Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2022-2026
08 de dezembro de 2021
- Apresentação
Este informe tem como objetivo apresentar os principais resultados das previsões de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) até 2026, no âmbito do Planejamento Anual da Carga (PLAN 2022-2026), realizadas em conjunto por Empresa de Pesquisa Energética – EPE, Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE. As projeções foram atualizadas tomando como base a avaliação da conjuntura econômica e o monitoramento do consumo até setembro e da carga até outubro de 2021, no contexto da pandemia da COVID-19, através das Resenhas Mensais de Energia Elétrica da EPE, dos Boletins de Carga Mensais do ONS e dos InfoMercados Mensais da CCEE, bem como dos desvios entre os valores observados da carga e suas respectivas projeções elaboradas 2ª Revisão Quadrimestral do ciclo de Planejamento Anual da Operação Energética 2021-2025. - Panorama econômico
A pandemia da COVID-19 ainda continua afetando a economia global e doméstica, porém com os avanços na vacinação e a reabertura da economia, os impactos são menores. Vale destacar que uma nova onda da doença continua sendo um risco importante para o cenário, tendo em vista o aumento recente do número de casos na Europa.
De uma forma geral, a economia brasileira segue em processo de recuperação, porém, em intensidade e ritmo inferior ao observado no 1º semestre deste ano, conforme pode ser visto nos indicadores analisados abaixo.
O PIB do 2º trimestre apresentou crescimento de 12,4% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. A taxa expressiva pode ser explicada, em parte, pela baixa base de comparação, já que o 2º trimestre de 2020 foi o mais afetado pela pandemia. Pela ótica da demanda, os destaques foram a formação bruta de capital fixo e o consumo das famílias, que cresceram, respectivamente, 32,9% e 10,8%. Já pelo lado da oferta, esse crescimento foi influenciado, principalmente, pela indústria (17,8%) e pelos serviços (10,8%), enquanto a agropecuária cresceu 1,8%.
Em relação aos dados mensais, o IBC-BR mostrou um crescimento de 4,74% em agosto, comparado ao mesmo mês do ano anterior, ainda que tenha apresentado uma queda de 0,15% na margem. Além disso, a produção industrial (PIM/IBGE) caiu 3,9% em setembro na comparação com o mesmo mês de 2020. Na margem, esse indicador apresentou a quarta queda consecutiva (-0,4%), refletindo problemas relativos aos insumos, menor consumo das famílias e redução de atividades na China. O volume de vendas do comércio varejista (PMC/IBGE) também apresentou queda em setembro tanto na margem (-1,3%) quanto em comparação com setembro de 2020 (-5,5%). Já o volume do setor de serviços (PMS/IBGE), apesar de ter caído em relação a agosto de 2020, apresentou crescimento de 11,4% na comparação com setembro de 2020, favorecido pela reabertura da economia e pelo avanço da vacinação.
No que diz respeito à percepção dos agentes, os indicadores de confiança do consumidor, indústria, serviços e comércio apresentaram queda em novembro, quando comparados ao mês de outubro.
A inflação pressionada tem afetado o poder de compra e o consumo das famílias. Tal situação vem exigindo, por parte do Banco Central, uma política monetária mais restritiva, o que deve impactar negativamente a atividade econômica, sobretudo em 2022. Até o mês de outubro, o IPCA acumula um crescimento de 8,24% no ano. Além disso, incertezas relacionadas à situação fiscal estão presentes no cenário, o que pode afetar a confiança dos agentes e, consequentemente, a atividade econômica. O mercado de trabalho segue em processo de recuperação gradual, ainda que a taxa de desocupação esteja em um patamar elevado, cerca de 13,2% no trimestre móvel finalizado em agosto de 2021. Ainda assim, tais dados, que se encontravam disponíveis até o momento de elaboração desse estudo, mostram que a projeção de PIB de 5% para 2021 da 2ª Revisão Quadrimestral se mantém válida. No entanto, a conjuntura descrita anteriormente resultou em uma revisão da projeção de PIB para 2022 de 2,3% para 1,3%.
Para os anos seguintes, espera-se um ambiente de maior estabilidade econômica, com recuperação da confiança dos agentes e uma maior expansão da demanda interna e, consequentemente, do PIB. No entanto, as taxas de crescimento do PIB foram revisadas para baixo por conta das taxas de juros mais pressionadas e da maior incerteza fiscal.
Esse contexto mais estável propiciará um crescimento mais significativo dos investimentos com destaque para o setor de infraestrutura, gerando reflexos positivos sobre a competitividade da economia. É importante ressaltar que há riscos importantes para a concretização do cenário, como a evolução da pandemia, o eventual surgimento de novas variantes do vírus com novas ondas de contaminação e restrições, o encaminhamento das questões fiscais, a dinâmica inflacionária e incertezas políticas e econômicas.
Diante desse contexto, espera-se que a economia cresça, em média, 2,2% a.a. entre 2022 e 2026. Em termos setoriais, a perspectiva é de médias de crescimento de 2,8% para a agropecuária, de 2,3% para a indústria e de 2,1% para serviços. A Tabela 1, ao final deste Boletim, resume as taxas de crescimento de PIB para o período 2022-2026. - Previsão de mercado de energia elétrica
O consumo de eletricidade na rede no SIN, que, no período de janeiro
a setembro, apresentou aumento de 6,7% em relação ao mesmo
período de 2020, deve encerrar o ano de 2021 com crescimento de 5%.
A abertura das taxas trimestrais realizadas até o momento- 3,3% no 1º
trimestre, 12,9% no 2º trimestre e 4,6% no 3º trimestre – mostra o
efeito sobre este resultado da base deprimida em 2020, sobretudo no
2º trimestre, em consequência da pandemia da COVID-19.
Entre as classes de consumo, destaca-se a classe industrial, cujo
consumo até setembro cresceu 11,5%, para o qual contribuiu não
somente o efeito base como também o bom desempenho dos setores
de metalurgia, minerais não metálicos e químicos. Com a atenuação
desses efeitos, o resultado no ano deve ser de 8%.
O consumo da classe comercial, refletindo a atividade do setor
conforme foram sendo reduzidas as restrições de funcionamento e o
distanciamento social, teve aumento de 5,7% no acumulado janeiro-
setembro. Para o ano, espera-se crescimento de 5,1%.
Na classe residencial, a expectativa é que o consumo arrefeça no último trimestre do ano, comparado à média até setembro, que foi de 3,5%, e termine o ano com montante acumulado 2,5% acima ao de 2020 – observando-se que o isolamento social e o teletrabalho ocasionados pela pandemia favoreceram o resultado da classe em 2020. Já a classe Outros, em linha com o realizado até setembro, 3,3%, deve apresentar crescimento no consumo de 3,2% em 2021, destacando-se a manutenção do ritmo de retomada às atividades presenciais no Poder Público. Em 2022, espera-se que o consumo no SIN cresça 2,8%. Enquanto nos subsistemas Sul e Sudeste/Centro-Oeste, o crescimento esperado é de 2,2%, no Nordeste a taxa de crescimento deve ser de 2,7%. No subsistema Norte, devido principalmente ao comportamento de consumidores eletrointensivos, o aumento previsto é de 8,5%.
Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2022-2026
08 de dezembro de 2021
O ritmo de recuperação do mercado de trabalho, a pressão inflacionária
e a continuidade do retorno às atividades presenciais, ainda que não
totalmente, são fatores que podem contribuir para uma taxa moderada,
em torno de 1,7%, do consumo residencial em 2022.
Considerando condições no cenário internacional favoráveis aos
produtores de commodities, entre eles setores da indústria intensivos
no consumo de eletricidade, prevê-se contribuição significativa desse
segmento no aumento de 3,1% no consumo industrial.
Ainda em processo de recuperação depois do forte impacto causado
pela pandemia, o consumo comercial deve crescer 3,7% em 2022.
No quinquênio de 2002 a 2026, a expectativa é que a taxa média de
crescimento no consumo total de eletricidade no SIN seja de 3,3% ao
ano.
4. Evolução da Carga do SIN e Subsistemas no período
janeiro-dezembro/2021
O período janeiro-dezembro/2021, foi marcado por fatores como
ocorrência de elevadas temperaturas em todos os Subsistemas durante
o primeiro trimestre do ano e um agravamento da pandemia da COVID-
19 no Brasil com impacto direto no comportamento da carga durante
os primeiros meses do ano. Com o maior nível de utilização da
capacidade instalada desde novembro de 2014 o setor industrial
continuou em modo de expansão ao longo do ano, apesar da oscilação
em decorrência de pressões de custo, alto desemprego, instabilidades
econômicas e institucionais.
Adicionalmente, com avanço do processo de reabertura econômica, em
função da normalização da mobilidade urbana, a recuperação
observada no setor serviços especialmente aqueles prestados às
famílias, também contribuiu para o desempenho da carga no período.
No sentido oposto, a ocorrência de temperaturas amenas,
principalmente nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Sul, nos
meses de outubro e em parte novembro/21, atípicas para essa época
do ano, impactaram negativamente no resultado apresentado pela
carga.
Considerando os valores verificados da carga de energia de janeiro a
outubro, valor estimado para novembro e a previsão para o mês de
dezembro realizada no PMO de dezembro/2021, observa-se no período
janeiro-dezembro, um crescimento de 3,9% no SIN, 3,0% no SE/CO,
4,0% no Sul, 5,7% no Nordeste e 6,8% no Norte, quando comparado
ao mesmo período do ano passado.
- Previsão da carga de energia 2022-2026
A carga de energia do SIN prevista para o ano de 2022 deverá crescer
2,7% relativamente ao ano anterior, ou seja, 1.898 MWmédios superior
à carga verificada em 2021, situando-se 582 MWmédios abaixo do valor
previsto na 2ª Revisão Quadrimestral da carga para o Planejamento
Anual da Operação Energética 2021-2025.
No período 2021-2026, prevê-se um crescimento médio anual da carga de energia do SIN de 3,3% ao ano, significando uma expansão média anual nos cinco anos de 2.460 MWmédios atingindo em 2026 uma carga de 81.604 MWmédios no SIN. As Tabelas 2, 3 e 4, a seguir, resumem os valores previstos da carga de energia em MWmédios, as taxas de crescimento resultantes e os respectivos acréscimos de carga anuais por subsistema. A Tabela 5 mostra as diferenças entre as previsões de carga de energia, por subsistemas do SIN, para o PLAN 2022-2026 e para a 2ª Revisão Quadrimestral de 2021 da carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2021-2025. TABELAS ANEXAS
Tabela 1 2021 2022 2023 2024 2025 2026 5,0% 1,3% 2,2% 2,3% 2,5% 2,5% 2021 2022 2023 2024 2025 2026 0,0% -1,0% -0,6% -0,6% -0,5% -0,5% Projeção anual do crescim ento do PIB (%) Planejam ento Anual 2022-2026 Diferença entre Taxas (%) [PLAN 2002-2026] - [2ª RQ 2021-2025] Subsistema 2021 2022 2023 2024 2025 2026 Norte 5.984
6.413
6.835
7.062
7.262
7.633
Nordeste 11.473
11.791
12.223
12.677
13.158
13.690
Sudeste/CO 39.888
40.782
42.088
43.386
44.773
46.127
Sul 12.130
12.388
12.802
13.230
13.686
14.154
SIN 69.475
71.373
73.948
76.355
78.880
81.604
Tabela 2 Carga de energia (MWmédios) Planejamento Anual 2022-2026 Subsistema 2021 2022 2023 2024 2025 2026 Norte 6,8% 7,2% 6,6% 3,3% 2,8% 5,1% Nordeste 5,7% 2,8% 3,7% 3,7% 3,8% 4,0% Sudeste/CO 3,0% 2,2% 3,2% 3,1% 3,2% 3,0% Sul 4,0% 2,1% 3,3% 3,3% 3,4% 3,4% SIN 3,9% 2,7% 3,6% 3,3% 3,3% 3,5% Tabela 3 Carga de energia - Taxas de crescimento (% ao ano) Planejamento Anual 2022-2026 Subsistema202120222023202420252026 Norte381429422227201370 Nordeste622318432454481531 Sudeste/CO1.1688941.3061.2981.3871.354 Sul466258415428456468 SIN2.6361.8982.5752.4062.5252.724 Tabela 4 Carga de energia - Acréscimos/Decréscimos anuais (MWmédios) Planejamento Anual 2022-2026 Subsistema 2021 2022 2023 2024 2025 2026 Norte 24 270 499 483 462 Nordeste -1 -48 -90 -130 -158 Sudeste/CO -444 -653 -799 -941 -1.068 Sul -44 -151 -211 -270 -318 SIN -465 -582 -601 -858 -1.083 Tabela 5 Carga de Energia (MWmédio) Diferenças [PLAN 2002-2026] - [2ª RQ 2021-2025]