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Boletim Técnico da 2ª Revisão Quadrimestral 2020

Emitido por elety
Assinado em 18/08/2026
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Previsões de carga para a 2ªRevisão Quadrimestral da Carga 2020 – 2024

06 de agosto de 2020

  1. Apresentação
    Este informe tem como objetivo apresentar os principais resultados das previsões de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) para o período 2020-2024, no âmbito da 2ª Revisão Quadrimestral da Carga do PLAN 2020-2024, realizadas em conjunto por Empresa de Pesquisa Energética – EPE, Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE. As projeções foram atualizadas tomando como base a avaliação da conjuntura econômica e o monitoramento do consumo até maio e da carga até junho de 2020, no contexto da pandemia da COVID-19, através das Resenhas Mensais de Energia Elétrica da EPE, dos Boletins de Carga Mensais do ONS e dos InfoMercados Mensais da CCEE, bem como dos desvios entre os valores observados da carga e suas respectivas projeções elaboradas para o Planejamento Anual da Operação Energética 2020-2024.

  2. Panorama econômico
    A economia global continua sendo impactada pela pandemia do novo coronavírus (COVID-19). Ainda há muita incerteza em relação à velocidade da recuperação econômica e à possibilidade de uma segunda onda de contágio, o que torna o trabalho de construção de cenários econômicos mais complexo, gerando riscos importantes para a concretização do cenário desenhado. Desde a elaboração dos estudos da Revisão Extraordinária no decorrer de maio de 2020, foi divulgada uma série de resultados que corroboraram o cenário econômico construído no mês de abril. No que diz respeito ao Brasil, o PIB do primeiro trimestre de 2020 mostrou uma queda de 1,5% na margem e de 0,3% em relação ao mesmo período de 2019. Destaca-se que o primeiro trimestre contemplou menos de um mês da adoção de políticas de isolamento social e por esse motivo não foi tão impactado pela pandemia. Os dados mais recentes mostram que abril foi o mês mais afetado, fazendo com que diversos indicadores alcançassem o pior resultado da série histórica neste mês.
    A partir de maio, grande parte dos indicadores econômicos começou a apresentar recuperação na margem, ainda que na comparação com o mesmo período do ano anterior estivessem caindo. Em maio, o IBC-BR, que mede a atividade econômica, subiu 1,31% na margem, embora tenha acumulado queda de 6,08% no ano. No que diz respeito aos setores, houve crescimento na margem da produção industrial (7%) e do volume de vendas no varejo (13,9%), enquanto o volume de serviços retraiu em 0,9% nessa comparação. Contra maio de 2019, os três setores apresentaram queda (de 21,9%, 7,2% e 19,5%, respectivamente). Em relação às expectativas, os indicadores de confiança do consumidor e da indústria da FGV de julho confirmam a trajetória de retomada gradual iniciada em maio, embora ainda não tenham recuperado as quedas acumuladas em março e abril.
    Tal contexto mostra que a premissa de que os impactos negativos da crise se concentraram no primeiro semestre permanece válida e que a economia brasileira deve apresentar recuperação a partir do segundo semestre (movimento entre “v” e “u”). Por esse motivo, a projeção de evolução do PIB de 2020 foi mantida em -5%. Em 2021, ainda que o melhor desempenho da economia brasileira no fim deste ano implique em um carregamento estatístico significativo para 2021, espera-se que um crescimento mais vigoroso seja limitado pela recuperação mais lenta da confiança dos agentes. Com um mercado de trabalho fortemente afetado pela crise, espera-se que haja maior dificuldade na tomada de decisão dos agentes tanto para consumo quanto investimento. Sendo assim, foi mantida a expectativa de crescimento de 2,3% para o PIB de 2021. Para os anos seguintes, a expectativa é de um ambiente mais estável com recuperação gradual do mercado de trabalho e da atividade econômica, o que permitirá a recuperação mais forte e consistente da confiança dos agentes. Com isso, espera-se que haja uma expansão do consumo e dos investimentos, com destaque para o segmento de infraestrutura. Tais investimentos serão cruciais para que o País se torne mais competitivo.
    Diante desse contexto, espera-se que a economia cresça, em média, 1,2% a.a. no horizonte em estudo. Em termos setoriais, a perspectiva é de médias de crescimento de 2,9% para a agropecuária, de 1,7% para a indústria e de 1,1% para serviços. A Tabela 1, ao final deste Boletim, resume as taxas de crescimento de PIB para o período 2020-2024.

  3. Previsão de mercado de energia elétrica O período janeiro-maio fechou com queda de 4,1% do consumo no SIN com relação ao mesmo período de 2019. Foram influentes neste resultado as baixas temperaturas do início do ano em comparação às de 2019. Em meados de março/2020, começaram a ser registrados em território nacional medidas de isolamento social relacionadas à pandemia do COVID-19.
    Em março, o consumo na rede registrou queda de 0,2%, bastante acentuada em abril e maio com a disseminação das medidas de quarentena, atingindo reduções de 6,6% e 11,0%, respectivamente. Os efeitos da pandemia sobre o consumo manifestaram-se em direções distintas entre as classes. Em função do baixo nível de atividade, os setores produtivos, em especial o comércio e a indústria, registraram quedas de consumo expressivas no acumulado janeiro-maio. As taxas destas classes em relação ao mesmo período de 2019 foram de -9,7% e -5,6%, respectivamente, atingindo suas maiores quedas no mês de maio (-13,7% e -25,2%). No entanto, a classe residencial, com as mesmas medidas de confinamento registrou incremento acumulado de 0,3% sob influência do maior uso dos equipamentos nas residências, apesar da deterioração da renda no período. Em 2020, dado o cenário econômico adotado, onde há a premissa de concentração do isolamento social no primeiro semestre, a projeção do consumo no SIN para 2020 configura retração de 2,7%, puxada fortemente pela retração dos setores produtivos em meio à crise pandêmica. No que se refere ao período entre 2019 e 2024, espera-se que o consumo no SIN cresça à taxa de 2,4% anuais. Em termos setoriais, a projeção do consumo da indústria é de 1,9% ao ano nesse período, influenciado, em especial pela retomada gradual de alguns setores intensivos em energia, sobretudo a metalurgia. Com o resultado negativo previsto para este ano, a classe comercial é a que tem a menor perspectiva para o período em estudo: 1,7% anuais. Já a classe residencial tem a expectativa de crescimento de 3,0% ao ano. Desta forma, mantiveram-se as perspectivas de consumo na rede para o horizonte 2020-2024 apontadas na Revisão Extraordinária.

  4. Evolução da Carga do SIN e Subsistemas no período janeiro-julho/2020 Considerando-se os valores verificados de carga de energia de janeiro a junho e o valor preliminar para julho a carga de energia do SIN

Previsões de carga para a 2ªRevisão Quadrimestral da Carga 2020 – 2024

06 de agosto de 2020 registra, no período janeiro-julho/20, variação de -4,2% sobre igual período de 2019.
A crise da pandemia do novo coronavírus (COVID-19) apresentou impacto significativo no comportamento da carga, cujo reflexo se deu com maior intensidade nos meses de abril e maio/20. Adicionalmente, as altas temperaturas registradas nas regiões Sul e Sudeste em 2019, em contraponto às observadas no ano corrente colaboraram para redução da carga do SIN em janeiro (-3,4%) e fevereiro (-0,8%). Para os meses subsequentes, apesar do efeito calendário, sobretudo do Carnaval e da Semana Santa, os impactos mais relevantes são os oriundos da proliferação do COVID-19 e consequentemente, das medidas restritivas para conter o avanço da doença, levando às taxas para março, abril e maio de -0,6%, -11,8% e -10,6%, respectivamente. A partir de junho já se observam sinais de suave recuperação na carga. Esse comportamento continuou sendo observado em julho, quando ainda com valores preliminares, a carga registrou elevação de 0,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Esse comportamento foi sustentado principalmente pela flexibilização das medidas de isolamento social, o que ocasionou um aumento gradual das atividades econômicas, com consequente início de recuperação dos efeitos adversos da pandemia.

  1. Previsão da carga de energia 2020-2024 A carga de energia do SIN prevista para o ano de 2020 deverá retrair 3,0% relativamente ao ano anterior, ou seja, 92 MWmédios inferior à carga verificada em 2019, situando-se 2,1 GWmédios abaixo do valor previsto na Revisão Extraordinária da carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2020-2024.
    No período 2020-2024, prevê-se um crescimento médio anual da carga de energia do SIN de 2,5% ao ano, significando uma expansão média anual nos cinco anos de 1.755 MWmédios. Para o período de agosto/20 a dezembro/24 foram mantidos os mesmos valores considerados na Revisão Extraordinária da carga do PLAN 2020-2024, atingindo em 2024 uma carga de 76.612 MWmédios no SIN. As Tabelas 2, 3 e 4, a seguir, resumem os valores previstos da carga de energia em MWmédios, as taxas de crescimento resultantes e os respectivos acréscimos de carga anuais por subsistema. A Tabela 5 mostra as diferenças entre as previsões de carga de energia, por subsistema do SIN, da 2ª Revisão Quadrimestral de 2020 e da Revisão Extraordinária da carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2020-2024.

TABELAS ANEXAS

Tabela 1 20202021202220232024 -5,0%2,3%2,8%2,8%2,9% 20202021202220232024 0,0%0,0%0,0%0,0%0,0% Projeção anual do crescimento do PIB (%) 2ªRevisão Quadrimestral 2020-2024 Diferença entre Taxas (%) 2ªRevisão Quadrimestral 2020-2024 - Revisão Extraordinária 2020-2024 Subsistema20202021202220232024 Norte5.516 5.792 6.049 6.241 6.485
Nordeste10.707 11.334 11.838 12.346 12.877
Sudeste/CO38.140 39.627 41.085 42.556 44.004
Sul11.411 11.878 12.329 12.777 13.246
SIN65.774 68.631 71.302 73.920 76.612
Carga de energia (MWmédios) 2ªRevisão Quadrimestral 2020-2024 Tabela 2 Subsistema20202021202220232024 Norte-1,0%5,0%4,4%3,2%3,9% Nordeste-3,1%5,9%4,4%4,3%4,3% Sudeste/CO-3,5%3,9%3,7%3,6%3,4% Sul-2,3%4,1%3,8%3,6%3,7% SIN-3,0%4,3%3,9%3,7%3,6% Carga de energia - Taxas de crescimento (% ao ano) 2ªRevisão Quadrimestral 2020-2024 Tabela 3 Subsistema20202021202220232024 Norte57- 276 257 192 244
Nordeste337- 628 504 508 531
Sudeste/CO1.404- 1.486 1.458 1.471 1.448
Sul264- 468 451 448 469
SIN2.061- 2.858 2.671 2.618 2.692
Tabela 4 Carga de energia - Acréscimos/Decréscimos anuais (MWmédios) 2ªRevisão Quadrimestral 2020-2024 Subsistema20202021202220232024 Norte280000 Nordeste-83 0000 Sudeste/CO50000 Sul-42 0000 SIN-92 0000 Diferenças 2ª Revisão Quadrimestral 2020-2024 - Revisão Extraordinária 2020-2024 Tabela 5 Carga de Energia (MWmédio)