, o próprio
entrevistador preenche o questionário. Este tipo de fraude é muito comum em
institutos de pesquisa que não realizam supervisão de campo dos questionários.
d) O entrevistador pula perguntas que considera mais “chatas” ou demoradas,
terminando o questionário antes do tempo previsto. Este é o tipo de fraude mais
difícil de ser detectada, uma vez que a supervisão telefônica ou presencial irá
confirmar que a entrevista foi realizada e que os procedimentos de seleção foram
respeitados. A única forma de garantir a qualidade dos dados coletados é a
realização de um resumo do questionário, onde pergunta-se as perguntas
consideradas mais importantes para o objetivo da pesquisa.
e) O entrevistado desiste de terminar a entrevista e o entrevistador termina de
preencher o questionário. Esse tipo de fraude pode ser identificada durante a
supervisão, perguntando ao entrevistado se a entrevista ocorreu normalmente e se
o entrevistador fez todas as perguntas que desejava. Neste caso, o próprio
entrevistado irá relatar que ele terminou com a entrevista e não o entrevistador.
D.2.2 COMO LIDAR COM A FRAUDE
Ao descobrir uma fraude o supervisor, presencial ou telefônico, deve ser orientado a informar a
coordenação da pesquisa. O mais aconselhável nesta situação é chamar o entrevistador para
uma conversa reservada. Isto ajudará a coordenação a entender os motivos para a realização
da fraude. Por exemplo, pode-se chegar a conclusão de que o trabalho está sendo mal
remunerado, que existem poucos entrevistadores para o número de entrevista ou apenas que a
fraude foi cometida devido a má índole do entrevistador.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
98 Em qualquer que seja a situação, o entrevistador deverá ser afastado da pesquisa. E toda a equipe deve ser informada de que o afastamento ocorreu por fraude, de modo a desencorajar novas tentativas. Mesmo que a coordenação reconheça que a fraude ocorreu por um erro de estratégia da pesquisa, a pessoa que cometeu uma fraude não merece a confiança para a realização de outros questionários. Além disso, será necessário substituir o questionário que foi fraudado e conferir todos os demais que foram realizados pelo entrevistador.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
99 APÊNDICE E DIRETRIZES DE PROCESSAMENTO E CRÍTICA DOS DADOS Em pesquisas domiciliares e com empresas que o trabalho de coleta de dados costuma demorar um pouco mais, o ideal é que a coordenação acumule alguns questionários para o início da crítica e da digitação. Para isso, deve-se calcular aproximadamente quanto tempo será necessário para a realização de cada uma dessas tarefas, o que depende dos procedimentos exigidos em cada instituto e da experiência das pessoas contratadas. O mais recomendável é que a coordenação estabeleça um procedimento padrão para o tratamento dos questionários. Por exemplo, primeiro são escolhidos aleatoriamente os questionários que deverão ser supervisionados. Depois o restante deverá ser repassado para a equipe de críticos e em seguida para os digitadores. Os questionários que forem selecionados para a supervisão deverão passar pelo mesmo processo dos demais. Processamento dos Questionários: Conferência telefônica Crítica Digitação E.1 CRÍTICA Este trabalho tem como objetivo a conferência do questionário e agilizar o trabalho do digitador, sem este processo a digitação seria muito lenta e muitos erros não seriam detectados. Em geral a crítica codificará todas as respostas em números, preparando os questionários para serem inseridos no banco de dados, agilizando e facilitando a digitação dos dados. Para o trabalho de crítica, não é necessária muita habilidade. Entretanto, algumas instruções devem ser acordadas com a equipe para que a codificação do questionário seja uniforme. Quando é necessária a contratação de várias pessoas para essa tarefa, cada crítico deve escrever seu nome no questionário que codificou, facilitando a resolução de dúvidas durante o período de processamento dos dados. Mesmo realizando o trabalho de campo com profissionais experientes, sempre aparecerão erros de preenchimento que deverão ser identificados no momento da crítica. Dessa forma, o crítico ao codificar o questionário deverá estar muito atento para a lógica do questionário. Os erros cometidos pelos entrevistadores não deverão aparecer na etapa seguinte, a digitação, portanto o crítico terá a tarefa de detectar e corrigir todos os erros. Para isso, o coordenador deve
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
100
treinar a equipe lendo o questionário e solucionando todas as dúvidas e informando todas as
possibilidades de resposta de cada pergunta.
E.1.1 PERGUNTAS ABERTAS
Como visto em seções anteriores, as perguntas abertas são aquelas em que a resposta é
anotada por escrito, reproduzindo a resposta do entrevistado. Este tipo de pergunta deve
possuir um procedimento mais cuidadoso durante a crítica. Alguns institutos de pesquisa optam
por realizar a crítica de todas as perguntas abertas após a digitação das perguntas fechadas,
este procedimento costuma ser o mais adequado.
A equipe para a crítica das perguntas abertas pode ser a mesma que fez a codificação das
fechadas, isto facilita o trabalho porque essas pessoas já conhecem bem o questionário. Os
responsáveis pela crítica dos questionários devem digitar cada pergunta aberta. Como a crítica
de perguntas abertas, em parte, necessita de uma certa interpretação do que foi o escrito, cada
crítico pode ficar responsável por uma pergunta. A seguir apresentamos um exemplo de uma
pergunta aberta preenchida por um entrevistador.
Para quais atividades a empresa utiliza a lenha? Mais alguma?
R- Para aquecer os animais___________________________________________
99. Não Sabe [Encerre o questionário] 88 Não Se Aplica
E.2 DIGITAÇÃO
Após a realização da crítica dos questionários, os dados devem ser inseridos em um banco de
dados. Cada instituto de pesquisa utiliza um programa considerado mais adequado para o
processamento dos dados. O trabalho do digitador é simples, ele deve apenas incluir os dados
dos questionários no programa utilizado pelo instituto de pesquisa.
Apesar disso, o digitador deve ser uma pessoa atenta e ágil. Pessoas muito distraídas ou lentas
podem prejudicar o cronograma da pesquisa, deixando o banco de dados com muitos erros que
posteriormente terão que ser corrigidos por ele mesmo ou por outra pessoa. Para digitar
questionários é preciso possuir uma certa velocidade, seja para que a pesquisa termine em
prazo razoável, seja para que o digitador possua uma remuneração satisfatória.
O ideal é que os erros dos entrevistadores sejam corrigidos pelos críticos, fase anterior a
digitação. No entanto, os digitadores devem ser orientados sobre possíveis erros nos
questionários e os procedimentos adotados em cada um deles.
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
101
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
102 APÊNDICE F PESQUISA DE CAMPO CP2 O presente relatório se refere ao item 5.8 do Termo de Referência do Edital de Pregão Eletrônico nº PE.EPE.007/2010, a saber: Relatório final da pesquisa: O produto apresenta os resultados consolidados da pesquisa, com comentários acerca da análise estatística dos dados e indicadores obtidos a partir da pesquisa de campo realizada, estratificada por região geográfica (pesquisa residencial). O Relatório Final contem ainda um sumário com os valores das variáveis. F.1 ELABORAÇÃO Após a apreciação do Relatório de Apresentação de Resultados pelo EPE, foram incorporados à análise descritiva dos dados coletados os comentários dos técnicos do EPE, bem como foi acrescentada a tabela das variáveis de interesse para a pesquisa residencial, que contém os dados de cada uma das 5 regiões brasileiras e a ponderação para o total das entrevistas realizadas no Brasil. F.2 OBJETIVO GERAL Realização de pesquisa de campo, no setor residencial rural do Brasil, que resultou em informações sobre a quantidade de lenha e carvão vegetal consumida como energético em domicílios. F.3 METODOLOGIA UTILIZADA Survey: entrevistas com uso de questionários para obter informações padronizadas - objetivas e subjetivas - da população investigada, passíveis de serem tratadas quantitativamente. F.4 PRAZO DE REALIZAÇÃO A coleta de dados foi realizada entre os meses de abril e dezembro de 2011, em 5 etapas, cada uma correspondente a uma região do Brasil, conforme o cronograma a seguir: Região Sudeste: de 30/04/2011 a 03/06/2011 Região Norte: de 10/06/2011 a 10/07/2011 Região Centro-Oeste: de 30/07/2011 a 06/09/2011 Região Nordeste: de 25/09/2011 a 25/10/2011 Região Sul: de 13/11/2011 a 21/12/2011
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
103 F.5 PÚBLICO ALVO Famílias residentes em área rural de municípios com até 60% de urbanização, que utilizem lenha e/ou carvão vegetal para prover as necessidades familiares, tais como: cozinhar, esquentar água para o banho, ferver roupas, aquecer o ambiente, etc. Foram entrevistados apenas o chefe da família ou cônjuge em cada domicílio. Tabela 36 Amostra – quantidade de entrevistas realizadas, margens de erro e pesos amostrais
*Para que as estimativas obtidas sobre o consumo domiciliar de lenha sejam válidas para o
Brasil como um todo, foram levadas em consideração as proporções da população-alvo em cada
região, através da correção das estimativas com base em pesos amostrais probabilísticos. A
fórmula de cálculo do peso e demais informações sobre a amostra podem ser conferidas no
Relatório Estatístico.
F.6 CARACTERIZAÇÃO SOCIOECONÔMICA
As informações acerca de estado civil, escolaridade, renda, posse de bens, gastos mensais,
número de moradores do domicílio, tipo de setor censitário, entre outras, têm extrema
importância por permitirem entender o perfil das famílias e o fazer o cruzamento destes grupos
socioeconômicos pelos hábitos de consumo de lenha e carvão vegetal, pontos de interesse da
pesquisa.
Os dados demonstram a grande diversidade existente no Brasil, ficando bastante claro desde o
início da apresentação da pesquisa as diferenças entre as regiões, tendo, quase sempre, Sul e
Nordeste em extremos opostos e Sudeste, Norte e Centro-Oeste em posições intermediárias.
F.6.1 CONTEÚDOS DO BLOCO:
Tipo de entrevistado - Renda mensal do domicílio
Tipo de setor censitário - Valor de gastos mensais
Região
Nº de
entrevistas
% da amostra
mínima (2000)
% da amostra
máxima (2400)
Margem de
erro máxima
Peso
Amostral
Centro-Oeste
480
24,0%
20,0%
4,49%
0,711
Nordeste
480
24,0%
20,0%
4,47%
2,251
Norte
481
24,1%
20,0%
4,47%
0,711
Sudeste
484
24,2%
20,2%
4,45%
0,590
Sul
483
24,2%
20,1%
4,46%
0,754
Brasil (total)
2408
120,4%
100,3%
2,00%
5,0
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
104
Estado civil - Posse de bens de consumo
Escolaridade do chefe da família - Classificação conforme critério Brasil
Cor ou raça
Ocupação do chefe do domicílio
Número de moradores
F.6.2 TIPO DE ENTREVISTADO
Para realização da pesquisa, foram considerados informantes qualificados apenas o chefe da
família ou o cônjuge, pelo teor dos dados a serem coletados.
Assim, pouco mais de 60% do total de entrevistados no Brasil foram os chefes dos domicílios, e
o restante dos entrevistados são os cônjuges.
F.6.3 TIPO DE SETOR CENSITÁRIO ENTREVISTADO
A coleta dos dados foi realizada em setores rurais dos tipos 5, 6, 7 (aglomerados rurais:
povoado, núcleo e outros) e 8 (zona rural não aglomerada). Grande parte dos domicílios
amostrados pertencem a setores do tipo 8, caracterizados como “Dispersos”. No total Brasil,
apenas 12% são do tipo “Povoados”.
57,1% 58,6% 63,8% 67,6% 69,2% 61,2% 42,9% 41,4% 36,3% 32,4% 30,8% 38,8% Nordeste Sul Centro
Oeste Sudeste Norte Total Chefe de casa Outro Estado civil dos respondentes NorteNordesteSudeste Centro- Oeste SulTotal Casado(a)48,4%54,2%67,6%56,9%80,1%59,2% Amigado(a)34,5%28,1%12,6%24,2%7,0%23,5% Viúvo(a)4,4%7,9%8,7%7,7%7,0%7,3% Solteiro(a)6,2%3,8%5,8%7,7%3,8%4,9% Separado(a)4,8%5,4%4,8%3,3%1,4%4,4% Divorciado1,7%0,6%0,4%0,2%0,4%0,7%
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
105
F.6.4 ESTADO CIVIL DO RESPONDENTE
Grande parte dos entrevistados é casado ou amigado. O maior percentual de casados está na
região Sul, enquanto no Norte há o maior índice de casais amigados. Os demais estados civis
não alcançam 10% dos casos em nenhuma região. Para o total Brasil, quase 60% são casados
e ¼ amigados.
F.6.5 ESCOLARIDADE DO CHEFE DO DOMICÍLIO
A escolaridade predominante dos chefes das famílias entrevistadas é até a 4ª série completa
(primário), com mais de ¾ das respostas. No Centro-Oeste e no Sul há mais chefes de família
com escolaridade de 5ª a 8ª série do E. Fundamental. No Norte e no Sul há o maior índice de
chefes que cursaram o Ensino Médio, mas não ultrapassa os 10%.
F.6.6 COR OU RAÇA DO(A) CHEFE DO DOMICÍLIO
A maior parte dos entrevistados declarou o chefe do domicílio como sendo pardo. A única
região onde a maioria é branca é o Sul, passando de 80%. O total Brasil mostra maioria de
pardos, cerca de 1/3 de brancos, 10,5% de pretos e 3,2% de índios.
79,6% 85,8% 87,4% 94,8% 96,1% 87,9% 20,4% 14,2% 12,6% 5,2% 3,9% 12,1% Norte Nordeste Sudeste Centro
Oeste Sul Total Disperso Povoado Escolaridade do chefe do domicílio Norte Nordeste Sudeste Centro- Oeste Sul Total 1º segmento (Analfabeto até 4ª série do Ensino Fundamental) 72,6% 82,1% 83,3% 69,2% 58,4% 73,1% 2º segmento (5ª a 8ª série do Ensino Fundamental) 17,5% 13,8% 11,8% 23,5% 31,9% 19,7% Ensino Médio 8,7% 2,9% 4,1% 6,9% 8,7% 6,3% Ensino Superior 1,0% 0,6% 0,4% 0,4% 0,8% 0,7% NS/ NR 0,2% 0,6% 0,4% 0,0% 0,2% 0,3%
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
106
F.6.7 OCUPAÇÃO DO(A) CHEFE DO DOMICÍLIO
Em todas as regiões predominam os chefes de famílias que trabalham em áreas rurais, como
lavradores e/ou meeiros. Em segundo lugar aparecem aposentados e pensionistas.
F.6.8 NÚMERO DE MORADORES POR DOMICÍLIO
A média de moradores por domicílio entrevistado fica entre 3 e 4 pessoas.
A maior média de pessoas por casa aparece na região Nordeste, de 3,8 moradores, enquanto
no Centro-Oeste aparece a menor média, de 3,07 pessoas.
64,9% 60,4% 59,4% 53,9% 15,1% 53,3% 21,0% 21,7% 29,8% 30,0% 81,2% 32,6% 10,4% 13,3% 10,2% 12,2% 1,0% 10,5% 3,3% 4,4% 0,2% 2,9% 2,5% 3,2% NorteNordesteCentro-OesteSudesteSulTotal Índio Preto Branco Pardo Situação ocupacional do(a) chefe do domicílio Norte Nordeste Sudeste Centro- Oeste Sul Total Trabalhador rural, lavrador, meeiro 71,7% 58,3% 62,8% 66,3% 53,8% 61,2% Aposentado/Pensionista 14,8% 24,0% 21,3% 19,2% 25,9% 22,0% Autônomo/diarista 5,4% 8,3% 4,8% 3,1% 5,8% 6,4% Empregado (assalariado - exceto trabalho no campo) 1,9% 4,2% 3,3% 5,4% 7,0% 4,4% Dona de casa 2,7% 2,1% 4,1% 3,5% 3,5% 2,8% Funcionário público/militar 3,1% 1,3% 1,0% 1,9% 1,4% 1,6% Empregador (empresários) 0,0% 0,0% 0,8% 0,4% 0,6% 0,3% Estudante/aprendiz ou estágio sem remuneração 0,2% 0,6% 0,0% 0,0% 0,0% 0,3% Desempregado 0,2% 0,0% 1,2% 0,0% 0,4% 0,2% Trabalhador em negócio/empreendimento familiar 0,0% 0,0% 0,4% 0,2% 0,6% 0,2% Moradores/ domicílio NorteNordesteSudesteSul Centro- Oeste Total 1 morador 15,6%9,6%8,9%5,6%15,6%10,6% 2 moradores 21,4%17,3%19,8%21,7%25,6%20,0% 3 moradores 22,9%22,7%25,0%29,2%22,5%23,9% 4 moradores 17,9%20,2%24,6%25,9%21,3%21,4% 5 moradores 10,4%13,8%10,5%10,4%8,8%11,7% 6 moradores 6,4%6,9%5,2%5,0%2,9%5,8% 7 moradores 2,9%4,4%3,3%1,4%1,7%3,2% 8 moradores 1,9%2,9%1,4%0,6%0,8%2,0% 9 moradores 0,4%1,3%0,6%0,0%0,4%0,8% 10 moradores 0,2%0,2%0,2%0,0%0,2%0,2% 11 moradores 0,0%0,6%0,2%0,0%0,2%0,3% 12 moradores 0,0%0,2%0,2%0,2%0,0%0,1% Média3,30 3,80 3,53 3,39 3,07 3,54
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
107
F.6.9 RENDA MENSAL
Grande parte das famílias tem renda mensal de até 2 salários mínimos, percentual que chega a
96% no total Brasil. Nas regiões Norte e Nordeste as famílias estão divididas, quase meio a
meio, entre as com renda até 1 SM e entre 1 e 2 SM. No Sudeste e Centro Oeste existem mais
famílias com renda entre 1 a 2 SM, e cerca de 30% com até 1 SM. No Sul, a predominância é
de famílias com renda entre 1 e 2 SM, e há percentual significativo com renda acima de 2 SM. A
maior média de renda é no Sul, e a menor no Nordeste.
F.6.10 RENDA MENSAL PER CAPITA A renda per capita é mais elevada na região Sul, com 40% dos moradores tendo renda superior a 500 reais/mês. Já no Nordeste aparece o maior percentual – de quase 30% - de pessoas que vivem com menos de 100 reais por mês.
F.6.11 GASTOS MENSAIS VARIADOS NOS DOMICÍLIOS
Os gastos feitos por mais famílias do total Brasil são com alimentação (99,1%), energia elétrica
(83%) e gás (72,9%). As regiões Sul e Sudeste são as que apresentam bases e médias de
Renda
Norte
Nordeste
Sudeste
Centro-
Oeste
Sul
Total
Até 1 SM (R$ 545,00)
47,4%
48,5%
35,3%
31,0%
9,5%
38,5%
De 1 SM a 2 SM
(R$ 545,00 a R$ 1090,00)
51,4%
50,8%
61,0%
65,2%
73,9%
57,6%
Acima de 2 SM (R$ 1090,00)
1,0%
0,4%
2,7%
3,8%
14,5%
3,3%
NS/NR
0,2%
0,2%
1,0%
0,0%
2,1%
0,6%
Média
745,29
R$
680,46 R$
952,26 R$
969,73 R$
1.649,64 R$
906,21 R$
Mediana 600,00 R$
580,00 R$
759,00 R$
800,00 R$
1.200,00 R$
700,00 R$
Renda mensal per capitaNorteNordesteSudesteSul Centro- Oeste Total Até R$ 100,00 (até 1/6 SM)17,9%29,8%14,0%3,1%6,3%18,9%
- de R$ 100,00 a R$ 200,00 (1/6 a 1/3 SM) 29,1%31,5%27,1%10,1%25,6%26,6%
- de R$ 200,00 a R$ 300,00 (1/3 a 1/2 SM) 20,0%11,9%22,3%15,5%22,1%16,2%
- de R$ 300,00 a R$ 400,00 (1/2 a 2/3 SM) 9,1%9,6%9,3%18,4%14,2%11,5%
- de R$ 400,00 a R$ 500,00 (2/3 a 4/5 SM) 3,7%2,9%4,5%11,0%6,7%5,0% Acima de R$ 500,00 (Acima de 4/5 SM) 20,0%14,2%21,7%39,8%25,2%21,3% NS/NR0,2%0,2%1,0%2,1%0,0%0,6% Média296,64R$ 254,97R$ 343,35R$ 544,38R$ 399,01R$ 466,45R$
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
108 gasto mais altos em grande parte das despesas avaliadas. A região Nordeste é a que possui médias mais baixas em relação às outras regiões.
N: há um dos maiores % de famílias que gasta mensalmente com remédios entre as 5
regiões, e o maior % de famílias que têm despesa com transporte para o trabalho.
NE: mais famílias declararam gastar mensalmente com educação e aluguel em relação
às demais regiões.
SE: apresenta um dos maiores % de gastos com energia elétrica, gás, remédios e
transporte para o trabalho. E todas as médias de gasto, com exceção de energia
elétrica, água e transporte, estão entre as maiores entre as 5 regiões.
CO: mais famílias têm despesa com gás e telefone, e o valor médio gasto com lazer é
mais elevado do que nas demais regiões.
S: os % de famílias que gastam dinheiro com alimentação, energia elétrica, gás,
vestuário, telefone água e lazer são os maiores entre as 5 regiões. O valor médio gasto
com energia elétrica, remédios, educação, transporte para o trabalho e aluguel são
bastante elevados.
F.6.12 BENS DE CONSUMO POR DOMICÍLIO
Televisão e Rádio estão presentes em boa parte dos domicílios entrevistados, com percentual
menor do Norte e no Nordeste. O vídeo cassete ou DVD também estão em mais da metade dos
domicílios em todas as regiões, com percentual maior no Sul. O telefone fixo está presente em
quase 1/3 do total de lares. Destaque para as regiões Centro-Oeste e Sul, com percentuais de
40% e 60% de domicílios com telefone fixo.
Base Média Base Média Base Média Base Média Base Média Base Média Alimentação em geral 98,8% 296,24 R$
99,4% 269,58 R$
97,9% 325,53 R$
99,2% 341,18 R$
99,6% 380,59 R$
99,1% 306,76 R$
Energia elétrica 82,7% 39,42 R$
77,1% 27,45 R$
90,9% 45,99 R$
81,5% 57,58 R$
95,9% 90,16 R$
83,0% 46,62 R$
Gás 72,8% 27,77 R$
64,6% 23,11 R$
79,5% 41,67 R$
79,4% 31,13 R$
86,5% 25,34 R$
72,9% 27,79 R$
Vestuário 59,5% 42,89 R$
65,4% 29,19 R$
48,1% 72,21 R$
62,1% 52,19 R$
71,8% 62,70 R$
63,0% 43,84 R$
Telefone 53,2% 39,67 R$
53,1% 17,53 R$
57,0% 40,23 R$
79,2% 28,92 R$
82,4% 46,70 R$
61,7% 30,63 R$
Em remédios 65,1% 88,25 R$
54,0% 74,05 R$
66,1% 108,54 R$
60,2% 95,70 R$
61,1% 154,91 R$
58,9% 96,56 R$
Educação 30,6% 43,57 R$
38,8% 22,13 R$
25,8% 83,19 R$
30,8% 40,04 R$
31,7% 121,28 R$
33,9% 46,59 R$
Água 7,3% 19,88 R$
28,3% 18,20 R$
14,5% 18,26 R$
14,6% 24,89 R$
38,1% 18,05 R$
23,2% 18,84 R$
Lazer 17,3% 44,95 R$
8,1% 44,15 R$
21,5% 95,35 R$
18,3% 93,07 R$
44,1% 86,08 R$
17,8% 74,21 R$
Transporte p/ trabalho 26,0% 72,86 R$
5,2% 38,00 R$
24,0% 58,78 R$
10,0% 83,54 R$
19,7% 183,23 R$
13,2% 89,54 R$
Com aluguel 1,2% 56,67 R$
11,0% 53,00 R$
2,7% 147,54 R$
2,3% 29,45 R$
0,6% 138,33 R$
1,2% 78,89 R$
Total Gasto (em R$) Norte Nordeste Sudeste Centro-Oeste Sul
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
109
A máquina de lavar está presente em mais de 70% dos lares do Sul, em quase metade do Centro-Oeste e 1/3 dos domicílios do Sudeste e Norte, mas é quase inexistente no Nordeste. O aspirador de pó é praticamente inexistente nos lares, assim como empregada doméstica.
Geladeira e banheiro estão presentes quase na mesma proporção nas regiões. Destaque para regiões SE, CO e S, onde mais de 90% dos domicílios possuem no mínimo um banheiro e uma geladeira. O freezer está presente em quase 80% dos lares do Sul e mais de 45% do Centro Oeste. No Nordeste há freezer em parcela bem reduzida dos lares. Norte Nordeste Sudeste Centro- Oeste Sul Total Não tem 20,4% 15,8% 5,2% 10,0% 2,1% 12,3% Apenas 1 75,7% 78,5% 82,0% 81,0% 74,1% 78,2% 2 ou mais 3,9% 5,6% 12,8% 8,9% 23,8% 9,5% Não tem 32,8% 21,7% 12,4% 14,4% 1,4% 18,1% Apenas 1 62,6% 75,2% 77,7% 77,5% 78,7% 74,6% 2 ou mais 4,6% 3,1% 9,9% 8,1% 19,8% 7,4% Não tem 49,3% 42,5% 42,6% 46,7% 36,2% 43,1,% Apenas 1 50,5% 57,3% 56,2% 51,7% 62,1% 56,1% 2 ou mais 0,2% 0,2% 1,2% 1,7% 1,6% 0,7% Não tem 70,7% 72,9% 86,2% 59,0% 41,2% 67,4% Apenas 1 28,5% 24,6% 13,0% 38,5% 50,9% 29,7% 2 ou mais 0,8% 2,5% 0,8% 2,5% 7,8% 2,9% Quantidade de itens Televisão Rádio/ aparelho de som Vídeo cassete/DVD Linha de telefone fixo ou convencional Norte Nordeste Sudeste Centro- Oeste Sul Total Não tem 99,4% 97,5% 98,1% 96,5% 91,1% 96,7% Apenas 1 0,6% 2,1% 0,8% 2,1% 8,7% 2,7% 2 ou mais 0,0% 0,4% 1,0% 1,5% 0,2% 0,5% Não tem 65,1% 91,3% 65,1% 49,8% 25,7% 68,7% Apenas 1 34,7% 8,5% 33,9% 48,5% 68,9% 30,0% 2 ou mais 0,2% 0,2% 1,0% 1,7% 5,3% 1,3% Não tem 98,5% 98,1% 97,7% 97,7% 97,7% 98,0% Apenas 1 1,5% 1,5% 1,4% 0,8% 1,9% 1,4% 2 ou mais 0,0% 0,4% 0,8% 1,5% 0,4% 0,5% Aspirador de pó Máquina de Lavar Empregada doméstica Quantidade de itens NorteNordesteSudeste Centro- Oeste SulTotal Não tem26,6%22,7%7,4%9,4%1,4%16,4% Apenas 172,1%77,1%88,6%89,6%91,7%81,7% 2 ou mais1,2%0,2%3,9%1,0%6,8%1,9% Não tem70,5%92,7%76,4%54,2%20,9%71,4% Apenas 128,9%7,1%22,3%42,9%70,2%26,5% 2 ou mais0,6%0,2%1,2%2,9%9,4%2,1% Não tem22,2%25,6%3,5%6,3%2,5%16,2% Apenas 174,2%72,7%87,6%87,3%86,3%78,8% 2 ou mais3,5%1,7%8,9%6,4%11,1%4,9% Não tem87,1%91,0%70,9%68,3%31,9%76,0% Apenas 112,3%8,1%26,4%29,2%60,5%21,7% 2 ou mais0,6%0,8%2,7%2,5%7,6%2,2% Banheiro Carro Quantidade de itens Geladeira Freezer
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
110
Os domicílios que têm carro são cerca de 30% no Sudeste e no Centro-Oeste. O maior
percentual, contudo, aparece na região Sul, mais de 68%. No Norte e no Nordeste poucos
domicílios possuem carro.
F.6.13 CLASSIFICAÇÃO ECONÔMICA DAS FAMÍLIAS DE ACORDO COM O CRITÉRIO
BRASIL*
No total Brasil, os consumidores de lenha e carvão vegetal pesquisados são
predominantemente da classe D, com 45%. Há cerca de 20% da classe C2 e em torno de 15%
das classes C1 e E. Nas regiões Norte e Nordeste as classes sociais são mais baixas. Há a
concentração na classe D, principalmente no Nordeste, e grande percentual da classe E.
No Sudeste e Centro Oeste, há maior concentração nas classes D e C2, sendo a C1 a terceira
classe mais presente. No Sul estão os domicílios com maior classe social: metade das famílias
está na classe C1. Cerca de 20% pertence à C2 e 15% à B2. O % de famílias de classe D está
muito abaixo das demais regiões.
F.7 CARACTERIZAÇÃO DOS ENERGÉTICOS USADOS
Lenha e carvão podem ser considerados complementares, pois são dois representantes de
energéticos que não precisam ser comprados, podendo ser coletados no quintal de casa, ou
próximo à residência. Essa constatação ajuda a explicar o fato de que grande parte dos
domicílios usam ou lenha ou carvão, sendo pouco comum o uso combinado de ambos.
O GLP, energético que precisa ser comprado, está presente em número expressivo de
domicílios, complementando a necessidade energética do lar. Tanto GLP, quanto carvão e
lenha, são utilizados principalmente para cocção de alimentos para a família e para os animais,
sendo os três combustíveis predominantes para este fim. Percebe-se que o energético
NorteNordesteSudeste
Centro-
Oeste
SulTotal
A2
0,0%0,0%0,2%0,0%0,0%0,0%
B1
0,0%0,4%0,2%0,4%1,9%0,6%
B2
1,0%0,0%4,3%5,8%15,5%3,8%
C1
8,9%4,0%16,9%17,1%50,3%15,0%
C2
22,2%12,7%26,4%33,1%20,5%19,7%
D
45,9%58,1%45,0%37,9%11,0%44,9%
E
21,8%24,8%6,8%5,6%0,8%15,9%
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
111
comercial (GLP) e o não comercial (lenha e/ou carvão) convivem em harmonia, sendo
revezados na cozinha de acordo com as necessidades de cocção, principalmente o tempo gasto
para o preparo de cada alimento.
F.7.1 CONTEÚDOS DO BLOCO:
Utilização de lenha e carvão
Energéticos utilizados para cocção de alimentos
Outros usos do GLP
Finalidade de utilização de energia elétrica
Tipos de fogões e frequência de uso
F.7.2 UTILIZAÇÃO DE CARVÃO VEGETAL OU LENHA NOS DOMICÍLIOS
Nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul praticamente todas as famílias entrevistadas utilizam
apenas lenha nos domicílios. Já no Norte e Nordeste, a participação do carvão é mais
expressiva, com mais de 20% das famílias utilizando apenas carvão e quase 10% utilizando
ambos os combustíveis em cada região.
80,9% 99,8% 99,0% 95,9% 70,0% 65,5% 13,6% 0,8% 0,6% 21,9% 25,4% 5,5% 0,2% 0,2% 3,5% 8,1% 9,1% Total Sudeste Centro
Oeste Sul Nordeste Norte Usa lenha Usa carvão Usa lenha e carvão vegetal
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
112
N: entre as famílias que utilizam lenha e não o carvão vegetal, 53,4% ganham de 1 a 3 SM. Entre as famílias que usam carvão e não usam lenha, 61,5% ganham até 1 SM e 36% têm de 1 a 3 SM.
NE: entre as famílias que utilizam lenha e não o carvão vegetal, 53,8% ganham de 1 a 3 SM. Entre as famílias que usam carvão e não usam lenha, 59% ganham até 1 SM e 39% têm de 1 a 3 SM
NORTE Renda Apenas a lenha Apenas o carvão A lenha e o carvão Total Até 1/2 SM (R$ 272,50) 4,1% 6,6% 6,8% 5,0%
- de 1/2 até 1 SM (R$ 545,00) 38,7% 54,9% 34,1% 42,4%
- de 1 a 2 SM (R$ 545,00 a R$ 1090,00) 44,8% 30,3% 36,4% 40,3%
- de 2 a 3 SM (R$ 1090,00 a R$ 1635,00) 8,6% 5,7% 15,9% 8,5%
- de 3 a 4 SM (+ de R$ 1635,00 a R$ 2180,00) 2,2% ,8% 4,5% 2,1%
- de 4 a 5 SM (+ de R$ 2185,00 a R$ 2725,00) ,3% ,0% 2,3% ,4%
- de 5 a 10 SM (+ de R$ 2725,00 a R$ 5450,00) 1,0% 1,6% ,0% 1,0% NS/NR ,3% ,0% ,0% ,2% Total 65,5% 25,4% 9,1% 100,0% Utiliza lenha ou carvão vegetal NORDESTE Renda Apenas a lenha Apenas o carvão A lenha e o carvão Total Até 1/2 SM (R$ 272,50) 8,9% 11,4% 17,9% 10,2%
- de 1/2 até 1 SM (R$ 545,00) 35,4% 47,6% 38,5% 38,3%
- de 1 a 2 SM (R$ 545,00 a R$ 1090,00) 46,7% 37,1% 33,3% 43,5%
- de 2 a 3 SM (R$ 1090,00 a R$ 1635,00) 7,1% 2,9% 7,7% 6,3%
- de 3 a 4 SM (+ de R$ 1635,00 a R$ 2180,00) 1,5% ,0% ,0% 1,0%
- de 5 a 10 SM (+ de R$ 2725,00 a R$ 5450,00) ,0% 1,0% 2,6% ,4% NS/NR ,3% ,0% ,0% ,2% Total 70,0% 21,9% 8,1% 100,0% Utiliza lenha ou carvão vegetal SUDESTE Renda Apenas a lenha A lenha e o carvão Total Até 1/2 SM (R$ 272,50) 5,2%,0%5,2%
- de 1/2 até 1 SM (R$ 545,00) 30,2%,0%30,2%
- de 1 a 2 SM (R$ 545,00 a R$ 1090,00) 41,8%,0%41,7%
- de 2 a 3 SM (R$ 1090,00 a R$ 1635,00) 13,5%100,0%13,6%
- de 3 a 4 SM (+ de R$ 1635,00 a R$ 2180,00) 4,1%,0%4,1%
- de 4 a 5 SM (+ de R$ 2185,00 a R$ 2725,00) 1,4%,0%1,4%
- de 5 a 10 SM (+ de R$ 2725,00 a R$ 5450,00) 2,7%,0%2,7% NS/NR 1,0%,0%1,0% Total 99,8%,2%100,0% Utiliza lenha ou carvão vegetal
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
113 Nas regiões Sul e Sudeste praticamente não há famílias que utilizam carvão vegetal.
No Centro-Oeste, o carvão também é utilizado por poucas famílias da amostra. Aquelas que utilizam o carvão têm renda entre ½ e 2 SM
Nas regiões onde o uso do carvão é expressivo – Norte e Nordeste, a renda dos que utilizam lenha (o que não exclui o uso de outros energéticos) e não o carvão, é superior aos do que utilizam o carvão (o que não exclui o uso de outros energéticos) e não a lenha. Nas demais regiões não há como visualizar um padrão, já que o uso do carvão é quase inexistente. F.7.3 A FAMÍLIA COSTUMA COZINHAR COM: Nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul predominam a lenha e o botijão a gás como energéticos para cocção de alimentos. Norte e Nordeste apresentam maior heterogeneidade de energéticos, com forte presença do carvão vegetal junto à lenha e ao gás. No Nordeste também aparece o uso do querosene em quase 5% das famílias.
SUL Renda Apenas a lenha Apenas o carvão A lenha e o carvão Total Até 1/2 SM (R$ 272,50) 1,3% ,0% ,0% 1,2%
- de 1/2 até 1 SM (R$ 545,00) 8,6% ,0% ,0% 8,3%
- de 1 a 2 SM (R$ 545,00 a R$ 1090,00) 35,4% ,0% 11,8% 34,4%
- de 2 a 3 SM (R$ 1090,00 a R$ 1635,00) 24,0% ,0% 47,1% 24,6%
- de 3 a 4 SM (+ de R$ 1635,00 a R$ 2180,00) 9,7% ,0% 29,4% 10,4%
- de 4 a 5 SM (+ de R$ 2185,00 a R$ 2725,00) 4,3% 33,3% 5,9% 4,6%
- de 5 a 10 SM (+ de R$ 2725,00 a R$ 5450,00) 14,5% 66,7% 5,9% 14,5% NS/NR 2,2% ,0% ,0% 2,1% Total 95,9% ,6% 3,5% 100,0% Utiliza lenha ou carvão vegetal CENTRO-OESTE Renda Apenas a lenha Apenas o carvão A lenha e o carvão Total Até 1/2 SM (R$ 272,50) 2,7% ,0% ,0% 2,7%
- de 1/2 até 1 SM (R$ 545,00) 28,4% 25,0% ,0% 28,3%
- de 1 a 2 SM (R$ 545,00 a R$ 1090,00) 47,6% 75,0% 100,0% 47,9%
- de 2 a 3 SM (R$ 1090,00 a R$ 1635,00) 12,2% ,0% ,0% 12,1%
- de 3 a 4 SM (+ de R$ 1635,00 a R$ 2180,00) 4,4% ,0% ,0% 4,4%
- de 4 a 5 SM (+ de R$ 2185,00 a R$ 2725,00) ,8% ,0% ,0% ,8%
- de 5 a 10 SM (+ de R$ 2725,00 a R$ 5450,00) 3,8% ,0% ,0% 3,8% Total 99,0% ,8% ,2% 100,0% Utiliza lenha ou carvão vegetal Energéticos NorteNordesteSudeste Centro- Oeste SulTotal Botijão de gás94,8%78,8%89,5%95,6%97,3%87,5% Lenha 74,6%78,1%100,0%99,2%99,0%86,3% Carvão vegetal 34,5%30,0%0,2%1,0%4,1%19,1% Querosene0,8%4,4%0,6%0,0%0,6%2,2% Gás canalizado 0,2%0,0%0,0%0,2%0,0%0,1%
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
114 F.7.4 ALÉM DE COZINHAR, PARA QUAIS ATIVIDADES A FAMÍLIA UTILIZA BOTIJÃO DE GÁS? Nota-se que em geral os percentuais de utilização do botijão de gás para as atividades secundárias listadas são menores, sendo o uso focado no preparo de alimentos para consumo da família.
Destaque para o uso do botijão de gás para preparo de alimentos para animais por cerca de 20% das famílias das regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sul que utilizam este energético. Além dos 15% que utilizam para ferver água para beber no Sul. F.7.5 ATIVIDADES COM UTILIZAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA Os principais usos da energia elétrica em todas as regiões coincidem: iluminação do ambiente e utilização de aparelhos domésticos.
Nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, destaca-se também o uso para aquecimento de água
para banho.
Além disso, na região Sul também há índice expressivo da utilização da energia elétrica para
cozinhar ou preparar alimentos para a família.
F.8 CONSUMO DE LENHA
O perfil de consumo de lenha é distinto nas 5 regiões do Brasil. As regiões Sul e Norte
apresentam a maior média diária de consumo, enquanto o consumo per capita é maior no
Norte e Centro-Oeste. Em cada região a quantidade de lenha utilizada varia pelos aspectos
físicos do energético – principalmente a umidade, e também pelos usos e tamanho da família.
Utilização de botijão de gás
Norte
Nordeste
Sudeste
Centro-
Oeste
Sul
Total
Preparar alimentos para animais
1,3%
17,2%
1,8%
20,7%
19,8%
13,9%
Aquecer a água para o banho
2,2%
7,9%
5,1%
3,3%
0,0%
4,7%
Ferver a água para beber
6,6%
3,2%
4,4%
2,6%
15,3%
5,6%
Ferver roupas
0,9%
1,1%
0,7%
0,0%
0,4%
0,7%
Outros
0,2%
0,0%
0,7%
0,0%
0,0%
0,2%
Base:
famílias que cozinham com
botijão de gás
456
(94,8%)
378
(78,8%)
433
(89,5%)
459
(95,6%)
457
(97,6%)
2107
(87,5%)
Formas de utilização da energia elétrica
Norte
Nordeste
Sudeste
Centro-
Oeste
Sul
Total
Iluminar o ambiente
83,0%
84,6%
98,1%
95,0%
98,3%
89,5%
Utilizar aparelhos domésticos
82,1%
84,6%
97,7%
94,6%
98,6%
89,3%
Aquecer a água para o banho
6,4%
1,5%
61,4%
39,8%
70,4%
25,0%
Cozinhar ou preparar alimentos para a família
5,8%
5,0%
4,1%
12,1%
27,3%
9,4%
Preparar alimentos para animais
0,6%
0,4%
8,9%
6,5%
7,2%
3,3%
Ferver a água para beber
0,8%
0,0%
0,8%
0,2%
1,7%
0,5%
Ferver roupas
0,2%
0,2%
0,0%
0,0%
0,4%
0,2%
Outros
11,6%
5,2%
6,8%
27,1%
0,0%
14,3%
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
115 No Norte, as famílias têm maior número de integrantes e o acesso a outros tipos de energéticos, como o GLP, é mais restrito devido à localização de algumas regiões. No Sul, há um uso expressivo de lenha para calefação de ambientes, aumentando o consumo diário. O Nordeste, apesar de ter a maior média de pessoas por domicílio, possui maior índice de consumo de alimentos crus, como farinhas, sementes e outros. A coleta de dados foi realizada de modo a evitar o período chuvoso nas regiões, reduzindo o índice de umidade da lenha. F.8.1 CONTEÚDOS DO BLOCO: Quantidade média de lenha utilizada por dia nos domicílios % de umidade na lenha Quantidade média per capita de lenha utilizada diariamente Finalidade de utilização de energia elétrica Nome da lenha utilizada Emprego da lenha pelas famílias
- Forma de obtenção da lenha F.8.2 QUANTIDADE MÉDIA DE LENHA USADA POR DIA EM CADA DOMICÍLIO (KG/DIA/DOMICÍLIO) As médias da quantidade de lenha em base seca utilizada diariamente nos domicílios ficam entre 7,5 e 9,3 quilos, sendo superiores nas regiões Norte e Sul. A média na base úmida também é maior nestas duas regiões, superior a 11 kg/dia.
11,16 11,07 10,21 9,39 9,29 10,00 9,30 9,13 8,50 7,66 7,81 8,36 SulNorteCentro-OesteSudesteNordesteTotal kg/dia/domicílio Base úmidaBase seca
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
116
F.8.3 PERCENTUAL (%) MÉDIO DE UMIDADE DA LENHA CONSUMIDA
Os maiores índices de umidade encontrados na lenha ocorrem nas regiões Sul e Sudeste. A
menor média de umidade está nas lenhas da região Centro-Oeste, bem abaixo da média geral.
A menor média de umidade está nas lenhas da região Centro-Oeste, bem abaixo da média geral.
F.8.4 CONSUMO MÉDIO PER CAPITA DE LENHA (KG/DIA/PESSOA) – DIÁRIO E
SEMANAL
A maior média per capita de consumo diário e semanal está no Norte, seguido pelo Centro-
Oeste. No Sudeste aparece a menor média de consumo por dia e por semana por pessoa.
NNESECOSTotal
Domicílios que não
permitiram
a pesagem da lenha
11113112
Base - peso úmido
358
(74,4%)
374
(77,9%)
473
(97,7%)
473
(98,5%)
479
(99,1%)
2068
(85,9%)
Base - peso seco
325
(67,5%)
289
(60,2%)
458
(94,6%)
316
(66,3%)
477
(98,7%)
1731
(71,9%)
17,66
16,76
14,75
14,02
9,04
14,64
Sul
Sudeste
Norte
Nordeste
Centro
Oeste Total NNESECOSTotal Domicílios que não permitiram a pesagem e/ou a mensuração da umidade da lenha 3486261603349 Base: apenas famílias que usam lenha e permitiram a medição da umidade 325 (67,5%) 289 (60,2%) 458 (94,6%) 316 (66,2%) 477 (98,7%) 1731 (71,9%)
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
117
F.8.5 QUANTIDADE MÉDIA DE LENHA USADA POR DIA EM CADA DOMICÍLIO
(KG/DIA/DOMICÍLIO) APENAS DOMICÍLIOS COM USO EXCLUSIVO DE LENHA
As famílias que utilizam apenas lenha têm consumo médio superior ao total da amostra, sendo
que estas famílias predominam no Nordeste e Sudeste, ficando em torno de 10% do total
destas regiões.
4,07 3,83 3,20 2,80 2,65 3,16 22,37 20,63 20,06 16,82 16,01 Norte Centro
Oeste Sul Nordeste Sudeste Total kg/ dia/ pessoa Consumo semanal Consumo diário 15,06 10,92 9,30 8,29 8,11 10,34 Centro
Oeste Norte Sudeste Nordeste Sul Total kg/ dia/ domicílio N NE SE CO S Total 15 (3,1%) 56 (11,6%) 45 (9,3%) 16 (3,3%) 13 (2,7%) 184 (7,6%) Base : famílias que usam apenas lenha e permitiram a pesagem e medição da umidade
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
118 F.8.6 QUANTIDADE MÉDIA DE LENHA USADA POR DIA EM CADA DOMICÍLIO (KG/DIA/DOMICÍLIO) TOTAL EM KG - BASE SECA – APENAS USO NÃO EXCLUSIVO DE LENHA
Entre as famílias que utilizam lenha e pelo menos mais um combustível, a região Sul tem a maior média de consumo diário, seguida pela região Norte. O menor consumo médio está na região Sudeste.
F.8.7 NOME DA LENHA UTILIZADA
As madeiras utilizadas em cada região para lenha são bastante diversas. Os dados sobre o
Poder Calorífico de cada tipo de madeira foram obtidos no artigo “Poder Calorífico da Madeira e
de Materiais Ligno-celulósicos”, Publicado na Revista da Madeira nº 89 abril 2005 pag. 100-106,
(QUIRINO, W; VALE, A; ANDRADE; A et al).
9,33 9,04 8,15 7,70 7,48 8,34 Sul Norte Centro
Oeste Nordeste Sudeste Total kg/ dia/ domicílio N NE SE CO S Total 310 (64,4%) 233 (48,5%) 413 (85,3%) 300 (62,9%) 464 (96,1%) 1547 (64,2%) Base: famílias que usam lenha e outro(s) combustível no domicílio
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
119
Na região Norte há a menor concentração em um só tipo de madeira, com nenhuma madeira
passando de 7%. No Nordeste destaca-se a Jurema e no Centro-Oeste o Angico.
Na região Sudeste, o Eucalipto e o Café dividem o posto de madeira mais utilizada. No Centro-
Oeste, o Angico e a Aroeira são os mais utilizados.
RegiãoNome da madeira%PCS (kcal/kg)
Murici
6,4%
4.771 - 4.844
Araçá
5,0%
N.D.
Angico
4,7%
4.682 - 5.324
Massaranduba
3,9%
4.793
Ipê
3,6%
4.760
Ingá (Ingá-Cumaru)
2,8%
4.680
Cachamorra
2,2%
N.D.
Acapu
2,2%
N.D.
Goiabeira (Goiabeira Brava)
2,2%
4.592
Várias
4,2%
Outras (< 2%) 53,2%
NS 9,5%
Jurema (bracatinga) 17,4% 4.589 - 4.890 Angico 7,5% 4.682 - 5.324 Catingueira 7,2% N.D. Vaqueta 7,2% N.D. Marmeleira 6,4% N.D. Cajueiro 5,3% N.D. Aroeira 4,3% 4.580 - 4.600 Murici 4,0% 4.771 - 4.844 Cravo 2,4% N.D. Outras (< 2%) 34,7%
NS 3,7%
NE
N
RegiãoNome da madeira%PCS (kcal/kg)
Eucalipto
18,0%
4.217 - 5.023
Café
16,3%
N.D.
Lenha do Cerrado
8,9%
N.D.
Angico
7,9%
4.682 - 5.324
Canudo de Pito
3,7%
N.D.
Aroeira
3,1%
4.580 - 4.600
Pindaíba
2,7%
4.615
Piúna (Ipê-roxo)
2,1%
4.655
Várias
2,7%
Outras (< 2%) 29,5%
NS 5,2%
Angico
16,6%
4.682 - 5.324
Aroeira
5,0%
4.580 - 4.600
Tingui
4,8%
N.D.
Amescla (Breu sucuruba)
4,2%
4.606
Murici
4,2%
4.771 - 4.844
Capitão (do campo)
3,6%
4.770
Guaratan
3,6%
N.D.
Sobro
2,9%
N.D.
Cumaru
2,7%
4.810
Goiabeira (goiabeira brava)
2,7%
4.592
Mangueira
2,7%
N.D.
Pororoca
2,1%
N.D.
Várias
2,3%
Outras (< 2%) 34,0%
NS 8,4%
SE CO
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
120 Na região Sul a madeira mais utilizada é no Eucalipto (40,5%), que em geral vem de áreas de reflorestamento. O total ponderado da amostra para o Brasil mostra que o eucalipto é o mais utilizado, seguido pelo Angico e depois pela Jurema, chamada em outras regiões de Bracatinga.
Região Nome da madeira % PCS (kcal/kg) Eucalipto 40,5% 4.217 - 5.023 Bracatinga 8,1% 4.589 - 4.890 Uva do Japão 7,5% N.D. Angico 6,1% 4.682 - 5.324 Canela 4,8% N.D. Café 3,5% N.D. Pinus 2,3% 4786 - 5.057 Laranjeira 2,3% N.D. Outras (< 2%) 20,5%
NS 4,4%
Eucalipto 9,6% 4.217 - 5.023 Angico 8,4% 4.682 - 5.324 Jurema (bracatinga) 6,1% 4.589 - 4.890 Aroeira 3,5% 4.580 - 4.600 Vaqueta 3,2% N.D. Murici 3,1% 4.771 - 4.844 Café 3,0% N.D. Catingueira 2,9% N.D. Marmeleira 2,6% N.D. Cajueiro 2,2% N.D. Várias 1,7%
Outras (< 2%) 48,1%
NS 5,5%
Total S
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
121 F.8.8 PARA QUAIS ATIVIDADES A FAMÍLIA UTILIZA A LENHA? Em 100% dos domicílios a lenha é utilizada para a cocção e preparo de alimentos para a família. O principal uso secundário nas regiões N, NE e CO é o preparo de alimentos para animais e o aquecimento de água para banho. Na região Sul o segundo uso mais expressivo é aquecer a casa, e no Sudeste o segundo uso mais frequente é para aquecer água para banho.
F.8.9 EM CONSIDERAR O PAGAMENTO COM O TRANSPORTE, A FAMÍLIA COMPRA OU APANHA LENHA? Em grande parte dos domicílios verificou-se que a lenha é apenas apanhada e não comprada, chegando a 90% no total Brasil. Nas regiões N, CO e S, o percentual que só apanha ainda ultrapassa os 90%. Já NE e SE apresentam um percentual de quase 10% de domicílios onde a lenha é só comprada.
Utilização de lenha Norte Nordeste Sudeste Centro- Oeste Sul Total Cozinhar ou preparar alimentos para a família 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% Preparar alimentos para animais 36,5% 40,8% 16,5% 52,1% 33,3% 37,5% Aquecer a água para o banho 16,2% 27,5% 39,7% 14,9% 3,3% 21,5% Aquecer a casa 4,7% 0,0% 9,7% 2,5% 64,6% 13,5% Ferver a água para beber 4,2% 2,7% 2,9% 3,2% 10,4% 4,3% Ferver roupas 6,4% 2,1% 2,9% 5,9% 3,4% 3,7% Base: apenas famílias que utilizam lenha 359 (74,6%) 375 (78,1%) 484 (100%) 473 (99,4%) 480 (99,4%) 2080 (86,4%) 90,7% 98,6% 95,6% 91,7% 87,5% 86,0% 6,8% 0,8% 3,6% 6,5% 9,3% 9,1% 2,3% 0,3% 0,8% 1,9% 2,9% 4,5% Total Norte Centro- Oeste Sul Nordeste Sudeste Só apanha Só compra Compra e apanha NNESECOSTotal 359 (74,6%) 375 (78,1%) 484 (100%) 473 (99,4%) 480 (99,4%) 2080 (86,4%) Base: famílias que usam lenha
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
122
*o % faltante para que a soma de cada região feche em 100% corresponde aos entrevistados
que não souberam responder à questão.
F.8.10 QUAIS DIFICULDADES ENFRENTADAS PARA CONSEGUIR LENHA?
As famílias que utilizam lenha encontram uma série de problemas para ter acesso ao
energético, sendo os principais relacionados à escassez de lugares para apanhar a lenha e à
escassez da própria lenha. Estas dificuldades são ainda mais expressivas na região Centro-
Oeste. A dificuldade de transporte e a falta de vendedores também são problemas relevantes
em todas as regiões.
A fiscalização do governo aparece como outro problema nas regiões Norte, Sudeste, Centro-
Oeste e Sul. No Nordeste, o preço da lenha é um grande empecilho para quase 50% das
famílias. A região Sul é onde as famílias têm menos dificuldades para conseguir lenha, nenhum
dos problemas foi citado por mais de 50%.
F.8.11 QUAIS DIFICULDADES ENFRENTADAS PARA CONSEGUIR LENHA?
Dificuldades relacionadas ao preço da lenha X famílias que compram ou apanham lenha
Dentre as famílias que disseram ter dificuldades para conseguir lenha pois a lenha é muito cara, 85,2% apanham lenha e 14% compra lenha mesmo assim, ou compra e apanha lenha. Dificuldades para obtenção de lenha Norte Nordeste Sudeste Centro- Oeste Sul Total Existem poucos lugares para apanhar a lenha 57,7% 54,1% 56,4% 62,8% 40,2% 53,9% A lenha está acabando/escassez 57,9% 55,7% 55,2% 60,5% 25,0% 51,4% O transporte é difícil 57,7% 52,5% 56,4% 47,9% 33,5% 49,6% Existem poucos vendedores 50,7% 45,9% 46,1% 46,6% 48,5% 47,1% Fiscalização de órgão do governo 37,0% 15,7% 37,2% 35,5% 41,0% 28,9% A lenha é muito cara 22,3% 49,1% 35,7% 19,5% 41,5% 37,9% Outros 9,2% 9,9% 9,1% 3,2% 1,2% 3,7% Base: apenas famílias que utilizam lenha 359 (74,6%) 375 (78,1%) 484 (100%) 473 (99,4%) 480 (99,4%) 2080 (86,4%) SimNãoNS/NRTotal Compra a lenha11,0%4,3%0,3%6,0% Apanha a lenha85,2%93,9%98,7%91,7% Compra e apanha a lenha3,8%1,5%0,6%2,2% Não sabe0,0%0,3%0,3%0,2% Total33,5%52,0%14,4%100,0% Dificuldade para conseguir lenha devido ser muito cara Forma de aquisição da lenha
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
123
F.9 CONSUMO DE LENHA FAMÍLIAS QUE COMPRAM O ENERGÉTICO
A compra de lenha não é comum entre as famílias – apenas 7,8% disseram ter que pagar pelo
energético que consomem. Isso confirma a lenha como um energético predominantemente não
comercial, acessível às famílias independente de sua renda familiar.
F.9.1 CONTEÚDOS DO BLOCO:
Origem da lenha comprada
Tipo de vendedor
Forma de transporte da lenha
Frequência anual de compra da lenha
Valor gasto a cada compra
F.9.2 COSTUMAM COMPRAR LENHA DE ÁREA NATIVA OU DE REFLORESTAMENTO?
Entre as famílias que compram lenha, a maior parte compra de áreas nativas ou roças.
Nas regiões Sudeste e Sul há percentual expressivo que compra madeiras de áreas de
reflorestamento, chegando a quase 2/3 no Sul.
Origem da lenha Norte Nordeste Sudeste Centro- Oeste Sul Total Área nativa 25,0% 87,0% 60,6% 42,9% 72,5% 74,9% Roças 100,0% 52,2% 60,6% 47,6% 40,0% 52,3% Área de reflorestamento 0,0% 6,5% 33,3% 9,5% 67,5% 21,7% Beira de estrada 0,0% 19,6% 7,6% 9,5% 12,5% 14,9% Mourões 0,0% 6,5% 13,6% 4,8% 10,0% 8,3% Outros 0,0% 6,5% 4,5% 19,0% 0,0% 3,0% Base: apenas famílias que compram lenha 4 (0,8%) 46 (9,6%) 66 (13,6%) 21 (4,4%) 39 (8,4%) 189 (7,8%)
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
124 F.9.3 COM QUEM A FAMÍLIA COMPRA LENHA? Grande parte das famílias que compra lenha o faz com um vendedor que vai de porta em porta.
No Nordeste e no Sul aparecem os maiores percentuais de famílias que compram lenha no comércio, quase 30% do total.
F.9.4 COMO A LENHA É TRANSPORTADA ATÉ A CASA? A maior parte das famílias que compram lenha disseram que o vendedor entrega nas casas. A quantidade transportada por carroça é expressiva no Sudeste e no Nordeste, sendo no Nordeste também significativa a utilização de cavalo ou burro. No Centro-Oeste, o percentual de transporte com automóvel é alto.
71,3% 80,3% 75,0% 69,6% 57,1% 50,0% 23,3% 12,1% 25,0% 28,3% 19,0% 1,2% 6,1% 4,1% 1,5% 2,2% 23,8% 50,0% Total Sudeste Sul Nordeste Centro
Oeste Norte Vendedor de porta em porta No comércio Comércio e vendedor de porta em porta Não sabe N NE SE CO S Total 4 (0,8%) 46 (9,6%) 66 (13,6%) 21 (4,4%) 39 (8,4%) 189 (7,8%) Base: apenas famílias que compram lenha Como a lenha é transportada até as residênciasNorteNordesteSudeste Centro- Oeste SulTotal O comércio ou vendedor entregam 50,0%50,0%65,2%42,9%62,5%54,3% Carroça 25,0%37,0%33,3%14,3%22,5%32,0% Cavalo ou Burro 0,0%39,1%12,1%0,0%0,0%23,8% Carro 25,0%10,9%16,7%42,9%25,0%17,0% Manualmente/ cabeça/ na mão 25,0%6,5%9,1%0,0%0,0%5,8% Bicicleta 25,0%4,3%1,5%0,0%0,0%3,1% Outros0,0%6,5%13,6%4,8%19,2%7,2% Base: apenas famílias que compram lenha 4 (0,8%) 46 (9,6%) 66 (13,6%) 21 (4,4%) 39 (8,4%) 189 (7,8%)
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
125 F.9.5 EM MÉDIA, QUANTAS VEZES POR ANO A FAMÍLIA COMPRA LENHA PARA USAR EM CASA?
EM MÉDIA, QUANTO GASTA CADA VEZ QUE COMPRA ESSA QUANTIDADE DE LENHA?
4,19 4,94 4,57 3,00 2,35 1,33 3,00 3,00 3,00 2,00 2,00 1,00 Total Sudeste Nordeste Sul Centro
Oeste Norte Média Mediana R$ 25,00 R$ 35,00 R$ 50,00 R$ 80,00 R$ 120,00 R$ 50,00 R$ 25,00 R$ 53,89 R$ 57,79 R$ 99,00 R$ 320,26 R$ 100,79 Norte Nordeste Sudeste Centro-Oeste Sul Total Média Mediana
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
126
As famílias que compram lenha o fazem cerca de 4,2 vezes por ano, sendo esta a média geral.
O gasto médio a cada compra é de R$100,79. Nas regiões Nordeste e Sudeste estão as maiores
frequências médias de compra de lenha. Na região Sul está a maior média de gasto a cada
compra. Contudo, se considerarmos as duas variáveis, quantidades de vezes por ano que
consome e valor gasto a cada compra, o valor gasto no Sul é o maior seguido do Centro-Oeste
e do Sudeste.
F.10 CONSUMO DE LENHA FAMÍLIAS QUE APANHAM O ENERGÉTICO
A lenha em geral é apanhada em áreas nativas ou no quintal de casa. Na região Sul há
expressiva coleta em áreas de reflorestamento, relacionando-se com o uso frequente de
eucalipto nesta região. Grande parte das famílias apanha galhos secos.
F.10.1 CONTEÚDOS DO BLOCO:
Local onde apanha a lenha
Tipo de local onde apanha a lenha
Tipo de galhos que apanha
Frequência semanal que apanha a lenha
F.10.2 LOCAL ONDE A FAMÍLIA COSTUMA APANHAR LENHA
Nas regiões Norte e Centro-Oeste predominam as famílias que apanham lenha no quintal de
casa, mas a participação da área nativa também é grande. No Sudeste há praticamente o
mesmo percentual de lenha apanhada no quintal e em área nativa, além da presença
significativa das áreas de reflorestamento e terrenos vizinhos. Na região Nordeste mais de 90%
apanha lenha em área nativa e metade no quintal de casa.
Na região Sul as famílias apanham lenha de áreas nativas, do quintal de casa e de áreas de reflorestamento com percentuais bem próximos. Local onde a lenha é apanhada Norte Nordeste Sudeste Centro- Oeste Sul Total Área nativa 64,2% 92,0% 54,8% 63,6% 73,7% 75,5% Quintal de casa 86,8% 50,4% 56,8% 80,4% 70,2% 64,5% Terreno de vizinho 24,8% 28,3% 33,3% 13,5% 9,6% 22,8% Área de reflorestamento 2,8% 1,5% 28,1% 3,1% 62,8% 16,1% Outros 16,1% 4,7% 13,2% 11,8% 1,8% 4,8% Base: famílias que apanham lenha 355 (73,8%) 339 (70,6%) 438 (90,5%) 459 (96,2%) 449 (92,9%) 1934 (80,3%)
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
127
F.10.3 TIPO DE LOCAL ONDE A FAMÍLIA APANHA A LENHA
Predomina a coleta de lenha em áreas de cultura ou com pouca vegetação em todas as regiões.
Com destaque para a região Sul, que apresenta percentual de quase 80%. No Centro Oeste há
percentual expressivo de coleta também em áreas destruídas. E nas demais regiões – Norte,
Nordeste, Sudeste e Sul, há percentual expressivo de coleta em áreas de floresta.
F.10.4 A FAMÍLIA APANHA LENHA (GALHOS) SECA OU VERDE? A grande maioria das famílias apanha galhos secos. Nas regiões Sul e Nordeste aparecem os únicos percentuais expressivos, de 25,4% e 10,6%, de uso de galhos secos e verdes.
Local onde a lenha é apanhada Norte Nordeste Sudeste Centro- Oeste Sul Total Área de Cultura 59,2% 59,9% 46,3% 49,0% 79,7% 59,6% Área com pouca vegetação 54,4% 64,9% 40,4% 45,3% 33,4% 51,4% Área de floresta 25,9% 31,9% 36,8% 9,8% 32,5% 28,0% Área de cercas vivas 3,4% 8,8% 4,6% 0,4% 2,8% 5,1% Área destruída 25,9% 10,0% 18,3% 43,4% 0,0% 0,0% Outros 12,1% 1,8% 11,5% 23,3% 18,5% 16,0% Base: famílias que apanham lenha 355 (73,8%) 339 (70,6%) 438 (90,5%) 459 (96,2%) 449 (92,9%) 1934 (80,3%) 89,7% 98,7% 98,0% 95,9% 88,5% 72,8% 0,5% 0,7% 9,4% 1,3% 2,0% 2,7% 10,6% 25,4% Total Centro-Oeste Norte Sudeste Nordeste Sul Galhos secos Galhos verdes Galhos secos e verdes N NE SE CO S Total 355 (73,8%) 339 (70,6%) 438 (90,5%) 459 (96,2%) 449 (92,9%) 1934 (80,3%) Base: famílias que apanham lenha
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
128 F.10.5 EM MÉDIA, QUANTAS VEZES POR SEMANA ALGUÉM DA FAMÍLIA APANHA A LENHA PARA USO NA CASA? Nesta questão há um padrão entre as diversas regiões: grande parte das famílias apanham lenha entre 1 e 2 vezes por semana, com mediana de 1 vez por semana.
F.11 CONSUMO DE CARVÃO VEGETAL
O carvão vegetal é um energético presente apenas nas regiões Norte e Nordeste. Nas demais
regiões, é praticamente inexistente o uso do carvão. É mais um indício de que lenha e carvão
ocupam o mesmo lugar como energéticos, sendo que grande parte das famílias utilizam um ou
o outro. O uso do carvão vegetal é praticamente diário. A diferença no perfil de consumo em
relação à lenha, é que o índice de famílias que compram o carvão vegetal é bem maior,
chegando a quase 50% aquelas que afirmaram pagar pelo energético.
F.11.1 CONTEÚDOS DO BLOCO:
Frequência mensal de uso do carvão vegetal
Quantidade de carvão utilizada por dia
Consumo médio per capita
Emprego do carvão vegetal
Forma de obtenção do carvão
Dificuldades para obtenção do carvão vegetal
1,85
1,71
1,47
1,47
1,37
1,60
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
1,00
Norte
Nordeste
Sudeste
Centro
Oeste Sul Total Dias/ semana Média Mediana N NE SE CO S Total 355 (73,8%) 336 (70%) 430 (88,8%) 459 (96,2%) 448 (92,7%) 1922 (79,8%) Base: famílias que apanham lenha e responderam esta questão
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
129
F.11.2 EM MÉDIA, QUANTOS DIAS POR MÊS A FAMÍLIA COSTUMA USAR CARVÃO
VEGETAL?
Em média, as famílias que utilizam o carvão vegetal o fazem cerca de três semanas (21 dias)
por mês, com exceção do Sul e do Sudeste. Nestas regiões, o uso é bastante restrito, não
passando de 4 dias/mês em média. A região Nordeste possui a maior média de utilização, com
mediana de 30 dias por mês.
F.11.3 QUANTIDADE DE CARVÃO USADA POR DIA EM CADA DOMICÍLIO (EM KG) A média Brasil é de 3,34 kg de carvão utilizados por dia. O maior consumo diário de carvão vegetal nas regiões em que o uso é expressivo (NE, N e S), aparece no NE, com 3,54 kg/dia.
23,7 22,0 17,7 3,9 2,0 21,5 30,0 25,0 16,0 4,0 2,0 30,0 Nordeste Centro
Oeste Norte Sul Sudeste Total Dias/ mês Média Mediana N NE SE CO S Total 165 (34,3%) 142 (29,6%) 1 (0,2%) 4 (0,8%) 20 (4,2%) 455 (18,9%) Base: famílias que usam carvão vegetal e responderam à questão 24 4,15 3,54 3,51 2,80 1,67 3,34 4,15 3,00 3,00 1,70 2,00 3,00 Sudeste Nordeste Sul Norte Centro
Oeste Total Kg/ dia Média Mediana NNESECOSTotal Domicílios que não permitiram a pesagem do carvão vegetal 020206 Base: famílias que usam carvão vegetal e permitiram a pesagem 165 (34,3%) 141 (29,3%) 1 (0,2%) 3 (0,6%) 20 (4,2%) 452 (18,7%)
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
130
F.11.4 CONSUMO MÉDIO DIÁRIO PER CAPITA DE CARVÃO VEGETAL
Nas regiões Nordeste e Norte estão as maiores médias per capita de consumo de carvão/dia,
sendo também as duas regiões com consumo mais expressivo.
F.11.5 PARA QUAIS ATIVIDADES A FAMÍLIA UTILIZA O CARVÃO VEGETAL?
Todos os domicílios utilizam carvão principalmente para preparo de alimentos para consumo da
família. Em segundo lugar aparece o uso de carvão para preparo de alimentos para os animais.
F.12 RESULTADOS DA PESQUISA E APLICAÇÃO DAS VARIÁVEIS ENCONTRADAS NO MODELO DE
ESTIMAÇÃO
A pesquisa “Consumo domiciliar de lenha e carvão vegetal no Brasil” revelou o perfil de
consumo destes energéticos em municípios brasileiros com até 60% de urbanização.
A lenha predomina sobre o carvão vegetal como combustível para fogões e fornos, sendo que o
uso do carvão ganha expressividade apenas nas regiões Norte e Nordeste, sendo utilizado por
19% das famílias da amostra Brasil.
1,14
1,11
0,97
0,83
0,67
1,12
Nordeste
Norte
Sul
Sudeste
Centro
Oeste Total Kg/ dia/ pessoa N NE SE CO S Total 165 (34,3%) 141 (29,3%) 1 (0,2%) 3 (0,6%) 20 (4,2%) 452 (18,7%) Base : famílias que usam carvão vegetal e permitiram a pesagem Utilização de carvão vegetalNorteNordesteSudeste Centro- Oeste SulTotal Cozinhar ou preparar alimentos para a família 100,0%100,0%100,0%100,0%100,0%100,0% Preparar alimentos para os animais 10,2%18,1%100,0%40,0%0,0%15,7% Ferver a água para beber 7,2%2,8%0,0%0,0%0,0%3,8% Aquecer a água para o banho 3,0%4,2%100,0%0,0%0,0%3,8% Ferver roupas 1,2%4,9%0,0%0,0%0,0%3,7% Aquecer a casa 2,4%0,7%100,0%0,0%0,0%1,2% Base: famílias que utilizam carvão vegetal 166 (34,5%) 144 (30%) 1 (0,2%) 5 (1%) 20 (4,3%) 461 (19,1%)
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
131 Já a lenha é consumida em 96% dos domicílios pesquisados, sendo de quase 90% o índice de consumo exclusivo de lenha, sem combinação com o carvão vegetal. A finalidade da utilização de ambos os energéticos é sempre o cozimento de alimentos para a família, e secundariamente também para os animais. A lenha é bastante utilizada na região Sul para a calefação, e no Sudeste há um uso expressivo do combustível para aquecer água para banho. Ressalta-se que na grande maioria dos domicílios pesquisados há a presença do fogão à gás junto com o outro tipo de fogão (à lenha ou carvão). Nas regiões SE, S, N e CO, há cerca de 90% de domicílios que possuem fogão à gás, sendo a região Nordeste a única onde 20% não utilizam o eletrodoméstico. Em todas as questões propostas, em especial quando se trata de renda, perfis de gasto e características das famílias e domicílios, há grande diferença entre as 5 regiões do Brasil, tendo, quase sempre, o Sul em um extremo e o Nordeste no outro. As tabelas abaixo apresentam os resultados obtidos para as variáveis de interesse.
NE SE CO N S Quantidade de domicílios que utilizam só lenha 73 50 21 15 13 229 Quantidade de domicílios que utilizam só carvão vegetal 23 0 0 5 0 55 Quantidade de domicílios que utilizam lenha ou lenha e carvão 375 484 476 359 480 2080 Quantidade de domicílios que utilizam carvão vegetal ou carvão e lenha; 144 1 5 166 20 336 Quantidade de domicílios que utilizam lenha e outro combustível para cocção exceto carvão vegetal 302 434 455 344 467 1851 Quantidade de domicílios que utilizam carvão vegetal e outro combustível para cocção 121 1 5 161 20 406 Variáveis Região Total Brasil
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
132
NE SE CO N S Consumo específico médio de lenha, para consumidor exclusivo de lenha em Kg/ domicílio/ dia 9,57 10,79 14,28 11,96 10,30 10,84 Consumo específico médio de lenha, para consumidor de mais de um combustível para cocção, em Kg/ domicílio/ dia 9,22 9,23 10,03 11,03 11,18 9,90 Consumo específico médio total de lenha em Kg/ domicílio/ dia 9,29 9,39 10,21 11,07 11,16 9,98 Consumo total de lenha, para consumidor exclusivo de lenha em Kg/ dia 698,32 517,78 299,86 179,33 133,91 2315,48 Consumo total de lenha, para consumidor de mais de um combustível para cocção, em Kg/ dia; 2775,27 3921,88 4531,62 3783,03 5213,22 18353,52 Consumo total de lenha na região em Kg/ dia 3473,59 4439,66 4831,48 3962,36 5347,13 20669,00 Teor de umidade médio da lenha utilizada, em % 14,06 16,22 9,04 13,39 17,60 14,05 Variância do consumo específico de lenha para consumidor exclusivo de lenha 11,95 25,41 268,88 40,03 62,11 61,56 Variância do consumo específico de lenha, para consumidor de mais de um combustível para cocção; 28,89 73,51 61,14 73,51 64,15 50,34 Variáveis Região Total Brasil NE SE CO N S Consumo médio de lenha na região em Kg/ domicílio/ dia - Base seca - consumidor exclusivo de lenha 8,29 9,30 15,06 10,92 8,11 9,75 Consumo médio de lenha na região em Kg/ domicílio/ dia - Base seca - consumidor de mais de um combustível para cocção 7,70 7,48 8,15 9,04 9,33 8,18 Consumo médio de lenha percapita para consumidor exclusivo de lenha em Kg/ domicílio/ dia - Base seca 3,06 4,60 6,02 4,23 5,60 4,21 Consumo médio de lenha percapita
para consumidor de mais de um combustível para cocção em Kg/ domicílio/ dia - Base seca 3,56 2,93 2,72 2,92 3,78 3,31 Consumo médio de lenha percapita total em Kg/ domicílio/ dia - Base seca 3,46 3,10 2,89 2,98 3,83 3,33 Consumo médio total de lenha na região em Kg/ domicílio/ dia - Base seca 7,81 7,66 8,50 9,13 9,30 8,31 Consumo total de lenha em Kg/ dia - Base seca 2257,38 3508,99 2686,69 2966,62 4434,80 14472,34 Variáveis Região Total Brasil
NT-EPE-DEA-SEE 016/2021 | CONSUMO DE LENHA E CARVÃO VEGETAL – SETOR RESIDENCIAL BRASIL
133
NE SE CO N S Consumo específico médio de carvão vegetal por domicilio em Kg/ domicílio/ dia 3,54 4,15 1,00 2,80 3,51 3,14 Consumo específico médio de carvão vegetal para consumidor exclusivo de carvão vegetal Kg/ domicílio/ dia 3,93 0,00 0,00 3,03 0,00 2,20 Consumo total de carvão vegetal , para consumidor exclusivo de carvão vegetal em Kg/ dia 90,42 0,00 0,00 15,17 0,00 214,29 Consumo total de carvão vegetal , para consumidor de mais de um combustível para cocção em Kg/ dia 409,26 4,15 5,00 447,01 70,20 1296,87 Consumo total de carvão vegetal na região em Kg/ dia 499,68 4,15 5,00 462,18 70,20 1511,16 Variância do consumo específico de carvão vegetal para consumidor exclusivo de carvão 14,65
1,15
16,90 Variância do consumo específico de carvão vegetal para c onsumidor de mais de um combustível para cocção 6,74
1,00 11,58 0,49 6,12 Variáveis Região Total Brasil NE SE CO N S 375 490 476 359 480 2084 6,06 5,71 5,06 5,30 6,13 5,79 378 454 459 456 471 2119 6,61 6,11 6,64 6,54 6,45 6,53 0 0 9 0 0 6 0 0 1,88 0 0 0,27 Região Total Brasil Tipo de fogão Lenha Quantidade Frequência de uso GLP Quantidade Frequência de uso Elétrico Quantidade Frequência de uso Variáveis Dispositivos (aparelhos) usados para a combustão NESECONS compra9,00%9,10%3,57%0,84%6,45%6,71% apanha88,00%86,16%95,59%98,88%91,70%91,06% compra e apanha3,00%4,50%0,84%0,28%1,90%2,32% área nativa90,93%55,60%62,60%63,79%73,30%76,38% reflorestamento2,13%29,54%29,83%2,78%62,70%18,45% compra44,40%0,00%40,00%43,97%60,00%40,91% produz50,00%100,00%60,00%51,81%40,00%56,09% compra e produz5,55%0,00%0,00%4,22%0,00%3,10% área nativa88,19%0,00%20,00%86,75%100,00%69,84% reflorestamento0,70%0,00%20,00%7,23%75,00%15,43% RegiãoTotal Brasil Fonte de abastecimento de carvão Fonte de abastecimento de lenha Variáveis