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Boletim Técnico: 2ª Revisão Quadrimestral 2022-2026

Emitido por elety
Assinado em 18/08/2026
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Previsões para a 2ª revisão quadrimestral da carga do PLAN 2022-2026

11 de agosto de 2022

  1. Apresentação
    Este informe tem como objetivo apresentar os principais resultados das previsões de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) para o período 2022-2026, no âmbito da 2ª Revisão Quadrimestral da Carga do PLAN 2022-2026, realizadas em conjunto por Empresa de Pesquisa Energética – EPE, Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE. As projeções foram atualizadas tomando como base a avaliação da conjuntura econômica e o monitoramento do consumo até junho e da carga até setembro de 2022 através das Resenhas Mensais de Energia Elétrica da EPE, dos Boletins de Carga Mensais do ONS e dos InfoMercados Mensais da CCEE, bem como dos desvios entre os valores observados da carga e suas respectivas projeções elaboradas na 1ª Revisão Quadrimestral do ciclo de Planejamento Anual da Operação Energética 2022-2026.
  2. Panorama econômico
    A economia global continua com elevada incerteza. O conflito na Ucrânia intensificou os problemas na cadeia de fornecimento de insumos e as pressões sobre a inflação global que já estavam presentes em 2021 e levaram a economia mundial a apresentar crescimento abaixo do esperado ao longo de 2022. O FMI, em seu último relatório World Economic Outlook, de abril deste ano, revisou sua expectativa de crescimento de 4,4% para 3,6%. Esse contexto de pressão sob os preços também é observado no Brasil. Até junho de 2022, o IPCA acumulou crescimento de 5,49% no ano e de 11,89% na janela de 12 meses, levando à adoção de uma política monetária mais restritiva por parte da autoridade monetária. O aumento da taxa Selic deve gerar impactos na atividade econômica, tanto em 2022 como em 2023, devido à defasagem presente na relação entre juros e demanda.
    Por outro lado, existem pontos que impactam positivamente no crescimento econômico em 2022. Em termos dos resultados realizados, o crescimento do PIB no primeiro trimestre de 1% na margem e de 1,7% na comparação interanual, deixou um carregamento estatístico para 2022 maior que o esperado na 1ª Revisão Quadrimestral. Cabe mencionar que esse bom desempenho comparado com o primeiro trimestre de 2021 foi alavancado pela alta de 3,7% no setor de serviços, impulsionado pela recuperação de atividades caracterizada pela presença de público, como serviços de bares, restaurantes, buffets, turismo e lazer, cursos, salões, entre outras. Por outro lado, a indústria apresentou queda de 1,5%, afetada pela alta dos custos e pelas restrições aos suprimentos, como acima mencionados. A agropecuária retraiu 8%, afetada por problemas climáticos. Para o segundo trimestre, espera-se que medidas como as do saque extraordinário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e da antecipação do décimo terceiro salário dos aposentados e pensionistas impactem positivamente o resultado do PIB. E ainda que se espere que os efeitos cumulativos da política monetária contracionista e das mudanças de calendário de pagamentos tenham impactos negativos sobre o consumo das famílias no segundo semestre, os estímulos proporcionados pela PEC nº1/2022 devem suavizar esses efeitos, melhorando as expectativas para a segunda metade desse ano. Por esse motivo, a projeção de crescimento do PIB deste ano foi revisada de 0,6% para 1,9%. Além disso, o mercado de trabalho segue em recuperação gradual ainda estando ocioso. Segundo dados da PNADC/IBGE, a taxa de desocupação manteve tendência de queda no trimestre móvel finalizado em maio, atingindo o patamar de 9,8%, a menor taxa para o período desde 2015. Em termos setoriais, espera-se que o crescimento continue a ser puxado pelo setor de serviços, que deve crescer 2,5% em 2022. Para a indústria, a expectativa é de recuperação ao longo do segundo semestre, sobretudo na transformação, apresentando alta moderada de 0,4%. Por outro lado, na agricultura espera-se um crescimento de 1,5%, em função do desempenho muito aquém do esperado no primeiro trimestre. Devido à expectativa de juros mais elevados no fim desse ano foi efetuada uma redução na projeção de crescimento econômico para 2023 de 1,9% para 1%. A perspectiva de desaquecimento da demanda doméstica frente ao até então esperado também levou a revisão, a menor, da indústria, para 0,8%, e dos serviços, para 1,0%. Por outro lado, a recuperação de algumas safras e a menor base de comparação levou a uma revisão a maior da agropecuária, para 2,6%. Para os anos após 2023, a perspectiva é de uma redução das incertezas no ambiente econômico, resultando em um crescimento mais expressivo da confiança dos agentes e, consequentemente, da demanda interna. Com isso, a perspectiva é de avanços mais substanciais do investimento, sobretudo àqueles voltados para o segmento de infraestrutura, gerando impactos positivos sobre a produtividade e competitividade da economia brasileira, essenciais para o crescimento no médio e longo prazo. Diante desse contexto, espera-se que a economia cresça, em média, 2% a.a. entre 2022 e 2026. A Tabela 1, ao final deste Boletim, contém o resumo das taxas de crescimento anuais de PIB para o período 2022-

Cabe destacar que questões geopolíticas, sanitárias, climáticas, além do encaminhamento das questões fiscais, da dinâmica inflacionária são riscos importantes para a concretização do cenário. 3. Previsão de mercado de energia elétrica O consumo de eletricidade na rede no SIN que, no período de janeiro a junho, apresentou aumento de 1% em relação ao mesmo período de 2021, deve encerrar o ano de 2022 com crescimento de 2,3%. Destaca-se neste resultado o consumo relativo às atividades de comércio e de serviços, que, até junho, mostra alta de 7,3%. Apesar da expectativa de arrefecimento do ritmo de crescimento no segundo semestre, espera-se que seu desempenho no ano seja o melhor entre as classes de consumo, crescendo 5,8%. Na classe industrial, o consumo realizado no primeiro semestre apresenta-se ligeiramente inferior ao do mesmo período do ano anterior. As retrações concentraram-se nos três primeiros meses do ano e estão associadas principalmente à fabricação de automóveis, produção têxtil, extração de minerais não-metálicos e metalurgia. Com a continuidade da recuperação do consumo na indústria observada no segundo trimestre, espera-se que o resultado ao final do ano seja de crescimento de 2,3%. Nas residências, o consumo manteve-se estável no primeiro semestre, sem variação frente ao realizado em 2021. Considerando o comportamento entre os subsistemas, os crescimentos verificados no Norte e no Sul foram anulados pela queda do consumo no Nordeste e no Sudeste/Centro-Oeste. Nestes dois últimos subsistemas, condições climáticas mais amenas do que em 2021 contribuíram para a redução da demanda de eletricidade para climatização doméstica. Para o ano de 2022, o consumo residencial no conjunto dos subsistemas deve acumular montante 1,4% superior ao de 2021. O agregado das outras classes de consumo apresentou retração de 0,7% no total consumido até junho. Sobre esse resultado pesa especialmente a redução do consumo na classe rural, que responde por cerca de 40% do consumo agregado. Em 2022, espera-se tenha ligeiro

Previsões para a 2ª revisão quadrimestral da carga do PLAN 2022-2026

11 de agosto de 2022 crescimento do consumo deste agregado de classes, sendo essa taxa de 0,5%. No quinquênio, a expectativa é que a taxa média de crescimento do consumo total de eletricidade no SIN seja de 3,2%. Ressalta-se que as previsões consideram a interligação de Roraima ao SIN a partir de dezembro de 2024.

  1. Evolução da Carga do SIN e Subsistemas no período janeiro-setembro/2022 A dinâmica da carga do SIN durante os primeiros 7 meses do ano foi impactada por diversos fatores. Dentre esses, destaca-se a desaceleração de diversos segmentos da economia no período, decorrentes de problemas nas cadeias de suprimentos e de gargalos logísticos, a piora do quadro pandêmico com a chegada da variante Ômicron ao Brasil, a intensificação do conflito da Rússia contra a Ucrânia e pressões inflacionárias.
    Além disso, também contribuiu para o resultado da carga, a ocorrência de chuvas acompanhadas de temperaturas amenas em janeiro, atípicas para o período; temperaturas muito elevadas em março, provocando uma maior utilização dos equipamentos de refrigeração; o mês de maio com temperaturas abaixo do esperado para o mês em todo o subsistema Sul e parte do subsistema SE/CO. Merece também destaque as elevadas temperaturas ocorridas em julho, anômalas para o período. A junção de todos esses fatores colaborou para que a carga no período janeiro-julho, apresentasse variações positivas de 1,1% no SIN, 1,6% no SE/CO, 1,2% no Sul. O Nordeste apresentou variação negativa de 0,6% e no Norte variação foi positiva de 1,2%.
    Considerando os valores verificados da carga de energia de janeiro a junho, o valor estimado para julho e as previsões para os meses de agosto e setembro, realizadas no PMO de agosto/2022, a carga de energia do SIN registra, no período janeiro-setembro/2022, acréscimo de 0,8% sobre igual período de 2021.
  2. Previsão da carga de energia 2022-2025 A carga de energia do SIN prevista para o ano de 2022 deverá apresentar crescimento de 2,0% relativamente ao ano anterior, ou seja, 1411 MWmédios superior à carga verificada em 2021. Comparando com o valor previsto na 1ª Revisão Quadrimestral da carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2022-2026, para o ano de 2022, tem-se um aumento do valor previsto de 209 MWmédios.
    Considerando a interligação de Roraima ao SIN a partir de dezembro de 2024, prevê-se um crescimento médio anual da carga de energia do SIN de 3,4% ao ano no período 2022-2026, significando uma expansão média anual nos cinco anos de 2.521 MWmédios, atingindo em 2026 uma carga de 81.032 MWmédios no SIN.
    As Tabelas 2, 3 e 4, a seguir, resumem os valores previstos da carga de energia em MWmédios, as taxas de crescimento resultantes e os respectivos acréscimos de carga anuais por subsistema. A Tabela 5 mostra as diferenças entre as previsões de carga de energia, por subsistemas do SIN, para a 2ª Revisão Quadrimestral de 2022 e para a 1ª Revisão Quadrimestral de 2022 da carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2022-2026.

TABELAS ANEXAS

Tabela 1 20222023202420252026 1,9%1,0%2,3%2,5%2,5% 20222023202420252026 1,3%-0,9%0,0%0,0%0,0% Projeção anual do crescimento do PIB (% ) 2ª Revisão Quadrimestral 2022-2026 Diferença entre Taxas (% ) [2ªRQ 2002-2026] - [1ª RQ 2022-2026] Subsistema 2022 2023 2024 2025 2026 Norte 6.429

7.148

7.413

7.888

8.165

Nordeste 11.471

11.773

12.207

12.666

13.184

Sudeste/CO 40.657

41.523

42.839

44.250

45.604

Sul 12.392

12.710

13.145

13.608

14.079

SIN 70.948

73.154

75.604

78.412

81.032

Tabela 2 Carga de energia (MWmédios) 2ª Revisão Quadrimestral 2022-2026 Subsistema 2022 2023 2024 2025 2026 Norte 6,9% 11,2% 3,7% 6,4% 3,5% Nordeste 0,1% 2,6% 3,7% 3,8% 4,1% Sudeste/CO 1,8% 2,1% 3,2% 3,3% 3,1% Sul 2,2% 2,6% 3,4% 3,5% 3,5% SIN 2,0% 3,1% 3,3% 3,7% 3,3% Tabela 3 Carga de energia - Taxas de crescimento (% ao ano) 2ª Revisão Quadrimestral 2022-2026 Subsistema 2022 2023 2024 2025 2026 Norte 412 719 265 475 277 Nordeste 13 302 434 459 518 Sudeste/CO 716 867 1.315 1.411 1.354 Sul 270 318 435 463 471 SIN 1.411 2.206 2.449 2.809 2.620 Tabela 4 Carga de energia - Acréscimos/Decréscimos anuais (MWmédios) 2ª Revisão Quadrimestral 2022-2026 Subsistema 2022 2023 2024 2025 2026 Norte 134 117 163 432 489 Nordeste -193 -278 -282 -286 -294 Sudeste/CO 189 -138 -94 -42 -25 Sul 80 14 24 36 45 SIN 209 -286 -189 141 214 Tabela 5 Carga de Energia (MWmédio) Diferenças [2ªRQ 2002-2026] - [1ª RQ 2022-2026]