Previsões de carga para o Planejamento Anual da Carga 2021-2025
02 de dezembro de 2020
- Apresentação
Este informe tem como objetivo apresentar os principais resultados das previsões de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) para o período 2021-2025, no âmbito da Planejamento Anual da Carga (PLAN 2021-2025), realizadas em conjunto por Empresa de Pesquisa Energética – EPE, Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE. As projeções foram atualizadas tomando como base a avaliação da conjuntura econômica e o monitoramento do consumo até setembro e da carga até outubro de 2020, no contexto da pandemia da COVID-19, através das Resenhas Mensais de Energia Elétrica da EPE, dos Boletins de Carga Mensais do ONS e dos InfoMercados Mensais da CCEE, bem como dos desvios entre os valores observados da carga e suas respectivas projeções elaboradas na 2ª Revisão Quadrimestral do ciclo de Planejamento Anual da Operação Energética 2020-2024. - Panorama econômico
A pandemia do novo coronavírus (COVID-19) continua impactando a economia, ainda que grande parte dos efeitos negativos tenham se concentrado no segundo trimestre deste ano. Desde maio, grande parte dos indicadores econômicos apresentaram bons resultados que contribuíram para uma recuperação, na margem, da atividade econômica no terceiro trimestre. No entanto, é importante ressaltar que ainda há muita incerteza em relação aos impactos de uma segunda onda de contágio da COVID-19 e da retirada do auxílio emergencial, bem como sobre a disponibilidade da vacina e a velocidade de recuperação econômica no próximo ano, o que torna o trabalho de construção de cenários econômicos ainda mais complexo, gerando riscos para a concretização do cenário adotado neste estudo. Para o ano de 2020, os dados realizados até então se apresentam compatíveis com a expectativa de PIB da 2ª Revisão Quadrimestral, por esse motivo foi mantida a projeção de queda de -5% a.a. Dentre os principais resultados divulgados até então, destacam-se os dados do IBC-BR que mostraram que a atividade econômica cresceu, na margem, 9,47% no terceiro trimestre, ainda que quando comparado ao mesmo período do ano anterior tenha caído 3%, bem como os números da PIM/PF e PMC, ambas do IBGE, que revelaram que a produção industrial e as vendas no comércio varejista já recuperaram as quedas decorrentes da pandemia. Por outro lado, o setor de serviços e o mercado de trabalho continuam anotando resultados mais fracos. A PMS do IBGE mostra que o setor vem recuperando de forma mais lenta que os demais, por ser muito afetado pelas medidas de isolamento social. No tocante ao mercado de trabalho, a taxa de desocupação atingiu 14,6% no trimestre móvel encerrado em setembro – patamar mais elevado da série histórica da PNADC que se inicia em 2012 – com perspectiva de continuidade de crescimento à medida que as pessoas voltem a procurar emprego. O melhor desempenho da economia no fim de 2020 deve gerar um carregamento estatístico de 2,5% para o PIB do ano que vem, o que levou à uma revisão da projeção de 2021 de 2,3% para 3,3%. Vale frisar que neste ano, haverá muita incerteza em relação à situação fiscal do país e espera-se que o mercado de trabalho ainda esteja afetado pela crise, o que pode influenciar na tomada de decisão dos agentes tanto para consumo quanto investimento e, consequentemente, impactar na trajetória de recuperação da economia. A partir de 2022, espera-se que um ambiente econômico mais estável propicie uma elevação da confiança dos agentes, recuperação do mercado de trabalho e expansão da demanda doméstica. A maior estabilidade econômica permitirá uma retomada mais significativa dos investimentos nos próximos anos, com destaque para o setor de infraestrutura, gerando efeitos positivos sobre a produtividade da economia Diante desse contexto, espera-se que a economia cresça, em média, 3% a.a. entre 2021 e 2025. Em termos setoriais, a perspectiva é de médias de crescimento de 2,9% para a agropecuária, de 3,5% para a indústria e de 2,9% para serviços. A Tabela 1, ao final deste Boletim, resume as taxas de crescimento de PIB para o período 2021-2025. - Previsão de mercado de energia elétrica O período janeiro-setembro fechou com queda de 2,7% do consumo no SIN com relação ao mesmo período de 2019. Em meados de março/2020, começaram a ser registrados em território nacional medidas de isolamento social relacionadas à pandemia do COVID-19. O vale da crise nas estatísticas de consumo manifestou-se no segundo trimestre, registrando quedas consecutivas em relação aos mesmos meses do ano anterior de 6,6%, 11,0% e 7,3%. Entretanto, os meses de agosto e setembro apresentaram crescimento do consumo quando comparados aos respectivos meses de 2019. Tais movimentos resultam do conjunto de distintos efeitos nas classes de consumo. Com as medidas restritivas de combate a disseminação do vírus, as classes comercial e industrial operaram em baixos níveis de atividade. Em alguns casos estabelecimento/plantas paralisaram as operações, sobretudo os serviços não essenciais. Com isso estas classes registraram taxas acumuladas até junho de -11,4% e -6,2%, respectivamente. Por outro lado, a maior permanência das pessoas em casa levou ao aumento da autoconstrução aquecendo segmentos industriais fornecedores de insumos básicos da construção, corroborando taxas (mês contra mês do ano anterior) positivas da indústria em agosto e setembro. Adicionalmente, mais horas em ambiente domiciliar levaram ao aumento da posse e a intensificação no uso dos eletrodomésticos registrando, conjuntamente ao acréscimo de novas unidades residenciais, crescimento do consumo da classe residencial acumulado até setembro de 3,1% em relação ao mesmo período de 2019. A previsão do consumo na rede do SIN para o ano de 2020 é de retração de 1,6%, dado o cenário econômico adotado e a manutenção do ritmo de retomada do consumo em cada classe e subsistema observado até então. Além disso considera-se continuidade da retomada de plantas eletrointensivas, sobretudo no Norte e Nordeste do país. Em 2021, há premissa de encerramento da política de auxílio emergencial, tornando mais evidente o efeito de deterioração da renda. Adicionalmente, a retomada dos profissionais aos seus postos físicos de trabalho, leva à redução das horas de uso de seus eletrodomésticos, corroborando para crescimento de apenas de 0,4% do consumo da classe residencial. Estima-se para comércio e indústrias as respectivas taxas de 6,9% e 4,4%, frente a base baixa de 2019, premissa de continuidade da retomada de planta eletrointensiva no Nordeste, bem como da retomada das economias internacionais intensificando a demanda atual pelas commodities brasileiras. Para o restante do horizonte, no entanto, foram mantidas as premissas definidas na 2ª Revisão Quadrimestral.
- Evolução da Carga do SIN e Subsistemas no período janeiro-julho/2020 Considerando os valores verificados da carga de energia de janeiro a outubro, valor estimado para novembro e a previsão para o mês de dezembro realizada no PMO de dezembro/2020, a carga de energia do SIN registra, no período janeiro-dezembro/2020, decréscimo de 1,5% sobre igual período de 2019.
Previsões de carga para o Planejamento Anual da Carga 2021-2025
02 de dezembro de 2020 A crise da pandemia do novo coronavírus (COVID-19) apresentou impacto significativo no comportamento da carga, cujo reflexo se deu com maior intensidade nos meses de abril e maio/20. Adicionalmente, as altas temperaturas registradas nas regiões Sul e Sudeste em 2019, em contraponto às observadas no ano corrente colaboraram para redução da carga do SIN em janeiro (-3,4%) e fevereiro (-1,0%). Para os meses subsequentes, apesar do efeito calendário, sobretudo do Carnaval e da Semana Santa, os impactos mais relevantes são os oriundos da proliferação do COVID-19 e consequentemente, das medidas restritivas para conter o avanço da doença, levando às taxas para março, abril e maio de -0,7%, -11,7% e -10,4%, respectivamente. A partir de junho já foram observados sinais de recuperação na carga, se intensificando a partir de julho. As altas temperaturas observadas em setembro em praticamente todos os subsistemas, contribuíram para a ocorrência da maior taxa de crescimento do ano, 3,8%. Em outubro, apesar das temperaturas amenas ocasionadas pelas passagens de frentes frias, acompanhadas de chuvas e, principalmente nos Subsistemas Sudeste e Sul, o mês apresentou a segunda maior taxa de crescimento do ano. Esse comportamento foi sustentado principalmente pela flexibilização das medidas de isolamento social, o que ocasionou um aumento gradual das atividades econômicas, com consequente início de recuperação dos efeitos adversos da pandemia.
- Previsão da carga de energia 2021-2025
A carga de energia do SIN prevista para o ano de 2020 deverá retrair
1,5% relativamente ao ano anterior, ou seja, 1.043 MWmédios inferior
à carga verificada em 2019, situando-se 1.019 MWmédios abaixo do
valor previsto na 2ª Revisão Quadrimestral da carga para o
Planejamento Anual da Operação Energética 2020-2024.
No período 2021-2025, prevê-se um crescimento médio anual da carga de energia do SIN de 3,6% ao ano, significando uma expansão média anual nos cinco anos de 2.561 MWmédios atingindo em 2025 uma carga de 79.600 MWmédios no SIN. As Tabelas 2, 3 e 4, a seguir, resumem os valores previstos da carga de energia em MWmédios, as taxas de crescimento resultantes e os respectivos acréscimos de carga anuais por subsistema. A Tabela 5 mostra as diferenças entre as previsões de carga de energia, por subsistemas do SIN, para o PLAN 2021-2025 e para a 2ª Revisão Quadrimestral de 2020 da carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2020-2024.
TABELAS ANEXAS
Tabela 1
202020212022202320242025
-5,0%3,3%2,8%2,8%2,9%3,0%
202020212022202320242025
0,0%1,0%0,0%0,0%0,0%
Projeção anual do crescimento do PIB (%)
Planejamento Anual Ciclo 2021-2025
Diferença entre Taxas (%)
PLAN 2021-2025 - 2ªRevisão Quadrimestral 2020-2024
Subsistema202020212022202320242025
Norte5.610 5.874 6.098 6.289 6.532 6.747
Nordeste10.827 11.215 11.669 12.171 12.693 13.234
Sudeste/CO38.693 40.056 41.474 42.932 44.368 45.880
Sul11.663 11.926 12.344 12.792 13.256 13.738
SIN66.793 69.071 71.586 74.184 76.849 79.600
Carga de energia (MWmédios)
Tabela 2
Planejamento Anual Ciclo 2021-2025
Subsistema202020212022202320242025
Norte0,7%4,7%3,8%3,1%3,9%3,3%
Nordeste-2,0%3,6%4,0%4,3%4,3%4,3%
Sudeste/CO-2,2%3,5%3,5%3,5%3,3%3,4%
Sul-0,1%2,3%3,5%3,6%3,6%3,6%
SIN-1,5%3,4%3,6%3,6%3,6%3,6%
Tabela 3
Carga de energia - Taxas de crescimento (% ao ano)
Planejamento Anual Ciclo 2021-2025
Subsistema202020212022202320242025
Norte37264 224 191 243 215
Nordeste-217 389 454 502 522 541
Sudeste/CO-851 1.363 1.419 1.458 1.435 1.512
Sul-12 263 418 447 465 482
SIN-1.043 2.279 2.515 2.598 2.665 2.751
Tabela 4
Carga de energia - Acréscimos/Decréscimos anuais (MWmédios)
Planejamento Anual Ciclo 2021-2025
Subsistema202020212022202320242025
Norte9482494847
Nordeste120-119 -169 -175 -184
Sudeste/CO553429389376364
Sul25248151510
SIN1.019440284264237
Planejamento Anual Ciclo 2021-2025 - 2ª Revisão Quadrimestral 2020-2024
Tabela 5
Carga de Energia (MWmédio)
Diferenças