1ª Revisão Quadrimestral das Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2023-2027
11 de junho de 2024
- Apresentação
Este informe tem como objetivo apresentar os principais resultados das previsões de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) para o período 2024-2028, no âmbito da 1ª Revisão Quadrimestral do Planejamento Anual da Operação Energética - Ciclo 2024 (2024-2028), realizadas em conjunto pela Empresa de Pesquisa Energética – EPE, Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE. As projeções foram realizadas tomando como base a avaliação da conjuntura econômica, o monitoramento do consumo e da carga até fevereiro de 2024 através das Resenhas Mensais de Energia Elétrica da EPE, dos Boletins de Carga Mensais do ONS e dos InfoMercados Mensais da CCEE, bem como dos desvios entre os valores observados da carga e suas respectivas projeções elaboradas no início do ciclo do Planejamento Anual da Operação Energética 2024-2024, em novembro de 2023. Cabe ressaltar que os valores de carga e consumo apresentados estão considerando em sua composição a Micro e Minigeração Distribuída (MMGD). Para os valores realizados, a estimativa de geração considera as unidades geradoras existentes em fevereiro de 2023. Para os meses à frente, projeta-se a expansão desse tipo de geração utilizando-se como base a metodologia do modelo 4MD, como definido no Relatório Fase II do GT MMGD do CT PMO/PLD. - Panorama econômico
O cenário econômico internacional considerado traz uma perspectiva mais positiva para 2024. O melhor desempenho da economia americana e das principais economias emergentes no segundo semestre de 2023 contribuíram para a revisão das expectativas de crescimento da economia global para o ano corrente. No último relatório World Economic Outlook, publicado pelo FMI, em janeiro de 2024, a projeção de crescimento global de 2024 passou de 2,9% para 3,1%. Apesar da melhora nas expectativas, é importante destacar que a expansão projetada para 2024 se encontra abaixo da média de crescimento mundial observada entre 2000 e 2019 (3,8%). Para o quinquênio, espera-se um crescimento de 3,1% do PIB global. Quanto à inflação, espera-se uma continuidade do processo de desaceleração da inflação e do arrefecimento das políticas monetárias restritivas.
No que diz respeito ao cenário doméstico, o PIB do 4° trimestre de 2023 apresentou um crescimento de 2,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Sob a ótica da oferta, não houve crescimento do setor agropecuário (0,0%), mas a indústria (2,9%) e os serviços (1,9%) tiveram um desempenho acima do esperado. Pela ótica da demanda, as exportações (7,3%) e o consumo do governo (3,0%) foram os que apresentaram as maiores taxas de expansão. Por outro lado, a formação bruta de capital fixo (-4,4%) e as importações (-0,9%) apresentaram decréscimo. No período entre o PLAN 2024-2028 e a 1ª Revisão Quadrimestral, não houve mudanças relevantes na conjuntura econômica, por isso as principais premissas adotadas no primeiro estudo foram mantidas. Além disso, o resultado de crescimento do PIB de 2023 ficou no patamar esperado, fechando o ano com 2,9% de variação. Diante disso, foi mantida a taxa de crescimento prevista no PLAN para 2024 de 2,0%.
Em termos setoriais, no entanto, houve revisão das taxas para 2024. Diante das perspectivas de queda em culturas relevantes como o milho e a cana-de-açúcar e de um desempenho mais modesto da cultura da soja, ao invés de um crescimento de 1,5% para o setor agropecuário, projeta-se uma redução de -2,0%. Para o setor de serviços e a indústria foram mantidas as premissas qualitativas, mas em função dos resultados apresentados no 4º trimestre de 2023, houve um pequeno ajuste das projeções: indústria (de 1,9% para 2,0%) e serviços (2,1% para 2,3%).
Cabe mencionar que a inflação sob controle e a expectativa de continuidade do ciclo de redução da taxa Selic tendem a estimular a expansão da atividade econômica. Entretanto, o ainda elevado endividamento das famílias pode limitar essa expansão. Além disso, políticas como Bolsa Família e a valorização do salário-mínimo deve continuar gerando estímulos para a demanda interna. O cenário externo favorável também deve continuar contribuindo para um bom resultado das contas externas.
Para o cenário de médio prazo, também foram mantidas as principais premissas adotadas no PLAN 2024-2028. De uma forma geral, espera- se para o próximo quinquênio um ambiente com maior estabilidade e confiança dos agentes, com inflação sob controle e um contexto global menos instável. Além disso, espera-se que a aprovação da reforma tributária no ano passado gere impactos positivos nos investimentos e na produtividade da economia, sobretudo a médio e longo prazo. Em decorrência disso, a expectativa é de um aumento mais consistente da demanda interna e de um crescimento econômico mais expressivo.
Em termos setoriais, espera-se uma expansão mais significativa dos serviços e da indústria, incluindo a indústria de transformação e a construção civil. Também há perspectiva de um bom desempenho dos setores exportadores de commodities nas quais o Brasil tem vantagem competitiva, em especial no segmento da indústria extrativa, produtos agropecuários e bioinsumos.
Diante desse contexto, projeta-se que a economia brasileira irá crescer, em média, 2,4% a.a. nos próximos cinco anos. Do ponto de vista setorial, espera-se um crescimento médio de 2,0% para a agropecuária, 2,3% para a indústria e 2,5% para os serviços nesse período. A Tabela 1, ao final deste documento, apresenta as taxas de expansão do PIB para o quinquênio 2024-2028. É importante destacar, no entanto, que há riscos relevantes para a concretização do cenário apresentado, como questões geopolíticas, eventos climáticos extremos, crises sanitárias, questões fiscais, bem como incertezas políticas e econômicos. - Previsão de mercado de energia elétrica O consumo de eletricidade no SIN somou até fevereiro 95.445 GWh, incluindo a parcela de MMGD não injetada na rede e que corresponde ao autoconsumo instantâneo à geração. O montante verificado nos dois primeiros meses do ano foi 9,4% maior que em mesmo período de
Notou-se o consumo ainda bastante influenciado pelas condições
climáticas associadas ao fenômeno El Niño, dessa forma foram
observados crescimentos altos nas classes residencial e comercial, com
taxas de 14,3% e 11,1% respectivamente. Assim como o aumento de
6,4% no consumo agregado de diferentes classes foi devido em grande
parte ao consumo Rural e das Administrações Públicas. Já na classe
Industrial, menos influenciada por fator climático, o consumo
apresentou crescimento de 5,7%, resultado, entretanto, que
contabiliza o dia a mais de fevereiro de 2024 (ano bissexto). Mesmo
expurgado este efeito,a taxa indica atividade mais dinâmica do que no
ano anterior.
A intensidade do El Niño deve perder força no decorrer dos próximos
meses e cessar sua influência ainda no primeiro semestre do ano.
Sendo assim, é de se esperar que as taxas no segundo semestre sejam
mais moderadas, refletindo inclusive o efeito da base elevada do ano
anterior quando o fenômeno teve início.
Do ponto de vista econômico, há aspectos relacionados à demanda
interna e ao comércio exterior, pontuados no item anterior, que
contribuem para o crescimento do consumo de eletricidade em 2024.
Na classe residencial, em que pesam sobretudo fatores relacionados ao
mercado de trabalho e endividamento das famílias, o consumo de
eletricidade deve ter aumento de 3,1%.
Alinhado também aos condicionantes da economia doméstica, a
expectativa para o consumo no setor de Comércio e Serviços é de que
cresça 3,8%.
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Na indústria, alguns segmentos eletrointensivos mais afetados pela
dinâmica do comércio de commodities ainda devem ter desempenho
acima da média da classe, tendo, portanto, importante contribuição
para o crescimento de 3,5%.
O desempenho do agregado das demais classes, passada a influência
do El Niño no regime de chuvas, deve ajustar-se mais ao consumo
associado a edificações e serviços públicos e ter aumento de 4,1% no
consumo.
O montante de eletricidade consumido no SIN deve totalizar
560.333 GWh em 2024. Estima-se que 18.283 GWh desse total seja
suprido pela MMGD não injetada na rede de distribuição.
No quinquênio de 2024 a 2028, a expectativa é que a taxa média de
crescimento no consumo total de eletricidade no SIN seja de 3,4% ao
ano. Destaca-se ainda no período a interligação de Roraima em janeiro
de 2026.
4. Evolução da Carga do SIN e Subsistemas no período
janeiro-maio/2024
A ocorrência de temperaturas acima da média histórica, nas regiões
Sudeste/c. Oeste e Sul, causadas pelo fenômeno meteorológico do El
Niño, influenciou positivamente a dinâmica da carga no mês de janeiro
e na primeira quinzena do mês de fevereiro de 2024. Especificamente
para o mês de março, o impacto positivo em consequência da onda de
calor no Sudeste/C. Oeste e Sul, entre a segunda e terceira semana do
mês. Nos subsistemas Norte e Nordeste, o impacto na carga em função
do registro de temperaturas mínimas e máximas acima da média
histórica, foi compensado, parcialmente, pela ocorrência de menos dias
úteis em março de 2024 quando comparado com o mesmo mês do ano
anterior.
Além dos fatores meteorológicos, o comportamento da carga do SIN,
no primeiro trimestre, também foi impactado pelo comportamento dos
indicadores econômicos. A estabilidade observada nos Indicadores de
Confiança da FGV IBRE ao longo do 1º trimestre de 2024 reflete o atual
cenário macroeconômico de manutenção da tendência de queda na
taxa de juros, de controle inflacionário, de avanço do mercado de
trabalho, redução do endividamento das famílias e de descompressão
de custos. O avanço da atividade econômica pode ser percebido através
do crescimento do setor de comércio, da produção industrial e do nível
de utilização da capacidade instalada da indústria no primeiro trimestre
de 2024.
A junção dos fatores mencionados, provocaram no 1º trimestre de
2024, um aumento de 6,3% na carga do SIN e do subsistema SE/CO,
1,6% no Sul, 7,9% no Nordeste e 9,4% no Norte, em relação ao mesmo
período do ano anterior. Considerando os valores verificados da carga
de energia de janeiro a fevereiro, valor estimado para a carga de março
e as previsões realizadas para os meses de abril e maio no PMO de
abril/2024, a carga de energia do SIN registra, no período janeiro-
maio/2023, acréscimo de 6,6%% sobre igual período de 2023. Para os
subsistemas, o acréscimo esperado é de 6,4% no SE/CO, 2,2% no Sul,
7,6% no Nordeste e 8,2% no Norte quando comparado com igual
período de 2023.
5. Previsão da carga de energia 2024-2028
A carga de energia do SIN, prevista para o ano de 2024, deverá
apresentar um crescimento de 3,8% relativamente ao ano anterior, ou
seja,
2.891 MWmédios superior à carga verificada em 2023, situando-se 367
MWmédios acima do valor previsto para a carga no Planejamento Anual
da Operação Energética 2024-2028.
Considerando a interligação de Roraima ao SIN a partir de janeiro de
2026, prevê-se um crescimento médio anual da carga de energia do
SIN, no período 2024-2028, de 3,2% ao ano, significando uma
expansão média anual nos cinco anos de 2.6 MWmédios, atingindo em
2028 uma carga de 89.257 MWmédios no SIN.
As Tabelas 2, 3 e 4, a seguir, resumem os valores previstos da carga
de energia, em MWmédios, as taxas de crescimento resultantes e os
respectivos acréscimos de carga anuais por subsistema. A Tabela 5
mostra as diferenças entre as previsões de carga de energia, por
subsistemas do SIN, para esta revisão e para o Planejamento Anual da
Operação Energética 2024-2028 (PLAN 2024-2028).
TABELAS ANEXAS Tabela 1
Tabela 2
Inclui MMGD
Tabela 3
Tabela 4
20242025202620272028 2,0%2,2%2,3%2,5%3,0% 20242025202620272028 0,0%0,0%0,0%0,0%0,0% Projeção anual do crescim ento do PIB (%) 1ª Revisão Quadrim estral 2024-2028 Diferença entre Taxas (%) [1ªRQ 2024-2028] - [PLAN 2024-2028] Subsistema 2024 2025 2026 2027 2028 Norte 7.681
7.964
8.394
8.619
8.905
Nordeste 12.967
13.468
13.972
14.443
14.951
Sudeste/CO 44.744
45.965
47.242
48.598
50.101
Sul 13.422
13.848
14.290
14.763
15.299
SIN 78.814
81.245
83.898
86.423
89.257
1ª Revisão Quadrimestral 2024-2028 Carga global de energia (MWmédios) Subsistema 2024 2025 2026 2027 2028 Norte 6,6% 3,7% 5,4% 2,7% 3,3% Nordeste 3,8% 3,9% 3,7% 3,4% 3,5% Sudeste/CO 3,7% 2,7% 2,8% 2,9% 3,1% Sul 2,7% 3,2% 3,2% 3,3% 3,6% SIN 3,8% 3,1% 3,3% 3,0% 3,3% Carga de energia - Taxas de crescimento (% ao ano) 1ª Revisão Quadrimestral 2024-2028
1ª Revisão Quadrimestral das Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2023-2027
11 de junho de 2024 Tabela 5
Tabela 6
Considera expansão da base
Subsistema 2024 2025 2026 2027 2028 Norte 6 -34 -52 -54 -51 Nordeste 18 14 11 7 2 Sudeste/CO 363 370 385 392 397 Sul -21 -42 -65 -89 -114 SIN 367 308 279 257 234 Carga de Energia (MWmédio) Diferenças [1ªRQ 2024-2028] - [PLAN 2024-2028] Subsistema 2024 2025 2026 2027 2028 Norte 331 385 439 478 513 Nordeste 920 1.064 1.171 1.252 1.322 Sudeste/CO 2.460 2.761 2.996 3.199 3.397 Sul 1.094 1.153 1.187 1.211 1.235 SIN 4.805 5.364 5.794 6.140 6.467 Carga de energia de MMGD (MWmédios) 1ª Revisão Quadrimestral 2024-2028