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Boletim Técnico - PLAN 2022-2026

Emitido por elety
Assinado em 18/08/2026
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Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2022-2026

08 de dezembro de 2021

  1. Apresentação
    Este informe tem como objetivo apresentar os principais resultados das previsões de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) até 2026, no âmbito do Planejamento Anual da Carga (PLAN 2022-2026), realizadas em conjunto por Empresa de Pesquisa Energética – EPE, Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE. As projeções foram atualizadas tomando como base a avaliação da conjuntura econômica e o monitoramento do consumo até setembro e da carga até outubro de 2021, no contexto da pandemia da COVID-19, através das Resenhas Mensais de Energia Elétrica da EPE, dos Boletins de Carga Mensais do ONS e dos InfoMercados Mensais da CCEE, bem como dos desvios entre os valores observados da carga e suas respectivas projeções elaboradas 2ª Revisão Quadrimestral do ciclo de Planejamento Anual da Operação Energética 2021-2025.
  2. Panorama econômico
    A pandemia da COVID-19 ainda continua afetando a economia global e doméstica, porém com os avanços na vacinação e a reabertura da economia, os impactos são menores. Vale destacar que uma nova onda da doença continua sendo um risco importante para o cenário, tendo em vista o aumento recente do número de casos na Europa.
    De uma forma geral, a economia brasileira segue em processo de recuperação, porém, em intensidade e ritmo inferior ao observado no 1º semestre deste ano, conforme pode ser visto nos indicadores analisados abaixo.
    O PIB do 2º trimestre apresentou crescimento de 12,4% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. A taxa expressiva pode ser explicada, em parte, pela baixa base de comparação, já que o 2º trimestre de 2020 foi o mais afetado pela pandemia. Pela ótica da demanda, os destaques foram a formação bruta de capital fixo e o consumo das famílias, que cresceram, respectivamente, 32,9% e 10,8%. Já pelo lado da oferta, esse crescimento foi influenciado, principalmente, pela indústria (17,8%) e pelos serviços (10,8%), enquanto a agropecuária cresceu 1,8%.
    Em relação aos dados mensais, o IBC-BR mostrou um crescimento de 4,74% em agosto, comparado ao mesmo mês do ano anterior, ainda que tenha apresentado uma queda de 0,15% na margem. Além disso, a produção industrial (PIM/IBGE) caiu 3,9% em setembro na comparação com o mesmo mês de 2020. Na margem, esse indicador apresentou a quarta queda consecutiva (-0,4%), refletindo problemas relativos aos insumos, menor consumo das famílias e redução de atividades na China. O volume de vendas do comércio varejista (PMC/IBGE) também apresentou queda em setembro tanto na margem (-1,3%) quanto em comparação com setembro de 2020 (-5,5%). Já o volume do setor de serviços (PMS/IBGE), apesar de ter caído em relação a agosto de 2020, apresentou crescimento de 11,4% na comparação com setembro de 2020, favorecido pela reabertura da economia e pelo avanço da vacinação.
    No que diz respeito à percepção dos agentes, os indicadores de confiança do consumidor, indústria, serviços e comércio apresentaram queda em novembro, quando comparados ao mês de outubro.
    A inflação pressionada tem afetado o poder de compra e o consumo das famílias. Tal situação vem exigindo, por parte do Banco Central, uma política monetária mais restritiva, o que deve impactar negativamente a atividade econômica, sobretudo em 2022. Até o mês de outubro, o IPCA acumula um crescimento de 8,24% no ano. Além disso, incertezas relacionadas à situação fiscal estão presentes no cenário, o que pode afetar a confiança dos agentes e, consequentemente, a atividade econômica. O mercado de trabalho segue em processo de recuperação gradual, ainda que a taxa de desocupação esteja em um patamar elevado, cerca de 13,2% no trimestre móvel finalizado em agosto de 2021. Ainda assim, tais dados, que se encontravam disponíveis até o momento de elaboração desse estudo, mostram que a projeção de PIB de 5% para 2021 da 2ª Revisão Quadrimestral se mantém válida. No entanto, a conjuntura descrita anteriormente resultou em uma revisão da projeção de PIB para 2022 de 2,3% para 1,3%.
    Para os anos seguintes, espera-se um ambiente de maior estabilidade econômica, com recuperação da confiança dos agentes e uma maior expansão da demanda interna e, consequentemente, do PIB. No entanto, as taxas de crescimento do PIB foram revisadas para baixo por conta das taxas de juros mais pressionadas e da maior incerteza fiscal.
    Esse contexto mais estável propiciará um crescimento mais significativo dos investimentos com destaque para o setor de infraestrutura, gerando reflexos positivos sobre a competitividade da economia. É importante ressaltar que há riscos importantes para a concretização do cenário, como a evolução da pandemia, o eventual surgimento de novas variantes do vírus com novas ondas de contaminação e restrições, o encaminhamento das questões fiscais, a dinâmica inflacionária e incertezas políticas e econômicas.
    Diante desse contexto, espera-se que a economia cresça, em média, 2,2% a.a. entre 2022 e 2026. Em termos setoriais, a perspectiva é de médias de crescimento de 2,8% para a agropecuária, de 2,3% para a indústria e de 2,1% para serviços. A Tabela 1, ao final deste Boletim, resume as taxas de crescimento de PIB para o período 2022-2026.
  3. Previsão de mercado de energia elétrica O consumo de eletricidade na rede no SIN, que, no período de janeiro a setembro, apresentou aumento de 6,7% em relação ao mesmo período de 2020, deve encerrar o ano de 2021 com crescimento de 5%. A abertura das taxas trimestrais realizadas até o momento- 3,3% no 1º trimestre, 12,9% no 2º trimestre e 4,6% no 3º trimestre – mostra o efeito sobre este resultado da base deprimida em 2020, sobretudo no 2º trimestre, em consequência da pandemia da COVID-19. Entre as classes de consumo, destaca-se a classe industrial, cujo consumo até setembro cresceu 11,5%, para o qual contribuiu não somente o efeito base como também o bom desempenho dos setores de metalurgia, minerais não metálicos e químicos. Com a atenuação desses efeitos, o resultado no ano deve ser de 8%. O consumo da classe comercial, refletindo a atividade do setor conforme foram sendo reduzidas as restrições de funcionamento e o distanciamento social, teve aumento de 5,7% no acumulado janeiro- setembro. Para o ano, espera-se crescimento de 5,1%.
    Na classe residencial, a expectativa é que o consumo arrefeça no último trimestre do ano, comparado à média até setembro, que foi de 3,5%, e termine o ano com montante acumulado 2,5% acima ao de 2020 – observando-se que o isolamento social e o teletrabalho ocasionados pela pandemia favoreceram o resultado da classe em 2020. Já a classe Outros, em linha com o realizado até setembro, 3,3%, deve apresentar crescimento no consumo de 3,2% em 2021, destacando-se a manutenção do ritmo de retomada às atividades presenciais no Poder Público. Em 2022, espera-se que o consumo no SIN cresça 2,8%. Enquanto nos subsistemas Sul e Sudeste/Centro-Oeste, o crescimento esperado é de 2,2%, no Nordeste a taxa de crescimento deve ser de 2,7%. No subsistema Norte, devido principalmente ao comportamento de consumidores eletrointensivos, o aumento previsto é de 8,5%.

Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2022-2026

08 de dezembro de 2021 O ritmo de recuperação do mercado de trabalho, a pressão inflacionária e a continuidade do retorno às atividades presenciais, ainda que não totalmente, são fatores que podem contribuir para uma taxa moderada, em torno de 1,7%, do consumo residencial em 2022. Considerando condições no cenário internacional favoráveis aos produtores de commodities, entre eles setores da indústria intensivos no consumo de eletricidade, prevê-se contribuição significativa desse segmento no aumento de 3,1% no consumo industrial. Ainda em processo de recuperação depois do forte impacto causado pela pandemia, o consumo comercial deve crescer 3,7% em 2022. No quinquênio de 2002 a 2026, a expectativa é que a taxa média de crescimento no consumo total de eletricidade no SIN seja de 3,3% ao ano. 4. Evolução da Carga do SIN e Subsistemas no período janeiro-dezembro/2021 O período janeiro-dezembro/2021, foi marcado por fatores como ocorrência de elevadas temperaturas em todos os Subsistemas durante o primeiro trimestre do ano e um agravamento da pandemia da COVID- 19 no Brasil com impacto direto no comportamento da carga durante os primeiros meses do ano. Com o maior nível de utilização da capacidade instalada desde novembro de 2014 o setor industrial continuou em modo de expansão ao longo do ano, apesar da oscilação em decorrência de pressões de custo, alto desemprego, instabilidades econômicas e institucionais.
Adicionalmente, com avanço do processo de reabertura econômica, em função da normalização da mobilidade urbana, a recuperação observada no setor serviços especialmente aqueles prestados às famílias, também contribuiu para o desempenho da carga no período. No sentido oposto, a ocorrência de temperaturas amenas, principalmente nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Sul, nos meses de outubro e em parte novembro/21, atípicas para essa época do ano, impactaram negativamente no resultado apresentado pela carga. Considerando os valores verificados da carga de energia de janeiro a outubro, valor estimado para novembro e a previsão para o mês de dezembro realizada no PMO de dezembro/2021, observa-se no período janeiro-dezembro, um crescimento de 3,9% no SIN, 3,0% no SE/CO, 4,0% no Sul, 5,7% no Nordeste e 6,8% no Norte, quando comparado ao mesmo período do ano passado.

  1. Previsão da carga de energia 2022-2026 A carga de energia do SIN prevista para o ano de 2022 deverá crescer 2,7% relativamente ao ano anterior, ou seja, 1.898 MWmédios superior à carga verificada em 2021, situando-se 582 MWmédios abaixo do valor previsto na 2ª Revisão Quadrimestral da carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2021-2025.
    No período 2021-2026, prevê-se um crescimento médio anual da carga de energia do SIN de 3,3% ao ano, significando uma expansão média anual nos cinco anos de 2.460 MWmédios atingindo em 2026 uma carga de 81.604 MWmédios no SIN. As Tabelas 2, 3 e 4, a seguir, resumem os valores previstos da carga de energia em MWmédios, as taxas de crescimento resultantes e os respectivos acréscimos de carga anuais por subsistema. A Tabela 5 mostra as diferenças entre as previsões de carga de energia, por subsistemas do SIN, para o PLAN 2022-2026 e para a 2ª Revisão Quadrimestral de 2021 da carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2021-2025. TABELAS ANEXAS

Tabela 1 2021 2022 2023 2024 2025 2026 5,0% 1,3% 2,2% 2,3% 2,5% 2,5% 2021 2022 2023 2024 2025 2026 0,0% -1,0% -0,6% -0,6% -0,5% -0,5% Projeção anual do crescim ento do PIB (%) Planejam ento Anual 2022-2026 Diferença entre Taxas (%) [PLAN 2002-2026] - [2ª RQ 2021-2025] Subsistema 2021 2022 2023 2024 2025 2026 Norte 5.984

6.413

6.835

7.062

7.262

7.633

Nordeste 11.473

11.791

12.223

12.677

13.158

13.690

Sudeste/CO 39.888

40.782

42.088

43.386

44.773

46.127

Sul 12.130

12.388

12.802

13.230

13.686

14.154

SIN 69.475

71.373

73.948

76.355

78.880

81.604

Tabela 2 Carga de energia (MWmédios) Planejamento Anual 2022-2026 Subsistema 2021 2022 2023 2024 2025 2026 Norte 6,8% 7,2% 6,6% 3,3% 2,8% 5,1% Nordeste 5,7% 2,8% 3,7% 3,7% 3,8% 4,0% Sudeste/CO 3,0% 2,2% 3,2% 3,1% 3,2% 3,0% Sul 4,0% 2,1% 3,3% 3,3% 3,4% 3,4% SIN 3,9% 2,7% 3,6% 3,3% 3,3% 3,5% Tabela 3 Carga de energia - Taxas de crescimento (% ao ano) Planejamento Anual 2022-2026 Subsistema202120222023202420252026 Norte381429422227201370 Nordeste622318432454481531 Sudeste/CO1.1688941.3061.2981.3871.354 Sul466258415428456468 SIN2.6361.8982.5752.4062.5252.724 Tabela 4 Carga de energia - Acréscimos/Decréscimos anuais (MWmédios) Planejamento Anual 2022-2026 Subsistema 2021 2022 2023 2024 2025 2026 Norte 24 270 499 483 462 Nordeste -1 -48 -90 -130 -158 Sudeste/CO -444 -653 -799 -941 -1.068 Sul -44 -151 -211 -270 -318 SIN -465 -582 -601 -858 -1.083 Tabela 5 Carga de Energia (MWmédio) Diferenças [PLAN 2002-2026] - [2ª RQ 2021-2025]