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Boletim Técnico 2ªRQ 23

Emitido por elety
Assinado em 18/08/2026
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1ª Revisão Quadrimestral das Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2023-2027

22 de agosto de 2023

  1. Apresentação
    Este informe tem como objetivo apresentar os principais resultados das previsões de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) para o período 2023-2027, no âmbito da 2ª Revisão Quadrimestral da Carga do PLAN 2023-2027, realizadas em conjunto pela Empresa de Pesquisa Energética – EPE, Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE. As projeções foram atualizadas tomando como base a avaliação da conjuntura econômica e o monitoramento do consumo até maio e da carga até julho de 2023 através das Resenhas Mensais de Energia Elétrica da EPE, dos Boletins de Carga Mensais do ONS e dos InfoMercados Mensais da CCEE, bem como dos desvios entre os valores observados da carga e suas respectivas projeções elaboradas na 1ª revisão do Planejamento Anual da Operação Energética 2023-2027 em abril de 2023. Cabe ressaltar que os valores de carga apresentados estão considerando a Micro e Minigeração Distribuída (MMGD) devido às unidades geradoras existentes em junho de 2023. Esse bloco de MMGD equivale a 3.658 MWmédios em 2023 e será representado tanto na carga quanto na oferta a partir do PMO de setembro.
  2. Panorama econômico
    O cenário econômico considerado mantém as perspectivas de desaceleração no ritmo de crescimento do PIB e do comércio mundial em 2023, em relação ao observado nos últimos 2 anos apresentadas na 1ª Revisão Quadrimestral. No relatório World Economic Outlook, publicado pelo FMI em abril de 2023, que serviu de base para o cenário mundial deste estudo, é esperada uma expansão de 2,8% para o PIB mundial e de 2,4% para o comércio internacional, com desempenho moderado das economias desenvolvidas (1,3%) e maior contribuição das economias emergentes e em desenvolvimento (3,9%). Além disso, a expectativa é de que a inflação global apresente desaceleração em 2023 e 2024, embora permaneça em um patamar acima do observado antes da pandemia. Cabe mencionar que o relatório de julho foi publicado após o fechamento do cenário econômico desta revisão; no entanto, não foram realizadas mudanças substanciais em relação ao cenário de abril, considerado nas nossas projeções.
    Com relação ao cenário doméstico, o PIB do 1° trimestre de 2023 apresentou uma expansão de 4% na comparação com o mesmo trimestre de 2022. Pela ótica da oferta, destaca-se o crescimento da agropecuária (19%), puxada pela maior produção de soja, e dos serviços (2,9%). Na ótica da demanda, os destaques foram as exportações (7,0%) e o consumo das famílias (3,5%), enquanto a formação bruta de capital fixo apresentou um crescimento menos expressivo (0,8%). O crescimento observado do PIB foi muito superior ao esperado pelo mercado e ao valor considerado na 1ª Revisão Quadrimestral. Com isso, o carregamento estatístico aumentou consideravelmente e, diante disso, a previsão de crescimento do PIB em 2023 foi revisada de 1,0% para 2,3%.
    Em termos setoriais, a expectativa é de expansão em todos os macrossetores, com destaque para a alta de 12% da agropecuária (ante 6%), puxada pela alta da soja. Também é esperado um crescimento dos serviços (1,5%, ante 1,0%), em função do bom resultado no 1° trimestre, acompanhando o ritmo de expansão da demanda doméstica. Por outro lado, a expectativa é de desempenho moderado da indústria (0,6%, ante 0,4%), com contribuições positivas dos segmentos da extrativa, de construção e de energia, água e esgoto, porém, com retração na transformação. É importante mencionar que outros fatores presentes no cenário atual podem gerar impactos positivos para a demanda doméstica e na atividade econômica neste ano e no próximo. Dentre eles, pode-se citar o encaminhamento do arcabouço fiscal e o avanço da reforma tributária, que podem gerar impactos positivos ao reduzir a incerteza quanto às questões fiscais e aumentar a confiança dos agentes, ainda que de forma moderada no curto prazo.
    Além disso, também exercem contribuições positivas para a atividade o processo de desinflação em curso, o início do ciclo de redução de juros no mês de agosto e algumas políticas de estímulo ao consumo anunciadas recentemente, como o Programa Desenrola Brasil, o desconto na compra de veículos e a ampliação do “Minha Casa, Minha Vida”. No entanto, o elevado endividamento das famílias e os juros ainda em patamar alto podem colocar restrições importantes a uma expansão mais significativa do consumo. Com relação à projeção para o PIB de 2024, apesar dos vetores positivos acima mencionados, existe uma contribuição negativa decorrente do carregamento estatístico de 2023, que reduz o crescimento. Em função da conjunção desses fatores, foi mantida a projeção do PIB de 2024 em 1,7%. Já para 2025, houve uma revisão suave de 2,0% para 2,2%. Para o médio prazo, em linhas gerais, são mantidas as premissas adotadas na 1ª Revisão Quadrimestral de uma dinâmica de crescimento mais robusta, decorrente do contexto de maior estabilidade macroeconômica, maior confiança dos agentes e, de expansão mais significativa da demanda e do consumo doméstico, além de um cenário internacional mais favorável. Além disso, mantemos também a expectativa de que o avanço da reforma tributária e de um cenário mais favorável aos negócios estimulem a expansão dos investimentos, com destaque para o setor de infraestrutura, gerando reflexos positivos para a produtividade da economia, sobretudo no médio prazo. Em termos setoriais, espera-se um crescimento mais significativo dos serviços e da indústria, acompanhando o ritmo mais intenso de expansão da demanda das famílias e dos investimentos. Também há perspectiva de um bom desempenho dos setores exportadores de commodities, com destaque para os produtos da agropecuária, de minério de ferro e de celulose. Diante desse contexto, espera-se que a economia brasileira cresça, em média, 2,2% a.a. entre 2023 e 2027. Em termos setoriais, espera-se um crescimento médio de 4,3% para a agropecuária, 1,9% para a indústria e 2,0% para os serviços nos próximos cinco anos. A Tabela 1, ao final deste Boletim, resume as taxas de crescimento de PIB para o período 2023-2027. É importante ressaltar que há riscos importantes para a concretização do cenário, como eventos climáticos, conflitos geopolíticos, crises sanitárias, além da dinâmica inflacionária, do encaminhamento das questões fiscais, e outros riscos econômicos e políticos.
  3. Previsão de mercado de energia elétrica O consumo de eletricidade na rede no SIN até maio aumentou 2,3% em relação ao mesmo período de 2022. Não se espera nos próximos meses, grande alteração neste ritmo de crescimento, assim o consumo no ano deve apresentar aumento de 2,4%. O consumo nas residências teve alta de 4,6%, principalmente devido aos subsistemas Sul e Nordeste. Com menor influência de fatores que foram significativos neste resultado, tais como a base baixa de comparação e temperaturas no Sul comparativamente mais altas do que no ano passado, espera-se que o consumo residencial cresça 4% no ano. Na classe comercial, o consumo tem crescido a taxa de 2,5%, resultado alinhado à expectativa de desempenho da classe, dessa forma confirma-se a previsão estabelecida na 1ª Revisão Quadrimestral de crescimento de 2,6%. O consumo industrial, que apresenta aumento de 1,9%, ainda permanece bastante impactado pela retomada de produção de consumidor eletrointensivo do setor metalúrgico, localizado no subsistema Norte. O aumento de cerca de 30% neste subsistema

1ª Revisão Quadrimestral das Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2023-2027

22 de agosto de 2023 anulou a retração registrada nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Sul. Mesmo com a diminuição desse efeito até o final do ano, o crescimento no Norte continuará se sobrepondo aos demais subsistemas, que devem apresentar uma ligeira melhora em relação ao desempenho realizado até junho. Como resultado, o consumo industrial no SIN deve crescer 1,9% em 2023. O consumo das demais classes de consumo retraiu 1,1%. A classe Rural, que tem peso importante neste consumo agregado, interferiu no resultado devido a aspectos conjunturais climáticos e à reclassificação de consumidores para outras classes. Espera-se que este resultado negativo seja revertido no segundo semestre e que o consumo em Outros cresça 0,7% no ano. No quinquênio de 2023 a 2027, a expectativa é que a taxa média de crescimento no consumo total de eletricidade no SIN seja de 3,2% ao ano. Destaca-se no período a interligação de Roraima em outubro de 2025. Como exercício para a fase final de adequação das projeções de Carga e Consumo à Micro e Minigeração Distribuída (MMGD), definida no cronograma do CT PMO/PLD para o próximo PLAN, considerou-se também o consumo associado à MMGD, que ocorre fora da rede. Parte da energia advinda de MMGD é consumida instantaneamente nas unidades, nem sequer passa pela rede de distribuição para posterior compensação. Estima-se que esta parcela de “autoconsumo instantâneo” foi de 6.690 MWh em 2022, para 2023, mantida constante a potência instalada em junho de 2023, o montante seria de 10.408 MWh. Nesta composição, o consumo total de eletricidade no SIN em 2023 cresceria 3% em relação ao ano anterior. 4. Evolução da Carga do SIN e Subsistemas no período janeiro-maio/2023 Neste primeiro semestre de 2023, foi observada melhora da confiança de diversos indicadores da economia, disponibilizados pela FGV - Fundação Getúlio Vargas, como os de comércio, serviços e do consumidor, que superou o indicador de confiança empresarial pela primeira vez desde abril de 2020. Porém, apesar desses indicadores estarem dando sinais de recuperação, no 1º semestre de 2023, a continuidade da trajetória negativa do setor industrial, motivado pela taxa de juros elevada e aumento do endividamento, criou um ambiente de incerteza nos empresários, visto que a demanda por bens de consumo diminuiu, resultando em estoques acumulados e insatisfação nos segmentos industriais. Com exceção do mês de janeiro, destaca- se, adicionalmente, a ocorrência de temperaturas superiores às observadas no mesmo período do ano anterior. A junção dos fatos mencionados, provocaram um aumento de 2,7% na carga do 1º semestre de 2023 no SIN quando comparado ao mesmo período do ano anterior.
Os fatores elencados acima contribuíram para que a carga no 1º semestre de 2023, apresentasse variações positivas de 0,7% no SE/CO e de 1,7% no Sul. O Nordeste e Norte apresentaram variações positivas de 5,1% e 15,1%, respectivamente. A expressiva variação apresentada pelo Subsistema Norte é reflexo da retomada de produção de consumidor eletrointensivo do setor metalúrgico, iniciada no ano passado. Considerando os valores verificados da carga de energia de janeiro a junho, valor estimado para a carga de julho e as previsões realizadas para os meses de agosto e setembro no PMO de agosto/2023, a carga de energia do SIN registra, no período janeiro-setembro/2023, acréscimo de 2,7%% sobre igual período de 2022.
5. Previsão da carga de energia 2023-2027 A carga de energia do SIN prevista para o ano de 2023 deverá apresentar crescimento de 3,5% relativamente ao ano anterior, ou seja, será 2,522 MWmédios superior à carga verificada em 2022 e, situando-se 32 MWmédios abaixo do valor previsto para carga na 1ª Revisão Quadrimestral da carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2023-2027.
No período 2023-2027, prevê-se um crescimento médio anual da carga de energia do SIN de 3,3% ao ano, significando uma expansão média anual nos cinco anos de 2.562 MWmédios, atingindo em 2027 uma carga de 84.980 MWmédios no SIN. As Tabelas 2 e 3 resumem os valores previstos da carga de energia em MWmédios. As tabelas 4 e 5 apresentam as taxas de crescimento resultantes e os respectivos acréscimos de carga anuais por subsistema, desconsiderando a geração por MMGD. Da mesma forma, a Tabelas 6 mostra as diferenças entre as previsões de carga de energia, por subsistemas do SIN, para esta revisão e para a 1ª Revisão Quadrimestral da carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2023-2027 (1ª RQ do PLAN 2023-2027).

TABELAS ANEXAS Tabela 1

Tabela 2

Inclui MMGD Tabela 3

Tabela 4

2023 2024 2025 2026 2027 2,3% 1,7% 2,2% 2,3% 2,5% 2023 2024 2025 2026 2027 1,3% 0,0% 0,2% 0,0% 0,0% Projeção anual do crescimento do PIB (% ) 2ª Revisão Quadrimestral 2023-2027 Diferença entre Taxas (% ) [2ªRQ 2023-2027] - [1ªRQ 2023-2027] Subsistema 2023 2024 2025 2026 2027 Norte 7.094 7.519 7.782 8.233 8.463 Nordeste 12.293 12.771 13.218 13.750 14.255 Sudeste/CO 42.328 43.365 44.758 46.123 47.547 Sul 12.977 13.328 13.763 14.223 14.716 SIN 74.692 76.983 79.520 82.328 84.980 Carga global de energia (MWmédios) 2ª Revisão Quadrimestral 2023-2027 Subsistema 2023 2024 2025 2026 2027 Norte 11,5% 6,0% 3,5% 5,8% 2,8% Nordeste 4,8% 3,9% 3,5% 4,0% 3,7% Sudeste/CO 2,4% 2,5% 3,2% 3,0% 3,1% Sul 2,0% 2,7% 3,3% 3,3% 3,5% SIN 3,5% 3,1% 3,3% 3,5% 3,2% Carga de energia - Taxas de crescimento (% ao ano) 2ª Revisão Quadrimestral 2023-2027 Subsistema 2023 2024 2025 2026 2027 Norte 730 425 263 451 230 Nordeste 560 478 447 532 505 Sudeste/CO 974 1.038 1.393 1.365 1.424 Sul 259 351 435 460 494 SIN 2.521 2.291 2.537 2.808 2.652 Carga de energia - Acréscimos/Decréscimos anuais (MWmédios) 2ª Revisão Quadrimestral 2023-2027

1ª Revisão Quadrimestral das Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2023-2027

22 de agosto de 2023

Tabela 5

Tabela 6

Tabela 7

Subsistema20232024202520262027 Norte 26152205288298 Nordeste 172183210220247 Sudeste/CO -35 -271 -141 -89 -65 Sul -195 -227 -212 -211 -195 SIN -32 -164 62208285 Carga de Energia (MWmédio) Diferenças [2ªRQ 2023-2027] - [1ªRQ 2023-2027] Subsistema 2023 2024 2025 2026 2027 Norte 236 245 245 245 245 Nordeste 674 701 701 701 701 Sudeste/CO 1.857 1.926 1.926 1.926 1.926 Sul 891 914 914 914 914 SIN 3.658 3.786 3.785 3.785 3.785 2ª Revisão Quadrimestral 2023-2027 Carga de energia de MMGD (MWmédios) Subsistema 2023 2024 2025 2026 2027 Norte 26 35 35 35 35 Nordeste 88 115 115 115 115 Sudeste/CO 237 306 306 306 306 Sul 153 176 176 176 176 SIN 503 631 630 630 630 Carga de energia de MMGD (MWmédios) Diferenças [2ªRQ 2023-2027] - [1ªRQ 2023-2027]