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Boletim Técnico - PLAN 2020-2024

Emitido por elety
Assinado em 18/08/2026
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Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2020 / 2024

04 de dezembro de 2019

  1. Apresentação
    Este informe tem como objetivo apresentar os principais resultados das previsões de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) para o período 2020-2024, realizadas em conjunto por Empresa de Pesquisa Energética – EPE, Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE. As projeções foram atualizadas tomando como base a avaliação da conjuntura econômica e o monitoramento do consumo e da carga, ao longo do ano de 2019, através das Resenhas Mensais de Energia Elétrica da EPE, dos Boletins de Carga Mensais do ONS e dos InfoMercados Mensais da CCEE, bem como dos desvios entre os valores observados da carga e suas respectivas projeções elaboradas para o Planejamento Anual da Operação Energética 2019-2023 e suas revisões quadrimestrais.

  2. Panorama econômico
    Os resultados divulgados até então mostram que a economia brasileira acumulou 1,0% de crescimento no ano até o terceiro trimestre, superando a projeção de 2019 da 2ª Revisão Quadrimestral. Os destaques, pelo lado da oferta, são a agropecuária e os serviços que acumularam até setembro crescimentos de 1,4% e 1,1%, respectivamente. Já o PIB da indústria apresenta um crescimento acumulado no ano de 0,1%, em virtude do impacto do desastre de Brumadinho e dos cortes na produção de minério de ferro, que levaram a uma queda de 2,7% na indústria extrativa e do resultado ainda fraco da transformação (-0,2%). No que diz respeito ao quarto trimestre de 2019, as perspectivas são mais positivas em relação ao cenário anterior em função da antecipação do calendário de saques do FGTS integralmente para 2019 e os sinais de melhora da indústria de construção nas Contas Nacionais e do indicador de Insumos Típicos da Construção Civil (IBGE). Em função desses fatores, a taxa de crescimento para o PIB de 2019 foi revisada de 0,9% para 1,1%.
    Para 2020, o maior crescimento esperado para o PIB no 4º trimestre de 2019 gera um efeito estatístico positivo. O ciclo de cortes da taxa básica de juros anunciado pelo Banco Central em 2019 também contribuirá positivamente para a atividade econômica em 2020, já que os efeitos sobre consumo e investimento deverão ser sentidos apenas no ano seguinte. Dessa forma, o crescimento do PIB de 2020 foi revisado positivamente, de 2,0% para 2,3%. Em termos setoriais, elevaram-se as expectativas de crescimento para a agropecuária (2,2% para 3,0%), serviços (2,0% para 2,2%) e indústria (2,1% para 2,4%). Em relação à última, a expectativa de maior demanda interna e menor juros em 2020 gerou revisão otimista a indústria de transformação e da construção, setor intensivo em mão-de-obra. Enquanto isso, para a indústria extrativa, adota-se a premissa de retomada da produção de minério de ferro.
    Cabe ressaltar que há riscos importantes para a concretização desse cenário, em função da incerteza acerca da desaceleração do crescimento mundial – influenciado pela guerra comercial China x EUA – dos efeitos das crises nos países sul-americanos sobre as exportações brasileiras e do impacto de possíveis políticas protecionistas americanas sobre os setores de aço e alumínio no Brasil. A partir de 2021, há a expectativa de retomada mais significativa da confiança dos agentes que, associada a um cenário de redução do desemprego, ainda que em ritmo gradual, deverão trazer r maior dinamismo para o mercado interno e um maior crescimento econômico, com expansão de setores mais atrelados à demanda interna, como: serviços e indústria de transformação. Nesse cenário, em que há maior consumo e menor incerteza no ambiente econômico, há mais espaço para avanço dos investimentos, com destaque para infraestrutura. Vale destacar que um crescimento mais forte só seria possível num cenário com ganhos maiores de produtividade, o que, a curto prazo, se torna pouco provável. Diante desse contexto, espera-se que a economia cresça, em média, 2,8% a.a. no horizonte em estudo. Em termos setoriais, a perspectiva é de médias de crescimento de 3,0% para a agropecuária, de 3,3% para a indústria e de 2,7% para serviços. A Tabela 1, ao final deste Boletim, resume as taxas de crescimento de PIB para o período 2020-

  3. Previsão de mercado de energia elétrica O consumo no SIN terminou o período janeiro-outubro com um crescimento de 1,1% com relação ao mesmo período de 2018. Tal resultado foi influenciado positivamente pelas temperaturas acima da média no início do ano. Por outro lado, o desempenho da indústria esteve aquém do esperado em relação à 2ª Revisão Quadrimestral, dentre outros fatores. Para 2019, espera-se que a classe industrial retome crescimento no final do ano, atenuando a queda anual desta classe para o -0,7%. No período entre 2019 e 2024, espera-se que o consumo no SIN cresça à taxa de 3,8% anuais. Em termos setoriais, a projeção do consumo da indústria é de 3,3% ao ano nesse período, influenciado, em especial pela retomada gradual de alguns setores intensivos em energia, sobretudo a metalurgia. A expectativa de crescimento para as classes residencial e comercial é de 3,9% e 4,1%, respectivamente. Comparativamente aos valores previstos na 2ª Revisão Quadrimestral 2019-2023, o consumo na rede em 2023 aponta redução de 5 TWh.

  4. Evolução da Carga do SIN e Subsistemas no período janeiro-dezembro/19 Considerando os valores verificados da carga de energia de janeiro a outubro, valor estimado para novembro com base em 25 dias verificados e a previsão para o mês de dezembro realizada no PMO de dezembro/2019, a carga de energia do SIN registra, no período janeiro- dezembro/2019, crescimento de 2,1% sobre igual período de 2018.
    O comportamento da carga no período janeiro-dezembro/2019, foi muito impactado pelo baixo dinamismo da atividade econômica, que seguiu operando com elevado nível de ociosidade dos fatores de produção, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria.
    A carga do SIN apresentou crescimentos expressivos nos meses de janeiro (+6,7%), fevereiro (+5,1%) e maio (+4,9%). A ocorrência de temperaturas superiores às verificadas no mesmo período do ano anterior e o efeito calendário (ocorrência do carnaval no mês de fevereiro de 2018 e em 2019 em março) explicam as expressivas taxas de crescimento apresentadas nos meses de janeiro e fevereiro deste ano. A greve dos caminhoneiros ocorrida no mesmo período do ano anterior, explica a taxa de crescimento apresentada pela carga em maio de 2019. Adicionalmente, vale destacar o retorno, em junho, da carga de um Consumidor Livre da Rede Básica, que vinha se mantendo reduzida desde meados de abril de 2018 A carga dos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Sul apresentam, no período janeiro-dezembro/2019, variações positivas de, respectivamente, 2,0% e 1,9%, sobre igual período do ano anterior. Os subsistemas Nordeste e Norte apresentaram variação positiva de 2,0 e 3,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2020 / 2024

04 de dezembro de 2019

  1. Previsão da carga de energia 2020-2024 A carga de energia do SIN prevista para o ano de 2020 apresenta crescimento de 4,2% relativamente ao ano anterior, ou seja, 2850 MWmédios superior à carga verificada em 2019, situando-se 39 MWmédios abaixo do valor previsto para o ano de 2020 na 2ª Revisão Quadrimestral do PLAN 2019-2023.
    No período 2020-2024, prevê-se um crescimento médio anual da carga de energia do SIN de 3,8% ao ano, significando uma expansão média anual nos cinco anos de 2.791 MWmédios. A carga do SIN atinge 81.931 MWmédios em 2024. As Tabelas 2, 3 e 4, a seguir, resumem os valores previstos da carga de energia em MWmédios, as taxas de crescimento resultantes e as respectivas variações anuais de carga por subsistema. A Tabela 5 mostra as diferenças entre as previsões de carga de energia, por subsistema do SIN, para o PLAN 2020-2014 e a 2ª Revisão Quadrimestral de 2019.

TABELAS ANEXAS

Tabela 1 20202021202220232024 2,3%2,8%2,8%2,9%3,0% 2020202120222023 0,3%0,0%0,0%0,0% Projeção anual do crescimento do PIB (%) PLAN 2020-2024 Diferença entre Taxas (%) PLAN 2020-2024 - 2ªRQ 2019-2023 Subsistema20202021202220232024 Norte6.079 6.301 6.543 6.762 7.027
Nordeste11.574 12.101 12.630 13.173 13.749
Sudeste/CO41.060 42.497 44.006 45.578 47.152
Sul12.112 12.555 13.025 13.500 14.004
SIN70.825 73.453 76.204 79.013 81.931
Carga de energia (MWmédios) Planejamento Anual da Operação Energética 2020-2024 Tabela 2 Subsistema20202021202220232024 Norte9,1%3,6%3,8%3,3%3,9% Nordeste5,0%4,6%4,4%4,3%4,4% Sudeste/CO3,5%3,5%3,5%3,6%3,5% Sul3,4%3,7%3,7%3,6%3,7% SIN4,2%3,7%3,7%3,7%3,7% Carga de energia - Taxas de crescimento (% ao ano) Planejamento Anual da Operação Energética 2020-2024 Tabela 3 Subsistema20202021202220232024 Norte508 221 242 219 265
Nordeste555 527 529 543 576
Sudeste/CO1.383 1.437 1.508 1.573 1.573
Sul403 442 470 475 504
SIN2.850 2.628 2.750 2.809 2.919
Tabela 4 Carga de energia - Acréscimos/Decréscimos anuais (MWmédios) Planejamento Anual da Operação Energética 2020-2024 Subsistema2020202120222023 Norte596661-180 Nordeste-44 -24 -50 -76 Sudeste/CO-76 -56 -48 -42 Sul2210-6 -27 SIN-39 -5 -42 -325 Carga de Energia (MWmédio) Diferenças [PLAN 2020-2024] - [2ªRQ 2019-2023] Tabela 5