2036
PDE
Caderno de Contexto,
Perspectivas e Premissas
PDE 2036 | Estudos do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036
Rio de Janeiro, 2026
Ministro de Estado
Alexandre Silveira de Oliveira
Secretário Executivo
Gustavo Cerqueira Ataíde
Secretário Nacional de Energia Elétrica
João Daniel de Andrade Cascalho
Secretária Nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral
Ana Paula Lima Vieira Bittencourt
Secretário Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
Renato Cabral Dias Dutra
Secretária Nacional de Transição Energética e Planejamento
Mariana de Assis Espécie
Presidente
Thiago Guilherme Ferreira Prado
Diretor de Estudos Econômico-Energéticos
e Ambientais
Thiago Ivanoski Teixeira
Diretor de Estudos de Energia Elétrica
Reinaldo da Cruz Garcia
Diretora de Estudos do Petróleo, Gás e
Biocombustíveis
Heloisa Borges Bastos Esteves
Diretor de Gestão Corporativa
Carlos Eduardo Cabral Carvalho
Composição dos cargos em 3 de julho de 2026
Foto da capa: Canva/Getty Images Signature.
www.mme.gov.br
www.epe.gov.br
www.epe.gov.br
Caderno de Contexto, Perspectivas e Premissas
FICHA TÉCNICA
PDE 2036 | Estudos do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036
Caderno de Contexto, Perspectivas e Premissas
Angela Oliveira da Costa
Carla da Costa L. Achão
Elisangela Medeiros de Almeida
Gustavo Pires da Ponte
Marcos Frederico F. de Souza
Thiago de F. R. Dourado Martins
Camila de Araujo Ferraz
Lidiane de Almeida Modesto
Patrícia Costa Gonzalez de Nunes
Allex Yujhi Gomes Yukizaki
Ana Claudia Sant'Ana Pinto
Ana Cristina Braga Maia
Ana Dantas Mendez de Mattos
Arnaldo dos Santos Jr.
Bruna Souza Lopes Graça
Bruno R. L. Stukart
Bruno Scola L. Cunha
Carlos Augusto Goes Pacheco
Cristiane Moutinho Coelho
Fernanda M.P. Andreza
Flavia Camargo de Araujo
Guilherme de Paula Salgado
Gustavo Daou Palladini
Henrique Plaudio G. Rangel
Hermani de Moraes Vieira
Igor da Silva Cavalcanti
Jessica Rodrigues P. Ferreira
Lucas Simões de Oliveira
Marcelo C. B. Cavalcanti
Marcos V. G. da S. Farinha
Mariana de Queiroz Andrade
Mariana Weiss De Abreu
Marina Damião Besteti Ribeiro
Otto Hebeda
Pablo Rodrigues de Castro
Patrícia Feitosa Bonfim Stelling
Pedro Henrique Gonçalves Lage
Pedro Paulo Fernandes da Silva
Rachel Martins Henriques
Rafael Barros Araujo
Regina Freitas Fernandes
Renata de Azevedo Moreira da Silva
Santiago Silveira Barbosa
Simone Saviolo Rocha
Tiago Veiga Madureira
Vinicius Mesquita Rosenthal
Yuri Vandresen Pinto
Autores
Coordenação Técnica
EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA - EPE
Filipe de Pádua Fernandes Silva (EPE)
Sergio R. Ayrimoraes Soares (MME)
COORDENAÇÃO EXECUTIVA DO PDE 2036
Valor Público
2036
PDE
4
Os estudos do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) orientam a formulação de políticas
públicas, ajudam a guiar as decisões de diversas partes interessadas, como governos, empresas
e a sociedade civil, e contribuem para a segurança energética do País.
Ao apresentar uma análise estruturada do contexto nacional e internacional que fundamenta o
início dos estudos do PDE 2036, este caderno contribui para reduzir assimetrias de informação
entre os agentes e qualificar a compreensão dos principais fatores que podem influenciar a
evolução do setor energético no horizonte decenal.
Além disso, ao explicitar as perspectivas demográficas e econômicas e as premissas gerais que
orientam a construção do cenário de referência do plano, o caderno reforça a transparência do
processo de planejamento energético, permitindo maior compreensão sobre as hipóteses
adotadas e ampliando a previsibilidade e a confiança dos estudos desenvolvidos pela EPE.
5
Esta publicação contém projeções acerca de eventos futuros que refletem a visão da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) no âmbito do Plano
Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036). Tais projeções envolvem uma ampla gama de riscos e incertezas conhecidos e desconhecidos e,
portanto, os dados, as análises e quaisquer informações contidas neste documento não são garantia de realizações e acontecimentos futuros.
Este documento possui caráter informativo, sendo destinado a subsidiar o planejamento do setor energético nacional.
A EPE se exime de responsabilidade por quaisquer ações e tomadas de decisão que possam ser realizadas por qualquer pessoa física ou jurídica com
base nas informações contidas neste documento.
VersãoDataDescrição
v103/07/2026Publicação inicial.
Controle de versões
SUMÁRIO
▪Contexto: Energia, clima e geopolítica em um mundo mais complexo e
incerto
▪Perspectivas demográficas e econômicas
▪Premissas energéticas e socioambientais
2036
PDE
8
▪O planejamento energético de médio prazo torna-se mais desafiador diante de um contexto
internacional marcado por crescente complexidade, volatilidade e incerteza.
▪Nos últimos anos, a intensificação de tensões geopolíticas, o avanço de práticas protecionistas em
detrimento do multilateralismo e os desafios à cooperação climática vêm produzindo impactos
relevantes sobre a economia global, os mercados de energia e as decisões de investimento. Ao
mesmo tempo, permanecem elevadas as incertezas quanto à magnitude, à duração e aos
desdobramentos estruturais desses fenômenos, especialmente sobre segurança energética,
inflação, cadeias produtivas e transição energética.
▪Nesse contexto, o monitoramento contínuo das transformações econômicas, tecnológicas,
climáticas e geopolíticas torna-se cada vez mais relevante para o planejamento energético.
▪Como instrumento de planejamento, o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) incorpora, a
cada ciclo, a análise do contexto internacional e seus potenciais desdobramentos sobre o setor
energético brasileiro no horizonte decenal.
▪O PDE 2036 traz uma perspectiva possível, embora não exaustiva, para os próximos dez anos,
com base nas análises econômicas realizadas até o final de 2025, período em que parte dessas
novas incertezas ainda não se encontrava plenamente configurada. Nesse sentido, este caderno
apresenta o contexto e as premissas gerais que orientam os estudos relacionados ao cenário
de referência do PDE 2036.
9
▪A ascensão de práticas protecionistas e a intensificação de disputas
comerciais vêm impondo desafios ao comércio internacional e ampliando a
incerteza sobre a dinâmica da economia global. Nesse contexto, destacam-
se as tarifas de importação adotadas pelos Estados Unidos ao longo de 2025
e as restrições à exportação de insumos estratégicos por parte da China.
▪Embora parte dessas medidas tenha sido posteriormente flexibilizada por meio
de negociações bilaterais, o ambiente internacional permanece marcado por
maior volatilidade e pela possibilidade de novas restrições comerciais,
configurando um fator de risco relevante para o crescimento econômico global.
▪As restrições impostas pela China às exportações de metais, terras raras e
fertilizantes ilustram esse contexto. Ao longo de 2025, tais medidas
contribuíram para uma elevação expressiva dos preços internacionais desses
insumos, levando o índice de preços desse grupo de commodities a registrar
variação anual próxima de 64% (Gráfico 1). O episódio evidencia a sensibilidade
das cadeias produtivas globais e dos mercados internacionais a restrições
comerciais envolvendo insumos estratégicos.
▪Apesar desse ambiente mais desafiador, a economia mundial manteve
resiliência em 2025. Segundo o FMI, o PIB global cresceu 3,3%, mesma taxa
observada em 2024 (Gráfico 2). No mesmo período, a inflação global
desacelerou de 5,8% para 4,1%, enquanto o crescimento do comércio mundial
de bens e serviços acelerou de 3,6% para 4,1%.
3,0%
-2,7%
6,6%
3,8%
3,5%
3,3%
3,3%
-5%
0%
5%
10%
2019202020212022202320242025
MundoPaíses desenvolvidosPaíses em desenvolvimento
Gráfico 2. Crescimento do PIB, 2019 a 2025 (%)
Fonte: Elaboração própria a partir de FMI (2026).
-40
-20
0
20
40
60
80
Jan.
2024
Mar.
2024
Mai.
2024
Jul.
2024
Set.
2024
Nov.
2024
Jan.
2025
Mar.
2025
Mai.
2025
Jul.
2025
Set.
2025
Nov.
2025
Jan.
2026
Todos os gruposComidasMateriais agrícolas
Minérios e metaisCombustíveis
Gráfico 1. Variação anual do Índice de Preços das Commodities (%)
Fonte: Elaboração própria a partir de UNCTAD (2026).
Nota: Valores para 2025 são dados preliminares.
10
▪No início de 2026, a escalada do conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados
Unidos, Israel e Irã, adicionou novas incertezas ao cenário econômico global. O
fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio internacional
de energia, intensificou as preocupações relacionadas ao abastecimento e contribuiu
para a elevação dos preços do petróleo.
▪Em suas projeções de março de 2026, a OCDE incorporou os efeitos desse novo
contexto geopolítico. O cenário considera uma redução gradual dos preços de
petróleo, gás natural e fertilizantes a partir de meados de 2026, assumindo uma
normalização progressiva das condições de mercado.
▪Apesar do aumento das tensões geopolíticas, a projeção de crescimento do PIB
mundial em 2026 foi mantida em 2,9% (Gráfico 3). Contudo, os impactos
econômicos tendem a ser assimétricos entre países, refletindo diferenças nos
padrões de produção, consumo e comércio de energia.
▪De forma geral, economias importadoras de energia tendem a ser mais afetadas pela
elevação dos custos energéticos, enquanto países exportadores podem se beneficiar
do aumento dos preços internacionais. Como resultado, a OCDE revisou para baixo as
expectativas de crescimento de economias da Área do Euro, Reino Unido e Índia, ao
passo que elevou as projeções para países como Estados Unidos, México e Rússia.
▪Ainda assim, permanecem elevadas as incertezas quanto aos desdobramentos
econômicos desse conflito, especialmente sobre os mercados de energia, o
comércio internacional e as expectativas da economia mundial e doméstica.
2,9%
0,8%
0,7%
2,0%
0,6%
1,2%
1,3%
1,5%
2,8%
4,4%
6,1%
2,9%
1,2%
1,3%
1,7%
0,5%
1,3%
1,2%
1,7%
3,0%
4,4%
6,2%
Mundo
Área do Euro
Reino Unido
EUA
Russia
Africa do Sul
Mexico
Brasil
Argentina
China
India
Projeção dez/25Projeção mar/26
Gráfico 3. Estimativa para o crescimento do PIB em 2026 em países
selecionados
Fonte: Elaboração própria a partir de OCDE (dez/25 e mar/26).
11
▪A volatilidade dos preços de energia, especialmente de petróleo e gás natural, constitui um dos principais canais de transmissão dos choques geopolíticos
para a economia. A elevação dos custos energéticos tende a pressionar a inflação, aumentar custos de produção e ampliar a incerteza para decisões de
investimento de longo prazo.
▪Esses efeitos ocorrem em um contexto em que algumas economias relevantes, como Estados Unidos, Reino Unido, Brasil e México, já apresentavam taxas de
inflação acima de suas metas, tornando o controle inflacionário ainda mais desafiador e restringindo o espaço para flexibilização da política monetária.
▪Embora os impactos sobre as projeções de crescimento econômico ainda sejam relativamente limitados (Gráfico 3), a OCDE revisou para cima as expectativas de
inflação para grande parte das economias analisadas (Gráfico 4). Esse movimento reflete os efeitos do choque nos preços de energia sobre as expectativas
inflacionárias e reforça os desafios macroeconômicos associados a um ambiente internacional mais incerto.
1,9%
2,5%
3,0%
5,4%
3,6%
3,3%
4,2%
17,6%
0,3%
3,4%
2,6%
4,0%
4,2%
6,4%
3,9%
3,8%
4,1%
31,3%
1,3%
5,1%
Área do EuroReino UnidoEUARussiaAfrica do SulMexicoBrasilArgentinaChinaIndia
Projeção dez/25Projeção mar/26
Gráfico 4. Estimativa para a inflação em 2026 em países selecionados (%)
Fonte: Elaboração própria a partir de OCDE (dez/25 e mar/26).
12
▪O conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos elevou significativamente os riscos
para o abastecimento global, configurando o maior choque de oferta da história do
petróleo (Gráfico 5), especialmente em função das restrições à navegação no
Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio internacional de energia.
▪No início de 2026, o mercado petrolífero encontrava-se sobreofertado, com elevados
estoques e capacidade ociosa relevante. Esse contexto contribuiu para limitar a
reação inicial dos preços. Contudo, interrupções mais persistentes nos fluxos de
comércio e danos à infraestrutura energética geraram impactos expressivos
sobre a oferta global (Gráfico 6).
▪O fornecimento global de petróleo ácido médio (medium sour) apresenta elevada
dependência logística do Estreito de Ormuz. Esse tipo de petróleo desempenha
papel importante no abastecimento de refinarias voltadas à produção de destilados
médios, como óleo diesel e querosene de aviação (QAV).
▪Independentemente da evolução do conflito, episódios dessa natureza tendem a
produzir efeitos duradouros sobre a percepção de risco dos mercados, podendo
influenciar fluxos comerciais, custos logísticos e preços internacionais de petróleo.
▪As estimativas indicam que a combinação entre estoques estratégicos disponíveis,
capacidade ociosa remanescente e sobreoferta observada no mercado totaliza
cerca de 10,8 milhões de barris por dia (b/d). Esse volume é inferior à disrupção
associada ao Estreito de Ormuz, estimada em aproximadamente 12 milhões b/d,
equivalente a 11,5% da demanda mundial (Gráfico 5).
0
50
100
150
202120222023202420252026
WTI spotBrent spot
Gráfico 5. Choques de oferta de petróleo (milhões b/d)
Fonte: Elaboração própria a partir de EIA (2026a) e IEA (2026a).
12,0
1,0
2,3
3,8
2,6
3,8
4,5
Guerra do Irã (2026)
Guerra Rússia-Ucrânia (2022)
Guerra do Iraque (2003)
Guerra do Golfo (1990)
Guerra Irã-Iraque (1980)
2º Choque do Petróleo (1979)
1º Choque do Petróleo (1973)
Gráfico 6. Evolução dos preços de petróleo, jan/2021 a mar/2026 (US$/b)
Fonte: Elaboração própria a partir de EIA (2026b).
% demanda global
12%
1%
3%
6%
4%
6%
8%
13
▪O Golfo Pérsico ocupa posição estratégica no
abastecimento global de energia e concentra parcela
relevante das exportações internacionais de petróleo e
derivados. A região responde por fluxos significativos de óleo
diesel, gasolina, óleo combustível, gás liquefeito de petróleo
(GLP), nafta e QAV (Gráfico 7), além de fertilizantes e outros
produtos intensivos em energia.
▪Em 2023, antes da crise, a região exportou aproximadamente
15,4 milhões b/d de petróleo, 1,1 milhão b/d de óleo diesel e
cerca de 4,0 milhões b/d de outros derivados, evidenciando
sua relevância para o abastecimento energético mundial.
▪Restrições à navegação no Estreito de Ormuz podem
afetar de forma particularmente severa mercados como
os de óleo diesel, GLP e nafta.
▪A elevada participação da Ásia na produção e nas
exportações globais de óleo diesel reforça essa
vulnerabilidade (Gráfico 8). China e Índia respondem
conjuntamente por cerca de 25% das exportações mundiais
desse derivado e dependem, em diferentes graus, do
fornecimento de petróleo ácido médio proveniente do Golfo
Pérsico.
0%
5%
10%
15%
20%
25%
30%
35%
40%
45%
50%
0
5
10
15
20
25
30
35
40
45
50
Petróleo
Óleo diesel
Gasolina
Óleo combustível
GLP
Nafta
QAV
Milhares
Exportação global (milhão b/d)
Participação do Golfo Pérsico (% total)
2,5
1,1
4,3
0,3
2,3
0,6
ProduçãoExportações
Golfo PérsicoChinaÍndia
Gráfico 7. Exportações globais de petróleo e
derivados em 2023 e dependência do Golfo
Pérsico
Gráfico 8. Produção e exportação de óleo
diesel em 2023 no Golfo Pérsico, China e Índia
(milhão b/d)
Fonte: Elaboração própria a partir de UNSD (2026).Fonte: Elaboração própria a partir de UNSD (2026).
14
▪O conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos elevou significativamente os riscos
para o mercado internacional de gás natural, especialmente para o segmento de gás
natural liquefeito (GNL), cuja oferta global apresenta elevada concentração regional.
▪Ataques à infraestrutura e restrições ao tráfego no Golfo Pérsico ampliaram a
volatilidade dos mercados de gás natural. Entre os principais impactos, destacam-se
os danos à planta de Ras Laffan, no Qatar, a maior instalação de liquefação de gás natural
do mundo, com redução relevante da capacidade global de oferta. As estimativas
apontam para cerca de 12,8 milhões de toneladas (Mt) de capacidade anual afetada e
prazo de recuperação entre três e cinco anos.
▪A expansão da capacidade de liquefação prevista para o Qatar, que adicionaria
aproximadamente 32 Mt/ano à oferta global de GNL a partir do final de 2026, também foi
postergada, reduzindo as perspectivas de crescimento da oferta no curto prazo.
▪O Estreito de Ormuz permanece como um ponto crítico para o comércio internacional de
gás natural. Aproximadamente 20% do GNL comercializado globalmente transita por essa
rota, principalmente a partir do Qatar e dos Emirados Árabes Unidos.
▪Como reflexo, observou-se aumento da volatilidade das principais referências
internacionais de preços de gás natural, incluindo os índices Henry Hub e TTF, além de
uma intensificação da competição entre Europa e Ásia pelas cargas disponíveis de GNL.
▪Em resposta a esse cenário, diversos países passaram a reforçar estratégias de
diversificação de fornecedores, rotas logísticas e fontes de suprimento, buscando
reduzir sua exposição a riscos geopolíticos.
Diferentemente da crise de 2022, concentrada no fornecimento por
gasodutos, os eventos de 2026 afetam diretamente o mercado
global de GNL, que ganhou relevância como um dos principais
mecanismos de flexibilidade e segurança energética nos últimos
anos. A situação é agravada pela limitada capacidade de expansão
da oferta de GNL no curto prazo.
Imagem: Global LNG Hub.
15
Os impactos econômicos no Brasil podem ocorrer por meio dos preços de energia
▪Choques geopolíticos que afetam os mercados globais
de energia tendem a repercutir diretamente sobre o
câmbio e as expectativas de inflação. Nesse contexto,
aumentam as incertezas para a condução da política
monetária brasileira, podendo influenciar o ritmo de
flexibilização da taxa de juros.
▪Os derivados de petróleo constituem importantes
canais de transmissão desses efeitos para a economia
brasileira. A gasolina possui peso relevante na cesta de
consumo das famílias, representando cerca de 5% do
IPCA, enquanto o óleo diesel exerce influência indireta
sobre diversos setores econômicos em razão da elevada
participação do transporte rodoviário na movimentação
de cargas no País.
▪Dessa forma, aumentos nos preços internacionais do
petróleo e de seus derivados podem se difundir por
toda a economia, elevando custos de produção,
transporte e distribuição. Esse efeito é particularmente
relevante para o óleo diesel, derivado para o qual o Brasil
ainda apresenta dependência significativa de
importações (Gráfico 9).
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
0,0
0,2
0,4
0,6
0,8
1,0
1,2
1,4
Óleo Diesel
Gasolina
GLP
Nafta
QAV
Importação (milhão b/d)
Produção (milhão b/d)
Dependência externa (% demanda total)
Gráfico 9. Produção, importação e
dependência externa de derivados no
Brasil em 2025
0,0
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
6,0
mar/21
jul/21
nov/21
mar/22
jul/22
nov/22
mar/23
jul/23
nov/23
mar/24
jul/24
nov/24
mar/25
jul/25
nov/25
mar/26
Preço de realização de óleo diesel no Brasil
Óleo diesel FOB EUA
Gráfico 10. Preços internacionais e de realização
do produtor
1
de óleo diesel no Brasil, mar/2021 a
mar/2026 (R$/l)
Fonte: Elaboração própria a partir de ANP (2026) e EIA (2026b).
Nota: (1) Preço de realização é o preço de venda pelo produtor, na refinaria,
deduzido de tributos; (2) Foi considerada como referência a cotação Ultra-low
sulfur diesel spot FOB U.S. Gulf Coast. FOB significa free on board, ou seja, a
modalidade de entrega do produto no porto de embarque.
Fonte: Elaboração própria a partir de EPE (2026a).
O parque nacional de refino reduz a
exposição externa do país, mas ainda
persistem dependências relevantes de
importação de diesel, GLP, nafta e QAV.
2
16
A dependência de fertilizantes amplia a exposição do País a choques externos
▪A elevada dependência brasileira de
fertilizantes importados constitui outro
canal potencial de transmissão dos
choques geopolíticos para a economia
nacional, especialmente em razão da
importância do agronegócio para a
atividade econômica, o comércio exterior e
a segurança alimentar.
▪Países cuja produção e exportação de
fertilizantes dependem, em alguma medida,
do Estreito de Ormuz respondem por
parcela relevante do comércio internacional
desses insumos, com destaque para os
fertilizantes nitrogenados. Restrições mais
persistentes ao fluxo comercial na região
podem afetar o abastecimento global,
pressionar preços e reduzir a
competitividade do agronegócio
brasileiro.
0%
10%
20%
30%
40%
50%
0
3
6
9
12
15
MOP
Ureia
N
K2O
Fosfato
P2O5
Sulfato de amônio
DAP
NPK
Amônia anidra
MAP
NP
Outros
Milhões
Importações brasileiras (milhões de toneladas)
Participação das importações brasileiras no comércio internacional (% total)
Gráfico 12. Importações brasileiras de fertilizantes por produto
e participação no comércio internacional, 2023
Fonte: Elaboração própria a partir de FAO (2026).
Notas: MOP = cloreto de potássio; DAP = Fosfato diamônico; MAP = Fosfato monoamônico.
O Brasil é o maior importador mundial de fertilizantes, respondendo por cerca de 16% das importações globais. Segundo a CONAB (2026), mais de 85% do consumo
nacional foi atendido por importações em 2025, o maior volume já registrado no País.
Fonte: Elaboração própria a partir de Insper (2025).
Gráfico 11. Relação entre importação e
consumo de fertilizantes NPK no Brasil,
2001-2023 (% consumo total)
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
100%
200120032005200720092011201320152017201920212023
17
Na indústria do petróleo ...
▪O Brasil tem produzido mais de 4 milhões de barris de petróleo por dia, sendo considerado autossuficiente em
termos de produção de petróleo bruto. Nesse contexto, choques geopolíticos que afetam regiões estratégicas para
o comércio internacional de petróleo e derivados tendem a produzir impactos limitados sobre os níveis de
produção nacional no curto prazo.
▪Por outro lado, a volatilidade dos preços internacionais do petróleo pode influenciar decisões de investimentos
ao longo da cadeia produtiva. Em ambientes de elevada incerteza, agentes econômicos tendem a reavaliar
cronogramas e condições de implantação de novos projetos, especialmente aqueles previstos para entrar em
operação na segunda metade da próxima década.
Já em relação ao gás natural ...
▪Choques nos preços internacionais do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) tendem a elevar os custos do gás
natural no Brasil, com reflexos sobre os setores industrial, elétrico e de transportes.
▪A elevação das referências internacionais de preços, como Brent e JKM, pode afetar contratos de suprimento de
gás natural no País, especialmente para consumo industrial e termelétrico, e reduzir a competitividade do
combustível em determinados segmentos, influenciando o ritmo de expansão de seu uso nos setores produtivos.
▪A dependência de GNL importado para atendimento de parte da demanda termelétrica mantém o País exposto a
restrições logísticas e choques internacionais de preços. Ao mesmo tempo, esse contexto pode ampliar o
interesse por alternativas de suprimento, como o biogás e o biometano.
18
▪A inteligência artificial (IA) vem se consolidando como uma das principais transformações
tecnológicas da atualidade, com aplicações crescentes em diversos setores da economia.
Esse avanço pode ser observado pela rápida expansão da capacidade computacional utilizada
no treinamento dos principais modelos de IA, apresentada no Gráfico 13.
▪No setor energético, a IA pode ampliar a eficiência operacional, reduzir custos, promover a
inovação tecnológica e aumentar a confiabilidade dos sistemas elétricos, por meio de
aplicações como previsão meteorológica, previsão de geração e demanda, monitoramento de
ativos, otimização da operação e gestão inteligente das redes.
▪Ao mesmo tempo, a expansão da IA aumenta significativamente a demanda por eletricidade.
Segundo IEA (2025a), os data centers responderam por aproximadamente 1,5% do consumo
mundial de eletricidade em 2024. Além disso, centros de processamento dedicados ao
treinamento de modelos de IA podem apresentar variações abruptas de carga em intervalos de
segundos, impondo novos desafios ao planejamento e à operação dos sistemas elétricos.
▪De acordo com IEA (2025a), a expansão da demanda elétrica associada à IA deverá ampliar a
necessidade de investimentos em geração, transmissão e distribuição de energia. Nos
próximos cinco anos, as fontes renováveis deverão atender quase metade da demanda
adicional, complementadas por gás natural, energia nuclear e outras fontes despacháveis, de
acordo com as características de cada sistema elétrico.
Gráfico 13. Evolução da capacidade computacional
utilizada no treinamento dos principais modelos de IA,
2014 - 2024 (2014=100)
Fonte: Elaboração própria a partir de IEA (2025a).
0
50.000
100.000
150.000
200.000
250.000
300.000
350.000
201420162018202020222024
A IA introduz uma nova dimensão de complexidade, não decorrente de crises geopolíticas, mas de uma transformação tecnológica estrutural que também altera as
necessidades de investimento, a expansão da infraestrutura elétrica e as cadeias globais de suprimentos.
19
▪A rápida expansão dos data centers tem acelerado o crescimento da carga elétrica e
ampliado significativamente a demanda por infraestrutura de geração, transmissão
e equipamentos para o setor elétrico. Além disso, a expansão da IA tem imposto
desafios adicionais às cadeias globais de suprimento (Gráfico 14).
▪De acordo com IEA (2026b), a expansão da IA no mundo intensificou, em especial, a
demanda por equipamentos de geração térmica a gás natural, pressionando custos
e prazos de fornecimento:
▪Os pedidos globais de turbinas a gás cresceram cerca de 70% em 2025 (Gráfico 15),
alcançando o segundo maior nível da história e o maior dos últimos 25 anos.
▪Embora os data centers tenham sido um importante fator, IEA (2026b) destaca que o
aumento global das encomendas também reflete tendências mais amplas, como a
eletrificação e a relocalização industrial (reshoring).
▪Os prazos de entrega das turbinas a gás já alcançam cerca de cinco anos, enquanto
a capacidade anual dos principais fabricantes (aproximadamente 50 a 60 GW/ano)
tornou-se insuficiente diante do volume de encomendas, ampliando a carteira de
pedidos e elevando os custos de capital (Capex).
▪No Brasil, a elevada participação de fontes renováveis na matriz elétrica é um
importante diferencial competitivo para a atração de data centers. Ainda assim, a
adoção de geração própria próxima ao centro de carga poderá ampliar o consumo de gás
natural para geração elétrica. Nesse contexto, o biometano também surge como
alternativa para ampliar a renovabilidade do suprimento energético.
Gráfico 15. Pedidos globais de turbinas a gás natural
Fonte: Adaptado de IEA (2026b).
160
120
80
40
0
200020152016201720182019202020212022202320242025
Resto do mundo
EUA
Gráfico 14. Evolução temporal dos gargalos nas cadeias globais de
suprimento
Fonte: Adaptado de IEA (2026b).
Linhas de transmissão
Conexão à rede
Transformadores
Turbinas a gás
2025
2027
20292031
20
▪A ascensão de práticas protecionistas, a intensificação de tensões geopolíticas e a revisão de compromissos
internacionais vêm enfraquecendo os mecanismos de cooperação global, ampliando os desafios para o
enfrentamento das mudanças climáticas no curto e médio prazo.
▪O menor engajamento em iniciativas multilaterais aumenta as incertezas quanto ao ritmo de implementação
de políticas climáticas e à mobilização de investimentos em tecnologias de baixo carbono e adaptação
climática. Ao mesmo tempo, crescem disputas comerciais e estratégicas associadas a minerais críticos e
às cadeias produtivas ligadas à transição energética.
▪Nesse contexto, a transição energética global tende a ocorrer de forma mais heterogênea entre países e
regiões, refletindo diferenças de capacidade financeira, tecnológica e institucional. Como resultado,
aumentam os riscos de atrasos na redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), ampliando a
probabilidade de ocorrência de um overshoot da temperatura média global e dificultando os esforços para
alcançar os objetivos climáticos internacionais de manter o aquecimento bem abaixo de 2 °C, conforme o
Acordo de Paris.
▪A combinação entre fragmentação geopolítica, concentração das cadeias de valor de tecnologias estratégicas
e instabilidade econômica reforça um ambiente de elevada incerteza para a transição energética mundial, que
pode ser marcada por avanços assimétricos e riscos de retrocesso em algumas regiões.
▪Sem um esforço coordenado entre as principais economias, os impactos das mudanças climáticas
tendem a se intensificar, impondo custos crescentes associados à adaptação.
21
•Emissões fortemente associadas
ao uso da terra
•Neutralidade climática até 2050
•Elevada participação de renováveis
e busca por justiça energética
▪O cenário internacional é marcado por diferenças
significativas entre níveis de ambição climática,
capacidades econômicas, disponibilidade tecnológica e
perfis de emissões, resultando em trajetórias distintas
de transição energética entre países e regiões.
▪União Europeia mantém papel de liderança regulatória na
agenda climática, combinando metas ambiciosas de
descarbonização com instrumentos econômicos e
comerciais voltados à redução de emissões.
▪Estados Unidos exercem papel central no desenvolvimento
de tecnologias de baixo carbono, embora mudanças de
orientação política possam gerar incertezas quanto à
continuidade e previsibilidade de suas políticas climáticas.
▪China e Índia priorizam simultaneamente crescimento
econômico, segurança energética e redução de emissões,
ampliando investimentos em energias renováveis enquanto
mantêm participação relevante de combustíveis fósseis
em suas matrizes energéticas.
▪Brasil apresenta características singulares nesse contexto,
combinando elevada participação de fontes renováveis em
sua matriz energética com desafios associados ao perfil de
emissões fortemente associado ao uso da terra.
As diferentes trajetórias de transição energética refletem interesses nacionais,
responsabilidades históricas, capacidades econômicas e prioridades de desenvolvimento,
tornando a coordenação climática global mais complexa.
BRASIL
•Maior emissor histórico
•Neutralidade climática até 2050
•Oscilações na política climática
ESTADOS UNIDOS
•Maior emissor atual
•Neutralidade climática até 2060
•Expansão acelerada de renováveis,
mas com manutenção do carvão
CHINA
•Grande emissor em crescimento
•Neutralidade climática até 2070
•Prioridade ao crescimento
econômico e à segurança
energética
ÍNDIA
•Emissões em queda
•Neutralidade climática até 2050
•Liderança regulatória e CBAM
UNIÃO EUROPEIA
Apesar da baixa contribuição histórica para as
emissões globais, muitos países em desenvolvimento
permanecem altamente vulneráveis aos impactos
climáticos. O acesso a financiamento e tecnologia
será determinante para acelerar a transição energética
e evitar trajetórias mais intensivas em carbono.
OUTROS PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO
As transições energéticas avançam de forma heterogênea entre países e regiões
22
0,8
0,9
1,0
1,1
0
500
1.000
1.500
202020212022202320242025
Energia Limpa (US$ bilhão)Fósseis (US$ bilhão)Razão Energia Limpa / Fósseis
(eixo direito)
▪Apesar do ambiente internacional mais complexo e incerto, a redução de custos e o aumento da competitividade de diversas tecnologias de baixo carbono
continuam impulsionando investimentos em transição energética. Como resultado, os investimentos globais em energias limpas cresceram quase duas vezes
mais que os investimentos em combustíveis fósseis em 2024 e 2025 (IEA, 2025b).
▪Ainda assim, a atual conjuntura impõe desafios adicionais à expansão de tecnologias emergentes e às finanças sustentáveis (BNEF, 2026a). Em geral, essas
tecnologias apresentam maior dependência de condições econômicas estáveis, de políticas públicas de longo prazo e de expectativas favoráveis para custos e
mercados consumidores. Embora tenham representado apenas cerca de 7,5% dos investimentos totais em tecnologias de baixo carbono, registraram crescimento
de aproximadamente 7% em 2025 (BNEF, 2026b). Nesse contexto, a fragmentação geopolítica e o aumento das incertezas econômicas podem influenciar o ritmo de
expansão e de amadurecimento tecnológico dessas soluções nos próximos anos.
Gráfico 16. Oferta global de combustíveis fósseis e energia limpa, 2020-2025
(US$ bilhão)
Gráfico 17. Investimentos em tecnologias emergentes (US$ bilhão)
Fonte: Elaboração própria a partir de BNEF (2026a).
Fonte: Elaboração própria a partir de BNEF (2026a).
117
137
163
199
161
172
0
50
100
150
200
250
202020212022202320242025
NuclearCCS
HidrogênioTransporte marítmo de baixo carbono
Aquecimento elétricoIndústria de baixo carbono
Razão
Razão Energia Limpa / Fósseis = 1
23
Principais marcos recentes de políticas, acordos e compromissos climáticos e de transição energética do Brasil
Agenda 2030 e os
Objetivos de
Desenvolvimento
Sustentável (ODS)
Acordo de Paris
NDC brasileira
20152025200520212024203020502035
Ano-base
da NDC
brasileira
Adesão do
Brasil ao
Compromisso
Global do
Metano
4ª atualização da NDC brasileira
Relatório do Inventário
Nacional 1990-2022
Política Nacional de Transição
Energética - PNTE (Resolução
CNPE nº 5/2024) e seus
instrumentos Plante e Fonte
Cúpula de Líderes
do G20 endossa os
Princípios
Voluntários para
Transições
Energéticas Justas
e Inclusivas
Sistema Brasileiro
de Comércio de
Emissões (SBCE)
(Lei n. 15.042/2024)
Aprovação do Plano Clima pelo
Comitê Interministerial sobre
Mudança do Clima (CIM)
Estratégia Nacional de Mitigação
Planos Setoriais de Mitigação
Estratégia Nacional de Adaptação
Planos Setoriais de Adaptação
Taxonomia
Sustentável
Brasileira (TSB)
(Decreto nº
12.705/2025)
COP 30 Belém
Brasil decidiu criar seu próprio
Mapa do Caminho para reduzir
gradualmente a dependência
de combustíveis fósseis
2005-2030
1,2 GtCO
2
eq
- 53%
Meta NDC
brasileira
2005-2035
0,85-1,05
GtCO
2
eq
- 59% a -67%
Meta NDC
brasileira
Net zero:
Emissões
líquidas zero
de GEE até
2050
Meta NDC
brasileira
20262009
Política Nacional
sobre Mudança do
Clima (PNMC) (Lei
12.187/2009)
20162017
Plano Nacional
de Transição
Energética
Plano Nacional de Adaptação
à Mudança do Clima (PNA)
(Portaria MMA nº 150/2016)
RenovaBio –
Política Nacional de
Biocombustíveis
(Lei nº 13.576/2017)
24
▪A frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos vêm aumentando em diversas regiões do mundo, com impactos crescentes sobre o meio ambiente, a
sociedade, a economia e a saúde humana.
▪A ampla disponibilidade de recursos energéticos confere ao Brasil vantagens competitivas importantes, refletidas em uma matriz energética diversificada e com
elevada participação de fontes renováveis. Ainda assim, a emergência climática reforça a necessidade de fortalecer a resiliência do sistema energético.
▪As mudanças climáticas afetam toda a cadeia energética, desde a produção até o consumo de energia. No caso brasileiro, o setor elétrico apresenta elevada
sensibilidade às condições climáticas em razão da forte participação de fontes renováveis dependentes da disponibilidade de recursos naturais.
▪Nesse contexto, a incorporação de cenários climáticos mais críticos complementa as avaliações tradicionais de segurança operativa e contribui para orientar
decisões de expansão, reforço e priorização de investimentos, com vistas a aumentar a confiabilidade do suprimento e a robustez do sistema diante de um
ambiente de maior incerteza climática.
Eventos climáticos e
impactos no sistema
energético
Fonte: EPE.
25
1,6
1,3
2,5
2,1
2,7
2,8
2,2
1,8
2000200220042006200820102012201420162018202020222024
BrasilEstados UnidosChinaUnião Europeia 27
▪Embora as emissões brasileiras de GEE sejam
relevantes no contexto internacional, elas
permanecem significativamente inferiores às
observadas nos principais emissores globais. Além
disso, o perfil nacional distingue-se pela alta
participação das emissões associadas à
mudança do uso da terra e ao setor agropecuário.
▪Desde a Revolução Industrial, as economias
desenvolvidas têm maior responsabilidade
histórica pelas emissões de CO₂ associadas à
queima de combustíveis fósseis. No caso brasileiro,
as emissões acumuladas de CO₂ fóssil
responderam por aproximadamente 1% do total
mundial entre 1850 e 2022.
▪O setor de energia responde por cerca de 21% das
emissões brasileiras de GEE, participação
significativamente inferior à observada na média
mundial. Esse resultado reflete a elevada
participação de fontes renováveis e de tecnologias
de baixa emissão na matriz energética nacional,
contribuindo para uma menor intensidade de
carbono na produção e no uso de energia.
Fonte: Elaboração própria a partir de GCB
(2026).
Mundo
Fonte: Elaboração própria a partir de MCTI (2024) e Climate Watch (2026).
Energia
Processos industriais
Agropecuária
Uso da terra
Resíduos
0
50
100
150
200
250
300
350
400
450
185018601870188018901900191019201930194019501960197019801990200020102020
Estados Unidos
União Europeia 27
China
Índia
Brasil
Gráfico 18. Emissões cumulativas
de CO
2
fóssil em países e regiões
selecionados, 1850-2022 (GtCO
2
)
Gráfico 19. Emissões de GEE por setor no Brasil e no mundo em
2022 (% total)
75,5%
Brasil
20,5%
Fonte: Elaboração própria a partir de IEA (2025c).
Gráfico 20. Intensidade de carbono na produção e no uso de
energia, 2000-2024 (tCO
2
eq/tep)
26
▪O Brasil avançou significativamente na sua transição energética, consolidando-se como líder global no uso de fontes renováveis. O País possui uma das
matrizes energéticas mais renováveis do mundo, resultado da combinação entre disponibilidade de recursos naturais, políticas públicas e expansão de tecnologias
de baixa emissão. Ao longo da última década, observou-se redução da participação relativa dos combustíveis fósseis e avanço de fontes como eólica, solar e
biocombustíveis. Ao mesmo tempo, políticas públicas ampliaram o acesso à energia e combateram a pobreza energética, garantindo inclusão e segurança
energética.
▪Em 2025, as fontes renováveis responderam por 50% da Oferta Interna de Energia. Esse resultado foi impulsionado, sobretudo, pela expansão das fontes eólica e
solar, que ampliaram significativamente sua participação na matriz elétrica brasileira ao longo dos últimos anos.
Gráfico 21. Evolução da matriz energética brasileira (% total)
37,2%
33,7%
13,6%
10,4%
7,8%
6,4%
11,3%
10,7%
8,3%
8,3%
16,9%
15,8%
5,0%
14,7%
0%10%20%30%40%50%60%70%80%90%100%
2015
2025
Petróleo e Derivados
Gás Natural
Carvão, Urânio e Outras Não Renováveis
Hidráulica
Lenha e Carvão Vegetal
Biomassa da Cana
Eólica, Solar e Outras Renováveis
Fonte: Elaboração própria a partir de EPE (2026a).
50%
42%
RENOVÁVEL
RENOVÁVEL
Entre 2015 e 2025, a Oferta Interna de Energia cresceu, em média, 0,9% ao ano, alcançando 328 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep). No mesmo
período, a participação conjunta de petróleo e gás natural recuou de 51% para 44%, enquanto as fontes renováveis ampliaram sua participação de 42% para 50% da
matriz energética brasileira.
27
▪Entre 2015 e 2025, o sistema brasileiro de transmissão de energia elétrica expandiu-se em mais de 50%, alcançando uma extensão superior a 180 mil
quilômetros de linhas e consolidando-se como uma das maiores redes integradas do mundo.
▪A expansão da rede fortaleceu o Sistema Interligado Nacional (SIN) e ampliou a capacidade de integração de fontes renováveis variáveis. Além disso, a interligação
de sistemas isolados na Região Norte reduziu a dependência de geração a diesel, incluindo a conexão de Roraima ao SIN em 2025.
▪Os 19 leilões de transmissão realizados entre 2015 e 2024 viabilizaram aproximadamente US$ 43 bilhões em investimentos, contribuindo para a expansão da
infraestrutura elétrica e para o aumento da confiabilidade e da flexibilidade operativa do sistema.
Gráfico 22. Extensão das linhas de transmissão do SIN (mil km)
Fonte: Elaboração própria a partir de EPE (2026b).
A expansão da transmissão tem sido essencial para garantir a confiabilidade do suprimento, ampliar a integração crescente de fontes renováveis variáveis e aumentar a
flexibilidade operativa do sistema elétrico brasileiro.
119
182
20152025
28
▪A Resolução CNPE nº 5/2024 define pobreza energética como a “situação
em que domicílios ou comunidades não têm acesso a uma cesta básica de
serviços energéticos ou não têm plenamente satisfeitas suas necessidades
energéticas”.
▪O Brasil alcançou níveis próximos à universalização do acesso à energia
elétrica (99,8% da população em 2023) e ampliou o acesso a combustíveis
limpos para cocção (94,5%), resultado apoiado por programas de
eletrificação, tarifas sociais e iniciativas voltadas à redução da pobreza
energética, como Luz do Povo, Gás do Povo e tarifas sociais.
Luz para Todos
622 MIL
domicílios atendidos entre 2015 e 2024
Inclui os programas de eletrificação “Luz para
Todos – Rural”, “Luz para Todos – Regiões
Remotas da Amazônia Legal" e Recursos da
Distribuidora
Luz do Povo
GRATUIDADE
para os primeiros 80 kWh/mês consumidos
por famílias de baixa renda e concessão de
desconto social para famílias de baixa renda
com consumo de até 120 kWh/mês
(Leis nº 12.212/2010 e 15.235/2025)
Gás do Povo
GRATUIDADE
no botijão ou benefício financeiro destinado
a reduzir o impacto do custo do GLP sobre o
orçamento das famílias de baixa renda
(Lei nº 14.237/2021, alterada pela MP nº 1.313/2025)
29
▪As políticas de promoção dos biocombustíveis, iniciadas na
década de 1970, continuam gerando benefícios relevantes ao
País, ao contribuírem para a redução de emissões, o
fortalecimento da segurança energética, o
desenvolvimento industrial e a geração de impactos
socioeconômicos positivos.
▪A produção e o consumo de biocombustíveis reduzem a
dependência externa de combustíveis, diminuem a
demanda por derivados fósseis e contribuem para reduzir a
intensidade de carbono da matriz energética brasileira.
▪Como resultado dessa trajetória, a matriz de transportes
brasileira figura entre as mais renováveis do mundo,
impulsionada pela elevada participação de etanol e biodiesel.
▪Na ausência da mistura obrigatória de biodiesel, as
importações brasileiras de óleo diesel A seriam
aproximadamente 60% superiores em 2025.
▪Sem o uso do etanol, as importações brasileiras de gasolina A
seriam dez vezes superiores às observadas em 2025.
▪O Brasil responde por aproximadamente 22% da produção
mundial de biocombustíveis e reúne condições para ampliar
sua participação nos próximos anos.
A substituição da gasolina fóssil pelo
etanol ocorre por meio de:
▪mistura obrigatória de etanol anidro à
gasolina C, que alcançou 30% em
volume em 2025 (Resolução CNPE nº
9/2025);
▪consumo de etanol hidratado pela ampla
frota nacional de veículos flex fuel; e
▪incentivos econômicos e ambientais
associados ao RenovaBio.
Gráfico 24. Evolução do consumo de
gasolina e etanol no Brasil (milhões de tep)
25,8
23,3
20,0
15,9
2025
2015
Gasolina A
Etanol
47,347,3
31,431,4
16,4
25,7
2,3
25,5
10,0
34,4
0
10
20
30
40
50
60
70
80
DieselGasolina
Milhões
Produção
Importação Líquida
Biocombustível
Gráfico 23. Impacto dos biocombustíveis
sobre a necessidade de importação de
combustíveis em 2025 (bilhões de litros)
Fonte: Elaboração própria a partir de ANP (2026a) e
EPE (2026a).
Caso não houvesse mistura
de biocombustíveis
Fonte: Elaboração própria a partir de EPE (2026a).
2036
PDE
31
▪O contexto apresentado anteriormente evidencia um ambiente marcado por transformações
econômicas, geopolíticas, tecnológicas e climáticas. Para o planejamento decenal, torna-se
fundamental distinguir os fatores conjunturais daqueles com potencial de produzir efeitos
estruturais sobre a evolução do sistema energético brasileiro no médio prazo.
▪Essa distinção não é trivial, uma vez que há elevada incerteza quanto à magnitude, à
persistência e aos desdobramentos de diversos eventos em curso. Por essa razão, tais fatores
devem ser continuamente monitorados e reavaliados ao longo dos ciclos de elaboração do
PDE.
▪Nesse contexto, o PDE 2036 adota um cenário de referência construído a partir das
informações disponíveis e das tendências consideradas mais prováveis para o horizonte
decenal, oferecendo subsídios relevantes para decisões públicas e privadas relacionadas ao
setor energético.
▪As premissas utilizadas nos estudos procuram incorporar os fatores mais relevantes e
com maior probabilidade de persistência ao longo do horizonte decenal, contemplando
aspectos demográficos, econômicos e setoriais - incluindo questões mais específicas
relacionadas ao setor energético¹, bem como políticas públicas consideradas na base da
elaboração do plano.
▪As projeções demográficas e macroeconômicas apresentadas a seguir constituem uma base
conceitual comum para as diversas análises e estudos que integram o PDE 2036.
Nota: (1) As premissas apresentadas neste caderno tem caráter mais geral. Outras premissas específicas serão apresentadas nos cadernos setoriais
do PDE 2036.
32
O crescimento populacional desacelera, mas o número de domicílios continua
avançando
197
214
220
3,3
2,7
2,4
0
1
2
3
4
5
6
180
190
200
210
220
230
20112012201320142015201620172018201920202021202220232024202520262027202820292030203120322033203420352036
Habitantes por domicílio
População
(milhões de pessoas)
PopulaçãoHabitantes/domicílio
Notas: (1) As projeções demográficas e de domicílios da EPE se baseiam em IBGE (2024), porém há um ajuste de data base para 31 de dezembro de cada ano; (2) Valor estimado a partir das projeções de IBGE (2024); (3) Para as projeções de domicílios
estimam-se curvas logísticas a partir dos dados censitários elaborados pelo IBGE.
▪A população brasileira deverá continuar crescendo até 2036, porém em taxas decrescentes, com expansão média projetada de 0,24% ao ano no horizonte
decenal¹. Paralelamente, o processo de envelhecimento populacional tende a se intensificar. Ao final do período, estima-se que os idosos representarão cerca de
16% da população brasileira, ante aproximadamente 12% em 2026².
▪A combinação entre aumento da renda e redução gradual do déficit habitacional deverá contribuir para a continuidade da queda da relação entre habitantes e
domicílios. Como resultado, o número de domicílios deverá crescer em ritmo superior ao da população, com expansão média de 1,2% ao ano, alcançando
aproximadamente 89,8 milhões de domicílios em 2036³.
Gráfico 25. Evolução da população brasileira e da relação habitantes por domicílio, 2011 - 2036
Fonte: Elaboração própria a partir de dados históricos de IBGE (2024).
33
A economia global deve crescer em ritmo moderado em um ambiente de maior
fragmentação
▪A economia mundial deverá manter trajetória de crescimento moderado ao
longo do horizonte decenal, com expansão média próxima de 3% ao ano¹, em
um contexto marcado por transformações e maior fragmentação econômica e
geopolítica.
▪Os países emergentes deverão responder pela maior parcela da expansão
da atividade global, sustentados por crescimento populacional, avanços na
urbanização e aumento da renda. Em contrapartida, as economias
desenvolvidas tendem a registrar crescimento mais modesto, refletindo fatores
como envelhecimento populacional.
▪Na China, espera-se uma desaceleração gradual do crescimento
econômico, associada à transição para um modelo mais orientado ao
consumo e aos serviços, com menor dependência de investimentos e da
atividade industrial.
▪A persistência de barreiras e restrições ao comércio internacional pode
contribuir para pressionar a inflação global, desacelerando seu ritmo de queda;
▪Entre os principais riscos para o cenário destacam-se a intensificação de
conflitos geopolíticos, o aumento das tensões comerciais, a maior volatilidade
dos mercados financeiros e a ocorrência de eventos climáticos extremos,
fatores que podem afetar o ritmo de crescimento da economia mundial.
Gráfico 26. Evolução do PIB e do comércio mundial (% ao ano)
1
2,4%
3,4%
3,1%
2,9%
2,8%
3,4%
3,1%
2,8%
2017-20212022-20262027-20312032-2036
Comércio mundialPIB mundial
Fonte: Elaboração própria a partir de FMI (2025) e FMI (2026) para o histórico e projeções até
2030, e EPE para projeções a partir de 2030.
Notas: (1) As projeções para o horizonte até 2036 foram concluídas em janeiro de 2026, com base no cenário macroeconômico elaborado em outubro de 2025 no âmbito do Planejamento Anual da Operação Energética 2026-2030 (PLAN 2026–2030) do
Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Dessa forma, as informações consideradas no cenário econômico foram aquelas disponíveis até outubro de 2025; (2) Foi adotada taxa de câmbio média de R$ 5,45/US$, correspondente à média observada
em dezembro de 2025.
34
O cenário de referência projeta crescimento médio de 2,5% ao ano para a
economia brasileira até 2036
▪No curto prazo, espera-se a convergência gradual da inflação para níveis mais compatíveis com as metas estabelecidas, acompanhada pela redução gradativa
das taxas de juros para patamares mais modestos e pela manutenção de condições favoráveis no mercado de trabalho.
▪Ao longo do horizonte decenal, o cenário de referência projeta crescimento médio de 2,5% ao ano para a economia brasileira, sustentado por um ambiente de
negócios mais favorável, pela retomada gradual dos investimentos, pela redução da taxa de juros e pela expansão da demanda interna.
▪Considerando as incertezas inerentes à evolução da economia brasileira e do cenário internacional, foram elaboradas trajetórias alternativas para o PIB brasileiro a
partir da sensibilização de variáveis consideradas determinantes para o crescimento econômico no longo prazo. Nesse contexto, o crescimento médio da economia
brasileira no horizonte até 2036 pode variar entre 1,2% ao ano, no cenário inferior, e 3,3% ao ano, no cenário superior.
▪Além dos riscos associados ao ambiente internacional, a evolução das contas públicas permanece como um fator relevante para o desempenho econômico,
podendo afetar a confiança dos agentes, as condições de financiamento e a trajetória das taxas de juros.
Gráfico 27. Trajetórias possíveis para o PIB brasileiro (% ao ano)
1
Fonte: Elaboração própria a partir de dados históricos de IBGE (2026).
Nota: (1) As projeções para o PIB foram realizadas pela EPE usando o modelo LTGM, disponibilizado publicamente por (2026a).
TrajetóriaPIB [2027-2036]
Inferior1,2% a.a.
Referência2,5% a.a.
Superior3,3% a.a.
1,2%
2,8%
2,5%
2,6%
3,1%
3,5%
1,3%
1,1%
2017-20212022-20262027-20312032-2036
Cenário de referencia (% a.a.)
Limite superior
Limite inferior
Cenário superior
Cenário inferior
35
16,4
17,8
18,5
22,3
22,3
24,7
26,2
27,1
29,0
30,4
36,2
36,4
45,6
47,4
51,7
52,0
Indonésia
Peru
Paraguai
Colômbia
Brasil 2024
Tailândia
México
China
Brasil 2036
Argentina
Chile
Uruguai
Turquia
Rússia
Portugal
Japão
▪A gradual convergência da inflação e a redução das taxas de juros ao longo dos primeiros anos do horizonte decenal tendem a criar condições mais favoráveis para
a recuperação do nível de investimentos na economia brasileira.
▪A implementação da reforma tributária também contribui para um ambiente econômico mais eficiente e previsível, favorecendo a alocação de recursos, a
ampliação dos investimentos e ganhos de produtividade no médio e longo prazo. Apesar desse cenário mais favorável, as projeções incorporam os efeitos
persistentes dos elevados juros reais observados nos anos recentes, que influenciam o ritmo de retomada e maturação dos investimentos ao longo do período.
▪Após um histórico recente de baixo crescimento da produtividade, projeta-se expansão média da Produtividade Total dos Fatores (PTF), com ajuste de capital
humano, de aproximadamente 0,2% ao ano no horizonte decenal. A combinação entre aumento do investimento, ganhos graduais de produtividade e crescimento
econômico contribui para a elevação do PIB per capita de cerca de US$ 22 mil para US$ 29 mil (PPP 2024) entre 2024 e 2036.
16,2%
16,8%
16,7%
16,9%
2017-20212022-20262027-20312032-2036
Gráfico 28. Evolução dos níveis de investimento (% do PIB)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados históricos de IBGE (2026).Fonte: Elaboração própria a partir de dados históricos de (2026).
Gráfico 29. Evolução do PIB per capita (mil US$ PPP 2024)
36
▪No horizonte até 2036, projeta-se crescimento médio anual do valor adicionado (VA)
de 3,2% para a agropecuária e de 2,7% para a indústria e os serviços.
▪A agropecuária deverá apresentar o maior dinamismo entre os grandes setores da
economia, impulsionada pela modernização do capital, pela incorporação de
tecnologias produtivas avançadas e por ganhos contínuos de produtividade.
▪A indústria tende a acompanhar a trajetória de crescimento da economia
brasileira, com expansão moderada durante o período. Apesar do ambiente
macroeconômico incerto, com quedas menos intensas de juros e níveis ainda altos de
endividamento, os agentes mantêm otimismo quanto ao nível de demanda e produção
industrial, o que pode ser um indício de crescimento do setor durante o decênio.
▪No âmbito industrial, a indústria extrativa deverá apresentar maior dinamismo nos
primeiros anos do horizonte, impulsionada principalmente pelos segmentos de
petróleo e gás natural, minério de ferro e pelotas, com crescimento mais moderado na
segunda metade do período.
▪A indústria de transformação tende a ganhar participação gradualmente ao longo
do horizonte decenal, beneficiada por políticas industriais e estratégias alinhadas à
transição energética.
▪O setor de serviços deverá manter trajetória de crescimento consistente, apoiado
pela expansão da renda, pelo crescimento do consumo das famílias e pela evolução
do mercado de trabalho. Paralelamente, investimentos em infraestrutura e políticas
habitacionais continuarão estimulando o desempenho do setor de construção.
Gráfico 31. Evolução da participação dos segmentos industriais no VA
industrial total (% total)
Gráfico 30. Evolução do PIB e do VA setorial (% ao ano)
46,9
48,0
15,9
15,4
22,9
22,4
14,3
14,3
20262036
Eletricidade, gás, água e esgoto
Construção
Extrativa
Transformação
2,5
2,6
2,5
3,0
3,3
3,2
2,6
2,4
2,5
2,7
2,7
2,7
2026-20312031-20362026-2036
PIBAgropecuáriaIndústriaServiços
Variação média
2026 – 2036 (% a.a.)
Indústria2,7%
Extrativa3,3%
Transformação2,7%
Transf. Intensiva2,1%
Construção2,5%
EE, água e gás2,3%
Fonte: Elaboração própria com dados históricos de IBGE (2026).
Fonte: Elaboração própria com dados históricos de IBGE (2026).
2036
PDE
38
▪Projeções de carga baseadas no
Planejamento Anual da Operação
Energética (PLAN) 2026-2030,
divulgado pelo ONS em
dezembro de 2025.
▪Expansão de cargas associadas a
hidrogênio a partir de eletrólise,
data centers e veículos elétricos.
▪A partir de 2029, considera-se a
cobrança integral da TUSD
Distribuição sobre a energia
injetada por sistemas de MMGD.
Demais componentes são
compensadas.
▪Crescimento da autoprodução
não injetada na rede em
segmentos como celulose,
siderurgia, química, E&P, refino e
produção de etanol.
Carga de energia e
Mini e Micro Geração
Distribuída (MMGD)
▪Avanço gradual da
eletrificação em segmentos
específicos, como o cimento.
▪Ampliação da participação
do gás natural na matriz
energética industrial, em
substituição a outros
energéticos.
▪Maior utilização defontes
renováveis visando a
renovabilidade da matriz
energética industrial (como o
licor preto na indústria de
celulose).
▪O ambiente econômico
influencia na recuperação da
atividade em setores como
alumina, alumínio e
siderurgia.
Demanda de
energia no
setor industrial
▪Continuidade da substituição de lenha e carvão vegetal
para cocção, impulsionada pelo programa Gás do Povo.
▪Agenda regulatória de índices mínimos de eficiência
energética do CGIEE para os anos de 2026 a 2028 prevê,
entre os equipamentos, a análise de impacto
regulatório e expectativa de publicação de
regulamentação para iluminação indoor, ventiladores
de mesa, condicionadores de ar e aquecedores de água
domésticos.
▪Sistemas de Aquecimento Solar (SAS) seguem sendo
uma fonte crescente de energia, com expansão de área
instalada, impulsionada pela economia gerada para o
aquecimento de água e pela obrigatoriedade dessa
solução em habitações de interesse social da Faixa 1
do MCMV nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
▪Internalização de indicador de eficiência energética de
data centers, relacionando consumo total da instalação
com a energia efetivamente utilizada pelos
equipamentos de TI.
Demanda de energia nos setores
residencial, comercial e público
▪Aumento da demanda por
transporte de cargas, em
especial devido à construção
civil e ao agronegócio.
▪Avanço de ferrovias e terminais
portuários. Contudo, a frota de
caminhões pesados segue
como pilar essencial no curto e
médio prazo.
▪Eletrificação crescente em
áreas urbanas (ônibus,
automóveis e comerciais leves).
Contudo, o óleo diesel segue
predominante no transporte de
cargas para longas distâncias e
de passageiros nas cidades, a
despeito do avanço de outros
modos e da oferta de outros
combustíveis.
Demanda de
energia no setor
de transporte
39
▪A previsão da produção de petróleo e gás natural engloba as
diferentes categorias de recursos convencionais: campos
(áreas com declaração de comercialidade), descobertas em
fase de avaliação e recursos não descobertos em áreas
contratadas ou em áreas da União.
Recursos considerados na previsão
da produção de petróleo
▪O Programa Anual de Produção (PAP) consolidado pela Agência
Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP),
com base em dados das companhias, constitui referência
fundamental para os estudos de projeção da produção no ano-
base e nos quatro primeiros anos do decênio.
Programa Anual de Produção (PAP)
▪Admite-se o sucesso no licenciamento ambiental das áreas
contratadas. Entretanto, todas as áreas são avaliadas quanto
à sua complexidade ambiental, que influencia diretamente as
expectativas em relação aos prazos necessários para a
obtenção das licenças e, consequentemente, a entrada em
produção de novas áreas.
Licenciamento ambiental
▪A viabilização da produção é condicionada à disponibilidade de
plataformas do tipo FPSO (Floating Production, Storage and Offloading).
As plataformas classificadas como “ainda não programadas”, ou seja,
que não constam nos cronogramas das companhias, têm prazo mínimo
de cinco anos para entrada em operação, bem como limite máximo de
cinco plataformas instaladas por ano.
Infraestrutura de produção
40
▪Oferta nacional: Baseia-se em
projeções de produção elaboradas
internamente, com processamento nas
Unidades de Processamento de Gás
Natural (UPGNs) nacionais.
▪Importação por terminais de GNL:
Considera-se as capacidades máximas
autorizadas dos terminais existentes e
previstos como complemento à oferta
nacional.
▪Importação por gasodutos: Restringe-
se à importação pelo GASBOL, com
projeção de redução ao longo do
horizonte decenal. Existe a possibilidade
de reversão dessa tendência caso novos
investimentos sejam realizados na
Bolívia e na Argentina.
Oferta
▪Existentes: Abrange toda a
infraestrutura de gás natural em
operação no Brasil, incluindo
gasodutos de transporte, estações de
compressão, UPGNs e terminais de
GNL.
▪Futuras: Incorpora novos projetos
anunciados e previstos com
maturidade avançada (como o Projeto
Raia, Projeto SEAP, GNL Suape/PE e
UPGN Miranga/BA), bem como a
conexão à malha integrada de um
terminal de GNL existente (Porto do
Açu). Inclui, ainda, os terminais de GNL
associados a projetos vencedores do
LRCap 2026, com base nas recentes
movimentações dos agentes.
Infraestrutura
▪Previstos: Reúne projetos
em etapa avançada de
materialização da
infraestrutura.
▪Indicativo Business as
Usual: Considera-se
projetos do Plano Nacional
Integrado das
Infraestruturas de Gás
Natural e Biometano
(PNIIGB).
▪Indicativos Estudados EPE:
Contempla os projetos
estudados nos Planos
Indicativos da EPE (PIPE, PIG
e PITER).
Investimentos
▪Demanda não termelétrica:
Incorpora o crescimento setorial
com base no acompanhamento da
indústria e nas projeções de
crescimento do PIB.
▪Setor downstream: Inclui a
expansão de refino (especialmente,
Trem 2 da RNEST e Complexo
Boaventura) e de fábricas de
fertilizantes (como as UFNs Três
Lagoas/MS e Uberaba/MG).
▪Demanda termelétrica: Abrange o
crescimento e as projeções de
despacho das usinas existentes,
previstas e indicativas, conforme
metodologia de cálculo interno.
Demanda
O Decreto nº 12.153/2024 e o Programa Gás para Empregar podem ampliar a oferta e a competitividade do gás natural no horizonte do PDE 2036.
41
▪Infraestrutura existente: Abrange toda a
infraestrutura em operação no Brasil, incluindo
refinarias de petróleo, oleodutos, terminais terrestres
e aquaviários e bases de distribuição.
▪Relevância das refinarias nacionais: Uso de
petróleo nacional e foco em investimentos para
redução de emissões, aumento da oferta de óleo
diesel S10 e adequação do portfólio de produtos (foco
em destilados médios, especialmente óleo diesel).
▪Investimentos previstos: Incorpora projetos em
andamento e empreendimentos previstos com
maturidade avançada, em especial o Trem 2 da
RNEST e o Complexo Boaventura, bem como
expansões de capacidade de destilação em refinarias
existentes.
Refino e infraestrutura logística
▪Biocombustíveis convencionais:
Consolidação e aumento da oferta de
etanol e biodiesel, pilares já estabelecidos
da renovabilidade da matriz de transportes
brasileira.
▪Biocombustíveis avançados: Foco
estratégico no desenvolvimento e
produção de SAF (Combustível
Sustentável de Aviação) e Diesel Verde,
essenciais para setores de difícil
descarbonização.
▪Novas fronteiras (biometano): Expansão
acelerada tanto na oferta quanto na
demanda de biometano, aproveitando
resíduos agroindustriais e urbanos.
Biocombustíveis
▪Demanda global: Desaceleração gradual
do crescimento da demanda devido à
penetração de renováveis.
▪Choques geopolíticos: Volatilidade
acentuada em 2026, seguida de correção
por sobreoferta estrutural.
▪Sinal de preço: Prêmios de óleo diesel e
QAV elevados e acima da média histórica
até 2027. Enfraquecimento do prêmio da
gasolina na próxima década devido à
eletrificação crescente de veículos leves.
▪Equilíbrio de longo prazo: Necessidade de
preços que sustentem novos investimentos
para garantir a segurança do suprimento.
Mercado internacional de
petróleo
42
Busca-se no PDE estimar a combinação de fontes capaz de atender a demanda futura de eletricidade ao menor custo total, assegurando o atendimento aos critérios de suprimento
e aos requisitos do sistema elétrico dentro do contexto da transição energética.
▪Os requisitos representam o montante de oferta adicional que o sistema requer, nas
dimensões de energia e potência, para que as condições operativas futuras estejam
conforme os limites estabelecidos nos critérios de suprimento vigente. São calculados
conforme definição da Resolução CNPE n° 29, de 2019, e da Portaria MME n° 59, de 2020.
▪O sistema existente considera, conforme Programa Mensal de Operação (PMO) jan/26, as
termelétricas a gás natural já contratadas no âmbito da Lei n° 14.182/2021 e resultados do
LRCap de março de 2026.
▪Retirada de operação de termelétricas em fim de contrato e fim de vida útil.
▪Carga líquida: representa com maior precisão a demanda que de fato exige o acionamento
de usinas despacháveis. Aprimora o dimensionamento da geração controlável,
especialmente em sistemas com forte participação de geração renovável não controlável,
como as fontes eólica e solar.
▪Restrições operativas de usina hidrelétricas: visa que a representação da operação das
hidrelétricas esteja aderente à realidade operativa. Além das restrições de volume dos
reservatórios, são estabelecidas para cada UHE metas de geração mínima por patamar de
carga e limites de defluência mínima.
Requisitos do sistema
▪Os projetos candidatos a expansão indicativa contemplam novas
hidrelétricas, com viabilização compatível com horizonte decenal, conforme
avaliação socioambiental; modernização e repotenciação de hidrelétricas
existentes, termelétricas a gás natural, carvão, incluindo a possibilidade de
CCS, biomassa e nuclear. Além de fontes renováveis como eólica, solar
centralizada e PCH.
▪São considerados mecanismos de gerenciamento da demanda, além de
tecnologias de armazenamento, como baterias e hidrelétricas reversíveis,
para redução da demanda máxima do sistema.
▪Como expansão obrigatória nos próximos dez anos, serão considerados,
conforme Lei nº 15.269/2025,conforme a seguir:
PCH:
▪1.000 MW para início de suprimento a partir do 2º semestre de 2032
▪1.000 MW para início de suprimento a partir do 2º semestre de 2033
▪1.000 MW para início de suprimento a partir do 2º semestre de 2034
Expansão da geração no Cenário de Referência
43
▪Objetivo: Uso racional da rede
com alocação eficiente da malha
de transmissão e transparência.
▪Chamada Pública Anual:
Obtenção de dados sobre a
demanda futura de
empreendimentos de geração e
de grandes cargas por
transmissão, favorecendo
decisões quanto ao
dimensionamento e cronograma
de obras.
▪Expansão da Transmissão:
Redução de incertezas, com
sinais econômicos e prevenção
de expansões desnecessárias
por esgotamento de margens.
Acesso: Política
Nacional de Acesso ao
Sistema de Transmissão
▪Substituição de ativos: Importante
para a manutenção dos níveis de
confiabilidade e qualidade
associada à substituição racional
da infraestrutura em fim de vida útil
física.
▪Gestão de ativos: Nem sempre as
informações sobre a vida útil física
dos equipamentos estão
disponíveis, o que dificulta o
levantamento de estatísticas para
preparar o mercado sobre a
necessidade de investimentos
frente ao envelhecimento do
sistema de transmissão.
▪Estratégia: Mapear investimentos
potenciais a partir de informações
sobre a vida útil regulatória dos
ativos.
Desafios:
Envelhecimento da
malha de transmissão
▪Desafios: Aumento da participação de fontes renováveis variáveis e recursos
energéticos distribuídos desafiam o planejamento, exigindo maior
coordenação entre geração, transmissão e operação do sistema elétrico.
▪Flexibilidade: A variabilidade e a incerteza dessas fontes ampliam a
relevância de soluções capazes de lidar também com restrições operativas e
dinâmicas da rede, agregando flexibilidade ao sistema de transmissão.
▪Alternativas: O planejamento da expansão da transmissão passa a incorporar
um conjunto diversificado de alternativas tecnológicas, como dispositivos
FACTS (STATCOM e SSSC), sistemas de armazenamento por baterias (BESS),
tecnologias de transmissão em corrente contínua (HVDC-VSC) e condutores
especiais de alta capacidade (HTLS).
▪Avaliações comparativas: Essas alternativas são avaliadas de forma
comparativa, com base em critérios técnicos, econômicos, operativos,
regulatórios e ambientais, além de aspectos como prazos de implantação e
robustez frente a cenários futuros.
▪Recomendações: Ao longo do processo, são recomendadas soluções que
assegurem eficiência sistêmica, confiabilidade do suprimento e modicidade
tarifária, em alinhamento com os desafios da transição energética.
Evolução tecnológica: Novas alternativas
44
▪Carteira de projetos que compõe a
expansão: Considera os resultados de
estudos iniciais do planejamento
energético (relatórios de transmissão R1
e R3, inventários hidrelétricos etc.) que,
de maneira geral, buscam a minimização
de impactos socioambientais.
▪Análise processual das usinas
hidrelétricas (UHEs): Compreende
projetos em desenvolvimento, na fase de
viabilidade, suas características e prazos
para os estudos, licenciamento
ambiental e construção.
▪Análise da complexidade
socioambiental das unidades
produtivas de petróleo e gás natural
(UPs): Considera UPs com contrato de
concessão, a área em que está inserida e
o tempo para o licenciamento ambiental.
Subsídios socioambientais
para a expansão decenal
▪Discussão dos aspectos
socioeconômicos da
transição energética.
Transição
energética
justa e
inclusiva
▪Para cada fonte da
expansão: Identificação
das interferências
socioambientais
relevantes, temas
socioambientais,
desafios e
oportunidades
socioambientais.
Análise
socioambiental
da expansão
▪Discussão dos compromissos, acordos e políticas
climáticas.
▪Emissões de GEE: Estimativa a partir da matriz energética
projetada para o horizonte decenal. Compreende emissões
associadas à produção, transformação e uso de energia.
Metodologia baseada nas Diretrizes do IPCC (2006).
▪ Mitigação e adaptação: Análise dos instrumentos e
medidas relacionados ao setor energético.
Mudança do clima
▪Análise espacial da expansão: Projetos planejados no horizonte, cumulatividades e sinergias.
▪Desafios e oportunidades socioambientais estratégicos: Questões socioambientais que
podem representar riscos e perspectivas inovadoras à expansão.
Análise integrada das questões socioambientais da expansão
Orientadas pelo conceito
de desenvolvimento
sustentável e alinhamento
com os Objetivosde
Desenvolvimento
Sustentável (ODS)
45
▪As políticas públicas constituem o principal arcabouço orientador do planejamento energético no horizonte decenal, ao sinalizarem
diretrizes, incentivos, restrições e prioridades setoriais que moldam a evolução da oferta, demanda e infraestrutura energética no País.
▪No eixo de descarbonização e transição energética, instrumentos como Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB),
RenovaBio, Plano Clima, Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), Lei do Combustível do Futuro, Estratégia Federal de
Incentivo ao Uso Sustentável de Biogás e Biometano, Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2) e Energias da Amazônia são
considerados nas análises elaboradas no âmbito do PDE, influenciando de distintas formas as indicações e sinalizações do plano. Além disso,
destaca-se a Política Nacional de Transição Energética (PNTE) e seus dois instrumentos: o Plano Nacional de Transição Energética
(Plante) e o Fórum Nacional de Transição Energética (Fonte). O Plante é um plano de ações, que sistematiza ações e iniciativas que visam
apoiar a neutralidade de emissões, bem como promover segurança e resiliência energética e combater a pobreza energética. Já o Fonte atua
como um espaço de diálogo entre governo, sociedade civil e setor produtivo, sendo responsável promover transparência e ampla participação
social na formulação de políticas energéticas.
▪No campo de óleo e gás, políticas como Potencializa E&P e diretrizes de descarbonização do E&P equilibram a necessidade de garantir oferta
doméstica com a transição para fontes de menor emissão, impactando projeções de produção, exportações e uso de gás natural. Além disso,
o Programa Gás para Empregar integra o gás natural à estratégia nacional de transição energética, contemplando sinergias e investimentos
para o desenvolvimento de soluções de baixo carbono, especialmente o biometano.
▪As políticas, planos e programas de eficiência energética (PNEf, PROCEL, PEE ANEEL, etiquetagem e índices mínimos) atuam como vetor
estrutural de moderação da demanda, com efeitos relevantes nas projeções de consumo setorial (indústria, edificações e transportes) e na
necessidade de expansão da oferta.
▪No âmbito de infraestrutura e expansão do sistema, instrumentos como a lei de modernização do marco regulatório do setor elétrico, o
marco legal da microgeração e minigeração distribuída, Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST), Regime
Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI), novo PAC, o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), o
Plano de Recuperação de Reservatórios de Regularização de Usinas Hidrelétricas (PRR) e marco do saneamento se refletem nas
avaliações relacionadas a expansão da matriz energética e evolução da logística, sendo determinantes para a confiabilidade, integração
regional, custos do sistema e segurança energética.
46
▪As iniciativas de maior inclusão e acesso à energia, como Luz para Todos, Luz do Povo, Gás do Povo,
Programa de Energia Renovável Social (PERS) e Minha Casa Minha Vida, influenciam a universalização e o
perfil de consumo, incorporando dimensões de equidade e pobreza energética ao planejamento.
▪No setor de transportes, políticas como o Programa de Mobilidade Verde e Inovação (MOVER), o Programa
de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (PROCONVE), o Programa Brasileiro de
Etiquetagem Veicular (PBEV), o Programa BR do Mar, a Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), o
marco legal do transporte público coletivo e os programas de renovação e aumento da produtividade de
frota, assim como política relacionada a condições mínimas de fretes no transporte rodoviário de
cargas, orientam as análises relacionadas a ganhos de eficiência, eletrificação e mudança modal, com
rebatimentos na mobilidade urbana, demanda por combustíveis e eletricidade.
▪Por fim, políticas industriais e socioambientais, como Nova Indústria Brasil, a Política Nacional do Meio
Ambiente (PNMA), o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (PRESIQ), o Programa
PotencializEE, o Programa Aliança 2.0, política de fomento econômico e metano zero, articulam
eficiência, competitividade, inovação e sustentabilidade, condicionando cadeias produtivas, demanda por
energia e oportunidades associadas à transição.
▪Esse conjunto de políticas define o ambiente institucional e regulatório que fundamenta as premissas,
os cenários e as decisões de investimento do planejamento energético decenal.
O PDE 2036 tem como ponto partida as premissas e perspectivas apresentadas neste documento, observando o contexto no momento de elaboração do plano.
Maiores detalhamentos em relação às sinalizações indicativas para a expansão do sistema energético serão divulgados em materiais subsequentes.
47
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49
MCTI – MINISTÉRIO DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO. Relatório do Inventário Nacional das Emissões Antrópicas por Fontes e das Remoções por Sumidouros de Gases de Efeito Estufa do
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UNCTAD – UNITED NATIONS CONFERENCE ON TRADE AND DEVELOPMENT. UNCTADstat Data centre. Nova Iorque: UNCTAD, 2026. Disponível em: .
Acesso em: abril de 2026.
PDE 2036 | Estudos do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036
Agradecemos à equipe do Departamento de Informações, Estudos e Eficiência Energética (DIEE) do Ministério de
Minas e Energia (MME) pela interlocução técnica e pelas valiosas contribuições que subsidiaram a elaboração
deste documento.
Agradecemos, também, às diversas equipes das Secretarias do MME pela revisão do documento e pelas
contribuições apresentadas, que contribuíram para seu aperfeiçoamento.
As imagens utilizadas neste caderno foram obtidas nas plataformas Canva, Freepik e Global LNG Hub. Os ícones
foram obtidos em Flaticon/AmethystDesign, Flaticon/Awicon, Flaticon/Eucalyp, Flaticon/Freepik, Flaticon/Iconjam,
Flaticon/Smashicons, Flaticon/Uniconlabs e Flaticon/xnimrodx.
Caderno de Contexto, Perspectivas e Premissas
2036
PDE
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Caderno de Contexto, Perspectivas e Premissas
Emitido por elety
Assinado em 18/08/2026
Leitura de 15 min
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