Previsões para a 2ª Revisão Quadrimestral da Carga do PLAN 2021–2025
03 de agosto de 2021
- Apresentação
Este informe tem como objetivo apresentar os principais resultados das previsões de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) para o período 2021-2025, no âmbito da 2ª Revisão Quadrimestral da Carga do PLAN 2021-2025, realizadas em conjunto por Empresa de Pesquisa Energética – EPE, Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE. As projeções foram atualizadas tomando como base a avaliação da conjuntura econômica e o monitoramento do consumo e carga até junho, valor estimado para julho e a previsão para agosto realizada no PMO de julho/2021. Além disso, foram considerados o contexto da pandemia da COVID-19, das Resenhas Mensais de Energia Elétrica da EPE, dos Boletins de Carga Mensais do ONS e dos InfoMercados Mensais da CCEE, bem como dos desvios entre os valores observados da carga e suas respectivas projeções elaboradas no Planejamento Anual da Operação Energética 2021-2025. - Panorama econômico
A economia global ainda sofre reflexos da pandemia da Covid-19, porém, com avanços na vacinação e a reabertura da economia, há perspectiva de uma forte recuperação neste ano de 2021, ainda que esse processo aconteça de forma heterogênea nos países. Tal contexto é positivo para a economia brasileira, que também deve apresentar retomada nesse ano.
As expectativas em relação à economia brasileira mudaram bastante em relação àquelas do momento de elaboração da 1ª Revisão Quadrimestral. Em março de 2020, a mediana do Focus para o PIB de 2021 se encontrava no patamar de 3%, já em meados de julho essa mesma projeção já estava em torno de 5%. Dentre os motivos que explicam essa melhora das projeções, estão o avanço na vacinação e a divulgação de dados realizados com resultados acima do esperado.
Um desses dados foi o PIB do 1ºtrimestre, que apresentou crescimento de 1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Pela ótica da demanda, os destaques foram a formação bruta de capital fixo, que cresceu 17%, e o consumo das famílias, que caiu 1,7%, influenciado pelo mercado de trabalho ainda enfraquecido. Já pelo lado da oferta, esse crescimento foi puxado pela agropecuária (5,2%) e pela indústria (3%), enquanto os serviços apresentaram queda pelo quinto trimestre consecutivo (-0,8%).
Em relação aos dados mensais, o IBC-BR mostrou uma forte recuperação (14,2%) em maio, comparado ao mesmo mês do ano anterior, ainda que tenha apresentado uma queda na margem (-0,4%). Além disso, os indicadores mensais do IBGE registraram taxas de crescimento bastante elevadas na comparação com o mesmo período de 2020, com efeito significativo da base de comparação deteriorada do ano anterior, em decorrência da eclosão da pandemia no país e do início das medidas de isolamento social em sua fase mais restritiva.
Em termos de percepção dos agentes, o indicador de confiança do consumidor registrou aumento em julho, porém ainda se encontra abaixo do patamar de 100 pontos (82,2 pontos), o que significa que o consumidor ainda está pessimista. Em relação à indústria, aos serviços e comércio, até o momento de divulgação deste boletim só estavam disponíveis os indicadores de confiança de junho, que indicaram elevações para todos os setores mencionados.
O resultado do PIB do 1º trimestre de 2021 acima do esperado na 1ª Revisão Quadrimestral gerou um carregamento estatístico maior para o PIB deste ano. Diante disso e de um contexto de avanço na campanha de vacinação, o PIB de 2021 foi revisado de 3,0% para 5,0%, mantendo-se as premissas de que uma parcela significativa da população estará vacinada no fim do ano e de que haverá continuidade da recuperação da atividade ao longo de 2021, com destaque para o setor de serviços no segundo semestre. Já para 2022, o PIB foi revisado de 2,8% para 2,3% em virtude da maior base em 2021 e dos potenciais efeitos negativos da política monetária mais restritiva na atividade econômica. É importante destacar que há riscos elevados para a concretização desse cenário associados à evolução pandemia da Covid-19 no Brasil e no mundo, além de fatores domésticos como: a evolução das contas públicas, a intensidade da escassez hídrica, os efeitos da aceleração da inflação e do aumento dos juros sobre a demanda e a velocidade de recuperação do mercado de trabalho.
Para os anos seguintes, espera-se uma elevação mais significativa da confiança dos agentes e recuperação do mercado de trabalho, que se refletirá em uma expansão da demanda interna mais intensa. A maior confiança dos agentes propiciará um crescimento mais significativo dos investimentos com destaque para o setor de infraestrutura, gerando reflexos positivos sobre a competitividade da economia. Diante desse contexto, espera-se que a economia cresça, em média, 3,2% a.a. entre 2021 e 2025. Em termos setoriais, a perspectiva é de médias de crescimento de 2,9% para a agropecuária, de 3,5% para a indústria e de 3,1% para serviços. A Tabela 1, ao final deste Boletim, resume as taxas de crescimento de PIB para o período 2021-2025. - Previsão de mercado de energia elétrica O consumo de energia elétrica no SIN terminou o 1º semestre do ano apresentando crescimento de 7,7% em comparação a igual período de
O avanço maior foi observado no consumo da Indústria, que realizou
aumento de 14,3%. Parte desse resultado se beneficiou pela base baixa
de comparação, sobretudo no 2º trimestre de 2020, afetada pela
paralisação parcial das atividades em decorrência da pandemia do
COVID-19. Por outro lado, a retomada no setor se deu em ritmo forte,
principalmente nos segmentos de metalurgia e de produção de
minerais não metálicos, além da produção de químicos.
No setor de Comércio e Serviços, com o progresso da vacinação e
atenuação das medidas de isolamento social, o consumo aumentou
4,3%. Entretanto, o patamar atual ainda é inferior ao pré-pandemia.
Mesmo com menor nível de isolamento social e, a despeito da alta taxa
de desemprego e do orçamento doméstico pressionado pela inflação, o
consumo na classe residencial subiu 4,9%, com resultado mais fraco
sendo observado somente no Sul. Há de ressaltar que, como não havia
efeitos significativos da pandemia até meados de março de 2020,
notou-se um incremento maior da classe residencial no primeiro
trimestre deste ano.
Nas outras classes de consumo, houve crescimento de 3,2% no
consumo agregado, com destaque para o consumo associado às
atividades rurais.
Frente ao realizado, o crescimento do consumo no SIN indicado na 1ª
Revisão Quadrimestral foi revisto para cima e espera-se que atinja 5%
em 2021.
O consumo industrial deve crescer 8,7%, sendo que a maior parte deste
resultado já foi realizado no 1º semestre.
Com a expectativa de que as atividades de Comércio e Serviços se
intensifiquem no próximo semestre, o consumo no setor deve alcançar
ao fim de 2021 montante 4,9% maior do que em 2020.
Já nas residências, espera-se que o consumo perca fôlego nos próximos
meses, não só por conta da incerteza relacionada à recuperação do
mercado de trabalho, mas também por efeito de base – as maiores
Previsões para a 2ª Revisão Quadrimestral da Carga do PLAN 2021–2025
03 de agosto de 2021 taxas em 2020 ocorreram no 2º semestre. Com isso, o aumento no consumo residencial em 2021 deve ser de 1,8%, praticamente refletindo apenas o ingresso de novas unidades consumidoras. Já no quinquênio de 2021 a 2025, prevê-se crescimento médio de 3,7% ao ano para o consumo no SIN, com um resultado um pouco mais moderado em 2022 do que no restante do período.
-
Evolução da Carga do SIN e Subsistemas no período janeiro-julho/2021 O 1º trimestre de 2021 foi marcado pela ocorrência de elevadas temperaturas em todos os Subsistemas e um agravamento da pandemia da covid-19 no Brasil com impacto no comportamento da carga durante os primeiros meses do ano. Sob reflexo do ciclo de commodities, demanda de bens e reposição de estoques, a produção industrial continuou em expansão ao longo do primeiro
semestre. Os fatores acima colaboraram para que a carga no período janeiro- junho, apresentasse um crescimento de 7,4% no SIN, 6,9% no SE/CO, 7,3% no Sul, 8,1% no Nordeste e 10,4% no Norte, quando comparado ao mesmo período do ano passado. Considerando os valores verificados da carga de energia de janeiro a maio, valor estimado para junho e a previsão para os meses de julho e agosto realizada no PMO de julho/2021, a carga de energia do SIN registra, no período janeiro-agosto/2021, acréscimo de 6,4% sobre igual período de 2020. -
Previsão da carga de energia 2021-2025 A carga de energia do SIN prevista para o ano de 2021 deverá apresentar um crescimento de 4,6% relativamente ao ano anterior, ou seja, 3101 MWmédios superior à carga verificada em 2020, situando- se 1001 MWmédios acima do valor previsto para a 1ª Revisão Quadrimestral da Carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2021-2025.
No período 2021-2025, prevê-se um crescimento médio anual da carga de energia do SIN de 3,7% ao ano, significando uma expansão média anual nos cinco anos de 2.625 MWmédios, atingindo em 2025 uma carga de 79.963 MWmédios no SIN. As Tabelas 2, 3 e 4, a seguir, resumem os valores previstos da carga de energia em MWmédios, as taxas de crescimento resultantes e os respectivos acréscimos de carga anuais por subsistema. A Tabela 5 mostra as diferenças entre as previsões de carga de energia, por subsistemas do SIN, para a 2ª Revisão Quadrimestral de 2021 para o PLAN 2021-2025 e para a 1ª Revisão Quadrimestral de 2021 para o PLAN 2021-2025
TABELAS ANEXAS
Tabela 1
20212022202320242025
5,0%2,3%2,8%2,9%3,0%
20212022202320242025
2,0%-0,5%0,0%0,0%0,0%
Projeção anual do crescimento do PIB (%)
2ªRevisão Quadrimestral 2021-2025
Diferença entre Taxas (%)
[2ªRQ 2021-2025] - [1ªRQ 2021-2025]
Subsistema20212022202320242025
Norte5.960 6.142 6.336 6.578 6.801
Nordeste11.474 11.839 12.313 12.807 13.317
Sudeste/CO40.332 41.435 42.887 44.327 45.841
Sul12.174 12.539 13.013 13.500 14.004
SIN69.940 71.955 74.550 77.212 79.963
Tabela 2
Carga de energia (MWmédios)
2ªRevisão Quadrimestral 2021-2025
Subsistema20212022202320242025
Norte6,4%3,1%3,1%3,8%3,4%
Nordeste5,7%3,2%4,0%4,0%4,0%
Sudeste/CO4,2%2,7%3,5%3,4%3,4%
Sul4,4%3,0%3,8%3,7%3,7%
SIN4,6%2,9%3,6%3,6%3,6%
Carga de energia - Taxas de crescimento (% ao ano)
2ªRevisão Quadrimestral 2020-2024
Tabela 3
Subsistema20212022202320242025
Norte357182193243222
Nordeste623365474494510
Sudeste/CO1.6121.1031.4521.4401.514
Sul510365475487504
SIN3.1012.0152.5952.6632.750
Tabela 4
Carga de energia - Acréscimos/Decréscimos anuais (MWmédios)
2ªRevisão Quadrimestral 2021-2025
Subsistema20212022202320242025
Norte
129102101103106
Nordeste
327300287270252
Sudeste/CO
224-74 -53 -33 -6
Sul
321336357381407
SIN
1.001665692722759
Tabela 5
Diferenças
[2ªRQ 2021-2025] - [1ªRQ 2021-2025]
Carga de Energia (MWmédio)