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Caderno de Contexto, Perspectivas e Premissas

Emitido por elety
Assinado em 18/08/2026
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2036 PDE Caderno de Contexto, Perspectivas e Premissas PDE 2036 | Estudos do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 Rio de Janeiro, 2026 Ministro de Estado Alexandre Silveira de Oliveira Secretário Executivo Gustavo Cerqueira Ataíde Secretário Nacional de Energia Elétrica João Daniel de Andrade Cascalho Secretária Nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral Ana Paula Lima Vieira Bittencourt Secretário Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Renato Cabral Dias Dutra Secretária Nacional de Transição Energética e Planejamento Mariana de Assis Espécie Presidente Thiago Guilherme Ferreira Prado Diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais Thiago Ivanoski Teixeira Diretor de Estudos de Energia Elétrica Reinaldo da Cruz Garcia Diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis Heloisa Borges Bastos Esteves Diretor de Gestão Corporativa Carlos Eduardo Cabral Carvalho Composição dos cargos em 3 de julho de 2026 Foto da capa: Canva/Getty Images Signature. www.mme.gov.br www.epe.gov.br www.epe.gov.br Caderno de Contexto, Perspectivas e Premissas FICHA TÉCNICA PDE 2036 | Estudos do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 Caderno de Contexto, Perspectivas e Premissas Angela Oliveira da Costa Carla da Costa L. Achão Elisangela Medeiros de Almeida Gustavo Pires da Ponte Marcos Frederico F. de Souza Thiago de F. R. Dourado Martins Camila de Araujo Ferraz Lidiane de Almeida Modesto Patrícia Costa Gonzalez de Nunes Allex Yujhi Gomes Yukizaki Ana Claudia Sant'Ana Pinto Ana Cristina Braga Maia Ana Dantas Mendez de Mattos Arnaldo dos Santos Jr. Bruna Souza Lopes Graça Bruno R. L. Stukart Bruno Scola L. Cunha Carlos Augusto Goes Pacheco Cristiane Moutinho Coelho Fernanda M.P. Andreza Flavia Camargo de Araujo Guilherme de Paula Salgado Gustavo Daou Palladini Henrique Plaudio G. Rangel Hermani de Moraes Vieira Igor da Silva Cavalcanti Jessica Rodrigues P. Ferreira Lucas Simões de Oliveira Marcelo C. B. Cavalcanti Marcos V. G. da S. Farinha Mariana de Queiroz Andrade Mariana Weiss De Abreu Marina Damião Besteti Ribeiro Otto Hebeda Pablo Rodrigues de Castro Patrícia Feitosa Bonfim Stelling Pedro Henrique Gonçalves Lage Pedro Paulo Fernandes da Silva Rachel Martins Henriques Rafael Barros Araujo Regina Freitas Fernandes Renata de Azevedo Moreira da Silva Santiago Silveira Barbosa Simone Saviolo Rocha Tiago Veiga Madureira Vinicius Mesquita Rosenthal Yuri Vandresen Pinto Autores Coordenação Técnica EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA - EPE Filipe de Pádua Fernandes Silva (EPE) Sergio R. Ayrimoraes Soares (MME) COORDENAÇÃO EXECUTIVA DO PDE 2036 Valor Público 2036 PDE 4 Os estudos do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) orientam a formulação de políticas públicas, ajudam a guiar as decisões de diversas partes interessadas, como governos, empresas e a sociedade civil, e contribuem para a segurança energética do País. Ao apresentar uma análise estruturada do contexto nacional e internacional que fundamenta o início dos estudos do PDE 2036, este caderno contribui para reduzir assimetrias de informação entre os agentes e qualificar a compreensão dos principais fatores que podem influenciar a evolução do setor energético no horizonte decenal. Além disso, ao explicitar as perspectivas demográficas e econômicas e as premissas gerais que orientam a construção do cenário de referência do plano, o caderno reforça a transparência do processo de planejamento energético, permitindo maior compreensão sobre as hipóteses adotadas e ampliando a previsibilidade e a confiança dos estudos desenvolvidos pela EPE. 5 Esta publicação contém projeções acerca de eventos futuros que refletem a visão da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) no âmbito do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036). Tais projeções envolvem uma ampla gama de riscos e incertezas conhecidos e desconhecidos e, portanto, os dados, as análises e quaisquer informações contidas neste documento não são garantia de realizações e acontecimentos futuros. Este documento possui caráter informativo, sendo destinado a subsidiar o planejamento do setor energético nacional. A EPE se exime de responsabilidade por quaisquer ações e tomadas de decisão que possam ser realizadas por qualquer pessoa física ou jurídica com base nas informações contidas neste documento. VersãoDataDescrição v103/07/2026Publicação inicial. Controle de versões SUMÁRIO ▪Contexto: Energia, clima e geopolítica em um mundo mais complexo e incerto ▪Perspectivas demográficas e econômicas ▪Premissas energéticas e socioambientais 2036 PDE 8 ▪O planejamento energético de médio prazo torna-se mais desafiador diante de um contexto internacional marcado por crescente complexidade, volatilidade e incerteza. ▪Nos últimos anos, a intensificação de tensões geopolíticas, o avanço de práticas protecionistas em detrimento do multilateralismo e os desafios à cooperação climática vêm produzindo impactos relevantes sobre a economia global, os mercados de energia e as decisões de investimento. Ao mesmo tempo, permanecem elevadas as incertezas quanto à magnitude, à duração e aos desdobramentos estruturais desses fenômenos, especialmente sobre segurança energética, inflação, cadeias produtivas e transição energética. ▪Nesse contexto, o monitoramento contínuo das transformações econômicas, tecnológicas, climáticas e geopolíticas torna-se cada vez mais relevante para o planejamento energético. ▪Como instrumento de planejamento, o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) incorpora, a cada ciclo, a análise do contexto internacional e seus potenciais desdobramentos sobre o setor energético brasileiro no horizonte decenal. ▪O PDE 2036 traz uma perspectiva possível, embora não exaustiva, para os próximos dez anos, com base nas análises econômicas realizadas até o final de 2025, período em que parte dessas novas incertezas ainda não se encontrava plenamente configurada. Nesse sentido, este caderno apresenta o contexto e as premissas gerais que orientam os estudos relacionados ao cenário de referência do PDE 2036. 9 ▪A ascensão de práticas protecionistas e a intensificação de disputas comerciais vêm impondo desafios ao comércio internacional e ampliando a incerteza sobre a dinâmica da economia global. Nesse contexto, destacam- se as tarifas de importação adotadas pelos Estados Unidos ao longo de 2025 e as restrições à exportação de insumos estratégicos por parte da China. ▪Embora parte dessas medidas tenha sido posteriormente flexibilizada por meio de negociações bilaterais, o ambiente internacional permanece marcado por maior volatilidade e pela possibilidade de novas restrições comerciais, configurando um fator de risco relevante para o crescimento econômico global. ▪As restrições impostas pela China às exportações de metais, terras raras e fertilizantes ilustram esse contexto. Ao longo de 2025, tais medidas contribuíram para uma elevação expressiva dos preços internacionais desses insumos, levando o índice de preços desse grupo de commodities a registrar variação anual próxima de 64% (Gráfico 1). O episódio evidencia a sensibilidade das cadeias produtivas globais e dos mercados internacionais a restrições comerciais envolvendo insumos estratégicos. ▪Apesar desse ambiente mais desafiador, a economia mundial manteve resiliência em 2025. Segundo o FMI, o PIB global cresceu 3,3%, mesma taxa observada em 2024 (Gráfico 2). No mesmo período, a inflação global desacelerou de 5,8% para 4,1%, enquanto o crescimento do comércio mundial de bens e serviços acelerou de 3,6% para 4,1%. 3,0% -2,7% 6,6% 3,8% 3,5% 3,3% 3,3% -5% 0% 5% 10% 2019202020212022202320242025 MundoPaíses desenvolvidosPaíses em desenvolvimento Gráfico 2. Crescimento do PIB, 2019 a 2025 (%) Fonte: Elaboração própria a partir de FMI (2026). -40 -20 0 20 40 60 80 Jan. 2024 Mar. 2024 Mai. 2024 Jul. 2024 Set. 2024 Nov. 2024 Jan. 2025 Mar. 2025 Mai. 2025 Jul. 2025 Set. 2025 Nov. 2025 Jan. 2026 Todos os gruposComidasMateriais agrícolas Minérios e metaisCombustíveis Gráfico 1. Variação anual do Índice de Preços das Commodities (%) Fonte: Elaboração própria a partir de UNCTAD (2026). Nota: Valores para 2025 são dados preliminares. 10 ▪No início de 2026, a escalada do conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, adicionou novas incertezas ao cenário econômico global. O fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio internacional de energia, intensificou as preocupações relacionadas ao abastecimento e contribuiu para a elevação dos preços do petróleo. ▪Em suas projeções de março de 2026, a OCDE incorporou os efeitos desse novo contexto geopolítico. O cenário considera uma redução gradual dos preços de petróleo, gás natural e fertilizantes a partir de meados de 2026, assumindo uma normalização progressiva das condições de mercado. ▪Apesar do aumento das tensões geopolíticas, a projeção de crescimento do PIB mundial em 2026 foi mantida em 2,9% (Gráfico 3). Contudo, os impactos econômicos tendem a ser assimétricos entre países, refletindo diferenças nos padrões de produção, consumo e comércio de energia. ▪De forma geral, economias importadoras de energia tendem a ser mais afetadas pela elevação dos custos energéticos, enquanto países exportadores podem se beneficiar do aumento dos preços internacionais. Como resultado, a OCDE revisou para baixo as expectativas de crescimento de economias da Área do Euro, Reino Unido e Índia, ao passo que elevou as projeções para países como Estados Unidos, México e Rússia. ▪Ainda assim, permanecem elevadas as incertezas quanto aos desdobramentos econômicos desse conflito, especialmente sobre os mercados de energia, o comércio internacional e as expectativas da economia mundial e doméstica. 2,9% 0,8% 0,7% 2,0% 0,6% 1,2% 1,3% 1,5% 2,8% 4,4% 6,1% 2,9% 1,2% 1,3% 1,7% 0,5% 1,3% 1,2% 1,7% 3,0% 4,4% 6,2% Mundo Área do Euro Reino Unido EUA Russia Africa do Sul Mexico Brasil Argentina China India Projeção dez/25Projeção mar/26 Gráfico 3. Estimativa para o crescimento do PIB em 2026 em países selecionados Fonte: Elaboração própria a partir de OCDE (dez/25 e mar/26). 11 ▪A volatilidade dos preços de energia, especialmente de petróleo e gás natural, constitui um dos principais canais de transmissão dos choques geopolíticos para a economia. A elevação dos custos energéticos tende a pressionar a inflação, aumentar custos de produção e ampliar a incerteza para decisões de investimento de longo prazo. ▪Esses efeitos ocorrem em um contexto em que algumas economias relevantes, como Estados Unidos, Reino Unido, Brasil e México, já apresentavam taxas de inflação acima de suas metas, tornando o controle inflacionário ainda mais desafiador e restringindo o espaço para flexibilização da política monetária. ▪Embora os impactos sobre as projeções de crescimento econômico ainda sejam relativamente limitados (Gráfico 3), a OCDE revisou para cima as expectativas de inflação para grande parte das economias analisadas (Gráfico 4). Esse movimento reflete os efeitos do choque nos preços de energia sobre as expectativas inflacionárias e reforça os desafios macroeconômicos associados a um ambiente internacional mais incerto. 1,9% 2,5% 3,0% 5,4% 3,6% 3,3% 4,2% 17,6% 0,3% 3,4% 2,6% 4,0% 4,2% 6,4% 3,9% 3,8% 4,1% 31,3% 1,3% 5,1% Área do EuroReino UnidoEUARussiaAfrica do SulMexicoBrasilArgentinaChinaIndia Projeção dez/25Projeção mar/26 Gráfico 4. Estimativa para a inflação em 2026 em países selecionados (%) Fonte: Elaboração própria a partir de OCDE (dez/25 e mar/26). 12 ▪O conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos elevou significativamente os riscos para o abastecimento global, configurando o maior choque de oferta da história do petróleo (Gráfico 5), especialmente em função das restrições à navegação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio internacional de energia. ▪No início de 2026, o mercado petrolífero encontrava-se sobreofertado, com elevados estoques e capacidade ociosa relevante. Esse contexto contribuiu para limitar a reação inicial dos preços. Contudo, interrupções mais persistentes nos fluxos de comércio e danos à infraestrutura energética geraram impactos expressivos sobre a oferta global (Gráfico 6). ▪O fornecimento global de petróleo ácido médio (medium sour) apresenta elevada dependência logística do Estreito de Ormuz. Esse tipo de petróleo desempenha papel importante no abastecimento de refinarias voltadas à produção de destilados médios, como óleo diesel e querosene de aviação (QAV). ▪Independentemente da evolução do conflito, episódios dessa natureza tendem a produzir efeitos duradouros sobre a percepção de risco dos mercados, podendo influenciar fluxos comerciais, custos logísticos e preços internacionais de petróleo. ▪As estimativas indicam que a combinação entre estoques estratégicos disponíveis, capacidade ociosa remanescente e sobreoferta observada no mercado totaliza cerca de 10,8 milhões de barris por dia (b/d). Esse volume é inferior à disrupção associada ao Estreito de Ormuz, estimada em aproximadamente 12 milhões b/d, equivalente a 11,5% da demanda mundial (Gráfico 5). 0 50 100 150 202120222023202420252026 WTI spotBrent spot Gráfico 5. Choques de oferta de petróleo (milhões b/d) Fonte: Elaboração própria a partir de EIA (2026a) e IEA (2026a). 12,0 1,0 2,3 3,8 2,6 3,8 4,5 Guerra do Irã (2026) Guerra Rússia-Ucrânia (2022) Guerra do Iraque (2003) Guerra do Golfo (1990) Guerra Irã-Iraque (1980) 2º Choque do Petróleo (1979) 1º Choque do Petróleo (1973) Gráfico 6. Evolução dos preços de petróleo, jan/2021 a mar/2026 (US$/b) Fonte: Elaboração própria a partir de EIA (2026b). % demanda global 12% 1% 3% 6% 4% 6% 8% 13 ▪O Golfo Pérsico ocupa posição estratégica no abastecimento global de energia e concentra parcela relevante das exportações internacionais de petróleo e derivados. A região responde por fluxos significativos de óleo diesel, gasolina, óleo combustível, gás liquefeito de petróleo (GLP), nafta e QAV (Gráfico 7), além de fertilizantes e outros produtos intensivos em energia. ▪Em 2023, antes da crise, a região exportou aproximadamente 15,4 milhões b/d de petróleo, 1,1 milhão b/d de óleo diesel e cerca de 4,0 milhões b/d de outros derivados, evidenciando sua relevância para o abastecimento energético mundial. ▪Restrições à navegação no Estreito de Ormuz podem afetar de forma particularmente severa mercados como os de óleo diesel, GLP e nafta. ▪A elevada participação da Ásia na produção e nas exportações globais de óleo diesel reforça essa vulnerabilidade (Gráfico 8). China e Índia respondem conjuntamente por cerca de 25% das exportações mundiais desse derivado e dependem, em diferentes graus, do fornecimento de petróleo ácido médio proveniente do Golfo Pérsico. 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% 50% 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 Petróleo Óleo diesel Gasolina Óleo combustível GLP Nafta QAV Milhares Exportação global (milhão b/d) Participação do Golfo Pérsico (% total) 2,5 1,1 4,3 0,3 2,3 0,6 ProduçãoExportações Golfo PérsicoChinaÍndia Gráfico 7. Exportações globais de petróleo e derivados em 2023 e dependência do Golfo Pérsico Gráfico 8. Produção e exportação de óleo diesel em 2023 no Golfo Pérsico, China e Índia (milhão b/d) Fonte: Elaboração própria a partir de UNSD (2026).Fonte: Elaboração própria a partir de UNSD (2026). 14 ▪O conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos elevou significativamente os riscos para o mercado internacional de gás natural, especialmente para o segmento de gás natural liquefeito (GNL), cuja oferta global apresenta elevada concentração regional. ▪Ataques à infraestrutura e restrições ao tráfego no Golfo Pérsico ampliaram a volatilidade dos mercados de gás natural. Entre os principais impactos, destacam-se os danos à planta de Ras Laffan, no Qatar, a maior instalação de liquefação de gás natural do mundo, com redução relevante da capacidade global de oferta. As estimativas apontam para cerca de 12,8 milhões de toneladas (Mt) de capacidade anual afetada e prazo de recuperação entre três e cinco anos. ▪A expansão da capacidade de liquefação prevista para o Qatar, que adicionaria aproximadamente 32 Mt/ano à oferta global de GNL a partir do final de 2026, também foi postergada, reduzindo as perspectivas de crescimento da oferta no curto prazo. ▪O Estreito de Ormuz permanece como um ponto crítico para o comércio internacional de gás natural. Aproximadamente 20% do GNL comercializado globalmente transita por essa rota, principalmente a partir do Qatar e dos Emirados Árabes Unidos. ▪Como reflexo, observou-se aumento da volatilidade das principais referências internacionais de preços de gás natural, incluindo os índices Henry Hub e TTF, além de uma intensificação da competição entre Europa e Ásia pelas cargas disponíveis de GNL. ▪Em resposta a esse cenário, diversos países passaram a reforçar estratégias de diversificação de fornecedores, rotas logísticas e fontes de suprimento, buscando reduzir sua exposição a riscos geopolíticos. Diferentemente da crise de 2022, concentrada no fornecimento por gasodutos, os eventos de 2026 afetam diretamente o mercado global de GNL, que ganhou relevância como um dos principais mecanismos de flexibilidade e segurança energética nos últimos anos. A situação é agravada pela limitada capacidade de expansão da oferta de GNL no curto prazo. Imagem: Global LNG Hub. 15 Os impactos econômicos no Brasil podem ocorrer por meio dos preços de energia ▪Choques geopolíticos que afetam os mercados globais de energia tendem a repercutir diretamente sobre o câmbio e as expectativas de inflação. Nesse contexto, aumentam as incertezas para a condução da política monetária brasileira, podendo influenciar o ritmo de flexibilização da taxa de juros. ▪Os derivados de petróleo constituem importantes canais de transmissão desses efeitos para a economia brasileira. A gasolina possui peso relevante na cesta de consumo das famílias, representando cerca de 5% do IPCA, enquanto o óleo diesel exerce influência indireta sobre diversos setores econômicos em razão da elevada participação do transporte rodoviário na movimentação de cargas no País. ▪Dessa forma, aumentos nos preços internacionais do petróleo e de seus derivados podem se difundir por toda a economia, elevando custos de produção, transporte e distribuição. Esse efeito é particularmente relevante para o óleo diesel, derivado para o qual o Brasil ainda apresenta dependência significativa de importações (Gráfico 9). 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 Óleo Diesel Gasolina GLP Nafta QAV Importação (milhão b/d) Produção (milhão b/d) Dependência externa (% demanda total) Gráfico 9. Produção, importação e dependência externa de derivados no Brasil em 2025 0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 mar/21 jul/21 nov/21 mar/22 jul/22 nov/22 mar/23 jul/23 nov/23 mar/24 jul/24 nov/24 mar/25 jul/25 nov/25 mar/26 Preço de realização de óleo diesel no Brasil Óleo diesel FOB EUA Gráfico 10. Preços internacionais e de realização do produtor 1 de óleo diesel no Brasil, mar/2021 a mar/2026 (R$/l) Fonte: Elaboração própria a partir de ANP (2026) e EIA (2026b). Nota: (1) Preço de realização é o preço de venda pelo produtor, na refinaria, deduzido de tributos; (2) Foi considerada como referência a cotação Ultra-low sulfur diesel spot FOB U.S. Gulf Coast. FOB significa free on board, ou seja, a modalidade de entrega do produto no porto de embarque. Fonte: Elaboração própria a partir de EPE (2026a). O parque nacional de refino reduz a exposição externa do país, mas ainda persistem dependências relevantes de importação de diesel, GLP, nafta e QAV. 2 16 A dependência de fertilizantes amplia a exposição do País a choques externos ▪A elevada dependência brasileira de fertilizantes importados constitui outro canal potencial de transmissão dos choques geopolíticos para a economia nacional, especialmente em razão da importância do agronegócio para a atividade econômica, o comércio exterior e a segurança alimentar. ▪Países cuja produção e exportação de fertilizantes dependem, em alguma medida, do Estreito de Ormuz respondem por parcela relevante do comércio internacional desses insumos, com destaque para os fertilizantes nitrogenados. Restrições mais persistentes ao fluxo comercial na região podem afetar o abastecimento global, pressionar preços e reduzir a competitividade do agronegócio brasileiro. 0% 10% 20% 30% 40% 50% 0 3 6 9 12 15 MOP Ureia N K2O Fosfato P2O5 Sulfato de amônio DAP NPK Amônia anidra MAP NP Outros Milhões Importações brasileiras (milhões de toneladas) Participação das importações brasileiras no comércio internacional (% total) Gráfico 12. Importações brasileiras de fertilizantes por produto e participação no comércio internacional, 2023 Fonte: Elaboração própria a partir de FAO (2026). Notas: MOP = cloreto de potássio; DAP = Fosfato diamônico; MAP = Fosfato monoamônico. O Brasil é o maior importador mundial de fertilizantes, respondendo por cerca de 16% das importações globais. Segundo a CONAB (2026), mais de 85% do consumo nacional foi atendido por importações em 2025, o maior volume já registrado no País. Fonte: Elaboração própria a partir de Insper (2025). Gráfico 11. Relação entre importação e consumo de fertilizantes NPK no Brasil, 2001-2023 (% consumo total) 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 200120032005200720092011201320152017201920212023 17 Na indústria do petróleo ... ▪O Brasil tem produzido mais de 4 milhões de barris de petróleo por dia, sendo considerado autossuficiente em termos de produção de petróleo bruto. Nesse contexto, choques geopolíticos que afetam regiões estratégicas para o comércio internacional de petróleo e derivados tendem a produzir impactos limitados sobre os níveis de produção nacional no curto prazo. ▪Por outro lado, a volatilidade dos preços internacionais do petróleo pode influenciar decisões de investimentos ao longo da cadeia produtiva. Em ambientes de elevada incerteza, agentes econômicos tendem a reavaliar cronogramas e condições de implantação de novos projetos, especialmente aqueles previstos para entrar em operação na segunda metade da próxima década. Já em relação ao gás natural ... ▪Choques nos preços internacionais do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) tendem a elevar os custos do gás natural no Brasil, com reflexos sobre os setores industrial, elétrico e de transportes. ▪A elevação das referências internacionais de preços, como Brent e JKM, pode afetar contratos de suprimento de gás natural no País, especialmente para consumo industrial e termelétrico, e reduzir a competitividade do combustível em determinados segmentos, influenciando o ritmo de expansão de seu uso nos setores produtivos. ▪A dependência de GNL importado para atendimento de parte da demanda termelétrica mantém o País exposto a restrições logísticas e choques internacionais de preços. Ao mesmo tempo, esse contexto pode ampliar o interesse por alternativas de suprimento, como o biogás e o biometano. 18 ▪A inteligência artificial (IA) vem se consolidando como uma das principais transformações tecnológicas da atualidade, com aplicações crescentes em diversos setores da economia. Esse avanço pode ser observado pela rápida expansão da capacidade computacional utilizada no treinamento dos principais modelos de IA, apresentada no Gráfico 13. ▪No setor energético, a IA pode ampliar a eficiência operacional, reduzir custos, promover a inovação tecnológica e aumentar a confiabilidade dos sistemas elétricos, por meio de aplicações como previsão meteorológica, previsão de geração e demanda, monitoramento de ativos, otimização da operação e gestão inteligente das redes. ▪Ao mesmo tempo, a expansão da IA aumenta significativamente a demanda por eletricidade. Segundo IEA (2025a), os data centers responderam por aproximadamente 1,5% do consumo mundial de eletricidade em 2024. Além disso, centros de processamento dedicados ao treinamento de modelos de IA podem apresentar variações abruptas de carga em intervalos de segundos, impondo novos desafios ao planejamento e à operação dos sistemas elétricos. ▪De acordo com IEA (2025a), a expansão da demanda elétrica associada à IA deverá ampliar a necessidade de investimentos em geração, transmissão e distribuição de energia. Nos próximos cinco anos, as fontes renováveis deverão atender quase metade da demanda adicional, complementadas por gás natural, energia nuclear e outras fontes despacháveis, de acordo com as características de cada sistema elétrico. Gráfico 13. Evolução da capacidade computacional utilizada no treinamento dos principais modelos de IA, 2014 - 2024 (2014=100) Fonte: Elaboração própria a partir de IEA (2025a). 0 50.000 100.000 150.000 200.000 250.000 300.000 350.000 201420162018202020222024 A IA introduz uma nova dimensão de complexidade, não decorrente de crises geopolíticas, mas de uma transformação tecnológica estrutural que também altera as necessidades de investimento, a expansão da infraestrutura elétrica e as cadeias globais de suprimentos. 19 ▪A rápida expansão dos data centers tem acelerado o crescimento da carga elétrica e ampliado significativamente a demanda por infraestrutura de geração, transmissão e equipamentos para o setor elétrico. Além disso, a expansão da IA tem imposto desafios adicionais às cadeias globais de suprimento (Gráfico 14). ▪De acordo com IEA (2026b), a expansão da IA no mundo intensificou, em especial, a demanda por equipamentos de geração térmica a gás natural, pressionando custos e prazos de fornecimento: ▪Os pedidos globais de turbinas a gás cresceram cerca de 70% em 2025 (Gráfico 15), alcançando o segundo maior nível da história e o maior dos últimos 25 anos. ▪Embora os data centers tenham sido um importante fator, IEA (2026b) destaca que o aumento global das encomendas também reflete tendências mais amplas, como a eletrificação e a relocalização industrial (reshoring). ▪Os prazos de entrega das turbinas a gás já alcançam cerca de cinco anos, enquanto a capacidade anual dos principais fabricantes (aproximadamente 50 a 60 GW/ano) tornou-se insuficiente diante do volume de encomendas, ampliando a carteira de pedidos e elevando os custos de capital (Capex). ▪No Brasil, a elevada participação de fontes renováveis na matriz elétrica é um importante diferencial competitivo para a atração de data centers. Ainda assim, a adoção de geração própria próxima ao centro de carga poderá ampliar o consumo de gás natural para geração elétrica. Nesse contexto, o biometano também surge como alternativa para ampliar a renovabilidade do suprimento energético. Gráfico 15. Pedidos globais de turbinas a gás natural Fonte: Adaptado de IEA (2026b). 160 120 80 40 0 200020152016201720182019202020212022202320242025 Resto do mundo EUA Gráfico 14. Evolução temporal dos gargalos nas cadeias globais de suprimento Fonte: Adaptado de IEA (2026b). Linhas de transmissão Conexão à rede Transformadores Turbinas a gás 2025 2027 20292031 20 ▪A ascensão de práticas protecionistas, a intensificação de tensões geopolíticas e a revisão de compromissos internacionais vêm enfraquecendo os mecanismos de cooperação global, ampliando os desafios para o enfrentamento das mudanças climáticas no curto e médio prazo. ▪O menor engajamento em iniciativas multilaterais aumenta as incertezas quanto ao ritmo de implementação de políticas climáticas e à mobilização de investimentos em tecnologias de baixo carbono e adaptação climática. Ao mesmo tempo, crescem disputas comerciais e estratégicas associadas a minerais críticos e às cadeias produtivas ligadas à transição energética. ▪Nesse contexto, a transição energética global tende a ocorrer de forma mais heterogênea entre países e regiões, refletindo diferenças de capacidade financeira, tecnológica e institucional. Como resultado, aumentam os riscos de atrasos na redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), ampliando a probabilidade de ocorrência de um overshoot da temperatura média global e dificultando os esforços para alcançar os objetivos climáticos internacionais de manter o aquecimento bem abaixo de 2 °C, conforme o Acordo de Paris. ▪A combinação entre fragmentação geopolítica, concentração das cadeias de valor de tecnologias estratégicas e instabilidade econômica reforça um ambiente de elevada incerteza para a transição energética mundial, que pode ser marcada por avanços assimétricos e riscos de retrocesso em algumas regiões. ▪Sem um esforço coordenado entre as principais economias, os impactos das mudanças climáticas tendem a se intensificar, impondo custos crescentes associados à adaptação. 21 •Emissões fortemente associadas ao uso da terra •Neutralidade climática até 2050 •Elevada participação de renováveis e busca por justiça energética ▪O cenário internacional é marcado por diferenças significativas entre níveis de ambição climática, capacidades econômicas, disponibilidade tecnológica e perfis de emissões, resultando em trajetórias distintas de transição energética entre países e regiões. ▪União Europeia mantém papel de liderança regulatória na agenda climática, combinando metas ambiciosas de descarbonização com instrumentos econômicos e comerciais voltados à redução de emissões. ▪Estados Unidos exercem papel central no desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono, embora mudanças de orientação política possam gerar incertezas quanto à continuidade e previsibilidade de suas políticas climáticas. ▪China e Índia priorizam simultaneamente crescimento econômico, segurança energética e redução de emissões, ampliando investimentos em energias renováveis enquanto mantêm participação relevante de combustíveis fósseis em suas matrizes energéticas. ▪Brasil apresenta características singulares nesse contexto, combinando elevada participação de fontes renováveis em sua matriz energética com desafios associados ao perfil de emissões fortemente associado ao uso da terra. As diferentes trajetórias de transição energética refletem interesses nacionais, responsabilidades históricas, capacidades econômicas e prioridades de desenvolvimento, tornando a coordenação climática global mais complexa. BRASIL •Maior emissor histórico •Neutralidade climática até 2050 •Oscilações na política climática ESTADOS UNIDOS •Maior emissor atual •Neutralidade climática até 2060 •Expansão acelerada de renováveis, mas com manutenção do carvão CHINA •Grande emissor em crescimento •Neutralidade climática até 2070 •Prioridade ao crescimento econômico e à segurança energética ÍNDIA •Emissões em queda •Neutralidade climática até 2050 •Liderança regulatória e CBAM UNIÃO EUROPEIA Apesar da baixa contribuição histórica para as emissões globais, muitos países em desenvolvimento permanecem altamente vulneráveis aos impactos climáticos. O acesso a financiamento e tecnologia será determinante para acelerar a transição energética e evitar trajetórias mais intensivas em carbono. OUTROS PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO As transições energéticas avançam de forma heterogênea entre países e regiões 22 0,8 0,9 1,0 1,1 0 500 1.000 1.500 202020212022202320242025 Energia Limpa (US$ bilhão)Fósseis (US$ bilhão)Razão Energia Limpa / Fósseis (eixo direito) ▪Apesar do ambiente internacional mais complexo e incerto, a redução de custos e o aumento da competitividade de diversas tecnologias de baixo carbono continuam impulsionando investimentos em transição energética. Como resultado, os investimentos globais em energias limpas cresceram quase duas vezes mais que os investimentos em combustíveis fósseis em 2024 e 2025 (IEA, 2025b). ▪Ainda assim, a atual conjuntura impõe desafios adicionais à expansão de tecnologias emergentes e às finanças sustentáveis (BNEF, 2026a). Em geral, essas tecnologias apresentam maior dependência de condições econômicas estáveis, de políticas públicas de longo prazo e de expectativas favoráveis para custos e mercados consumidores. Embora tenham representado apenas cerca de 7,5% dos investimentos totais em tecnologias de baixo carbono, registraram crescimento de aproximadamente 7% em 2025 (BNEF, 2026b). Nesse contexto, a fragmentação geopolítica e o aumento das incertezas econômicas podem influenciar o ritmo de expansão e de amadurecimento tecnológico dessas soluções nos próximos anos. Gráfico 16. Oferta global de combustíveis fósseis e energia limpa, 2020-2025 (US$ bilhão) Gráfico 17. Investimentos em tecnologias emergentes (US$ bilhão) Fonte: Elaboração própria a partir de BNEF (2026a). Fonte: Elaboração própria a partir de BNEF (2026a). 117 137 163 199 161 172 0 50 100 150 200 250 202020212022202320242025 NuclearCCS HidrogênioTransporte marítmo de baixo carbono Aquecimento elétricoIndústria de baixo carbono Razão Razão Energia Limpa / Fósseis = 1 23 Principais marcos recentes de políticas, acordos e compromissos climáticos e de transição energética do Brasil Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) Acordo de Paris NDC brasileira 20152025200520212024203020502035 Ano-base da NDC brasileira Adesão do Brasil ao Compromisso Global do Metano 4ª atualização da NDC brasileira Relatório do Inventário Nacional 1990-2022 Política Nacional de Transição Energética - PNTE (Resolução CNPE nº 5/2024) e seus instrumentos Plante e Fonte Cúpula de Líderes do G20 endossa os Princípios Voluntários para Transições Energéticas Justas e Inclusivas Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) (Lei n. 15.042/2024) Aprovação do Plano Clima pelo Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM) Estratégia Nacional de Mitigação Planos Setoriais de Mitigação Estratégia Nacional de Adaptação Planos Setoriais de Adaptação Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) (Decreto nº 12.705/2025) COP 30 Belém Brasil decidiu criar seu próprio Mapa do Caminho para reduzir gradualmente a dependência de combustíveis fósseis 2005-2030 1,2 GtCO 2 eq - 53% Meta NDC brasileira 2005-2035 0,85-1,05 GtCO 2 eq - 59% a -67% Meta NDC brasileira Net zero: Emissões líquidas zero de GEE até 2050 Meta NDC brasileira 20262009 Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) (Lei 12.187/2009) 20162017 Plano Nacional de Transição Energética Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima (PNA) (Portaria MMA nº 150/2016) RenovaBio – Política Nacional de Biocombustíveis (Lei nº 13.576/2017) 24 ▪A frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos vêm aumentando em diversas regiões do mundo, com impactos crescentes sobre o meio ambiente, a sociedade, a economia e a saúde humana. ▪A ampla disponibilidade de recursos energéticos confere ao Brasil vantagens competitivas importantes, refletidas em uma matriz energética diversificada e com elevada participação de fontes renováveis. Ainda assim, a emergência climática reforça a necessidade de fortalecer a resiliência do sistema energético. ▪As mudanças climáticas afetam toda a cadeia energética, desde a produção até o consumo de energia. No caso brasileiro, o setor elétrico apresenta elevada sensibilidade às condições climáticas em razão da forte participação de fontes renováveis dependentes da disponibilidade de recursos naturais. ▪Nesse contexto, a incorporação de cenários climáticos mais críticos complementa as avaliações tradicionais de segurança operativa e contribui para orientar decisões de expansão, reforço e priorização de investimentos, com vistas a aumentar a confiabilidade do suprimento e a robustez do sistema diante de um ambiente de maior incerteza climática. Eventos climáticos e impactos no sistema energético Fonte: EPE. 25 1,6 1,3 2,5 2,1 2,7 2,8 2,2 1,8 2000200220042006200820102012201420162018202020222024 BrasilEstados UnidosChinaUnião Europeia 27 ▪Embora as emissões brasileiras de GEE sejam relevantes no contexto internacional, elas permanecem significativamente inferiores às observadas nos principais emissores globais. Além disso, o perfil nacional distingue-se pela alta participação das emissões associadas à mudança do uso da terra e ao setor agropecuário. ▪Desde a Revolução Industrial, as economias desenvolvidas têm maior responsabilidade histórica pelas emissões de CO₂ associadas à queima de combustíveis fósseis. No caso brasileiro, as emissões acumuladas de CO₂ fóssil responderam por aproximadamente 1% do total mundial entre 1850 e 2022. ▪O setor de energia responde por cerca de 21% das emissões brasileiras de GEE, participação significativamente inferior à observada na média mundial. Esse resultado reflete a elevada participação de fontes renováveis e de tecnologias de baixa emissão na matriz energética nacional, contribuindo para uma menor intensidade de carbono na produção e no uso de energia. Fonte: Elaboração própria a partir de GCB (2026). Mundo Fonte: Elaboração própria a partir de MCTI (2024) e Climate Watch (2026). Energia Processos industriais Agropecuária Uso da terra Resíduos 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 185018601870188018901900191019201930194019501960197019801990200020102020 Estados Unidos União Europeia 27 China Índia Brasil Gráfico 18. Emissões cumulativas de CO 2 fóssil em países e regiões selecionados, 1850-2022 (GtCO 2 ) Gráfico 19. Emissões de GEE por setor no Brasil e no mundo em 2022 (% total) 75,5% Brasil 20,5% Fonte: Elaboração própria a partir de IEA (2025c). Gráfico 20. Intensidade de carbono na produção e no uso de energia, 2000-2024 (tCO 2 eq/tep) 26 ▪O Brasil avançou significativamente na sua transição energética, consolidando-se como líder global no uso de fontes renováveis. O País possui uma das matrizes energéticas mais renováveis do mundo, resultado da combinação entre disponibilidade de recursos naturais, políticas públicas e expansão de tecnologias de baixa emissão. Ao longo da última década, observou-se redução da participação relativa dos combustíveis fósseis e avanço de fontes como eólica, solar e biocombustíveis. Ao mesmo tempo, políticas públicas ampliaram o acesso à energia e combateram a pobreza energética, garantindo inclusão e segurança energética. ▪Em 2025, as fontes renováveis responderam por 50% da Oferta Interna de Energia. Esse resultado foi impulsionado, sobretudo, pela expansão das fontes eólica e solar, que ampliaram significativamente sua participação na matriz elétrica brasileira ao longo dos últimos anos. Gráfico 21. Evolução da matriz energética brasileira (% total) 37,2% 33,7% 13,6% 10,4% 7,8% 6,4% 11,3% 10,7% 8,3% 8,3% 16,9% 15,8% 5,0% 14,7% 0%10%20%30%40%50%60%70%80%90%100% 2015 2025 Petróleo e Derivados Gás Natural Carvão, Urânio e Outras Não Renováveis Hidráulica Lenha e Carvão Vegetal Biomassa da Cana Eólica, Solar e Outras Renováveis Fonte: Elaboração própria a partir de EPE (2026a). 50% 42% RENOVÁVEL RENOVÁVEL Entre 2015 e 2025, a Oferta Interna de Energia cresceu, em média, 0,9% ao ano, alcançando 328 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep). No mesmo período, a participação conjunta de petróleo e gás natural recuou de 51% para 44%, enquanto as fontes renováveis ampliaram sua participação de 42% para 50% da matriz energética brasileira. 27 ▪Entre 2015 e 2025, o sistema brasileiro de transmissão de energia elétrica expandiu-se em mais de 50%, alcançando uma extensão superior a 180 mil quilômetros de linhas e consolidando-se como uma das maiores redes integradas do mundo. ▪A expansão da rede fortaleceu o Sistema Interligado Nacional (SIN) e ampliou a capacidade de integração de fontes renováveis variáveis. Além disso, a interligação de sistemas isolados na Região Norte reduziu a dependência de geração a diesel, incluindo a conexão de Roraima ao SIN em 2025. ▪Os 19 leilões de transmissão realizados entre 2015 e 2024 viabilizaram aproximadamente US$ 43 bilhões em investimentos, contribuindo para a expansão da infraestrutura elétrica e para o aumento da confiabilidade e da flexibilidade operativa do sistema. Gráfico 22. Extensão das linhas de transmissão do SIN (mil km) Fonte: Elaboração própria a partir de EPE (2026b). A expansão da transmissão tem sido essencial para garantir a confiabilidade do suprimento, ampliar a integração crescente de fontes renováveis variáveis e aumentar a flexibilidade operativa do sistema elétrico brasileiro. 119 182 20152025 28 ▪A Resolução CNPE nº 5/2024 define pobreza energética como a “situação em que domicílios ou comunidades não têm acesso a uma cesta básica de serviços energéticos ou não têm plenamente satisfeitas suas necessidades energéticas”. ▪O Brasil alcançou níveis próximos à universalização do acesso à energia elétrica (99,8% da população em 2023) e ampliou o acesso a combustíveis limpos para cocção (94,5%), resultado apoiado por programas de eletrificação, tarifas sociais e iniciativas voltadas à redução da pobreza energética, como Luz do Povo, Gás do Povo e tarifas sociais. Luz para Todos 622 MIL domicílios atendidos entre 2015 e 2024 Inclui os programas de eletrificação “Luz para Todos – Rural”, “Luz para Todos – Regiões Remotas da Amazônia Legal" e Recursos da Distribuidora Luz do Povo GRATUIDADE para os primeiros 80 kWh/mês consumidos por famílias de baixa renda e concessão de desconto social para famílias de baixa renda com consumo de até 120 kWh/mês (Leis nº 12.212/2010 e 15.235/2025) Gás do Povo GRATUIDADE no botijão ou benefício financeiro destinado a reduzir o impacto do custo do GLP sobre o orçamento das famílias de baixa renda (Lei nº 14.237/2021, alterada pela MP nº 1.313/2025) 29 ▪As políticas de promoção dos biocombustíveis, iniciadas na década de 1970, continuam gerando benefícios relevantes ao País, ao contribuírem para a redução de emissões, o fortalecimento da segurança energética, o desenvolvimento industrial e a geração de impactos socioeconômicos positivos. ▪A produção e o consumo de biocombustíveis reduzem a dependência externa de combustíveis, diminuem a demanda por derivados fósseis e contribuem para reduzir a intensidade de carbono da matriz energética brasileira. ▪Como resultado dessa trajetória, a matriz de transportes brasileira figura entre as mais renováveis do mundo, impulsionada pela elevada participação de etanol e biodiesel. ▪Na ausência da mistura obrigatória de biodiesel, as importações brasileiras de óleo diesel A seriam aproximadamente 60% superiores em 2025. ▪Sem o uso do etanol, as importações brasileiras de gasolina A seriam dez vezes superiores às observadas em 2025. ▪O Brasil responde por aproximadamente 22% da produção mundial de biocombustíveis e reúne condições para ampliar sua participação nos próximos anos. A substituição da gasolina fóssil pelo etanol ocorre por meio de: ▪mistura obrigatória de etanol anidro à gasolina C, que alcançou 30% em volume em 2025 (Resolução CNPE nº 9/2025); ▪consumo de etanol hidratado pela ampla frota nacional de veículos flex fuel; e ▪incentivos econômicos e ambientais associados ao RenovaBio. Gráfico 24. Evolução do consumo de gasolina e etanol no Brasil (milhões de tep) 25,8 23,3 20,0 15,9 2025 2015 Gasolina A Etanol 47,347,3 31,431,4 16,4 25,7 2,3 25,5 10,0 34,4 0 10 20 30 40 50 60 70 80 DieselGasolina Milhões Produção Importação Líquida Biocombustível Gráfico 23. Impacto dos biocombustíveis sobre a necessidade de importação de combustíveis em 2025 (bilhões de litros) Fonte: Elaboração própria a partir de ANP (2026a) e EPE (2026a). Caso não houvesse mistura de biocombustíveis Fonte: Elaboração própria a partir de EPE (2026a). 2036 PDE 31 ▪O contexto apresentado anteriormente evidencia um ambiente marcado por transformações econômicas, geopolíticas, tecnológicas e climáticas. Para o planejamento decenal, torna-se fundamental distinguir os fatores conjunturais daqueles com potencial de produzir efeitos estruturais sobre a evolução do sistema energético brasileiro no médio prazo. ▪Essa distinção não é trivial, uma vez que há elevada incerteza quanto à magnitude, à persistência e aos desdobramentos de diversos eventos em curso. Por essa razão, tais fatores devem ser continuamente monitorados e reavaliados ao longo dos ciclos de elaboração do PDE. ▪Nesse contexto, o PDE 2036 adota um cenário de referência construído a partir das informações disponíveis e das tendências consideradas mais prováveis para o horizonte decenal, oferecendo subsídios relevantes para decisões públicas e privadas relacionadas ao setor energético. ▪As premissas utilizadas nos estudos procuram incorporar os fatores mais relevantes e com maior probabilidade de persistência ao longo do horizonte decenal, contemplando aspectos demográficos, econômicos e setoriais - incluindo questões mais específicas relacionadas ao setor energético¹, bem como políticas públicas consideradas na base da elaboração do plano. ▪As projeções demográficas e macroeconômicas apresentadas a seguir constituem uma base conceitual comum para as diversas análises e estudos que integram o PDE 2036. Nota: (1) As premissas apresentadas neste caderno tem caráter mais geral. Outras premissas específicas serão apresentadas nos cadernos setoriais do PDE 2036. 32 O crescimento populacional desacelera, mas o número de domicílios continua avançando 197 214 220 3,3 2,7 2,4 0 1 2 3 4 5 6 180 190 200 210 220 230 20112012201320142015201620172018201920202021202220232024202520262027202820292030203120322033203420352036 Habitantes por domicílio População (milhões de pessoas) PopulaçãoHabitantes/domicílio Notas: (1) As projeções demográficas e de domicílios da EPE se baseiam em IBGE (2024), porém há um ajuste de data base para 31 de dezembro de cada ano; (2) Valor estimado a partir das projeções de IBGE (2024); (3) Para as projeções de domicílios estimam-se curvas logísticas a partir dos dados censitários elaborados pelo IBGE. ▪A população brasileira deverá continuar crescendo até 2036, porém em taxas decrescentes, com expansão média projetada de 0,24% ao ano no horizonte decenal¹. Paralelamente, o processo de envelhecimento populacional tende a se intensificar. Ao final do período, estima-se que os idosos representarão cerca de 16% da população brasileira, ante aproximadamente 12% em 2026². ▪A combinação entre aumento da renda e redução gradual do déficit habitacional deverá contribuir para a continuidade da queda da relação entre habitantes e domicílios. Como resultado, o número de domicílios deverá crescer em ritmo superior ao da população, com expansão média de 1,2% ao ano, alcançando aproximadamente 89,8 milhões de domicílios em 2036³. Gráfico 25. Evolução da população brasileira e da relação habitantes por domicílio, 2011 - 2036 Fonte: Elaboração própria a partir de dados históricos de IBGE (2024). 33 A economia global deve crescer em ritmo moderado em um ambiente de maior fragmentação ▪A economia mundial deverá manter trajetória de crescimento moderado ao longo do horizonte decenal, com expansão média próxima de 3% ao ano¹, em um contexto marcado por transformações e maior fragmentação econômica e geopolítica. ▪Os países emergentes deverão responder pela maior parcela da expansão da atividade global, sustentados por crescimento populacional, avanços na urbanização e aumento da renda. Em contrapartida, as economias desenvolvidas tendem a registrar crescimento mais modesto, refletindo fatores como envelhecimento populacional. ▪Na China, espera-se uma desaceleração gradual do crescimento econômico, associada à transição para um modelo mais orientado ao consumo e aos serviços, com menor dependência de investimentos e da atividade industrial. ▪A persistência de barreiras e restrições ao comércio internacional pode contribuir para pressionar a inflação global, desacelerando seu ritmo de queda; ▪Entre os principais riscos para o cenário destacam-se a intensificação de conflitos geopolíticos, o aumento das tensões comerciais, a maior volatilidade dos mercados financeiros e a ocorrência de eventos climáticos extremos, fatores que podem afetar o ritmo de crescimento da economia mundial. Gráfico 26. Evolução do PIB e do comércio mundial (% ao ano) 1 2,4% 3,4% 3,1% 2,9% 2,8% 3,4% 3,1% 2,8% 2017-20212022-20262027-20312032-2036 Comércio mundialPIB mundial Fonte: Elaboração própria a partir de FMI (2025) e FMI (2026) para o histórico e projeções até 2030, e EPE para projeções a partir de 2030. Notas: (1) As projeções para o horizonte até 2036 foram concluídas em janeiro de 2026, com base no cenário macroeconômico elaborado em outubro de 2025 no âmbito do Planejamento Anual da Operação Energética 2026-2030 (PLAN 2026–2030) do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Dessa forma, as informações consideradas no cenário econômico foram aquelas disponíveis até outubro de 2025; (2) Foi adotada taxa de câmbio média de R$ 5,45/US$, correspondente à média observada em dezembro de 2025. 34 O cenário de referência projeta crescimento médio de 2,5% ao ano para a economia brasileira até 2036 ▪No curto prazo, espera-se a convergência gradual da inflação para níveis mais compatíveis com as metas estabelecidas, acompanhada pela redução gradativa das taxas de juros para patamares mais modestos e pela manutenção de condições favoráveis no mercado de trabalho. ▪Ao longo do horizonte decenal, o cenário de referência projeta crescimento médio de 2,5% ao ano para a economia brasileira, sustentado por um ambiente de negócios mais favorável, pela retomada gradual dos investimentos, pela redução da taxa de juros e pela expansão da demanda interna. ▪Considerando as incertezas inerentes à evolução da economia brasileira e do cenário internacional, foram elaboradas trajetórias alternativas para o PIB brasileiro a partir da sensibilização de variáveis consideradas determinantes para o crescimento econômico no longo prazo. Nesse contexto, o crescimento médio da economia brasileira no horizonte até 2036 pode variar entre 1,2% ao ano, no cenário inferior, e 3,3% ao ano, no cenário superior. ▪Além dos riscos associados ao ambiente internacional, a evolução das contas públicas permanece como um fator relevante para o desempenho econômico, podendo afetar a confiança dos agentes, as condições de financiamento e a trajetória das taxas de juros. Gráfico 27. Trajetórias possíveis para o PIB brasileiro (% ao ano) 1 Fonte: Elaboração própria a partir de dados históricos de IBGE (2026). Nota: (1) As projeções para o PIB foram realizadas pela EPE usando o modelo LTGM, disponibilizado publicamente por (2026a). TrajetóriaPIB [2027-2036] Inferior1,2% a.a. Referência2,5% a.a. Superior3,3% a.a. 1,2% 2,8% 2,5% 2,6% 3,1% 3,5% 1,3% 1,1% 2017-20212022-20262027-20312032-2036 Cenário de referencia (% a.a.) Limite superior Limite inferior Cenário superior Cenário inferior 35 16,4 17,8 18,5 22,3 22,3 24,7 26,2 27,1 29,0 30,4 36,2 36,4 45,6 47,4 51,7 52,0 Indonésia Peru Paraguai Colômbia Brasil 2024 Tailândia México China Brasil 2036 Argentina Chile Uruguai Turquia Rússia Portugal Japão ▪A gradual convergência da inflação e a redução das taxas de juros ao longo dos primeiros anos do horizonte decenal tendem a criar condições mais favoráveis para a recuperação do nível de investimentos na economia brasileira. ▪A implementação da reforma tributária também contribui para um ambiente econômico mais eficiente e previsível, favorecendo a alocação de recursos, a ampliação dos investimentos e ganhos de produtividade no médio e longo prazo. Apesar desse cenário mais favorável, as projeções incorporam os efeitos persistentes dos elevados juros reais observados nos anos recentes, que influenciam o ritmo de retomada e maturação dos investimentos ao longo do período. ▪Após um histórico recente de baixo crescimento da produtividade, projeta-se expansão média da Produtividade Total dos Fatores (PTF), com ajuste de capital humano, de aproximadamente 0,2% ao ano no horizonte decenal. A combinação entre aumento do investimento, ganhos graduais de produtividade e crescimento econômico contribui para a elevação do PIB per capita de cerca de US$ 22 mil para US$ 29 mil (PPP 2024) entre 2024 e 2036. 16,2% 16,8% 16,7% 16,9% 2017-20212022-20262027-20312032-2036 Gráfico 28. Evolução dos níveis de investimento (% do PIB) Fonte: Elaboração própria a partir de dados históricos de IBGE (2026).Fonte: Elaboração própria a partir de dados históricos de (2026). Gráfico 29. Evolução do PIB per capita (mil US$ PPP 2024) 36 ▪No horizonte até 2036, projeta-se crescimento médio anual do valor adicionado (VA) de 3,2% para a agropecuária e de 2,7% para a indústria e os serviços. ▪A agropecuária deverá apresentar o maior dinamismo entre os grandes setores da economia, impulsionada pela modernização do capital, pela incorporação de tecnologias produtivas avançadas e por ganhos contínuos de produtividade. ▪A indústria tende a acompanhar a trajetória de crescimento da economia brasileira, com expansão moderada durante o período. Apesar do ambiente macroeconômico incerto, com quedas menos intensas de juros e níveis ainda altos de endividamento, os agentes mantêm otimismo quanto ao nível de demanda e produção industrial, o que pode ser um indício de crescimento do setor durante o decênio. ▪No âmbito industrial, a indústria extrativa deverá apresentar maior dinamismo nos primeiros anos do horizonte, impulsionada principalmente pelos segmentos de petróleo e gás natural, minério de ferro e pelotas, com crescimento mais moderado na segunda metade do período. ▪A indústria de transformação tende a ganhar participação gradualmente ao longo do horizonte decenal, beneficiada por políticas industriais e estratégias alinhadas à transição energética. ▪O setor de serviços deverá manter trajetória de crescimento consistente, apoiado pela expansão da renda, pelo crescimento do consumo das famílias e pela evolução do mercado de trabalho. Paralelamente, investimentos em infraestrutura e políticas habitacionais continuarão estimulando o desempenho do setor de construção. Gráfico 31. Evolução da participação dos segmentos industriais no VA industrial total (% total) Gráfico 30. Evolução do PIB e do VA setorial (% ao ano) 46,9 48,0 15,9 15,4 22,9 22,4 14,3 14,3 20262036 Eletricidade, gás, água e esgoto Construção Extrativa Transformação 2,5 2,6 2,5 3,0 3,3 3,2 2,6 2,4 2,5 2,7 2,7 2,7 2026-20312031-20362026-2036 PIBAgropecuáriaIndústriaServiços Variação média 2026 – 2036 (% a.a.) Indústria2,7% Extrativa3,3% Transformação2,7% Transf. Intensiva2,1% Construção2,5% EE, água e gás2,3% Fonte: Elaboração própria com dados históricos de IBGE (2026). Fonte: Elaboração própria com dados históricos de IBGE (2026). 2036 PDE 38 ▪Projeções de carga baseadas no Planejamento Anual da Operação Energética (PLAN) 2026-2030, divulgado pelo ONS em dezembro de 2025. ▪Expansão de cargas associadas a hidrogênio a partir de eletrólise, data centers e veículos elétricos. ▪A partir de 2029, considera-se a cobrança integral da TUSD Distribuição sobre a energia injetada por sistemas de MMGD. Demais componentes são compensadas. ▪Crescimento da autoprodução não injetada na rede em segmentos como celulose, siderurgia, química, E&P, refino e produção de etanol. Carga de energia e Mini e Micro Geração Distribuída (MMGD) ▪Avanço gradual da eletrificação em segmentos específicos, como o cimento. ▪Ampliação da participação do gás natural na matriz energética industrial, em substituição a outros energéticos. ▪Maior utilização defontes renováveis visando a renovabilidade da matriz energética industrial (como o licor preto na indústria de celulose). ▪O ambiente econômico influencia na recuperação da atividade em setores como alumina, alumínio e siderurgia. Demanda de energia no setor industrial ▪Continuidade da substituição de lenha e carvão vegetal para cocção, impulsionada pelo programa Gás do Povo. ▪Agenda regulatória de índices mínimos de eficiência energética do CGIEE para os anos de 2026 a 2028 prevê, entre os equipamentos, a análise de impacto regulatório e expectativa de publicação de regulamentação para iluminação indoor, ventiladores de mesa, condicionadores de ar e aquecedores de água domésticos. ▪Sistemas de Aquecimento Solar (SAS) seguem sendo uma fonte crescente de energia, com expansão de área instalada, impulsionada pela economia gerada para o aquecimento de água e pela obrigatoriedade dessa solução em habitações de interesse social da Faixa 1 do MCMV nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. ▪Internalização de indicador de eficiência energética de data centers, relacionando consumo total da instalação com a energia efetivamente utilizada pelos equipamentos de TI. Demanda de energia nos setores residencial, comercial e público ▪Aumento da demanda por transporte de cargas, em especial devido à construção civil e ao agronegócio. ▪Avanço de ferrovias e terminais portuários. Contudo, a frota de caminhões pesados segue como pilar essencial no curto e médio prazo. ▪Eletrificação crescente em áreas urbanas (ônibus, automóveis e comerciais leves). Contudo, o óleo diesel segue predominante no transporte de cargas para longas distâncias e de passageiros nas cidades, a despeito do avanço de outros modos e da oferta de outros combustíveis. Demanda de energia no setor de transporte 39 ▪A previsão da produção de petróleo e gás natural engloba as diferentes categorias de recursos convencionais: campos (áreas com declaração de comercialidade), descobertas em fase de avaliação e recursos não descobertos em áreas contratadas ou em áreas da União. Recursos considerados na previsão da produção de petróleo ▪O Programa Anual de Produção (PAP) consolidado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com base em dados das companhias, constitui referência fundamental para os estudos de projeção da produção no ano- base e nos quatro primeiros anos do decênio. Programa Anual de Produção (PAP) ▪Admite-se o sucesso no licenciamento ambiental das áreas contratadas. Entretanto, todas as áreas são avaliadas quanto à sua complexidade ambiental, que influencia diretamente as expectativas em relação aos prazos necessários para a obtenção das licenças e, consequentemente, a entrada em produção de novas áreas. Licenciamento ambiental ▪A viabilização da produção é condicionada à disponibilidade de plataformas do tipo FPSO (Floating Production, Storage and Offloading). As plataformas classificadas como “ainda não programadas”, ou seja, que não constam nos cronogramas das companhias, têm prazo mínimo de cinco anos para entrada em operação, bem como limite máximo de cinco plataformas instaladas por ano. Infraestrutura de produção 40 ▪Oferta nacional: Baseia-se em projeções de produção elaboradas internamente, com processamento nas Unidades de Processamento de Gás Natural (UPGNs) nacionais. ▪Importação por terminais de GNL: Considera-se as capacidades máximas autorizadas dos terminais existentes e previstos como complemento à oferta nacional. ▪Importação por gasodutos: Restringe- se à importação pelo GASBOL, com projeção de redução ao longo do horizonte decenal. Existe a possibilidade de reversão dessa tendência caso novos investimentos sejam realizados na Bolívia e na Argentina. Oferta ▪Existentes: Abrange toda a infraestrutura de gás natural em operação no Brasil, incluindo gasodutos de transporte, estações de compressão, UPGNs e terminais de GNL. ▪Futuras: Incorpora novos projetos anunciados e previstos com maturidade avançada (como o Projeto Raia, Projeto SEAP, GNL Suape/PE e UPGN Miranga/BA), bem como a conexão à malha integrada de um terminal de GNL existente (Porto do Açu). Inclui, ainda, os terminais de GNL associados a projetos vencedores do LRCap 2026, com base nas recentes movimentações dos agentes. Infraestrutura ▪Previstos: Reúne projetos em etapa avançada de materialização da infraestrutura. ▪Indicativo Business as Usual: Considera-se projetos do Plano Nacional Integrado das Infraestruturas de Gás Natural e Biometano (PNIIGB). ▪Indicativos Estudados EPE: Contempla os projetos estudados nos Planos Indicativos da EPE (PIPE, PIG e PITER). Investimentos ▪Demanda não termelétrica: Incorpora o crescimento setorial com base no acompanhamento da indústria e nas projeções de crescimento do PIB. ▪Setor downstream: Inclui a expansão de refino (especialmente, Trem 2 da RNEST e Complexo Boaventura) e de fábricas de fertilizantes (como as UFNs Três Lagoas/MS e Uberaba/MG). ▪Demanda termelétrica: Abrange o crescimento e as projeções de despacho das usinas existentes, previstas e indicativas, conforme metodologia de cálculo interno. Demanda O Decreto nº 12.153/2024 e o Programa Gás para Empregar podem ampliar a oferta e a competitividade do gás natural no horizonte do PDE 2036. 41 ▪Infraestrutura existente: Abrange toda a infraestrutura em operação no Brasil, incluindo refinarias de petróleo, oleodutos, terminais terrestres e aquaviários e bases de distribuição. ▪Relevância das refinarias nacionais: Uso de petróleo nacional e foco em investimentos para redução de emissões, aumento da oferta de óleo diesel S10 e adequação do portfólio de produtos (foco em destilados médios, especialmente óleo diesel). ▪Investimentos previstos: Incorpora projetos em andamento e empreendimentos previstos com maturidade avançada, em especial o Trem 2 da RNEST e o Complexo Boaventura, bem como expansões de capacidade de destilação em refinarias existentes. Refino e infraestrutura logística ▪Biocombustíveis convencionais: Consolidação e aumento da oferta de etanol e biodiesel, pilares já estabelecidos da renovabilidade da matriz de transportes brasileira. ▪Biocombustíveis avançados: Foco estratégico no desenvolvimento e produção de SAF (Combustível Sustentável de Aviação) e Diesel Verde, essenciais para setores de difícil descarbonização. ▪Novas fronteiras (biometano): Expansão acelerada tanto na oferta quanto na demanda de biometano, aproveitando resíduos agroindustriais e urbanos. Biocombustíveis ▪Demanda global: Desaceleração gradual do crescimento da demanda devido à penetração de renováveis. ▪Choques geopolíticos: Volatilidade acentuada em 2026, seguida de correção por sobreoferta estrutural. ▪Sinal de preço: Prêmios de óleo diesel e QAV elevados e acima da média histórica até 2027. Enfraquecimento do prêmio da gasolina na próxima década devido à eletrificação crescente de veículos leves. ▪Equilíbrio de longo prazo: Necessidade de preços que sustentem novos investimentos para garantir a segurança do suprimento. Mercado internacional de petróleo 42 Busca-se no PDE estimar a combinação de fontes capaz de atender a demanda futura de eletricidade ao menor custo total, assegurando o atendimento aos critérios de suprimento e aos requisitos do sistema elétrico dentro do contexto da transição energética. ▪Os requisitos representam o montante de oferta adicional que o sistema requer, nas dimensões de energia e potência, para que as condições operativas futuras estejam conforme os limites estabelecidos nos critérios de suprimento vigente. São calculados conforme definição da Resolução CNPE n° 29, de 2019, e da Portaria MME n° 59, de 2020. ▪O sistema existente considera, conforme Programa Mensal de Operação (PMO) jan/26, as termelétricas a gás natural já contratadas no âmbito da Lei n° 14.182/2021 e resultados do LRCap de março de 2026. ▪Retirada de operação de termelétricas em fim de contrato e fim de vida útil. ▪Carga líquida: representa com maior precisão a demanda que de fato exige o acionamento de usinas despacháveis. Aprimora o dimensionamento da geração controlável, especialmente em sistemas com forte participação de geração renovável não controlável, como as fontes eólica e solar. ▪Restrições operativas de usina hidrelétricas: visa que a representação da operação das hidrelétricas esteja aderente à realidade operativa. Além das restrições de volume dos reservatórios, são estabelecidas para cada UHE metas de geração mínima por patamar de carga e limites de defluência mínima. Requisitos do sistema ▪Os projetos candidatos a expansão indicativa contemplam novas hidrelétricas, com viabilização compatível com horizonte decenal, conforme avaliação socioambiental; modernização e repotenciação de hidrelétricas existentes, termelétricas a gás natural, carvão, incluindo a possibilidade de CCS, biomassa e nuclear. Além de fontes renováveis como eólica, solar centralizada e PCH. ▪São considerados mecanismos de gerenciamento da demanda, além de tecnologias de armazenamento, como baterias e hidrelétricas reversíveis, para redução da demanda máxima do sistema. ▪Como expansão obrigatória nos próximos dez anos, serão considerados, conforme Lei nº 15.269/2025,conforme a seguir: PCH: ▪1.000 MW para início de suprimento a partir do 2º semestre de 2032 ▪1.000 MW para início de suprimento a partir do 2º semestre de 2033 ▪1.000 MW para início de suprimento a partir do 2º semestre de 2034 Expansão da geração no Cenário de Referência 43 ▪Objetivo: Uso racional da rede com alocação eficiente da malha de transmissão e transparência. ▪Chamada Pública Anual: Obtenção de dados sobre a demanda futura de empreendimentos de geração e de grandes cargas por transmissão, favorecendo decisões quanto ao dimensionamento e cronograma de obras. ▪Expansão da Transmissão: Redução de incertezas, com sinais econômicos e prevenção de expansões desnecessárias por esgotamento de margens. Acesso: Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão ▪Substituição de ativos: Importante para a manutenção dos níveis de confiabilidade e qualidade associada à substituição racional da infraestrutura em fim de vida útil física. ▪Gestão de ativos: Nem sempre as informações sobre a vida útil física dos equipamentos estão disponíveis, o que dificulta o levantamento de estatísticas para preparar o mercado sobre a necessidade de investimentos frente ao envelhecimento do sistema de transmissão. ▪Estratégia: Mapear investimentos potenciais a partir de informações sobre a vida útil regulatória dos ativos. Desafios: Envelhecimento da malha de transmissão ▪Desafios: Aumento da participação de fontes renováveis variáveis e recursos energéticos distribuídos desafiam o planejamento, exigindo maior coordenação entre geração, transmissão e operação do sistema elétrico. ▪Flexibilidade: A variabilidade e a incerteza dessas fontes ampliam a relevância de soluções capazes de lidar também com restrições operativas e dinâmicas da rede, agregando flexibilidade ao sistema de transmissão. ▪Alternativas: O planejamento da expansão da transmissão passa a incorporar um conjunto diversificado de alternativas tecnológicas, como dispositivos FACTS (STATCOM e SSSC), sistemas de armazenamento por baterias (BESS), tecnologias de transmissão em corrente contínua (HVDC-VSC) e condutores especiais de alta capacidade (HTLS). ▪Avaliações comparativas: Essas alternativas são avaliadas de forma comparativa, com base em critérios técnicos, econômicos, operativos, regulatórios e ambientais, além de aspectos como prazos de implantação e robustez frente a cenários futuros. ▪Recomendações: Ao longo do processo, são recomendadas soluções que assegurem eficiência sistêmica, confiabilidade do suprimento e modicidade tarifária, em alinhamento com os desafios da transição energética. Evolução tecnológica: Novas alternativas 44 ▪Carteira de projetos que compõe a expansão: Considera os resultados de estudos iniciais do planejamento energético (relatórios de transmissão R1 e R3, inventários hidrelétricos etc.) que, de maneira geral, buscam a minimização de impactos socioambientais. ▪Análise processual das usinas hidrelétricas (UHEs): Compreende projetos em desenvolvimento, na fase de viabilidade, suas características e prazos para os estudos, licenciamento ambiental e construção. ▪Análise da complexidade socioambiental das unidades produtivas de petróleo e gás natural (UPs): Considera UPs com contrato de concessão, a área em que está inserida e o tempo para o licenciamento ambiental. Subsídios socioambientais para a expansão decenal ▪Discussão dos aspectos socioeconômicos da transição energética. Transição energética justa e inclusiva ▪Para cada fonte da expansão: Identificação das interferências socioambientais relevantes, temas socioambientais, desafios e oportunidades socioambientais. Análise socioambiental da expansão ▪Discussão dos compromissos, acordos e políticas climáticas. ▪Emissões de GEE: Estimativa a partir da matriz energética projetada para o horizonte decenal. Compreende emissões associadas à produção, transformação e uso de energia. Metodologia baseada nas Diretrizes do IPCC (2006). ▪ Mitigação e adaptação: Análise dos instrumentos e medidas relacionados ao setor energético. Mudança do clima ▪Análise espacial da expansão: Projetos planejados no horizonte, cumulatividades e sinergias. ▪Desafios e oportunidades socioambientais estratégicos: Questões socioambientais que podem representar riscos e perspectivas inovadoras à expansão. Análise integrada das questões socioambientais da expansão Orientadas pelo conceito de desenvolvimento sustentável e alinhamento com os Objetivosde Desenvolvimento Sustentável (ODS) 45 ▪As políticas públicas constituem o principal arcabouço orientador do planejamento energético no horizonte decenal, ao sinalizarem diretrizes, incentivos, restrições e prioridades setoriais que moldam a evolução da oferta, demanda e infraestrutura energética no País. ▪No eixo de descarbonização e transição energética, instrumentos como Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), RenovaBio, Plano Clima, Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), Lei do Combustível do Futuro, Estratégia Federal de Incentivo ao Uso Sustentável de Biogás e Biometano, Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2) e Energias da Amazônia são considerados nas análises elaboradas no âmbito do PDE, influenciando de distintas formas as indicações e sinalizações do plano. Além disso, destaca-se a Política Nacional de Transição Energética (PNTE) e seus dois instrumentos: o Plano Nacional de Transição Energética (Plante) e o Fórum Nacional de Transição Energética (Fonte). O Plante é um plano de ações, que sistematiza ações e iniciativas que visam apoiar a neutralidade de emissões, bem como promover segurança e resiliência energética e combater a pobreza energética. Já o Fonte atua como um espaço de diálogo entre governo, sociedade civil e setor produtivo, sendo responsável promover transparência e ampla participação social na formulação de políticas energéticas. ▪No campo de óleo e gás, políticas como Potencializa E&P e diretrizes de descarbonização do E&P equilibram a necessidade de garantir oferta doméstica com a transição para fontes de menor emissão, impactando projeções de produção, exportações e uso de gás natural. Além disso, o Programa Gás para Empregar integra o gás natural à estratégia nacional de transição energética, contemplando sinergias e investimentos para o desenvolvimento de soluções de baixo carbono, especialmente o biometano. ▪As políticas, planos e programas de eficiência energética (PNEf, PROCEL, PEE ANEEL, etiquetagem e índices mínimos) atuam como vetor estrutural de moderação da demanda, com efeitos relevantes nas projeções de consumo setorial (indústria, edificações e transportes) e na necessidade de expansão da oferta. ▪No âmbito de infraestrutura e expansão do sistema, instrumentos como a lei de modernização do marco regulatório do setor elétrico, o marco legal da microgeração e minigeração distribuída, Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST), Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI), novo PAC, o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), o Plano de Recuperação de Reservatórios de Regularização de Usinas Hidrelétricas (PRR) e marco do saneamento se refletem nas avaliações relacionadas a expansão da matriz energética e evolução da logística, sendo determinantes para a confiabilidade, integração regional, custos do sistema e segurança energética. 46 ▪As iniciativas de maior inclusão e acesso à energia, como Luz para Todos, Luz do Povo, Gás do Povo, Programa de Energia Renovável Social (PERS) e Minha Casa Minha Vida, influenciam a universalização e o perfil de consumo, incorporando dimensões de equidade e pobreza energética ao planejamento. ▪No setor de transportes, políticas como o Programa de Mobilidade Verde e Inovação (MOVER), o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (PROCONVE), o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), o Programa BR do Mar, a Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), o marco legal do transporte público coletivo e os programas de renovação e aumento da produtividade de frota, assim como política relacionada a condições mínimas de fretes no transporte rodoviário de cargas, orientam as análises relacionadas a ganhos de eficiência, eletrificação e mudança modal, com rebatimentos na mobilidade urbana, demanda por combustíveis e eletricidade. ▪Por fim, políticas industriais e socioambientais, como Nova Indústria Brasil, a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (PRESIQ), o Programa PotencializEE, o Programa Aliança 2.0, política de fomento econômico e metano zero, articulam eficiência, competitividade, inovação e sustentabilidade, condicionando cadeias produtivas, demanda por energia e oportunidades associadas à transição. ▪Esse conjunto de políticas define o ambiente institucional e regulatório que fundamenta as premissas, os cenários e as decisões de investimento do planejamento energético decenal. O PDE 2036 tem como ponto partida as premissas e perspectivas apresentadas neste documento, observando o contexto no momento de elaboração do plano. Maiores detalhamentos em relação às sinalizações indicativas para a expansão do sistema energético serão divulgados em materiais subsequentes. 47 ANP – AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS. Preços de produtores e importadores de derivados de petróleo e biodiesel. Rio de Janeiro: ANP, 2026. Disponível em: . Acesso em: abril de 2026. ______. Dados estatísticos. Rio de Janeiro: ANP, 2026b. Disponível em: . Acesso em: abril de 2026. . The Long Term Growth Model: Fundamentals, Extensions, and Applications. Washington: , 2022. Disponível em: . Acesso em: abril de 2026. ______. DataBank. Washington: , 2026. Disponível em: . Acesso em: abril de 2026. BNEF – BLOOMBERGNEF. EU Climate Policy Rollbacks: Better the Devil You Know. Nova Iorque: BNEF, 2026a. ______. Energy Transition Investment Trends. Nova Iorque: BNEF, 2026b. 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Agradecemos, também, às diversas equipes das Secretarias do MME pela revisão do documento e pelas contribuições apresentadas, que contribuíram para seu aperfeiçoamento. As imagens utilizadas neste caderno foram obtidas nas plataformas Canva, Freepik e Global LNG Hub. Os ícones foram obtidos em Flaticon/AmethystDesign, Flaticon/Awicon, Flaticon/Eucalyp, Flaticon/Freepik, Flaticon/Iconjam, Flaticon/Smashicons, Flaticon/Uniconlabs e Flaticon/xnimrodx. Caderno de Contexto, Perspectivas e Premissas 2036 PDE Ícone Descrição gerada automaticamente Logotipo Descrição gerada automaticamente Ícone Descrição gerada automaticamente Logotipo, Ícone Descrição gerada automaticamente Clique aqui e acesse todos os estudos do PDE 2036 aqui