Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024
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Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024
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Colaboradores
Superintendentes
Angela Oliveira da Costa
Carla da Costa Lopes Achão
Superintendentes Adjuntos
Gustavo Naciff de Andrade
Marcelo Castello Branco Cavalcanti
Consultores Técnicos
Arnaldo dos Santos Junior
Patrícia Feitosa Bonfim Stelling
Rachel Martins Henriques
Rafael Barros Araújo
Glaucio Vinícius Ramalho Faria
Presidente
Thiago Guilherme Ferreira Prado
Diretor de Estudos Econômicos e Energéticos
Thiago Ivanoski Teixeira
Diretor de Estudos de Energia Elétrica
Reinaldo da Cruz Garcia
Diretor de Estudos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis
Heloisa Borges Bastos Esteves
Diretora de Gestão Corporativa
Carlos Eduardo Cabral Carvalho
Ministro de Estado
Alexandre Silveira de Oliveira
Secretário Executivo
Arthur Cerqueira Valerio
Secretário Nacional de
Transição Energética e Planejamento
Thiago Vasconcellos Barral Ferreira
Coordenação Técnica
Flávio Raposo de Almeida
Rogério Antônio da Silva Matos
Equipe Técnica
Aline Moreira Gomes
Allex Yujhi Gomes Yukizaki
Ana Cristina Braga Maia
Bernardo Honigbaum
Bruno Rodamilans Lowe Stukart
Fernanda Marques Pereira Andreza
Flávio Raposo de Almeida
Gustavo Daou Palladini
Lidiane de Almeida Modesto
Mariana Weiss de Abreu
Patrícia Messer Rosenblum
Rogério Antônio da Silva Matos
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ValorPúblico|EPE20anos
AEmpresadePesquisaEnergética–EPE,instituídaem2004,vinculadaaoMinistériodeMinaseEnergia-MME,temporfinalidadeprestarserviçosna
áreadeestudosepesquisasdestinadasasubsidiaroplanejamentodosetorenergético.Dentreassuasatribuições,destaca-seaelaboraçãoe
publicaçãodoAtlasdaEficiênciaEnergéticaBrasil(Atlas),relatóriopublicadoregularmentedesdeoanode2014,ondeéapresentadoomonitoramento
doprogressodaeficiênciaenergéticanoBrasil,atravésdeumaanálisedeindicadores.
Estapublicação,aliadaaoManualMetodológicodoAtlasdeEficiênciaEnergética,buscam,conjuntamente,trazertransparênciaereduziraassimetriade
informaçãocomrelaçãoàevoluçãodaeficiênciaenergéticanoBrasil,emespecialnossetoresresidencial,industrialedetransportes.
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A equipe da ABRAFE que contribuiu para a
execução deste relatório foi:
Coordenação e Apoio Técnico
Bruno Santos Parreiras
Equipe Técnica
Wesley Nascimento Caldeira
Esterelatóriopossuiumcapítuloespecial...
queforneceumaanálisedetalhadadosetordeferroligasesilíciometáliconoBrasil,resultadodacooperaçãoentreaEPEeaAssociaçãoBrasileirados
ProdutoresdeFerroligasedeSilícioMetálico(ABRAFE).Nestecapítuloéapresentadaumaanálisenacionaldestesetor,comumfocoespecialno
consumoporusofinaldeenergiaparaaproduçãoindustrialdosegmentodeferroligasnoBrasil.
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Sumário
Objetivo...........................................................................................06
Definições.......................................................................................08
Introdução.......................................................................................15
Edificações......................................................................................27
Setor Residencial.............................................................................30
Setor de Serviços.............................................................................40
Setor Industrial................................................................................47
Setor de Transportes........................................................................62
Capítulo especial sobre o setor de ferroligas e silício metálico ...........73
Referências Bibliográficas................................................................110
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Objetivo
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Objetivo
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Objetivo
EstedocumentotemporobjetivoprincipalomonitoramentodoprogressodaeficiênciaenergéticanoBrasil,atravésdeumaanálisedeindicadores.Em
2014foipublicadooprimeirorelatóriodeindicadores,comdadosaté2012.Apublicaçãovemsendoaprimorada,eem2020passouasechamar“Atlas
daEficiênciaEnergéticanoBrasil–RelatóriodeIndicadores”.Estedocumentoatualizaecomplementa,deformamaissintética,osprimeirosrelatórios
comdadosatéoano2023.
Uma imagem contendo Interface gráfica do usuário
Descrição gerada automaticamente
Diagrama
Descrição gerada automaticamente
Mapa
Descrição gerada automaticamente
Capítulo
especial
Benchmarking de
eficiência
energética: Brasil
no contexto global
Capítulos especiais
▪Setor de Cimento no
Brasil e no Mundo
▪Impactos da covid-19
Capítuloespecial
▪IndústriaSiderúrgica
Capítulo especial
Transporte rodoviário de
cargas e a comparação do
caso brasileiro com países
selecionados
202320142020202120172022
Capítuloespecial
▪SetorResidencial
2024
Capítulo especial
▪Indústria de Ferroligas e
Silício Metálico
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Definições
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Definições
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ODEX
OODEXéumindicadorqueapuraoprogressodaeficiênciaenergética.Podeseragregadoporsetor(industrial,residencial,serviçosetransportes)ou
paraaeconomiacomoumtodo.OODEXéutilizadopelaUniãoEuropeia,noprogramaODYSSEEdatabaseparamonitoramentodosganhosdeeficiência
(Enerdata,2020).
OODEXporsetor(porexemplo:indústria)ébaseadonosíndicesdeconsumounitárioporsubsetor(cimento,cerâmica,têxtiletc.)ponderadospela
participaçãonoconsumototaldeenergiadosetor.Oconsumounitárioporsubsetorpodeserexpressoemdiferentesunidadescomobjetivodefornecer
amelhor“proxy”deavaliaçãodaeficiênciaenergética,taiscomooconsumopordomicílio,oconsumoporproduçãofísicaouoconsumoporatividade
detransporte(medidaemunidadescomopassageiro-quilômetroetonelada-quilômetro).
Paraopresenterelatórioconsiderou-se2005comoanobase(valor=100),emfunçãoessencialmentedadisponibilidadededadosparaamaiorparcela
dossetoresapartirdesseano.OdecréscimonoODEXdovalor100em2005para80emalgumdadoano,porexemplo,representaganhodeeficiência
energéticade20%aolongodoperíodoanalisado.Emcontrapartida,casooODEXaumentede100para120,teráhavidopioranaeficiênciaenergéticaao
longodosanosemquestão.
NocasodoODEXglobal,omesmométodoéaplicadocomfatoresponderados,baseadosnasparticipaçõesdoconsumototaldeenergiafinaldecada
setoremrelaçãoaototaldeenergiafinalconsideradoparatodosossetoresavaliados.
Parafinsdesserelatório,foramconsideradosossetoresindustrial,residencialedetransportes.Demaissetores(energético,serviçoseagropecuária)não
foramincluídosemfunçãodeindisponibilidadededadosnoformatoadequadoàapuraçãodoindicador.
OManualMetodológicodoAtlasdeEficiênciaEnergéticaBrasilapresentaodetalhamentodosdadoseindicadoresutilizadosparaaelaboraçãodeste
relatório,incluindooODEX,epodeseracessadoclicandoem
EstaediçãodoAtlasdeEficiênciaEnergéticasofreualteraçõesdedadoshistóricosemrelaçãoàsediçõesanteriores,justificadaspelaatualizaçãodeséries
históricasdedadosutilizadosnocálculodoODEXdosetordetransportes.
Manual Metodológico
Manual Metodológico
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Intensidade Energética
Aintensidadeenergéticaserefereaomontantedeenergianecessárioparaproduzirumaunidadedeprodutofinaloudeserviço.Éarazãoentreum
indicadordeenergia(toneladaequivalentedepetróleo[tep],Joule,calorias,Btu,entreoutras)eumindicadordeatividade(US$,R$,m²,tonelada-
quilômetro,passageiro-quilômetro,entreoutros).
Exemplosfictícios:
▪Intensidadeenergéticaindustrial:100tep/US$ppp2010
▪Intensidadeenergéticadeedificaçãoresidencial:0,5tep/m²
▪Intensidadeenergéticadeedificaçãocomercial:200KJ/m²
▪Intensidadeenergéticanosetordetransportes:1.000tep/tkm
AintensidadeenergéticadeumaeconomiacorrespondeàrazãoentreaOfertaInternadeEnergia(OIE)eoProdutoInternoBruto(PIB)dopaís.Este
indicadornormalmenteéusadoparamediraeficiênciaenergéticadeumpaís.Noentanto,éimportanteconsiderarqueaestarazãonãoexpressa
necessariamenteeficiênciaenergética,poisumpaíspodeteraintensidadeenergéticabaixaeserineficientedopontodevistaenergético.Basta
considerarmosocasodeumpequenopaísquetemsuaeconomiabaseadanosetordeserviços,quepossivelmenteteráumaintensidadeenergética
menorqueoutragrandenaçãocujaeconomiaébaseadanaproduçãoindustrial.Entretanto,osegundopaíspodeusaraenergiaparasuasindústriasde
formamaiseficientequeoprimeiroausaparadesenvolverasuaeconomiabaseadaemcomércioeserviços.
Destaforma,aintensidadeenergéticanãodeveseranalisadaisoladamente.Osganhosdeeficiênciasãoapenasumcomponentedestaanálise,que
tambémdevelevaremconsideraçãoaestrutura(efeitoestrutura)daeconomiadeumpaís(presençadeindústriasenergointensivas,setordeserviços
desenvolvidoetc.)easmudançasnaatividade(efeitoatividade),influenciadaspelotamanhodopaís(queimplicamemmaiordemandadosetorde
transportes,porexemplo).
Nesterelatório,oindicadorserácalculadodeduasformas:sobaóticadaOfertaInternadeEnergia(OIE),identificadacomoIntensidadePrimária(i)esob
abasedoConsumoFinalEnergético,denotadacomoIntensidadeFinal(ii).Asfórmulasdecálculodecadaindicadorseguemabaixo:
I.OfertaInternadeEnergia(miltep)/PIB(M$[2010])
II.ConsumoFinalEnergético(miltep)/PIB(M$[2010])
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Consumo Final
Étodaaenergiaquechegaaossetoresconsumidoresparafinsenergéticosenãoenergéticos(matéria-prima,porexemplo).Nãoestãoincluídosneste
conceitoasfontesutilizadascomoinsumooumatéria-primaparaaproduçãodeoutrosprodutosenergéticos.Estasatividadessãoclassificadas,
segundooBalançoEnergéticoNacional,comoCentrosdeTransformação(exemplos:águautilizadaparageraçãodeeletricidadeoupetróleoqueserá
transformadoemderivados).
Deformageral,ossetoresdeconsumofinalnesterelatórioforamclassificadosdeacordocomamesmadivisãodoBalançoEnergéticoNacional,com
exceçãodealgunssetoresenergointensivos,paramelhorrepresentaçãodoprogressodaeficiênciaenergéticanoBrasil.
Oconsumofinalpodesercalculadoatravésdasseguintesparcelas:
▪Consumofinal=consumofinalprimário(+)consumofinalsecundário,ou;
▪Consumofinal=consumofinalnão-energético(+)consumofinalenergético
Onde:
▪Consumofinalprimárioéoconsumodeenergiaprimária,ouseja,consumodefontesprovenientesdiretamentedanatureza.Exemplos:gás
natural,carvãomineral,energiasolar,eólica,hidráulicaeosprodutosdacana-de-açúcar,entreoutros.
▪Consumofinalsecundárioéoconsumodeenergiasecundária,ouseja,consumodefontesoriundasdosdiferentescentrosdetransformação,que
têmcomodestinoosdiversossetoresdeconsumodaeconomia.Exemplos:eletricidade,gasolina,óleodiesel,etanol,entreoutros.
▪Consumofinalnão-energéticocorrespondeaoconsumodefontesque,emborapossuamconteúdoenergético,sãoutilizadoscomomatérias-
primasparaoutrosfins.Exemplo:usodenaftaparaafabricaçãodetermoplásticos.
▪Consumofinalenergéticocorrespondeàutilizaçãodefontespelossetoresdaeconomiacomoenergia.
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INOVA-E
AplataformadigitalINOVA-EfoicriadaparatornaracessíveisaosmaisdiversospúblicosasinformaçõesrelacionadasàinovaçãoemenergianoBrasil.
Emseumódulodeinvestimentos,asinformaçõesestratégicasdisponibilizadasnaplataformaforamorganizadasemumaúnicabasededados,
apresentandoumrelevantepanoramaparaacompreensãodastendênciasdeinvestimentosemPD&Demenergianopaís.Estepanoramainédito
fornecidopelaINOVA-EbuscaapoiarEPE,MME,MCTI,entreoutrasorganizaçõesgovernamentais,privadasedasociedadecivil,naformulaçãoe
promoçãodepolíticaspúblicasvoltadasànossatransiçãoenergética.Emsuamaisrecenteatualização,omódulodeinvestimentosemPD&Dda
plataformapassoupordiversosaprimoramentosmetodológicos,queresultaramnaampliaçãodosinvestimentosmapeadoseinclusãodeprojetosno
históricodosinvestimentos.
InvestimentopúblicoemPD&D-OsinvestimentospúblicosdePD&DsãocalculadosapartirdosdispêndiosemprojetosdePD&Dreembolsáveise
não-reembolsáveisrealizadospormeiodeinstituiçõespúblicasdefomentoàinovaçãonoBrasil.Nasestatísticasapresentadasnestaplataformafazem
partedoescopodosinvestimentospúblicosemPD&Dosseguintesórgãosfederais:BNDES,CNEN,CNPq,FINEP;etambémdoestadodeSãoPaulo:
FAPESP.
InvestimentopublicamenteorientadoemPD&D-Osinvestimentospublicamenteorientadossereferemaoinvestimentoprivadoinduzidoporpolíticas
públicas,sendocompulsórioparaasempresasdosetordeenergia.Sãorecursosqueseenquadramdentrodeprogramaspúblicoscujafinalidadeé
induzirasempresasaefetuareminvestimentosemPD&D.NasestatísticasapresentadasnestaplataformafazempartedoescopoosprojetosdeP&D
reguladospelasagênciasANEELeANP.
Paravisualizarosdadosesabermaisdetalhesacesseolinkevisiteaplataforma:
PanoramadosinvestimentosdeinovaçãoemenergianoBrasil
Logotipo
Descrição gerada automaticamente
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Setor de Transportes
Atividade
Aatividadenosetordetransporteé,internacionalmente,representadapelosindicadorespassageiro-quilômetrotransportadosetonelada-quilômetro
transportados.Passageiro-quilômetroéumaunidadequeapresentaotrabalhorelativoaodeslocamentodeumpassageiroàdistânciadeumquilômetro.
Damesmaforma,tonelada-quilômetroéaunidadequerepresentaotrabalhorelativoaodeslocamentodeumatoneladadecargaàdistânciadeum
quilômetro.Tambémchamadodemomentodetransporte.
Intensidadedeuso
Razãoentreaatividadedetransporteeadistânciapercorrida.Éexpressanasunidadestonelada-quilômetro/quilômetrooupassageiro-
quilômetro/quilômetro.
Rendimentoenergético
Razãodadistânciapercorridaporpassageirosoucargaeoconsumodecombustívelemvolumeeexpressamedidadeautonomia.Usualmenteem
quilômetros/litro.EminglêsédenominadoFuelEconomy.
Consumodecombustível
Representaovolumedecombustívelgastoparapercorrerumadadadistância,emgeral100km.Éexpressalitro/100km.EminglêsédenominadoFuel
consumption.
EficiênciaEnergética
Razãoentreaestimativadeatividade(t.kmoup.km)eademandatotaldeenergia(emunidadescomJoule[J],Watt[W]outoneladaequivalentede
petróleo[tep]).
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Setor de Transportes
VeículosLeves(porporte)¹
Automóvel
Veículoautomotordestinadoaotransportedepassageiros,comcapacidadeparaatéoitopessoas,exclusiveocondutor;
ComerciaisLeves
▪caminhonete–veículodestinadoaotransportedecargacompesobrutototaldeaté3.500kg;
▪caminhoneta–veículomistodestinadoaotransportedepassageiros;
▪utilitário–veículomistocaracterizadopelaversatilidadedoseuuso,inclusiveforadeestrada.
VeículosPesados²
Caminhões
▪Semileves–3,5t. 45 t.
¹CódigoNacionaldeTrânsito(BRASIL,1997)
²Anfavea(2023)
PBT–PesoBrutoTotal;CMT–CapacidadeMáximadeTração
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Introdução
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Governança institucional da eficiência energética no Brasil
MDIC
CGEE
GCCE
ENBPar
ProcelConpetPEE
ANEELEPE
CGIEE
MME
SNTEP
MCidades
GT
Edificações
SDIC
Rota
2030
PBQP-HMCMV
SNHSDUMSMU
Inmetro
BNDES
CTECH
GT Sustentabilidade
Ministérios
Entidades vinculadas
Secretarias
Comitês
Programas de governo
Fundo Setorial
SNTEP:Secretaria Nacional de Transição Energética e Planejamento
SDIC:Secretaria de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e
Serviços
SPU:Secretaria de Coordenação e Governança do Patrimônio da União
SNH:Secretaria Nacional de Habitação
SDUM:Secretaria Nacional de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano
SMU:Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana
SNASA:Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental
SNASASPU
SEGES
Central de
Compras
MGI
PBE
MGI
SDTI
Finep
CT-Energ
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Introdução
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Linha do tempo das Políticas de Eficiência Energética...
199019932000
200119851991
19841981
19821997
20022004
20032005
Portaria MIC/GM46
Programa CONSERVE
Indústria e substituição
de energéticos
importados
Decreto 87.079
PME:Programa de
Mobilização
Energética
PBE | INMETRO
PIˡ1.877
Institui
oPROCEL
Decreto 99.656
CICE -Comissão Interna
de Conservação de
Energia
(revogado pelo Decreto
10473/2020)
Decreto Federal
18/07/1991
Institui o
CONPET
Decreto Federal
08/12/1993
Selo de
Eficiência
Lei 9.478
Conselho Nacional
de Política Energética
(CNPE) e ANP
Lei 9.991
PEE ANEEL: Investimentos
em P&D e Eficiência
Lei 10.295²
Lei da Eficiência
Energética
(Índices mínimos -MEPS
Minimum Energy
Performance Standards)
Decreto 4.059 e
republicado pelo
Decreto 9.864/2019
CGIEE/ GT Edificações
Procel
Indústria
Procel EDIFICA
Procel
SANEAR
Lei 10.847
Decreto 5.184
criação da EPE
Notas:(1)PI=PortariaInterministerial
(2)Motoreselétricostrifásicos,lâmpadasfluorescentescompactas,refrigeradoresecongeladores,fogõesefornosagás,condicionadoresdear,aquecedoresdeáguaagás,lâmpadasavapordesódiometálico,lâmpadasincandescentes,
transformadoresdedistribuição,ventiladoresdeteto.
Selo
Conpet
2007
PNE 2030
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... ao longo dos anos até os dias de hoje
Hoje!
Nota:(1)IN=InstruçãoNormativa
20142019
202020112016
2010
2018
2021
20222009
20172023
Decreto 6.996 (revogado)
Decreto 11158/2022 (vigente)
Redução de IPI para produtos
com índice de eficiência
energética A e B
Etiquetagem de
Veículos e Edificações
Comerciais
Etiquetagem
Residencial
IN¹02 MPOG
Requisitos para
edificações públicas
federais e compras
Selo Procel
Edificações Não
Residenciais
Lei 13.280
Realocação de recursos
do PEE para o Procel
Contribuição
Nacionalmente
Determinada (NDC)
Lei 13.576
Política Nacional de
Biocombustíveis
(RenovaBio)
Programa Aliança
PotencializEE
Decreto 10.791
Criação da ENBPAr
FGEnergia
Fundo Garantidor para
Crédito a EE(BNDES e
recurso do PROCEL)
Portal da Eficiência
Energética (MME)
Portaria MME 594
PNEF: Indicação de
metas para Eficiência
Decreto 9.557
Programa
Rota 2030
Programa
Brasil Mais Produtivo –
Eficiência Energética
(B+P EE)
Selo Procel
Edificações
Residenciais
RedEE Indústria
e RedEE
Edif. Públicos
Interface gráfica do usuário, Aplicativo
Descrição gerada automaticamente
ProEESA: Projeto de EE
em Sistemas de
Abastecimento de Água
Res. CGIEE nº 01/2024
Agenda Regulatória
CGIEE 2024-2026
2024
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Introdução
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Visão da Integração das Políticas
ENCEEtiqueta comparativa
que classifica o desempenho
energético
Implementam as
políticas e
desenvolvem o
mercado
ETIQUETA DE ENDOSSO
Premia os produtos mais eficientes
LEI DA
EFICIÊNCIA ENERGÉTICA
Regula os índicesmínimos de
eficiência e o estabelecimento de
requisitos de eficiência
energética para edificações
Programa Brasileiro
de Etiquetagem
INMETRO (1984)
Índices Mínimos
Lei Nº 10.295/ 2001
Selo PROCEL
1985
Eficiência
Energética
Programas de
Eficiência Energética
PEE/ANEEL
PAR PROCEL
Programa de
PDI ANEEL
Lei nº 9.991/2000 dispõe sobre os investimentos em P&D (atual PDI) e EE das concessionárias de
energia elétrica. Atualmente 0,5% da Receita Operacional Líquida (ROL) das concessionárias. A partir
da Lei nº 13.280/2016, que altera a Lei nº 9.991/2000, 20% dos recursos de EE são destinados para o
Procel e 80% para o PEE/ANEEL.
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Participaçãoderenováveisnamatriz
Historicamente,oBrasilsedestacaporserumpaíscomumaltopercentualdefontesrenováveisdeenergiaemsuaofertainternaquando
comparadoaorestodomundo.Nosúltimos20anos,aparticipaçãodasrenováveisnamatrizenergéticabrasileira,manteve-seestávelcom
valoressuperioresa40%.Asoscilaçõesverificadas,entre2011e2014,sedevemàreduçãodaparticipaçãodasrenováveisnamatriz
energéticadevidoàquedadaofertahidráulica.Apartirde2015,asfontesrenováveisretomamumatrajetóriadecrescimentocomaexpansão
daofertadederivadosdacana,eólicaebiodiesel,atingindo49,1%em2023comacontribuiçãotambémdasituaçãohidrológicafavorável.
Figura 1: Comparação internacional da participação de fontes renováveis na
Oferta Interna de Energia (OIE)
Fonte: EPE (2024b)
Figura 2: Evolução da participação de fontes renováveis na Oferta Interna de Energia (OIE)
Fonte: EPE (2024b)
13%
15%
49%
87%
85%
51%
OCDE (2022)
Mundo (2021)
Brasil (2023)
RenováveisNão renováveis
40,7%
49,1%
25%
30%
35%
40%
45%
50%
55%
60%
200020022004200620082010201220142016201820202022
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Introdução
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Asfontesrenováveiscresceramemritmomaisaceleradodevidoàexpansãodosetorsucroalcooleiroeafortepenetraçãodeoutras
renováveis,comoasfonteseólica,solar,licorpretoebiodiesel.Aenergiaeólicaapresentouparticipaçõescrescentesnamatrizenergética,
chegandoa2,6%daOfertaInternadeEnergiaem2023.Jáolicorpreto,diretamenteassociadaàindústriadecelulose,contribuiucom3,4%
daOIEem2023.Obiodieseltemsidofavorecidopelapolíticadeadiçãodestecombustívelnodieselfóssil.Em2023,opercentualdeadição
(emvolume)foiarbitradoem12%apartirdomêsdeabrildaqueleano.Ovolumemédioanualdeadiçãodobiocombustívelatingiu11,54%na
composiçãodoóleodieseltotalem2023.
Figura 3: Oferta Interna de Energia (OIE) por fonte em anos selecionados
Fonte: EPE (2024a)
EvoluçãodaOfertaInternadeEnergia(OIE)porfonte
Peloladodasfontesnãorenováveis,opetróleoeseusderivadosseguemcomoasmaioresfontes.Ogásnaturalsofreuaumentode
participaçãode5,4%em2000para9,6%em2023,devidoàsuautilizaçãoemtermelétricasdebaseeextensãodamalhadutoviária,oque
possibilitouseuusotantonasindústriascomonasedificaçõesresidenciais,comerciaisepúblicas.
45,6%
37,8%
37,2%
32,9%
35,1%
10,2%
13,6%
11,7%
9,6%
15,8%
14,0%
11,3%
12,5%
12,1%
12,1%
9,7%
8,3%
9,1%
8,6%
12,8%
21,1%
21,8%
27,0%
28,4%
20002010201520202023
Produtos da cana-de-açúcar / Outr. Ren
Lenha e carvão vegetal
Hidráulica
Urânio (U₃O₈) / Outr. Não Ren
Carvão mineral e coque de carvão
Gás natural
Petróleo e derivados
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Introdução
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Evoluçãodoconsumoenergéticoporsetor
Oprincipalmovimentoobservadonesteperíodofoiorecuodaparticipaçãodaindústriaemcontraposiçãoaoavançodosetordetransportes,
oqualalcançouamarcade35%departicipaçãoem2023.Osetordetransportescresceuaumataxamédiade3,2%a.a.(2000-2023),ede
formamaisacentuadaentre2000e2015,comcrescenteparticipaçãodosetorrodoviário.Em2020,osetorfoiimpactadopelapandemiada
covid-19,devidoàsrestriçõesdelocomoção,retomandonosanossubsequentesasuatrajetóriaderecuperaçãoesendoresponsávelpor
36%doaumentodademandaenergéticanacionalem2023.
Figura 4: Consumo energético por setor em anos selecionados
Fonte: EPE (2024a)
38,5%
38,1%
34,4%
34,1%
33,7%
30,2%
31,1%
34,4%
32,9%
35,0%
13,2%
10,7%
10,4%
11,7%
11,3%
8,2%
11,0%11,0%
10,9%
9,3%
20002010201520202023
Setor energético
Residencial
Terciário e outros
Agropecuária
Transportes
Industrial (exclusive uso não-energético)
Na indústria, os segmentos que
mais se destacaram foram
Papel e Celulose (3,5% a.a.),
Açúcar (2,5% a.a.) e Cimento
(2,5% a.a.). Cabe ressaltar que a
produção de celulose e de
açúcar são energointensivas e
utilizam os coprodutos licor
preto e bagaço de cana,
respectivamente, que são
renováveis.
OsegmentodeAçúcarteveumaumentonoconsumodeenergiade20,7%,enquantoQuímicareduziu7,8%eFerroligas7,3%.Osetorenergéticoé
impulsionadopelaproduçãodepetróleoeetanol,quenoperíodocresceramataxasanuaisde4,5%e4,7%.Aproduçãodeetanol,noentanto,caiu
0,5%entre2020e2023.
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Introdução
Página| 23
Entreosanos2010e2023,asintensidadesprimáriaefinalevoluíramàstaxasde0,13%e0,15%aoano,respectivamente,refletindoo
crescimentodaOIEacimadocrescimentodoPIB.Entre2014e2023,aintensidadeenergéticaprimáriadiminuiuaoritmode0,22%a.a.A
intensidadedoconsumofinal,nomesmoperíodo,apresentoucrescimentoàtaxade0,22%a.a.Atendênciadecrescimentodasintensidades
energéticaspodeestarassociadaaocrescimentodaproduçãodeenergointensivosdebaixovaloragregadonapautaprodutiva,emrelação
aosdemaisprodutosmanufaturados.
IntensidadeEnergética
Entreosanos2000e2008,aintensidadeenergéticaprimáriapermaneceuestávelemtornode0,097tep/10³U$ppp[2010].Aintensidadefinal,
damesmaforma,estabilizou-seemvalorespróximosde0,087tep/10³U$ppp[2010].Em2009,osefeitosdacriseinternacionalsobrea
indústriacontribuíramparaareduçãodaintensidadeenergéticaprimáriapara0,093tep/10³U$ppp[2010].Unidadesmaisineficientesecom
maioresintensidadesforamdesativadas.
Figura 5: Evolução da intensidade energética no Brasil
Fonte: EPE (2024b)
0,097
0,097
0,093
0,099
0,097
0,088
0,087
0,085
0,086
0,088
0,07
0,08
0,09
0,10
0,11
200020012002200320042005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023
tep/10³
U$ppp
[2010]
Intensidade Energética
Intensidade Consumo Final
Nota:Esclarecimentos sobre a Intensidade Energética disponíveis em
Definições
Definições
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Página| 24
Figura 6: Evolução dos investimentos de PD&D em Eficiência Energética
Fonte: EPE (2024c)
Fissão e fusão
nuclear
R$ 224,3
OBrasilteminvestidoemEficiênciaEnergética
Setorescompetitivoscomoaindústriadependemdaeficiênciaenergéticanodiaadiadosseusprocessosprodutivos,poissemelamuitos
negóciospodemserinviabilizados.Mudançastecnológicasestãoentreasprincipaisfontesdecriaçãoderiquezaecrescimentoeconômico
delongoprazo.
DeacordocomaplataformaINOVA-E¹,entre2013e2023,oBrasilinvestiuquase6bilhõesdereaisempesquisa,desenvolvimentoe
demonstração(PD&D)emprojetosdeeficiênciaenergéticaoriundosdeinvestimentospúblicosoupublicamenteorientados².Desse
montante,maisdametadefoioriundadoBNDES,enquantoaANEELeaFinepcorresponderama14%e16%,respectivamente.
DadosdaINOVA-Eapontamumamédiaanualdeinvestimentodecercade536milhõesdereaisaolongodeonzeanosdesérie
histórica,considerandorecursospúblicosepublicamenteorientadosemprojetosdeP&DnoBrasil.
Figura 7: Origem dos recursos (%) de PD&D em Eficiência Energética
Fonte: EPE (2024c)
Milhões de reais
545
631
612
619
617
614
582
537
477
359
309
20132014201520162017201820192020202120222023
Eficiência Energética
69%
16%
14%
1%
BNDES
FINEP
ANEEL
Outros
Nota:Para informações sobre o INOVA-Ee significado das expressões “investimentos públicos” ou
“publicamente orientados” acesse Definições
A versão anterior do Atlas apresentava
valores inferiores na curva de evolução
de investimentos de PD&D em
Eficiência Energética, os quais
somavam quase 5 bilhões de reais ao
longo da série histórica até 2022.
Aprimoramentos metodológicos na
plataforma INOVA-E permitiram a
revisão dos valores do histórico de
financiamento, conforme apresentado
nessa versão.
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Página| 25
InvestimentosdePD&DemEficiênciaEnergética
Figura 8:Natureza e modalidade dos investimentos, em milhões de reais -2013 a 2023
Fonte: EPE (2024c)
Valor investido (em milhões de reais)
050010001500200025003000
Tecnologias de eficiência energética aplicadas ao setor de transporte rodoviário
Eficiência energética não alocados
Tecnologias de eficiência energética aplicadas à Indústria
Tecnologias de eficiência energética aplicada a residências e estabelecimentos comerciais
Publicamente orientado
Público
Nota:OsinvestimentosapresentadosnafiguraforamadaptadosdaferramentaInova-e,queadotaaclassificaçãodaAgênciaInternacionaldeEnergia(IEA).ComomudançaemrelaçãoàversãoanteriordesteAtlas,ascategorias"Outras
tecnologiasdeeficiênciaenergética"e"Outraseficiênciaenergéticanãoalocadas"foramagregadasem"Eficiênciaenergéticanãoalocados".
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Introdução
Página| 26
26
ODEX
Nesterelatóriofoifixado2005comoanobase(100),abrangendoossetoresindustrial,residencial,transporteseoBrasildeformaglobal.No
período,todosossetoresanalisadosapresentaramganhosdeeficiência,sendoosmaioresnossetoresresidencialedetransportes,com
20,9%e17,6%,respectivamente.OODEXapuradoem2023mostraqueopaís,nesteano,encontra-se11,8%maiseficienteenergeticamente
doqueemrelaçãoa2005.
Figura 9: ODEX Brasil
Fonte: Elaborado por EPE
97,3
82,4
79,1
88,2
75
80
85
90
95
100
105
2005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023
Índice (100 = ano 2005)
IndústriaTransportesResidencialODEX Brasil
Nota:Esclarecimentos sobre alterações no histórico do ODEX disponíveis em
Definições
Definições
GANHOS DE EFICIÊNCIA
(quanto menor, mais eficiente)
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Edificações
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BuildingsEdificações
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Evoluçãodoconsumodasedificações:setoresresidencial,comercialepúblico
Aprincipalfontedeenergiautilizadanasedificaçõeséaeletricidade¹.Asresidênciasem2023,utilizaram48%deeletricidade,21%deGLPe
26%delenha;jáosedifícioscomerciaisepúblicos²utilizammajoritariamenteaeletricidadecom73%departicipação.
Nota:
[1]
Deacordocomasériehistórica,aeletricidadeéaprincipalfontedesde2008.
[2]
OsetorpúblicocontabilizadonasedificaçõesnãoincluiIluminaçãoPúblicaeSaneamento.
AsedificaçõesrepresentaramquaseametadedoconsumodeeletricidadedoPaísem2023,oconsumoatingiu290TWh,oquerepresenta47%da
eletricidadedopaís.Considerandoaimportanteparticipaçãodasedificaçõesnoconsumodeeletricidade,podeseconsideraressesegmentocom
omaiorpotencialdeeficiênciaelétrica.
Δ% 2005-2023
Δ% 2005-2023
Comercial: 3,2%
Público: 1,1%
Residencial: 1,6%
Comercial: 1,4%
Público: -2,0%
71%
70%
67%
70%
72%
18%
20%
23%
20%
24%
20052010201520202023
52%
56%
55%
60%
58%
34%
37%
38%
34%
36%
20052010201520202023
Figura 10: Energia total demandada pelas edificações
Fonte: EPE (2024a)
Figura 11: Eletricidade demandada pelas edificações
Fonte: EPE (2024a)
Residencial: 3,8%
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BuildingsEdificações
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Figura 12: Evolução da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia em Edifícios –ENCE (quantidade de etiquetas emitidas)
Fonte: INMETRO (2023)
EvoluçãodaEtiquetagememedifícios–PBEEdifica
AEtiquetagememedifíciosclassificaaeficiênciaenergéticaentreosvaloresdeA(maiseficiente)aE(menoseficiente).São
contempladasasEdificaçõesComerciais,deServiçosePúblicas,eResidenciais.Existemdoistiposdeetiquetasquepodem
seraplicadas:aoprojetoeaoedifícioconstruído.OutrapolíticacomplementaréadoSeloProcelEdificações,estabelecido
emnovembrode2014,esseestimulaepremiaasEdificaçõescomEtiquetaA.Essaspolíticassãoinstrumentosdeadesão
voluntária.
Aetiquetagememedifícioséuminstrumentodeadesãovoluntário,assimcomooSeloProcelemEdificações,quevisaestimularomercadona
aquisiçãoeutilizaçãodeimóveismaiseficientes.Nos10anosdeexistênciadoSeloProcel,foramemitidos54selosaotododeprojetose
construção.EmfunçãodaimportânciadosetordeedificaçõesnoBrasil,comcercade50%doconsumodeenergiaelétrica,essaspolíticas
possuemumagranderelevânciaparaaeficiênciaenergéticaeoconfortoambiental.
Nota:PBEéoProgramaBrasileirodeEtiquetagem.
PBEEdificações:https://pbeedifica.com.br/
4
21
357
415
1.378
1.411
2.545
3.921
4.428
4.485
4.609
4.759
4.800
4.898
4.943
200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023
Etiquetagem em Edifícios (ENCE)
As edificações residenciais
de unidade habitacional
autônoma são as mais
etiquetadas, com
participação de 93% do total
acumulado no período.
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Setor Residencial
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Setor Residencial
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Evolução da participação energética das fontes na demanda residencial de energia
Aeletricidadecontinuasendoafontedeenergiamaisutilizadanosdomicíliosbrasileiros,comumaevoluçãodaparticipaçãoenergéticade
cercade15,9p.p.de2005a2023.Elapossuiusodisseminadonasresidências,podendoserutilizadanaclimatizaçãodeambientes,
conservação,cocçãoepreparaçãodealimentos,aquecimentodeágua,iluminação,lavanderia,entretenimento,comunicações,beleza
pessoaleemoutrosequipamentoselétricoseeletrônicos.
Figura 13: Evolução da participação energética das fontes na demanda residencial de energia
Fonte: EPE (2024a)
Percebe-seumareduçãodoconsumodalenhaparaacocçãodealimentosde2005a2015,emfunçãodamelhoriadascondiçõeseconômicas
dasfamílias.Desdeoanode2015,aparticipaçãoenergéticadalenhasemantémempatamaresemtornode25%.
O Gás Liquefeito do Petróleo (GLP) mantém uma
participação intermediária (21% em 2023), sendo o
seu uso principal associado à cocção de alimentos.
O Gás Natural (GN) está incluído em Outros (vide
gráfico) e possui utilização ligada à cocção de
alimentos e aquecimento de água, principalmente
nas áreas urbanas do país com infraestrutura de
distribuição.
A energia solar térmica também está agregada em
Outros e tem uso relacionado ao aquecimento de
água.
Nota:anotação“p.p.”refere-seapontospercentuais.
33%
39%
44%
45%
48%
26%
26%
26%
24%
21%
37%
31%
25%
25%
25%
0%
20%
40%
60%
80%
100%
20052010201520202023
Eletricidade
GLP
Lenha
Outros
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Evoluçãodademandaresidencialelétricaeenergética
Enquantooconsumodeenergiapordomicíliodiminuiu7,6%(quedade0,3%a.a.)de2000a2023,ademandadeeletricidadepordomicílio
cresceu29%(avançode1,1%a.a.)nomesmohorizonte.Ademandadeeletricidadeteveumaquedabruscaem2001devidoao
racionamento,queestimulouumamudançadehábitosepromoveumedidasdeeficiênciaenergéticanasresidênciasbrasileiras.Jáo
significativoaumentodoconsumodeeletricidadeem2023,podeserexplicadopelousomaisintensodeventiladoreseaparelhosdear-
condicionadodevidoàondadecalorprovocadanosúltimosmesesdoanopelachegadadoElNiño.
Figura 14: Evolução da demanda residencial elétrica e energética
Fonte: Elaborado por EPE
Ademandadeeletricidadepordomicílioaumentoude2000a2023,emrazãodoprogressoeconômicodasfamílias,doavançodocréditoparacomprade
eletrodomésticos,depolíticasgovernamentaisdeexpansãodaredegeral,sobretudoemáreasruraisedeprogramashabitacionaisemconjuntocom
estímulosparareduzirodéficithabitacionalbrasileiro.Jáoconsumodeenergiatotalpordomicílioapresentoureduçãomédiaanualde0,3%a.a.aolongodo
período.Issosedeveuemfunçãodareduçãodaparticipaçãodefontesmenoseficientesemtermosenergéticos(biomassastradicionais–lenhaecarvão
vegetal)eaconsequentesubstituiçãoporfontesmaismodernas(GLP,GNeeletricidade).Éimportanteaindasinalizarqueoconsumodeenergiapordomicílio
incluioconsumodeenergiasolartérmicaparaaquecimentodeáguaparabanho,quevemaumentandoconsideravelmentedesde2005.
0,30
0,40
0,50
0,60
1.200
1.500
1.800
2.100
2.400
200020022004200620082010201220142016201820202022
tep por domicílio
kWh por domicílio
Eletricidade (kWh por domicílio)
Energia total (tep por domicílio)
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Efeitos das políticas de eficiência energética nos domicílios
AspolíticasdeeficiênciaenergéticapodemincluirÍndicesmínimosdeeficiênciaenergética(ouíndicesmáximosdeconsumo),Etiquetagem
comparativa(compulsóriaouvoluntária)eSelosdeendosso.
Essasiniciativassãoexecutadasnopaísdesde1984,comacriaçãodoProgramaBrasileirodeEtiquetagem(PBE),coordenadopeloINMETRO,que
passouaelaboraretiquetascomparativasdodesempenhoenergéticodeequipamentos,propiciandoumaeducaçãoaoconsumidoreestimulandoa
fabricaçãodeprodutoscommaiorníveldeeficiênciapelaindústria.
Em1993,foramcriadososselosPROCEL(paraequipamentoselétricos)eCONPET(paraprodutosqueutilizamcombustíveisderivadosdepetróleoegás
natural)afimdevalorizarosdispositivosmaiseficientesemtermosenergéticos.
Existemaçõescomplementaresquebuscamreduzirademandadeenergianasresidências,incluindonormasdedesempenho(ABNTNBRN015.220e
N015.575),padrõesdeetiquetagem(PBEEdifica)eselosdeendosso(ProcelEdifica)deedificações,alémdoestímuloaousodesistemasalternativos
degeraçãodeenergiaemhabitaçõesdeinteressesocial(HIS).
Estima-sequeoconsumomédioanualporaparelhodearcondicionadotenhasidoreduzidoemmédia17,9%entre2005e2023(-1,0%a.a.),emconsequênciadas
regulamentaçõesdeíndicesmínimosdeeficiênciaenergéticainiciadaspelaPIMME/MCT/MDICn
0
364/2007equefoirevisadapelaPIn
0
323/2011,PIn
0
2/2018ePI
n
0
234/2020.
Jánocasodasgeladeiras,estima-sequeoconsumomédioanualporequipamentotenhasidoreduzidoemmédia12,4%entre2005e2023(-0,7%a.a.),em
consequênciadasregulamentaçõesdeíndicesmínimosdeeficiênciaenergéticainiciadasem2007pelaPIMME/MCTI/MDICn
0
362/2007,equefoirevisadapelasPI
n
0
326/2011,PIn
0
01/2018eaPIn
0
332/2021.
DandoprosseguimentoàspolíticasiniciadasapartirdaLeiN
0
10.295/2001,conhecidacomoLeideEficiênciaEnergética,considera-seimportantequeas
regulamentaçõesdeíndicesmínimosdeeficiênciaenergéticapossamserestendidasparaoutroseletrodomésticosdeusoresidencial,priorizandoaquelescom
maiorconsumomédioporequipamento.
PI = Portaria Interministerial
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Penetração de Sistemas de Aquecimento Solar (SAS) nas residências
Figura 15: Penetração de Sistemas de Aquecimento Solar (SAS)
Fonte: Elaborado por EPE
Figura 16: Consumo Evitado de Energia Residencial (mil tep)
Fonte: Elaborado por EPE
149
172
197
224
250
282
315
352
395
444
493
539
584
619
658
698
747
800
856
2005200720092011201320152017201920212023
A conversão da energia solar em energia térmica se baseia na
absorção da radiação solar e na sua transferência, sob forma de calor,
para um elemento que fornecerá determinado serviço energético.
Os sistemas de aquecimento solar de água são compostos pelos
coletores solares e pelo reservatório térmico, local onde fica armazenada
a água aquecida. Os SAS possuem equipamentos complementares de
aquecimento, que podem utilizar energia elétrica ou gás, e que são
ativados em períodos de baixa intensidade solar, como as noites e os dias
nublados. Os coletores e reservatórios são normalizados pelo Programa
Brasileiro de Etiquetagem (PBE), coordenado pelo INMETRO.
Ao passo que, para os consumidores, a utilização de SAS pode reduzir o
gasto total com energia, para o setor elétrico, o seu uso pode diminuir o
consumo na rede, a demanda de ponta em períodos críticos e as perdas
técnicas no sistema, contribuindo para postergar novos investimentos em
geração, transmissão e distribuição. Finalmente, do ponto de vista
ambiental, o uso de SAS pode ajudar para a redução de emissões de GEE.
A energia solar térmica residencial é destinada majoritariamente para o aquecimento
de água em banhos e piscinas, que podem estar localizadas dentro das habitações
ou em áreas de lazer de edifícios. Estimou-se que o consumo evitado de energia nas
residências do país foi de 856 mil tep em 2023 pelo uso de SAS.
0%
1%
2%
3%
4%
0
20
40
60
80
100
2005200720092011201320152017201920212023
m²
Área instalada (m²) por mil habitantes
Participação de domicílios com SAS (%)
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A climatização de ambientes vem
ganhando participação em razão do
aumento do uso de condicionadores de
ar à medida que as famílias vão tendo
condições financeiras para realizar a
compra, substituindo ventiladores e
circuladores de ar, relativamente mais
baratos e que consomem menos
energia. A indução também pode
acontecer pela presença de dias mais
quentes na média ao longo dos anos.
Evolução da participação energética dos usos finais na demanda residencial de
energia
Oprincipalusofinaldeenergianasresidênciasbrasileiraséacocçãodealimentos,seguidopelaconservaçãodealimentosepelo
aquecimentodeágua.Areduçãodaparticipaçãoenergéticadacocçãodealimentosnoperíodoentre2005e2023podeserexplicadapelo
processodetransiçãoenergéticadasfamíliasmaisdesfavorecidasquesubstituemoconsumodebiomassastradicionaisporcombustíveis
maismodernoseeficientesàmedidaqueprogridemeconomicamente.Jáailuminaçãovemperdendoparticipaçãoaolongodotempoem
funçãodousocadavezmaisdisseminadodelâmpadasmaiseficientes,sobretudoasfluorescentescompactaseasdetecnologiaLED.
Oaumentodaparticipaçãodeequipamentoselétricoseeletrônicospodeserexplicadopeloaumentodassuaspossespelasfamílias,que
acompanhaumatransiçãotecnológicaedecostumes.
Figura 17: Evolução da participação energética dos usos finais na demanda residencial de energia
Fonte: Elaborado por EPE
64%
57%
52%
51%
48%
9%
10%
11%
12%
12%
10%
11%
12%
12%
12%
5%
6%
9%
10%
10%
5%
9%
10%
10%
13%
0%
20%
40%
60%
80%
100%
20052010201520202023
Lavanderia
Iluminação
Entretenimento e comunicações
Outros equipamentos elétricos
Climatização de Ambientes
Aquecimento de água
Conservação de alimentos
Cocção de alimentos
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Evolução do percentual de domicílios que aquecem água por fonte de energia
Aeletricidadeéafontedeenergiamaisutilizadapelasresidênciasbrasileirasparaaquecimentodeáguaatravésdoschuveiroselétricos.
Estimou-sequeapossemédiadechuveiroselétricosnopaísfoide0,71equipamento/domicílioem2023eaparticipaçãodosdomicíliosque
utilizamenergiaelétricanoaquecimentodeáguaatingiu86,9%noano.Ademais,aparticipaçãodosdomicíliosqueutilizamenergiasolar
térmicaparaaquecimentodeáguachegoua4,1%dototaldashabitaçõesqueaquecemáguaem2023.
Existemregiõesdopaísquesãomuitoquentes,comooNorteeoNordeste,oquepodecontribuirparaosbaixospercentuaisdedomicíliosque
aquecemáguaparabanho,comoilustraaPesquisadePosseeHábitosdeUsodeEquipamentos-PPH2019(PROCEL/ELETROBRAS).Cálculosda
EPEutilizandoosdadoscoletadosnestapesquisaestimamqueemmédiacercade35%dosdomicíliosbrasileirosnãoaqueciamáguaparabanho
nopaísem2019,sendoquenoNorte(94%)enoNordeste(88%)essasestatísticasforammuitomaiores.
Figura 18: Evolução do percentual de domicílios que aquecem água por fonte de energia
Fonte: Elaborado por EPE
Os aquecedores a gás, podendo ser instantâneos ou de
acumulação, são uma alternativa aos chuveiros
elétricos, principalmente em áreas urbanas com
infraestrutura de distribuição de gás. Estimou-se que a
participação dos domicílios que utilizam gás no
aquecimento de água alcançou 8,4% em 2023.
Esses equipamentos são normalizados pelo Programa
Brasileiro de Etiquetagem (PBE), coordenado pelo
INMETRO. Além disso, existem legislações de índices
mínimos de aquecedores a gás, iniciadas pela
publicação em 2008 da Portaria Interministerial
MME/MCT/MDIC N
0
298 e que foi revisada em 2011 pela
Portaria Interministerial N
0
324.
95%
93%
90%
88%
87%
0%
20%
40%
60%
80%
100%
20052010201520202023
EletricidadeGásSolarOutros
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Evolução do percentual de domicílios que cozinham alimentos por fonte de energia
OGLPconsegueterumacapilaridadegrandenoBrasil,atingindo91%dosdomicíliosnacionaisem2023.Autilizaçãodogásnaturaléainda
pequena(5,6%dashabitaçõesnacionais),restritabasicamenteàsáreasurbanasdecidadescominfraestruturadedistribuição.
Figura 19: Evolução do percentual de domicílios que cozinham alimentos por fonte em relação ao total de domicílios nacionais
Fonte: Elaborado por EPE
O uso da eletricidade na preparação de alimentos
vem crescendo ao longo do tempo, principalmente
devido ao aumento da posse de micro-ondas (65%
em 2023).
Com a evolução da tecnologia e a diminuição de
custo, aumentam as possibilidades das pessoas
adquirirem esses tipos de aparelhos elétricos para
uso doméstico, pelo fato de serem práticos e gerarem
bons resultados. Incluem-se nesse conjunto de
equipamentos, micro-ondas, fornos e fogões
elétricos, sanduicheiras, grills, torradeiras,
fritadeiras elétricas, panelas elétricas, entre outros
dispositivos.
Aparticipaçãodasbiomassastradicionais(lenhaecarvãovegetal)paraacocçãodealimentosnashabitaçõesdopaíscaiuentre2005e2015em
funçãodoprogressodasituaçãoeconômicadasfamíliasbrasileirasmaisdesfavorecidas,masapresentouummovimentodereversãode2015a
2020,emrazãodapioradoquadroeconômico,composteriorreduçãonosanosseguintesaté2023.
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
100%
2005200720092011201320152017201920212023
BiomassasGLPGNEletricidade (Fogão Elétrico)Eletricidade (Micro-ondas)
Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024
Setor Residencial
Página| 38
Aconservaçãodealimentoséousofinalcommaiorconsumopordomicíliodopaís,representandoemmédia25%doconsumoresidencialdeeletricidadeanual.
Issoseexplicapelofatodeasgeladeirasestaremempraticamentetodasasresidênciasbrasileiras,ficaremligadasàs24horasdetodososdiasdoanoeteremum
consumoespecíficosignificativo.
Apesardapossebaixade0,18equipamento/domicíliodoscondicionadoresdearem2023,elespossuemomaiorconsumomédioporaparelho,oqueresultana
segundaposiçãoentreosmaiseletrointensivosem2023(cercade16%dototaldoconsumoresidencialnoano).VentiladoreseCirculadoresdeArpossuemuma
posseumpoucomaiorque1equipamento/domicílio,sendoumasoluçãodemenorcustoparaaclimatizaçãoambiental.
Apossedechuveiroselétricoscaiuentre2005e2023.Apesardeoconsumomédioanualporequipamentoteraumentadodevidoàaquisiçãodechuveirosde
maiorpotência,aparticipaçãodesseequipamentonoconsumoresidencialdeeletricidadeanualreduziusignificativamentedesde2005,chegandoa13%em2023.
Apenetraçãodeequipamentosmaiseficientes,emsubstituiçãoaosmaisantigos,tendeareduziroconsumomédiodoestoqueexistentenopaís.
Eletricidade –usos finais, posse e consumo médio anual por equipamento
Figura 21: Equipamentos no consumo residencial de energia elétrica
Fonte: Elaborado por EPE
Figura 20: Posse e consumo médio anual por equipamento
Fonte: Elaborado por EPE
0,05,010,0
Condicionador de Ar
Lâmpadas
Chuveiro elétrico
Máquina de lavar
Geladeira
Ventilador/Circulador Ar
Televisão
unidades/domicílio
29%
26%
25%
26%
25%
12%
12%
15%
17%
16%
21%
18%
15%
14%
13%
11%
11%
8%
4%
4%
0%
20%
40%
60%
80%
100%
20052010201520202023
Máquina de lavar
Lâmpadas
Televisão
Ventilador/Circulador Ar
Chuveiro elétrico
Condicionador de Ar
Geladeira
- 500 1.000 1.500
kWh/equipamento
2023
2005
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Setor Residencial
Página| 39
ODEX Residencial
ODEXéumindicadorutilizadoparaavaliaroganhodeeficiênciaenergéticaemumperíodo.Estamedidaparaasresidênciasagregaa
tendênciadeconsumodosdiferentesusosfinais(nocasoenergético),ouosprincipaisequipamentoselétricos(nocasoelétrico),combase
emseuspesosnoconsumototal.
Figura 22: Evolução do ODEX residencial calculado para energia total e eletricidade
Fonte: Elaborado por EPE
Paraaeletricidade,observa-seumareduçãodoconsumoespecíficomédiodoestoquenacionaldeequipamentos,emfunçãodaprimeiracompraou
substituiçãodeaparelhosobsoletosouemfinaldevidaútilporaparelhosmaiseficientes.Porsuavez,aoconsiderarasdemaisfontesdeenergia,épossível
observarquehouveumaestabilizaçãodoODEXentre2017e2020quepodeserexplicadaporumaligeiraintensificaçãodousodebiomassaparacocção
devidoaoaumentodasrestriçõesorçamentáriaseaumentodopesodoGLPnasdespesasfamiliares,principalmenteparaasfamíliasdebaixarenda.
Tendência de eficiência energética no
setor residencial brasileiro entre 2005
e 2023.
Enquanto o ODEX calculado para
eletricidade assinalou queda de 14,1%
(0,8% a.a.) entre 2005 e 2023, a
retração do ODEX para a energia foi de
20,9% (1,2% a.a.). Observa-se, que nos
últimos anos, o declínio do indicador é
mais significativa para a energia
elétrica, sugerindo a importância dessa
fonte na conservação de energia
residencial no país.
75
80
85
90
95
100
2005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023
Energia
Eletricidade
Nota.AmetodologiadoODEXResidencialfoiatualizadadeformaaisolaroefeitoposseeusodoconsumoespecíficodosequipamentose,consequentemente,destacarosganhosdeeficiênciaenergéticaporequipamentos.Osequipamentos
consideradosnocálculodoODEXelétricosãolâmpadas,geladeiras,máquinadelavar,TV,chuveiroelétrico,arcondicionadoeventiladores.JánoODEXenergético,alémdoconsumoenergéticodosequipamentoselétricosconsideradosnoODEX
elétrico,sãoconsideradostambémoconsumodasdiferentesfontesenergéticasparaaquecimentodeáguaecocçãodealimentos.
GANHOS DE EFICIÊNCIA
(quanto menor, mais eficiente)
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Página| 40
Setor de Serviços
(comercial e serviços públicos)
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Setor de Serviços
Página| 41
[1]
Setores comercial e público conforme a classificação do Balanço Energético Nacional
Panorama: evolução do consumo final energético, por fonte, no setor de serviços
1
Aeletricidadeéafontepreponderantedeconsumofinaldeenergianosetorcom90%departicipação,oGLP(6,2%)eogásnatural(1,1%).
Caberessaltarqueosdadosdeconsumofinalnãoincluemautilizaçãodogásnaturaldestinadaàgeraçãodeeletricidade,segundoa
metodologiadoBalançoEnergéticoNacional(BEN).
Figura 23: Consumo final energético por fonte nos serviços
Fonte: EPE (2024a)
Aeletricidadeéaprincipalfontenessesetor,eapresentouumcrescimentomédioanualde3%noperíodo(2005-2023).Aeletricidadeadvindade
fontesolarfotovoltaicacresceu13,1%econtacomumaparticipaçãode1,3%noconsumodeenergiadosetordeserviços.
A eletricidade é a fonte de consumo final
mais importante do setor. Pode estar
associada a diversos fatores como a
disponibilidade da eletricidade, o aumento
da posse de equipamentos elétricos nos
estabelecimentos, a automação dos
processos e equipamentos, a substituição
de equipamentos de uso de GLP e gás
natural pela eletricidade, como por exemplo
em fornos e fogões, entre outros fatores.
83,1%
88,1%
91,1%
91,2%
89,8%
6,2% (GLP)
1,1% (Gás Natural)
20052010201520202023
Outros
Gás Natural
Óleo Combustível
Gás Liquefeito de Petróleo
Eletricidade
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Setor de Serviços
Página| 42
Figura 24: Evolução do consumo de eletricidade e área do setor comercial
Fonte: Elaborado por EPE
Análise:SetorComercial
Em2023,oconsumodeeletricidadedosetorcomercialteveumaaumentode7%,quandocomparadoaoanoanterior,jáaáreaconstruída
obteveumaumentode1,2%.Analisandooperíodode2006-2023,observa-seumaumentocrescentedaáreadeestabelecimentos
comerciaiscomtaxamédiaanualde3,1%,enquantonomesmoperíodooconsumodeeletricidadedosetorapresentaumaumentode3,8%
a.a.OsdadosdoboletimeconômicodaABRAVA(Dezembrode2023)apontamumcrescimentoem2023de10%paraosequipamentos
centrais(toneladaderefrigeração–TR)e14%paraofaturamentodetodoosetoremrelaçãoa2022,grandepartemotivadapelaretomada
dosserviçoseastemperaturasmédiaselevadas.
O consumo de eletricidade teve uma taxa de
crescimento de 7,1% em 2023, comparada
com o ano anterior . Esse aumento em parte
justifica-se pelo aumento da temperatura e
pela taxa de crescimento do faturamento,
segundo a ABRAVA (dezembro 2023).
Em 2023, o PIB da Construção Civil teve uma
queda de 0,5% (IBGE), a retração pode estar
associada a taxa de juros e ao fim das
pequenas reforma iniciadas na pandemia da
covid-19 (CBIC).
1.000
1.500
2.000
2.500
3.000
3.500
4.000
30
40
50
60
70
80
90
100
110
120
200620082010201220142016201820202022
Área (milhões de m²)
Eletricidade (TWh)
Consumo de Eletricidade
Área (milhões m²)
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Setor de Serviços
Página| 43
Figura 25: Consumo específico¹ por metro quadrado
Fonte: Elaborado por EPE
Indicadoressetoriais:consumoporm²dasedificaçõescomerciaisepúblicas
Noperíodode2006–2014,oconsumodeenergiapormetroquadradonasedificaçõescomerciaisepúblicasteveumcrescimento,devidoao
aumentodaposseeusodeequipamentoselétricos.Noentanto,apartirde2014oindicadordemonstraestabilidadeaté2019culminando
emvertiginosaquedanoanodepandemiadocovid-19,comparcialretomadanosanosde2021a2023.Éimportantesalientarqueambosos
indicadoresestãosobefeitodeeficiênciaenergética,vistoquepolíticasdeeficiênciaemcursoatenuamocrescimentodoconsumo.
Entretanto,háoutrosefeitosquecorroboramparaastrajetóriasilustradas,como:
▪AimplementaçãodaResolução414/2010daAneel,quereclassificoupartedoconsumodeeletricidadedecondomíniosprediais,antes
contabilizadanosetorresidencial,nosetorcomercial.
▪Oefeitoclimáticoqueintensifica/atenuaousodeequipamentosdecondicionamentoambientaltaiscomocondicionadoresdear,
ventiladores,entreoutroseosderefrigeração.
▪Criseshídrica,econômicaesanitáriaaolongodosúltimosanos.
2,5
3,0
3,5
4,0
4,5
5,0
25,0
30,0
35,0
40,0
45,0
50,0
200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023
tep/m²
kWh/m²
kWh/m²
tep/m²
Dados∆% 23/22
Consumo de Eletricidade
7%
Consumo de Energia
8%
Área (milhões m²)
1%
[1]
Não inclui consumo dos segmentos: iluminação pública, água, esgoto e saneamento.
O consumo em tep considera todos os energéticos.
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Setor de Serviços
Página| 44
Osetordeserviçoséumsetordiversificadocomcaracterísticaseperfildeusodistintos.Noentanto,observa-seadistribuiçãodoconsumode
energiaporsegmentonoperíodo,comumacertahomogeneidade.Destacam-sedoissegmentos,edifíciospúblicoscomumaretraçãonoconsumo
deenergiaeumaaumentoparaasaúde.Oconsumodeenergiaem2023,quandocomparadocomoanoanterior,apresentaumaumentode7%.
Consumo de Energia por Segmento do Setor de Serviços 2006-2023
Noperíodode2006-2023,osegmentodesaúdefoioqueapresentouamaiortaxadecrescimento,com8%a.a.,quandocomparadacomos
demaissegmentos.JáosegmentoAtacadoeComércioVarejistadetémamaiorparceladoconsumocom21%dototal.Somando-seaesteos
segmentosdehotéis/restaurantesesaúde,essaparcelasobeparaametadedoconsumo.
Figura 26: Consumo final energético por segmento no setor de serviços
Fonte: Elaborado por EPE, a partir de EPE (2015)
[1]
Outros inclui condomínios prediais, locais públicos (teatro, clubes, museus, igrejas, galerias, etc.) e
difusão da informação (cinemas, rádios, TV, telefonia, etc.)
22%
22%
22%
19%
21%
18%
18%
17%
14%
16%
13%
13%
14%
15%
15%
10%
9%
10%
9%
5%
10%
10%
10%
11%
8%
10%
10%
9%
10%
9%
7%
8%
9%
10%
10%
5%
6%
6%
8%
13%
20062010201520202023
Educação
Saúde
Escritórios
Água, Esgoto e Saneamento
Iluminação Pública
Edifícios Públicos
Outros
Hotéis e Restaurantes
Atacado e Comércio Varejista
Participação no Consumo de Energia
Atacado e Comércio Varejista
21%
Hotéis e Restaurantes
16%
Saúde
13%
Total dos principais setores
50%
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Setor de Serviços
Página| 45
Participaçãodocomércioeletrôniconovarejotradicional
Observa-seaevoluçãodaparticipaçãodoe-commercenovarejotradicional,em2023atingiu8,6%.Partedaretraçãodaparticipaçãodo
consumodeenergianocomérciovarejistaécorroboradapeloaumentodasvendasnainternet.Aparticipaçãonofaturamentodocomércio
eletrônicoatingiu9,5%em2023.
Figura 28: Perfil das Regiões em compra eletrônica
Fonte: ABComm (2024)
8%
16%
3%
56%
17%
Centro-Oeste
Nordeste
Norte
Sudeste
Sul
Figura 27: Perfil dos Compradores Online: (Participação do
Faturamento)
Fonte: ABComm (2024)
Figura 29: Participação do E-commerce no Varejo Tradicional –2010
-2023
Fonte: ABComm (2024)
19,7%
13,5%
11,6%
11,4%
10,5%
10,2%
6,2%
5,0%
4,7%
3,9%
2,1%
1,0%
Eletrodomésticos
Telefonia
Casa e Decoração
Informática
Eletrônicos
Moda e Acessório
Beleza e Saúde
Outras
Esportes
Alimenção
Jogos
Cultura
2,7
2,8
2,9
3,2
3,5
4,0
4,2
4,6
5,0
6,0
7,8
7,9
8,8
9,2
20102011201220132014201520162017201820192020202120222023
AFigura29mostraoaumentocrescentedaparticipaçãodocomércioeletrônicopelainternet,lideradapelaregiãoSudestecom56%departicipação
nasvendas.NaFigura28a,observa-sequeoseletrodomésticosetelefoniasãooscommaisparticipaçãonasvendasonline.
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Setor de Serviços
Página| 46
Figura 30: Distribuição dos Gastos com a Energia Elétrica –2023
Fonte: MGISP (2023)
Perfildadespesacomenergiaelétricanaadministraçãopúblicafederal
ÉpossívelanalisaroperfildadespesacomenergiaelétricanaadministraçãopúblicaFederalatravésdoPaineldeCusteiodaAdministrativo.No
momento,opaineldisponibilizaainformaçãodadespesa,naFigura30observa-seadistribuiçãoporórgão.Naausênciadedadosdeconsumo
deeletricidade,taisinformaçõesauxiliamavisualizaçãodasmaioresdespesasparadirecionaraspolíticas,assimcomopriorizaraçõesparaa
eficiênciaenergética.
[1]
Fundo nacional inclui por exemplo: Fundo Nacional da Saúde, Desenvolvimento da Educação, Índio,
de Artes, Antidrogas, Cultura, Aviação Civil e etc.
21,2%
19,8%
16,6%
9,1%
8,6%
7,5%
7,0%
5,7%
2,2%
1,2%
1,0%
0,0%
Universidade
Fundo Nacional
Administração Direta
Empresa Pública
Ministério
Instituto Federal
Fundação Pública
Autarquia Especial
Autarquia
Sociedade de Economia Mista
Agência Reguladora
Hospital Universitário
Em2023,observa-sequecercade60%dadespesacomenergiaelétricaestáconcentradaemtrêssegmentos:Universidades(21%),Fundo
Nacional¹(20%)eAdministraçãoDireta(17%).Comoperfildosgastoscomaenergiaelétricaépossívelidentificarossegmentoscommaior
potencialdeeficientização.
Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024
Página| 47
Setor Industrial
Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024
Setor Industrial
Página| 48
123,8
105
2005200720092011201320152017201920212023
Evolução do consumo de energia e valor adicionado da indústria brasileira
Figura 31: Consumo energético e Valor Adicionado das indústrias no Brasil (Número índice 2000 = 100)
Fonte: Elaborado por EPE, a partir de EPE (2024a) e IBGE (2023a)
Odescolamentoobservadodesde2015,entreascurvasdeconsumoenergéticoeovaloradicionado,resultaemincrementodaintensidade
energética,oquenãoestánecessariamenterelacionadoàeficiênciaenergéticadasplantasindustriais,massimaoutrosefeitoscomopor
exemploamaiorparticipaçãodesegmentosenergointensivosnosúltimosanos.
[1]
Bens industriais nacionais com algumas exceções
Crise
econômica
global
Após os impactos da
covid-19, a economia
vem se recuperando,
com crescimento de
3,6% a.a. (2020-2023).
Pandemia
da covid-19
Tendência de crescimento da
atividade industrial e do consumo
energético na indústria
(intensidade energética se mantém
relativamente estável).
O enfrentamento decrises econômicas
associadas ao cenário doméstico deteriorado se
refletem na retração do PIB industrial devido à
redução na produção dos bens industriais
nacionais¹.
Crise
econômica
brasileira
2020
118,4
Consumo final energético industrial
Índice VA industrial (exclui setor energético)
Intensidade Energética
NÚMERO ÍNDICE (100 = ano de 2005)
Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024
Setor Industrial
Página| 49
72,5
88,0
89,7
+18,2
-16,2
-4,8
+26,9
- 2,1
- 8,9
2005Estrutura2013Estrutura2023
Consumo
(milhões de tep)
ConsumoAtividadeEstruturaIntensidade
Decomposição dos efeitos no consumo de energia: o que está por trás do aumento da
intensidade energética industrial?
Noprimeiroperíodopraticamentetodosossegmentoscrescem,compoucavariaçãoestruturaldentrodaindústria.Jánosegundoperíodo,a
tendênciaseinverteemfunçãodereduçãodaatividadeeconômicaeseurebatimentodaatividadeindustrial,provocandoalteraçãonaestrutura
deconsumodeenergianaindústriabrasileira.
Figura 32: Decomposição¹ dos efeitos intensidade, estrutura e atividade
Fonte: Elaborado por EPE, a partir de EPE (2024a) e IBGE (2023a)
Os três efeitos principais que compõe a variação do consumo
industrial são: o VA (valor adicionado -nível de atividade), a
participação relativa dos segmentos industriais (isto é, a estrutura
da indústria) e a intensidade de cada segmento (relação entre
consumo energético e valor adicionado de cada segmento).
Entre 2005 e 2013 houve grande aumento da atividade industrial,
associado à redução do efeito estrutura e do efeito intensidade. As
indústrias que mais cresceram no período foram cimento, açúcar,
papel e celulose, e mineração.
No período entre 2013 e 2023 houve redução da atividade
econômica, com queda no VA da mineração, de outras indústrias
e da indústria química, e na produção física de cimento e aço. A
alteração da estrutura na indústria foi marcada pelo aumento da
participação de segmentos energointensivos acima da média da
indústria, tais como papel e celulose, ferroligas e açúcar.
>> Mais detalhes sobre a decomposição na seção
[1]
Decomposiçãodavariaçãodoconsumoenergéticodaindústriaemefeitoatividade,estruturae
intensidade,conformemétodoLMDII(“logarithmicmeanDivisiaindexmethodI”)comdecomposição
aditiva(Ang&Liu,2001).
Definições
Definições
Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024
Setor Industrial
Página| 50
97,3
118,4
75
80
85
90
95
100
105
110
115
120
125
2005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023
Índice (100 = ano 2005)
OODEXdaindústriaébaseadonosíndicesdeconsumounitárioporsegmento(cimento,cerâmica,têxtiletc.)ponderadospelasuaparticipação
noconsumototaldeenergiadosetor.Oconsumounitáriopodeserexpressoemdiferentesunidadescomobjetivodeforneceramelhor“proxy”de
avaliaçãodaeficiênciaenergética,taiscomooconsumodeenergiaporunidadedeproduçãofísicaouporunidadedevaloradicionado.Esta
abordagempermitemitigaroefeitoestruturaentreossegmentosdaindústria,diferentementedoqueocorrecomaintensidadeenergética.
ODEX industrial
Intensidade Energética
NÚMERO ÍNDICE (100 = ano de 2005)
O indicador ODEX é uma alternativa ao uso da intensidade energética...
Evolução da
eficiência
energética segundo
o indicador de
Intensidade
Energética
Evolução da eficiência
energética segundo o ODEX
GANHOS DE EFICIÊNCIA
(quanto menor, mais eficiente)
Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024
Setor Industrial
Página| 51
100
99,9
100,0
100,0
99,4
98,7
98,3
98,4
98,4
98,1
98,2
98,2
97,9
97,0
96,5
95,7
95,6
96,1
97,3
75
80
85
90
95
100
2005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023
Índice (100 = ano 2005)
ODEX do consumo de energia do setor industrial
ParaocálculodoODEX,foiconsideradaavariaçãodoconsumoespecíficocombasenaproduçãofísicaparaossegmentosdasiderurgia,
papelecelulose,cimentoeaçúcar,osquaisrepresentamcercade60%doconsumodeenergianaindústria.Jánossegmentosdeoutros
alimentícios,têxtil,química,cerâmica,ferroligas,outrosdametalurgia,mineraçãoeoutrasindústrias,ocálculoéfeitoapartirdavariaçãoda
intensidadeenergética.Emambososcasos,asvariaçõessãoponderadaspelopesodecadasegmentonoconsumofinaldeenergiadosetor.
EmboraoODEXindustrialtenhasemantidorelativamenteestávelaolongodetodooperíodo,observa-serelativoaumentodesteindicadornos
anosde2022e2023,decorrenteemgrandemedidadoefeitoestruturainternoaalgunssegmentosenergointensivos.
Figura 33: ODEX industrial
Fonte: Elaborado por EPE
GANHOS DE EFICIÊNCIA
(quanto menor, mais eficiente)
Definições
Definições
>> Mais detalhes sobre o ODEX na seção
[1]
ParadetalhesarespeitodocálculodoODEX,acesse:ManualMetodológicodoAtlasdeEficiênciaEnergética
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Setor Industrial
Página| 52
Particularidades de alguns segmentos contribuíram para o aumento do ODEX industrial
Aolongodoanode2023,verificou-sereduçãomaisacentuadadaproduçãodasaciariaselétricas(cercade12%dequeda)doqueda
produçãodeaçobrutonassiderúrgicasintegradas(cercade5%dequeda).O“mix”dasiderurgianoanode2023,comparadoaoanoanterior,
teveacréscimodoseuconsumoespecífico,contribuindoparaoaumentodoODEXdaindústria,oquenãosignificaqueasrotas
tecnológicasindividualmenteficarammenoseficientes.
Nosegmentodecimento,verifica-seumesforçoqueosetortemempreendido,comoobjetivodereduzirasemissõesdegasesdeefeito
estufa(GEE),incluindoautilizaçãodecombustíveisalternativos,taiscomopneus,resíduosindustrias,resíduossólidosurbanos,e“outras
fontesrenováveis”comocarvãovegetal,madeira,resíduosagrícolas,biodieseleoutrasbiomassas.Estesmovimentoseventualmente
provocamaumentodoconsumoespecíficodeenergianosegmento,comofoiverificadoaolongodoanode2023.Ouseja,priorizou-sea
reduçãodasemissõesemdetrimentodaeficiênciaenergéticaglobaldosegmento.
NosegmentodeNãoferrososeoutrosdametalurgia,aproduçãodeAlumínioprimáriotevecrescimentode26%noanode2023,em
grandemedidadevidoàretomadadasoperaçõesdaAlumar¹.Aatividadedeproduçãodealumínioprimárioéeletrointensivaerespondepor
partesignificativadoconsumodeeletricidadedogrupo.Noentanto,emtermosdevaloradicionado(VA),suaparticipaçãoébaixaquando
comparadaaosdemaisprodutos.AcombinaçãodestesfatorescontribuiuparaoaumentodoODEXdestesegmentoem2023.
Segmentosqueapresentamrotastecnológicaseprodutosdiferenciadossofreminfluênciadeefeitoestruturainterno.Porexemplo,oconsumo
específicoparaaproduçãodepapelrecicladoémuitoinferioraoconsumoespecíficoparaaproduçãodecelulose.Damesmaforma,aprodução
deaçobrutoapartirdesucata(aciariaelétrica),requermenosenergiaportoneladadeaçoquandocomparadoàsplantassiderúrgicasintegradas.
[1]
MaioresdetalhessãodestacadosnaseguintepublicaçãodaEPE:
BoletimTrimestraldoConsumodeEletricidade–AnoIV–Número16–4ºtrimestrede2023
Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024
Setor Industrial
Página| 53
Linha do tempo: políticas e programas de eficiência energética
Principais destaques de políticas de eficiência ligadas ao setor industrial
Fonte: EPE.
2021198520002011
20202022
1991
20011984
Programa Brasileiro de Etiquetagem
[INMETRO/MDIC]
▪Motores elétricos de indução trifásicos até 250CV
▪Bombas e motobombas centrífugas até 25CV
CONPET
[MME]
PROCEL²
[ENBPar/MME]
Lei Nº 9.991 | Programa de EE, P&D e Procel
[ANEEL]
▪R$ 93 mi em 42 projetos do PEE/ANEEL na
indústria (2009-2018), economizando 135
MWh/ano
▪Chamada de Projeto Prioritário nº 2/2015:
substituição de motores elétricos
▪R$ 492 mi do P&D/ANEEL em eficiência
Lei Nº 10.295 | Padrões mínimos de eficiência
[MME/MCTIC/MDIC]
▪Motores elétricos de indução trifásicos até
500CV
▪GT Motores recondicionados
PNEf
Plano
Nacional de
Eficiência
Energética
[MME]
PotencializEE
Programa Investimentos
Transformadores de
Eficiência Energética na
Indústria
[MME/GIZ]
RedEE Indústrias
[MME/ GIZ/ Ahk São Paulo]
FGEnergia
Fundo Garantidor
para Crédito a
Eficiência
Energética
[BNDES e PROCEL]
A Lei n°13.280/2016
alterou a Lei 9.991/2000,
destinando 20% dos
recursos de eficiência
energética ao Procel.
2016
▪Programa Aliança
▪Programa Brasil mais Produtivo EE
▪Estruturação por meio de indicadores
e normalização
▪Promoção da gestão de energia
▪Índice de Malmquist e Data Envelopment Analysis
▪Análise de impacto regulatório (AIR) para certificação compulsória de
transformadores de distribuição
▪AIR da melhoria do serviço de reparo de motores
▪Implementação do Plano de Negócios para Rede Lamotriz
▪Ferramenta computacional para análise de sistemas de bombeamento
▪Programa Aliança 2.0
▪EE Digital
▪Programa de EE em Sistemas de Ar Comprimido
▪Metodologia para Sistemas Térmicos e Motrizes
▪Estudo sobre sistemas motrizes
▪Avaliação da rede Lamotriz
▪Impacto do reparo de motores no rendimento
▪Aplicação de Sistemas Termossolares
▪Plano de comunicação de reparo de motores
▪Laboratório de reparo de motores
[1]
Lista não exaustiva
[2]
A Lei n°13.280/2016 alterou a Lei 9.991/2000, destinando 20% dos recursos de eficiência energética ao
Procel.
1º PAR2º PAR3º PAR4º PAR
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Página| 54
Perfil da indústria
Ousodederivadosdepetróleoperdeparticipaçãodevidoàreduçãodousodoóleocombustívelemtodosossegmentos,emenor
participaçãodocoquedepetróleonaindústriadecimento.Ocarvãovegetaltambémperdeparticipaçãopelareduçãodoseuusonosetor
siderúrgico,mesmosendomaisutilizadopelosetordeferroligas.Olicorpretoganhaparticipação,acompanhandoaindústriadecelulose,
queutilizaessecoprodutoemseusprocessos.
Em2023,asindústriasdealimentosebebidas,ferrogusaeaçoepapeleceluloseforamasmaisrepresentativasemtermosdeconsumo
energético.Aeletricidadeéafontemaisrelevanteevemganhandomodestaparticipação.
Figura 34:Participação da indústria por segmento
Fonte: EPE (2024a)
Figura 35: Matriz energética da indústria
Fonte: EPE (2024a)
23%
19%
20%
19%
17%
25%
27%
25%
30%
30%
10%
8%
8%
7%
7%
11%
12%
14%
16%
16%
8%
8%
9%
7%
9%
7%
8%
7%
6%
6%
20052010201520202023
Têxtil
Ferroligas
Mineração e pelotização
Cerâmica
Cimento
Não ferrosos
Outras indústrias
Papel e celulose
Química
Alimentos e bebidas
Ferro gusa e aço
15%
14%
13%
11%
10%
21%
21%
20%
21%
22%
14%
14%
15%
14%
13%
16%
13%
13%
14%
13%
18%
20%
18%
22%
22%
10%
11%
11%
9%
10%
5%
6%
7%
8%
9%
20052010201520202023
Demais fontes
Licor preto
Gás natural
Bagaço de cana
Lenha e carvão vegetal
Carvão mineral e derivados
Eletricidade
Derivados de petróleo
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Página| 55
Informações adicionais
de segmentos
selecionados da indústria
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Página| 56
Segmentos selecionados da indústria
85%
88%
91%
94%
97%
100%
200020012002200320042005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023
Mundo
Brasil
Siderurgia: difusão do lingotamento contínuo
Oprocessodesolidificaçãodoaçolíquidopodesedarpormeiodolingotamentoconvencional¹oudolingotamentocontínuo.Olingotamento
contínuopodeserconsideradoumasdasinovaçõesradicaisnasiderurgiamundial,poispassouapermitiraltorendimentosemiacabado/aço
líquido(cercade98%),sendomaiscompactoeconferindomelhorqualidadeaoprodutofinal.
Figura 36: Taxa de difusão do lingotamento contínuo na siderurgia, Brasil e Mundo (percentual)
Fonte: Worldsteel (2009, 2019, 2021, 2023, 2024)
Adifusãomundialdolingotamentocontínuopassoude87,1%(em2000),para94,9%(em2010)eainda96,7%(em2023).Duranteesseperíodo,a
importânciarelativadolingotamentocontínuonoBrasilfoisuperioràmédiamundial.
[1]
Utilizando lingoteiras, um molde que tem a função de receber metal ou liga metálica no estado líquido, quente, para
formar determinada peça após o tempo de cura, quando o material se solidifica.
98,4%
96,7
%
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Página| 57
Segmentos selecionados da indústria
Avanços normativos, pesquisas em química do cimento, desenvolvimento de
novos cimentos, entre outros, permitiriam o avanço na incorporação de adições
ao cimento, em substituição ao clínquer, que hoje chega em média a 32%,
reduzindo as emissões de gases de efeito estufa associadas à calcinação e ao
uso da energia.
Cimento: consumo específico e conteúdo de clinquer
AindústriadocimentonoBrasilpossuiumparqueindustrialmodernoeeficiente,eemconstanteatualização.Maisde99%daproduçãoé
feitaemfornosviaseca(maiseficiente),cercade40%doparqueindustrialpossuimenosde15anosecontacommaisde70%deseus
fornosequipadoscomtorresdepré-aquecedoresde4a6estágiosepré-calcinadores(EPE,2021)¹.Modernosresfriadoresdegrelhaequipam
80%dosfornosbrasileiroseaproximadamente50%dosmoinhosdematéria-primasãoverticais,estesconsideradososdemenorconsumo
elétrico.
Figura 38: Índice de variação do consumo específico de cimento (clínquer e cimento)
Fonte: Elaborado por EPE, a partir de EPE (2024a).
Figura 37: Consumo energético específico na indústria de cimento
Fonte: Elaborado por EPE, a partir de EPE (2024a).
A Figura 38 permite avaliar, separadamente, os consumos específicos térmico e
elétrico relativos às produções de clínquer e cimento, respectivamente. O
consumo de eletricidade se dá majoritariamente na produção de cimento
(moagem), e o de combustíveis na produção de clínquer (forno).
O consumo específico térmico do clínquer reduziu 14% ao longo de todo
horizonte, enquanto o consumo específico elétrico do cimento reduziu 3%.
0,082
0,084
0,075
0,072
0,0690,069
75%
73%
68%
64%
66%
70%
50%
60%
70%
80%
90%
100%
0,000
0,025
0,050
0,075
0,100
200020052010201520202023
clínquer/ cimento
tep/ ton. cimento
Consumo específico do cimento (tep/ton)Conteúdo de clínquer no cimento (em massa)
100,0
95,4
96,7
89,4
82,2
85,9
97,6
93,9
94,9
95,9
97,4
70
80
90
100
110
200020052010201520202023
Número índice
(100 = ano 2000)
Consumo específico térmico do clínquerConsumo específico elétrico do cimento
[1]
EPE (2021) utilizou dados do Roadmap Tecnológico do Cimento, disponível em:
roadmap-tecnologico-do-cimento-brasil.pdf
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Página| 58
Segmentos selecionados da indústria
Cimento: matriz energética e coprocessamento
Amatrizenergéticadaindústriadecimentosofreumudançasaolongodotempo.Nascrisesdopetróleohouvemomentâneamigraçãode
óleocombustívelparacarvão(mineralevegetal).Nosanos2000osetormigrouparaocoquedepetróleoimportadoemdetrimentodoóleo
combustível.Atualmente,ocoquedepetróleoéaprincipalfonte,emfunçãodebaixopreçoegarantiadeabastecimento.
Figura 39: Consumo final energético por fonte na indústria de cimento
Fonte: EPE (2024a).
Nota: “Outras” inclui gás natural, lenha, óleo diesel e GLP
A participação dos combustíveis alternativos vem ganhando representatividade em substituição ao coque de petróleo, e chegou a23% do
consumo em 2023.
A partir dos anos 2000, uma nova revolução energética
começa a ganhar relevância, que é a dos combustíveis
alternativos, caracterizados pelo coprocessamento de
resíduos e pela utilização de biomassas.
O coprocessamento tem diversos benefícios ambientais
por fornecer uma destinação adequada aos resíduos e
pela redução de emissões de GEE (uma vez que estes
resíduos, em sua grande maioria, têm um fator de
emissão menor que o dos combustíveis fósseis
tradicionais).
Esta transição energética exigiu –e exigirá ainda mais –
investimentos do setor em adequação e adaptação do
processo produtivo, além do aperfeiçoamento em
monitoramento e controle (EPE, 2021).
55%
65%
74%
69%
62%
57%
15%
12%
13%
13%
14%
14%
13%
9%
8%
9%
17%
23%
200020052010201520202023
Outras
Combustíveis alternativos
Carvão mineral
Carvão vegetal e lenha
Eletricidade
Óleo combustível
Coque de petróleo
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Página| 59
Segmentos selecionados da indústria
Papel e Celulose: perfil e reciclagem
Aproduçãodecelulosevemaumentandoemritmomaisaceleradoqueaproduçãodepapel,comgrandesfábricasapenasdecelulosee
aumentodasexportações,dadaagrandecompetitividadedoprodutobrasileiro.Em2020aproduçãodomésticadecelulosejáeraodobroda
produçãodepapel.Comoaproduçãodeceluloseémaisenergointensivaqueadepapel,issointerferenaevoluçãodoconsumoespecífico
dosetor.
Figura 40: Razão da produção celulose/papel no Brasil
Fonte: Elaborado por EPE.
Figura 41: Taxa de reciclagem de papel no Brasil e no Mundo
Fonte: Elaborado por EPE, a partir de ICFPA (2023), ANAP (2020 e 2021) e Ibá (2024).
Areciclagemdepapeléumaimportantemedidadesustentabilidade.Asubstituiçãodopapelproduzidoapartirdapastadeceluloseporaparasdepapeléuma
açãodeeconomiacircularqueevitaoconsumoenergéticoeoutrosimpactosdaproduçãodecelulose.
Osetortemumhistóricopositivoemlogísticareversa,tendoatingindoomarcode70%detaxadereciclagemem2020,acimadamédiaglobal,de60%.Ataxade
reciclagemdeembalagenséaindamaior,chegandoa80%.
Entretanto,cabeconsiderarqueareciclagemdopapelpodealterarascaracterísticasequalidadedoproduto,enemsemprepodeserutilizadoparaamesma
aplicação,edependedeumacadeialogísticadecoletadasaparasdepapel,queestáparaalémdoslimitesfabris.
Nota: Calculado pela coleta de aparas sobre o consumo aparente de papel. Índice de reciclagem do papel no
Brasil 58,1% de acordo com o Relatório Anual Ibá 2024, disponível em: Relatório Anual Ibá 2024
106%
120%
144%
168%
206%
224%
200020052010201520202023
60%
63%
65%
68%
70%
66%
70%
67%
70%
58%
58%
59%
59%
59%
60%
59%
60%
60%
2014201520162017201820192020202120222023
Brasil
Mundo
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Segmentos selecionados da indústria
Papel e Celulose: matriz energética e renovabilidade
Amatrizenergéticadosetordepapelecelulosenacionalapresentaaltonívelderenovabilidade,quechegaa90%¹.Osetorutiliza
subprodutosdoprocessodeproduçãodecelulose,alixívia(licorpreto)eresíduosdemadeira,paracogeração.Ogásnaturalpassouaser
utilizadonadécadade1980,esuaparticipaçãodesdeosanos2000érelativamenteestávelem7%,comusoprincipalmenteemcaldeiras.Já
oóleocombustívelreduziusignificativamentesuaparticipaçãode16%em2000paraatuais2%,utilizadosnapartidadecaldeiras,nosfornos
decaleemcaldeirasaóleocombustíveldepoucasplantas(EPE,2018).
Figura 42: Consumo final energético por fonte na indústria de papel e celulose
Fonte: EPE (2024a).
[1]
Assumindo a premissa de que a eletricidade consumida no setor é 100% renovável.
Em 2023, 92% do consumo do segmento foi suprido pela energia gerada pelas próprias empresas (Ibá, 2024), majoritariamente por fontes
renováveis, tais como a lixívia.
37%
43%
46%
50%
52%
54%
24%
23%
24%
22%
21%
20%
17%
16%
16%
16%
15%
15%
16%
8%
7%
9%
9%
10%
10%
9%
200020052010201520202023
Outras não-renováveis
Óleo combustível
Eletricidade
Outras renováveis
Licor preto
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Página| 61
Segmentos selecionados da indústria
Alumínio: evolução da taxa de recuperação de sucata de alumínio
Em2023,comumconsumode32,3bilhõesdelatasdealumínio,oequivalenteamaisde150latasporpessoaaoano,oBrasilapresentauma
taxadereciclagemdealumínioqueatingiu57%,mantendo-seacimadamédiamundial.
[1]
Utilizando lingoteiras, um molde que tem a função de receber metal ou liga metálica no estado líquido,
quente, para formar determinada peça após o tempo de cura, quando o material se solidifica.
Figura 43: Evolução da taxa de recuperação de sucata de alumínio
Fonte: Elaborado por EPE, a partir de ABAL (2024).
35%
35%
34%
39%
46%
52%
54%
56%
54%
55%
55%
59%
57%
29%
28%
29%
0%
20%
40%
60%
80%
2011201220132014201520162017201820192020202120222023
Taxa de reciclagem¹
Brasil
Média mundial
Areciclageméumaestratégiaparaaeconomiacircular,comdiversosbenefíciossocioambientais.Oconsumoelétricodoalumíniosecundário
(reciclado)éinferioraodoalumínioprimário,queéeletrointensivo.SegundooWorldEconomicForum(2021),oconsumodoalumíniorecicladoé
daordemde5%doconsumodoalumínioprimário,dadoquetambémécorroboradoparaoBrasil,conformeapontadopeloestudodaEPE(2017).
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Página| 62
Setor de Transportes
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Setor de Transportes
Página| 63
OconsumoenergéticodoSetordeTransportes
Em2023,oconsumoenergéticonacionalaumentou4,0%emrelaçãoa2022,taxasuperioraoaumentodoPIB,de2,9%.Ademanda
energéticadosetordetransportescresceu4,4%em2023,sendoresponsávelpor36%doaumentodoconsumofinaldeenergia.Destaque
paraatividadenotransportedepassageiros,quetornouaficaracimadaregistradaem2019,antesdapandemia,aumentando15%,comum
aumentodesomente6,1%nodispêndioenergético.Aatividadenotransportedecargastambémcresceusignificativamente(3,5%),deforma
eficiente,comumaumentodedispêndiodeenergiadesomente2,1%.Nocasodotransportedecargas,aelevaçãodoconsumo
energéticotemapresentadorecordestodososanosdesde2016,estando25%acimadoníveldeatividadede2019.
Figura 44: Consumo final e do setor de transportes no Brasil
Fonte: Elaborado por EPE, a partir de dados da EPE (2024a)
Industrial; 35%
Não-energético;
8%
Residencial; 12%
Energético; 7%
Agropecuária; 4%
Outros; 5%
Industrial; 32%
Não-energético; 6%
Residencial; 11%
Energético; 9%
Agropecuária; 5%
Outros; 5%
2%
7%
12%
28%
0%
51%
3%
4%
17%
28%
5%
43%
2000
171 Mtep
2023
282 Mtep
Transportes: 28%Transportes: 33%
Diesel
BiodieselGasolina
Etanol
Querosene de Aviação
Outros
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Setor de Transportes
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Figura 45: Consumo do setor de transportes por fonte de energia (10
6
tep)
Fonte: EPE (2024a)
EvoluçãodaparticipaçãodoconsumoenergéticodoSetordeTransportes
Oincrementodademandaenergéticadosetorem2023ocorreuemfunçãonãosomentedocrescimentodotransportedecargas,mas
tambémdepassageiros.Destaqueparticularparaoaumentodademandadeóleodieseledegasolina,incentivadopeloincrementodo
consumodebens,elevaçãodasproduçõesagropecuáriaeindustrialerecuperaçãointegraldamobilidadedapopulaçãoapósapandemia.A
taxadecrescimentoregistrada,4,4%,ficouacimadaexpansãodoPIB,especialmenteemfunçãodamobilidadedapopulação.
Aatividadedossetoresmetroferroviárioedeônibusaindanãoserecuperoudapandemia.Entretanto,aatividadedotransporteindividual
maisdoquecompensouessessetores,promovendooaumentodademandaenergéticadocicloOtto.Noquetangeàatividadedotransporte
aéreo,houverecuperaçãoparaospatamarespré-pandemiaaofinalde2023(masnãonamédiadoano),comregistrodeelevaçãode
eficiência,umavezqueoconsumodequerosenedeaviaçãosemanteve7%abaixodopatamarregistradoem2019.
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
200020012002200320042005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023
10
6
tep
Gás Natural
Etanol Hidratado
Etanol Anidro
Querosene
Gasolina Automotiva
Óleo Combustível
Biodiesel
Diesel
Eletricidade
Gasolina de Aviação
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Setor de Transportes
Página| 65
41%
7%
2,7%
10%
37%
2,0%
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
20012002200320042005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023
10
6
tep
DestaqueparaocicloOtto,queatingiurecordehistóricoabsolutoem2023(7,8%acimadorecordepré-pandemia,estabelecidoem2019).Que
haviaficadoemlinhacomorecordeanteriorregistradoem2014.Poroutrolado,ademandadedieselpelotransportecoletivoporônibusestá20%
abaixodoqueseurecordeestabelecidoem2014.
Transporte Coletivo
Diesel B
Transporte Cargas
Diesel B
Transporte Individual
Gás natural veicular (GNV)
Gasolina C
Etanol Hidratado
Diesel B
Figura 46: Consumo energético por modo e fonte
Fonte: Elaborado por EPE.
3,2% a.a. (2000-2023)
2,9% a.a.
0,8% a.a.
16,2% a.a.
5,4% a.a.
3,1% a.a.
8,3% a.a.
Taxas anuais
de crescimento
2022/23
+4,4%
47%
8%
0,2%
6%
38%
0,6%
43%
7%
1%
13%
33%
2,8%
200020102023
Evoluçãodoconsumoenergéticorodoviário
Entre2000e2023,ademandadotransporterodoviáriodepassageirosaumentou113%(3,3%a.a.),eadotransportedecargascresceu94%
(2,9%a.a.).Osdestaquesparaoanode2023ficaramcomoaumentodademandadocicloOtto(+5,7%),comcrescimentodademandade
gasolinaC(+6,6%)edoetanolhidratado(+6,9%).Houveincrementotambémdademandadeóleodieselporveículosleves(+10,2%),devido
aorecordedevendasdeSUVsecomerciaislevesadiesel,assimcomododieselparaônibus(+6,5%).Ovolumedeóleodieselparatransporte
decargastambémregistrounovorecorde(+2,2%),emfunçãodoaumentodaproduçãoagrícola,darecuperaçãodaindústria,comércioe
varejo,edorecordedeexportações.
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20022005200820112014201720202023
tep/10
6
p.km
TransportedePassageiros
Em2023,otransportedepassageirosnoBrasilfoiumdosmomentosmenoseficientesemtermosdeenergiaporpassageiro-quilômetro.
Apesardeganhosdeeficiênciatécnica(deequipamentos)denovosautomóveis,metrôseespecialmenteaeronaves,otransportepúblico
perdeuusuários,quemigraramparaautomóveisoumotos,reduzindoaeficiênciasistêmicadosetor.
Figura 47: Intensidade energética por modo [tep/(10
6
p.km)]
Fonte: Elaborado por EPE
Figura 48: Atividade por modo [p.km]
Fonte: Elaborado por EPE
Total
Ferroviário
Rodoviário Coletivo
Hidroviário
Aéreo
Rodoviário Leves
Nota: a unidade “p.km” refere-se a passageiro-quilômetro.
-0,8% a.a.
-0,2% a.a.
+0,6% a.a.
-3,2% a.a.
+0,4% a.a.
-0,4% a.a.
50%
55%
60%
79%
68%
65%
44%
38%
31%
14%
23%
27%
4%
5%
7%
5%
7%
6%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
100%
200020102019202020222023
Aéreo
Aquaviário
Ferroviário
Rodoviário Coletivo
Rodoviário Leves
Aatividadedetransporteporpassageirosultrapassouosníveispré-pandemiaem2023,sendoresultadodainfluênciadediversosfatores,asaber:
manutenção de algum grau de teletrabalho em algumas cidades
redução do desemprego e o aumento da massa de renda
aumento da frota de automóveis e de motos
redução dos preços de combustíveis registrada ao longo de 2023
número de passageiros em ônibus, trens, metrôs e aeronaves abaixo
dos patamares registrados em 2019
Voos internacionais em patamares inferiores a anos anteriores,
especialmente em função do valor do câmbio, que desincentivou
viagens ao exterior
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0
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45
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Frota de Veículos
Intensidade Energética
2000
2010
2023
Este avanço reduz os ganhos de eficiência média da frota, visto que estes
apresentam eficiência um pouco inferior aos análogos dedicados. O aumento
do licenciamento de comerciais leves esportivos (SUVs) e comerciais leves a
diesel também elevou o consumo específico da frota, visto que são veículos
menos eficientes, especialmente pelo seu peso considerável.
Destaque para o crescimento percentual dos licenciamentos e da frota de
automóveis e comerciais leves eletrificados, cuja frota aumentou 74% em
2023, chegando a 220 mil unidades, representando 0,6% da frota total.
Transporteindividualdepassageiros
Etanol: 17,9%
Diesel: 4,0%
Gasolina: 78%
FlexFuel: 0%
Híb. e Elétricos: 0%
Etanol: 4,7%
Diesel: 4,4%
Gasolina: 48%
FlexFuel: 43%
Híb. e Elétricos: 0%
Etanol: 0,8%
Diesel: 7,2%
Gasolina: 14,4%
FlexFuel: 77,3%
Híb. e Elétricos: 0,3 %
A venda de automóveis acompanhou o crescimento da renda per capita
brasileira ao longo da década de 2000. Nos últimos 3 anos, foi observadauma
estabilização das vendas de automóveis leves em torno de 2 milhões de
unidades.
O histórico de iniciativas governamentais como o Programa Brasileiro de
Etiquetagem veicular (PBVE), Inovar Auto e Rota 2030, promoveram a melhoria
da eficiência energética dos veículos novos, e o avanço rápido da participação
de veículos flexfuel na frota.
Figura 49: Frota de automóveis e consumo específico de 2000 a 2023
Fonte: Elaborado por EPE.
Figura 50: Frota de leves por tipo de motorização em anos selecionados
Fonte: Elaborado por EPE.
Milhões de unidades
tep/10
6
km
+3,7% a.a.
-0,2% a.a.
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CicloOttoeotransporterodoviárioindividual
Taxas anuais
de crescimento 2000-2023
Etanol Hidratado: 5,4% a.a.
Etanol Anidro: 3,6% a.a.
Gasolina A: 2,9% a.a.
Gás Natural Veicular (GNV): 8,3% a.a.
3,6% a.a. (2000-2023)
Em2023,ademandaporcombustíveisdocicloOttocresceuaumataxaexpressivade5,7%,acimadocrescimentomédioentre2000e2023,de3,6%a.a..Avoltaaotrabalho
presencialdepartedasempresasqueaindaestavamemregimehíbridoeremotopressionouademandapormobilidade.Omaiornúmerodepessoasempregadas,eamaior
massaderendatambémestimularamademandatantoparaviagensparaoslocaisdetrabalho,comoporviagensalazer.Areduçãodonúmerodosvoosinternacionais
tambémestimularammaisviagensdomésticasrodoviárias.Oaumentodafrotadeveículoslevesemfunçãodavendarecordedemotoseretomadadavendadeautomóveis,
assimcomoadisponibilidadedetransporteporaplicativosreduziuademandapelotransportepúblico,comincrementodademandadecombustíveisdocicloOtto.
0
5
10
15
20
25
30
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45
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200020012002200320042005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023
10
6
tep
Figura 51: Consumo energético por fonte
Fonte: Elaborado por EPE.
2000
2010
14,3%
68,5%
15,7%
1,4%
26,3%
55,9%
12,1%
5,6%
21,1%
59,2%
15,7%
3,9%
2023
2019/20
-9,3%
2020/21
+4,6%
2021/22
+6,4%
2022/23
+5,7%
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Figura 52: Intensidade energética por modo [tep/(10
6
t.km)]
Fonte: Elaborado por EPE
Figura 53: Atividade por modo [t.km]
Fonte: Elaborado por EPE
1
10
100
1.000
20022005200820112014201720202023
66,9%
70,2%
68,8%
71,1%
19,8%
20,6%
17,0%
16,5%
13,1%
9,1%
14,1%
12,3%
2000201020202023
Aéreo
Aquaviário
Ferroviário
Rodoviário
-2,0% a.a.
-2,1% a.a.
-2,0% a.a.
-4,3% a.a.
-0,4% a.a.
Rodoviário
Ferroviário
Hidroviário
Aéreo
Total
TransportedeCargas
Em2023,otransportedecargasbateunovorecordeemtermosdeeficiênciaenergética,reduzindoseuconsumoenergéticoporatividadede
transporteemmais1,3%,comdestaqueparaotransporterodoviárioeaquaviário.
Noquetangeaotransporteaquaviário,2023foirecordeemtermosdemovimentaçãoportuária,devidoaoaumentodasexportações,que
registraram8%decrescimentoemtoneladasmovimentadas.Esseaumentodamovimentaçãoportuáriafoiviabilizadoporinvestimentose
pelaotimizaçãodagestãoentreembarcaçõeseportos,permitindoreduziraintensidadeenergéticadestesetor.
Paraosdemaismodos,odesempenhodasexportaçõesdeminériodeferro,soja,açúcar,milhoefarelodesoja,queatingiramrecordes
históricos,contribuiuparaotransportedessesprodutostantoporferroviascomorodovias.Nestecontexto,houveanecessidadedeentrada
demuitosnovoscaminhõespesados.Muitomaiseficientesdoqueafrotaexistente,melhorandoaeficiênciaenergéticadotransportede
cargasrodoviário.Noentanto,issoelevouaparticipaçãodomodorodoviárionamatrizdetransportesdecargas.Limitandoosganhosde
eficiênciasistêmicosquepoderiamtersidoatingidoscasoessacargativessesidomovimentadaporferroviasouhidrovias.
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O licenciamento doméstico de caminhões em 2023 ficou 37% abaixo do
recorde registrado em 2011 e 15% abaixo do valor atingido em 2022.
Importante destacar que o licenciamento de caminhões semipesados e
pesados, com 82 mil unidades, ficou 38% acima do valor médio registrado
entre 2000 e 2019. Embora a estimativa seja que a frota circulante tenha
crescido 1,3%, a atividade do transporte rodoviário de cargas aumentou 4,1%.
A atividade econômica, em especial pelo bom desempenho do setor
agropecuário, da mineração, da construção civil, e do comércio eletrônico,
tem alavancado o mercado de caminhões pesados. Neste contexto, projeta-
se o aumento da carga útil média transportada por caminhão.
Por outro lado, a estimativa é que a intensidade de uso da frota tenha se
reduzido em 0,6 pontos percentuais em 2023. Isso foi causado tanto pelo
aumento da frota, como também peloincremento do uso dos modos
hidroviários e ferroviários para o transporte de longo curso, particularmente
para grãos.
Em 2023, iniciou-se a nova fase P8 do Programa de Controle de Emissões
Veiculares (Proconve). Esse programa estimula a adoção de motores mais
eficientes para atendimento aos novos limites de emissão. Em termos do
indicador (km/L), houve piora de 0,6% para caminhões pesados e 0,5% para
semipesados.
Transporterodoviáriodecargas
Figura 54: Frota de caminhões por categoria (milhões de unidades)
Fonte: Elaborado por EPE
Figura 55: Eficiência energética média de veículos novos vendidos (com carga) [km/L]
Fonte: Elaborado por EPE
Nota:OProgramadeControledeEmissõesVeiculares(Proconve)foiinstituídoparareduzirosníveisdeemissãodepoluentesporveículosautomotores.AfaseP8aplica-seaveículosnovospesadosvendidosapartirde
1
o
dejaneirode2023,eestipulanovoslimitesmáximosdeemissãoparagasesdeescapamento,partículaseruído,equivalentesaosdanormaeuropeiaEuroVI.
0,0
0,2
0,4
0,6
0,8
1,0
1,2
1,4
1,6
1,8
200020012002200320042005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023
SemilevesLevesMédiosSemipesadosPesados
0,0
2,0
4,0
6,0
8,0
10,0
200020012002200320042005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023
+1,3%a.a.
+0,8%a.a.
+1,1%a.a.
+0,6%a.a.
+0,8%a.a.
+0,8%a.a.
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10
9
litros
RodoviárioOutros usosIndustrialAgropecuária
Consumodeóleodieselebiodiesel
Figura 57: Evolução do consumo de biodiesel rodoviário e percentuais médios de adição
Fonte: Elaborado por EPE
Divisão setorial
do uso de óleo
diesel
Oanode2023registrourecordenademandadeóleodieselBparatransporte,
comconsumode41bilhõesdelitrosporcaminhõese2,4bilhõesdelitrosparao
transportedepassageirosporcomerciaisleves.
Oincrementodademandadeóleodieselrodoviáriototalem2023foide1,7
bilhãodelitros(+3,3%).Desseaumento,oscaminhõesforamresponsáveispelo
consumode946milhõesdelitros(78%dademanda),osônibuspor442
milhões,eoscomerciaislevesparatransportedepassageirospor268milhões.
Importantedestacarqueopercentualmandatóriodemisturadebiodieselno
óleodieselpassoupara12%apartirdeabrilde2023,expandindoaproduçãode
biodieselem19%.Nestesentido,oaumentodomandatóriopermitiuquea
demandaadicionaldeóleodieselBfossesupridapor970milhõesdelitrosde
biodiesel,amenizandooaumentodademandadedieselfóssilparasomente
1,5%.
79,3%
15,1%
1,8%
3,8%
2000
78,7%
13,9%
1,7%
5,7%
2010
79,6%
14,0%
2,4%
4,1%
2023
2,5%
3,6%
4,8%
5,6%
7,0%
7,8%
9,7%
10,3%
11,2%
11,0%
10,0%
11,5%
0,0
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
6,0
7,0
2005200720092011201320152017201920212023
10
9
litros
Figura 56: Consumo de diesel e biodiesel rodoviário (bilhões litros)
Fonte: Elaborado por EPE
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O setor de transportes é o maior consumidor de energia do País, seguido de perto do setor industrial. A principal razão para a elevada intensidade energética dos
transportes é o perfil da matriz de transportes, extremamente dependente do modo rodoviário. Em 2023, o transporte de cargas registrou crescimento de 3,5%, pelo
aumento da atividade econômica e da maior utilização de caminhões, conduzindo a uma elevação da demanda de óleo diesel. A demanda energética também
cresceu, apesar de avanços na eficiência energética de cada modo.
Em 2023, a atividade de transporte por passageiros ultrapassou os níveis pré-pandemia,crescendo 15%. O número de passageiros em ônibus, trens, metrôs e
aeronaves ainda ficou abaixo dos patamares registrados em 2019, com migração de usuários do transporte coletivo para o transporte individual. Neste sentido,
ocorreu o aumento da frota de automóveis e de motos. Apesar do transporte individual motorizado estar mais eficiente, comparativamente a outros anos, a perda
de usuários do transporte público reduziu a eficiência sistêmica do setor, e elevou a demanda energética do transporte de passageiros. O aumento do
licenciamento de comerciais leves esportivos (SUVs) e comerciais leves a diesel também elevou o consumo específico da frota.
ConsideraçõesFinaisdoSetordeTransportes
Por mais um ano, houve quebra de recorde, tendo a demanda por combustíveis do ciclo Otto crescidoa uma taxa expressiva de 5,7%.Em 2023, a demanda por
etanol hidratado aumentou 7% (mesmo valor registrado pela gasolina C), permitindo que o etanol hidratado suprisse 21% da demandaenergética do transporte
rodoviário individual. Quando se considera também a parcela de etanol anidro, o total de etanol combustível atendeu 37% da demanda total.
No ano de 2023, as exportações e movimentação portuária, em patamares superiores ao histórico, elevaram a demanda por atividade de transporte. O transporte
de cargas bateu novo recorde em termos de eficiência energética, reduzindo seu consumo energético por atividade de transporteemmais 1,3%. O transporte
ferroviário e aquaviário se expandiram, mas o destaque foi o transporte rodoviário por caminhões. Apesar da maior eficiência em parte de caminhões semipesados
e pesados vendidos, a demanda adicional por diesel desse segmento representou aproximadamente 1 bilhão de litros.
A demanda de óleo diesel rodoviário elevou-se em 1,7 bilhão de litros em 2023. Esse aumento coincidiu com a entrada do novo percentual de adição obrigatória de
biodiesel de 12% em abril, resultando em uma participação anual de11,5%. O biodiesel permitiu que quase 1 bilhão de litros do aumento total de óleo diesel
rodoviário fosse suprido pelo combustível renovável. A expansão da oferta de biodiesel em 2023 foi de 19%.
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Página| 73
Capítulo especial
sobre o setor de ferroligas
e silício metálico
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Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico
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1.Análisedosetordeferroligasesilíciometálico
1.1.Panoramageral
Asferroligassãomateriaismetálicoscompostosporferroealgumoutroelementoquímico,taiscomomanganês,silício,cromoeníquel.Sãoutilizadasnaprodução
metalúrgicaparaconferirpropriedadesdesejáveisaosmetais.Destinam-seprincipalmenteàproduçãodediferentestiposdeaço¹,contribuindocomoum
importanteinsumoparaoaperfeiçoamentodaqualidadedosprodutossiderúrgicosaoagregarcaracterísticasespecíficasdeacordocomoelementoligado.
Osilíciometálicoéumsemimetal,usualmenteclassificadonogrupodeferroligaspelasemelhançanoprocessamentoindustrial,obtidopelaredução
carbotérmicadefontesdeSilício(quartzo)emfornoelétricos,porémcomaplicaçõesdiferenciadas.OSi-metálicograumetalúrgico,pormeiodeprocessosde
refinamentoepurificaçãopodedarorigemaoSi-metálicograuquímico,grausolaregraueletrônico.
[1]
Tipos de aço, tais como: aço inoxidável, aço-ferramenta, aços microligados (ABNT NBR 8643 Produtos siderúrgicos de aço).
Osetorindustrialbrasileirodeferroligasesilíciometálicocontribuiparaadescarbonizaçãodacadeiametalúrgicaeobtençãodenovosmateriaisestratégicos
àtransiçãoenergética,impulsionadopelacrescentedemandapormetaiscadavezmaisespecializados,bemcomopeloscomponentesnecessáriosà
fabricaçãodepainéissolaresebaterias.
Figura S1: Exemplos de aplicações de ferroligas e silício metálico nos setores econômicos
Fonte: Abrafe (2024)
Silicone industrial
Bloco de motor
Semicondutores
Painéis solares
Materiais estruturaisTransformadores
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Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico
Página| 75
1.1.1.Tiposdeligaseaplicações
Ferro-Silício(FeSi):Éumaferroligadeferroesilício,geralmentecomteoresdesilícioentre15%e90%.Oferrosilícioéamplamenteutilizadonaindústriasiderúrgica
paradesoxidaroaçoemelhorarsuaspropriedadesmecânicasemagnéticas.
Ferro-Níquel(FeNi):ferroligascomumteordeNíquelentre15%e80%.Amaiorpartedoaçoinoxidávelcontémcercade8a10%deníquel,sendoutilizado
principalmentenaproduçãodeaçoinoxidável.
Ferro-Cromo(FeCr):ferroligadeferroecromoemdiferentesproporções,essencialnaproduçãodeaçosinoxidáveisespecificadoscommaiorresistênciaàcorrosão
edureza.
Ferro-Manganês(FeMn):ferroligadeferroemanganês,usadoprincipalmentenafabricaçãodeaçoparamelhorarsuaspropriedadesdeendurecimentoe
resistência.
Ferro-Nióbio(FeNb):ferroligacomteordenióbiode60a70%,principalfontedenióbionafabricaçãodosAçosdeAltaResistênciaeBaixaLiga,aplicadoemprojetos
dealtatecnologiacomobateriadeveículoelétrico,equipamentoderessonânciamagnética,turbinadeavião,aceleradordepartículas,foguetesesondasespaciais.
Ferro-Silício-Manganês(FeSiMn):ferroligausadaprincipalmentenasiderurgiacomodesoxidanteenaespecificaçãodepropriedadesmecânicasdoaço.Sua
composiçãoelevaaresistênciaaodesgaste,adurezaeaductilidade,tornando-oessencialparaaproduçãodeaçosestruturaisedealtaresistência,alémde
contribuirparaapurezaequalidademetalúrgicaemaçosespeciais.
Ferro-Silício-Cromo(FeSiCr):ferroligautilizadaprincipalmentenaproduçãodeaçosinoxidáveiseligasresistentesàcorrosão.Suafunçãoprincipaléintroduziro
cromoeosilícionoaço,elementosqueaumentamaresistênciaàcorrosãoeàoxidaçãoemaltastemperaturas,alémdecontribuirparaadurezaeaestabilidadedo
material.
SilícioMetálico:Osilíciometálicoéusualmenteclassificadonogrupodeferroligaspelasemelhançanoprocessoprodutivo,sendoobtidopelaredução
carbotérmicadefontesdesilício(quartzo)emfornoselétricosaarcosubmerso.Dependendodasuaespecificação,graudepurezaeaplicação,osilícioé
classificadocomograumetalúrgico,químico,solaroueletrônico.Algumasdassuasprincipaisaplicações,sãoasseguintes:
▪MetalurgiadoAlumínio:fontedesilícioparaformaçãodeligascomalumínio,aplicadasemdiversossegmentosindustriais.
▪Indústriaquímica:produçãodesilicones.Osilíciomoídoentraemreaçãocomcloretodemetilaemreatordeleitofluidizadoparaobtençãodossilanos,que
posteriormentesãoderivadosparaproduçãodesiliconesousilícioultrapurificadoparaaindústriaeletrônicaoufotovoltaica.
▪Energia:osilícioéoelementocrucialnaproduçãodecélulassolaresfotovoltaicas.
▪IndústriaEletrônica:usadonaproduçãodesemicondutoresedispositivoseletrônicos,sendoessencialnafabricaçãodechipsecircuitosintegrados.
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Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico
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1.2.1.AplicaçõesnoUsodeFerroligaseSilícioMetálico
Asferroligaseosilíciometálicoapresentamdiversasaplicações,destacando-sealguns,taiscomo:
Materiaisestruturais:ferroligassãoessenciaisnafabricaçãodoaço,empregadoemvigas,pilareseoutrasestruturas.Osilíciometálicoéoprincipal
elementodeligaparaasligasdealumínio,presentenasesquadriasdeportasejanelas.Alémdisso,osilíciometálicoéamatéria-primaprincipalparaa
fabricaçãodossilicones,presentesnosselanteseadesivosparaacabamentosnasobrascivis.Asílicaativaousílicafume,subprodutodafabricaçãode
ferrosilícioesilíciometálico,éutilizadacomoaditivoparaoconcreto,contribuindoparaamelhoriadesuaspropriedadesfísicasemecânicas.
Automóveis:asferroligasdesempenhamumpapelfundamentalnaproduçãodeaçosdealtaresistência,durabilidadeesegurança.Sãoutilizados,por
exemplo,paradesoxidaroaçoemelhorarsuaspropriedadesmecânicas,garantindoasegurançaeaconfiabilidadedosveículos.Peçasfundidasde
alumínio,comaltoteoremsilício,comoblocosdemotorepeçasestruturaisdebaixopeso,contribuemparaareduçãodoconsumodecombustíveis.
Dispositivoseletrônicos:osilíciosedestacatambémnosdispositivoseletrônicoscomosmartphones,tabletsecomputadores.Eleéoprincipalmaterial
utilizadonafabricaçãodesemicondutores,componentesessenciaisparaofuncionamentodessesdispositivos.
Equipamentosdeenergiarenovável:osilíciometálicodesempenhaumpapelcrucialnafabricaçãodecélulassolaresfotovoltaicas.Essascélulassão
essenciaisparaaproduçãodeenergiasolar,umafontelimpaesustentáveldeeletricidade.Osilícioéutilizadonacomposiçãodospainéissolares,onde
convertealuzsolaremenergiaelétrica.
Indústriadealimentos:equipamentosutilizadosnaproduçãoeprocessamentodealimentos,comomáquinas,fornos,tanques,tubulações,geladeirase
recipientesdecozinha,osaçosinoxidáveis,produzidosapartirdoferro-cromoeferro-níquel,sãoamplamenteutilizadosdevidoàsuaresistênciaà
corrosãoefacilidadedelimpeza.
Cosméticosemateriaisdehigiene:ossiliconesestãopresentesnosmaisinovadoresprodutosparaocuidadodapele,comocremes,shampoose
desodorantes.
Materiaishospitalares:Ferro-cromoeferro-níquelestãopresenteseminstrumentoscirúrgicosemaçoinox.Ossilicones,quesãoproduzidosapartirdo
silíciometálico,estãopresentesemequipamentoshospitalares,prótesescirúrgicaseatémesmomedicamentos,comoadimeticona,umsilicone
medicinalindicadoparaoalíviodoexcessodegasesnoestômagoounointestino.
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Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico
Página| 77
1.2. Processo produtivo
A produção de ferroligas e de silício metálico é um processo de alta intensidade
energética, essencial para diversas indústrias, como a siderúrgica e a eletrônica.
Este processo utiliza fornos elétricos de redução, que operam a elevadas
temperaturas para converter óxidos metálicos em ligas contendo ferro ou em silício
metálico, por meio de reações químicas de redução.
A produção inicia-se com a mistura de matérias-primas, como minérios do metal
desejado e uma fonte de carbono, que pode ser de origem mineral ou vegetal. Essa
mistura é submetida a altas temperaturas nos fornos elétricos, onde o uso de
energia elétrica é intensivo. A eficiência no consumo energético é uma variável
crítica, viabilizando a produção em larga escala e contribuindo para a redução de
custos de produção.
Nos fornos de arco elétrico, a passagem de corrente elétrica entre os eletrodos gera
calor, fundindo a carga e promovendo a reação de redução na presença de carbono,
que transforma os óxidos metálicos em ferroligas ou em silício metálico. Durante a
operação, os gases gerados são captados e passam por processos de remoção de
material particulado, contribuindo para a sustentabilidade do processo.
No caso das ferroligas, as propriedades desejadas –como a proporção de ferro e de
elementos de liga (níquel, cromo, manganês, silício, entre outros) –determinam o
tipo de forno, os insumos e os parâmetros operacionais aplicados. A produção exige
controle rigoroso de qualidade e de processo, assegurando que as ferroligas ou o
silício metálico atendam às especificações requeridas.
A indústria brasileira de ferroligas e silício metálico tem evoluído em direção a
tecnologias que aumentam a eficiência energética e a sustentabilidade, como o uso
de biomassa e outras fontes renováveis de energia, em substituição aos
combustíveis fósseis. Esses avanços são particularmente relevantes no contexto da
transição energética, colocando o Brasil em posição competitiva para atender aos
requisitos de baixa emissão de carbono exigidos pelo mercado global.
Figura S2: Fluxograma do processo produtivo de ferroligas e silício metálico
Fonte: Abrafe (2024)
Fluxograma de produção do
silício metálico
Ilustração de um forno de
produção de ferroligas
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1.2.1.CustosdeProdução
Aproduçãodeferroligasenvolvediversosfatoresdecustoqueafetamdiretamenteacompetitividadenomercadointernacional,dentreosquais,destacam-se:
EnergiaElétrica:Aproduçãodeferroligaséaltamenteeletrointensiva,exigindograndequantidadedeenergiaelétricaparaalimentaçãodosfornosde
redução,oqueseapresentacomoumavantagemcomparativaparaoBrasilemrelaçãoàmédiadomundoedospaísesdaOCDE,devidoaoelevadograu
derenovabilidadedamatrizelétricanacional.
Redutores:Essencialnoprocessoderedução,osredutores,comocarvãovegetal,carvãomineral,coqueeoutrosmateriaiscarbonosos,sãoutilizados
pararemoverooxigêniodosóxidosmetálicos.OBrasiltemumavantagemnousodecarvãovegetalrenovável,masdependedecoqueecarvãomineral
importados,oqueelevaoscustos.Emcontrapartida,paísescomoChinaeÁfricadoSul,comacessoabundanteacarvãomineral,conseguemreduzir
significativamenteocustodeprodução.
Eletrodos:Fundamentaisparaoprocessodefusão-redutora,oseletrodosdecarbonosãousadosparaconduzircorrenteelétricaaoforno,sendo
consumidosduranteoprocesso.Ocustodoseletrodospodevariardependendodefatorescomoademandaglobaleopreçodasmatérias-primas(coque
depetróleo,picheeantracito).OBrasilimportaumagrandepartedessasmatérias-primasoumesmooseletrodos,oquepodeaumentaroscustosde
produção,especialmenteemmomentosdealtademandaglobal,comofoiobservadoemanosrecentes.Emcomparação,paísesprodutoresdeeletrodos
ouquetêmmaioracessoaomaterial,comoaChina,podemterumavantagemcompetitivanesseaspecto.
Matérias-Primas(minério):Ocustodasmatérias-primas,comoquartzo,minériosdeferro,cromo,níquelemanganês,variaconformealocalizaçãodas
minasealogísticadetransporte.NoBrasil,ominérioéabundantementedisponível,oqueéumavantagem,masadistânciaentreasminaseoscentros
deproduçãoeadeficiênciadeinfraestruturamodalpodemaumentarocustologístico.
CustosAmbientaiseRegulatórios:Oscustosassociadosàsaçõesdemitigaçãodeemissõesdegasesdeefeitoestufa(GEE)podemseratenuadosno
casobrasileiro,emfunçãodasalternativassustentáveisqueopaísdispõe,taiscomoousodocarvãovegetalnaindústriaemsubstituiçãoásfontes
fósseisquesãotradicionalmenteutilizadasnamaioriadospaísesprodutoresdeferroligas.
MãodeObra:NoBrasil,ocustodemãodeobraémoderadoemcomparaçãoaoutrospaísesprodutoresdeferroligas,oquetorneessefatordecusto
menosrelevantedoqueosdemais.
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Página| 79
1.3.CompetitividadedoBrasilnoMercadoInternacionaldeFerroligas
AcompetitividadedoBrasilnomercadodeferroligasédeterminadaprincipalmentepeloacessoarecursosenergéticossustentáveiscomoocarvãovegetale
pelaabundânciaderecursosminerais,masenfrentadesafioscomaimportaçãodeeletrodosecustosdeenergia,alémdanecessidadedeimportaçãode
redutores.
Possui forte potencial
competitivo, em especial
por sua energia renovável e
o uso de carvão vegetal na
produção de ferroligas. No
entanto, a dependência de
redutores importados,
como coque e eletrodos.
Um dos maiores
produtores de ferroligase
tem uma vantagem
competitiva significativa
devido ao seu acesso barato
a carvão mineral, eletrodos e
energia. Apesar da pressão
ambiental crescente, o
custo de produção na China
ainda é mais baixo do que
em muitos outros países.
Possui acesso abundante a
carvão mineral, o que ajuda
a reduzir os custos de
produção. No entanto,
problemas de infraestrutura
e desafios políticos podem
comprometer a
competitividade em
momentos de crise.
Apresenta custos de
energia relativamente
competitivosem
comparação com outros
países desenvolvidos,
graças ao acesso
abundante a gás natural e
recursos energéticos de
baixo custo. No entanto, o
custo de redutores e
eletrodos ainda é elevado, o
que pode reduzir a
competitividade em
comparação com regiões
como Brasil, China e África
do Sul.
Enfrenta custos
significativamente mais
altos de energiadevido à
dependência de fontes
energéticas importadas e
políticas ambientais.
Além disso, os custos de
redutores e eletrodos são
elevados, tornando a
produção de ferroligas na
região menos competitiva
em comparação com
outras áreas do mundo.
\\epe.lan\Arquivos\MeusDocs\flavio.almeida\My
Documents\EPE\MATERIAIS\Identidade Visual\ICONES\Ícones de
bandeiras dos países\Mundo completo\brazil.png
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bandeiras dos países\Mundo completo\european-union.png
Brasil
ChinaÁfrica do SulEstados UnidosEuropa
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1.3.CompetitividadedoBrasilnoMercadoInternacionaldeFerroligas
OmercadoglobaldeferroligasatingiuUS$53,4bilhõesnoanode2023eapresentaexpectativadealcançarcercadeUS$91,8bilhõesaté2032,oquerepresentaria
umcrescimentomédiode6,2%a.a.Dentreosprincipaisfatoresparaisso,destacam-se:
▪expansãodaindústriasiderúrgicaglobal,particularmentenaseconomiasemrápidodesenvolvimentonaÁsia-Pacífico
▪acrescentenecessidadedeaçosdealtaresistênciaebaixaligaemváriasindústriase
▪osavançostecnológicosnosprocessosdeprodução.
▪orápidoprocessodeurbanizaçãoeindustrializaçãonessasregiõesaumentaanecessidadedeaçoe,consequentemente,deferroligas.
Apesardosdesafiosenfrentados,caracterizadospeloelevadoníveldeinsegurançaquecomprometeuacapacidadederecuperaçãodaseconomiaspós-
pandemia,aliadosaosconflitosinternacionaisRússia/Ucrânia,oBrasildestacou-senoaumentodaproduçãoedasexportaçõesdeferroligasedesilício
metálico,mantendo-seaexpectativadecrescimentocontínuodosetor.
[1]
Substituição de importações refere-se a produção nacional do setor, suprindo a necessidade de importações de ferroligas e silício metálico para consumo interno. É calculado pelo faturamento total do setor de ferroligas e silício metálico sobre
o saldo da balança comercial brasileira.
Figura S3: Valores de Produção e Exportação de ferroligas e silício metálico (mil toneladas)
Fonte: Abrafe (2024)
0
20
40
60
80
100
0
200
400
600
800
1.000
1.200
1.400
20132014201520162017201820192020202120222023
%
1.000 toneladas
Produção (t)Exportação (t)Exportação/Produção (%)
No Brasil, o faturamento do setor atingiu R$ 35,4
bilhões em 2022, sendo R$ 26,1 bilhões em
exportações (73,7% do faturamento total).
As exportações do setor, quando associadas à
substituição de importações¹ contribuíram com
o equivalente a 11% do saldo da balança
comercial brasileira em 2022.
A produção nacional de ferroligas e silício
metálico superou a marca de 1 milhão de
toneladas anuais desde 2018, atingindo 1,30
milhão em 2022.
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Página| 81
1.4.Panoramanacional
1.4.1.HistóricodosegmentodeferroligasnoBrasil
OsetordeferroligasesilíciometáliconoBrasiltemsuasorigensnoséculoXVIII,masganhouimpulsosignificativonoiníciodoséculoXXcomalgunsmarcos:
Em 1906...
...um pequeno laboratório da Escola de
Minas em Ouro Preto, Minas Gerais,
produziu ferro manganês usando um forno
rudimentar.
Durante a1ª Guerra Mundial, o
laboratório foi ampliado e passou a
produziu ferro manganês para as oficinas
da rede ferroviária, devido ao
desabastecimento de materiais
importados. No entanto, as experiências
em fornos elétricos foram interrompidas
em 1919, levando à desativação da Usina
da Escola de Minas.
Na década de 1930, surgem pequenas
empresas ligadas a instalações
hidrelétricas, tais como a Companhia
Brasileira de Carbureto de Cálcio (CBCC),
fundada em 1912, a Companhia Nickel do
Brasil, criada em 1932, a Elquisa-
Eletroquímica Brasileira SA, fundada em
1934, e a Companhia Nacional de
Ferroligas, estabelecida em 1940.
Essas empresas foram fundamentais para
o desenvolvimento do setor, que
inicialmente enfrentou desafios como a
baixa disponibilidade de energia elétrica e
um mercado interno pequeno. A
Companhia Siderúrgica Nacional, criada
no mesmo período, foi um marco para o
crescimento do setor.
Na década de 1970 e final de 1980 o setor
experimentou um grande desenvolvimento,
impulsionado por grandes projetos
hidrelétricos e expansão da siderurgia. Na
década de 1970, com incentivos da
SUDENE, algumas empresas de ferro-
silício e silício metálico se instalaram na
região norte de Minas, tais como LIASA,
Minas Ligas, Inonibrás e Eletrosilex.
No final da década de 1980, a implantação
da hidrelétrica de Tucuruí e o Projeto
Grande Carajás possibilitaram a produção
de silício metálico na região norte com a
Camargo Corrêa Metais (CCM). Neste
período, o Brasil se tornou o 4º maior
produtor mundial e o 3º maior exportador
de ferroligas.
A partir da década de 1990 houve aumento
dos preços da energia elétrica, abertura do
mercado brasileiro, estabilização da moeda
e desvalorização do dólar, o que fez o setor
passar por reestruturação significativa.
Muitas unidades foram desativadas e as
remanescentes tiveram que se adaptar às
novas exigências de qualidade e
produtividade.
O setor também foi afetado pelo
racionamento de energia elétrica sofrido
em 2001, quando a produção sofreu
significativa redução. Desde 2013 o setor
vem se reestruturando e apresentando a
retomada do seu crescimento e mais
recentemente, houve uma expansão
significativa na produção de ferro-níquel e
ferro-nióbio no Brasil.
Aproduçãodeferro-níqueltemcrescido,especialmenteparaatenderàindústriadeaçoinoxidável,enquantooferro-nióbio,consolidouoBrasilcomoumdos
principaisprodutoresmundiais.Atualmente,oBrasilpossuicapacidadedeproduçãodecercade1,3milhõesdetoneladasporano,contacomcercade100
fornosemoperação,ocupaa6ªposiçãoentreosprodutoresmundiaiseencontra-seaptoemaduroparaaevoluireatenderàsdemandasfuturas.
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1.4.2.ProduçãoeExportação
AproduçãodosetordeFerroligasesilíciometáliconoBrasilficouemtornode1milhãodetoneladasaolongodosanosde2005a2023,comlevequedaem2014,em
virtudedacrisehídricaocorridanaqueleano,seguidadecrescimentoestávelnosanosseguintes.Asexportaçõesatingiramseumaiorpicoem2020,comvolumede
810miltoneladas,oqueequivaleua66%daproduçãonacionalnaqueleano.
Nosúltimosanos,asexportaçõesseestabilizamentre500e600miltoneladas,eaproporçãoentreostotaisexportadoseproduzidosvariouentre50%e66%ao
longodoperíodo2005–2023,evidenciandoapredominânciaexportadoradosetor.
Em2023,aproduçãoatingiuovolumede1,29milhãodetoneladas,sendo:
▪23,3%deferroligasàbasedesilício
▪20,6%deferroligasàbasedemanganês
▪18,1%deferroligasàbasedeníquel
▪15,6%deferroligasàbasedecromo
▪15,1%desilíciometálicoe
▪7,1%deferroligasespeciais.
Osetorexportou796miltoneladasem2023,ouseja,62%daprodução.
[1]
Substituição de importações refere-se a produção nacional do setor, suprindo a necessidade de importações de ferroligas e silício metálico para consumo interno. É calculado pelo faturamento total do setor de ferroligas e silício metálico sobre
o saldo da balança comercial brasileira.
AbalançacomercialbrasileiraregistrouumsaldorecordedeUS$98,8bilhõesem2023(aproximadamenteR$493bilhões),segundodadosdaSecretariade
ComércioExterior(Secex)doMinistériodoDesenvolvimento,Indústria,ComércioeServiços(MDIC).Asexportaçõesdosetordeferroligasesilíciometálico
somadasàsubstituiçãodeimportações¹,contribuíramcomR$27,4bilhões,representando5,5%dosaldodabalançacomercialbrasileiraem2023.
Figura S4: Participação de cada tipo de liga e de silício metálico na produção em 2023
Fonte: Abrafe (2024)
23,3%
20,7%
18,1%
15,6%
15,1%
7,1%
FeSiFeMnFeNiFeCrSi metálicoLigas especiais
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1.4.3.Consumodeenergiaelétrica
Osetordeferroligasesilíciometálicoéconsideradofortementeeletrointensivo,sendoaenergiaelétricapartesignificativadesuaoperação.Em2023,oconsumo
totaldessesetoratingiuexpressivos(9.609,8GWh),representandoautilizaçãode82%dacapacidadeinstaladadasplantasindustriais.Essemontantedeconsumo
tambémcorrespondeaaproximadamente4,5%detodoomercadolivredeenergianoBrasil.
Omercadolivredeenergiateveumpapelcadavezmaisimportantenosúltimosanoserepresentou41%detodooconsumodeenergiaelétricanopaísem2024¹.
Issodemonstraumacrescenteadesãodasindústriasàmigraçãoparaomercadolivre,embuscademelhorescondiçõestarifáriasemaiorprevisibilidadenoscustos
deenergia,fatorcrucialparaacompetitividadedossetoreseletrointensivos.
[1]
Valor apurado até agosto de 2024 e disponível no Painel de Consumo de Eletricidade, acessível em Dashboard Resenha
Essainterdependênciaentreaproduçãodeferroligasesilíciometálicoeomercadodeenergiaelétricarefleteodesafiocontínuodeequilibrarademanda
crescentecomfontesdeenergiarenováveisecusto-efetivas,garantindoaviabilidadeeconômicadeumaindústriaessencialparadiversossetores
econômicos.
Figura S5: Consumo de energia elétrica (GWh) livre e cativo de janeiro à agosto de 2024 (eixo da esquerda) e razão [Consumo Livre]/[ConsumoCativo] (eixo da direita)
Fonte: Dados do SIMPLES (EPE, 2024d).
37%
38%
39%
40%
41%
42%
43%
44%
45%
0
5.000
10.000
15.000
20.000
25.000
30.000
JANFEVMARABRMAIJUNJULAGO
GWh
Livre (GWh)Cativo (GWh)Razão
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1.4.4.GeraçãodeEmpregoseDesenvolvimentoHumano
Osetordeferroligasesilíciometálicotemsedestacadonãoapenasporsuarelevânciaindustrial,mastambémpelasuacontribuiçãosignificativaàgeraçãode
empregoseaodesenvolvimentohumanonasregiõesondeatua.Desde2020,osetortemregistradocrescimentocontínuonacriaçãodepostosdetrabalho,
atingindoseumaiorpicoem2023,comageraçãode62.135empregos,dosquais13.808sãoempregosdiretose48.327indiretos.Essaexpansãodaforçadetrabalho
refleteoimpactopositivoqueosetorexercesobreaeconomialocalenacional.
Alémdacriaçãodeempregos,osetordesempenhaumpapelcrucialnodesenvolvimentoregional,especialmenteemmunicípiosdointeriordosestadosondesuas
fábricasestãoinstaladas.Compresençaem23municípiosde8estadosbrasileiros,osetortemcontribuídodemaneirarelevanteparaoaumentodoÍndicede
DesenvolvimentoHumano(IDH)dessaslocalidades.DeacordocomdadosdoIBGEedoIPSBrasil,osmunicípiosqueabrigamfábricasdosetorapresentamumIDH
5%superioremcomparaçãoamunicípiosvizinhosdeportepopulacionalsemelhante,comdestaqueparaoIDHrelacionadoàEducação,queé4p.p.maiselevado¹.
[1]
4 p.p refere-se a 4 pontos percentuais mais elevado.
Figura S6: Comparativo IDH 2010
Fonte: IBGE –Atlas Brasil (2024)
Figura S7: Comparativo IDHM 2000 -2010
Fonte: IBGE –Atlas Brasil (2024)
0,0
0,2
0,4
0,6
0,8
Banabuiú
/Jaguaretama (CE)
Bocaiúva /João
Pinheiro (MG)
Breu Branco /Pacajá
(PA)
Capitão Enéas /São
João da Ponte (MG)
Conselheiro Lafaiete
/Vespasiano (MG)
Corumbá /Ponta Porã
(MS)
Itapeva /Avaré (SP)
Marabá
/Parauapebas (PA)
Nova Era /São
Domingos do Prata...
Passa Tempo
/Desterro de Entre...
Pirapora /São
Francisco (MG)
Pojuca /Inhambupe
(BA)
Santos Dumont
/Visconde do Rio...
São Gotardo /Carmo
do Paranaíba (MG)
São João Del Rei
/Esmeraldas (MG)
Várzea da Palma
/Itamarandiba (MG)
Municípios com ABRAFE
Municípios sem ABRAFE
0,0
0,1
0,2
0,3
0,4
0,5
0,6
0,7
0,8
0,9
1,0
20002010200020102000201020002010
Média Municípios com ABRAFEMédia Municípios sem ABRAFE
IDHM
IDHM
Renda
IDHM
Longevidade
IDHM
Educação
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QuandocomparadosaoIDHmédiodoBrasil,essesmunicípiostambémapresentamresultadossuperiores,oqueevidenciaopapeldosetornoavançodas
condiçõesdevidadaspopulaçõeslocais.OÍndicedeProgressoSocial(IPS),queavaliaaqualidadedevidadeformamultidimensional,confirmaessatendência.
Aoanalisarosdadosmaisrecentes,verifica-sequeosmunicípioscomatuaçãodosetordeferroligasesilíciometálicotêmumaavaliaçãodeIPSemmédia6%
superioremrelaçãoaoutraslocalidades,comumdestaquesignificativonoíndicedeoportunidades,queé10%maior.
Essesnúmerosdemonstramqueosetornãosógeraempregosemovimentaaeconomia,comotambémimpulsionamelhoriasconcretasnascondiçõesdevidae
nasoportunidadesoferecidasàspopulaçõesdasregiõesondeestápresente,contribuindodiretamenteparaodesenvolvimentohumanoesocial.
[1]
4 p.p refere-se a 4 pontos percentuais mais elevado.
0,0
20,0
40,0
60,0
80,0
100,0
Banabuiú
/Jaguaretama - CE
Bocaiúva /João
Pinheiro - MG
Breu Branco /Pacajá -
PA
Capitão Enéas /São
João da Ponte - MG
Conselheiro Lafaiete
/Vespasiano - MG
Corumbá /Ponta Porã
- MS
Itapeva /Ibiúna - SP
Marabá
/Parauapebas - PA
Nova Era /São
Domingos do Prata...
Passa Tempo
/Desterro de Entre...
Pirapora /São
Francisco - MG
Pojuca /Inhambupe -
BA
Santos Dumont
/Visconde do Rio...
São Gotardo /Carmo
do Paranaíba
São João del Rei
/Esmeraldas - MG
Várzea da Palma
/Itamarandiba - MG
Municípios com ABRAFE
Municípios sem ABRAFE
Figura S8: Comparativo IPS 2024
Fonte: IPS Brasil (2024)
Figura S9: Dimensões do IPS Brasil 2024
Fonte: IPS Brasil (2024)
72,9
65,1
40,7
68,7
63,1
37,1
0
10
20
30
40
50
60
70
80
Necessidades Humanas
Básicas
Fundamentos do Bem-estarOportunidades
Municípios com ABRAFE
Municípios sem ABRAFE
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1.4.5.Principaisempresaselocalizações
AsprincipaisempresasprodutorasdeferroligasnoBrasil,ficamconcentradasnocentro-suldopaís,comdestaqueparaoestadodeMinasGeraisondeselocaliza
maisdametadedasempresaslistadasaseguir.
Figura S10: Localização geográfica das principais empresas de ferroligas no Brasil
Fonte: Abrafe (2024)¹
[1]
Mapa das localizações disponível em https://www.google.com/maps/d/u/0/edit?mid=1lwMFDtVLzwBwrw3hbO3gKdgwlkOmrIM&usp=sharing
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EmpresaEstadoPrincipais destaques
BOZELMGMaior produtora de Cálcio Silício do ocidente, sendo também produtora de outras ferro ligas em inúmeras granulometrias
DOWPA e MG2 unidades de produção de silício metálico, uma no Estado do Pará (ex. CCM) e outra em Minas Gerais (ex. CBCC)
ELETROLIGASMGProdução de ferro-manganês Alto Carbono e Ferro Silício Manganês
FERBASABAMineração, metalurgia, recursos florestais e energia renovável. única produtora integrada de ferro-cromo das Américas
FERLIGMGProduz atualmente FeSiMn 12-16%, com capacidade de 2.000 toneladas mensais
FERMARPAFerro-manganês utilizando três fornos elétricos de redução, sendo dois de 12.5 MVA e um de 10.5 MVA
GranhaLigasMG e MSProduz ferroligas de manganês e está posicionada entre os maiores produtores nacionais
InonibrásMGProdução de ferro-silício e inoculantes voltada para processos de refino de metais em fundições de aço e ferro fundido.
LIASAMGProdução de silício metálico
LIBRA LIGASCEFerro-silício 75% e inoculantes
Maringá Ferro-LigaPRFerro sílico-manganês e ferro manganês alto carbono, através de cinco fornos elétricos de redução.
MINASLIGASMGFerro Silício, Silício Metálico e Microsílica
Nova Era Silicon S.A.MGFerro silício para atender o mercado nacional e internacional
RIMA IndustrialMGProdução e comercialização de ligas à base de silício e magnésio
CBMMMGLíder mundial na produção e comercialização de produtos de nióbio
Mineração TabocaAMUma das principais produtoras de estanho e nióbio no Brasil
Anglo AmericanMG e GOMineração de minério de ferro e níquel e produção de ferro-níquel
CMOCGOOpera minas de niobatos e fosfatos, produção de ligas ferro-nióbio
Vale-Onça PumaPAProcesso de redução e fundição do minério de níquel e produção ferro-níquel
Nexus LigasMGProduz diferentes ligas de manganês
Tabela S1: Destaques das principais empresas de ferroligas no Brasil
Fonte: Abrafe (2024)
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1.4.6.Destinodasexportaçõesdeferroligasesilíciometálicoem2023
Em2023,asexportaçõesdeferroligasforamdestinadasprincipalmenteàChina(15,8%),EstadosUnidos(15,45%)eJapão(11,9%).OspaísesdaUniãoEuropeia
ficaramemquartolugar,seguidospeloReinoUnido.Noentanto,cercade40%dasexportaçõesforamdestinadasaoutrospaíses,taiscomoAustrália,Índia,Áfricado
Sul,Turquia,México,CanadáepraticamentetodososvizinhosdaAméricadoSul.
[1]
Entrada na Europa continental a partir do porto de Roterdã na Holanda
Tipos de ligas (t)ChinaEUAJapãoUE¹RUOutrosTotal
Base Manganês-911-3.235-47.51151.657
Base Silício13.97339.10270.48815.75619481.604221.118
Base Cromo20.5657.2431.8067.3735413.28250.323
Base Níquel56.38521.5991.13023.11127.69982.171212.095
Especiais (FeNb)36.5346.0585.40617.6585023.53389.239
Silício Metálico57649.79316.96610.38631.84374.299183.863
Total128.033124.70695.79777.51959.841322.400808.295
Participação (%)15,8%15,4%11,9%9,6%7,4%39,9%100%
DentreostiposdeligasexportadaspeloBrasil,asligasàbasedeSilício,deNíqueleasligasdeSilícioMetálicorespondempormaisde¾dototaldetoneladas
eapresentamparticipaçõesnasexportaçõesde27,4%,26,2%e22,7%,respectivamente.
124.706 toneladas
40% Silício Metálico
31% Base Silício
17% Base Níquel
128.033 toneladas
31% Base Silício
29% Ligas Especiais
16% Base Cromo
95.797 toneladas
74% Base Silício
18% Silício Metálico
6% Ligas Especiais
Tabela S2: Destino das exportações brasileiras por tipo de liga
Fonte: Abrafe (2024)
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1.5.Desenvolvimentostecnológicos
Algunsavançostecnológicosestãobeneficiandoaindústriadeferroligaspormeiodeinovaçõestaiscomo:
NoBrasil,umdosdesenvolvimentostecnológicosnotáveiséatecnologiadeeletrodosdeautocozimentoparaaproduçãodesilíciometálico.Estainovação
proporcionamelhoraproveitamentoenergéticoereduçãodecustosdeprodução,destacando-secomoumavançosignificativonaindústria.Ademandacrescente
poraçosdemaiorvaloragregadoexigeníveisdeimpurezacadavezmenores,umavezquematérias-primasmaispurasimpulsionamoaprimoramentodastécnicas
derefinodasferroligas.
Aomesmotempo,acrescentetendênciaaplicaçãodepráticasmaissustentáveisassociadasaoatendimentoàsregulamentaçõesambientaisnoprocessos
produtivos,taiscomooaproveitamentodasílicafumeeodesenvolvimentodebriquetesautorredutores.Dessaforma,asprincipaistecnologiassãoasseguintes:
▪TecnologiasdeControledeFornosElétricosdeRedução
▪Eletrodosdeautocozimentoparafabricaçãodesilíciometálico
▪Sílicafume
▪Briquetesautorredutores
▪AprimoramentodasTécnicasdeRefinodasFerroligaseSilício.
Manutenção preditiva,
aumentando a
eficiência operacional.
Fornos energeticamente eficientes e
automação no manuseio de materiais,
que otimizam os custos de produção e
melhoram a pegada ambiental.
Digitalização e a aplicação de
práticas associadas à Indústria
4.0 que possibilitam
monitoramento em tempo real e
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1.5.1.TecnologiasdeControledeFornosElétricosdeRedução
Nasúltimasdécadas,odesigneaoperaçãodosfornoselétricospassaramporavançossignificativos,comaindústriamovendo-seemdireçãoaumamaiorpotência
eàmaximizaçãodaeficiênciaoperacional.Esseimpulsoparaumamaioreficiência,aliadoacondiçõesoperacionaismaisdesafiadorasamaiorvariabilidadedos
minérios,temexigidoaevoluçãodossistemasdeinstrumentaçãoecontroledosfornosparagarantirumaoperaçãoseguraeeficiente.
Sistemasdecontrolequebuscamomelhorajustedorendimentoelétricoaliadosaocontroledobalançodemassasparaotimizaçãodorendimentometalúrgicosão
amplamenteutilizados.Aspectoimportantenaotimizaçãodaeficiênciaoperacionaldosfornoséaintegraçãoecoordenaçãodosequipamentosamontanteea
jusantecomaoperaçãodoforno.Sãoobservadosavançosrecenteseminstrumentação,algunsdosquaisaindaestãoemdesenvolvimento,quecontinuarãoa
moldarapróximageraçãodeoperaçõesdefornosmetalúrgicos.Tecnologiasemergentesprometemaindamaismelhoriasnaprecisão,confiabilidadeeeficiência
dossistemasdecontrole.
(Forno elétrico de redução)(Sistema supervisório de controle de fornos)(Sala de comando)
Figura S11: Exemplo de forno elétrico de redução (esquerda) e de uma Sala de comando (direita)
Fonte: Abrafe (2024)
Figura S12: Tela de sistema supervisório de controle de fornos
Fonte: Abrafe (2024)
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1.5.2. Eletrodos de auto cozimento para fabricação de silício metálico
As ferroligas são produzidas em fornos elétricos de redução e utilizam eletrodos de carbono para
conduzir a energia elétrica para a zona de reação. Normalmente são utilizados eletrodos de auto
cozimento, conhecidos como eletrodos Soederberg.
Os eletrodos de auto cozimento Soederberg são amplamente utilizados na indústria de ferroligas
devido à sua eficiência e custo-benefício. Compostos por uma camisa cilíndrica de aço, que é
continuamente alimentada na parte superior do forno elétrico por pasta de eletrólito feita de coque
calcinado e piche, constituem uma coluna de eletrodo. A camisa de aço funciona como uma forma,
fornecendo sustentabilidade mecânica e conduzindo a energia elétrica que gera calor para o processo.
À medida que o eletrodo é consumido, a pasta é aquecida pelo próprio calor do processo, passando
por amolecimento e carbonização, transformando-se em carbono sólido e a camisa se funde,
incorporando ferro à liga que está sendo produzida. A partir de então, o eletrodo, agora formado por
carbono sólido, conduz a eletricidade para a zona de reação, suportando as mais altas temperaturas.
A principal vantagem dos eletrodos Soederberg é a redução de custos, pois eliminam a necessidade
de pré-cozimento. Além disso, permitem uma operação contínua, fornecendo um suprimento
constante de eletrodos e evitando interrupções na produção. Sua adaptabilidade a diferentes
tamanhos de fornos e demandas de produção também é um ponto forte. No entanto, o uso desses
eletrodos exige um controle rigoroso da qualidade da pasta e das condições operacionais, além de um
gerenciamento adequado das emissões de poluentes liberados durante o processo de cozedura.
Esses eletrodos são essenciais para fornos de arco submerso (SAF) na produção de ferroligas, devido à
sua capacidade de serem continuamente alimentados e auto cozidos, o que os torna ideais para
operações de grande escala na indústria de ferroligas. No entanto, devido à incorporação de ferro pela
utilização das camisas de aço, os eletrodos Soederberg não são adequados para a fabricação do
silício metálico, que tradicionalmente utiliza eletrodos pré-cozidos.
No Brasil, houve um aprimoramento do design de camisas com o uso de novos materiais, como
alumínio combinado com aço inox, sendo possível o total aproveitamento da tecnologia na produção
de silício metálico, trazendo uma vantagem competitiva sem prejuízo às especificações das ligas
produzidas.
Figura S13: Representação de um eletrodo de auto cozimento
Fonte: Abrafe (2024)
Camisa
metálica
Pasta
Eletrolítica
Pasta
Líquida
Zona de
cozimento
Placas de
contato
Eletrodo de
carbono
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1.5.3. Sílica fume
O setor de ferroligas investiu fortemente em sistemas de controle de poluição,
destacadamente nas unidades de filtros de mangas para recuperação de
particulados dos efluentes gasosos dos fornos de redução. A sílica fume,
também conhecida como “microssílica”, é subproduto resultante da fabricação
do ferro silício ou silício metálico.Quando o gás rico em SiO escapa do forno
pelo sistema de exaustão, ele é rapidamente oxidado (SiO
2
), formando a sílica
fume, constituída por partículas sólidas quase esféricas de SiO
2
, com um
tamanho médio de apenas ~0,15 milímetros. Anteriormente descartada no meio
ambiente, a sílica fume agora é transformada em um produto tecnológico de
alto valor agregado, amplamente utilizado na construção civil.
A sílica fume aumenta a resistência, fluidez e vida útil do concreto, sendo
utilizada como adição pozolânica amorfa de alta intensidade em concreto ou
argamassa. Essa transformação proporciona diversos benefícios, como a
redução da permeabilidade do concreto, a diminuição da exsudação, a melhoria
das propriedades de fluidez, e o aumento das resistências à compressão e à
flexão. Por isso, sua utilização é especialmente indicada para estruturas de
concreto armado em ambientes de alta agressividade, oferecendo maior
proteção contra o ataque de sais e águas salinas e, consequentemente,
reduzindo os custos de manutenção das peças de concreto armado.
Além disso, a sílica fume é aplicada na indústria de refratários, melhorando a
fluidez dos materiais de fundição refratários e aumentando a resistência à
temperatura e ao choque térmico. O setor continua investindo em pesquisa e
desenvolvimento para encontrar novas aplicações para a sílica fume, tanto na
construção civil e na indústria de refratários quanto nas indústrias de cerâmicas
e fertilizantes. Assim, a transformação da sílica fume de um subproduto
descartado em um valioso produto tecnológico reflete um avanço significativo
em direção à sustentabilidade na indústria de ferroligas e silício metálico.
Figura S14: Representação esquemática da produção de sílica fume
Fonte: Abrafe (2024)
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1.5.4.Briquetesautorredutores
Recentemente,aindústriadeferroligasesilíciometálicoveminvestindonodesenvolvimentodenovasaplicaçõesparareciclagemderesíduoseaproveitamento
energético,dentreelasosbriquetesautorredutoresdesílicaecarbono,combinadosnaproporçãodeformaçãodecarbetodesilício,adiantandoumaetapano
processodefabricaçãodasligasdesilícioemelhorandoaeficiênciaenergéticadoprocesso.
Figura S15: Representação esquemática da função dos briquetes autorredutores no processo de produção de silício metálico
Fonte: Abrafe (2024)
Briquetes autorredutores
Etapa de
matéria-prima
Ousodebriquetesautorredutoresdesílicaecarbonopodesubstituiretapasiniciaisnoprocessodeproduçãodematéria-primanecessáriaparaaprodução
desilíciometálico,constituindoumaalternativaparaaumentodeeficiênciadoprocessodeumplantaindustrial.
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1.5.5.AprimoramentodasTécnicasdeRefinodasFerroligaseSilício.
Altaeficiênciaderemoçãodasimpurezasestudadasquesãoprejudiciaisnaobtençãodoaçosãoalcançadascomocontínuoaperfeiçoamentodocontroledas
matérias-primaseevoluçãodastécnicasderefino.Adeterminaçãoeconhecimentodaspropriedadesfísico-químicasdasescóriascomodensidade,viscosidade,
propriedadesinterfaciaisepropriedadestermodinâmicasexercempapelfundamentalnocontroledorefino.Modelostermodinâmicosdesempenhamumpapel
crucialnodesenvolvimentodoprocessoderefino,determinandoosparâmetrosdecontrolecomotempodesopro,vazãoeenriquecimentodeoxigênio,ea
composiçãodaescóriasintética.
Oequilíbriotermodinâmicoentreometaleaescóriaéusadoparapreverocomportamentodasimpurezaseajustaroprocessoderefinoparaobterligascombaixos
teoresdealumínioecálcio.Osoutroselementosnãorefináveisnoprocessooxidantesãomonitoradosecontroladosatravésderigorosocontroledeentradadas
matérias-primas,estandosobcondiçãocontrolada.Estedesenvolvimentotecnológicoresultouemumamelhoriasignificativanaqualidadedasligasproduzidas,
essenciaisparaatenderasexigênciasdasiderurgiamodernaquedemandamateriaiscadavezmaispuros.
Injeção de Oxigênio pelo topo
do banho (metal líquido)
Injeção de gases via plugue (poroso),
no funda da panela
Ilustração das
reações
Figura S16: Representação esquemática das técnicas de refino das ferroligas e do silício metálico
Fonte: Abrafe (2024)
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1.6.Novastecnologiaseperspectivasdaindústriadeferroligasesilíciometálico
Aindústriadeferroligasesilíciometálicoevoluiimpulsionadapelocrescimentosubstancialdomercadoepelaexpansãodaindústriaglobalmente.Economias
emergentesinvestemfortementeemconstruçãoeinfraestrutura,aumentandoademandaporaçoesuasferroligasassociadas,aomesmotempoquenovas
aplicaçõesparaosilícioestãopresentesnaevoluçãodaindústriaquímicaeeletrônica.
Dentreasmudançasverificadasnomercadomundial,destacam-seademandaporprodutospersonalizados,afimdeatenderaosrequisitosespecíficosdesetores
detecnologiaavançadacomoaeroespacialedefesa,eaparticipaçãodegrandesepequenasempresasfocadosempesquisaedesenvolvimentodeprodutos
sustentáveisdealtaqualidade.
Umdospré-requisitosfundamentaiscadavezmaisreforçadosparaaatuaçãonosegmentotemsidooenquadramentoàsregulaçõesambientais,oqueimplica
investimentossignificativosemtecnologiasdeproduçãomaislimpaeinvestimentoemsistemasdecontroledepoluição,gerandooportunidadesdeinovação,tais
comooaproveitamentoedesenvolvimentodenovasaplicaçõesparaasílicafumeobtidadafiltragemdosgasesefluentesdosfornos.
Osavançosnautilizaçãodecarvãobiogênicodestacam-secomoexemplosdeaplicaçãodainovaçãotecnológicanapromoçãodasustentabilidadeeda
eficiênciaoperacionalnosegmentodeferroligasesilíciometálico.
Tecnologias de produção mais limpa e
Sistemas de controle da poluição
Figura S17: Exemplos de aplicações de novas tecnologias da indústria de ferroligas e silício metálico
Fonte: Abrafe (2024)
Utilização de ferroligas em matérias
com alta especificação
Pesquisa e desenvolvimento de
produtos sustentáveis
Aplicações na indústria eletrônica para
setores de alta tecnologia
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1.6.1.Fontesenergéticasparaproduçãodeferroligas
1.6.1.1Redutores(FontedeCarbono)
Aproduçãodeferroligas,essenciaisparadiversasindústrias,dependefortementedefontesdecarbono.Essasfontesenergéticasnãosófornecemcalornecessário
paraasreaçõesmetalúrgicas,mastambématuamcomoagentesredutores,removendoooxigêniodosminériosmetálicos.Asprincipaisfontesdecarbonoutilizadas
sãoocarvãovegetaleocarvãomineral,cadaumacomsuascaracterísticas,vantagensedesafiosespecíficos.
▪Ocarvãovegetaléamplamenteutilizadonaproduçãodeferroligasdevidoàssuaspropriedadesespecíficasevantagensambientais.
▪Eleéproduzidoapartirdacarbonizaçãodamadeira,emumprocessoqueenvolveaqueimacontroladaemfornosespeciais.Acarbonizaçãodamadeira
removehidrogênioeoxigênio,resultandoemummaterialricoemcarbono.
▪Ocarvãomineraléoutraimportantefontedecarbononaproduçãodeferroligas.Eleéextraídodeminaseapresentadiferentesvariedades,comoantracito,
betuminosoesub-betuminoso,cadaumacompropriedadesespecíficas.
▪Ocarvãomineralpossuiummaiorteordeimpurezascomparadoaocarvãovegetal,oquepodeafetaraqualidadedasferroligasproduzidas.
▪Amineraçãodocarvãomineralenvolveaextraçãosubterrâneaouacéuaberto,seguidaporprocessosdebeneficiamentopararemoverimpurezasemelhorara
qualidadedocombustível.
▪Ocarvãomineraléamplamentedisponívelemoutrospaísese,emmuitoscasos,maisbaratoqueocarvãovegetal,tornando-oumaopçãoviávelparamuitas
indústrias,principalmentenoexterior.
▪Ousodocarvãomineralestáassociadoaimpactosambientais,particularmentenoqueserefereàemissãodegasesdeefeitoestufaepoluentes.
▪Oaltoteordeimpurezaspodereduziraeficiênciaeaqualidadedoprodutofinal.
▪NoBrasil,ocarvãovegetalémajoritariamenteproduzidoapartirdeflorestasplantadasdeeucalipto,umapráticaqueajudanasustentabilidadeambiental.O
eucaliptocrescerapidamenteeéumafonterenováveldecarbono.
▪Ocarvãovegetalpossuimenosimpurezascomparadoaocarvãomineral,oqueresultaemmelhorreatividadeeeficiêncianaproduçãodeferroligas.
▪Porserproduzidoapartirdeflorestasplantadas,ocarvãovegetaléumafonterenováveldeenergia,contribuindoparaareduçãodasemissõesdegasesde
efeitoestufa.
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1.6.1.2ProduçãodeCarvãoVegetalSustentável
OBrasiléomaiorprodutormundialdecarvãovegetal(6,7milhõesdetoneladasem2023)provenientedeflorestasplantadasdeeucalipto,evemconsolidandosua
liderançaglobalcomavançostecnológicosemdesigndefornos,controledeprocessoesustentabilidadequeseapresentampormeiodosprincipaisaspectos:
Evolução no
Design dos Fornos
Dos antigos fornos “rabo quente”
artesanais aos grandes fornos
retangulares com operação
mecanizada, o design dos fornos
passou por mudanças
significativas.
Atualmente, reatores contínuos
como fornos rotativos e retortas
verticais aumentam a eficiência
do processo, permitindo uma
carbonização uniforme e
otimizada.
Controle
Operacional Avançado
A automação e o uso de sensores
monitoram continuamente as
etapas do processo de
carbonização, controlando a
temperatura e a atmosfera interna
dos fornos.
Esse controle mais preciso resulta
em um carvão de maior qualidade
e reduz a variabilidade do
processo, otimizando o
rendimento da matéria-prima e
diminuindo perdas.
Queima dos
Gases Residuais
A tecnologia moderna de queima
de gases permite capturar e
queimar metano, que tem
impacto ambiental 28 vezes
superior ao do CO₂.
Além de reduzir as emissões de
gases de efeito estufa, a queima
desses gases aproveita seu poder
calorífico, economizando energia
e, em alguns casos, gerando calor
adicional para o processo.
Figura S18: Evolução dos fornos de produção de carvão vegetal, fornos retangulares com queimador de gases e sistemas fornos-fornalha circulares com queima de gases.
Fonte: Abrafe (2024)
Fornos retangulares com
queimador de gases
Sistema fornos-fornalha circulares com
queima de gases.
Rabo quente
CircularesRetangulares.
Capacidade de 150 t
de madeira
Retangulares.
Capacidade de 300 t
de madeira
Evolução dos fornos
Aproveitamento
de Subprodutos
Os fornos modernos capturam
subprodutos valiosos, como bio-
óleo e extrato pirolenhoso, o que
agrega valor ao processo e amplia
o aproveitamento da biomassa.
Tecnologia
Acessível
Tecnologias como o sistema
fornos-fornalha desenvolvido pela
Universidade Federal de Viçosa
(UFV) possibilitam que pequenos
produtores adotem práticas mais
limpas e eficientes.
O sistema conecta pequenos
fornos circulares a uma chaminé
com queimadores de gases,
reduzindo emissões e
aumentando a eficiência,
proporcionando uma solução
sustentável e acessível.
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Figura S19: Reator vertical para produção de carvão vegetal / Fluxograma Sistema Carboval.
Fonte: Abrafe (2024)
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1.6.1.2.MatrizEnergéticadosetordeferroligasesilíciometálico
Aproduçãodeferroligaséaltamenteeletrointensivae,alémdasfontesdecarbono,requerumafonteextradeenergia,supridapelaenergiaelétrica.Ferroligase
silíciometálicosãoproduzidosemfornoselétricosderedução.NoBrasil,aindústriadeferroligascontacomavantagemdamatrizelétricabrasileira,queéaltamente
renovável,principalmentedevidoàdisponibilidadedefonteshídrica,eólica,solarebiomassa.
AmatrizelétricabrasileiraqueconstituioSistemainterligadoNacional(SIN)épredominantementerenovável,comíndicesderenovabilidadeacimade80%oque
reduzsignificativamenteapegadadecarbonodaproduçãodeferroligasnopaís.Visandoassegurardisponibilidadeecompetitividade,aindústriadeferroligasno
Brasilveminvestindofortementeemfontesalternativasdeenergia,comosolareeólica,namodalidadedeautoprodução.Ousocombinadodocarbonobiogênico
(carvãovegetal)efontesrenováveisdeenergiaelétricacolocaaproduçãodeferroligasesilícionoBrasilcomoamaisrenovávelmundialmente.Essemodelo
integradodeenergiacontribuiparaareduçãodasemissõesdegasesdeefeitoestufaepromoveumaindústriamaisverdeecompetitivaglobalmente.
0%
20%
40%
60%
80%
100%
20132014201520162017201820192020202120222023
Gás Natural
Coque de Carvão Mineral
Outras não especificadas
Eletricidade
Carvão Vegetal e Lenha
Aescolhadafontedecarbonoparaaproduçãodeferroligasdependedediversosfatores(disponibilidade,custo,impactoambientalerequisitostécnicos)eo
carvãovegetaléaescolhapreferidaemmuitoscasos,especialmentenoBrasil,emfunçãodarenovabilidadeedomenorteordeimpurezas.Poroutrolado,o
carvãomineral,adependerdedisponibilidadeecustos,continuasendoumaalternativaviável.
A combinação de ambas as
fontes pode ser
estrategicamente utilizada
para otimizar a produção de
ferroligas, equilibrando
eficiência, custo e
sustentabilidade ambiental.
Figura S20: Matriz energética do segmento industrial de ferroligas e silício metálico
Fonte: EPE (2024a)
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1.6.2.Combustíveisalternativos
OutroavançoimportantenoBrasiléautilizaçãodocarvãobiogênicocomosubstitutodocarvãomineralnaproduçãodeferroligas.Ocarvãobiogênico,produzidoa
partirdebiomassavegetal,apresentaváriasvantagensambientaiseeconômicas:ReduçãodeEmissõesdeCO₂:Ocarvãobiogênicoéumafontedecarbononeutro,
oquesignificaqueaquantidadedeCO₂emitidadurantesuaqueimaécompensadapeloCO₂absorvidopelasplantasduranteseucrescimento.Issocontribui
significativamenteparaareduçãodapegadadecarbonodaindústria.Aproduçãodecarvãobiogênicopromoveousosustentávelderecursosflorestaiseagrícolas,
incentivandopráticasdemanejoflorestalresponsável.
Autilizaçãodecarvãovegetalreduzoscustosoperacionaisalongoprazo,umavezquepodeserproduzidolocalmente,diminuindoadependênciadeimportaçõesde
carvãomineral.NoBrasil,aintegraçãodeenergiasrenováveis,comoasolar,eólicaehidrelétrica,nosprocessosdeproduçãodeferroligasesilíciometálicoestáse
tornandoumapráticacomum.Essasfontesdeenergianãoapenasreduzemadependênciadecombustíveisfósseis,mastambémdiminuemoscustosoperacionais
alongoprazoecontribuemparaasustentabilidadedosetor.
Carbonobiogênicoéocarbonooriginadodefontesbiológicas,comoplantas,animaiseoutrosorganismosvivos.Elefazpartedociclonaturaldecarbono,sendoabsorvido
pelasplantasduranteafotossínteseeliberadodevoltaàatmosferapormeiodarespiração,decomposiçãodematériaorgânicaouqueimadebiomassa.
Aocontráriodocarbonofóssil,queéliberadodaqueimadecombustíveisfósseis(comopetróleo,carvãoegásnatural)eseacumulanaatmosfera,ocarbonobiogênicoé
consideradopartedeumciclofechado,umavezquesuaemissãonãoaumentaaconcentraçãolíquidadeCO₂naatmosferaalongoprazo.Issofazcomquefontesde
energiabaseadasembiomassa,queliberamcarbonobiogênico,sejamfrequentementevistascomoalternativasmaissustentáveis,desdequeorecursosejageridode
maneirarenovável.
Asemissõesresultantesdacombustãodebiomassadevemserrelatadasnoinventáriodeformaseparadadasemissõesoriundasdacombustãodecombustíveisfósseis.
Issoéjustificado,poisoCO₂liberadonacombustãodebiomassaéigualaoCO₂retiradodaatmosferaduranteoprocessodefotossínteserealizadoporelamesma,
permitindoserconsiderado“carbononeutro”eseridentificadoscomoCO₂biogênico.ValeressaltarqueasemissõesdeoutrosGEEoriundasdacombustãodebiomassa,
comooCH
4
eN₂O,devemserconsideradasnormalmente(PBGHG,2008).
Carbono Biogênico
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1.6.3.EficiênciaEnergética
OConsumoEspecíficoparaaproduçãodeferroligasesilíciometáliconoBrasilvariouentre63,8GJ/t¹e68,7GJ/taolongodosúltimos11anos,mantendo-seentorno
deumvalormédiode67,3GJ/t.JáoConsumoEspecífico(Realizado)deEletricidadeoscilouentre7,29kWh/t²e8,54kWh/t,mantendo-seemtornodeumvalor
médiodepróximode8kWh/taolongodosanos.OsvaloresdeConsumoEspecíficodaproduçãodeferroligasesilíciometálicovariamemfunçãodaparticipaçãode
cadaligano“mix”deprodução,deformaqueligasmaisenergointensivastendemaaumentaroconsumoespecíficoglobaldaindústria.
[1]
GJ/t denota a unidade de medida Gigajoulepor tonelada de ferroliga e silício metálico.
[2]
kWh/t denota a unidade de medida Quilowatt-hora por tonelada de ferroliga e silício metálico.
Figura S21: Consumo Específico de Energia (GJ/t) para produção de ferroligas e
silício metálico no Brasil (2013 –2024)
Fonte: Elaborado por EPE.
Figura S22: Consumo Específico (Realizado) de Eletricidade (kWh/t) para produção
de ferroligas e silício metálico no Brasil (2013 –2024)
Fonte: Elaborado por EPE.
66,3
67,0
65,5
66,6
63,8
67,3
68,2
69,5
68,5
69,2
68,7
50
55
60
65
70
20132014201520162017201820192020202120222023
Consumo Específico (GJ/t)
7,29
7,53
7,86
8,54
8,09
7,98
8,14
8,41
7,95
8,188,18
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
20132014201520162017201820192020202120222023
Consumo Específico (kWh/t)
Aproduçãodeferroligasesilíciometálicoéintensivanousodeeletricidade.Dessaforma,oacompanhamentodaevoluçãodoconsumoespecíficode
eletricidade,emrelaçãoapadrõesdereferênciadeconsumoespecíficoporliga,éumapráticadosetorparaavaliaçãodaeficiênciaenergética.Analogamente
aoconsumoespecíficodeenergia,oconsumoespecíficodeeletricidadevariaemfunçãodaparticipaçãodosdiferentestiposdeliganomixdeprodução.
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0,98
0,98
0,98
1,01
1,00
0,99
1,01
1,00
0,96
0,99
1,00
0,0
0,1
0,2
0,3
0,4
0,5
0,6
0,7
0,8
0,9
1,0
1,1
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
20132014201520162017201820192020202120222023
Consumo Específico (kWh/t)
ReferênciaRealizadoÍndice de Eficiência Energética
[1]
FeMn inclui FeSiMn + FeMn AC + FeMnMc
Consumos de Referência (MWh/t)
FeMn AC3,5
FeSiMn4,3
FeMn BC2,8
FeSi 75%8,6
FeSi 45%5,2
CaSi10,0
FeCr AC5,3
FeSiCr8,1
FeCr BC3,6
FeNi13,4
Si Metálico12,0
FeNb4,0
Figura S23: Evolução do Índice de Eficiência Energética de produção de ferroligas e silício metálico
Fonte: Elaborado por EPE e Abrafe.
Paradeterminaraevoluçãodaeficiêncianoconsumodeenergiaelétricadosetor,avalia-seoÍndicedeEficiênciaEnergéticacalculadocomoarazãoentreo
ConsumoEspecíficodeEletricidadeRealizadoedeReferência.OConsumoEspecífico(Realizado)deEletricidaderesultadaapuraçãodoconsumototaldeenergia
elétricadetodasasempresasdosegmentodeferroligasesilíciometálico,divididopelaproduçãototaldosetoremcadaano.JáoConsumoEspecífico(Referência)
deEletricidadeéamédiaponderadadosconsumosespecíficosdereferênciadecadaliga(conformetabelaabaixo),ondeospesossãoaparticipaçãodecadaligana
produçãofísicadecadaano.
Aolongodosúltimosanos,oíndiceapresentouvaloresinferioresouiguaisa1namaioriadasvezes,indicandoqueoConsumoEspecífico(Realizado)deEletricidade
manteve-sepróximodospadrõesdereferênciadaindústriabrasileiradeferroligasesilíciometálico.
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1
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8
9
10
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20132014201520162017201820192020202120222023
Consumo Específico (kWh/t)
ReferênciaRealizado
[1]
FeMn inclui FeMn AC (alto carbono) + FeMn BC (baixo carbono)
Consumos de Referência (MWh/t)
FeMn AC3,5
Baixo
FeSiMn4,3
FeMn BC2,8
FeCr BC3,6
FeNb4,0
FeSi 45%5,2
Médio
FeCr AC5,3
FeSi 75%8,6
FeSiCr8,1
CaSi10,0
AltoFeNi13,4
Si Metálico12,0
Figura S24: Evolução do Consumo Específico de Eletricidade em função do “mix” de produção de ligas de “alto”, “médio” e “baixo” consumos específicos de referência
Fonte: Elaborado por EPE e Abrafe.
Noentanto,asflutuaçõesdoConsumoEspecíficodeEletricidade(RealizadooudeReferência)sãoresultadodacomposiçãodo“mix”deproduçãodeferroligasede
silíciometálicoacadaano.Classificandoasligasemfunçãodeseuconsumoespecíficocomo“alto”,“médio”e“baixo”,verifica-seque,àmedidaqueaproporçãode
ligasmaiseletrointensivasaumenta,aumentatambémoConsumoEspecíficodeEletricidadetotaldaprodução:
▪ConsumoEspecífico<5MWh/tcomo“baixo”
▪5MWh/t≤ConsumoEspecífico<10MWh/tcomo“médio”
▪ConsumoEspecífico≥10MWh/tcomo“alto”
BaixoMédioAlto
28,3%“alto”
34,4%“médio”
37,3%“baixo”
42,4%“alto”
26,3%“médio”
31,3%“baixo”
37,1%“alto”
27,8%“médio”
35,1%“baixo”
38,2%“alto”
34,4%“médio”
27,4%“baixo”
36,9%“alto”
30,8%“médio”
32,3%“baixo”
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1.7.Emissões
1.7.1.Renovabilidadedamatrizsetorial
AmatrizenergéticadosegmentodeferroligasécompostamajoritariamenteporCarvãoVegetaleLenhaeEletricidade,oquecontribuiparaamanutençãodeníveis
derenovabilidadeemtornode80%noperíodorecente.Arenovabilidadedamatrizelétricabrasileiraéumfatorchaveparaoatingimentodessesresultados,umavez
queaolongodosanosfoigeradapredominantementeapartirdefontesrenováveiscomohidráulica,biomassa,eólicaesolar.
Arenovabilidadedosegmentoindustrialdeferroligasesilíciometálicocontribuiparaoaumentodarenovabilidadedaindústriabrasileiradeformageral,uma
vezqueopercentualdousodefontesrenováveisestáacimadamédiadossegmentosindustriais(64,7%em2023).
70,5
69,1
72,5
76,4
77,0
78,1
78,3
81,9
79,8
83,9
84,0
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
20132014201520162017201820192020202120222023
Renovabilidade (%)
Figura S25: Renovabilidade da matriz energética do setor de ferroligas e silício metálico
Fonte: Elaborado por EPE.
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1.7.2.Inventáriodeemissões
OinventáriodeemissõesdosetordeferroligasesilíciometálicofoielaboradopelaABRAFE,emparceriacomaFIEMG,CIT-SENAIeSINFERSI,atendendoao
ProgramaMissãoCarbonoZerodaFIEMG¹,eseguindoosprincípiosdoProgramaBrasileiroGHGProtocol¹:relevância,integralidade,consistência,transparênciae
exatidão.Participaramdoinventárioonzeunidadesdeempresasassociadas,maisde60%daABRAFE.Orelatórioapresentadadossignificativossobreaproduçãoe
asemissõesdegasesdeefeitoestufa(GEE)dessasindústriasparaoano-basede2022,conformeaseguir:
ProduçãoeCrescimento
Aproduçãodesilíciometálicoem2022alcançou219miltoneladas,representandoumaumentode89%emrelaçãoa2015.Jáaproduçãodeferroligasdas
associadasdaABRAFEfoide770miltoneladas,demonstrandoumcrescimentosignificativoaolongodosanos.Comautilizaçãode86%dacapacidadeinstalada,as
associadasdaABRAFEproduziramjuntas989miltoneladasdeprodutosem2022.
EmpregoseDesenvolvimentoRegional
AsempresasassociadasàABRAFEgerammaisde60milempregosdiretoseindiretos,superandoosníveisdeempregopré-pandemia.Alémdisso,osetorcontribui
paraodesenvolvimentoregional,comamaioriadasunidadesprodutivaslocalizadasemMinasGerais.Oíndicededesenvolvimentohumano(IDH)dosmunicípios
comfábricasdosetorésuperioraodemunicípiosequivalentesnamesmaregião.
ConsumodeRecursos
Aproduçãodeferroligasesilíciometálicorequerumconsumosignificativodecarvãovegetaleenergiaelétrica.Em2022,foramutilizados1,534milhõesde
toneladasdecarvãovegetale11,016GWhdeenergiaelétrica.Osetorjáutiliza84%deenergiadefontesrenováveis,emcomparaçãocom62%damédiadaindústria
nacional.
Emissõesapuradas
Asemissõesforamcontabilizadaseconvertidasparatoneladasdedióxidodecarbonoequivalente(tCO
2
e),totalizando529.212,67tCO
2
eem2022.Considerando-se
asemissõesdeEscopo1,foramcontabilizadas419.805,87tCO
2
e.JánoEscopo2,foramcontabilizadas109.406,80tCO
2
eeacategoriadeProcessosIndustriaisfoia
principalresponsávelpelasemissões,com358.819,60tCO
2
e.
[1]
Detalhes sobre o Programa Missão Carbono Zero da FIEMG podem ser encontrados em: Missão Carbono Zero
[2]
Detalhes do Programa Brasileiro GHG Protocol podem ser encontrados em: Programa Brasileiro GHG Protocol
OEscopo1éconstituídodascategoriasdeemissõesassociadasàsfontesquepertencemousãocontroladaspelaorganização,ouseja,asemissõesdiretas.
AsemissõesdoEscopo2sãoindiretasesereferemàaquisiçãodeenergiaelétricaconsumidapelaorganização.
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Produto
Emissões de tCO
2
e/t de liga (Escopo 1 + Escopo 2)
Cenário FóssilSituação Atual
% Descarbonização
FeMn¹3,011,1861
FeSiMn2,981,1761
FeMn AC3,161,1663
FeMn Mc2,991,5149
FeSi7,110,6890
CaSi7,611,1585
Si metálico5,780,7288
Produção Total4,680,9680
Cenários de Emissões
▪Cenário Fóssil: considera hipoteticamente o uso de energia térmica e
carvão mineral, totalizando 2.587.120,80 tCO
2
e.
▪Situação Atual:apresenta 79,5% menos emissões do que o cenário fóssil,
com 529.212,67 tCO
2
e.
▪Cenário Descarbonizado:propõe o uso de 100% de carvão vegetal,
associado ao uso de energia renovável, resultando em 224.212,59 tCO
2
e.
Os dados da Tabela S3 permitem concluir que a situação atual do setor brasileiro
de ferroligas e silício metálico representa alto grau de descarbonização para cada
uma das ligas listadas em relação ao que pode ser representado por um cenário
fóssil.
Os maiores destaques ficam com as ligas FeSi, CaSi e Si metálico, apresentando
potenciais de descarbonização iguais ou superiores a 85%.
Oinventáriomostraqueosetorusaaltaproporçãodeenergiarenovável,contribuindoparapegadadecarbonosignificativamentemenoremcomparaçãoa
outrospaíses,eaindareforçaaimportânciadacontabilizaçãodasemissõesdeGEEcomoferramentagerencialparaestabelecimentodemetas,avaliaçãode
riscoseoportunidades,melhoriadasrelaçõescomstakeholderseparticipaçãodeprogramasdedivulgaçãodasemissõesdeGEEemercadosdecarbono.
[1]
Descarbonização de, por exemplo, no caso do FeMn, de 61% refere-se à redução de 3,01 tCO
2
e/t de liga (cenário Fóssil) para 1,18 tCO
2
e/t de liga (Situação Atual).
Aspráticasadotadaspelosetorbrasileirodeferroligasesilíciometálico,taiscomoousodecarvãovegetaleenergiarenovável,resultamemumapegadadecarbono
significativamentemenoredemonstramopapeldeliderançadoBrasilnadescarbonizaçãodaindústriaglobal.Afimdeilustraropotencialdedescarbonizaçãodeste
setor,aABRAFEelaborouemseuinventárioumexercíciocomadoçãodecenários,identificandoapossibilidadedereduçãoadicionaldesuasemissões.
OexercícioconsistiunacomparaçãodasituaçãoatualdoBrasilcomaspráticasrealizadaspelamédiadospaísesnorestodomundo,representadopelocenário
fóssil,oqualconsideraaproduçãoapartirdeumamatrizenergéticaessencialmentetérmicafóssileusodocarvãomineralcomofontedecarbonodosprocessos.
Tabela S3: Desempenho de Redução de Emissões por Produto no Cenário Brasileiro
Fonte: Abrafe (2024)
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3,3%
14,6%
7,1%
1,5%
1,2%
89,7%
1,9%
13,7%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
100%
0
50
100
150
200
250
300
Ferro-SilícioFerro-NíquelSilício metálicoFerro-CromoSilício-ManganêsFerro-NióbioFerro-ManganêsFerro-Silício-Cromo
1.000 toneladas
BrasilBrasil / Mundo
AproduçãomundialdeFerro-NióbioéconcentradamajoritariamentenoBrasil,seguidadoCanadáedaRússia.DeacordocomoServiçoGeológicodoBrasil,o
Brasildetém95%dasreservasmundiaisconhecidas,emaissignificativasencontram-seemMinasGerais,Amazonas,Goiás,RondôniaeParaíba(SGB,2024).
2.3.Produçãomundialdeferroligaseparticipaçãobrasileira
Aproduçãomundialdeferroligasesilíciometálicoem2021acumuloucercade61,4milhõesdetoneladas,enquantooBrasilfoiresponsávelporcercade1,3milhão
detoneladas,representando2,1%departicipaçãomundial.Noentanto,apresençadoBrasilnocenáriointernacionalvariasignificativamenteemfunçãodotipode
liga,apresentandodestaqueabsolutoemFerroNióbio(89,7%)eparticipaçõesrelevantesnaproduçãodeFerro-Níquel(14,6%),Ferro-Silício-Cromo(13,7%)eSilício
metálico(7,1%).
Figura S26: Produção nacional por tipo de liga (eixo da esquerda) e sua participação no cenário internacional (eixo da direita)
Fonte: Elaborado por EPE e Abrafe.
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53,4
9,6
7,2
6,5
3,4
2,7
2,1
1,8
40,8
25,6
11,8
7,5
3,6
2,4
2,1
1,5
30,2
14,0
12,9
9,6
7,6
5,5
3,4
1,9
15,7
14,8
14,6
13,2
8,5
8,3
6,3
4,9
89,7
9,8
0,5
68,4
10,5
3,8
3,3
2,1
1,5
1,5
1,5
67,5
14,4
4,2
2,1
2,0
1,9
1,2
1,1
65,0
7,1
6,1
6,1
4,6
1,9
1,7
1,4
Ferro-Cromo (%)
Ferro-Manganês (%)
Ferro-Níquel (%)
Produção total de
ferroligas e silício
metálico (%)
Ferro-Silício (%)
Silício-Manganês (%)
Silício metálico (%)
Ferro-Nióbio (%)
Aseguir,sãodestacadasasclassificaçõesdospaísesemtermosdeparticipação(%)naproduçãointernacionaldeferroligasportipodeferroligaesilíciometálico
em2021¹,destacandoaposiçãodoBrasilnosmercadosdeferroligasnosquaisopaísnãoestáentreos7primeirosclassificados.
[1]
Ano de 2021 é o mais recente
disponibilizado pela Abrafe onde é possível
fazer comparações entre os países.
9º
11º
Figura S27: Participação da produção nacional por tipo de liga no cenário internacional
Fonte: Elaborado por EPE e Abrafe.
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2.3.1.PolíticasPúblicasePrivadasparaCompetitividadedaIndústriaBrasileira
Estratégiasparaatenuaçãodecustos
Afimdereduzirdificuldadescomocustosdeenergiaelétrica,tributoselevados,infraestruturalogísticadeficienteeentravesnolicenciamentoambiental,algumas
políticaspúblicaseiniciativasprivadaspodemseraprimoradas:
1.LeilõesdeEnergiaRenovável:Aindústriadeferroligasparticipaemleilõesdefontesrenováveis(solar,eólica,biomassa),firmandocontratosdelongoprazo
(PPAs)apreçosmaiscompetitivos.
2.AutoproduçãoePPAs:Incentivarautoproduçãodeenergiaecontratosdelongoprazocomfornecedoresdeenergiarenovável,garantindopreçosfixose
previsíveis,protegendocontraavolatilidadedomercado.
3.EficiênciaEnergética:Investiremtecnologiasavançadasparacontroledefornoselétricosesistemasinteligentesqueotimizamoconsumoenergéticoem
temporeal.
OutrosFatoresqueAfetamaCompetitividade
Alémdoscustosdeenergia,outrosfatores,comoinfraestruturalogísticadeficiente,retençãodecréditosdeICMS,burocraciaealtosencargosdelicenciamento
ambiental,tambémprecisamserenfrentados:
1.InfraestruturaLogística:Investirnamodernizaçãodeportos,ferroviaserodovias,criandocorredoreslogísticoseficientesparaescoamentodasferroligas.
2.DevoluçãodeCréditosdeICMS:AutomatizaresimplificaradevoluçãodecréditosdeICMSaosexportadores,criandoumaplataformadigitalcomprazos
definidos,aliviandooimpactofinanceirosobreasempresas.
3.AprimoramentosdosprocessosdeLicenciamentoAmbiental:Digitalizaroprocessodelicenciamentoafimdetorná-lomaiságilemenoscustoso,e
simplificaçãodosprocessosassociadosaprojetosdemenorimpactoambiental,comincentivoatecnologiaslimpasepráticasambientaisresponsáveis.
RegulamentaçãodoMercadodeCarbonoeValorizaçãodasFlorestasPlantadas
ParavalorizaropapeldasflorestasplantadasnacapturadeCO₂,éessencialqueoBrasilavancenaregulamentaçãodomercadodecarbono:
1.IncentivosparaFlorestaseCertificaçãodeCréditosdeCarbono:Implementarpolíticasdeincentivosparaasempresasqueinvestememreflorestamento
voltadoaosequestrodecarbonoecertificarasflorestasparamonetizaçãodacapturadecarbono,conformeocorrenomercadovoluntário.
2.NeutralizaçãodeEmissões:Investiremprojetosdeflorestasplantadasparaneutralizarasemissõesoperacionaisefortaleceraposiçãodaindústriaem
mercadosinternacionais,comooeuropeu,queaplicambarreirasambientais(CBAM)¹.Esforçosdevemserdirecionadosparaqueosbenefíciosdessas
práticassejamdevidamentereconhecidosemacordosinternacionais.
[1]
CBAM:Em16demaiode2023,aUniãoEuropeia(UE)publicouoRegulamento2023/956,quecriaoMecanismodeAjustedeCarbononaFronteira(CBAM,nasiglaeminglêsCarbonBorderAdjustmentMechanism),cujoobjetivo,emsuafase
transitória,écoletardadose,nafaseregular,cobrarpelasemissõesdegasesdeefeitoestufa(GEE)incorporadasemdeterminadosprodutosintensivosemenergiaimportadospelaUniãoEuropeia.
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Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024
Referências
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ABComm, 2024.
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Estatístico ABRAFE2024. ABRAFE, 2024.
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Referências
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______. World Steel in Figures 2023. Brussels: World Steel Association. Worldsteel, 2023.
______. World Steel in Figures 2024. Brussels: World Steel Association. Worldsteel, 2024.
USGS [United States GeologicalSurvey]. Minerals Yearbook–MetalsandMinerals. USGS,
2018.
______.Minerals Yearbook–MetalsandMinerals. USGS, 2021.
Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024
Página| 113
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Brasil | 2024
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Atlas da Eficiência Energética Brasil 2024 – Relatório de Indicadores
Emitido por elety
Assinado em 18/08/2026
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