Rumo a 2055: Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do Futuro
FICHA TÉCNICA RiodeJaneiro,2026 Ministro de Estado Alexandre Silveira de Oliveira Secretário Executivo Gustavo Cerqueira Ataide Secretário Nacional de Energia Elétrica João Daniel de Andrade Cascalho Secretária Nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral Ana Paula Lima Vieira Bittencourt Secretário Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Renato Cabral Dias Dutra Secretária Nacional de Transição Energética e Planejamento (Substituta) Lorena Melo Silva Perim Presidente Thiago Guilherme Ferreira Prado Diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais Thiago Ivanoski Teixeira Diretor de Estudos de Energia Elétrica Reinaldo da Cruz Garcia Diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Heloisa Borges Bastos Esteves Diretor de Gestão Corporativa Carlos Eduardo Cabral Carvalho www.mme.gov.brwww.epe.gov.br
EQUIPE MME 3 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública MME Secretaria Nacional de Energia Elétrica Guilherme Silva de Godoi Departamento de Desempenho da Operação do Sistema Elétrico Rogério Guedes da Silva Departamento de Políticas para o Mercado Marlian Leão de Oliveira Nelson Simão de Carvalho Júnior Rogério Alexandre Reginato Departamento de Políticas Setoriais Aline Teixeira Eleutério Martins Flávia Souza Ramos dos Guaranys Secretaria Nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral Departamento de Transformação e Tecnologia Mineral Ana Luiza Brito Aguiar Anderson Barreto Arruda Gustavo Santos Masili José Jesus Lima Neto Marcus Divino de Castro Mario Bierknes Duarte Diniz Miguel Crisostomo Brito Leite Vinicius Barbalho Varela Coordenação Geral Gustavo Cerqueira Ataide (até fev/2026) Lorena Melo Silva Perim (desde fev/2026) Coordenação Executiva Leandro Pereira de Andrade Coordenação Técnica Sergio Rodrigues Ayrimoraes Soares Secretaria Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Gabinete da Secretaria Laís Forti Thomaz Departamento de Biocombustíveis Lorena Mendes de Souza Marlon Arraes Jardim Leal Departamento de Combustíveis Derivados do Petróleo: Aldo Barroso Cores Júnior Danielle Lanchares Ornelas Deivson Matos Timbó Edie Andreeto Junior Rodrigo Mendonça de Lima Ronny José Peixoto Departamento de Gás Natural Fernando Massaharu Matsumoto João Alencar Oliveira Junior Marcello Gomes Weydt Mariana Ferreira Carriconde de Azevedo Mario César Batista Santos Maurício de Oliveira Abi-Chahin Departamento de Política de Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural Carlos Agenor Onofre Cabral Daniel Lopes Pego Diogo Santos Baleeiro Ranielle Noleto Paz Araujo Departamento de Planejamento e Outorgas de Geração de Energia Elétrica André Grobério Lopes Perim Christiany Salgado Faria Departamento de Planejamento e Outorgas de Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica e Interligações Internacionais Alisson Lima Silva Ana Lúcia Álvares Alves André Luiz Barros de Brito Felipe Cezar Rissoli Giacomo Perrotta Guilherme Zanetti Rosa João Paulo Fernandes Maiara Guimarães Rios Pedro Henrique Milhomem Coutinho Roberto Rodrigues Loiola Rodrigo Santos e Barros Thais Ingrinde de Souza Araujo Departamento de Transição Energética Claudir Afonso da Costa Domingos Savio Marques Karina Araújo Sousa Larissa Assunção Oliveira Santos Marco Antônio Juliatto Maria dos Reis Santos Borges Natália Hoffmann Ramos . Assessoria Especial de Assuntos Técnicos Mariana de Assis Espécie Secretaria Executiva Fernando Colli Munhoz Isabela Sales Vieira Rafael Bastos da Silva Subsecretaria de Assuntos Econômicos e Regulatórios Antônio Fernando Costa Pella Subsecretaria de Sustentabilidade Maria Ceicilene Aragão Martins Rita Alves Silva Secretaria Nacional de Transição Energética e Planejamento Gabinete da Secretaria Clara Monteiro Marinho Departamento de Informações, Estudos e Eficiência Energética Esdras Godinho Ramos Leandro Pereira de Andrade Liliane Ferreira da Silva Mariana de Mello Duarte Samira Sana F. de Sousa Carmo Sergio Rodrigues Ayrimoraes Soares William de Oliveira Medeiros
EQUIPE EPE 4 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública EPE . Gabinete da Presidência Chefe de Gabinete da Presidência: Fernanda Corrêa Ferreira Assessores da Presidência: Gustavo Naciff de Andrade Patricia C. G. de Nunes Equipe Técnica: Daniel Kühner Coelho Francisco Abreu Victer Juliana R. do Nascimento Assessores das Diretorias Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais: Jeferson Borghetti Soares Estudos de Energia Elétrica: Renata N. F. de Carvalho Estudos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis: Aline Maria dos Santos Gestão Corporativa: Sylvia de Carvalho Bulcão Vianna Coordenação Geral Thiago Guilherme Ferreira Prado Coordenação Executiva Carla Achão Gustavo Naciff de Andrade Patricia Costa Gonzalez de Nunes Coordenação Técnica Arnaldo dos Santos Junior Bruno Scola L. da Cunha Camila de Araujo Ferraz Filipe de Pádua Fernandes Silva Gabriel Konzen Lidiane de Almeida Modesto Núcleo de Modelagem Integrada Marcelo Costa Almeida Matheus Richter Poggio de Carvalho Rafael Rigamonti Roney Nakano Vitorino . Superintendência de Derivados de Petróleo e Biocombustíveis Superintendente: Angela Oliveira da Costa Superintendente Adjunto: Marcelo C. B. Cavalcanti Consultores Técnicos: Patrícia F. B. Stelling Rachel Martins Henriques Rafael Barros Araujo Equipe Técnica: Andre Soares Alves Alberto Jose Leandro Santos Arthur Cortez Pires de Campos Bruno R. Lowe Stukart Carlos A. Góes Pacheco Dan Abensur Gandelman Danielle Borher de Andrade Ederaldo Godoy Junior Ernesto Ferreira Martins Euler J. Geraldo da Silva Fernando D'Angelo Machado Filipe de Pádua Fernandes Silva Gabriel da Silva A. Jorge Guilherme Correa Naresse Juliana Pereira Targueta Kriseida Carmem Portella Guedelha Leonardo Gandelman Freire Leonidas B. O. dos Santos Leticia Gonçalves Lorentz . Lucas dos Santos R. Morais Luciano Basto Oliveira Marina Damião B. Ribeiro Paula Isabel da C. Barbosa Pedro Aguiar Vieira Nunes B. Lopes Pedro Moura Maciel Braga Rafael Belém Lavrador Rafael Moro da Mata Vinícius Folly Barbosa Vitor Manuel do E. S. Silva Superintendência de Estudos Econômicos e Energéticos Superintendente: Carla da Costa L. Achão Superintendente Adjunto: Arnaldo dos Santos Jr. Consultores Técnicos: Camila Araújo Ferraz Gabriel Konzen Glaucio V. Ramalho Faria Equipe Técnica: Allex Yujhi Gomes Yukizaki Ana Cristina Braga Maia Arthur M. Q. Siqueira Bernardo Honigbaum Bruna Souza Lopes Graça Bruno Eduardo Montezano Bruno Scola L. da Cunha Caroline Chantre Ramos Daniel Silva Moro Erick Mateus Silva de Oliveira Fernanda M. P. Andreza Flavia Camargo Araújo Giovanna C. R. Pedreira Gustavo Daou Palladini Igor da Silva Cavalcanti Igor V. do Nascimento Jessica Rodrigues Paiva Ferreira Kevyn Matheus Vieira Nogueira Lena Santini S. M. Loureiro Lidiane de A. Modesto Lucio Carlos Resende Marcelo Costa Almeida Marcelo H. C. Loureiro Mariana Weiss de Abreu Marina M. Klostermann Marina Torelli Reis Martins Pereira Matheus Richter Poggio de Carvalho Mauro Rezende Pinto Natalia G. de Moraes Otto Hebeda Pablo Rodrigues de Castro Patrícia Messer Rosenblum Pedro Henrique Gonçalves Lage Pedro Paulo F. da Silva Rodrigo Vellardo Guimarães Rogério Antônio da S. Matos Simone Saviolo Rocha Santiago Silveira Barbosa Thais Accioly Araujo
EQUIPE EPE
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Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública
EPE
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Glaysson de Mello Muller
Guilherme Fonseca Bassous
Helena Portugal G. da Motta
Hermes Trigo D. da Silva
Jaine Venceslau Isensee
Joana D. de F. Cordeiro
Leonardo Sanches Lima
Luis Paulo S. Cordeiro
Marcos A. I. da Fonseca
Michele Almeida de Souza
Nathália Tavares
Patricia Asfor Parente
Paula Monteiro Pereira
Pedro Americo M. David
Rafael Pereira Coelho
Rafael Pinho Furtado
Rafael Rigamonti
Rafaela Veiga Pillar
Renato H. S. Machado
Rodrigo Lugathe da C. Alves
Ronaldo Antonio de Souza
Roney Nakano Vitorino
Saulo Ribeiro Silva
Simone Q. Brandão
Thaís Iguchi
Superintendência de Meio Ambiente
Superintendente:
Elisangela Medeiros de Almeida
Superintendente Adjunta:
Glauce Maria Lieggio Botelho
Theo Juliano Pagartanidis
Yuri Vandresen Pinto
Superintendência de Geração de
Energia
Superintendente:
Gustavo Pires da Ponte
Superintendente Adjunto:
Caio Monteiro Leocadio
Consultores Técnicos:
Charles E. G. V. V. de Mello
Fernanda G. B. dos Santos
Guilherme Mazolli Fialho
Mariana de Queiroz Andrade
Pamella E. Rosa Sangy
Renata de A. M. da Silva
Equipe Técnica:
Aline Couto de Amorim
Amanda J. Vinhoza de C. S.
Anderson da Costa Moraes
Andre Luiz da Silva Velloso
Andre Makishi
Bernardo Folly de Aguiar
Bruno Faria Cunha
Daniel Francisconi Oliveira
Davi José Marques Vieira
Diego Pinheiro de Almeida
Felipe Moreira Gonçalves
Fernanda F. Paschoalino
Gianpiero Camargo Bedin
.
Consultores Técnicos:
Hermani de Moraes Vieira
Mariana R. de C. Pinheiro
Paula Cunha Coutinho
Equipe Técnica:
Alfredo Lima Silva
Ana Dantas M. de Mattos
André Cassino Ferreira
André Viola Barreto
Bernardo Regis G. de Oliveira
Carina Renno Siniscalchi
Carolina M. H. de G. A. F. Braga
Clarice Augusta Carvalho Cardoso
Clarice Buarque de Macedo Lira
Clayton Borges da Silva
Cristiane Moutinho Coelho
Daniel Dias Loureiro
Denilson da Silva Almeida
Fernando José Soares Barros
Gabriel de Almeida de Barros
Gabriel Henrique Gomes de Souza F.
Teixeira
Guilherme de Paula Salgado
Gustavo Fernando Schmidt
Juliana Velloso Durão
Kátia G. Soares Matosinho
Leonardo de Sousa Lopes
Leyla A. Ferreira da Silva
Lucas Silva Carvalho
Luciana Álvares da Silva
Luciana Athanasio de Azevedo
Luciana Renata Carvalho Pedreira
Marcos Ribeiro Conde
Maria Fernanda B. Pinheiro
Mariana Lucas Barroso
Marilene Dias Gomes Motta
Mathias Luiz Mafort Ouverney
Nicholas Bernardes Gjorup
Robson de Oliveira Matos
Rodrigo Abreu Carvalho
Silvana Andreoli Espig
Thiago Galvão
Valentine Jahnel
Verônica S. da M. Gomes
Vinicius M. Rosenthal
Superintendência de Petróleo e Gás
Natural
Superintendente:
Marcos Frederico F. de Souza
Superintendente Adjunto:
Marcelo F. Alfradique
Consultores Técnicos:
Ana Claudia S. Pinto
Regina Freitas Fernandes
Roberta de A. Cardoso
Equipe Técnica:
Adriana Queiroz Ramos
Áureo Igor Wanderley Ramos
Bianca N. de Oliveira
Bruna Silveira Guimarães
Camila da Mota Carvalho
Carolina O. de Castro
Claudia M. Chagas Bonelli
Deise dos S. Trindade Ribeiro
Denise dos S. Silva Reinoldes
Filipe Soares da Cruz
Gabriel Lacerda da Silva
Gabriela N. da Silva
Harnon Martins Ramos
Henrique P. G. Rangel
Isis de Oliveira Fernandes
Ivan Pablo Lobos Aviles
Katia Souza D'Almeida
Laura Cristina D. Cardoso
Luiz P. Barbosa da Silva
Marcelo Pereira Almeida
Natália da V. B. Teixeira
Nathalia Alves Anes Rodrigues
Nathália Oliveira de Castro
Nelson Pereira Filho
Pamela Cardoso Vilela
Pedro de Moura Bernardino
Pericles de Abreu Brumati
Rafael Freitas F. Lemme
Raul Fagundes Leggieri
Rubens F. J. M. da C. Ribeiro
Victor Hugo Trocate da Silva
Victor Rezende dos Santos
EQUIPE EPE 6 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública Superintendência de Transmissão Superintendente: Thiago de Faria Rocha Dourado Martins Superintendente Adjunto: Marcos Vinicius Gonçalves da Silva Farinha Consultores Técnicos: Daniel José Tavares de Souza Lucas Simões de Oliveira Rafael Theodoro Alves e Mello Thais Pacheco Teixeira Equipe Técnica: Anderson de Melo Mattos Armando Leite Fernandes Arthur Soares da Cunha Reis Bruno Cesar Mota Maçada Bruno Scarpa A. da Silveira Clerio Cesar Gomes Alencar Arrais Daniel Dobrochinski Maia Davi Jose Alvarez Magalhaes Dourival de S. Carvalho J. Fabiano Schmidt Fabio de Almeida Rocha Igor Chaves Jean Carlo Morassi João Alves da Silva Neto João Mauricio Caruso Jônatas Freitas Mascarenhas Freire Jonathan Veiga Velasco Costa Luiz Felipe Froede Lorentz Marcelo Lourenco Pires EPE. Marcelo L. de C. M. Moreira Marcelo Willian Henriques Szrajbman Marco Antônio da Cunha Soveral Maria de Fatima de C. Gama Matheus Rosa Nascimento Matias Halmenschlager Hubert Miguel F. M. Sampaio Pinto Paula Vieira Machado Paulo Fernando de M. Araujo Pedro de Souza Miller Priscilla de Castro Guarini Rafael de Carvalho Caetano Renan Gonzaga Silva dos Santos Rodrigo Escorcio Gomes Rodrigo Gomes Martins Rodrigo Ribeiro Ferreira Rodrigo Rodrigues Cabral Thiago Lima Soares Mourão Thiago Veiga Madureira Tiago Campos Rizzotto Vanessa Stephan Lopes Vinicius Ferreira Martins Wilson Dutra Sampaio Yan Ricardo Damasceno Rangel Yuri Rosenblum de Souza Yves Abrahão Lucena e Silva Superintendência de Tecnologia da Informação e Comunicações Superintendente: Cláudia Bento Superintendente Adjunto: João Marcos do Carmo Giordano Consultores Técnicos: Anderson de Oliveira Mello Rafael de Carvalho Bulkool Apoio Técnico: João Marcos Amorim dos Santos Victor Melquiades Xavier Leal
7 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública APRESENTAÇÃO A EPE tem entre suas principais atribuições o desenvolvimento de planos de médio e longo prazo para o setor energético nacional, como o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) e o Plano Nacional de Energia (PNE). Por meio de uma governança inovadora, que envolveu dois grupos de trabalho – um dedicado à elaboração dos cenários energéticos de longo prazo (GT Cenários) e outro à representação e otimização das cadeias energéticas em um modelo energético integrado (GT Modelos) –, a EPE, em colaboração com o Ministério de Minas e Energia (MME), tem liderado o processo de elaboração do Plano Nacional de Energia 2055 (PNE 2055). Em conformidade com a periodicidade definida na Portaria MME nº 6, de 7 de janeiro de 2020, a publicação dos documentos que compõem o PNE 2055 ocorre nos anos de 2025 e 2026. O presente documento apresenta a estratégia de longo prazo para o sistema energético nacional a partir de uma síntese dos principais insumos e resultados do processo de construção do PNE 2055. A primeira etapa foi dedicada ao desenvolvimento de diferentes cenários qualitativos a partir de um processo participativo e uma abordagem inovadora, que resultou na publicação do Caderno de Cenários Energéticos de Longo Prazo, em 2025. A qualidade metodológica e a robustez dos resultados alcançados nessa etapa se refletiram não apenas na criação de capacidade interna na elaboração de estudos de longo prazo, mas também na contribuição para outras importantes iniciativas em andamento, como a Política Nacional de Transição Energética (PNTE) e o Plano Nacional de Transição Energética (PLANTE), do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), e o Estratégia Brasil 2050, do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO). De forma integrada e paralela à elaboração qualitativa dos cenários, foi realizado o mapeamento do potencial de recursos energéticos no Brasil e iniciou-se uma agenda inédita de estruturação de um modelo integrado para a representação quantitativa de cenários energéticos do PNE 2055. Os resultados detalhados desta etapa serão posteriormente divulgados no Caderno de Potencial dos Recursos Energéticos, no Caderno de Quantificação dos Cenários, e em uma ferramenta de visualização dos resultados quantitativos, o Painel PNE 2055, complementando as sinalizações inicialmente apresentadas nesse material. A reflexão estratégica sobre o futuro do sistema energético nacional nasce de uma abordagem prospectiva e sistêmica e de um processo colaborativo de construção do PNE 2055. Este processo contribui não apenas para o compartilhamento e alinhamento de visões sobre a transição energética no Brasil, mas também ressalta a importância de conexão deste importante instrumento (o PNE 2055) com outras políticas e instrumentos estratégicos para o alcance do futuro almejado. Desejamos a todos uma boa leitura!
8 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do Futuro Sobre o Plano Nacional de Energia 2055
Sobre o Plano Nacional de Energia 2055 9 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública O Plano Nacional de Energia O Plano Nacional de Energia (PNE) é um dos principais instrumentos de planejamento de longo prazo do setor energético brasileiro. Desde a sua criação, o PNE consolidou-se como referência para a definição de diretrizes estratégicas voltadas ao desenvolvimento do sistema energético nacional. O PNE 2030, publicado em 2007, foi o primeiro marco dessa trajetória, seguido pelo PNE 2050, lançado em 2020, que ampliou o horizonte de análise e reforçou o compromisso com a transição energética. Agora, em 2026, o PNE 2055 dá continuidade a esse processo, incorporando uma abordagem inovadora baseada em cenários prospectivos, em um modelo energético integrado e em uma governança institucional fortalecida. Linha do tempo do Plano Nacional de Energia 2007 PNE 2030 ; PNE 2055PNE 2050 20202025/2026
Sobre o Plano Nacional de Energia 2055 10 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública O PNE 2055 coloca luz nos desafios e nas oportunidades para o avanço rumo a um sistema energético descarbonizado que contribua para o desenvolvimento sustentável do País, em alinhamento aos compromissos e políticas vigentes, como a Política Energética Nacional e a Política Nacional de Transição Energética. Em um contexto de profundas transformações e incertezas, no Brasil e no mundo, os cenários prospectivos constituem instrumentos essenciais e valiosos para compreender a complexidade do ambiente e apoiar a formulação de estratégias de longo prazo do setor energético nacional. Mais do que tentar prever o que vai acontecer, os cenários são histórias consistentes sobre o futuro e ferramentas práticas de apoio à decisão sob incerteza, que permitem explorar alternativas, avaliar implicações e antecipar desafios que orientarão a trajetória energética nas próximas décadas. Com base na criação de cenários energéticos de longo prazo e na análise do potencial de recursos energéticos brasileiros, foram realizados exercícios quantitativos que esboçam três futuros possíveis para o setor energético. Os resultados apresentados devem ser interpretados à luz desses cenários – não como projeções ou trajetórias únicas, mas como narrativas consistentes de futuros possíveis. Esses exercícios não são um fim em si mesmos, e sim um meio para ampliar a compreensão sobre as dinâmicas estruturais e os fatores críticos que influenciam o sistema energético. O caminho percorrido pelo PNE 2055 oferece uma base sólida para reflexões estratégicas que sustentam o desenho da estratégia de longo prazo do setor energético nacional, de forma integrada às ambições climáticas e aos objetivos de desenvolvimento sustentável, tão relevantes para o Brasil e para o mundo. Histórias consistentes de futuro como apoio à decisão
Sobre o Plano Nacional de Energia 2055 11 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública O Plano Nacional de Energia (PNE) tem “o objetivo principal de permitir avaliar os possíveis caminhos da expansão e desenvolvimento da infraestrutura energética nacional e orientar estratégias na formulação de políticas setoriais”. Publicado a cada cinco anos, o PNE desempenha um papel técnico fundamental ao explorar tendências e analisar incertezas no horizonte de longo prazo, o que permite avaliar transformações mais profundas na matriz energética, assim como a maturação de novas tecnologias. Dessa forma, o plano serve como um orientador para a elaboração e o aperfeiçoamento de políticas, programas e iniciativas do setor energético nacional, assim como para estratégias empresariais. Nesse sentido, o PNE 2055 é um documento técnico estratégico que se propõe a orientar debates relacionados aos desafios e oportunidades para a construção de um sistema energético descarbonizado que contribua para o desenvolvimento sustentável do Brasil no horizonte 2055. Por outro lado, o PNE não deve ter seu papel confundido com o do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE), que é um “instrumento base de planejamento integrado que tem o objetivo principal de indicar as perspectivas da expansão do setor de energia para os diversos energéticos disponíveis, subsidiando a formulação e avaliação de políticas públicas”. Nesse sentido, com horizonte de estudo mais curto e elaboração mais frequente, se reflete como importante forma de monitoramento da estratégia e da política energética, com análises capazes de apontar necessidades de mais curto prazo, incluindo o aperfeiçoamento de marcos vigentes para que os objetivos de longo prazo sejam atingidos. Como o PNE se comunica com o PDE
Sobre o Plano Nacional de Energia 2055 12 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública Todos os cenários energéticos de longo prazo do PNE 2055 partem do pressuposto da existência das políticas públicas vigentes. Essas políticas existentes constituem a base comum sobre a qual se constroem diferentes trajetórias possíveis de futuro. O alcance desse conjunto de políticas, no entanto, varia significativamente entre os cenários, refletindo as diferentes condições que se apresentam em cada um. Em especial, destaca-se o papel central da governança na condução de um modelo de desenvolvimento sustentável que esteja alinhado às políticas e compromissos climáticos no âmbito do Acordo de Paris. Além disso, a maturidade de fatores habilitadores, que contempla aspectos como os custos e a regulação de tecnologias de baixo carbono, a coordenação e integração de políticas para a transição energética, dentre outros. Ainda que possam ser necessárias políticas adicionais para fazer frente às ambições nacionais, é importante reconhecer que muitas políticas relacionadas à transição energética ainda se encontram em implementação. Isso significa que os efeitos esperados só poderão ser plenamente observados com o tempo, sendo essencial garantir sua continuidade e aprimoramento para que os resultados previstos se concretizem de forma efetiva e duradoura. Como as políticas públicas se apresentam nos cenários do PNE 2055
Sobre o Plano Nacional de Energia 2055 13 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública O caminho para a construção do PNE 2055 passa por três grandes etapas, com inovações metodológicas importantes em relação aos ciclos anteriores Conforme detalhamento apresentado no Caderno de Cenários Energéticos, o desenvolvimento de cenários de longo prazo para o setor energético representa uma base tecnicamente sólida para a construção estratégica e o planejamento sob incerteza. E, para os exercícios quantitativos do estudo, pela primeira vez foi utilizado um modelo integrado de planejamento energético que usa otimização por minimização de custo total, de forma a garantir a consistência global dos cenários elaborados. 1 Baseado no modelo MATRIZ/CEPEL. 2 Utiliza dados de modelos especialistas de demanda de energia. O processo de cenarização do PNE 2055 começou com uma análise retrospectiva e situacional e com o mapeamento dos recursos energéticos
que nos ajudaram a responder onde estamos. Através do desenvolvimento de cenários qualitativos e quantitativos, foram definidos com mais clareza os diferentes futuros possíveis e aonde pretendemos chegar. Por fim, a etapa de elaboração estratégica endereçou como vamos chegar lá. Etapas de construção do PNE 2055
Sobre o Plano Nacional de Energia 2055 14 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública Modelos de otimização são representações matemáticas que buscam representar um ou mais sistemas com o objetivo de encontrar uma solução ótima para um determinado problema. Modelos na área de energia e meio ambiente são naturalmente interdisciplinares, complexos e de múltiplas aplicações. Nesse sentido, modelos de avaliação integrada têm como objetivo garantir a consistência de longo prazo, geralmente, realizando exercícios comparativos de diferentes cenários. A importância de um modelo integrado para o planejamento energético brasileiro Modelo Integrado de Planejamento Energético O modelo integrado de planejamento energético utilizado no PNE 2055 foi desenvolvido pela EPE em parceria com o CEPEL. Trata-se de um modelo de equilíbrio parcial, que representa o setor energético nacional dividido em 5 regiões para um horizonte temporal entre 2025 e 2055. É um modelo bottom-up de programação linear que busca minimizar custos de investimento e operação associados a oferta de energia (função objetivo), de forma que a solução satisfaça um conjunto de restrições. O modelo integrado pode representar desde os recursos/reservas ou importações até a demanda de energia útil e exportações. Dentre as restrições, destacam-se o atendimento às demandas energéticas, limites às extrações de reservas e limites de emissões de GEE. Cenários macroeconômicos e as demandas energéticas são dados exógenos (de entrada), oriundos de modelos especialistas nas áreas de economia, transportes, indústria e edificações. Destaca-se também a representação de mais de 2 mil tecnologias como opções para a produção e conversão de energia, as quais consomem e/ou produzem uma ou mais formas de energia ao longo de diferentes cadeias energéticas. ▪Estratégias de expansão para o setor energético brasileiro com visão sistêmica, considerando aspectos técnico-econômicos e socioambientais. ▪Tendências tecnológicas compatíveis com o setor energético brasileiro do futuro e indicativos de investimentos para diferentes cenários. ▪Evolução da capacidade instalada e operação de diferentes rotas tecnológicas. ▪Evolução da oferta e da demanda de energia no longo prazo compatível com o desenvolvimento da economia brasileira. ▪Indicativo sobre trajetórias custo-efetivas do setor energético para contribuir para o cumprimento de metas climáticas nacionais. ▪Proposição de políticas públicas para diferentes cadeias energéticas. Principais resultados
Sobre o Plano Nacional de Energia 2055 15 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública ▪Representação simplificada de cadeias energéticas: operação do sistema elétrico no modelo integrado é representada em dois patamares (potência e energia), com atenção à representação tanto da demanda quanto da disponibilidade dos recursos, com fatores de contribuição fixos ao longo do horizonte. A produção de petróleo e gás natural no modelo integrado é representada por ambiente exploratório (águas profundas, ultra profundas, onshore) e por tipo de recursos (descobertos e não descobertos). ▪Alta dependência de premissas (cenários, não previsões): mudanças em hipóteses relacionadas a custos, política, crescimento econômico, comportamento e disponibilidade tecnológica podem alterar os resultados da otimização do modelo integrado. ▪Custos de capital (investimentos) e custos de operação das opções tecnológicas representadas no modelo integrado se baseiam em dados atualizados da literatura científica, considerando diferentes níveis de maturidade tecnológica aplicadas a um estudo de longo prazo. Investimentos de infraestruturas associadas ao setor de energia são estimativas exógenas a otimização do modelo integrado. ▪Demanda energética é exógena ao modelo integrado: modelos especialistas simularam trajetórias por fonte energética para os setores de demanda final, as quais foram consideradas como inputs para o modelo integrado. A penetração de tecnologias associadas a demanda final de energia é simulada por meio de diferentes modelos nas áreas de transportes, indústria, edificações, etc., que representam tendências tecnológicas alinhadas ao contexto brasileiro e às narrativas dos cenários do PNE 2055. ▪Restrições de emissões de gases de efeito estufa: o modelo integrado representa limites de emissões de GEE para o setor de energia baseado em trajetórias alinhadas às narrativas dos cenários do PNE 2055 e, consequentemente, às metas climáticas da NDC brasileira, utilizando como referência cenários e dados da literatura científica (IPCC, Plano Clima). Limitações metodológicas referem-se às restrições que podem afetar a interpretação, a generalização e a comunicação dos resultados. Reconhecê-las é fundamental para a credibilidade do estudo e para o direcionamento de pesquisas e avanços metodológicos futuros. Limitações metodológicas e soluções aplicadas ao PNE 2055 ▪Estimativas de impactos socioeconômicos de cenários de longo prazo; ▪Efeitos das mudanças climáticas sobre a oferta e a demanda de energia e contabilização do custo da inação climática em cenários de longo prazo; ▪Representação do sistema brasileiro de comércio de emissões (SBCE) e estimativas de possíveis impactos do mercado regulado e da precificação de carbono no setor de energia. Possíveis aprimoramentos metodológicos em estudos de longo prazo:
16 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do Futuro Cenários energéticos de longo prazo: tendências e incertezas
Cenários energéticos de longo prazo
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Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública
Escopo geral e dimensões-chave dos cenários energéticos do PNE 2055
Quadro síntese e dimensões-chave dos cenários energéticos do PNE 2055
O processo de construção da lógica dos cenários energéticos de longo prazo do PNE 2055³ partiu de uma abordagem participativa e sistêmica, envolvendo múltiplas dimensões. Todas
as etapas percorridas, incluindo o mapeamento de condicionantes de futuro – tendências e incertezas –, tiveram como base a reflexão sobre desafios e oportunidades para um sistema
energético descarbonizado como vetor de desenvolvimento sustentável no Brasil.
³ Caderno de Cenários Energéticos do PNE 2055.
Demanda de
Energia e Papel
do Consumidor
Resiliência e
Segurança
Energética
Geopolítica
da Energia
InovaçãoDesenvolvimento
Sustentável
Políticas Públicas,
Governança e
Financiamento
DIMENSÕES-CHAVE DOS CENÁRIOS ENERGÉTICOSQUADRO SÍNTESE DA CENARIZAÇÃO
Objetivo
Traçar trajetórias para um sistema energético descarbonizado como vetor de
desenvolvimento sustentável
Pergunta-chave
Quais desafios e oportunidades para a construção de um sistema energético
descarbonizado que contribua para o desenvolvimento sustentável?
Público-alvo
MME e sociedade em geral
Objeto e local
Sistema energético no Brasil
Horizonte temporal
2055
Cenários energéticos de longo prazo 18 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública Grandes tendências para o sistema energético nacional até 2055 As tendências são forças que existem hoje e que estarão presentes no futuro, atuando como um pano de fundo comum a todos os cenários. Nesse sentido, o PNE 2055 mapeou as principais tendências para o sistema energético nacional até 2055. As mudanças climáticas, as transformações na geopolítica da energia e a necessidade crescente de uma transição energética justa e inclusiva são exemplos de mudanças que, além de exigirem respostas imediatas do País, apresentam claros efeitos sobre a transição energética brasileira. Em relação à transformação gradual dos sistemas energéticos na direção de economias de baixo carbono, trata-se de uma tendência que engloba mudanças extremamente relevantes e desafiadoras para o setor, sendo fundamental o destaque desses movimentos. A magnitude e velocidade de algumas dessas mudanças, entretanto, ainda têm elevado grau de incerteza, motivo pelo qual o PNE 2055 também avançou nesse diagnóstico. Tendências para o sistema energético nacional até 2055 T7 Importância crescente de integraçãode políticas públicas, governançaefinanciamento para a transição energética Pressão por uma transição energética socialmente justa e inclusiva T6 T5 Expansão da necessidade de serviços energéticos no Brasil Transformação gradual dos sistemas energéticos na direção de economias de baixo carbono T4 T3 Relevância crescente de investimentos em inovação para a transição energética Mudanças climáticas e segurança energética cada vez mais no centro das políticas T2 Transformações na geopolítica da energia: novos atores e cadeias produtivas T1 Maior inserção de fontes renováveis variáveis, trazendo novos desafios para sua integração no sistema T4A Aumento da eletrificação no consumo final de energia T4B Protagonismo do consumidor e maior descentralização dos sistemas energéticos T4C Perspectiva de maior digitalização na produção e uso de energia T4D CO 2
Cenários energéticos de longo prazo 19 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública Principais incertezas para o sistema energético nacional até 2055 Incertezas são fenômenos com baixa previsibilidade e elevado impacto em relação ao futuro do objeto de cenarização.E as hipóteses sobre seus estados futuros são elementos balizadores importantes da construção da lógica dos cenários. A partir de um processo participativo de dinâmicas e debates, e também de uma abordagem sistêmica, o PNE 2055 mapeou um conjunto de grandes incertezas para o sistema energético nacional no horizonte de 2055. A definição de diferentes hipóteses sobre o conjunto de incertezas foi usada como base para o desenho dos cenários energéticos ... 1 Quais serão os impactos das mudanças climáticas sobre o sistema energético brasileiro? O sistema energético brasileiro será flexível e resiliente para lidar com eventos climáticos extremos? 3 Haverá construção de consenso sociopolítico que assegure governabilidade e coerência de políticas e incentivos para a transição energética? 2 Como o Brasil conciliará políticas de desenvolvimento socioeconômico com a agenda climática? 5 Quais serão os impactos da inovação e da evolução tecnológica no desenvolvimento sustentável? 4 Haverá capacidade de coordenação e de integração entre diferentes políticas públicas, financiamento e governança para a transição energética? 7 Como atransformação digitalirá impactar osetor energético nacional? 6 Como evoluirá o modelo de desenvolvimento brasileiro? Brasil conseguirá avançar nas cadeias globais de valor e se destacar como uma potência industrial sustentável? 9 Como evoluirá o financiamento para transição energética no Brasil? 8 Como evoluirão as cadeias produtivas relevantes para a transição energética no Brasil? Como evoluirá a dependência produtiva e tecnológica dessas cadeias? 10 Como será a regulação para o desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono e o custo dessas tecnologias? 11 Será possível desenvolver a infraestrutura e redes elétricas flexíveis e resilientes para o sistema elétrico do futuro? 14 Qual será o ritmo e a intensidade de inserção dos RED e quais serão seus impactos no sistema energético brasileiro? 15 Como será o crescimento da demanda de energia no Brasil? Como as mudanças demográficas e comportamentais irão afetá-la? 16 Haverá acesso universal, confiável, moderno e a preços acessíveis de energia? 17 Como evoluirá a pobreza energética e a desigualdade no consumo de energia no Brasil? 18 O net zero será efetivamente alcançado no Brasil? 19 Como será a exploração de novas fronteiras de óleo e gás no Brasil? 20 Como a transição energética brasileira poderá ser vetor para desenvolvimento sustentável no País? Incertezas para o sistema energético nacional até 2055 12 Qual será a estratégia para lidar com o planejamento e a operação de um sistema elétrico mais descentralizado com elevada participação de fontes renováveis variáveis? 13 Qual será a velocidade e intensidade de descarbonização do transporte e da indústria?
Cenários energéticos de longo prazo
20
Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública
Os cenários energéticos de longo prazo do PNE 2055
A geração da lógica dos cenários energéticos a partir de técnicas de
priorização de incertezas resultou na criação de seis futuros possíveis
para o sistema energético brasileiro
4
.
Três cenários foram escolhidos para serem avaliados na etapa de
exercícios quantitativos através de modelagem integrada, representando
um conjunto relevante de futuros possíveis
5
para a construção da
estratégia de longo prazo do setor energético.
Transição
pra Quê
Transição
pra Quem
Transição
Continuada
Transição
Net Zero 2050
Transição
Bloqueada
Transição
Alongada
Exercícios quantitativos para três futuros possíveis do setor energético
TRANSIÇÃO CONTINUADA (TC)
•2,5% a.a. de crescimento
do PIB e redução
marginal da desigualdade.
•Manutenção do modelo
primário exportador.
•Governança bem
estruturada; menores
avanços na regulação e
financiamento
insuficiente.
•Manutenção do ritmo
histórico de transição
energética do país (sem
meta estipulada de net
zero).
•3,2% a.a. de crescimento
do PIB e expansão do
consumo das famílias.
•Economia ainda apoiada
em um modelo primário
exportador.
•Avanços na governança e
na integração de políticas,
regulação eficaz;
financiamento instável.
•Brasil avança na transição
energética mas não
alcança o net zero até
2050.
TRANSIÇÃO ALONGADA (TA)
•3,8% a.a. de crescimento
do PIB e forte redução
da desigualdade.
•Transformação
estrutural da economia,
com maior crescimento
da indústria nacional.
•Governança forte,
regulação eficaz e
financiamento amplo e
diversificado.
•Alcance do net zero em
2050 no setor energético.
TRANSIÇÃO NET ZERO 2050 (TNZ)
4
O cenário Transição Alongada foi elaborado posteriormente aos demais, como forma de representar um futuro possível em linha com mudanças recentes na conjuntura internacional.
5
Sob a lógica de futuros possíveis, não há um cenário business as usual (BAU) dentre os cenários do PNE.
21 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do Futuro Principais mensagens da quantificação dos cenários
Principais mensagens da quantificação dos cenários 22 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública A diversidade de recursos energéticos se mostra como uma vantagem estratégica do Brasil Potencialenergético renovávelbrasileiro anualpara expansão 6 (Mtepporano) Potencialenergéticonão renováveltotal brasileiro para expansão (Mtep) Petróleo 7.621 Gás natural 3.770 Carvão mineral 7.157 Urânio 2.302 6 Embora o potencial técnico anual das fontes renováveis seja inferior ao volume total dos estoques fósseis, trata-se de um fluxo contínuo de energia, disponível de forma indefinida ao longo do tempo. O valor apresentado representa a quantidade passível de aproveitamento em um único ano, refletindo a natureza recorrente e sustentável dessas fontes. Já os recursos não renováveis, mesmo abundantes, são finitos e exauríveis. 7 Potencial eólico considera aplicações onshore e offshore. 8 Potencial solar considera aplicações fotovoltaicas distribuídas e centralizadas (onshore e offshore), assim como a tecnologia heliotérmica. 9 Potencial oceânico considera o aproveitamento por ondas e marés, porém, não considera variação por conta de diferenças de temperatura. ▪Refletindo sua natureza recorrente e sustentável, o potencial renovável de 1,6 bilhão de tep ao ano reflete a energia renovável anualmente disponível no país, aproximadamente cinco vezes superior ao consumo anual do país em 2024. Brasil tem recursos energéticos suficientes para suprir as necessidades dos cenários energéticos no PNE 2055. Biomassa 671 Mtep/ano Eólica 7 446 Mtep/ano Solar 8 299 Mtep/ano Oceânica 9 34 Mtep/ano Hidrelétrica 75 Mtep/ano Hidrogênio Natural 52 Mtep/ano ▪É importante avançar em estudos relacionados aos impactos das mudanças do clima na disponibilidade desses recursos. ▪O Brasil também possui recursos não renováveis que, apesar de finitos e exauríveis, são abundantes, com potencial técnico não renovável de 20,6 bilhões de tep, cerca de 70 vezes superior ao consumo energético anual do país.
- frequência e duração seca
- temperatura
- ondas de calor
- chuvas extremas e persistentes Mudança padrão dos ventos
- temperatura do mar
Principais mensagens da quantificação dos cenários 23 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública 291 x2 x1,8 x1,6 2025TNZTA 2055 TC O consumo de energia tende a se multiplicar com o bom desempenho econômico do País... Nos cenários quantificados, a economia brasileira pode crescer, em média, entre 2,5% a.a. e 3,8% a.a. até 2055. O maior desempenho é promovido por uma mudança estrutural da economia, aumentando a participação de setores de maior valor agregado e pelo aproveitamento das vantagens brasileiras na transição energética levando ao desenvolvimento de cadeias relevantes no País. ▪Nesse contexto, a indústria apresenta maior expansão, puxada pela política de neoindustrialização, com efeitos refletidos em toda a economia. A transição energética se apresenta como possível vetor para transformação do contexto socioeconômico nacional, reduzindo desigualdades e aumentando o consumo das famílias. ▪Tendo em vista este desempenho da economia, o País enfrentará um aumento substancial da demanda de energia, que pode alcançar em 2055 valores entre 1,6 e 2,0 vezes maiores que os atuais. ▪Em todos os cenários, o crescimento da demanda de energia traz desafios para a expansão da oferta e manutenção da segurança energética no País. Expansão da Demanda de Energia em relação a 2025 (milhões de tep) 3,8 3,2 2,5 PIB (%a.a) Maior crescimento econômico Crescimento expressivo da indústria: 4.4% a.a. Eletrificação massiva e altas taxas de eficiência Crescimento econômico relevante Economia ainda apoiada no modelo primário-exportador Expansão do consumo das famílias Menor crescimento econômico Sem mudanças estruturais na economia Menores taxas de eletrificação e eficiência energética
Principais mensagens da quantificação dos cenários 24 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública 29% 35% 39% 30% 2% 3% 4% 1% 30% 38% 41% 19% 1% 4% 3% 28% 15% 7% 41% 6% 4% 4% 4% 3% 1% 2% 4% 1% 1% 2% 1% TC TA TNZ 2025 Bioenergia Outras renováveis Eletricidade Hidrogênio Derivados de petróleo Gás natural Carvão e derivados Outras não renováveis O mix das fontes que atende à demanda final de energia em 2055 pode variar bastante, sendo a eletrificação e a bioenergia essenciais para a descarbonização da demanda energética. ▪De modo geral, quanto maior a penetração da eletricidade, menor é a participação dos combustíveis fósseis ao final do horizonte. Independentemente do cenário, a eletricidade se torna mais relevante em 2055, sendo que seu montante varia entre 2,6 e 4,2 vezes superior ao consumo total atual no Brasil. ▪Nos cenários de maior descarbonização, o crescimento da participação da bioenergia 10 , do gás natural, do biometano e até mesmo do hidrogênio contribui significativamente para a redução do consumo de combustíveis fósseis. ▪A participação de derivados de petróleo no atendimento ao consumo final de energia pode reduzir gradativamente, podendo passar do patamar de 40% para menos de 10%. ... com destaque para o aumento da eletrificação e ampliação do uso de bioenergia Participação das fontes no consumo final em 2055 (% do total) 10 Bioenergiaincluibiomassa, biometano e biocombustíveislíquidos
Principais mensagens da quantificação dos cenários 25 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública 252 186 160 114
100 200 300 400 500 600 700 800 2025TNZTA 2055 TC Ganhos de eficiência energética serão fundamentais para atendimento à demanda 11 Eficiência média dos setores residencial, transportes e indústria. A economia de energia é calculada com os mesmos percentuais aplicados a todo consumo final energético. Estimativa da eficiência para os setores residencial, transportes e indústria¹¹ Consumo Energético Total e Eficiência Energética (milhões de tep) TNZ 27% TA 26% TC 22% Consumo energético Energia conservada A eficiência energética pode evitar mais de 25% do consumo final energético até 2055. Isso significa uma economia de quase 200 milhões de tep, valores próximos ao consumo atual do setor de transportes somado ao setor industrial. ▪Na indústria, as medidas de eficiência podem ser adotadas através de diversas ações, desde a aquisição e modernização de equipamentos até a eletrificação e o aumento da importância do gás natural. A eficiência energética na indústria é um importante vetor de descarbonização e convive com outras medidas, como o aumento do uso da biomassa. ▪Nos transportes, a eletrificação crescente é fator importante de eficientização. Os ganhos podem ser ainda maiores considerando a eficiência sistêmica relacionada ao maior uso de transportes públicos e alteração modal da logística nacional. ▪Em cenários mais voltados à descarbonização, as edificações de baixo consumo e emissões avançam impulsionadas por políticas públicas e agenda regulatória alinhadas ao net zero, bem como por um planejamento urbano que prioriza cidades mais eficientes e inclusivas. ▪No setor residencial, o combate à pobreza energética tem um papel fundamental como vetor de eficiência energética, através da substituição das fontes de cocção de alimentos tradicionais, como lenha e carvão vegetal, por fontes modernas, como o GLP e a eletricidade.
Principais mensagens da quantificação dos cenários 26 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública Em todos os cenários, o combate à pobreza energética é tratado como prioridade da política energética, possibilitando o acesso a fontes modernas de energia para toda a população, ainda que as trajetórias de avanço sejam distintas conforme os níveis de descarbonização da matriz residencial. A redução das desigualdades energéticas é fundamental para a erradicação da pobreza energética e a promoção da eficiência energética. ▪O processo de erradicação da pobreza energética está diretamente associado à ampliação do acesso aos serviços energéticos modernos de qualidade, de maneira segura e eficiente, trazendo melhoria das condições sociais, de saúde e bem-estar da população, em especial à parcela em maior vulnerabilidade socioeconômica. ▪O crescimento econômico e da renda familiar permite que as famílias passem a usufruir mais dos serviços energéticos em seus domicílios, desbloqueando uma demanda residencial reprimida. O consumo per capita anual de energia no setor residencial pode quase duplicar no cenário mais ambicioso, passando de 1,46 tep/habitante em 2025 para até 2,6 tep/habitante em 2055. O combate à pobreza energética é um importante vetor de eficiência ... 12 Biomassaincluilenhae carvãovegetal Consumo Energético no Cozimento de Alimentos (milhões tep) ▪Em relação ao aumento de eficiência, o efeito é especialmente notado quando atreladoà eletrificação do cozimento de alimentos como uso final, uma vez que essa fonte é muito mais eficiente quando comparada aos combustíveis como GLP, gás natural e principalmente lenha e carvão vegetal. Em todos os cenários, a participação da biomassa chega a 3%, valor residual associado a fatores culturais. ▪Nos cenários mais ambiciosos, há crescimento expressivo da participação da eletricidade, podendo atingir 42% do consumo de energia para cozimento, o que se reflete em grandes ganhos de eficiência energética e descarbonização do setor. ▪Já nos cenários de descarbonização mais lenta, o GLP tende a ganhar um protagonismo maior na substituição do uso de lenha, podendo atingir 59% de participação no consumo para este fim, se consolidando como a principal fonte para cocção de alimentos e como vetor de promoção de justiça e segurança energética.
2 4 6 8 10 12 14 16 2025TNZTA 2055 TC Biomassa¹²BiometanoBioGLPEletricidadeGLPGás Natural
Principais mensagens da quantificação dos cenários 27 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública O consumo de energia elétrica residencial aumenta significativamente, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população brasileira. ▪O processo de eletrificação faz com que o consumo de eletricidade cresça a um ritmo ainda mais acelerado do que o consumo total de energia. O consumo de eletricidade per capita mensal pode quase triplicar. No cenário mais ambicioso, passa de 67,5 kWh/habitante em 2025 para até 183 kWh/habitante em 2055. ▪De forma complementar, os avanços na distribuição do acesso e esforços para promoção de maior eficiência energética nos equipamentos e eletrodomésticos auxiliam na mitigação do impacto do aumento da demanda no setor residencial, reduzem os momentos de pico do sistema e a necessidade de oferta, além de melhorar a qualidade de vida e aliviar o peso dos custos com energia no orçamento das famílias. 1,5 x 1,4 x 1,3 x 20252055 Máquina de lavar 2,2 x 1,9 x 1,5 x 20252055 Ventilador TNZTATC Outro vetor essencial no enfrentamento à pobreza energética é a promoção do acesso a equipamentos eletrodomésticos pelas diferentes camadas sociais do país. Cenários mais ambiciosos indicam até duas vezes mais equipamentos por domicílio para algumas categorias. ▪Nestes casos, com maior crescimento econômico, equipamentos de climatização como condicionadores de ar e ventiladores se tornam cada vez mais relevantes no setor, dobrando o número de aparelhos por domicílio. Uma parcela maior da população tem acesso aos serviços energéticos supridos por estes equipamentos, atendendo a uma demanda previamente reprimida, em especial nos domicílios de menor renda. ▪O maior acesso a equipamentos de climatização, associado a políticas de promoção de desempenho energético de edificações proporciona maior adaptação dos domicílios diante das mudanças climáticas e maior conforto térmico aos seus habitantes. ▪As máquinas de lavar roupa, cuja posse atualmente é notadamente desigual entre as regiões e classes sociais do país, ganham mais espaço como um item relevante nas residências em todos os cenários, com até 50% mais aparelhos. Já equipamentos de entretenimento e comunicação como televisores e computadores, tem sua expansão relacionada diretamente à evolução das condições sociais e econômicas. ... ao mesmo tempo em que promove inclusão social e equidade energética 2,1 x 1,7 x 1,4 x 20252055 Ar-condicionado Evolução da posse de equipamentos por domicílio
Principais mensagens da quantificação dos cenários 28 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública A eficiência energética e a substituição de fontes energéticas têm papel fundamental na evolução consumo energético nacional. Nos cenários mais ambiciosos, os ganhos de eficiência nos transportes permitem aliar o forte desenvolvimento econômico a uma descarbonização significativa do setor. ▪A indústria pode ganhar protagonismo importante, com o avanço das políticas de neoindustrialização e o adensamento de cadeias nacionais levando a uma forte elevação do consumo energético do setor. ▪Nas edificações, que incluem os setores residencial, comercial e público, há aumento significativo da participação no consumo nacional. A entrada de grandes cargas como data centers, a tendência de eletrificação e a expansão do consumo das famílias, em especial nos cenários mais ambiciosos, contribuem para o aumento da demanda. ▪A eficiência energética pode ser decisiva para a demanda do setor de transportes, principalmente no que tange à substituição de modos de transporte, privilegiando o transporte coletivo e a eletrificação. ▪Em todos os setores, os esforços de promoção da eficiência energética são importantes, possibilitando conciliar o desenvolvimento econômico e os avanços sociais com um incremento de demanda proporcionalmente menos acentuado. Mesmo com significativos ganhos de eficiência, o consumo dos setores de transportes, industrial e edificações cresce Demanda de energia de setores selecionados (milhões de tep) 93 234 182 147 0 50 100 150 200 250 2025TNZTA 2055 TC x2,5 x2,0x1,6 46 154 121 90 0 50 100 150 200 2025TNZTA 2055 TC x3,3 x2,6x2,0 99 103 122 135 0 50 100 150 2025TNZTA 2055 TC x1,0 x1,2x1,4 Setor de transportes Setor industrial Setor de edificações
Principais mensagens da quantificação dos cenários 29 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública A descarbonização da indústria conta com um catálogo diverso de opções de mitigação de gases de efeito estufa. Destaque para manutenção da elevada participação de biomassa e eletrificação em um contexto de crescimento de demanda que, juntas, somam até cerca de 70% do consumo energético industrial em 2055. ▪O gás natural também pode contribuir para a redução de emissões ao substituir fontes altamente emissoras como o coque de carvão mineral. Seu uso no atendimento do consumo industrial em 2055 pode ser multiplicado em até 2,6 vezes em relação a 2025. ▪O hidrogênio pode fazer parte do mix de soluções para a redução de emissões no longo prazo. ▪O setor apresenta ganhos de eficiência energética no curto e médio prazo, o que contribui para o aumento da produtividade da indústria, além de reduzir o consumo de energia e suas emissões. ▪Além das emissões de energia, o setor industrial possui emissões intrínsecas aos seus processos. Desta forma, mesmo com a redução da participação de fontes fósseis no setor, ainda há emissões que não são abatidas. Nesse sentido, a captura de carbono é tecnologia fundamental para garantir as metas climáticas no longo prazo. No setor industrial, a eletrificação, a biomassa e tecnologias de captura e armazenamento de carbono se destacam como opções de descarbonização Demanda de energia do setor industrial por fonte 13,14 (milhões de tep) 13 Outras não renováveis inclui gás de coqueria e resíduos não renováveis. 14 Outras renováveis inclui solar térmica, hidráulica e resíduos renováveis. 0 50 100 150 200 250 2025TNZTA 2055 TC Outras não renováveis Carvão e derivados Gás Natural Derivados de petróleo Hidrogênio Eletricidade Outras renováveis Biocombustíveis líquidos Biometano Biomassa
Principais mensagens da quantificação dos cenários 30 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública 0 20 40 60 80 100 120 140 160 2025TNZTA 2055 TC Derivados de petróleo Gás Natural Biometano Hidrogênio Eletricidade Biocombustíveis avançados Biocombustíveis convencionais No setor de transportes, os biocombustíveis, a eletrificação e os ganhos de eficiência são as forças motrizes para a descarbonização Renovabilidade da matriz de transportes avança de forma consistente em todos os cenários, podendo alcançar até 85% em 2055. ▪A combinação de biocombustíveis convencionais (como etanol e biodiesel), biocombustíveis avançados (como diesel verde e SAF), eletricidade e hidrogênio tem potencial para substituir uma parcela expressiva dos combustíveis fósseis no setor de transportes. Ganhos de eficiência têm papel relevante no atendimento da demanda ▪Os avanços de eficiência sistêmica complementam a descarbonização do setor, reduzindo a intensidade energética por meio de mudanças estruturais no sistema de transportes. ▪No transporte de cargas, a substituição de modos energointensivos por alternativas mais eficientes e integradas permite que os modos ferroviário e aquaviário alcancem até 45% da atividade, impulsionados por investimentos em infraestrutura logística. ▪No transporte de passageiros, os avanços advêm da migração do transporte individual para o transporte coletivo – ônibus, metrô, trens e barcas, cuja participação pode alcançar até 50% da atividade total. ▪A eletrificação é particularmente importante nesse processo devido à sua maior eficiência energética. Demanda de energia do setor de transportes por fonte 15 (milhões de tep) Biocombustíveis convencionais ampliam seu papel estratégico em todos cenários, passando de 23% em 2025 para até 43% em 2055. Biocombustíveis avançados são relevantes em segmentos de difícil descarbonização, podendo responder por até 22% da demanda em 2055. Eletricidade, proveniente de uma matriz elétrica de baixa emissão, ganha escala e pode atingir até 13% da demanda em 2055, com destaque para veículos leves e transporte urbano. TNZTATC Participação do transporte coletivo na atividade do transporte de passageiros (% total) 50% 39% 29% 23% 202520402055 Participação dos modos ferroviário e aquaviário na atividade do transporte de cargas (% total) 45% 37% 30% 202520402055 15 Gás Natural inclui Gás Natural Liquefeito (GNL).
Principais mensagens da quantificação dos cenários 31 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública O avanço da bioenergia possibilita a redução de emissões pela substituição de combustíveis fósseis, mas também a remoção de emissões da atmosfera A produção de biocombustíveis pode aumentar cerca de 5 vezes em 30 anos. ▪A bioenergia desempenha papel estratégico, garantindo diversidade e segurança energética na matriz nacional. Os biocombustíveis podem alcançar percentuais entre 32% e 42% da Oferta Interna de Energia em 2055. O etanol, o biodiesel e o biometano expandem sua atuação em diversos setores, incluindo os de difícil abatimento. Soma-se a isso a crescente relevância de novos combustíveis de baixo carbono como SAF e diesel verde. ▪A produção de bioenergia com captura e armazenamento de carbono (BECCS) e o biocarvão aplicado em cultivos energéticos ancoram a descarbonização de combustíveis e são complementos relevantes à substituição de combustíveis fósseis ao possibilitarem expansão energética com emissões negativas, compensando emissões residuais em setores de difícil abatimento. Produção de biocombustíveis (milhões de tep) Remoções de emissões na produção de biocombustíveis (MtCO₂eq) 27 135 126 66 0 20 40 60 80 100 120 140 160 2025TNZTA 2055 TC Hidrogênio Biometano Combustível sustentável de aviação (SAF) Diesel verde Biodiesel Etanol Total 0 -164 -148 -13 -200 -150 -100 -50 0 2025TNZTA 2055 TC Biocombustíveis convencionaisBiocombustíveis avançados BiometanoBiocarvão em cultivos energéticos Total •BECCS na produção de biocombustíveis líquidos (convencionais e avançados) pode remover mais de 100 MtCO 2 eq. •BECCS na produção de biometano pode remover até 43 MtCO 2 eq. •Biocarvão em cultivos energéticos tem o potencial de remover 23 MtCO 2 eq.
Principais mensagens da quantificação dos cenários 32 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública Além do crescimento orgânico, os vetores da transição energética serão determinantes da demanda elétrica no longo prazo Até 2055, a carga de energia pode crescer mais de quatro vezes, impulsionada não apenas pelo crescimento orgânico, mas também pelos fatores propulsores da transição energética. ▪A eletrificação nas residências, transportes e indústria reforça o movimento global de descarbonização, podendo representar mais da metade dos atuais 672 TWh. Por outro lado, exige um sistema elétrico mais robusto e preparado para acomodar novas demandas. ▪A digitalização da economia emerge como um vetor essencial de desenvolvimento, levando ao consumo de até 300 TWh em datacenters. No entanto, é avançando nas camadas de maior valor agregado que o Brasil poderá transformar a infraestrutura digital em vetor real de competitividade e inovação. ▪A produção de hidrogênio pode gerar importantes impactos sobre a demanda de eletricidade do País, podendo alcançar 220 TWh em 2055. Nos cenários com maior ambição climática, pode-se demandar uma maior diversificação das rotas tecnológicas para obtenção de hidrogênio, indo além da eletrólise. ▪A depender de como a transição energética se dará, tecnologias de remoção de carbono da atmosfera podem ser necessárias, podendo consumir até 150 TWh em 2055. Composição da carga (em TWh) em 2055 672 TWh x4,2 x3,7 x2,6
500 1.000 1.500 2.000 2.500 3.000 2025TNZTA 2055 TC BaseCrescimento Orgânico EletrificaçãoData centers HidrogênioCaptura Direta do Ar (DACCS)
Principais mensagens da quantificação dos cenários
33
Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública
0
200
400
600
800
1000
1200
1400
2025TNZTA
2055
TC
HidroEólicaSolar
REDsArmazenamentoGás Natural
BiomassaNuclearÓleo/Carvão
O futuro da matriz elétrica do Brasil combina baixa emissão e robustez operacional
A capacidade instalada total do setor elétrico pode até quintuplicar entre 2025 e 2055.
▪A crescente participação de fontes renováveis, especialmente eólica e solar, e de Recursos Energéticos
Distribuídos (RED)
16
, é uma tendência na evolução da matriz elétrica brasileira até 2055, podendo chegar a
88% do total da capacidade instalada da matriz elétrica, incluindo a oferta hidrelétrica.
▪O protagonismo do consumidor é crescente: os REDs têm possibilidade de alcançar cerca de 25% da
capacidade instalada total do sistema elétrico, incluindo recursos descentralizados tanto de oferta de
geração, Micro e Mini Geração Distribuída (MMGD) de até 287 GW, como de resposta da demanda, RD
podendo chegar a 23 GW.
▪Apesar da redução na participação relativa na matriz elétrica, o aproveitamento da fonte hidráulica, em
modernização e viabilização de potencial estratégico, inclusive através de Usinas Hidrelétricas Reversíveis
(UHR), leva a um acréscimo de até 72 GW de capacidade instalada até 2055.
▪Com a evolução da composição da matriz elétrica, tanto as hidrelétricas, como a oferta de gás natural
através de térmicas flexíveis, equilibram o balanço oferta e demanda, agregando resiliência e
capacidade para o SIN.
▪Em linha com as ambições climáticas, é prevista a viabilização de até 14 GW da tecnologia nuclear,
incluindo Pequenos Reatores Nucleares Modulares (SMR), e de térmicas a gás com CCS, que podem
alcançar até 36 GW e representar até 50% da oferta térmica a gás natural.
▪O armazenamento
17
(tanto centralizado quanto distribuído) desempenha um papel fundamental no
gerenciamento dos excedentes de energia renovável e no atendimento das necessidades de
potência e flexibilidade do SIN, contemplando baterias e UHRs.
16
REDs: Resposta da Demanda e Geração Distribuída
17
Armazenamento: Bateria e Usinas Hidrelétricas Reversíveis,
18
Não considera Auto Produção e Sistemas Isolados
Capacidade instalada (GW)
18
em 2055
Principais mensagens da quantificação dos cenários 34 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública Todos os cenários apontam que a matriz elétrica brasileira terá alta renovabilidade Em 2025, a geração anual de energia elétrica é de cerca de 726 TWh 19 . Em 2055, o crescimento da energia anual gerada pode ser de 2 a 4 vezes maior que em 2025, a depender do cenário. O grau de renovabilidade da geração anual de energia elétrica para 2055 pode variar entre 97% e 99%, ante 96% em 2025 20 . Total de Geração Anual de Energia Elétrica 21
- Participação (%) por Fonte 19 A geração centralizada atende tanto ao consumo advindo da rede quanto às perdas totais (técnicas e não-técnicas). 20 A geração anual de energia elétrica proveniente de energia limpa supera 97% em todos os cenários avaliados (inclui nuclear). 21 Não considera Auto Produção e Sistemas Isolados
31% 23% 20% 61% 37% 39% 37% 17% 16% 22% 28% 5% 1% 2% 1% 5% 11% 9% 11% 6% 1% 4% 2% 2% 3% 1% 0,5% 4%1% TC TA TNZ 2025 HidroEólicaSolarBiomassaGDNuclearGás NaturalÓleo/Carvão 96% 99% 99% 97%
Principais mensagens da quantificação dos cenários 35 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública O Sistema Interligado Nacional passará por uma evolução expressiva, com algumas tecnologias ocupando papel de destaque para a manutenção da segurança energética A adequação do suprimento elétrico requer permanentes aprimoramentos de arcabouço regulatório e modelos de negócio que acompanhem os requisitos operativos de maneira custo-eficiente – potência, energia, flexibilidade, confiabilidade e novos serviços. ▪Em 2025, as hidrelétricas contribuem com 4/5 de toda a disponibilidade de potência do sistema, cerca de 87 GW, seguida pelas renováveis 22 com 9 GW e complementando o balanço com as térmicas fornecendo em torno de 12 GW. ▪Em 2055, as hidrelétricas ainda podem desempenhar um importante papel no atendimento de potência com disponibilidades alcançando de 109 a 112 GW. As térmicas flexíveis devem operar quase que exclusivamente para complementação de potência, cerca de 39 a 54 GW. ▪O armazenamento 23 centralizado gerenciando excedentes renováveis contribui com potência disponível entre 39 a 97 GW, incluindo UHRs. ▪Os REDs 24 também devem participar do equilíbrio entre oferta e demanda de potência do sistema elétrico, com disponibilidades entre 26 a 72 GW, sendo constituídos de Resposta da Demanda – em modalidades de contratações diretas, além de aprimoramento dos sinais de preços e das tarifas das distintas classes de consumo – e de baterias instaladas em residências, comércios e indústrias. ▪Mesmo as renováveis podem fornecer entre 52 a 97 GW da disponibilidade de potência, aproximadamente 15% de sua capacidade instalada total. 22 Renováveis: Eólica, Solar e Biomassa. 23 Armazenamento: Bateria e Usinas Hidrelétricas Reversíveis. 24 REDs: Resposta da Demanda e Geração Distribuída associada a Baterias atrás do medidor. 25 Não considera Auto Produção e Sistemas Isolados. Capacidade Instalada e Disponibilidade de Potência 25
- Participação (GW) por Fonte
200,00 400,00 600,00 800,00 1.000,00 1.200,00 1.400,00 Capacidade Instalada PotênciaCapacidade Instalada PotênciaCapacidade Instalada PotênciaCapacidade Instalada Potência HidroRenovávelREDsTérmicaArmazenamento TA 2055 TNZ TC 2025
Principais mensagens da quantificação dos cenários 36 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública O sistema de transmissão terá importância ainda mais estratégica para garantir confiabilidade e flexibilidade operativa do SIN Evolução da extensão de linhas de transmissão (km x 1000) Evolução da capacidade instalada de transformação (GVA) O crescimento do sistema de transmissão deve ser impulsionado tanto pelas expansões das interligações regionais, em especial com a Região Nordeste, quanto pelos reforços em sistemas locais, que tendem a ser essenciais para garantir a segurança operativa e a integração regional. O sistema de transmissão pode crescer em até três vezes em relação a 2025. ▪A expansão do sistema de transmissão mostra-se como peça-chave em todos os cenários avaliados, demandando não apenas a ampliação de capacidade, mas também a inserção de novas tecnologias de transmissão nos sistemas regionais, além de sistemas de armazenamento, para que se possa aprimorar a confiabilidade, a resiliência e a controlabilidade da rede frente à forte expansão de geração renovável solar e eólica. ▪Até 2055, as expansões de linhas de transmissão crescem entre 180 mil km e 390 mil km, fazendo com que o sistema interligado nacional alcance um tamanho equivalente de duas a três vezes o atual. ▪A capacidade de transformação tende a se ampliar entre 330 GVA e 800 GVA, elevando a capacidade instalada total do SIN para 1,7 a 2,7 vezes o seu tamanho atual. Estimativa da Capacidade das Interligações Regionais em 2055 (GW) 589 193 525 373 0 200 400 600 800 20252055 TNZTATC 1300 493 1158 823 0 500 1000 1500 20252055 TNZTATC NE –SE/CO 28 a 71 GW S –SE/CO 23 a 31 GW N –SE/CO 18 GW N –NE 30 a 37 GW x 3,0 x 2,7 x 1,9 x 2,7 x 2,3 x 1,7
Principais mensagens da quantificação dos cenários 37 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública A ampliação da cooperação com países vizinhos se mostra estratégica para aumentar segurança energética e esforços de descarbonização A transição energética no Brasil traz oportunidades para o desenvolvimento de cadeias produtivas e para a cooperação internacional, aproveitando os excedentes de geração para exportação e contribuindo para a integração energética e descarbonização de países vizinhos. 10,0 18,0 4,0 5,4 0,1 3,5 0 5 10 15 20 25 30 Cenário Importação e Exportação Base Cenário Importação e Exportação ampliada SulSudeste/Centro-OesteNorte Estimativa da Capacidade das Interligações Internacionais em 2055 (GW) ▪A exportação de energia para países vizinhos, em especial daqueles com fronteiras com as regiões Centro-Oeste e Sul do Brasil, permite aproveitar sinergias regionais e aumentar a segurança de suprimento em cenários mais adversos de geração renovável. Capacidade de interligação estimada de cerca de 14 GW viabilizando uma integração regional do cone Centro-Oeste - Sul da América do Sul que pode ser utilizada para exportar excedentes renováveis ou geração de usinas termelétricas não despachadas para atendimento ao mercado interno. A capacidade das interligações internacionais pode dobrar caso a exportação de excedentes renováveis da região nordeste se mostre economicamente atrativa, exigindo ampliar as interligações internacionais e as regionais. 14,1 GW 26,9 GW
Principais mensagens da quantificação dos cenários 38 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública 0 100 200 300 400 500 2025TNZTA 2055 TC A transição energética avança principalmente por meio da eletrificação, tornando-se intensiva no uso de minerais estratégicos. A expansão de fontes renováveis na geração elétrica, como solar e eólica, é mais intensiva em uso de minerais quando comparada às tecnologias tradicionais. A mobilidade elétrica depende fortemente de baterias, intensivas em lítio, grafite e outros minerais estratégicos. Esse processo também envolve a ampla difusão de motores elétricos, cuja eficiência depende do uso de ímãs permanentes à base de terras raras. Esse movimento reforça a centralidade das cadeias minerais para a viabilização da transição energética, incluindo as etapas de transformação mineral e produção de componentes industriais. ▪As cadeias globais de minerais estratégicos — tanto para a geração elétrica quanto para baterias e motores elétricos — apresentam elevada vulnerabilidade de suprimento, associada à forte concentração internacional e industrial ao longo de toda a cadeia, ampliando riscos à disponibilidade, aos custos, ao ritmo de difusão das tecnologias e à resiliência do sistema energético nacional. ▪O Brasil apresenta oportunidades estratégicas na transição energética em função de sua elevada diversidade geológica e da presença de reservas relevantes de minerais estratégicos, como grafita e terras raras, estas ainda com cadeia produtiva incipiente, além do urânio, cuja cadeia produtiva já se encontra estruturada no País, criando potencial para o fortalecimento industrial e maior inserção nas cadeias globais. O avanço da transformação mineral no território nacional é condição central para capturar maior valor associado a motores elétricos, baterias e equipamentos de geração renovável, contribuindo para uma transição mais justa e inclusiva. ▪Na matriz elétrica, por exemplo, o aumento da demanda por minerais estratégicos é puxado principalmente pela expansão da energia solar e eólica, com destaque para o silício — associado aos painéis fotovoltaicos — e para o zinco e as terras raras, utilizados em aerogeradores, sobretudo nos cenários de maior penetração de renováveis. O cobre também assume papel transversal na matriz elétrica, sendo amplamente utilizado em praticamente todas as tecnologias de geração, além de sistemas elétricos auxiliares. A expansão física da rede amplia ainda mais a demanda por aço e alumínio, utilizado principalmente nas estruturas das torres e nos cabos de transmissão. ▪Na mobilidade elétrica, a eletrificação da frota é o principal vetor de crescimento da demanda por minerais estratégicos, especialmente em cenários de maior difusão de veículos elétricos e de elevada intensidade material das baterias. Esse vetor é complementado pela expansão do uso de motores elétricos de alto desempenho, cuja produção depende de capacidades industriais de transformação mineral hoje concentradas fora do país. A transição energética brasileira ampliará de forma expressiva a demanda por minerais críticos, abrindo oportunidades para o adensamento de cadeias no País Minerais estratégicos em Baterias para Mobilidade (Milhões Toneladas) 0 2 4 6 8 10 2025TNZTA 2055 TC Minerais estratégicos na Geração de Energia Elétrica (Milhões Toneladas) x7,1 x3,5 x5,5 x14 x25 x11
Principais mensagens da quantificação dos cenários 39 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública O Brasil tem potencial para se manter como produtor e exportador de petróleo, apropriando-se dessa renda para avançar nos aspectos sociais e de inovação da transição energética. Para isso, deverá manter baixa sua pegada de carbono associada, dando competitividade ao óleo brasileiro no mercado global. ▪A produção de petróleo nacional pode apresentar um pico de 5,3 milhões b/d em 2030 e níveis inferiores aos de 2025 no longo prazo, evidenciando a redução gradual de combustíveis fósseis, sem prejuízo à segurança energética nacional. Embora a demanda doméstica de petróleo possa declinar, a demanda doméstica de gás natural deve aumentar e, como a grande maioria da produção de gás natural é associada ao petróleo, os níveis de produção de petróleo no longo prazo não declinam na mesma magnitude. ▪A indústria de óleo e gás desempenha um papel estratégico no desenvolvimento econômico do país. No comércio internacional, o petróleo brasileiro deve manter elevada competitividade, aliando custos eficientes a uma baixa intensidade de carbono associada às atividades de produção. Nesse contexto, suas receitas podem se configurar em um instrumento importante para acelerar a transição energética do país. 4,2 5,3 4,3 4,9 4,6 4,3 3,8 4,2 5,3 4,3 4,9 4,7 4,4 4,1 4,2 5,3 4,3 4,9 4,7 4,4 4,1 103 164 165 237 304 231 166 103 164 167 259 338 280 231 103 164 167 259 338 280 231
100 200 300 400 500
1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 202520302035204020452050205520252030203520402045205020552025203020352040204520502055 Produção de gás natural milhões de m 3
por dia Produção de petróleo milhões de barris por dia Demanda doméstica de petróleo Potencial de exportação de petróleo Produção de petróleo Produção de gás natural A produção de petróleo e gás natural seguirá relevante e poderá passar por transformações significativas nas próximas décadas Produção de petróleo e gás natural TC TNZ TA
Principais mensagens da quantificação dos cenários 40 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública A demanda interna por derivados de petróleo permanece relevante até 2055, com trajetórias distintas conforme o grau de ambição climática e o ritmo de descarbonização: pode atingir pico na década de 2030 e declinar gradualmente, ou expandir-se em até 10% no horizonte de 2055. ▪A demanda por GLP e usos não energéticos (como etano e nafta para a petroquímica, asfaltos e lubrificantes) mostra-se mais resiliente no longo prazo do que a demanda por gasolina e QAV. ▪A manutenção do refino nacional assume papel estratégico em termos de geopolítica e segurança energética, ao assegurar o processamento de petróleo doméstico e reduzir vulnerabilidades externas. Até 2040, a produção das refinarias cresce em todos os cenários, reforçando o refino como pilar estruturante do atendimento à demanda. ▪No longo prazo, o refino enfrenta o desafio de se reinventar, exigindo estratégias de adaptação tecnológica, financiamento e integração às políticas de descarbonização, de modo a preservar sua sustentabilidade econômica em um contexto de transformação do sistema energético. ▪A carga processada se transforma de forma relevante: a participação de matérias-primas renováveis pode alcançar patamares próximos de 40% da produção total em 2055, reposicionando refinarias tradicionais de petróleo como centros híbridos de transformação. ▪Parcela renovável da carga inclui diferentes rotas tecnológicas, como coprocessamento, retrofit de unidades existentes de hidrotratamento (HDT) e de craqueamento catalítico (FCC) para hidrogenação de insumos renováveis, além de novas unidades de hidroprocessamento de ésteres e ácidos graxos (HEFA) integradas às refinarias. ▪A incorporação de cargas renováveis contribui para o prolongamento da vida útil dos ativos de refino, reduz riscos de ociosidade estrutural e amplia oportunidades de geração de valor. ▪A capacidade ociosa remanescente pode ser direcionada à exportação, seja de derivados fósseis ou de produtos renováveis, reforçando a flexibilidade do parque de refino no longo prazo. Refino nacional permanece como um dos pilares da segurança energética, com crescente participação de matérias-primas renováveis Produção das refinarias brasileiras (2025 = base 100) Produção das refinarias brasileiras por origem da matéria-prima 26
(% do total) 26 Não inclui gás de refinaria. 46 82 124 0 20 40 60 80 100 120 140 202520402055 Até 2040, o refino cresce em todos os cenários TNZ TA TC 100% 62% 82% 98% 38% 18% 2% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 2025TNZ 2055 TATC Renovável Fóssil
Principais mensagens da quantificação dos cenários 41 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública 0 50 100 150 200 250 300 2025TNZTA 2055 TC Biometano Gás natural importado Gás natural flexível Gás natural nacional 0 50 100 150 200 250 300 2025TNZTA 2055 TC Produção de metanol Produção de hidrogênio Produção de amônia Setor elétrico Setores de transportes, edificações e agropecuária Setor industrial O gás natural e o biometano são relevantes para a transição energética nacional O gás natural e o biometano têm um papel relevante na transição energética brasileira com um crescimento de 2,5 a 3,5 vezes em relação a 2025. O biometano se destaca com seu alto potencial de inserção, sendo uma alternativa importante para a gradual redução de combustíveis fósseis e para o atendimento às metas climáticas. O compartilhamento de infraestruturas de transporte e distribuição permite a inserção do gás renovável na malha e atendimento de novos mercados. Oferta de gás natural e de biometano (MMm³/d)Demanda de gás natural e de biometano (MMm³/d) ▪O crescimento da demanda se explica pelo maior uso no setor industrial, na produção de hidrogênio e no setor de transportes. Destacam-se os segmentos siderúrgico, via substituição de carvão mineral, e químico. A produção de hidrogênio e amônia usando gás natural e biometano como matéria-prima pode contribuir para a redução da dependência externa de fertilizantes, essenciais ao setor agropecuário. ▪Há necessidade de contínuos investimentos para a concretização da oferta crescente do gás nacional. Para as soluções de geração elétrica, será cada vez mais necessário o desenvolvimento de modelos de negócio de gás natural flexível para atendimento das demandas de ponta. A integração gasífera entre Brasil, Argentina e Bolívia se intensifica, o que reforça a necessidade de investimento em infraestrutura.
Principais mensagens da quantificação dos cenários 42 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública A oferta interna de energia duplicará para acompanhar o avanço econômico, sendo atendida por uma matriz ainda mais renovável e com menor intensidade energética A renovabilidade da oferta interna de energia pode alcançar até 81% em 2055. ▪Os derivados de petróleo perdem participação na matriz energética, principalmente pelas mudanças no setor de transportes, enquanto o gás natural se mantém como um importante energético, com uso em diversos setores. ▪Houve expressivo aumento da participação das fontes solar e eólica para geração elétrica, e de biomassa para produção de biocombustíveis e consumo industrial. TA 2055 TC 2055 HIDRÁULICA EÓLICA BIOMASSA SOLAR PETRÓLEO GÁS CARVÃO URÂNIO 2025 34%11%3%2%36%8%4%1% 42%8%14%16%6%8%3%3% 41%9%13%11%12%8%2%5% 33%11%10%8%25%9%3%1% TNZ 2055 52% 81% 73% 62% Participação das fontes e renovabilidade da oferta interna de energia
Principais mensagens da quantificação dos cenários 43 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública Setor de energia com significativo potencial de contribuição para o atingimento de metas climáticas nacionais O setor de energia pode apresentar diferentes níveis de esforço para contribuir para o alcance de metas da NDC brasileira, sobretudo a de emissões líquidas zero de GEE para a economia como um todo até 2050. 27 Metas setoriais do Plano Clima para o escopo ampliado do Plano Setorial Energia, incluindo metas de emissões associadas ao uso de energia nos setores de Transportes, Indústria, Cidades e Agricultura e Pecuária. ▪Grande potencial de redução de emissões no uso final de energia, especialmente no setor de transportes, não só pela substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis (convencionais e avançados), eletrificação e hidrogênio, mas também por ganhos de eficiência energética. Emissões líquidas de GEE da combustão de energia por setor (Mt CO 2 eq) Emissões líquidas e metas de emissões de GEE 27 do setor de energia (Mt CO 2 eq) ▪As políticas vigentes são relevantes para manter o protagonismo do setor em termos de mitigação de emissões, tanto da produção quanto do uso de energia. Contudo, mais incentivos à bioenergia e investimentos na cadeia de inovação, com vistas à implementação de tecnologias-chave para a descarbonização, são necessários para o alcance da meta climática nacional de longo prazo. -200 -100 0 100 200 300 400 500 600 2025TNZTA 2040 TCTNZTA 2055 TC Público Comercial Residencial Agropecuário Indústria Transportes Energético -100 0 100 200 300 400 500 600 2025203020352040204520502055 TCTNZ TAPlano Clima: meta setorial 2030 Plano Clima: meta setorial 2035
Principais mensagens da quantificação dos cenários 44 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública Contribuições do setor de energia para o atingimento da meta de emissões líquidas zero de GEE para a economia como um todo até 2050 O setor de energia contribui para o atingimento da meta de longo prazo por meio de substituição de combustíveis fósseis, eficiência energética e novas tecnologias. ▪A mitigação de emissões, via substituição de combustíveis fósseis e eficiência energética, pode contribuir em até 178 Mt CO 2 eq de redução de emissões em 2050 relativo às emissões líquidas em 2025. Adiciona-se o potencial de captura de carbono no setor industrial, reforma do gás natural para produção de hidrogênio e em termelétricas, com redução de emissões de até 90 Mt CO 2 eq. ▪Destaque especial para o potencial de remoção de carbono via BECCS, Biocarvão em cultivos energéticos e DACCS, alcançando até 144 Mt CO 2 eq que podem ser removidos da atmosfera em 2050. 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 Emissões 2025 Emissões brutas CapturaRemoçãoEmissões líquidas Emissões brutas CapturaRemoçãoEmissões líquidas Emissões brutas CapturaRemoçãoEmissões líquidas Mt CO2eq TC 2050 TNZ 2050 TA 2050 -178 -90 -144 Captura: Termelétricas com CCS Reforma de gás natural Setor industrial Remoção: Captura direta do ar (DACCS) Biocombustíveis convencionais (BECCS) Biocombustíveis avançados (BECCS) Biometano (BECCS) Biocarvão em cultivos energéticos
Principais mensagens da quantificação dos cenários 45 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública A transição energética pode se consolidar como um vetor de diversificação econômica para o País O investimento 28 é fundamental para o desenvolvimento econômico, pois além de ampliar a capacidade produtiva futura da economia tem potencial de gerar empregos e estimular a inovação. ▪A bioenergia se mostra como parte relevante das soluções de descarbonização no contexto de transição energética nacional, potencializando investimentos no setor que podem chegar a montantes da ordem de R$ 300 bilhões até 2055. Uma indústria consolidada de bioenergia pode possibilitar menores custos para tecnologias de captura e armazenamento de carbono no país, fundamentais em cenários de maiores ambições climáticas, especialmente em biocombustíveis convencionais, biocombustíveis avançados 29
e biometano. Investimentos em BECCS 30 podem somar cerca de R$ 40 bilhões no longo prazo. ▪Os investimentos para expansão da matriz elétrica se mostram mais significativos a depender do crescimento da carga de eletricidade e da ambição climática, podendo somar até cerca de R$ 2 trilhões até 2055. Tecnologias tradicionais de geração se mantêm relevantes. A parcela de investimentos em tecnologias emergentes 31 , ainda consideradas como novas na matriz nacional, pode crescer significativamente, chegando a representar patamares entre 10% e 30% do total de investimentos necessários em geração. Investimentos na produção de combustíveis, captura de carbono e hidrogênio (R$ bilhões) Investimentos na geração de eletricidade (R$ bilhões) 28 O montante dos investimentos foram trazidos a valor presente (2025) considerando uma taxa de desconto de 8% a.a. 29 Parcela de investimentos em biocombustíveis avançados estão alocados em projetos de retrofit de refinarias de petróleo. 30 Bioenergia com captura de carbono (BECCS) contempla apenas investimentos de captura e não considera investimentos para transporte e armazenamento. 31 Eólica offshore, solar flutuante, térmicas com CCS, baterias - inclusive baterias atrás do medidor, usinas hidrelétricas reversíveis, resposta da demanda e SMR foram consideradas em tecnologias emergentes. Demais opções, inclusive relacionadas a MMGD, foram consideradas como tecnologias tradicionais.
Principais mensagens da quantificação dos cenários 46 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública Investimentos na expansão da infraestrutura se mostram como condição viabilizadora da transição energética brasileira Investimentos em infraestrutura do setor energético 32 (R$ bilhões) Investir na infraestrutura de gás natural e transmissão de energia fortalece a segurança energética do Brasil, tornando o sistema mais resiliente a eventos climáticos e preparado para os desafios do futuro. ▪A expansão da infraestrutura da transmissão pode viabilizar investimentos de até cerca de R$ 600 bilhões no longo prazo. Os investimentos proativos em transmissão são essenciais para o fortalecimento do sistema elétrico, especialmente por meio da ampliação das interligações regionais e intrarregionais e da adoção de tecnologias avançadas, fundamentais para assegurar maior resiliência e confiabilidade da rede. ▪A expansão da transmissão, integrada à diversificação da matriz de geração e à inserção de sistemas de armazenamento, contribui significativamente para o aumento da segurança energética e da flexibilidade operativa, possibilitando ao sistema lidar de forma mais eficiente com fontes de geração variáveis, com os impactos de eventos climáticos extremos e com o crescimento de demandas com perfis distintos dos atuais. ▪Com papel relevante na transição energética brasileira, a expansão da infraestrutura de transporte e escoamento de gás natural deve estimular até R$ 50 bilhões em investimentos até 2055, podendo viabilizar o crescimento da oferta de biometano em sinergia com o gás fóssil. A expansão de infraestruturas interligadas e resilientes é necessária para o atendimento ao crescimento da demanda do setor industrial, consolidação de demandas em localidades ainda não atendidas, bem como para o alcance das metas climáticas. 32 Estimativas realizadas a partir dos dados obtidos dos exercícios quantitativos.
Principais mensagens da quantificação dos cenários 47 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 SMRTérmicas com CCS Renováveis offshore Tecnologias de Armazenamento TRL Faixa de variação do TRLTRL Médio 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Diesel verdeSAFH2CCUSBECCS TRL Faixa de variação do TRLTRL Médio Parcela relevante das tecnologias emergentes nos cenários do PNE 2055 se concentra em níveis intermediários de maturidade tecnológica Portanto, a inserção dessas tecnologias no contexto brasileiro deve ser apoiada por políticas públicas que acelerem sua difusão, deem escala às soluções e viabilizem sua adoção em bases econômicas no médio prazo. Para viabilizar tecnologias diversas em escala e em bases econômicas, é necessário formar mercados no Brasil e no exterior e ampliar a cooperação com países que compartilhem interesses tecnológicos convergentes, em um ambiente de competição internacional crescente. ▪Mapeamento realizado indica que as principais tecnologias emergentes já superaram a etapa puramente experimental, mas que ainda precisam comprovar desempenho e competitividade em escala real, com redução de custos e consolidação de cadeias de suprimento, infraestrutura e arcabouço regulatório. Esse perfil sugere a necessidade de instrumentos de redução de risco e de estímulo à demonstração e ao escalonamento, combinando mecanismos que viabilizem projetos “first-of-a-kind”, com iniciativas voltadas à formação de mercado e aceleração da difusão das soluções mais maduras dentro de cada grupo. ▪O Combustível do Futuro (Lei 14.993/2024) e a Política Nacional do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (Lei 14.949/2024) são alguns exemplos de políticas que atuam nesse sentido, ao criarem sinais de demanda e previsibilidade regulatória e ao combinarem instrumentos capazes de destravar investimentos e acelerar a formação de mercado. Na prática, esses marcos contribuem para reduzir incertezas, incentivar a construção de infraestrutura e cadeias de suprimento e orientar a inserção gradual de soluções de menor maturidade em condições econômicas, favorecendo sua passagem da demonstração para a escala comercial. Nível de maturidade de tecnologias emergentes selecionadasNível de maturidade de tecnologias emergentes no setor elétrico TRL 1-4: Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) TRL 5-7: Demonstração e Pré-Comercialização TRL 8-11: Comercialização e Difusão TRL 1-4: Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) TRL 5-7: Demonstração e Pré-Comercialização TRL 8-11: Comercialização e Difusão 31 Com base nos cenários do PNE 2055, mapeou-se o nível de maturidade (TRL) dos principais grupos tecnológicos da transição energética brasileira a partir da base IEA ETP Clean Energy Technology Guide, visando subsidiar a reflexão estratégica sobre seu desenvolvimento no contexto nacional e reconhecer a heterogeneidade de maturidade dentro de cada grupo; o exercício abrangeu 123 tecnologias de captura e combustíveis (p.ex., diesel verde, SAF, hidrogênio, CCUS—gestão/indústria e BECCS) e 56 tecnologias do setor elétrico (p.ex., renováveis offshore, SMR, armazenamento e térmicas com CCS).
48 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do Futuro Rumo a 2055: Recomendações estratégicas
Rumo a 2055: Recomendações estratégicas 49 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública A reflexão estratégica do PNE 2055 nasce de uma abordagem prospectiva e sistêmica que se conecta a importantes desafios para a transição energética brasileira ... A partir dos resultados dos cenários qualitativos e de sua quantificação, foram elaboradas recomendações estratégicas para avançar no sentido de uma visão de futuro em linha com um sistema energético descarbonizado como vetor de desenvolvimento sustentável. De forma simplificada, essa construção partiu da definição de quatro pilares estratégicos, que refletem desafios importantes. Tais desafios mapeados se desdobram em resultados esperados no horizonte de 2055, denominados objetivos. As recomendações estratégicas, por sua vez, endereçam possíveis formas de alcançar os objetivos que fazem frente aos desafios mapeados, servindo de subsídio aos formuladores de políticas públicas. Vale destacar que a elaboração estratégica do PNE contou com uma análise de oportunidades, ameaças e desafios de todos os cenários elaborados no âmbito do trabalho, e não apenas dos cenários quantificados, a fim de estimular o desenvolvimento de estratégias híbridas e robustas, que sejam resilientes a todos os cenários 33 . De toda forma, os resultados dos exercícios quantitativos adensaram as recomendações estratégicas aqui apontadas. 33 Esta e outras etapas de construção estratégica do PNE 2055 foram realizadas através de oficinas participativas e dinâmicas. Pilares estratégicos SEGURANÇA E RESILIÊNCIA DO SISTEMA ENERGÉTICO POBREZA E JUSTIÇA ENERGÉTICA ENERGIA COMPETITIVA PARA UMA ECONOMIA DE BAIXO CARBONO POLÍTICAS PÚBLICAS, REGULAÇÃO E FINANCIAMENTO PARA A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA PILAR “SEGURANÇA E RESILIÊNCIA DO SISTEMA ENERGÉTICO” Capacidade de o sistema energético atender a demanda com qualidade, confiabilidade e a preços acessíveis, mesmo em situações adversas, além de se adaptar a novas condições, como mudanças climáticas, avanços tecnológicos, variações de mercado, mudanças estruturais etc. PILAR “POBREZA E JUSTIÇA ENERGÉTICA” Promoção do acesso universal e equitativo aos serviços energéticos modernos, assegurando que os benefícios da transição energética sejam distribuídos de forma justa para a sociedade, sobretudo para os mais vulneráveis, promovendo a inclusão social, produtiva e regional. PILAR “ENERGIA COMPETITIVA PARA UMA ECONOMIA DE BAIXO CARBONO” Descarbonização do sistema energético com competitividade e sustentabilidade, desenvolvendo cadeias relevantes e estratégicas para a transição energética brasileira e gerando impactos positivos na economia nacional. Ou seja, trata-se de um amplo processo de descarbonização, com agregação de valor para o País. PILAR “POLÍTICAS PÚBLICAS, REGULAÇÃO E FINANCIAMENTO PARA A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA” Necessidade de um arcabouço robusto e integrado de políticas públicas, instrumentos regulatórios e mecanismos de financiamento que mobilizem recursos para garantir uma transição energética justa e inclusiva.
Rumo a 2055: Recomendações estratégicas 50 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública Recomendações estratégicas SEGURANÇA E RESILIÊNCIA DO SISTEMA ENERGÉTICO Garantir a oferta e o acesso à energia elétrica e combustíveis em todo o território nacional Fortalecer a resiliência e a segurança do sistema energético nacional, assegurando custos adequados para a sociedade ▪Expansão da oferta de energia com base nas potencialidades do País, reforçando a diversificação da matriz e a complementariedade entre as fontes. ▪Desenvolvimento e modernização da infraestrutura energética, assegurando o atendimento à demanda com confiabilidade e a preços acessíveis. ▪Promoção de uma gestão integrada dos recursos energéticos e naturais, orientada por critérios de eficiência, sustentabilidade e segurança do suprimento. ▪Desenvolvimento de mecanismos de resposta rápida a eventos críticos, como instabilidade políticas e ataques cibernéticos, para garantir o suprimento e o acesso de energia elétrica e combustíveis. Objetivo 1: Garantir a oferta e o acesso à energia elétrica e combustíveis em todo o território nacional ▪Aperfeiçoamento dos critérios de planejamento e dos mecanismos regulatórios e de atração de capital, com foco na resiliência e segurança do sistema, buscando o equilíbrio entre custos e benefícios para a sociedade. ▪Realização de estudos e implementação de mecanismos que promovam a resiliência do sistema energético, considerando as ameaças climáticas. ▪Desenvolvimento e aprimoramento de soluções que promovam flexibilidade do sistema, frente à crescente inserção de fontes renováveis variáveis e às mudanças no perfil da demanda. ▪Reforço do protagonismo do Brasil na integração energética regional, explorando sinergias em recursos energéticos e fomentando o desenvolvimento sustentável da América Latina. Objetivo 2: Fortalecer a resiliência e a segurança do sistema energético nacional, assegurando custos adequados para a sociedade
Rumo a 2055: Recomendações estratégicas 51 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública Recomendações estratégicas POBREZA E JUSTIÇA ENERGÉTICA Aprimorar a capacidade institucional de análise, diagnóstico e monitoramento da pobreza e justiça energética Erradicar a pobreza energética, de forma a garantir acesso universal a fontes modernas e serviços energéticos de qualidade e a preços acessíveis Reduzir a desigualdade energética e promover inclusão social, produtiva e regional ▪Aprofundamento dos conceitos específicos e definição de indicadores de pobreza e justiça energética. ▪Desenvolvimento de mecanismos de governança e sistemas de monitoramento de dados e indicadores de pobreza e justiça energética, para subsidiar a formulação, avaliação e aprimoramento de políticas públicas. ▪Monitoramento dos impactos socioeconômicos das cadeias energéticas, com foco na redução das desigualdades regionais. ▪Estabelecimento de governança para aprimoramento dos processos de diálogo, participação e articulação entre as partes interessadas, fortalecendo a legitimidade da tomada de decisão relativa à pobreza e justiça energética. Objetivo 1: Aprimorar a capacidade institucional de análise, diagnóstico e monitoramento da pobreza e justiça energética ▪Conscientização e comunicação para ampliar a visibilidade da pobreza energética, a sensibilização da sociedade, a transparência e a articulação institucional sobre o tema. ▪Fomento a soluções modernas de cocção, substituindo o uso da lenha por tecnologias limpas e seguras. ▪Estímulo a universalização do acesso à cesta básica de serviços energéticos, promovendo a eficiência energética e o uso sustentável da energia. ▪Investimento em infraestrutura para assegurar o acesso universal à energia de qualidade, com preços acessíveis, especialmente para populações vulneráveis. Objetivo 2: Erradicar a pobreza energética, de forma a garantir acesso universal a fontes modernas e serviços energéticos de qualidade e a preços acessíveis ▪Promoção de formação e requalificação profissional orientadas às cadeias produtivas da transição energética. ▪Participação social efetiva nos processos de formulação, avaliação e monitoramento de políticas públicas relacionadas à transição energética. ▪Formulação e integração de políticas públicas que reduzam as desigualdades sociais, territoriais, de gênero e étnico-raciais no contexto de transição energética. ▪Direcionamento dos recursos oriundos das cadeias energéticas, especialmente a de hidrocarbonetos, para ações de inclusão produtiva, educação, capacitação e redução da pobreza energética. Objetivo 3: Reduzir a desigualdade energética e promover inclusão social, produtiva e regional
Rumo a 2055: Recomendações estratégicas 52 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública Recomendações estratégicas ENERGIA COMPETITIVA PARA UMA ECONOMIA DE BAIXO CARBONO Alavancar a inovação, a digitalização e a eficiência para o sistema energético do futuro Acelerar a descarbonização na produção e no consumo de energia, com competitividade e sustentabilidade Adensar as cadeias estratégicas para a transição energética com maior potencial de agregação de valor ▪Fomento à pesquisa, desenvolvimento e inovação no setor energético, com incentivo a novos modelos de negócio, considerando as potencialidades regionais e as necessidades do País. ▪Ampliação da eficiência energética na produção, transporte e consumo, promovendo ações voltadas à conservação e uso racional de energia, à gestão de resíduos e à economia circular. ▪Desenvolvimento de desenhos de mercado que forneçam sinais econômicos adequados para que os agentes, incluindo o consumidor, tenham um papel relevante na redução dos custos sistêmicos. ▪Estímulo à digitalização da infraestrutura energética, com foco na integração de soluções e aumento da eficiência operacional. ▪Promoção da complementariedade entre os REDs, em prol de benefícios sistêmicos da descentralização e da flexibilidade operacional. Objetivo 1: Alavancar a inovação, a digitalização e a eficiência para o sistema energético do futuro ▪Planejamento coordenado para o afastamento dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos, de forma justa, ordenada e equitativa, garantindo o uso eficiente dos ativos existentes. ▪Expansão da infraestrutura de baixo carbono para viabilizar o atendimento da demanda com menor intensidade de carbono. ▪Descarbonização na produção de energia, ampliando a geração elétrica de baixa emissão de carbono e reduzindo emissões na indústria de óleo e gás. ▪Promoção da bioenergia e da eletrificação nos segmentos de uso final, sobretudo nos de difícil abatimento, considerando a viabilidade de cada solução. ▪Difusão de tecnologias de baixo carbono por meio de marcos regulatórios habilitadores de mercado e investimentos em inovação. Objetivo 2: Acelerar a descarbonização na produção e no consumo de energia, com competitividade e sustentabilidade ▪Fomento ao desenvolvimento e adensamento produtivo e tecnológico de cadeias de valor estratégicas para a transição energética, com base nas potencialidades regionais, impulsionando o protagonismo de empresas brasileiras. ▪Desenvolvimento de mercados e produtos sustentáveis de baixo carbono, com foco na competitividade, inovação e agregação de valor. ▪Estruturação de políticas de formação técnico-científico voltadas às cadeias da transição energética, em articulação com as estratégias de desenvolvimento produtivo. Objetivo 3: Adensar as cadeias estratégicas para a transição energética com maior potencial de agregação de valor
Rumo a 2055: Recomendações estratégicas 53 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública Recomendações estratégicas POLÍTICAS PÚBLICAS, REGULAÇÃO E FINANCIAMENTO PARA A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA Promover maior integração e coordenação de políticas públicas na direção da transição energética como vetor de desenvolvimento nacional sustentável Atrair investimentos para o desenvolvimento do sistema energético do futuro mediante a modernização do arcabouço regulatório e fortalecimento dos mecanismos de financiamento Fortalecer o posicionamento externo do Brasil em relação à estratégia nacional de transição energética ▪Fortalecimento das capacidades institucionais do planejamento energético, visando à qualificação da formulação, avaliação e articulação das políticas públicas. ▪Fortalecimento e consolidação de uma visão de longo prazo sobre o processo da transição energética brasileira com a ampla participação social. ▪Consolidação de governança para garantir a perenidade, a coordenação e a integração das políticas públicas para a transição energética, envolvendo os diferentes setores e entes federativos. ▪Ampliação da transparência, comunicação e articulação com instituições públicas e privadas dos diversos setores, academia e sociedade civil em relação aos custos, benefícios e oportunidades da transição energética. Objetivo 1: Promover maior integração e coordenação de políticas públicas na direção da transição energética como vetor de desenvolvimento nacional sustentável ▪Desenvolvimento integrado de desenhos de mercado, marcos regulatórios e instrumentos de financiamento que orientem investimentos para uma transição justa e inclusiva. ▪Diversificação e fortalecimento dos meios de financiamento público e privado para fomentar tecnologias de baixo carbono e potencializar seus impactos no desenvolvimento sustentável. ▪Alocação eficiente de custos e riscos, com desenho de instrumentos de incentivo, incluindo subsídios, a partir de embasamento técnico-econômico e alinhamento com a transição energética nacional. Objetivo 2: Atrair investimentos para o desenvolvimento do sistema energético do futuro, mediante a modernização do arcabouço regulatório e fortalecimento dos mecanismos de financiamento ▪Atuação estratégica na política externa em defesa dos interesses energéticos nacionais, influenciando normativos e mercados globais de energia a fim de potencializar oportunidades e reduzir barreiras para a transição energética brasileira. ▪Contribuição para uma efetiva integração energética com países vizinhos, como instrumento de desenvolvimento compartilhado, aproveitando sinergias, fortalecimento geopolítico e atração de investimentos. ▪Fomento à cooperação internacional para a transição energética, observados os interesses nacionais. Objetivo 3: Fortalecer o posicionamento externo do Brasil em relação à estratégia nacional de transição energética
Rumo a 2055: Recomendações estratégicas 54 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública A geopolítica da energia traz novos contornos, limites e possibilidades para o ritmo da transição energética brasileira que se destaca, de partida, pela diversidade de seus recursos energéticos e uma oferta de energia cada vez mais descarbonizada. Apesar disso, há um amplo espaço para descarbonização do lado da demanda de energia, especialmente dos setores de difícil abatimento como transporte e indústria. Inovação, financiamento e novos modelos de negócios serão fundamentais para soluções cada vez mais integradas e também mais inclusivas e justas. O PNE 2055 evidencia que o processo ordenado e equitativo da transição energética brasileira pode ser sustentado em bases tecnicamente sólidas ... Erradicação da pobreza energética, redução das desigualdades e ampliação da capacidade produtiva e competitiva das cadeias relevantes para a Transição Energética no Brasil são desafios que se destacam. A liderança brasileira também será decisiva para maior integração energética regional, bem como para uma inserção externa estratégica e competitiva do setor energético brasileiro Trilhar este caminho rumo a um futuro energético sustentável no Brasil não será possível sem coordenação de políticas públicas para a Transição Energética e sem um amplo diálogo entre diferentes setores da sociedade.
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Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública
O Brasil já vem empreendendo uma série de esforços, com políticas públicas robustas e
inovação, para o avanço de uma transição energética justa e inclusiva ...
De onde partimos?
Fact sheet 10 anos do Acordo de
Paris
Destaques:
✓Avanços na renovabilidade da matriz energética e
elétrica, muito acima da média mundial.
✓Analisa a expansão da capacidade instalada de
geração elétrica, que foi 97% renovável, com forte
crescimento das fontes solar e eólica.
✓Apresenta resultados dos leilões de transmissão de
energia
✓Os avanços e benefícios do planejamento do
atendimento aos sistemas isolados
✓Políticas de combate à pobreza energética
✓Resultados das políticas de biocombustíveis.
Fonte: EPE(2025) Factsheet 10 anos do Acordo de Paris
Rumo a 2055: Recomendações estratégicas
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Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública
O longo prazo traz desafios cuja superação demandará a integração de diferentes
políticas públicas para a Transição Energética e um amplo diálogo entre diferentes
setores da sociedade
▪A contribuição do PNE 2055 é subsidiar tecnicamente o desenvolvimento de uma visão compartilhada de longo prazo para o setor energético a partir da exploração de cenários,
tendências e incertezas. Essa contribuição é legitimada pela estrutura da Política Energética Nacional e, em especial, pela Política Nacional de Transição Energética (PNTE),
estabelecida pela Resolução CNPE nº 5, de 2024. A PNTE é uma iniciativa destinada a integrar políticas públicas existentes, os planos setoriais e os instrumentos regulatórios e
de financiamento (Pilar 4), promovendo o processo de transição energética brasileiro de forma coordenada de modo a amplificar os esforços das diferentes áreas do governo e
aproveitar as potencialidades nacionais, especialmente pelo instrumento do Plano Nacional de Transição Energética (Plante).
▪Nesse sentido, cabe ressaltar que a construção estratégica e concomitante do PNE 2055 e do Plante também se conecta e dialoga com diversas outras iniciativas e políticas
interministeriais relacionadas à transição energética, tais como Plano Clima, Estratégia Brasil 2050, Plano de Transformação Ecológica e Nova Indústria Brasil.
CO
2
Paten
Fundo Verde
Plano de
Transformação
Ecológica
Articulação de Políticas Públicas e Meios de Implementação que abordam a Transição Energética
Rumo a 2055: Recomendações estratégicas 57 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública A Política Nacional de Transição Energética e seus instrumentos constituem arcabouço de governança potente a partir da integração entre a visão de longo prazo do PNE e os documentos estratégicos de curto e médio prazo ▪O Plano Nacional de Transição Energética (Plante) e o Fórum Nacional de Transição Energética (Fonte) são os dois instrumentos da PNTE que visam ao cumprimento das suas diretrizes. O Plante é um plano de ações de longo prazo, dividido em ciclos de implementação de 4 anos, que olha para os diversos planos e programas no âmbito do Governo Federal voltados para a promoção da transição energética. Ele sistematiza suas ações em roadmaps (mapas do caminho), identificando sobreposições e lacunas, e propondo novas iniciativas. Já o Fonte atua como um espaço de diálogo entre governo, sociedade civil e setor produtivo, sendo responsável por elaborar recomendações e promover a transparência e a participação social no processo de transição energética por meio de sua carta de recomendações. ▪Os resultados qualitativos e quantitativos e as considerações estratégicas do PNE são a principal referência técnica para o conteúdo do Plante, que se baseia nos cenários de longo prazo e nos pilares estratégicos para a sistematização de ações. Assim, o Plante detalha, com embasamento técnico sólido, os próximos passos da trajetória brasileira para uma energia competitiva em uma economia de baixo carbono, com segurança, resiliência e justiça energética e é continuamente aprimorado e ajustado em seus ciclos de implementação rumo ao ano de 2055. Os instrumentos da Política Energética Nacional e da PNTEHorizonte de Planejamento do Plante ancorado nos cenários do PNE 2055
58 Plano Nacional de Energia 2055 | Perspectivas para o Sistema Energético Nacional do FuturoVersão para Consulta Pública BECCS (Bioenergy with Carbon Capture and Storage): Operação de captura e armazenamento geológico de dióxido de carbono (CCS) oriundo do processamento e/ou uso da biomassa em biorrefinarias e em biodigestores. Pode gerar emissões negativas, pois retira CO₂ da atmosfera durante o crescimento da biomassa e o armazena permanentemente. Biocarvão: O biocarvão (biochar, em inglês) é um produto sólido com elevada concentração de carbono, altamente estável e resistente à decomposição biológica. É obtido a partir da pirólise da biomassa, um processo termoquímico caracterizado pelo aquecimento da matéria-prima a altas temperaturas na ausência de oxigênio. Esse processo rompe moléculas da biomassa e reorganiza as ligações químicas para formar o biocarvão, como também outros compostos concentrados em carbono, por exemplo os bio-óleos e gases de síntese que podem ser reaproveitados para fins energéticos. Biocombustíveis Avançados: Termo amplo usado para se referir a uma série de biocombustíveis obtidos a partir de biomassas não-tradicionais ou tecnologias inovadoras. Incluem, por exemplo, biocombustíveis derivados de matérias-primas como resíduos, lignocelulose e algas. São avaliados como essenciais para setores de difícil descarbonização. Destacam-se: Diesel Verde, SAF e Metanol e Amônia (quando produzidos a partir de biomassa renovável). Biocombustíveis Convencionais ou Tradicionais: Combustíveis produzidos de forma consolidada a partir da conversão de biomassas ricas em açúcares, amidos ou óleos, oriundas de culturas agrícolas tradicionais como cana-de-açúcar, milho e soja. Exemplos: etanol (a partir de açúcares ou amidos) e biodiesel (a partir de óleos vegetais). Biorrefinaria: Conjunto de instalações que integra processos e equipamentos de conversão de biomassa para produzir combustíveis, energia e produtos químicos de valor agregado, otimizando o uso da matéria-prima e melhorando a eficiência do processo. CCS/CCU/CCUS (Carbon Capture, Utilization and Storage): Conjunto de operações que capturam CO 2 de fontes industriais ou diretamente da atmosfera e o encaminham para armazenamento permanente em formações geológicas (CCS) ou para uso em processos produtivos (CCU). O termo CCUS pode ser usado para se referir de forma ampla à CCS e CCU ou para denominar estratégias que utilizem e armazenem o CO 2
concomitantemente. Combustíveis de Baixo Carbono: Termo amplo usado para se referir a uma série de combustíveis com baixas emissões de gases de efeito estufa ao longo de seu ciclo de vida. Inclui combustíveis fósseis com captura de carbono, biocombustíveis, hidrogênio e combustíveis sintéticos. Combustíveis Sustentáveis de Aviação (SAF): Combustíveis líquidos destinados à aviação com emissão de gases de efeito estufa ao longo de seu ciclo de vida ao menos 10% inferior que o querosene fóssil. Incluem combustíveis produzidos a partir de matérias-primas renováveis (biomassa, resíduos orgânicos, óleos vegetais) ou por rotas sintéticas baseadas em hidrogênio e CO 2 . DACCS (Direct air carbon capture and storage): Operação que combina a captura direta de CO 2 da atmosfera com armazenamento de carbono. Gera emissões negativas. Diesel Verde: Biocombustível composto por hidrocarbonetos parafínicos, destinado aos motores do ciclo Diesel, produzido pelas rotas indicadas no art. 2º da Resolução ANP Nº 842 DE 14/05/2021, a partir de matérias- primas exclusivamente derivadas de biomassa renovável. Setores de Difícil Descarbonização: Indústrias e modos de transporte nos quais a redução das emissões de CO 2 é mais complexa ou inviável devido a requisitos técnicos, natureza dos processos industriais ou à falta de alternativas tecnológicas viáveis em larga escala. São setores que dependem de soluções como combustíveis de baixo carbono, hidrogênio ou captura de carbono para descarbonização. Exemplos incluem: aviação, transporte marítimo e Indústria pesada (aço, cimento, produtos químicos). GLOSSÁRIO
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