1ª Revisão Quadrimestral das Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2023-2027
9 de janeiro de 2025
- Apresentação
Este informe tem como objetivo apresentar os principais resultados das previsões de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) para o período 2025 a 2029, no âmbito do Planejamento Anual da Operação Energética - Ciclo 2025 (2025-2029), realizadas em conjunto pela Empresa de Pesquisa Energética – EPE, Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE. As projeções foram realizadas tomando como base a avaliação da conjuntura econômica, o monitoramento do consumo e da carga até, respectivamente, outubro e novembro de 2024 através das Resenhas Mensais de Energia Elétrica da EPE, dos Boletins de Carga Mensais do ONS e dos InfoMercados Mensais da CCEE, bem como os desvios entre os valores observados e suas respectivas projeções elaboradas na 2ª Revisão Quadrimestral do Planejamento Anual da Operação Energética 2024-2028, em agosto de 2024. Cabe ressaltar que os valores de carga e consumo apresentados estão considerando em sua composição a Micro e Minigeração Distribuída (MMGD). Para os valores realizados, a estimativa de geração considera as unidades geradoras existentes em novembro de 2024. Para os meses à frente, projeta-se a expansão desse tipo de geração utilizando- se como base a metodologia do modelo 4MD, como definido no Relatório Fase II do GT MMGD do CT PMO/PLD. - Panorama econômico
Ao longo de 2024, o cenário econômico internacional apresentou desempenho positivo, com expansão das principais economias globais. Isso se deu em meio a um processo de desinflação global e de afrouxamento das políticas monetárias contracionistas que vinham sendo adotadas desde o período pós-pandemia, favorecendo a expansão da demanda. Nesse sentido, uma incerteza segue sendo a condução da política monetária nos EUA, em função do cenário de demanda mais aquecida do que o esperado, que pode interromper o ciclo de redução da taxa de juros iniciado.
No relatório World Economic Outlook de outubro de 2024, o mais recente publicado pelo FMI, foi mantida a perspectiva de expansão de 3,2% para o PIB mundial em 2024. Apesar disso, foram revisadas para cima a expectativa de crescimento de alguns países, como EUA (de 2,6% para 2,8%) e Brasil (de 2,1% para 3%), enquanto outros tiveram suas projeções reduzidas, como a Zona do Euro (de 0,9% para 0,8%) e a China (de 5% para 4,8%). Para 2025, a perspectiva de crescimento do PIB mundial reduziu suavemente para 3,2% (ante 3,3%), puxada pelas expectativas de menor crescimento em países europeus e emergentes. Cabe mencionar que, ainda que positivas, as taxas de crescimento da economia mundial projetadas para 2024 e 2025 ainda se encontram abaixo da média observada entre os anos de 2000 e 2019 (3,8%). Com relação ao cenário doméstico, no 2° trimestre de 2024, o PIB brasileiro expandiu 3,3% contra o mesmo trimestre de 2023, resultado acima do previsto pelo mercado e pela 2ª Revisão Quadrimestral 2024- - Pela ótica da oferta, o crescimento foi puxado pela indústria
(3,9%) e pelos serviços (3,5%), enquanto a agropecuária retraiu (-
2,9%). Pelo lado da demanda, o consumo das famílias e a formação
bruta de capital fixa foram os destaques, com expansões de 3,1% e
5,7%, respectivamente.
O crescimento observado no 2º trimestre resultou em aumento do
carregamento estatístico para 2024 e 2025. Tal fator, associado a um
cenário de demanda mais aquecida e de resultados favoráveis no
mercado de trabalho, geram impactos positivos sobre a demanda. No
entanto, a retomada do ciclo de aperto monetário em setembro, o
aumento da inflação e o elevado patamar de endividamento das
famílias exercem influências negativas sobre a atividade econômica,
sobretudo em 2025.
Diante desse cenário, foi revisada a taxa de crescimento do PIB em 2024 para 3,2% (ante 2,2%). Em termos setoriais, houve revisão para cima das taxas de crescimento da indústria (de 2,3% para 3,4%), e dos serviços (de 2,4% para 3,3%) e perspectivas menos negativas para a agropecuária (de -2,0% para -1,7%), em função dos resultados mais favoráveis que o esperado.
Para 2025, foi mantida a projeção de crescimento de 2,2% do PIB, devido à expectativa de que o arrefecimento da dinâmica econômica no próximo ano compense o maior carregamento estatístico. Em termos setoriais, houve leve revisão para cima do crescimento da agropecuária (de 3,0% para 3,2%) e, para baixo da indústria (de 2,2% para 2,1%) e dos serviços (de 2,3% para 2,0%). No médio prazo, foram mantidas as principais premissas qualitativas adotadas na 2ª Revisão Quadrimestral 2024-2028. Tais premissas consideram um ambiente econômico mais estável, com inflação na meta e maior confiança dos agentes, resultando em um crescimento mais sustentado tanto do consumo quanto do investimento. Esse cenário permite maior dinamismo das atividades domésticas voltadas para a demanda interna – grande parte dos serviços e da indústria. Os investimentos em infraestrutura devem se destacar no horizonte de médio prazo, gerando reflexos positivos sobre a competitividade e sobre o ambiente de negócios do Brasil. A aprovação da reforma tributária, no ano passado, deve gerar impactos positivos nos investimentos e na produtividade da economia, sobretudo no médio e longo prazo.
Mantêm-se as perspectivas positivas no horizonte para os setores exportadores de commodities, nas quais o país possui vantagens no mercado externo, em especial a extrativa mineral, produtos agropecuários e produtos da bioeconomia, acompanhando o aumento da demanda internacional.
Diante desse cenário, espera-se que a economia brasileira cresça a uma taxa média de 2,4% a.a. no período entre 2025 e 2029. A Tabela 1, ao final deste documento, apresenta as taxas anuais de expansão do PIB. Em termos setoriais, espera-se um crescimento médio de 3,0% a.a. para a agropecuária, de 2,4% a.a. para a indústria e de 2,5% a.a. para os serviços.
É importante destacar, no entanto, que há riscos relevantes para a concretização do cenário apresentado, como questões geopolíticas, eventos climáticos extremos, crises sanitárias, questões fiscais, bem como incertezas políticas e econômicas. - Previsão de mercado de energia elétrica
O consumo de eletricidade no SIN, incluindo a parcela de MMGD não
injetada na rede, alcançou 478.750 GWh até outubro, mostrando
aumento de 7% em relação a igual período de 2023.
Verificou-se crescimentos expressivos no consumo das classes residencial e comercial, sendo elas de 9,7% e 7,9%, respectivamente. Dentre os fatores positivos para esse resultado estão as boas condições do mercado de trabalho e o intenso calor, principalmente no primeiro semestre do ano de 2024. Havia uma expectativa de atuação do fenômeno La Niña no segundo semestre do ano, com consequente atenuação significativa do crescimento do consumo no período. No entanto, a extensão do período de neutralidade climática reduziu a intensidade do efeito do La Niña, devendo-se, com isso, observar crescimentos ainda consideráveis no consumo, no ano de 2024, para a classe residencial e da classe comercial, sendo os mesmos de 7,1% e 5,4%, respectivamente. O consumo na indústria, com contribuições importantes vindas do ramo de metalurgia e da produção de alimentos, teve aumento de 5,1% até outubro. A perspectiva de manutenção de desempenho semelhante para os próximos meses do ano deve resultar num crescimento de 4,9% em 2024. Por fim, o consumo agregado de uma gama diversa de consumidores, genericamente denominado “outros consumos”, que cresceu 5,5% até outubro, deve terminar o ano com aumento de 3,8%.
1ª Revisão Quadrimestral das Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2023-2027
9 de janeiro de 2025 Em 2024, o montante de eletricidade consumido no SIN deve totalizar 573.021 GWh, correspondendo a um crescimento de 5,5% em relação ao ano anterior. Estima-se que desse total, 19.230 GWh seja suprido pela MMGD não injetada na rede de distribuição. Para o novo ciclo de planejamento, que abrange os anos de 2025 a 2029, a expectativa é que o consumo total de eletricidade no SIN cresça a taxa média de 3,5% ao ano. Sendo esta propriamente a taxa de crescimento esperada para o ano de 2025, com os seguintes desempenhos para as classes: residencial, 3,5%; industrial, 3,3%; comercial, 4,4%; outros consumos, 4,1%. Destaca-se ainda no quinquênio a interligação de Roraima em fevereiro de 2026. 4. Evolução da Carga do SIN e Subsistemas no período janeiro-dezembro/2024 O comportamento da carga do SIN durante o ano de 2024 foi impactado por diversos fatores. Houve melhora nos indicadores de confiança disponibilizados pela FGV, em especial a confiança da indústria, da construção e dos consumidores. A evolução favorável e a resiliência do mercado de trabalho e da renda, contribuíram para a manutenção da demanda interna aquecida gerando reflexos positivos nos resultados do Produto Interno Brasileiro – PIB e sobre o crescimento da carga. O cenário de alta da inflação, iniciado em maio de 2024, com a consequente retomada da política monetária contracionista, em setembro, ainda não mostrou seus efeitos sob a atividade econômica e, consequentemente, sobre o comportamento da carga. Tal como o comportamento dos indicadores econômicos, os fatores meteorológicos também impactaram o comportamento da carga do SIN ao longo do ano de 2024. O fenômeno do El Niño influenciou o comportamento da carga ao longo do 1º semestre do ano de 2024, com destaque para o 1º trimestre do referido ano, onde pôde ser observada anomalia positiva de temperatura em todas as regiões do país. O final do mês de abril e início do mês de maio foi marcado pela ocorrência de evento extremo de precipitação no Rio Grande do Sul, resultando em precipitação acima da média e redução do fornecimento de energia elétrica para parte do estado. Nos meses de agosto e outubro de 2024, o desempenho da carga foi impactado pela predominância de temperaturas extremas (máximas e mínimas) acima da média histórica nas regiões que compõem os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO) e Sul, acompanhada de precipitação abaixo da média histórica. Vale ressaltar que a elevação das temperaturas em relação à média histórica foi menos intensa que as observadas no mesmo período em 2023, onde havia atuação do fenômeno do El Niño. Nos estados que compõem os subsistemas Nordeste e Norte, observou-se predominância de precipitação abaixo da média histórica com consequente temperatura máxima acima da média. A junção dos fatores mencionados provocou no período janeiro- outubro/24 um aumento de 6,5% na carga do SIN e do SE/CO, 5,7% no Sul, 6,2% no Nordeste e 8,1% no Norte em relação ao mesmo período do ano anterior. Considerando os valores verificados da carga de energia de janeiro a outubro, o valor estimado para novembro e a previsão para o mês de dezembro, espera-se que a carga de energia registre, no período janeiro-dezembro/2024, crescimento de 5,3% no SIN, 4,6% no SE/CO, 5,7% no Sul, 5,4% no Nordeste e 8,5% no Norte quando comparado com igual período de 2023. 5. Previsão da carga de energia 2024-2028 A carga de energia do SIN, prevista para o ano de 2025, apresenta um crescimento de 3,5% relativamente ao ano anterior, ou seja, 2.791 MW médios superior à carga verificada em 2024, situando-se 895 MW médios acima do valor previsto na 2ª Revisão Quadrimestral da carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2024-2028. Considerando a interligação de Roraima ao SIN a partir de fevereiro de 2026, prevê-se um crescimento médio anual da carga de energia do SIN, no período 2025-2029, de 3,3% ao ano, significando uma expansão média anual nos cinco anos de 2.852 MW médios, atingindo em 2029 uma carga de 94.157 MW médios no SIN. As Tabelas 2, 3 e 4, a seguir, resumem os valores previstos da carga de energia, em MW médios, as taxas de crescimento resultantes e os respectivos acréscimos de carga anuais por subsistema. A Tabela 5 mostra as diferenças entre as previsões de carga de energia, por subsistemas do SIN, para o PLAN 2025-2029 e a 2ª Revisão Quadrimestral da carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2024-2028 (2ª RQ do PLAN 2024-2028). Por fim, a Tabela 6 resume os valores previstos de carga de energia de MMGD, em MWmédios
TABELAS ANEXAS Tabela 1
Tabela 2
Inclui MMGD Tabela 3
Tabela 4
1ª Revisão Quadrimestral das Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2023-2027
9 de janeiro de 2025
Tabela 5
Tabela 6
Considera expansão da base