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Boletim Técnico: 1ª Revisão Quadrimestral 2021-2025

Emitido por elety
Assinado em 18/08/2026
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Previsões de carga para a 1ª Revisão Quadrimestral da Carga 2021 – 2025

06 de abril de 2021

  1. Apresentação
    Este informe tem como objetivo apresentar os principais resultados das previsões de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) para o período 2021-2025, no âmbito da 1ª Revisão Quadrimestral da Carga do PLAN 2021-2025, realizadas em conjunto por Empresa de Pesquisa Energética – EPE, Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE. As projeções foram atualizadas tomando como base a avaliação da conjuntura econômica e o monitoramento do consumo e carga até fevereiro, valor estimado para março e a previsão para os meses de abril e maio realizada no PMO de abril/2021. Além disso, foram considerados o contexto da pandemia da COVID-19, das Resenhas Mensais de Energia Elétrica da EPE, dos Boletins de Carga Mensais do ONS e dos InfoMercados Mensais da CCEE, bem como dos desvios entre os valores observados da carga e suas respectivas projeções elaboradas no Planejamento Anual da Operação Energética 2021-2025.
  2. Panorama econômico
    Pouco mais de um ano após a eclosão da pandemia do novo coronavírus (COVID-19), que reverteu profundamente o cenário nacional e mundial, as incertezas relacionadas ao futuro da pandemia e da economia ainda são elevadas. Após uma recuperação significativa da atividade ao longo do segundo semestre de 2020, impulsionada pelas políticas implementadas de combate à crise e pela recuperação de algumas economias internacionais como a China, os dados iniciais de 2021 indicam um arrefecimento do ritmo de crescimento, com perspectiva de queda para o primeiro trimestre. Dentre os fatores que explicam essa reversão estão a redução da demanda em função do fim do auxílio emergencial e da aceleração da inflação nos últimos meses de 2020 e o aumento da incerteza relacionada a uma nova onda de contágio da COVID-19 e de medidas de isolamento social em vários estados do país.
    Em 2020, o PIB brasileiro caiu 4,1% contra 2019. Analisando esse número de forma desagregada é possível notar que os impactos da pandemia ocorreram de forma heterogênea entre os setores, com os serviços sendo impactados de forma mais intensa (-4,5%) do que os demais, diretamente afetado pelas medidas de isolamento social e restrições à circulação de pessoas. A indústria, que caiu bastante no segundo trimestre, apresentou retomada mais acelerada e recuperou parte importante dessas perdas, encerrando 2020 com retração de 3,5%. Já a agropecuária apresentou crescimento de 2,0%, beneficiada pelas exportações.
    Em relação ao ano de 2021, no momento de elaboração deste boletim ainda havia poucos dados de atividade publicados. Os indicadores para o mês de janeiro do IBGE apontam que os serviços (PMS) mantiveram a trajetória de retração (-4,7%) e o comércio (PMC) apresentou a primeira queda (-0,3%) após 7 meses de alta, na comparação contra o mesmo período do ano anterior. Por outro lado, a indústria expandiu 2,0% nessa mesma base de comparação, com grande participação da produção de bens de capital e intermediários, o que pode refletir um movimento para recomposição dos estoques, que se encontravam em níveis muito baixos no final de 2020. Por outro lado, a produção de bens de consumo duráveis e não duráveis retraiu. O indicador de atividade agregada do Banco Central (IBC-Br) registrou queda de 0,46% contra janeiro de 2020, embora tenha apresentado crescimento na margem.
    Em termos de percepção dos agentes, os indicadores de confiança da FGV registraram redução em janeiro, fevereiro e março tanto para o consumidor quanto para a indústria. Em relação aos serviços e comércio, até o momento de divulgação deste boletim só estavam disponíveis os indicadores de confiança de fevereiro, que indicaram uma queda para serviços e um crescimento suave para o comércio após queda em janeiro.
    O resultado do PIB de 2020 acima do esperado no PLAN 2021-2025 gerou um carregamento estatístico maior para o PIB deste ano. No entanto, a expectativa de queda no primeiro trimestre compensa parte desse carregamento, levando à uma revisão da projeção de 2021 de 3,3% para 3,0%, mantendo-se a premissa de recuperação da atividade ao longo de 2021, sobretudo do setor de serviços. No entanto, é importante destacar que há riscos elevados para a concretização desse cenário associados à situação fiscal deteriorada do país, a uma recuperação ainda lenta do mercado de trabalho, à intensidade da nova onda da pandemia no Brasil e à velocidade de vacinação da população brasileira. A partir de 2022, espera-se que um ambiente econômico mais estável propicie uma elevação da confiança dos agentes, recuperação do mercado de trabalho e expansão da demanda doméstica. A maior estabilidade econômica permitirá uma retomada mais significativa dos investimentos nos próximos anos, com destaque para o setor de infraestrutura, gerando efeitos positivos sobre a produtividade da economia Diante desse contexto, espera-se que a economia cresça, em média, 2,9% a.a. entre 2021 e 2025. Em termos setoriais, a perspectiva é de médias de crescimento de 2,9% para a agropecuária, de 3,5% para a indústria e de 2,8% para serviços. A Tabela 1, ao final deste Boletim, resume as taxas de crescimento de PIB para o período 2021-2025.
  3. Previsão de mercado de energia elétrica Em meados de março/2020, começaram a ser registrados em território nacional medidas de isolamento social relacionadas à pandemia do COVID-19. O vale da crise nas estatísticas de consumo manifestou-se no segundo trimestre, momento no qual houve sincronismo das medidas restritivas por todo o território nacional. Nos meses subsequentes, o ritmo e regras distintas para a retomada das atividades, bem como o nível de cumprimento destas regras, corroboraram para defasagem das curvas de contágio entre localidades. Tais movimentos resultam do conjunto de distintos efeitos nas classes de consumo. Com as medidas restritivas de combate à disseminação do vírus, as classes comercial e industrial operaram em baixos níveis de atividade. Em alguns casos, estabelecimentos e plantas paralisaram as operações, sobretudo os serviços não essenciais. O consumo da classe comercial foi o mais impactado, registrando queda de 10,6% em relação ao consumo anual de 2019. Vale destacar que tal resultado se assemelha ao patamar de consumo desta classe no ano de 2013. Por outro lado, a maior permanência das pessoas em casa levou ao aumento da autoconstrução aquecendo segmentos industriais fornecedores de insumos básicos da construção, corroborando taxas (mês contra mês do ano anterior) positivas para indústria no segundo semestre, atenuando a queda do consumo industrial para -1,1%. Adicionalmente, mais horas em ambiente domiciliar levaram ao aumento da posse e a intensificação no uso dos eletrodomésticos registrando, conjuntamente ao acréscimo de novas unidades residenciais, crescimento do consumo da classe residencial no SIN de 4,0% em 2020. Já em 2021, o período de janeiro-fevereiro registrou crescimento de 2,1% do consumo no SIN com relação ao mesmo período de 2020. Tal crescimento apoia-se sobre a continuidade de retomada da indústria, desde o 2º semestre de 2020, sobretudo nos segmentos de metalurgia, fabricação de produtos químicos e fabricação de produtos de minerais não-metálicos. Ressalta-se que ainda sob influência da pandemia as classes residencial e comercial demonstraram sinais antagônicos porém

Previsões de carga para a 1ª Revisão Quadrimestral da Carga 2021 – 2025

06 de abril de 2021 de mesma magnitude, registrando em conjunto com as outras classes estabilidade no consumo no 1º bimestre deste ano. A previsão de consumo no SIN para 2021, dada a dinâmica econômica cenarizada, configura crescimento de 3,1%, puxada pela continuidade de retomada da indústria via aumento do nível de utilização da capacidade já instalada. Além disso, espera-se no curto prazo, condições ainda vantajosas para os setores exportadores de commodities frente ao câmbio favorável à exportação bem como recuperação do comércio internacional. Já para as classes residencial e comercial, espera-se volta ao trabalho presencial e circulação de pessoas nos estabelecimentos comerciais varejistas, hotéis, restaurantes entre outros segmentos ao longo do horizonte à medida em que a vacinação no Brasil vá ocorrendo. Dessa forma, as taxas das classes residencial e comercial são fortemente influenciadas pelas bases de 2020. Para o restante do horizonte, no entanto, foram mantidas de modo geral as premissas definidas no PLAN 2021-2025. 4. Evolução da Carga do SIN e Subsistemas no período janeiro-maio/2021 O avanço de uma nova onda de covid-19 apresentou impacto significativo no comportamento da carga durante os primeiros meses do ano. A manutenção da expansão da produção industrial, ainda que em níveis inferiores aos que vinham sendo observados no ano de 2020 e as elevadas temperaturas observadas no período jan-mar, que tiveram reflexo direto no uso intensivo dos aparelhos de ventilação e refrigeração, amenizaram os efeitos da intensificação das medidas restritivas adotadas para tentar conter o avanço da doença.
Esses fatores colaboraram para que a carga no período janeiro-março, apresentasse um crescimento de 3,5% no SIN, 3,9% no SE/CO, 2,2% no Sul, 3,8% no Nordeste e 3,4% no Norte.
Considerando os valores verificados da carga de energia de janeiro a fevereiro, valor estimado para março e a previsão para os meses de abril e maio realizada no PMO de abril/2021, a carga de energia do SIN registra, no período janeiro-maio/2021, acréscimo de 7,3% sobre igual período de 2020.

  1. Previsão da carga de energia 2021-2025 A carga de energia do SIN prevista para o ano de 2021 deverá apresentar um crescimento de 3,2% relativamente ao ano anterior, ou seja, 2.106 MWmédios superior à carga verificada em 2020, situando- se 132 MWmédios abaixo do valor previsto para o Planejamento Anual da Operação Energética 2021-2025.
    No período 2021-2025, prevê-se um crescimento médio anual da carga de energia do SIN de 3,5% ao ano, significando uma expansão média anual nos cinco anos de 2.474 MWmédios atingindo em 2025 uma carga de 79.204 MWmédios no SIN. As Tabelas 2, 3 e 4, a seguir, resumem os valores previstos da carga de energia em MWmédios, as taxas de crescimento resultantes e os respectivos acréscimos de carga anuais por subsistema. A Tabela 5 mostra as diferenças entre as previsões de carga de energia, por subsistemas do SIN, para a 1ª Revisão Quadrimestral de 2021 para o Planejamento Anual da Operação Energética 2021-2025 e para o PLAN 2021-2025.

TABELAS ANEXAS

Tabela 1 2020 2021 2022 2023 2024 2025 -4,1% 3,0% 2,8% 2,8% 2,9% 3,0% 2020 2021 2022 2023 2024 2025 0,9% -0,3% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% Projeção anual do crescimento do PIB (%) 1ªRevisão Quadrimestral 2021-2025 Diferença entre Taxas (%) 1ªRevisão Quadrimestral 2021-2025 - PLAN 2021-2025 Subsistema202020212022202320242025 Norte5.586 5.831 6.041 6.234 6.475 6.694
Nordeste10.866 11.147 11.539 12.027 12.536 13.065
Sudeste/CO38.717 40.108 41.508 42.940 44.360 45.847
Sul11.665 11.853 12.202 12.657 13.119 13.597
SIN66.833 68.939 71.290 73.858 76.491 79.204
1ªRevisão Quadrimestral 2021-2025 Tabela 2 Carga de energia (MWmédios) Subsistema 2020 2021 2022 2023 2024 2025 Norte 0,2% 4,4% 3,6% 3,2% 3,9% 3,4% Nordeste -1,6% 2,6% 3,5% 4,2% 4,2% 4,2% Sudeste/CO -2,1% 3,6% 3,5% 3,4% 3,3% 3,4% Sul -0,1% 1,6% 2,9% 3,7% 3,7% 3,6% SIN -1,5% 3,2% 3,4% 3,6% 3,6% 3,5% Tabela 3 Carga de energia - Taxas de crescimento (% ao ano) 1ªRevisão Quadrimestral 2021-2025 Subsistema 2020 2021 2022 2023 2024 2025 Norte 12

245

210

194

241

219

Nordeste 178

282

391

488

510

529

Sudeste/CO 827

1.391

1.401

1.431

1.421

1.487

Sul 10

189

349

455

462

478

SIN 1.002

2.106

2.351

2.568

2.633

2.713

Carga de energia - Acréscimos/Decréscimos anuais (MWmédios) 1ªRevisão Quadrimestral 2021-2025 Tabela 4 Subsistema202020212022202320242025 Norte-25 -43 -58 -55 -57 -53 Nordeste39-68 -131 -145 -157 -169 Sudeste/CO2452347-7 -33 Sul2-72 -142 -135 -137 -141 SIN40-132 -296 -327 -358 -396 Tabela 5 Carga de Energia (MWmédio) Diferenças 1ªRevisão Quadrimestral 2021-2025 - PLAN 2021-2025