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BOLETIM TÉCNICO - 1ª REVISÃO QUADRIMESTRAL DA CARGA DO PLAN 2024-2028

Emitido por elety
Assinado em 18/08/2026
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1ª Revisão Quadrimestral das Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2023-2027

11 de junho de 2024

  1. Apresentação
    Este informe tem como objetivo apresentar os principais resultados das previsões de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) para o período 2024-2028, no âmbito da 1ª Revisão Quadrimestral do Planejamento Anual da Operação Energética - Ciclo 2024 (2024-2028), realizadas em conjunto pela Empresa de Pesquisa Energética – EPE, Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE. As projeções foram realizadas tomando como base a avaliação da conjuntura econômica, o monitoramento do consumo e da carga até fevereiro de 2024 através das Resenhas Mensais de Energia Elétrica da EPE, dos Boletins de Carga Mensais do ONS e dos InfoMercados Mensais da CCEE, bem como dos desvios entre os valores observados da carga e suas respectivas projeções elaboradas no início do ciclo do Planejamento Anual da Operação Energética 2024-2024, em novembro de 2023. Cabe ressaltar que os valores de carga e consumo apresentados estão considerando em sua composição a Micro e Minigeração Distribuída (MMGD). Para os valores realizados, a estimativa de geração considera as unidades geradoras existentes em fevereiro de 2023. Para os meses à frente, projeta-se a expansão desse tipo de geração utilizando-se como base a metodologia do modelo 4MD, como definido no Relatório Fase II do GT MMGD do CT PMO/PLD.
  2. Panorama econômico
    O cenário econômico internacional considerado traz uma perspectiva mais positiva para 2024. O melhor desempenho da economia americana e das principais economias emergentes no segundo semestre de 2023 contribuíram para a revisão das expectativas de crescimento da economia global para o ano corrente. No último relatório World Economic Outlook, publicado pelo FMI, em janeiro de 2024, a projeção de crescimento global de 2024 passou de 2,9% para 3,1%. Apesar da melhora nas expectativas, é importante destacar que a expansão projetada para 2024 se encontra abaixo da média de crescimento mundial observada entre 2000 e 2019 (3,8%). Para o quinquênio, espera-se um crescimento de 3,1% do PIB global. Quanto à inflação, espera-se uma continuidade do processo de desaceleração da inflação e do arrefecimento das políticas monetárias restritivas.
    No que diz respeito ao cenário doméstico, o PIB do 4° trimestre de 2023 apresentou um crescimento de 2,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Sob a ótica da oferta, não houve crescimento do setor agropecuário (0,0%), mas a indústria (2,9%) e os serviços (1,9%) tiveram um desempenho acima do esperado. Pela ótica da demanda, as exportações (7,3%) e o consumo do governo (3,0%) foram os que apresentaram as maiores taxas de expansão. Por outro lado, a formação bruta de capital fixo (-4,4%) e as importações (-0,9%) apresentaram decréscimo. No período entre o PLAN 2024-2028 e a 1ª Revisão Quadrimestral, não houve mudanças relevantes na conjuntura econômica, por isso as principais premissas adotadas no primeiro estudo foram mantidas. Além disso, o resultado de crescimento do PIB de 2023 ficou no patamar esperado, fechando o ano com 2,9% de variação. Diante disso, foi mantida a taxa de crescimento prevista no PLAN para 2024 de 2,0%.
    Em termos setoriais, no entanto, houve revisão das taxas para 2024. Diante das perspectivas de queda em culturas relevantes como o milho e a cana-de-açúcar e de um desempenho mais modesto da cultura da soja, ao invés de um crescimento de 1,5% para o setor agropecuário, projeta-se uma redução de -2,0%. Para o setor de serviços e a indústria foram mantidas as premissas qualitativas, mas em função dos resultados apresentados no 4º trimestre de 2023, houve um pequeno ajuste das projeções: indústria (de 1,9% para 2,0%) e serviços (2,1% para 2,3%).
    Cabe mencionar que a inflação sob controle e a expectativa de continuidade do ciclo de redução da taxa Selic tendem a estimular a expansão da atividade econômica. Entretanto, o ainda elevado endividamento das famílias pode limitar essa expansão. Além disso, políticas como Bolsa Família e a valorização do salário-mínimo deve continuar gerando estímulos para a demanda interna. O cenário externo favorável também deve continuar contribuindo para um bom resultado das contas externas.
    Para o cenário de médio prazo, também foram mantidas as principais premissas adotadas no PLAN 2024-2028. De uma forma geral, espera- se para o próximo quinquênio um ambiente com maior estabilidade e confiança dos agentes, com inflação sob controle e um contexto global menos instável. Além disso, espera-se que a aprovação da reforma tributária no ano passado gere impactos positivos nos investimentos e na produtividade da economia, sobretudo a médio e longo prazo. Em decorrência disso, a expectativa é de um aumento mais consistente da demanda interna e de um crescimento econômico mais expressivo.
    Em termos setoriais, espera-se uma expansão mais significativa dos serviços e da indústria, incluindo a indústria de transformação e a construção civil. Também há perspectiva de um bom desempenho dos setores exportadores de commodities nas quais o Brasil tem vantagem competitiva, em especial no segmento da indústria extrativa, produtos agropecuários e bioinsumos.
    Diante desse contexto, projeta-se que a economia brasileira irá crescer, em média, 2,4% a.a. nos próximos cinco anos. Do ponto de vista setorial, espera-se um crescimento médio de 2,0% para a agropecuária, 2,3% para a indústria e 2,5% para os serviços nesse período. A Tabela 1, ao final deste documento, apresenta as taxas de expansão do PIB para o quinquênio 2024-2028. É importante destacar, no entanto, que há riscos relevantes para a concretização do cenário apresentado, como questões geopolíticas, eventos climáticos extremos, crises sanitárias, questões fiscais, bem como incertezas políticas e econômicos.
  3. Previsão de mercado de energia elétrica O consumo de eletricidade no SIN somou até fevereiro 95.445 GWh, incluindo a parcela de MMGD não injetada na rede e que corresponde ao autoconsumo instantâneo à geração. O montante verificado nos dois primeiros meses do ano foi 9,4% maior que em mesmo período de

Notou-se o consumo ainda bastante influenciado pelas condições climáticas associadas ao fenômeno El Niño, dessa forma foram observados crescimentos altos nas classes residencial e comercial, com taxas de 14,3% e 11,1% respectivamente. Assim como o aumento de 6,4% no consumo agregado de diferentes classes foi devido em grande parte ao consumo Rural e das Administrações Públicas. Já na classe Industrial, menos influenciada por fator climático, o consumo apresentou crescimento de 5,7%, resultado, entretanto, que contabiliza o dia a mais de fevereiro de 2024 (ano bissexto). Mesmo expurgado este efeito,a taxa indica atividade mais dinâmica do que no ano anterior.
A intensidade do El Niño deve perder força no decorrer dos próximos meses e cessar sua influência ainda no primeiro semestre do ano. Sendo assim, é de se esperar que as taxas no segundo semestre sejam mais moderadas, refletindo inclusive o efeito da base elevada do ano anterior quando o fenômeno teve início. Do ponto de vista econômico, há aspectos relacionados à demanda interna e ao comércio exterior, pontuados no item anterior, que contribuem para o crescimento do consumo de eletricidade em 2024. Na classe residencial, em que pesam sobretudo fatores relacionados ao mercado de trabalho e endividamento das famílias, o consumo de eletricidade deve ter aumento de 3,1%. Alinhado também aos condicionantes da economia doméstica, a expectativa para o consumo no setor de Comércio e Serviços é de que cresça 3,8%.

1ª Revisão Quadrimestral das Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2023-2027

11 de junho de 2024 Na indústria, alguns segmentos eletrointensivos mais afetados pela dinâmica do comércio de commodities ainda devem ter desempenho acima da média da classe, tendo, portanto, importante contribuição para o crescimento de 3,5%. O desempenho do agregado das demais classes, passada a influência do El Niño no regime de chuvas, deve ajustar-se mais ao consumo associado a edificações e serviços públicos e ter aumento de 4,1% no consumo. O montante de eletricidade consumido no SIN deve totalizar 560.333 GWh em 2024. Estima-se que 18.283 GWh desse total seja suprido pela MMGD não injetada na rede de distribuição. No quinquênio de 2024 a 2028, a expectativa é que a taxa média de crescimento no consumo total de eletricidade no SIN seja de 3,4% ao ano. Destaca-se ainda no período a interligação de Roraima em janeiro de 2026. 4. Evolução da Carga do SIN e Subsistemas no período janeiro-maio/2024 A ocorrência de temperaturas acima da média histórica, nas regiões Sudeste/c. Oeste e Sul, causadas pelo fenômeno meteorológico do El Niño, influenciou positivamente a dinâmica da carga no mês de janeiro e na primeira quinzena do mês de fevereiro de 2024. Especificamente para o mês de março, o impacto positivo em consequência da onda de calor no Sudeste/C. Oeste e Sul, entre a segunda e terceira semana do mês. Nos subsistemas Norte e Nordeste, o impacto na carga em função do registro de temperaturas mínimas e máximas acima da média histórica, foi compensado, parcialmente, pela ocorrência de menos dias úteis em março de 2024 quando comparado com o mesmo mês do ano anterior.
Além dos fatores meteorológicos, o comportamento da carga do SIN, no primeiro trimestre, também foi impactado pelo comportamento dos indicadores econômicos. A estabilidade observada nos Indicadores de Confiança da FGV IBRE ao longo do 1º trimestre de 2024 reflete o atual cenário macroeconômico de manutenção da tendência de queda na taxa de juros, de controle inflacionário, de avanço do mercado de trabalho, redução do endividamento das famílias e de descompressão de custos. O avanço da atividade econômica pode ser percebido através do crescimento do setor de comércio, da produção industrial e do nível de utilização da capacidade instalada da indústria no primeiro trimestre de 2024.
A junção dos fatores mencionados, provocaram no 1º trimestre de 2024, um aumento de 6,3% na carga do SIN e do subsistema SE/CO, 1,6% no Sul, 7,9% no Nordeste e 9,4% no Norte, em relação ao mesmo período do ano anterior. Considerando os valores verificados da carga de energia de janeiro a fevereiro, valor estimado para a carga de março e as previsões realizadas para os meses de abril e maio no PMO de abril/2024, a carga de energia do SIN registra, no período janeiro- maio/2023, acréscimo de 6,6%% sobre igual período de 2023. Para os subsistemas, o acréscimo esperado é de 6,4% no SE/CO, 2,2% no Sul, 7,6% no Nordeste e 8,2% no Norte quando comparado com igual período de 2023. 5. Previsão da carga de energia 2024-2028 A carga de energia do SIN, prevista para o ano de 2024, deverá apresentar um crescimento de 3,8% relativamente ao ano anterior, ou seja,
2.891 MWmédios superior à carga verificada em 2023, situando-se 367 MWmédios acima do valor previsto para a carga no Planejamento Anual da Operação Energética 2024-2028.
Considerando a interligação de Roraima ao SIN a partir de janeiro de 2026, prevê-se um crescimento médio anual da carga de energia do SIN, no período 2024-2028, de 3,2% ao ano, significando uma expansão média anual nos cinco anos de 2.6 MWmédios, atingindo em 2028 uma carga de 89.257 MWmédios no SIN. As Tabelas 2, 3 e 4, a seguir, resumem os valores previstos da carga de energia, em MWmédios, as taxas de crescimento resultantes e os respectivos acréscimos de carga anuais por subsistema. A Tabela 5 mostra as diferenças entre as previsões de carga de energia, por subsistemas do SIN, para esta revisão e para o Planejamento Anual da Operação Energética 2024-2028 (PLAN 2024-2028).

TABELAS ANEXAS Tabela 1

Tabela 2

Inclui MMGD

Tabela 3

Tabela 4

20242025202620272028 2,0%2,2%2,3%2,5%3,0% 20242025202620272028 0,0%0,0%0,0%0,0%0,0% Projeção anual do crescim ento do PIB (%) 1ª Revisão Quadrim estral 2024-2028 Diferença entre Taxas (%) [1ªRQ 2024-2028] - [PLAN 2024-2028] Subsistema 2024 2025 2026 2027 2028 Norte 7.681

7.964

8.394

8.619

8.905

Nordeste 12.967

13.468

13.972

14.443

14.951

Sudeste/CO 44.744

45.965

47.242

48.598

50.101

Sul 13.422

13.848

14.290

14.763

15.299

SIN 78.814

81.245

83.898

86.423

89.257

1ª Revisão Quadrimestral 2024-2028 Carga global de energia (MWmédios) Subsistema 2024 2025 2026 2027 2028 Norte 6,6% 3,7% 5,4% 2,7% 3,3% Nordeste 3,8% 3,9% 3,7% 3,4% 3,5% Sudeste/CO 3,7% 2,7% 2,8% 2,9% 3,1% Sul 2,7% 3,2% 3,2% 3,3% 3,6% SIN 3,8% 3,1% 3,3% 3,0% 3,3% Carga de energia - Taxas de crescimento (% ao ano) 1ª Revisão Quadrimestral 2024-2028

1ª Revisão Quadrimestral das Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2023-2027

11 de junho de 2024 Tabela 5

Tabela 6

Considera expansão da base

Subsistema 2024 2025 2026 2027 2028 Norte 6 -34 -52 -54 -51 Nordeste 18 14 11 7 2 Sudeste/CO 363 370 385 392 397 Sul -21 -42 -65 -89 -114 SIN 367 308 279 257 234 Carga de Energia (MWmédio) Diferenças [1ªRQ 2024-2028] - [PLAN 2024-2028] Subsistema 2024 2025 2026 2027 2028 Norte 331 385 439 478 513 Nordeste 920 1.064 1.171 1.252 1.322 Sudeste/CO 2.460 2.761 2.996 3.199 3.397 Sul 1.094 1.153 1.187 1.211 1.235 SIN 4.805 5.364 5.794 6.140 6.467 Carga de energia de MMGD (MWmédios) 1ª Revisão Quadrimestral 2024-2028