Elaboração: A INTERLIGAÇÃO DE RORAIMA AO SIN PERSPECTIVAS PÓS INTERLIGAÇÃO E O MERCADO DE ELETRICIDADE NO ESTADO RORAIMA INTEGRADA AO SIN segurança de suprimento, redução de emissões e encargos e sustentabilidade socioambiental Em 10 de setembro de 2025, a energização da Linha de Transmissão (LT) Manaus–Boa Vista marcava o início da integração de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Roraima era o último estado brasileiro ainda não conectado ao SIN. A energização da LT Manaus-Boa Vista foi conduzida a partir da sede do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em Brasília. Um momento histórico para a integração e soberania energética nacional. A implantação da LT Manaus–Boa Vista além de oferecer maior segurança e estabilidade de suprimento, promove a redução de emissões de CO 2 e das despesas no SIN com encargos setoriais para a geração térmica em Roraima e o desenvolvimento socioeconômico com sustentabilidade socioambiental, priorizando menor impacto ambiental e suprimento por fontes renováveis. A LT Manaus-Boa Vista, com capacidade energética cerca de quatro vezes superior à demanda atual do estado, acaba com o isolamento elétrico de Roraima e provê suprimento energético com maior segurança e estabilidade de fornecimento. Segundo o ONS, de janeiro a setembro de 2025, foram registradas 243 perturbações com corte de carga, 3 resultando em blecautes. Após a interligação, até o final de fevereiro de 2026, foram 23 perturbações e nenhum blecaute³. A LT Manaus-Boa Vista pode ajudar o SIN a lidar melhor com a sazonalidade da geração hidrelétrica, ao conectar regiões com regimes hidrológicos complementares, e foi dimensionada para comportar a integração futura ao SIN do potencial hidrelétrico da bacia do Rio Branco. Também passa a ser possível, para consumidores do Grupo A, a migração para o Ambiente de Contratação Livre de energia (ACL). Juntamente com a maior estabilidade e disponibilidade energética, podem favorecer a atração de indústrias voltada ao mercado local ou à exportação, a partir de Roraima, para países do Caribe e da América do Sul. A interligação reduzirá emissões de gases de efeito estufa (GEEs). Segundo o PASI¹ - Portal da EPE para o ALÉM DA SEGURANÇA E ESTABILIDADE 1 | 5 INFORME TÉCNICO: Acompanhamento dos Sistemas Isolados, o desligamento de termelétricas a óleo diesel tem potencial de redução nas emissões de até 300 mil toneladas anuais de CO₂ em 2026, considerando as emissões de 2024. Enquanto espera-se que a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), que subsidia os custos de geração térmica em Sistemas Isolados, se reduza em R$ 540 milhões por ano² nos próximos anos. Porém, a integração ao SIN impôs à distribuidora local uma mudança de estrutura tarifária. Passando a se submeter à estrutura tarifária do SIN, e não mais a dos Sistemas Isolados. No período de operação isolada, além de não existiam custos de transmissão, grande parte dos custos de geração eram cobertos pela CCC. A interligação ao SIN proporciona mais segurança de suprimento, mas adicionou à tarifa encargos setoriais e custos de transmissão inerentes à operação interligada, já presentes nas tarifas de outros estados. Entre eles estão os Encargos de Serviço do Sistema (ESS), o Encargo de Energia de Reserva (EER) e o Encargo de Potência para Reserva de Capacidade (Ercap). A distribuidora passou também a arcar com sua parcela dos custos do risco hidrológico das hidrelétricas contratadas no mercado regulado. BENEFÍCIOS ESPERADOS 1 PASI - Portal de Acompanhamento e informações dos Sistemas Isolados. EPE, 2026. 2 Ministério de Minas e Energia – MME, 2025. 3 Valor Econômico, 2026.
Maior segurança e estabilidade no fornecimento Menos 300 mil tCO₂ anuais já em 2026 na comparação com 2024 Menos R$ 540 milhões por ano em encargos setoriais Possibilidade de migração para o ACL de consumidores do Grupo A aceleração no desenvolvimento socioeconômico do estado e região
2 | 5 CONFIGURAÇÃO 500kV CAPACIDADE 1000MW TORRES 1.390 INVESTIMENTO R$ 3,3 Bi Fonte: Transnorte Energia, 2024. EXTENSÃO 724 km atravessando 9 municípios no Amazonas e Roraima SUBESTAÇÕES 3 Lechuga, Equador e Boa Vista “LINHÃO” MANAUS – BOA VISTA: O DESAFIO DA INTERLIGAÇÃO DE RORAIMA EPE recomenda interligação de Boa Vista ao SIN em Nota Técnica (EPE-DEE-RE-047/2010-r0) Leilão da LT Manaus–Boa Vista (Aneel 04/2011) Assinatura do Contrato de Concessão 003/2012 Emissão da Licença Prévia (LP) Suspensão da LP por dificuldades associadas à travessia da Terra Indígena Waimiri-Atroari Resolução nº 1 do CDN, 27/02/2019: reconhece a LT Manaus-Boa Vista como de interesse da Política de Defesa Nacional Acórdão 1552/2020 TCU e pandemia da Covid-19 Emitida a Licença de Instalação (LI) Obras retomadas Emitida Licença de Operação (LO) Set/25: Interligação de Roraima ao SIN INVESTIMENTO SOCIOAMBIENTAL R$ 180 Mi programas socioambientais e mitigação de impacto 2010 2011 2012 2015 2016 2019 2020 2021 2022 2025 2025 Linha do Tempo em circuito duplo com 3 condutores por fase DOS ESTUDOS PARA A INTERLIGAÇÃO ATÉ A OPERAÇÃO COMERCIAL Em 2010, a EPE recomendou em Nota Técnica (relatório nº EPE-DEE-RE-047/2010-r0), a interligação de Roraima ao SIN pela implantação da LT 500 kV Lechuga–Equador–Boa Vista (LT Manaus-Boa Vista), atravessando a Terra Indígena Waimiri-Atroari e nove municípios nos estados de Amazonas e Roraima. Em setembro de 2011, o Consórcio Boa Vista, que constituiu a SPE Transnorte Energia S.A. (TNE), foi o vencedor do lote A do leilão Aneel nº 04/2011, para contratação de serviços públicos de construção, operação e manutenção de instalações de transmissão. O Contrato de Concessão foi assinado em 2012. A Licença Prévia (LP) foi emitida em 2015, mas suspensa em 2016 por dificuldades associadas à travessia da Terra Indígena Waimiri-Atroari. Em fevereiro de 2019, o Conselho de Defesa Nacional (CDN) reconheceu como de interesse da Política de Defesa Nacional a LT Manaus-Boa Vista. Porém, em 2020 a Covid-19 dificultou os trabalhos junto às comunidades indígenas. Em setembro de 2021 foi emitida a Licença de Instalação (LI), baseada no Plano Básico Ambiental Componente Indígena (PBA - CI), após acordo judicial entre a TNE, a comunidade Waimiri-Atroari e a União e com o aceitação das compensações pelos Waimiri-Atroari. O PBA - CI prevê investimentos de R$ 134 milhões para mitigar os impactos irreversíveis sobre a Terra Indígena Waimiri-Atroari, a serem repassadas à Associação Comunidade Waimiri-Atroari (ACWA) ao longo da concessão da linha. Além de R$ 46 milhões em investimentos para execução de programas ambientais, sociais e de mitigação de impacto. Segundo a Eletrobras, somados, os investimentos chegam a R$ 180 milhões (valores de 2021). Em outubro de 2022 as obras foram retomadas. Em setembro de 2025 é emitida a Licença de Operação (LO) e no dia 10 a LT Manaus-Boa Vista é energizado da sala de controle do ONS - Operador Nacional do Sistema Elétrico, em Brasília. No dia 16 do mesmo mês Roraima é integrada ao SIN. Conforme definido pelo ONS no Manual de Procedimentos da Operação, o suprimento de energia para Roraima tem ocorrido de forma mista: 55% da carga sendo atendida pela interligação com o SIN, via LT Manaus–Boa Vista, enquanto o restante por geração local com a manutenção da operação de parte do parque gerador. Esse modelo busca evitar interrupções no fornecimento ou oscilações no sistema, garantindo segurança e flexibilidade.
São considerados Sistemas Isolados (SISOL) os sistemas elétricos de serviço público de distribuição de energia elétrica que, em sua configuração normal, não estejam eletricamente conectados ao SIN, por razões técnicas ou econômicas. Esses sistemas estão presentes nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Pernambuco, Rondônia e Roraima. O consumo total de eletricidade nos Sistemas Isolados em 2024 foi de 3.090 GWh, equivalente à 0,55% do consumo nacional daquele ano. A classe residencial respondeu por 56% do consumo. Seguida pelas classes outros (18%), comercial (18%), indústria (4%) e rural (4%). Em setembro de 2025, Roraima foi integrada ao SIN através da LT Manaus–Boa Vista. Além de Boa Vista, também passam a fazer parte do SIN as localidades de Alto Alegre, Bonfim, Caracaraí, Mucajaí, Normandia, Rorainópolis e São João da Baliza. Ao todo 209 mil unidades consumidoras foram conectadas em Roraima. Segundo o Painel de Monitoramento do Consumo de Energia Elétrica da EPE, a interligação proporcionou queda de 35% no número de unidades consumidoras isoladas e de 52% no consumo dos Sistemas Isolados em outubro de 2025, em relação a outubro de 2024. Com a interligação a queda no consumo isolado em Roraima foi de 98% em outubro de 2025, na comparação com outubro do ano anterior. As pouco mais de 9 mil unidades consumidoras ainda isoladas em Roraima consumiram apenas 2,8 GWh em outubro de 2025. 18 4 18 56 4 19 35 9 31 6 ComercialIndustrialOutrosResidencialRural CONTRIBUIÇÃO (%) DAS CLASSES NO CONSUMO TOTAL Consumo nos Sistemas Isolados Consumo total no Brasil 3 | 5 OS SISTEMAS ISOLADOS APÓS A INTERLIGAÇÃO DE RORAIMA Fonte: Anuário Estatístico de Energia Elétrica, ano base 2024 - EPE 35% de queda unidades consumidoras isoladas¹ 1 outubro de 2025 em relação aoutubro de 2024 2 março de 2026 Fonte: Painel de Monitoramento do Consumo de Energia Elétrica – EPE, 2026. 52% de queda consumo nos sistemas isolados¹ 98% de queda do consumo isolado em Roraima¹ APÓS INTERLIGAÇÃO DE RORAIMA 209 mil unid. consumidoras foram conectadas ao SIN OS SISTEMAS ISOLADOS HOJE 452 mil unid. consumidoras 0,5% dos consumidores do país² 126 GWh/mês 0,3% do consumo nacional² Em setembro de 2025, antes da interligação, Roraima consumiu 123 GWh e respondeu por quase metade do consumo nos Sistemas Isolados. Após a interligação, Amazonas passou a liderar, com 100 GWh consumidos em outubro. No final de 2025 eram pouco mais de 450 mil unidades consumidoras atendidas pelos Sistemas Isolados, quase 0,5% de todos os consumidores de eletricidade do país. Estes consumiram 129 GWh em dezembro de 2025, equivalente à 0,3% do consumo nacional de eletricidade daquele mês.
4 | 5 Fonte: Painel de Monitoramento do Consumo de Energia Elétrica – EPE, 2026. INTERLIGAÇÕES REDUZIRAM EM 83% O CONSUMO NOS SISTEMAS ISOLADOS DESDE 2009 INTERLIGAÇÕES AVANÇAM NA AMAZÔNIA LEGAL NOS ÚLTIMOS 20 ANOS 1 A Amazônia Legal é uma região administrativa instituída pelo governo brasileiro em 1953 para planejar e promover o desenvolvimento econômico e social da região amazônica. Abrange os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e parte do Maranhão. INTERLIGAÇÕES NA AMAZÔNIA LEGAL¹ LT Jauru–Vilhena–Porto Velho–Rio Branco LT Tucuruí-Macapá-Manaus (“Linhão de Tucuruí”) LT Manaus–Boa Vista 2009 2025 2013 a 2015 queda de 83% em 16 anos no consumo isolado Nos últimos 20 anos as interligações ao SIN avançaram na Amazônia Legal¹, conectando eletricamente a Amazônia Ocidental ao restante do país. A entrada em operação de linhas de transmissão na região conectaram várias localidades nos Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Mato Grosso. Destacam-se as conexões de algumas capitais: Porto Velho (RO) e Rio Branco (AC) em novembro de 2009, pela Linha de Transmissão (LT) Jauru–Vilhena–Porto Velho–Rio Branco; Manaus (AM) em junho de 2013 e Macapá (AP) em junho de 2015, com a LT Tucuruí-Macapá-Manaus, o “Linhão de Tucuruí”, e agora Boa Vista (RR) em setembro de 2025, pela LT Manaus–Boa Vista, que conectou Roraima, o último estado brasileiro a ser integrado ao SIN. Na EPE, os estudos da transmissão não param. Estão em andamento dois estudos que envolvem o estado de Roraima: um irá fornecer solução de transmissão para atendimento à região sul do estado, enquanto o outro, mais estruturante e de longo prazo, irá aumentar a resiliência do atendimento elétrico por meio de reforço no sistema de transmissão que entrou em operação em 2025.
Para saber mais, acesse: Workbook do Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2021 - A EPE se exime de quaisquer responsabilidades sobre decisões ou deliberações tomadas com base no uso das informações contidas neste informe, assim como pelo uso indevido dessas informações. https://bit.ly/3yKtozQ https://bit.ly/3yKtozQ A EPE se exime de quaisquer responsabilidades sobre decisões ou deliberações tomadas com base no uso das informações contidas neste informe, assim como pelo uso indevido dessas informações. Dúvidas podem ser endereçadas ao e- mail copam@epe.gov.br Presidente Thiago Guilherme Ferreira Prado Coordenação Geral Thiago Ivanoski Teixeira Coordenação Executiva Carla C. Lopes Achão Coordenação Técnica Glaucio Vinicius Ramalho Faria Equipe Técnica Bruno Eduardo Moreira Montezano Flávia Camargo de Araújo Lena Santini Souza Menezes Loureiro Marcelo Henrique Cayres Loureiro Participação Aline Couto Amorim Guilherme Mazolli Fialho Helena Portugal Gonçalves Motta Marcos Vinicius G. da Silva Farinha Michele Almeida de Souza Rafael de Carvalho Caetano Rafael Theodoro Alves e Mello Vinicius Ferreira Martins Maio/2026 O MERCADO DE ELETRICIDADE EM RORAIMA 5 | 5 DE ONDE VIERAM ALGUMAS DAS INFORMAÇÕES: PET 2011-2015 – EPE, 2010 (clique AQUI) PASI – EPE, 2026 (clique AQUI) MPO IO-ON.N.5RR /ONS, 2026 (clique AQUI) Planejamento do Atendimento aos Sistemas Isolados – EPE, 2025 (clique AQUI) Clean Energy, Eletrobras (clique AQUI) Censo Demográfico, IBGE (clique AQUI) CONSUMO RESIDENCIAL 802 GWh/ano CONSUMO COMERCIAL 311 GWh/ano CONSUMO RURAL 31 GWh/ano POPULAÇÃO 739 mil hab. (IBGE) Nº DE UNIDADES CONSUMIDORAS 218 mil residências OUTROS CONSUMOS¹ 197 GWh/ano CONSUMO INDUSTRIAL 35 GWh/ano CONSUMO TOTAL 1.376 GWh/ano ¹inclui as classes de consumo Poder Público, Iluminação Pública, Serviço Público e Consumo Próprio Fonte: Painel do Consumo Anual – EPE, 2026 58% 22% 15% CONSUMO POR CLASSE EM RORAIMA Rural (3%)Industrial (2%) Outros¹ Comercial Residencial ¹inclui as classes de consumo Poder Público, Iluminação Pública, Serviço Público e Consumo Próprio Fonte: Anuário Estatístico de Energia Elétrica (EPE) e Censo (IBGE) 20102022 Nº de habitantes Nº de consumidores Consumo total 2,9% a.a. 4,9% a.a. 6,3% a.a. A evolução do mercado de eletricidade e a demografia em Roraima nos últimos anos A classe residencial respondeu por 58% do consumo do estado em 2024. Seguida pelas classes comercial (22%), outros¹ (15%), rural (3%) e por último a indústria (2%). Segundo o Censo de 2022 (IBGE), Roraima foi o estado com maior crescimento populacional (2,9% a.a.) em relação ao Censo anterior (2010). O acolhimento de refugiados venezuelanos contribuiu para o crescimento demográfico nos últimos anos. O mercado de eletricidade, com expansão de 4,9% a.a. no número de consumidores e de 6,3% a.a. no consumo, de 2010 a 2022, foi favorecido também pelo acelerado crescimento demográfico de Roraima.