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Atlas da Eficiência Energética Brasil 2024 – Relatório de Indicadores

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Assinado em 18/08/2026
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Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Página| 1 Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Página| 2 Colaboradores Superintendentes Angela Oliveira da Costa Carla da Costa Lopes Achão Superintendentes Adjuntos Gustavo Naciff de Andrade Marcelo Castello Branco Cavalcanti Consultores Técnicos Arnaldo dos Santos Junior Patrícia Feitosa Bonfim Stelling Rachel Martins Henriques Rafael Barros Araújo Glaucio Vinícius Ramalho Faria Presidente Thiago Guilherme Ferreira Prado Diretor de Estudos Econômicos e Energéticos Thiago Ivanoski Teixeira Diretor de Estudos de Energia Elétrica Reinaldo da Cruz Garcia Diretor de Estudos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis Heloisa Borges Bastos Esteves Diretora de Gestão Corporativa Carlos Eduardo Cabral Carvalho Ministro de Estado Alexandre Silveira de Oliveira Secretário Executivo Arthur Cerqueira Valerio Secretário Nacional de Transição Energética e Planejamento Thiago Vasconcellos Barral Ferreira Coordenação Técnica Flávio Raposo de Almeida Rogério Antônio da Silva Matos Equipe Técnica Aline Moreira Gomes Allex Yujhi Gomes Yukizaki Ana Cristina Braga Maia Bernardo Honigbaum Bruno Rodamilans Lowe Stukart Fernanda Marques Pereira Andreza Flávio Raposo de Almeida Gustavo Daou Palladini Lidiane de Almeida Modesto Mariana Weiss de Abreu Patrícia Messer Rosenblum Rogério Antônio da Silva Matos Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Página| 3 ValorPúblico|EPE20anos AEmpresadePesquisaEnergética–EPE,instituídaem2004,vinculadaaoMinistériodeMinaseEnergia-MME,temporfinalidadeprestarserviçosna áreadeestudosepesquisasdestinadasasubsidiaroplanejamentodosetorenergético.Dentreassuasatribuições,destaca-seaelaboraçãoe publicaçãodoAtlasdaEficiênciaEnergéticaBrasil(Atlas),relatóriopublicadoregularmentedesdeoanode2014,ondeéapresentadoomonitoramento doprogressodaeficiênciaenergéticanoBrasil,atravésdeumaanálisedeindicadores. Estapublicação,aliadaaoManualMetodológicodoAtlasdeEficiênciaEnergética,buscam,conjuntamente,trazertransparênciaereduziraassimetriade informaçãocomrelaçãoàevoluçãodaeficiênciaenergéticanoBrasil,emespecialnossetoresresidencial,industrialedetransportes. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Página| 4 A equipe da ABRAFE que contribuiu para a execução deste relatório foi: Coordenação e Apoio Técnico Bruno Santos Parreiras Equipe Técnica Wesley Nascimento Caldeira Esterelatóriopossuiumcapítuloespecial... queforneceumaanálisedetalhadadosetordeferroligasesilíciometáliconoBrasil,resultadodacooperaçãoentreaEPEeaAssociaçãoBrasileirados ProdutoresdeFerroligasedeSilícioMetálico(ABRAFE).Nestecapítuloéapresentadaumaanálisenacionaldestesetor,comumfocoespecialno consumoporusofinaldeenergiaparaaproduçãoindustrialdosegmentodeferroligasnoBrasil. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Página| 5 Sumário Objetivo...........................................................................................06 Definições.......................................................................................08 Introdução.......................................................................................15 Edificações......................................................................................27 Setor Residencial.............................................................................30 Setor de Serviços.............................................................................40 Setor Industrial................................................................................47 Setor de Transportes........................................................................62 Capítulo especial sobre o setor de ferroligas e silício metálico ...........73 Referências Bibliográficas................................................................110 Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Página| 6 Objetivo Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Objetivo Página| 7 Objetivo EstedocumentotemporobjetivoprincipalomonitoramentodoprogressodaeficiênciaenergéticanoBrasil,atravésdeumaanálisedeindicadores.Em 2014foipublicadooprimeirorelatóriodeindicadores,comdadosaté2012.Apublicaçãovemsendoaprimorada,eem2020passouasechamar“Atlas daEficiênciaEnergéticanoBrasil–RelatóriodeIndicadores”.Estedocumentoatualizaecomplementa,deformamaissintética,osprimeirosrelatórios comdadosatéoano2023. Uma imagem contendo Interface gráfica do usuário Descrição gerada automaticamente Diagrama Descrição gerada automaticamente Mapa Descrição gerada automaticamente Capítulo especial Benchmarking de eficiência energética: Brasil no contexto global Capítulos especiais ▪Setor de Cimento no Brasil e no Mundo ▪Impactos da covid-19 Capítuloespecial ▪IndústriaSiderúrgica Capítulo especial Transporte rodoviário de cargas e a comparação do caso brasileiro com países selecionados 202320142020202120172022 Capítuloespecial ▪SetorResidencial 2024 Capítulo especial ▪Indústria de Ferroligas e Silício Metálico Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Página| 8 Definições Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Definições Página| 9 ODEX OODEXéumindicadorqueapuraoprogressodaeficiênciaenergética.Podeseragregadoporsetor(industrial,residencial,serviçosetransportes)ou paraaeconomiacomoumtodo.OODEXéutilizadopelaUniãoEuropeia,noprogramaODYSSEEdatabaseparamonitoramentodosganhosdeeficiência (Enerdata,2020). OODEXporsetor(porexemplo:indústria)ébaseadonosíndicesdeconsumounitárioporsubsetor(cimento,cerâmica,têxtiletc.)ponderadospela participaçãonoconsumototaldeenergiadosetor.Oconsumounitárioporsubsetorpodeserexpressoemdiferentesunidadescomobjetivodefornecer amelhor“proxy”deavaliaçãodaeficiênciaenergética,taiscomooconsumopordomicílio,oconsumoporproduçãofísicaouoconsumoporatividade detransporte(medidaemunidadescomopassageiro-quilômetroetonelada-quilômetro). Paraopresenterelatórioconsiderou-se2005comoanobase(valor=100),emfunçãoessencialmentedadisponibilidadededadosparaamaiorparcela dossetoresapartirdesseano.OdecréscimonoODEXdovalor100em2005para80emalgumdadoano,porexemplo,representaganhodeeficiência energéticade20%aolongodoperíodoanalisado.Emcontrapartida,casooODEXaumentede100para120,teráhavidopioranaeficiênciaenergéticaao longodosanosemquestão. NocasodoODEXglobal,omesmométodoéaplicadocomfatoresponderados,baseadosnasparticipaçõesdoconsumototaldeenergiafinaldecada setoremrelaçãoaototaldeenergiafinalconsideradoparatodosossetoresavaliados. Parafinsdesserelatório,foramconsideradosossetoresindustrial,residencialedetransportes.Demaissetores(energético,serviçoseagropecuária)não foramincluídosemfunçãodeindisponibilidadededadosnoformatoadequadoàapuraçãodoindicador. OManualMetodológicodoAtlasdeEficiênciaEnergéticaBrasilapresentaodetalhamentodosdadoseindicadoresutilizadosparaaelaboraçãodeste relatório,incluindooODEX,epodeseracessadoclicandoem EstaediçãodoAtlasdeEficiênciaEnergéticasofreualteraçõesdedadoshistóricosemrelaçãoàsediçõesanteriores,justificadaspelaatualizaçãodeséries históricasdedadosutilizadosnocálculodoODEXdosetordetransportes. Manual Metodológico Manual Metodológico Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Definições Página| 10 Intensidade Energética Aintensidadeenergéticaserefereaomontantedeenergianecessárioparaproduzirumaunidadedeprodutofinaloudeserviço.Éarazãoentreum indicadordeenergia(toneladaequivalentedepetróleo[tep],Joule,calorias,Btu,entreoutras)eumindicadordeatividade(US$,R$,m²,tonelada- quilômetro,passageiro-quilômetro,entreoutros). Exemplosfictícios: ▪Intensidadeenergéticaindustrial:100tep/US$ppp2010 ▪Intensidadeenergéticadeedificaçãoresidencial:0,5tep/m² ▪Intensidadeenergéticadeedificaçãocomercial:200KJ/m² ▪Intensidadeenergéticanosetordetransportes:1.000tep/tkm AintensidadeenergéticadeumaeconomiacorrespondeàrazãoentreaOfertaInternadeEnergia(OIE)eoProdutoInternoBruto(PIB)dopaís.Este indicadornormalmenteéusadoparamediraeficiênciaenergéticadeumpaís.Noentanto,éimportanteconsiderarqueaestarazãonãoexpressa necessariamenteeficiênciaenergética,poisumpaíspodeteraintensidadeenergéticabaixaeserineficientedopontodevistaenergético.Basta considerarmosocasodeumpequenopaísquetemsuaeconomiabaseadanosetordeserviços,quepossivelmenteteráumaintensidadeenergética menorqueoutragrandenaçãocujaeconomiaébaseadanaproduçãoindustrial.Entretanto,osegundopaíspodeusaraenergiaparasuasindústriasde formamaiseficientequeoprimeiroausaparadesenvolverasuaeconomiabaseadaemcomércioeserviços. Destaforma,aintensidadeenergéticanãodeveseranalisadaisoladamente.Osganhosdeeficiênciasãoapenasumcomponentedestaanálise,que tambémdevelevaremconsideraçãoaestrutura(efeitoestrutura)daeconomiadeumpaís(presençadeindústriasenergointensivas,setordeserviços desenvolvidoetc.)easmudançasnaatividade(efeitoatividade),influenciadaspelotamanhodopaís(queimplicamemmaiordemandadosetorde transportes,porexemplo). Nesterelatório,oindicadorserácalculadodeduasformas:sobaóticadaOfertaInternadeEnergia(OIE),identificadacomoIntensidadePrimária(i)esob abasedoConsumoFinalEnergético,denotadacomoIntensidadeFinal(ii).Asfórmulasdecálculodecadaindicadorseguemabaixo: I.OfertaInternadeEnergia(miltep)/PIB(M$[2010]) II.ConsumoFinalEnergético(miltep)/PIB(M$[2010]) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Definições Página| 11 Consumo Final Étodaaenergiaquechegaaossetoresconsumidoresparafinsenergéticosenãoenergéticos(matéria-prima,porexemplo).Nãoestãoincluídosneste conceitoasfontesutilizadascomoinsumooumatéria-primaparaaproduçãodeoutrosprodutosenergéticos.Estasatividadessãoclassificadas, segundooBalançoEnergéticoNacional,comoCentrosdeTransformação(exemplos:águautilizadaparageraçãodeeletricidadeoupetróleoqueserá transformadoemderivados). Deformageral,ossetoresdeconsumofinalnesterelatórioforamclassificadosdeacordocomamesmadivisãodoBalançoEnergéticoNacional,com exceçãodealgunssetoresenergointensivos,paramelhorrepresentaçãodoprogressodaeficiênciaenergéticanoBrasil. Oconsumofinalpodesercalculadoatravésdasseguintesparcelas: ▪Consumofinal=consumofinalprimário(+)consumofinalsecundário,ou; ▪Consumofinal=consumofinalnão-energético(+)consumofinalenergético Onde: ▪Consumofinalprimárioéoconsumodeenergiaprimária,ouseja,consumodefontesprovenientesdiretamentedanatureza.Exemplos:gás natural,carvãomineral,energiasolar,eólica,hidráulicaeosprodutosdacana-de-açúcar,entreoutros. ▪Consumofinalsecundárioéoconsumodeenergiasecundária,ouseja,consumodefontesoriundasdosdiferentescentrosdetransformação,que têmcomodestinoosdiversossetoresdeconsumodaeconomia.Exemplos:eletricidade,gasolina,óleodiesel,etanol,entreoutros. ▪Consumofinalnão-energéticocorrespondeaoconsumodefontesque,emborapossuamconteúdoenergético,sãoutilizadoscomomatérias- primasparaoutrosfins.Exemplo:usodenaftaparaafabricaçãodetermoplásticos. ▪Consumofinalenergéticocorrespondeàutilizaçãodefontespelossetoresdaeconomiacomoenergia. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Definições Página| 12 INOVA-E AplataformadigitalINOVA-EfoicriadaparatornaracessíveisaosmaisdiversospúblicosasinformaçõesrelacionadasàinovaçãoemenergianoBrasil. Emseumódulodeinvestimentos,asinformaçõesestratégicasdisponibilizadasnaplataformaforamorganizadasemumaúnicabasededados, apresentandoumrelevantepanoramaparaacompreensãodastendênciasdeinvestimentosemPD&Demenergianopaís.Estepanoramainédito fornecidopelaINOVA-EbuscaapoiarEPE,MME,MCTI,entreoutrasorganizaçõesgovernamentais,privadasedasociedadecivil,naformulaçãoe promoçãodepolíticaspúblicasvoltadasànossatransiçãoenergética.Emsuamaisrecenteatualização,omódulodeinvestimentosemPD&Dda plataformapassoupordiversosaprimoramentosmetodológicos,queresultaramnaampliaçãodosinvestimentosmapeadoseinclusãodeprojetosno históricodosinvestimentos. InvestimentopúblicoemPD&D-OsinvestimentospúblicosdePD&DsãocalculadosapartirdosdispêndiosemprojetosdePD&Dreembolsáveise não-reembolsáveisrealizadospormeiodeinstituiçõespúblicasdefomentoàinovaçãonoBrasil.Nasestatísticasapresentadasnestaplataformafazem partedoescopodosinvestimentospúblicosemPD&Dosseguintesórgãosfederais:BNDES,CNEN,CNPq,FINEP;etambémdoestadodeSãoPaulo: FAPESP. InvestimentopublicamenteorientadoemPD&D-Osinvestimentospublicamenteorientadossereferemaoinvestimentoprivadoinduzidoporpolíticas públicas,sendocompulsórioparaasempresasdosetordeenergia.Sãorecursosqueseenquadramdentrodeprogramaspúblicoscujafinalidadeé induzirasempresasaefetuareminvestimentosemPD&D.NasestatísticasapresentadasnestaplataformafazempartedoescopoosprojetosdeP&D reguladospelasagênciasANEELeANP. Paravisualizarosdadosesabermaisdetalhesacesseolinkevisiteaplataforma: PanoramadosinvestimentosdeinovaçãoemenergianoBrasil Logotipo Descrição gerada automaticamente Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Definições Página| 13 Setor de Transportes Atividade Aatividadenosetordetransporteé,internacionalmente,representadapelosindicadorespassageiro-quilômetrotransportadosetonelada-quilômetro transportados.Passageiro-quilômetroéumaunidadequeapresentaotrabalhorelativoaodeslocamentodeumpassageiroàdistânciadeumquilômetro. Damesmaforma,tonelada-quilômetroéaunidadequerepresentaotrabalhorelativoaodeslocamentodeumatoneladadecargaàdistânciadeum quilômetro.Tambémchamadodemomentodetransporte. Intensidadedeuso Razãoentreaatividadedetransporteeadistânciapercorrida.Éexpressanasunidadestonelada-quilômetro/quilômetrooupassageiro- quilômetro/quilômetro. Rendimentoenergético Razãodadistânciapercorridaporpassageirosoucargaeoconsumodecombustívelemvolumeeexpressamedidadeautonomia.Usualmenteem quilômetros/litro.EminglêsédenominadoFuelEconomy. Consumodecombustível Representaovolumedecombustívelgastoparapercorrerumadadadistância,emgeral100km.Éexpressalitro/100km.EminglêsédenominadoFuel consumption. EficiênciaEnergética Razãoentreaestimativadeatividade(t.kmoup.km)eademandatotaldeenergia(emunidadescomJoule[J],Watt[W]outoneladaequivalentede petróleo[tep]). Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Definições Página| 14 Setor de Transportes VeículosLeves(porporte)¹ Automóvel Veículoautomotordestinadoaotransportedepassageiros,comcapacidadeparaatéoitopessoas,exclusiveocondutor; ComerciaisLeves ▪caminhonete–veículodestinadoaotransportedecargacompesobrutototaldeaté3.500kg; ▪caminhoneta–veículomistodestinadoaotransportedepassageiros; ▪utilitário–veículomistocaracterizadopelaversatilidadedoseuuso,inclusiveforadeestrada. VeículosPesados² Caminhões ▪Semileves–3,5t. 45 t. ¹CódigoNacionaldeTrânsito(BRASIL,1997) ²Anfavea(2023) PBT–PesoBrutoTotal;CMT–CapacidadeMáximadeTração Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Página| 15 Introdução Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Introdução Página| 16 Governança institucional da eficiência energética no Brasil MDIC CGEE GCCE ENBPar ProcelConpetPEE ANEELEPE CGIEE MME SNTEP MCidades GT Edificações SDIC Rota 2030 PBQP-HMCMV SNHSDUMSMU Inmetro BNDES CTECH GT Sustentabilidade Ministérios Entidades vinculadas Secretarias Comitês Programas de governo Fundo Setorial SNTEP:Secretaria Nacional de Transição Energética e Planejamento SDIC:Secretaria de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços SPU:Secretaria de Coordenação e Governança do Patrimônio da União SNH:Secretaria Nacional de Habitação SDUM:Secretaria Nacional de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano SMU:Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana SNASA:Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental SNASASPU SEGES Central de Compras MGI PBE MGI SDTI Finep CT-Energ Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Introdução Página| 17 Linha do tempo das Políticas de Eficiência Energética... 199019932000 200119851991 19841981 19821997 20022004 20032005 Portaria MIC/GM46 Programa CONSERVE Indústria e substituição de energéticos importados Decreto 87.079 PME:Programa de Mobilização Energética PBE | INMETRO PIˡ1.877 Institui oPROCEL Decreto 99.656 CICE -Comissão Interna de Conservação de Energia (revogado pelo Decreto 10473/2020) Decreto Federal 18/07/1991 Institui o CONPET Decreto Federal 08/12/1993 Selo de Eficiência Lei 9.478 Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e ANP Lei 9.991 PEE ANEEL: Investimentos em P&D e Eficiência Lei 10.295² Lei da Eficiência Energética (Índices mínimos -MEPS Minimum Energy Performance Standards) Decreto 4.059 e republicado pelo Decreto 9.864/2019 CGIEE/ GT Edificações Procel Indústria Procel EDIFICA Procel SANEAR Lei 10.847 Decreto 5.184 criação da EPE Notas:(1)PI=PortariaInterministerial (2)Motoreselétricostrifásicos,lâmpadasfluorescentescompactas,refrigeradoresecongeladores,fogõesefornosagás,condicionadoresdear,aquecedoresdeáguaagás,lâmpadasavapordesódiometálico,lâmpadasincandescentes, transformadoresdedistribuição,ventiladoresdeteto. Selo Conpet 2007 PNE 2030 Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Introdução Página| 18 ... ao longo dos anos até os dias de hoje Hoje! Nota:(1)IN=InstruçãoNormativa 20142019 202020112016 2010 2018 2021 20222009 20172023 Decreto 6.996 (revogado) Decreto 11158/2022 (vigente) Redução de IPI para produtos com índice de eficiência energética A e B Etiquetagem de Veículos e Edificações Comerciais Etiquetagem Residencial IN¹02 MPOG Requisitos para edificações públicas federais e compras Selo Procel Edificações Não Residenciais Lei 13.280 Realocação de recursos do PEE para o Procel Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) Lei 13.576 Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) Programa Aliança PotencializEE Decreto 10.791 Criação da ENBPAr FGEnergia Fundo Garantidor para Crédito a EE(BNDES e recurso do PROCEL) Portal da Eficiência Energética (MME) Portaria MME 594 PNEF: Indicação de metas para Eficiência Decreto 9.557 Programa Rota 2030 Programa Brasil Mais Produtivo – Eficiência Energética (B+P EE) Selo Procel Edificações Residenciais RedEE Indústria e RedEE Edif. Públicos Interface gráfica do usuário, Aplicativo Descrição gerada automaticamente ProEESA: Projeto de EE em Sistemas de Abastecimento de Água Res. CGIEE nº 01/2024 Agenda Regulatória CGIEE 2024-2026 2024 Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Introdução Página| 19 Visão da Integração das Políticas ENCEEtiqueta comparativa que classifica o desempenho energético Implementam as políticas e desenvolvem o mercado ETIQUETA DE ENDOSSO Premia os produtos mais eficientes LEI DA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA Regula os índicesmínimos de eficiência e o estabelecimento de requisitos de eficiência energética para edificações Programa Brasileiro de Etiquetagem INMETRO (1984) Índices Mínimos Lei Nº 10.295/ 2001 Selo PROCEL 1985 Eficiência Energética Programas de Eficiência Energética PEE/ANEEL PAR PROCEL Programa de PDI ANEEL Lei nº 9.991/2000 dispõe sobre os investimentos em P&D (atual PDI) e EE das concessionárias de energia elétrica. Atualmente 0,5% da Receita Operacional Líquida (ROL) das concessionárias. A partir da Lei nº 13.280/2016, que altera a Lei nº 9.991/2000, 20% dos recursos de EE são destinados para o Procel e 80% para o PEE/ANEEL. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Introdução Página| 20 Participaçãoderenováveisnamatriz Historicamente,oBrasilsedestacaporserumpaíscomumaltopercentualdefontesrenováveisdeenergiaemsuaofertainternaquando comparadoaorestodomundo.Nosúltimos20anos,aparticipaçãodasrenováveisnamatrizenergéticabrasileira,manteve-seestávelcom valoressuperioresa40%.Asoscilaçõesverificadas,entre2011e2014,sedevemàreduçãodaparticipaçãodasrenováveisnamatriz energéticadevidoàquedadaofertahidráulica.Apartirde2015,asfontesrenováveisretomamumatrajetóriadecrescimentocomaexpansão daofertadederivadosdacana,eólicaebiodiesel,atingindo49,1%em2023comacontribuiçãotambémdasituaçãohidrológicafavorável. Figura 1: Comparação internacional da participação de fontes renováveis na Oferta Interna de Energia (OIE) Fonte: EPE (2024b) Figura 2: Evolução da participação de fontes renováveis na Oferta Interna de Energia (OIE) Fonte: EPE (2024b) 13% 15% 49% 87% 85% 51% OCDE (2022) Mundo (2021) Brasil (2023) RenováveisNão renováveis 40,7% 49,1% 25% 30% 35% 40% 45% 50% 55% 60% 200020022004200620082010201220142016201820202022 Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Introdução Página| 21 Asfontesrenováveiscresceramemritmomaisaceleradodevidoàexpansãodosetorsucroalcooleiroeafortepenetraçãodeoutras renováveis,comoasfonteseólica,solar,licorpretoebiodiesel.Aenergiaeólicaapresentouparticipaçõescrescentesnamatrizenergética, chegandoa2,6%daOfertaInternadeEnergiaem2023.Jáolicorpreto,diretamenteassociadaàindústriadecelulose,contribuiucom3,4% daOIEem2023.Obiodieseltemsidofavorecidopelapolíticadeadiçãodestecombustívelnodieselfóssil.Em2023,opercentualdeadição (emvolume)foiarbitradoem12%apartirdomêsdeabrildaqueleano.Ovolumemédioanualdeadiçãodobiocombustívelatingiu11,54%na composiçãodoóleodieseltotalem2023. Figura 3: Oferta Interna de Energia (OIE) por fonte em anos selecionados Fonte: EPE (2024a) EvoluçãodaOfertaInternadeEnergia(OIE)porfonte Peloladodasfontesnãorenováveis,opetróleoeseusderivadosseguemcomoasmaioresfontes.Ogásnaturalsofreuaumentode participaçãode5,4%em2000para9,6%em2023,devidoàsuautilizaçãoemtermelétricasdebaseeextensãodamalhadutoviária,oque possibilitouseuusotantonasindústriascomonasedificaçõesresidenciais,comerciaisepúblicas. 45,6% 37,8% 37,2% 32,9% 35,1% 10,2% 13,6% 11,7% 9,6% 15,8% 14,0% 11,3% 12,5% 12,1% 12,1% 9,7% 8,3% 9,1% 8,6% 12,8% 21,1% 21,8% 27,0% 28,4% 20002010201520202023 Produtos da cana-de-açúcar / Outr. Ren Lenha e carvão vegetal Hidráulica Urânio (U₃O₈) / Outr. Não Ren Carvão mineral e coque de carvão Gás natural Petróleo e derivados Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Introdução Página| 22 Evoluçãodoconsumoenergéticoporsetor Oprincipalmovimentoobservadonesteperíodofoiorecuodaparticipaçãodaindústriaemcontraposiçãoaoavançodosetordetransportes, oqualalcançouamarcade35%departicipaçãoem2023.Osetordetransportescresceuaumataxamédiade3,2%a.a.(2000-2023),ede formamaisacentuadaentre2000e2015,comcrescenteparticipaçãodosetorrodoviário.Em2020,osetorfoiimpactadopelapandemiada covid-19,devidoàsrestriçõesdelocomoção,retomandonosanossubsequentesasuatrajetóriaderecuperaçãoesendoresponsávelpor 36%doaumentodademandaenergéticanacionalem2023. Figura 4: Consumo energético por setor em anos selecionados Fonte: EPE (2024a) 38,5% 38,1% 34,4% 34,1% 33,7% 30,2% 31,1% 34,4% 32,9% 35,0% 13,2% 10,7% 10,4% 11,7% 11,3% 8,2% 11,0%11,0% 10,9% 9,3% 20002010201520202023 Setor energético Residencial Terciário e outros Agropecuária Transportes Industrial (exclusive uso não-energético) Na indústria, os segmentos que mais se destacaram foram Papel e Celulose (3,5% a.a.), Açúcar (2,5% a.a.) e Cimento (2,5% a.a.). Cabe ressaltar que a produção de celulose e de açúcar são energointensivas e utilizam os coprodutos licor preto e bagaço de cana, respectivamente, que são renováveis. OsegmentodeAçúcarteveumaumentonoconsumodeenergiade20,7%,enquantoQuímicareduziu7,8%eFerroligas7,3%.Osetorenergéticoé impulsionadopelaproduçãodepetróleoeetanol,quenoperíodocresceramataxasanuaisde4,5%e4,7%.Aproduçãodeetanol,noentanto,caiu 0,5%entre2020e2023. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Introdução Página| 23 Entreosanos2010e2023,asintensidadesprimáriaefinalevoluíramàstaxasde0,13%e0,15%aoano,respectivamente,refletindoo crescimentodaOIEacimadocrescimentodoPIB.Entre2014e2023,aintensidadeenergéticaprimáriadiminuiuaoritmode0,22%a.a.A intensidadedoconsumofinal,nomesmoperíodo,apresentoucrescimentoàtaxade0,22%a.a.Atendênciadecrescimentodasintensidades energéticaspodeestarassociadaaocrescimentodaproduçãodeenergointensivosdebaixovaloragregadonapautaprodutiva,emrelação aosdemaisprodutosmanufaturados. IntensidadeEnergética Entreosanos2000e2008,aintensidadeenergéticaprimáriapermaneceuestávelemtornode0,097tep/10³U$ppp[2010].Aintensidadefinal, damesmaforma,estabilizou-seemvalorespróximosde0,087tep/10³U$ppp[2010].Em2009,osefeitosdacriseinternacionalsobrea indústriacontribuíramparaareduçãodaintensidadeenergéticaprimáriapara0,093tep/10³U$ppp[2010].Unidadesmaisineficientesecom maioresintensidadesforamdesativadas. Figura 5: Evolução da intensidade energética no Brasil Fonte: EPE (2024b) 0,097 0,097 0,093 0,099 0,097 0,088 0,087 0,085 0,086 0,088 0,07 0,08 0,09 0,10 0,11 200020012002200320042005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023 tep/10³ U$ppp [2010] Intensidade Energética Intensidade Consumo Final Nota:Esclarecimentos sobre a Intensidade Energética disponíveis em Definições Definições Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Introdução Página| 24 Figura 6: Evolução dos investimentos de PD&D em Eficiência Energética Fonte: EPE (2024c) Fissão e fusão nuclear R$ 224,3 OBrasilteminvestidoemEficiênciaEnergética Setorescompetitivoscomoaindústriadependemdaeficiênciaenergéticanodiaadiadosseusprocessosprodutivos,poissemelamuitos negóciospodemserinviabilizados.Mudançastecnológicasestãoentreasprincipaisfontesdecriaçãoderiquezaecrescimentoeconômico delongoprazo. DeacordocomaplataformaINOVA-E¹,entre2013e2023,oBrasilinvestiuquase6bilhõesdereaisempesquisa,desenvolvimentoe demonstração(PD&D)emprojetosdeeficiênciaenergéticaoriundosdeinvestimentospúblicosoupublicamenteorientados².Desse montante,maisdametadefoioriundadoBNDES,enquantoaANEELeaFinepcorresponderama14%e16%,respectivamente. DadosdaINOVA-Eapontamumamédiaanualdeinvestimentodecercade536milhõesdereaisaolongodeonzeanosdesérie histórica,considerandorecursospúblicosepublicamenteorientadosemprojetosdeP&DnoBrasil. Figura 7: Origem dos recursos (%) de PD&D em Eficiência Energética Fonte: EPE (2024c) Milhões de reais 545 631 612 619 617 614 582 537 477 359 309 20132014201520162017201820192020202120222023 Eficiência Energética 69% 16% 14% 1% BNDES FINEP ANEEL Outros Nota:Para informações sobre o INOVA-Ee significado das expressões “investimentos públicos” ou “publicamente orientados” acesse Definições A versão anterior do Atlas apresentava valores inferiores na curva de evolução de investimentos de PD&D em Eficiência Energética, os quais somavam quase 5 bilhões de reais ao longo da série histórica até 2022. Aprimoramentos metodológicos na plataforma INOVA-E permitiram a revisão dos valores do histórico de financiamento, conforme apresentado nessa versão. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Introdução Página| 25 InvestimentosdePD&DemEficiênciaEnergética Figura 8:Natureza e modalidade dos investimentos, em milhões de reais -2013 a 2023 Fonte: EPE (2024c) Valor investido (em milhões de reais) 050010001500200025003000 Tecnologias de eficiência energética aplicadas ao setor de transporte rodoviário Eficiência energética não alocados Tecnologias de eficiência energética aplicadas à Indústria Tecnologias de eficiência energética aplicada a residências e estabelecimentos comerciais Publicamente orientado Público Nota:OsinvestimentosapresentadosnafiguraforamadaptadosdaferramentaInova-e,queadotaaclassificaçãodaAgênciaInternacionaldeEnergia(IEA).ComomudançaemrelaçãoàversãoanteriordesteAtlas,ascategorias"Outras tecnologiasdeeficiênciaenergética"e"Outraseficiênciaenergéticanãoalocadas"foramagregadasem"Eficiênciaenergéticanãoalocados". Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Introdução Página| 26 26 ODEX Nesterelatóriofoifixado2005comoanobase(100),abrangendoossetoresindustrial,residencial,transporteseoBrasildeformaglobal.No período,todosossetoresanalisadosapresentaramganhosdeeficiência,sendoosmaioresnossetoresresidencialedetransportes,com 20,9%e17,6%,respectivamente.OODEXapuradoem2023mostraqueopaís,nesteano,encontra-se11,8%maiseficienteenergeticamente doqueemrelaçãoa2005. Figura 9: ODEX Brasil Fonte: Elaborado por EPE 97,3 82,4 79,1 88,2 75 80 85 90 95 100 105 2005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023 Índice (100 = ano 2005) IndústriaTransportesResidencialODEX Brasil Nota:Esclarecimentos sobre alterações no histórico do ODEX disponíveis em Definições Definições GANHOS DE EFICIÊNCIA (quanto menor, mais eficiente) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Página| 27 Edificações Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 BuildingsEdificações Página| 28 Evoluçãodoconsumodasedificações:setoresresidencial,comercialepúblico Aprincipalfontedeenergiautilizadanasedificaçõeséaeletricidade¹.Asresidênciasem2023,utilizaram48%deeletricidade,21%deGLPe 26%delenha;jáosedifícioscomerciaisepúblicos²utilizammajoritariamenteaeletricidadecom73%departicipação. Nota: [1] Deacordocomasériehistórica,aeletricidadeéaprincipalfontedesde2008. [2] OsetorpúblicocontabilizadonasedificaçõesnãoincluiIluminaçãoPúblicaeSaneamento. AsedificaçõesrepresentaramquaseametadedoconsumodeeletricidadedoPaísem2023,oconsumoatingiu290TWh,oquerepresenta47%da eletricidadedopaís.Considerandoaimportanteparticipaçãodasedificaçõesnoconsumodeeletricidade,podeseconsideraressesegmentocom omaiorpotencialdeeficiênciaelétrica. Δ% 2005-2023 Δ% 2005-2023 Comercial: 3,2% Público: 1,1% Residencial: 1,6% Comercial: 1,4% Público: -2,0% 71% 70% 67% 70% 72% 18% 20% 23% 20% 24% 20052010201520202023 52% 56% 55% 60% 58% 34% 37% 38% 34% 36% 20052010201520202023 Figura 10: Energia total demandada pelas edificações Fonte: EPE (2024a) Figura 11: Eletricidade demandada pelas edificações Fonte: EPE (2024a) Residencial: 3,8% Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 BuildingsEdificações Página| 29 Figura 12: Evolução da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia em Edifícios –ENCE (quantidade de etiquetas emitidas) Fonte: INMETRO (2023) EvoluçãodaEtiquetagememedifícios–PBEEdifica AEtiquetagememedifíciosclassificaaeficiênciaenergéticaentreosvaloresdeA(maiseficiente)aE(menoseficiente).São contempladasasEdificaçõesComerciais,deServiçosePúblicas,eResidenciais.Existemdoistiposdeetiquetasquepodem seraplicadas:aoprojetoeaoedifícioconstruído.OutrapolíticacomplementaréadoSeloProcelEdificações,estabelecido emnovembrode2014,esseestimulaepremiaasEdificaçõescomEtiquetaA.Essaspolíticassãoinstrumentosdeadesão voluntária. Aetiquetagememedifícioséuminstrumentodeadesãovoluntário,assimcomooSeloProcelemEdificações,quevisaestimularomercadona aquisiçãoeutilizaçãodeimóveismaiseficientes.Nos10anosdeexistênciadoSeloProcel,foramemitidos54selosaotododeprojetose construção.EmfunçãodaimportânciadosetordeedificaçõesnoBrasil,comcercade50%doconsumodeenergiaelétrica,essaspolíticas possuemumagranderelevânciaparaaeficiênciaenergéticaeoconfortoambiental. Nota:PBEéoProgramaBrasileirodeEtiquetagem. PBEEdificações:https://pbeedifica.com.br/ 4 21 357 415 1.378 1.411 2.545 3.921 4.428 4.485 4.609 4.759 4.800 4.898 4.943 200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023 Etiquetagem em Edifícios (ENCE) As edificações residenciais de unidade habitacional autônoma são as mais etiquetadas, com participação de 93% do total acumulado no período. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Página| 30 Setor Residencial Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Residencial Página| 31 Evolução da participação energética das fontes na demanda residencial de energia Aeletricidadecontinuasendoafontedeenergiamaisutilizadanosdomicíliosbrasileiros,comumaevoluçãodaparticipaçãoenergéticade cercade15,9p.p.de2005a2023.Elapossuiusodisseminadonasresidências,podendoserutilizadanaclimatizaçãodeambientes, conservação,cocçãoepreparaçãodealimentos,aquecimentodeágua,iluminação,lavanderia,entretenimento,comunicações,beleza pessoaleemoutrosequipamentoselétricoseeletrônicos. Figura 13: Evolução da participação energética das fontes na demanda residencial de energia Fonte: EPE (2024a) Percebe-seumareduçãodoconsumodalenhaparaacocçãodealimentosde2005a2015,emfunçãodamelhoriadascondiçõeseconômicas dasfamílias.Desdeoanode2015,aparticipaçãoenergéticadalenhasemantémempatamaresemtornode25%. O Gás Liquefeito do Petróleo (GLP) mantém uma participação intermediária (21% em 2023), sendo o seu uso principal associado à cocção de alimentos. O Gás Natural (GN) está incluído em Outros (vide gráfico) e possui utilização ligada à cocção de alimentos e aquecimento de água, principalmente nas áreas urbanas do país com infraestrutura de distribuição. A energia solar térmica também está agregada em Outros e tem uso relacionado ao aquecimento de água. Nota:anotação“p.p.”refere-seapontospercentuais. 33% 39% 44% 45% 48% 26% 26% 26% 24% 21% 37% 31% 25% 25% 25% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 20052010201520202023 Eletricidade GLP Lenha Outros Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Residencial Página| 32 Evoluçãodademandaresidencialelétricaeenergética Enquantooconsumodeenergiapordomicíliodiminuiu7,6%(quedade0,3%a.a.)de2000a2023,ademandadeeletricidadepordomicílio cresceu29%(avançode1,1%a.a.)nomesmohorizonte.Ademandadeeletricidadeteveumaquedabruscaem2001devidoao racionamento,queestimulouumamudançadehábitosepromoveumedidasdeeficiênciaenergéticanasresidênciasbrasileiras.Jáo significativoaumentodoconsumodeeletricidadeem2023,podeserexplicadopelousomaisintensodeventiladoreseaparelhosdear- condicionadodevidoàondadecalorprovocadanosúltimosmesesdoanopelachegadadoElNiño. Figura 14: Evolução da demanda residencial elétrica e energética Fonte: Elaborado por EPE Ademandadeeletricidadepordomicílioaumentoude2000a2023,emrazãodoprogressoeconômicodasfamílias,doavançodocréditoparacomprade eletrodomésticos,depolíticasgovernamentaisdeexpansãodaredegeral,sobretudoemáreasruraisedeprogramashabitacionaisemconjuntocom estímulosparareduzirodéficithabitacionalbrasileiro.Jáoconsumodeenergiatotalpordomicílioapresentoureduçãomédiaanualde0,3%a.a.aolongodo período.Issosedeveuemfunçãodareduçãodaparticipaçãodefontesmenoseficientesemtermosenergéticos(biomassastradicionais–lenhaecarvão vegetal)eaconsequentesubstituiçãoporfontesmaismodernas(GLP,GNeeletricidade).Éimportanteaindasinalizarqueoconsumodeenergiapordomicílio incluioconsumodeenergiasolartérmicaparaaquecimentodeáguaparabanho,quevemaumentandoconsideravelmentedesde2005. 0,30 0,40 0,50 0,60 1.200 1.500 1.800 2.100 2.400 200020022004200620082010201220142016201820202022 tep por domicílio kWh por domicílio Eletricidade (kWh por domicílio) Energia total (tep por domicílio) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Residencial Página| 33 Efeitos das políticas de eficiência energética nos domicílios AspolíticasdeeficiênciaenergéticapodemincluirÍndicesmínimosdeeficiênciaenergética(ouíndicesmáximosdeconsumo),Etiquetagem comparativa(compulsóriaouvoluntária)eSelosdeendosso. Essasiniciativassãoexecutadasnopaísdesde1984,comacriaçãodoProgramaBrasileirodeEtiquetagem(PBE),coordenadopeloINMETRO,que passouaelaboraretiquetascomparativasdodesempenhoenergéticodeequipamentos,propiciandoumaeducaçãoaoconsumidoreestimulandoa fabricaçãodeprodutoscommaiorníveldeeficiênciapelaindústria. Em1993,foramcriadososselosPROCEL(paraequipamentoselétricos)eCONPET(paraprodutosqueutilizamcombustíveisderivadosdepetróleoegás natural)afimdevalorizarosdispositivosmaiseficientesemtermosenergéticos. Existemaçõescomplementaresquebuscamreduzirademandadeenergianasresidências,incluindonormasdedesempenho(ABNTNBRN015.220e N015.575),padrõesdeetiquetagem(PBEEdifica)eselosdeendosso(ProcelEdifica)deedificações,alémdoestímuloaousodesistemasalternativos degeraçãodeenergiaemhabitaçõesdeinteressesocial(HIS). Estima-sequeoconsumomédioanualporaparelhodearcondicionadotenhasidoreduzidoemmédia17,9%entre2005e2023(-1,0%a.a.),emconsequênciadas regulamentaçõesdeíndicesmínimosdeeficiênciaenergéticainiciadaspelaPIMME/MCT/MDICn 0 364/2007equefoirevisadapelaPIn 0 323/2011,PIn 0 2/2018ePI n 0 234/2020. Jánocasodasgeladeiras,estima-sequeoconsumomédioanualporequipamentotenhasidoreduzidoemmédia12,4%entre2005e2023(-0,7%a.a.),em consequênciadasregulamentaçõesdeíndicesmínimosdeeficiênciaenergéticainiciadasem2007pelaPIMME/MCTI/MDICn 0 362/2007,equefoirevisadapelasPI n 0 326/2011,PIn 0 01/2018eaPIn 0 332/2021. DandoprosseguimentoàspolíticasiniciadasapartirdaLeiN 0 10.295/2001,conhecidacomoLeideEficiênciaEnergética,considera-seimportantequeas regulamentaçõesdeíndicesmínimosdeeficiênciaenergéticapossamserestendidasparaoutroseletrodomésticosdeusoresidencial,priorizandoaquelescom maiorconsumomédioporequipamento. PI = Portaria Interministerial Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Residencial Página| 34 Penetração de Sistemas de Aquecimento Solar (SAS) nas residências Figura 15: Penetração de Sistemas de Aquecimento Solar (SAS) Fonte: Elaborado por EPE Figura 16: Consumo Evitado de Energia Residencial (mil tep) Fonte: Elaborado por EPE 149 172 197 224 250 282 315 352 395 444 493 539 584 619 658 698 747 800 856 2005200720092011201320152017201920212023 A conversão da energia solar em energia térmica se baseia na absorção da radiação solar e na sua transferência, sob forma de calor, para um elemento que fornecerá determinado serviço energético. Os sistemas de aquecimento solar de água são compostos pelos coletores solares e pelo reservatório térmico, local onde fica armazenada a água aquecida. Os SAS possuem equipamentos complementares de aquecimento, que podem utilizar energia elétrica ou gás, e que são ativados em períodos de baixa intensidade solar, como as noites e os dias nublados. Os coletores e reservatórios são normalizados pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), coordenado pelo INMETRO. Ao passo que, para os consumidores, a utilização de SAS pode reduzir o gasto total com energia, para o setor elétrico, o seu uso pode diminuir o consumo na rede, a demanda de ponta em períodos críticos e as perdas técnicas no sistema, contribuindo para postergar novos investimentos em geração, transmissão e distribuição. Finalmente, do ponto de vista ambiental, o uso de SAS pode ajudar para a redução de emissões de GEE. A energia solar térmica residencial é destinada majoritariamente para o aquecimento de água em banhos e piscinas, que podem estar localizadas dentro das habitações ou em áreas de lazer de edifícios. Estimou-se que o consumo evitado de energia nas residências do país foi de 856 mil tep em 2023 pelo uso de SAS. 0% 1% 2% 3% 4% 0 20 40 60 80 100 2005200720092011201320152017201920212023 m² Área instalada (m²) por mil habitantes Participação de domicílios com SAS (%) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Residencial Página| 35 A climatização de ambientes vem ganhando participação em razão do aumento do uso de condicionadores de ar à medida que as famílias vão tendo condições financeiras para realizar a compra, substituindo ventiladores e circuladores de ar, relativamente mais baratos e que consomem menos energia. A indução também pode acontecer pela presença de dias mais quentes na média ao longo dos anos. Evolução da participação energética dos usos finais na demanda residencial de energia Oprincipalusofinaldeenergianasresidênciasbrasileiraséacocçãodealimentos,seguidopelaconservaçãodealimentosepelo aquecimentodeágua.Areduçãodaparticipaçãoenergéticadacocçãodealimentosnoperíodoentre2005e2023podeserexplicadapelo processodetransiçãoenergéticadasfamíliasmaisdesfavorecidasquesubstituemoconsumodebiomassastradicionaisporcombustíveis maismodernoseeficientesàmedidaqueprogridemeconomicamente.Jáailuminaçãovemperdendoparticipaçãoaolongodotempoem funçãodousocadavezmaisdisseminadodelâmpadasmaiseficientes,sobretudoasfluorescentescompactaseasdetecnologiaLED. Oaumentodaparticipaçãodeequipamentoselétricoseeletrônicospodeserexplicadopeloaumentodassuaspossespelasfamílias,que acompanhaumatransiçãotecnológicaedecostumes. Figura 17: Evolução da participação energética dos usos finais na demanda residencial de energia Fonte: Elaborado por EPE 64% 57% 52% 51% 48% 9% 10% 11% 12% 12% 10% 11% 12% 12% 12% 5% 6% 9% 10% 10% 5% 9% 10% 10% 13% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 20052010201520202023 Lavanderia Iluminação Entretenimento e comunicações Outros equipamentos elétricos Climatização de Ambientes Aquecimento de água Conservação de alimentos Cocção de alimentos Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Residencial Página| 36 Evolução do percentual de domicílios que aquecem água por fonte de energia Aeletricidadeéafontedeenergiamaisutilizadapelasresidênciasbrasileirasparaaquecimentodeáguaatravésdoschuveiroselétricos. Estimou-sequeapossemédiadechuveiroselétricosnopaísfoide0,71equipamento/domicílioem2023eaparticipaçãodosdomicíliosque utilizamenergiaelétricanoaquecimentodeáguaatingiu86,9%noano.Ademais,aparticipaçãodosdomicíliosqueutilizamenergiasolar térmicaparaaquecimentodeáguachegoua4,1%dototaldashabitaçõesqueaquecemáguaem2023. Existemregiõesdopaísquesãomuitoquentes,comooNorteeoNordeste,oquepodecontribuirparaosbaixospercentuaisdedomicíliosque aquecemáguaparabanho,comoilustraaPesquisadePosseeHábitosdeUsodeEquipamentos-PPH2019(PROCEL/ELETROBRAS).Cálculosda EPEutilizandoosdadoscoletadosnestapesquisaestimamqueemmédiacercade35%dosdomicíliosbrasileirosnãoaqueciamáguaparabanho nopaísem2019,sendoquenoNorte(94%)enoNordeste(88%)essasestatísticasforammuitomaiores. Figura 18: Evolução do percentual de domicílios que aquecem água por fonte de energia Fonte: Elaborado por EPE Os aquecedores a gás, podendo ser instantâneos ou de acumulação, são uma alternativa aos chuveiros elétricos, principalmente em áreas urbanas com infraestrutura de distribuição de gás. Estimou-se que a participação dos domicílios que utilizam gás no aquecimento de água alcançou 8,4% em 2023. Esses equipamentos são normalizados pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), coordenado pelo INMETRO. Além disso, existem legislações de índices mínimos de aquecedores a gás, iniciadas pela publicação em 2008 da Portaria Interministerial MME/MCT/MDIC N 0 298 e que foi revisada em 2011 pela Portaria Interministerial N 0 324. 95% 93% 90% 88% 87% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 20052010201520202023 EletricidadeGásSolarOutros Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Residencial Página| 37 Evolução do percentual de domicílios que cozinham alimentos por fonte de energia OGLPconsegueterumacapilaridadegrandenoBrasil,atingindo91%dosdomicíliosnacionaisem2023.Autilizaçãodogásnaturaléainda pequena(5,6%dashabitaçõesnacionais),restritabasicamenteàsáreasurbanasdecidadescominfraestruturadedistribuição. Figura 19: Evolução do percentual de domicílios que cozinham alimentos por fonte em relação ao total de domicílios nacionais Fonte: Elaborado por EPE O uso da eletricidade na preparação de alimentos vem crescendo ao longo do tempo, principalmente devido ao aumento da posse de micro-ondas (65% em 2023). Com a evolução da tecnologia e a diminuição de custo, aumentam as possibilidades das pessoas adquirirem esses tipos de aparelhos elétricos para uso doméstico, pelo fato de serem práticos e gerarem bons resultados. Incluem-se nesse conjunto de equipamentos, micro-ondas, fornos e fogões elétricos, sanduicheiras, grills, torradeiras, fritadeiras elétricas, panelas elétricas, entre outros dispositivos. Aparticipaçãodasbiomassastradicionais(lenhaecarvãovegetal)paraacocçãodealimentosnashabitaçõesdopaíscaiuentre2005e2015em funçãodoprogressodasituaçãoeconômicadasfamíliasbrasileirasmaisdesfavorecidas,masapresentouummovimentodereversãode2015a 2020,emrazãodapioradoquadroeconômico,composteriorreduçãonosanosseguintesaté2023. 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 2005200720092011201320152017201920212023 BiomassasGLPGNEletricidade (Fogão Elétrico)Eletricidade (Micro-ondas) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Residencial Página| 38 Aconservaçãodealimentoséousofinalcommaiorconsumopordomicíliodopaís,representandoemmédia25%doconsumoresidencialdeeletricidadeanual. Issoseexplicapelofatodeasgeladeirasestaremempraticamentetodasasresidênciasbrasileiras,ficaremligadasàs24horasdetodososdiasdoanoeteremum consumoespecíficosignificativo. Apesardapossebaixade0,18equipamento/domicíliodoscondicionadoresdearem2023,elespossuemomaiorconsumomédioporaparelho,oqueresultana segundaposiçãoentreosmaiseletrointensivosem2023(cercade16%dototaldoconsumoresidencialnoano).VentiladoreseCirculadoresdeArpossuemuma posseumpoucomaiorque1equipamento/domicílio,sendoumasoluçãodemenorcustoparaaclimatizaçãoambiental. Apossedechuveiroselétricoscaiuentre2005e2023.Apesardeoconsumomédioanualporequipamentoteraumentadodevidoàaquisiçãodechuveirosde maiorpotência,aparticipaçãodesseequipamentonoconsumoresidencialdeeletricidadeanualreduziusignificativamentedesde2005,chegandoa13%em2023. Apenetraçãodeequipamentosmaiseficientes,emsubstituiçãoaosmaisantigos,tendeareduziroconsumomédiodoestoqueexistentenopaís. Eletricidade –usos finais, posse e consumo médio anual por equipamento Figura 21: Equipamentos no consumo residencial de energia elétrica Fonte: Elaborado por EPE Figura 20: Posse e consumo médio anual por equipamento Fonte: Elaborado por EPE 0,05,010,0 Condicionador de Ar Lâmpadas Chuveiro elétrico Máquina de lavar Geladeira Ventilador/Circulador Ar Televisão unidades/domicílio 29% 26% 25% 26% 25% 12% 12% 15% 17% 16% 21% 18% 15% 14% 13% 11% 11% 8% 4% 4% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 20052010201520202023 Máquina de lavar Lâmpadas Televisão Ventilador/Circulador Ar Chuveiro elétrico Condicionador de Ar Geladeira - 500 1.000 1.500 kWh/equipamento 2023 2005 Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Residencial Página| 39 ODEX Residencial ODEXéumindicadorutilizadoparaavaliaroganhodeeficiênciaenergéticaemumperíodo.Estamedidaparaasresidênciasagregaa tendênciadeconsumodosdiferentesusosfinais(nocasoenergético),ouosprincipaisequipamentoselétricos(nocasoelétrico),combase emseuspesosnoconsumototal. Figura 22: Evolução do ODEX residencial calculado para energia total e eletricidade Fonte: Elaborado por EPE Paraaeletricidade,observa-seumareduçãodoconsumoespecíficomédiodoestoquenacionaldeequipamentos,emfunçãodaprimeiracompraou substituiçãodeaparelhosobsoletosouemfinaldevidaútilporaparelhosmaiseficientes.Porsuavez,aoconsiderarasdemaisfontesdeenergia,épossível observarquehouveumaestabilizaçãodoODEXentre2017e2020quepodeserexplicadaporumaligeiraintensificaçãodousodebiomassaparacocção devidoaoaumentodasrestriçõesorçamentáriaseaumentodopesodoGLPnasdespesasfamiliares,principalmenteparaasfamíliasdebaixarenda. Tendência de eficiência energética no setor residencial brasileiro entre 2005 e 2023. Enquanto o ODEX calculado para eletricidade assinalou queda de 14,1% (0,8% a.a.) entre 2005 e 2023, a retração do ODEX para a energia foi de 20,9% (1,2% a.a.). Observa-se, que nos últimos anos, o declínio do indicador é mais significativa para a energia elétrica, sugerindo a importância dessa fonte na conservação de energia residencial no país. 75 80 85 90 95 100 2005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023 Energia Eletricidade Nota.AmetodologiadoODEXResidencialfoiatualizadadeformaaisolaroefeitoposseeusodoconsumoespecíficodosequipamentose,consequentemente,destacarosganhosdeeficiênciaenergéticaporequipamentos.Osequipamentos consideradosnocálculodoODEXelétricosãolâmpadas,geladeiras,máquinadelavar,TV,chuveiroelétrico,arcondicionadoeventiladores.JánoODEXenergético,alémdoconsumoenergéticodosequipamentoselétricosconsideradosnoODEX elétrico,sãoconsideradostambémoconsumodasdiferentesfontesenergéticasparaaquecimentodeáguaecocçãodealimentos. GANHOS DE EFICIÊNCIA (quanto menor, mais eficiente) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Página| 40 Setor de Serviços (comercial e serviços públicos) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor de Serviços Página| 41 [1] Setores comercial e público conforme a classificação do Balanço Energético Nacional Panorama: evolução do consumo final energético, por fonte, no setor de serviços 1 Aeletricidadeéafontepreponderantedeconsumofinaldeenergianosetorcom90%departicipação,oGLP(6,2%)eogásnatural(1,1%). Caberessaltarqueosdadosdeconsumofinalnãoincluemautilizaçãodogásnaturaldestinadaàgeraçãodeeletricidade,segundoa metodologiadoBalançoEnergéticoNacional(BEN). Figura 23: Consumo final energético por fonte nos serviços Fonte: EPE (2024a) Aeletricidadeéaprincipalfontenessesetor,eapresentouumcrescimentomédioanualde3%noperíodo(2005-2023).Aeletricidadeadvindade fontesolarfotovoltaicacresceu13,1%econtacomumaparticipaçãode1,3%noconsumodeenergiadosetordeserviços. A eletricidade é a fonte de consumo final mais importante do setor. Pode estar associada a diversos fatores como a disponibilidade da eletricidade, o aumento da posse de equipamentos elétricos nos estabelecimentos, a automação dos processos e equipamentos, a substituição de equipamentos de uso de GLP e gás natural pela eletricidade, como por exemplo em fornos e fogões, entre outros fatores. 83,1% 88,1% 91,1% 91,2% 89,8% 6,2% (GLP) 1,1% (Gás Natural) 20052010201520202023 Outros Gás Natural Óleo Combustível Gás Liquefeito de Petróleo Eletricidade Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor de Serviços Página| 42 Figura 24: Evolução do consumo de eletricidade e área do setor comercial Fonte: Elaborado por EPE Análise:SetorComercial Em2023,oconsumodeeletricidadedosetorcomercialteveumaaumentode7%,quandocomparadoaoanoanterior,jáaáreaconstruída obteveumaumentode1,2%.Analisandooperíodode2006-2023,observa-seumaumentocrescentedaáreadeestabelecimentos comerciaiscomtaxamédiaanualde3,1%,enquantonomesmoperíodooconsumodeeletricidadedosetorapresentaumaumentode3,8% a.a.OsdadosdoboletimeconômicodaABRAVA(Dezembrode2023)apontamumcrescimentoem2023de10%paraosequipamentos centrais(toneladaderefrigeração–TR)e14%paraofaturamentodetodoosetoremrelaçãoa2022,grandepartemotivadapelaretomada dosserviçoseastemperaturasmédiaselevadas. O consumo de eletricidade teve uma taxa de crescimento de 7,1% em 2023, comparada com o ano anterior . Esse aumento em parte justifica-se pelo aumento da temperatura e pela taxa de crescimento do faturamento, segundo a ABRAVA (dezembro 2023). Em 2023, o PIB da Construção Civil teve uma queda de 0,5% (IBGE), a retração pode estar associada a taxa de juros e ao fim das pequenas reforma iniciadas na pandemia da covid-19 (CBIC). 1.000 1.500 2.000 2.500 3.000 3.500 4.000 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 200620082010201220142016201820202022 Área (milhões de m²) Eletricidade (TWh) Consumo de Eletricidade Área (milhões m²) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor de Serviços Página| 43 Figura 25: Consumo específico¹ por metro quadrado Fonte: Elaborado por EPE Indicadoressetoriais:consumoporm²dasedificaçõescomerciaisepúblicas Noperíodode2006–2014,oconsumodeenergiapormetroquadradonasedificaçõescomerciaisepúblicasteveumcrescimento,devidoao aumentodaposseeusodeequipamentoselétricos.Noentanto,apartirde2014oindicadordemonstraestabilidadeaté2019culminando emvertiginosaquedanoanodepandemiadocovid-19,comparcialretomadanosanosde2021a2023.Éimportantesalientarqueambosos indicadoresestãosobefeitodeeficiênciaenergética,vistoquepolíticasdeeficiênciaemcursoatenuamocrescimentodoconsumo. Entretanto,háoutrosefeitosquecorroboramparaastrajetóriasilustradas,como: ▪AimplementaçãodaResolução414/2010daAneel,quereclassificoupartedoconsumodeeletricidadedecondomíniosprediais,antes contabilizadanosetorresidencial,nosetorcomercial. ▪Oefeitoclimáticoqueintensifica/atenuaousodeequipamentosdecondicionamentoambientaltaiscomocondicionadoresdear, ventiladores,entreoutroseosderefrigeração. ▪Criseshídrica,econômicaesanitáriaaolongodosúltimosanos. 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 5,0 25,0 30,0 35,0 40,0 45,0 50,0 200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023 tep/m² kWh/m² kWh/m² tep/m² Dados∆% 23/22 Consumo de Eletricidade 7% Consumo de Energia 8% Área (milhões m²) 1% [1] Não inclui consumo dos segmentos: iluminação pública, água, esgoto e saneamento. O consumo em tep considera todos os energéticos. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor de Serviços Página| 44 Osetordeserviçoséumsetordiversificadocomcaracterísticaseperfildeusodistintos.Noentanto,observa-seadistribuiçãodoconsumode energiaporsegmentonoperíodo,comumacertahomogeneidade.Destacam-sedoissegmentos,edifíciospúblicoscomumaretraçãonoconsumo deenergiaeumaaumentoparaasaúde.Oconsumodeenergiaem2023,quandocomparadocomoanoanterior,apresentaumaumentode7%. Consumo de Energia por Segmento do Setor de Serviços 2006-2023 Noperíodode2006-2023,osegmentodesaúdefoioqueapresentouamaiortaxadecrescimento,com8%a.a.,quandocomparadacomos demaissegmentos.JáosegmentoAtacadoeComércioVarejistadetémamaiorparceladoconsumocom21%dototal.Somando-seaesteos segmentosdehotéis/restaurantesesaúde,essaparcelasobeparaametadedoconsumo. Figura 26: Consumo final energético por segmento no setor de serviços Fonte: Elaborado por EPE, a partir de EPE (2015) [1] Outros inclui condomínios prediais, locais públicos (teatro, clubes, museus, igrejas, galerias, etc.) e difusão da informação (cinemas, rádios, TV, telefonia, etc.) 22% 22% 22% 19% 21% 18% 18% 17% 14% 16% 13% 13% 14% 15% 15% 10% 9% 10% 9% 5% 10% 10% 10% 11% 8% 10% 10% 9% 10% 9% 7% 8% 9% 10% 10% 5% 6% 6% 8% 13% 20062010201520202023 Educação Saúde Escritórios Água, Esgoto e Saneamento Iluminação Pública Edifícios Públicos Outros Hotéis e Restaurantes Atacado e Comércio Varejista Participação no Consumo de Energia Atacado e Comércio Varejista 21% Hotéis e Restaurantes 16% Saúde 13% Total dos principais setores 50% Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor de Serviços Página| 45 Participaçãodocomércioeletrôniconovarejotradicional Observa-seaevoluçãodaparticipaçãodoe-commercenovarejotradicional,em2023atingiu8,6%.Partedaretraçãodaparticipaçãodo consumodeenergianocomérciovarejistaécorroboradapeloaumentodasvendasnainternet.Aparticipaçãonofaturamentodocomércio eletrônicoatingiu9,5%em2023. Figura 28: Perfil das Regiões em compra eletrônica Fonte: ABComm (2024) 8% 16% 3% 56% 17% Centro-Oeste Nordeste Norte Sudeste Sul Figura 27: Perfil dos Compradores Online: (Participação do Faturamento) Fonte: ABComm (2024) Figura 29: Participação do E-commerce no Varejo Tradicional –2010 -2023 Fonte: ABComm (2024) 19,7% 13,5% 11,6% 11,4% 10,5% 10,2% 6,2% 5,0% 4,7% 3,9% 2,1% 1,0% Eletrodomésticos Telefonia Casa e Decoração Informática Eletrônicos Moda e Acessório Beleza e Saúde Outras Esportes Alimenção Jogos Cultura 2,7 2,8 2,9 3,2 3,5 4,0 4,2 4,6 5,0 6,0 7,8 7,9 8,8 9,2 20102011201220132014201520162017201820192020202120222023 AFigura29mostraoaumentocrescentedaparticipaçãodocomércioeletrônicopelainternet,lideradapelaregiãoSudestecom56%departicipação nasvendas.NaFigura28a,observa-sequeoseletrodomésticosetelefoniasãooscommaisparticipaçãonasvendasonline. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor de Serviços Página| 46 Figura 30: Distribuição dos Gastos com a Energia Elétrica –2023 Fonte: MGISP (2023) Perfildadespesacomenergiaelétricanaadministraçãopúblicafederal ÉpossívelanalisaroperfildadespesacomenergiaelétricanaadministraçãopúblicaFederalatravésdoPaineldeCusteiodaAdministrativo.No momento,opaineldisponibilizaainformaçãodadespesa,naFigura30observa-seadistribuiçãoporórgão.Naausênciadedadosdeconsumo deeletricidade,taisinformaçõesauxiliamavisualizaçãodasmaioresdespesasparadirecionaraspolíticas,assimcomopriorizaraçõesparaa eficiênciaenergética. [1] Fundo nacional inclui por exemplo: Fundo Nacional da Saúde, Desenvolvimento da Educação, Índio, de Artes, Antidrogas, Cultura, Aviação Civil e etc. 21,2% 19,8% 16,6% 9,1% 8,6% 7,5% 7,0% 5,7% 2,2% 1,2% 1,0% 0,0% Universidade Fundo Nacional Administração Direta Empresa Pública Ministério Instituto Federal Fundação Pública Autarquia Especial Autarquia Sociedade de Economia Mista Agência Reguladora Hospital Universitário Em2023,observa-sequecercade60%dadespesacomenergiaelétricaestáconcentradaemtrêssegmentos:Universidades(21%),Fundo Nacional¹(20%)eAdministraçãoDireta(17%).Comoperfildosgastoscomaenergiaelétricaépossívelidentificarossegmentoscommaior potencialdeeficientização. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Página| 47 Setor Industrial Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Industrial Página| 48 123,8 105 2005200720092011201320152017201920212023 Evolução do consumo de energia e valor adicionado da indústria brasileira Figura 31: Consumo energético e Valor Adicionado das indústrias no Brasil (Número índice 2000 = 100) Fonte: Elaborado por EPE, a partir de EPE (2024a) e IBGE (2023a) Odescolamentoobservadodesde2015,entreascurvasdeconsumoenergéticoeovaloradicionado,resultaemincrementodaintensidade energética,oquenãoestánecessariamenterelacionadoàeficiênciaenergéticadasplantasindustriais,massimaoutrosefeitoscomopor exemploamaiorparticipaçãodesegmentosenergointensivosnosúltimosanos. [1] Bens industriais nacionais com algumas exceções Crise econômica global Após os impactos da covid-19, a economia vem se recuperando, com crescimento de 3,6% a.a. (2020-2023). Pandemia da covid-19 Tendência de crescimento da atividade industrial e do consumo energético na indústria (intensidade energética se mantém relativamente estável). O enfrentamento decrises econômicas associadas ao cenário doméstico deteriorado se refletem na retração do PIB industrial devido à redução na produção dos bens industriais nacionais¹. Crise econômica brasileira 2020 118,4 Consumo final energético industrial Índice VA industrial (exclui setor energético) Intensidade Energética NÚMERO ÍNDICE (100 = ano de 2005) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Industrial Página| 49 72,5 88,0 89,7 +18,2 -16,2 -4,8 +26,9 - 2,1 - 8,9 2005Estrutura2013Estrutura2023 Consumo (milhões de tep) ConsumoAtividadeEstruturaIntensidade Decomposição dos efeitos no consumo de energia: o que está por trás do aumento da intensidade energética industrial? Noprimeiroperíodopraticamentetodosossegmentoscrescem,compoucavariaçãoestruturaldentrodaindústria.Jánosegundoperíodo,a tendênciaseinverteemfunçãodereduçãodaatividadeeconômicaeseurebatimentodaatividadeindustrial,provocandoalteraçãonaestrutura deconsumodeenergianaindústriabrasileira. Figura 32: Decomposição¹ dos efeitos intensidade, estrutura e atividade Fonte: Elaborado por EPE, a partir de EPE (2024a) e IBGE (2023a) Os três efeitos principais que compõe a variação do consumo industrial são: o VA (valor adicionado -nível de atividade), a participação relativa dos segmentos industriais (isto é, a estrutura da indústria) e a intensidade de cada segmento (relação entre consumo energético e valor adicionado de cada segmento). Entre 2005 e 2013 houve grande aumento da atividade industrial, associado à redução do efeito estrutura e do efeito intensidade. As indústrias que mais cresceram no período foram cimento, açúcar, papel e celulose, e mineração. No período entre 2013 e 2023 houve redução da atividade econômica, com queda no VA da mineração, de outras indústrias e da indústria química, e na produção física de cimento e aço. A alteração da estrutura na indústria foi marcada pelo aumento da participação de segmentos energointensivos acima da média da indústria, tais como papel e celulose, ferroligas e açúcar. >> Mais detalhes sobre a decomposição na seção [1] Decomposiçãodavariaçãodoconsumoenergéticodaindústriaemefeitoatividade,estruturae intensidade,conformemétodoLMDII(“logarithmicmeanDivisiaindexmethodI”)comdecomposição aditiva(Ang&Liu,2001). Definições Definições Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Industrial Página| 50 97,3 118,4 75 80 85 90 95 100 105 110 115 120 125 2005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023 Índice (100 = ano 2005) OODEXdaindústriaébaseadonosíndicesdeconsumounitárioporsegmento(cimento,cerâmica,têxtiletc.)ponderadospelasuaparticipação noconsumototaldeenergiadosetor.Oconsumounitáriopodeserexpressoemdiferentesunidadescomobjetivodeforneceramelhor“proxy”de avaliaçãodaeficiênciaenergética,taiscomooconsumodeenergiaporunidadedeproduçãofísicaouporunidadedevaloradicionado.Esta abordagempermitemitigaroefeitoestruturaentreossegmentosdaindústria,diferentementedoqueocorrecomaintensidadeenergética. ODEX industrial Intensidade Energética NÚMERO ÍNDICE (100 = ano de 2005) O indicador ODEX é uma alternativa ao uso da intensidade energética... Evolução da eficiência energética segundo o indicador de Intensidade Energética Evolução da eficiência energética segundo o ODEX GANHOS DE EFICIÊNCIA (quanto menor, mais eficiente) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Industrial Página| 51 100 99,9 100,0 100,0 99,4 98,7 98,3 98,4 98,4 98,1 98,2 98,2 97,9 97,0 96,5 95,7 95,6 96,1 97,3 75 80 85 90 95 100 2005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023 Índice (100 = ano 2005) ODEX do consumo de energia do setor industrial ParaocálculodoODEX,foiconsideradaavariaçãodoconsumoespecíficocombasenaproduçãofísicaparaossegmentosdasiderurgia, papelecelulose,cimentoeaçúcar,osquaisrepresentamcercade60%doconsumodeenergianaindústria.Jánossegmentosdeoutros alimentícios,têxtil,química,cerâmica,ferroligas,outrosdametalurgia,mineraçãoeoutrasindústrias,ocálculoéfeitoapartirdavariaçãoda intensidadeenergética.Emambososcasos,asvariaçõessãoponderadaspelopesodecadasegmentonoconsumofinaldeenergiadosetor. EmboraoODEXindustrialtenhasemantidorelativamenteestávelaolongodetodooperíodo,observa-serelativoaumentodesteindicadornos anosde2022e2023,decorrenteemgrandemedidadoefeitoestruturainternoaalgunssegmentosenergointensivos. Figura 33: ODEX industrial Fonte: Elaborado por EPE GANHOS DE EFICIÊNCIA (quanto menor, mais eficiente) Definições Definições >> Mais detalhes sobre o ODEX na seção [1] ParadetalhesarespeitodocálculodoODEX,acesse:ManualMetodológicodoAtlasdeEficiênciaEnergética Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Industrial Página| 52 Particularidades de alguns segmentos contribuíram para o aumento do ODEX industrial Aolongodoanode2023,verificou-sereduçãomaisacentuadadaproduçãodasaciariaselétricas(cercade12%dequeda)doqueda produçãodeaçobrutonassiderúrgicasintegradas(cercade5%dequeda).O“mix”dasiderurgianoanode2023,comparadoaoanoanterior, teveacréscimodoseuconsumoespecífico,contribuindoparaoaumentodoODEXdaindústria,oquenãosignificaqueasrotas tecnológicasindividualmenteficarammenoseficientes. Nosegmentodecimento,verifica-seumesforçoqueosetortemempreendido,comoobjetivodereduzirasemissõesdegasesdeefeito estufa(GEE),incluindoautilizaçãodecombustíveisalternativos,taiscomopneus,resíduosindustrias,resíduossólidosurbanos,e“outras fontesrenováveis”comocarvãovegetal,madeira,resíduosagrícolas,biodieseleoutrasbiomassas.Estesmovimentoseventualmente provocamaumentodoconsumoespecíficodeenergianosegmento,comofoiverificadoaolongodoanode2023.Ouseja,priorizou-sea reduçãodasemissõesemdetrimentodaeficiênciaenergéticaglobaldosegmento. NosegmentodeNãoferrososeoutrosdametalurgia,aproduçãodeAlumínioprimáriotevecrescimentode26%noanode2023,em grandemedidadevidoàretomadadasoperaçõesdaAlumar¹.Aatividadedeproduçãodealumínioprimárioéeletrointensivaerespondepor partesignificativadoconsumodeeletricidadedogrupo.Noentanto,emtermosdevaloradicionado(VA),suaparticipaçãoébaixaquando comparadaaosdemaisprodutos.AcombinaçãodestesfatorescontribuiuparaoaumentodoODEXdestesegmentoem2023. Segmentosqueapresentamrotastecnológicaseprodutosdiferenciadossofreminfluênciadeefeitoestruturainterno.Porexemplo,oconsumo específicoparaaproduçãodepapelrecicladoémuitoinferioraoconsumoespecíficoparaaproduçãodecelulose.Damesmaforma,aprodução deaçobrutoapartirdesucata(aciariaelétrica),requermenosenergiaportoneladadeaçoquandocomparadoàsplantassiderúrgicasintegradas. [1] MaioresdetalhessãodestacadosnaseguintepublicaçãodaEPE: BoletimTrimestraldoConsumodeEletricidade–AnoIV–Número16–4ºtrimestrede2023 Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Industrial Página| 53 Linha do tempo: políticas e programas de eficiência energética Principais destaques de políticas de eficiência ligadas ao setor industrial Fonte: EPE. 2021198520002011 20202022 1991 20011984 Programa Brasileiro de Etiquetagem [INMETRO/MDIC] ▪Motores elétricos de indução trifásicos até 250CV ▪Bombas e motobombas centrífugas até 25CV CONPET [MME] PROCEL² [ENBPar/MME] Lei Nº 9.991 | Programa de EE, P&D e Procel [ANEEL] ▪R$ 93 mi em 42 projetos do PEE/ANEEL na indústria (2009-2018), economizando 135 MWh/ano ▪Chamada de Projeto Prioritário nº 2/2015: substituição de motores elétricos ▪R$ 492 mi do P&D/ANEEL em eficiência Lei Nº 10.295 | Padrões mínimos de eficiência [MME/MCTIC/MDIC] ▪Motores elétricos de indução trifásicos até 500CV ▪GT Motores recondicionados PNEf Plano Nacional de Eficiência Energética [MME] PotencializEE Programa Investimentos Transformadores de Eficiência Energética na Indústria [MME/GIZ] RedEE Indústrias [MME/ GIZ/ Ahk São Paulo] FGEnergia Fundo Garantidor para Crédito a Eficiência Energética [BNDES e PROCEL] A Lei n°13.280/2016 alterou a Lei 9.991/2000, destinando 20% dos recursos de eficiência energética ao Procel. 2016 ▪Programa Aliança ▪Programa Brasil mais Produtivo EE ▪Estruturação por meio de indicadores e normalização ▪Promoção da gestão de energia ▪Índice de Malmquist e Data Envelopment Analysis ▪Análise de impacto regulatório (AIR) para certificação compulsória de transformadores de distribuição ▪AIR da melhoria do serviço de reparo de motores ▪Implementação do Plano de Negócios para Rede Lamotriz ▪Ferramenta computacional para análise de sistemas de bombeamento ▪Programa Aliança 2.0 ▪EE Digital ▪Programa de EE em Sistemas de Ar Comprimido ▪Metodologia para Sistemas Térmicos e Motrizes ▪Estudo sobre sistemas motrizes ▪Avaliação da rede Lamotriz ▪Impacto do reparo de motores no rendimento ▪Aplicação de Sistemas Termossolares ▪Plano de comunicação de reparo de motores ▪Laboratório de reparo de motores [1] Lista não exaustiva [2] A Lei n°13.280/2016 alterou a Lei 9.991/2000, destinando 20% dos recursos de eficiência energética ao Procel. 1º PAR2º PAR3º PAR4º PAR Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Industrial Página| 54 Perfil da indústria Ousodederivadosdepetróleoperdeparticipaçãodevidoàreduçãodousodoóleocombustívelemtodosossegmentos,emenor participaçãodocoquedepetróleonaindústriadecimento.Ocarvãovegetaltambémperdeparticipaçãopelareduçãodoseuusonosetor siderúrgico,mesmosendomaisutilizadopelosetordeferroligas.Olicorpretoganhaparticipação,acompanhandoaindústriadecelulose, queutilizaessecoprodutoemseusprocessos. Em2023,asindústriasdealimentosebebidas,ferrogusaeaçoepapeleceluloseforamasmaisrepresentativasemtermosdeconsumo energético.Aeletricidadeéafontemaisrelevanteevemganhandomodestaparticipação. Figura 34:Participação da indústria por segmento Fonte: EPE (2024a) Figura 35: Matriz energética da indústria Fonte: EPE (2024a) 23% 19% 20% 19% 17% 25% 27% 25% 30% 30% 10% 8% 8% 7% 7% 11% 12% 14% 16% 16% 8% 8% 9% 7% 9% 7% 8% 7% 6% 6% 20052010201520202023 Têxtil Ferroligas Mineração e pelotização Cerâmica Cimento Não ferrosos Outras indústrias Papel e celulose Química Alimentos e bebidas Ferro gusa e aço 15% 14% 13% 11% 10% 21% 21% 20% 21% 22% 14% 14% 15% 14% 13% 16% 13% 13% 14% 13% 18% 20% 18% 22% 22% 10% 11% 11% 9% 10% 5% 6% 7% 8% 9% 20052010201520202023 Demais fontes Licor preto Gás natural Bagaço de cana Lenha e carvão vegetal Carvão mineral e derivados Eletricidade Derivados de petróleo Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Página| 55 Informações adicionais de segmentos selecionados da indústria Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Industrial Página| 56 Segmentos selecionados da indústria 85% 88% 91% 94% 97% 100% 200020012002200320042005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023 Mundo Brasil Siderurgia: difusão do lingotamento contínuo Oprocessodesolidificaçãodoaçolíquidopodesedarpormeiodolingotamentoconvencional¹oudolingotamentocontínuo.Olingotamento contínuopodeserconsideradoumasdasinovaçõesradicaisnasiderurgiamundial,poispassouapermitiraltorendimentosemiacabado/aço líquido(cercade98%),sendomaiscompactoeconferindomelhorqualidadeaoprodutofinal. Figura 36: Taxa de difusão do lingotamento contínuo na siderurgia, Brasil e Mundo (percentual) Fonte: Worldsteel (2009, 2019, 2021, 2023, 2024) Adifusãomundialdolingotamentocontínuopassoude87,1%(em2000),para94,9%(em2010)eainda96,7%(em2023).Duranteesseperíodo,a importânciarelativadolingotamentocontínuonoBrasilfoisuperioràmédiamundial. [1] Utilizando lingoteiras, um molde que tem a função de receber metal ou liga metálica no estado líquido, quente, para formar determinada peça após o tempo de cura, quando o material se solidifica. 98,4% 96,7 % Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Industrial Página| 57 Segmentos selecionados da indústria Avanços normativos, pesquisas em química do cimento, desenvolvimento de novos cimentos, entre outros, permitiriam o avanço na incorporação de adições ao cimento, em substituição ao clínquer, que hoje chega em média a 32%, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa associadas à calcinação e ao uso da energia. Cimento: consumo específico e conteúdo de clinquer AindústriadocimentonoBrasilpossuiumparqueindustrialmodernoeeficiente,eemconstanteatualização.Maisde99%daproduçãoé feitaemfornosviaseca(maiseficiente),cercade40%doparqueindustrialpossuimenosde15anosecontacommaisde70%deseus fornosequipadoscomtorresdepré-aquecedoresde4a6estágiosepré-calcinadores(EPE,2021)¹.Modernosresfriadoresdegrelhaequipam 80%dosfornosbrasileiroseaproximadamente50%dosmoinhosdematéria-primasãoverticais,estesconsideradososdemenorconsumo elétrico. Figura 38: Índice de variação do consumo específico de cimento (clínquer e cimento) Fonte: Elaborado por EPE, a partir de EPE (2024a). Figura 37: Consumo energético específico na indústria de cimento Fonte: Elaborado por EPE, a partir de EPE (2024a). A Figura 38 permite avaliar, separadamente, os consumos específicos térmico e elétrico relativos às produções de clínquer e cimento, respectivamente. O consumo de eletricidade se dá majoritariamente na produção de cimento (moagem), e o de combustíveis na produção de clínquer (forno). O consumo específico térmico do clínquer reduziu 14% ao longo de todo horizonte, enquanto o consumo específico elétrico do cimento reduziu 3%. 0,082 0,084 0,075 0,072 0,0690,069 75% 73% 68% 64% 66% 70% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 0,000 0,025 0,050 0,075 0,100 200020052010201520202023 clínquer/ cimento tep/ ton. cimento Consumo específico do cimento (tep/ton)Conteúdo de clínquer no cimento (em massa) 100,0 95,4 96,7 89,4 82,2 85,9 97,6 93,9 94,9 95,9 97,4 70 80 90 100 110 200020052010201520202023 Número índice (100 = ano 2000) Consumo específico térmico do clínquerConsumo específico elétrico do cimento [1] EPE (2021) utilizou dados do Roadmap Tecnológico do Cimento, disponível em: roadmap-tecnologico-do-cimento-brasil.pdf Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Industrial Página| 58 Segmentos selecionados da indústria Cimento: matriz energética e coprocessamento Amatrizenergéticadaindústriadecimentosofreumudançasaolongodotempo.Nascrisesdopetróleohouvemomentâneamigraçãode óleocombustívelparacarvão(mineralevegetal).Nosanos2000osetormigrouparaocoquedepetróleoimportadoemdetrimentodoóleo combustível.Atualmente,ocoquedepetróleoéaprincipalfonte,emfunçãodebaixopreçoegarantiadeabastecimento. Figura 39: Consumo final energético por fonte na indústria de cimento Fonte: EPE (2024a). Nota: “Outras” inclui gás natural, lenha, óleo diesel e GLP A participação dos combustíveis alternativos vem ganhando representatividade em substituição ao coque de petróleo, e chegou a23% do consumo em 2023. A partir dos anos 2000, uma nova revolução energética começa a ganhar relevância, que é a dos combustíveis alternativos, caracterizados pelo coprocessamento de resíduos e pela utilização de biomassas. O coprocessamento tem diversos benefícios ambientais por fornecer uma destinação adequada aos resíduos e pela redução de emissões de GEE (uma vez que estes resíduos, em sua grande maioria, têm um fator de emissão menor que o dos combustíveis fósseis tradicionais). Esta transição energética exigiu –e exigirá ainda mais – investimentos do setor em adequação e adaptação do processo produtivo, além do aperfeiçoamento em monitoramento e controle (EPE, 2021). 55% 65% 74% 69% 62% 57% 15% 12% 13% 13% 14% 14% 13% 9% 8% 9% 17% 23% 200020052010201520202023 Outras Combustíveis alternativos Carvão mineral Carvão vegetal e lenha Eletricidade Óleo combustível Coque de petróleo Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Industrial Página| 59 Segmentos selecionados da indústria Papel e Celulose: perfil e reciclagem Aproduçãodecelulosevemaumentandoemritmomaisaceleradoqueaproduçãodepapel,comgrandesfábricasapenasdecelulosee aumentodasexportações,dadaagrandecompetitividadedoprodutobrasileiro.Em2020aproduçãodomésticadecelulosejáeraodobroda produçãodepapel.Comoaproduçãodeceluloseémaisenergointensivaqueadepapel,issointerferenaevoluçãodoconsumoespecífico dosetor. Figura 40: Razão da produção celulose/papel no Brasil Fonte: Elaborado por EPE. Figura 41: Taxa de reciclagem de papel no Brasil e no Mundo Fonte: Elaborado por EPE, a partir de ICFPA (2023), ANAP (2020 e 2021) e Ibá (2024). Areciclagemdepapeléumaimportantemedidadesustentabilidade.Asubstituiçãodopapelproduzidoapartirdapastadeceluloseporaparasdepapeléuma açãodeeconomiacircularqueevitaoconsumoenergéticoeoutrosimpactosdaproduçãodecelulose. Osetortemumhistóricopositivoemlogísticareversa,tendoatingindoomarcode70%detaxadereciclagemem2020,acimadamédiaglobal,de60%.Ataxade reciclagemdeembalagenséaindamaior,chegandoa80%. Entretanto,cabeconsiderarqueareciclagemdopapelpodealterarascaracterísticasequalidadedoproduto,enemsemprepodeserutilizadoparaamesma aplicação,edependedeumacadeialogísticadecoletadasaparasdepapel,queestáparaalémdoslimitesfabris. Nota: Calculado pela coleta de aparas sobre o consumo aparente de papel. Índice de reciclagem do papel no Brasil 58,1% de acordo com o Relatório Anual Ibá 2024, disponível em: Relatório Anual Ibá 2024 106% 120% 144% 168% 206% 224% 200020052010201520202023 60% 63% 65% 68% 70% 66% 70% 67% 70% 58% 58% 59% 59% 59% 60% 59% 60% 60% 2014201520162017201820192020202120222023 Brasil Mundo Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Industrial Página| 60 Segmentos selecionados da indústria Papel e Celulose: matriz energética e renovabilidade Amatrizenergéticadosetordepapelecelulosenacionalapresentaaltonívelderenovabilidade,quechegaa90%¹.Osetorutiliza subprodutosdoprocessodeproduçãodecelulose,alixívia(licorpreto)eresíduosdemadeira,paracogeração.Ogásnaturalpassouaser utilizadonadécadade1980,esuaparticipaçãodesdeosanos2000érelativamenteestávelem7%,comusoprincipalmenteemcaldeiras.Já oóleocombustívelreduziusignificativamentesuaparticipaçãode16%em2000paraatuais2%,utilizadosnapartidadecaldeiras,nosfornos decaleemcaldeirasaóleocombustíveldepoucasplantas(EPE,2018). Figura 42: Consumo final energético por fonte na indústria de papel e celulose Fonte: EPE (2024a). [1] Assumindo a premissa de que a eletricidade consumida no setor é 100% renovável. Em 2023, 92% do consumo do segmento foi suprido pela energia gerada pelas próprias empresas (Ibá, 2024), majoritariamente por fontes renováveis, tais como a lixívia. 37% 43% 46% 50% 52% 54% 24% 23% 24% 22% 21% 20% 17% 16% 16% 16% 15% 15% 16% 8% 7% 9% 9% 10% 10% 9% 200020052010201520202023 Outras não-renováveis Óleo combustível Eletricidade Outras renováveis Licor preto Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor Industrial Página| 61 Segmentos selecionados da indústria Alumínio: evolução da taxa de recuperação de sucata de alumínio Em2023,comumconsumode32,3bilhõesdelatasdealumínio,oequivalenteamaisde150latasporpessoaaoano,oBrasilapresentauma taxadereciclagemdealumínioqueatingiu57%,mantendo-seacimadamédiamundial. [1] Utilizando lingoteiras, um molde que tem a função de receber metal ou liga metálica no estado líquido, quente, para formar determinada peça após o tempo de cura, quando o material se solidifica. Figura 43: Evolução da taxa de recuperação de sucata de alumínio Fonte: Elaborado por EPE, a partir de ABAL (2024). 35% 35% 34% 39% 46% 52% 54% 56% 54% 55% 55% 59% 57% 29% 28% 29% 0% 20% 40% 60% 80% 2011201220132014201520162017201820192020202120222023 Taxa de reciclagem¹ Brasil Média mundial Areciclageméumaestratégiaparaaeconomiacircular,comdiversosbenefíciossocioambientais.Oconsumoelétricodoalumíniosecundário (reciclado)éinferioraodoalumínioprimário,queéeletrointensivo.SegundooWorldEconomicForum(2021),oconsumodoalumíniorecicladoé daordemde5%doconsumodoalumínioprimário,dadoquetambémécorroboradoparaoBrasil,conformeapontadopeloestudodaEPE(2017). Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Página| 62 Setor de Transportes Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor de Transportes Página| 63 OconsumoenergéticodoSetordeTransportes Em2023,oconsumoenergéticonacionalaumentou4,0%emrelaçãoa2022,taxasuperioraoaumentodoPIB,de2,9%.Ademanda energéticadosetordetransportescresceu4,4%em2023,sendoresponsávelpor36%doaumentodoconsumofinaldeenergia.Destaque paraatividadenotransportedepassageiros,quetornouaficaracimadaregistradaem2019,antesdapandemia,aumentando15%,comum aumentodesomente6,1%nodispêndioenergético.Aatividadenotransportedecargastambémcresceusignificativamente(3,5%),deforma eficiente,comumaumentodedispêndiodeenergiadesomente2,1%.Nocasodotransportedecargas,aelevaçãodoconsumo energéticotemapresentadorecordestodososanosdesde2016,estando25%acimadoníveldeatividadede2019. Figura 44: Consumo final e do setor de transportes no Brasil Fonte: Elaborado por EPE, a partir de dados da EPE (2024a) Industrial; 35% Não-energético; 8% Residencial; 12% Energético; 7% Agropecuária; 4% Outros; 5% Industrial; 32% Não-energético; 6% Residencial; 11% Energético; 9% Agropecuária; 5% Outros; 5% 2% 7% 12% 28% 0% 51% 3% 4% 17% 28% 5% 43% 2000 171 Mtep 2023 282 Mtep Transportes: 28%Transportes: 33% Diesel BiodieselGasolina Etanol Querosene de Aviação Outros Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor de Transportes Página| 64 Figura 45: Consumo do setor de transportes por fonte de energia (10 6 tep) Fonte: EPE (2024a) EvoluçãodaparticipaçãodoconsumoenergéticodoSetordeTransportes Oincrementodademandaenergéticadosetorem2023ocorreuemfunçãonãosomentedocrescimentodotransportedecargas,mas tambémdepassageiros.Destaqueparticularparaoaumentodademandadeóleodieseledegasolina,incentivadopeloincrementodo consumodebens,elevaçãodasproduçõesagropecuáriaeindustrialerecuperaçãointegraldamobilidadedapopulaçãoapósapandemia.A taxadecrescimentoregistrada,4,4%,ficouacimadaexpansãodoPIB,especialmenteemfunçãodamobilidadedapopulação. Aatividadedossetoresmetroferroviárioedeônibusaindanãoserecuperoudapandemia.Entretanto,aatividadedotransporteindividual maisdoquecompensouessessetores,promovendooaumentodademandaenergéticadocicloOtto.Noquetangeàatividadedotransporte aéreo,houverecuperaçãoparaospatamarespré-pandemiaaofinalde2023(masnãonamédiadoano),comregistrodeelevaçãode eficiência,umavezqueoconsumodequerosenedeaviaçãosemanteve7%abaixodopatamarregistradoem2019. 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 200020012002200320042005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023 10 6 tep Gás Natural Etanol Hidratado Etanol Anidro Querosene Gasolina Automotiva Óleo Combustível Biodiesel Diesel Eletricidade Gasolina de Aviação Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor de Transportes Página| 65 41% 7% 2,7% 10% 37% 2,0% 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 20012002200320042005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023 10 6 tep DestaqueparaocicloOtto,queatingiurecordehistóricoabsolutoem2023(7,8%acimadorecordepré-pandemia,estabelecidoem2019).Que haviaficadoemlinhacomorecordeanteriorregistradoem2014.Poroutrolado,ademandadedieselpelotransportecoletivoporônibusestá20% abaixodoqueseurecordeestabelecidoem2014. Transporte Coletivo Diesel B Transporte Cargas Diesel B Transporte Individual Gás natural veicular (GNV) Gasolina C Etanol Hidratado Diesel B Figura 46: Consumo energético por modo e fonte Fonte: Elaborado por EPE. 3,2% a.a. (2000-2023) 2,9% a.a. 0,8% a.a. 16,2% a.a. 5,4% a.a. 3,1% a.a. 8,3% a.a. Taxas anuais de crescimento 2022/23 +4,4% 47% 8% 0,2% 6% 38% 0,6% 43% 7% 1% 13% 33% 2,8% 200020102023 Evoluçãodoconsumoenergéticorodoviário Entre2000e2023,ademandadotransporterodoviáriodepassageirosaumentou113%(3,3%a.a.),eadotransportedecargascresceu94% (2,9%a.a.).Osdestaquesparaoanode2023ficaramcomoaumentodademandadocicloOtto(+5,7%),comcrescimentodademandade gasolinaC(+6,6%)edoetanolhidratado(+6,9%).Houveincrementotambémdademandadeóleodieselporveículosleves(+10,2%),devido aorecordedevendasdeSUVsecomerciaislevesadiesel,assimcomododieselparaônibus(+6,5%).Ovolumedeóleodieselparatransporte decargastambémregistrounovorecorde(+2,2%),emfunçãodoaumentodaproduçãoagrícola,darecuperaçãodaindústria,comércioe varejo,edorecordedeexportações. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor de Transportes Página| 66 0 10 20 30 40 50 60 20022005200820112014201720202023 tep/10 6 p.km TransportedePassageiros Em2023,otransportedepassageirosnoBrasilfoiumdosmomentosmenoseficientesemtermosdeenergiaporpassageiro-quilômetro. Apesardeganhosdeeficiênciatécnica(deequipamentos)denovosautomóveis,metrôseespecialmenteaeronaves,otransportepúblico perdeuusuários,quemigraramparaautomóveisoumotos,reduzindoaeficiênciasistêmicadosetor. Figura 47: Intensidade energética por modo [tep/(10 6 p.km)] Fonte: Elaborado por EPE Figura 48: Atividade por modo [p.km] Fonte: Elaborado por EPE Total Ferroviário Rodoviário Coletivo Hidroviário Aéreo Rodoviário Leves Nota: a unidade “p.km” refere-se a passageiro-quilômetro. -0,8% a.a. -0,2% a.a. +0,6% a.a. -3,2% a.a. +0,4% a.a. -0,4% a.a. 50% 55% 60% 79% 68% 65% 44% 38% 31% 14% 23% 27% 4% 5% 7% 5% 7% 6% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 200020102019202020222023 Aéreo Aquaviário Ferroviário Rodoviário Coletivo Rodoviário Leves Aatividadedetransporteporpassageirosultrapassouosníveispré-pandemiaem2023,sendoresultadodainfluênciadediversosfatores,asaber: manutenção de algum grau de teletrabalho em algumas cidades redução do desemprego e o aumento da massa de renda aumento da frota de automóveis e de motos redução dos preços de combustíveis registrada ao longo de 2023 número de passageiros em ônibus, trens, metrôs e aeronaves abaixo dos patamares registrados em 2019 Voos internacionais em patamares inferiores a anos anteriores, especialmente em função do valor do câmbio, que desincentivou viagens ao exterior Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor de Transportes Página| 67 59 60 61 62 63 64 65 66 67 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 200120032005200720092011201320152017201920212023 Frota de Veículos Intensidade Energética 2000 2010 2023 Este avanço reduz os ganhos de eficiência média da frota, visto que estes apresentam eficiência um pouco inferior aos análogos dedicados. O aumento do licenciamento de comerciais leves esportivos (SUVs) e comerciais leves a diesel também elevou o consumo específico da frota, visto que são veículos menos eficientes, especialmente pelo seu peso considerável. Destaque para o crescimento percentual dos licenciamentos e da frota de automóveis e comerciais leves eletrificados, cuja frota aumentou 74% em 2023, chegando a 220 mil unidades, representando 0,6% da frota total. Transporteindividualdepassageiros Etanol: 17,9% Diesel: 4,0% Gasolina: 78% FlexFuel: 0% Híb. e Elétricos: 0% Etanol: 4,7% Diesel: 4,4% Gasolina: 48% FlexFuel: 43% Híb. e Elétricos: 0% Etanol: 0,8% Diesel: 7,2% Gasolina: 14,4% FlexFuel: 77,3% Híb. e Elétricos: 0,3 % A venda de automóveis acompanhou o crescimento da renda per capita brasileira ao longo da década de 2000. Nos últimos 3 anos, foi observadauma estabilização das vendas de automóveis leves em torno de 2 milhões de unidades. O histórico de iniciativas governamentais como o Programa Brasileiro de Etiquetagem veicular (PBVE), Inovar Auto e Rota 2030, promoveram a melhoria da eficiência energética dos veículos novos, e o avanço rápido da participação de veículos flexfuel na frota. Figura 49: Frota de automóveis e consumo específico de 2000 a 2023 Fonte: Elaborado por EPE. Figura 50: Frota de leves por tipo de motorização em anos selecionados Fonte: Elaborado por EPE. Milhões de unidades tep/10 6 km +3,7% a.a. -0,2% a.a. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor de Transportes Página| 68 68 CicloOttoeotransporterodoviárioindividual Taxas anuais de crescimento 2000-2023 Etanol Hidratado: 5,4% a.a. Etanol Anidro: 3,6% a.a. Gasolina A: 2,9% a.a. Gás Natural Veicular (GNV): 8,3% a.a. 3,6% a.a. (2000-2023) Em2023,ademandaporcombustíveisdocicloOttocresceuaumataxaexpressivade5,7%,acimadocrescimentomédioentre2000e2023,de3,6%a.a..Avoltaaotrabalho presencialdepartedasempresasqueaindaestavamemregimehíbridoeremotopressionouademandapormobilidade.Omaiornúmerodepessoasempregadas,eamaior massaderendatambémestimularamademandatantoparaviagensparaoslocaisdetrabalho,comoporviagensalazer.Areduçãodonúmerodosvoosinternacionais tambémestimularammaisviagensdomésticasrodoviárias.Oaumentodafrotadeveículoslevesemfunçãodavendarecordedemotoseretomadadavendadeautomóveis, assimcomoadisponibilidadedetransporteporaplicativosreduziuademandapelotransportepúblico,comincrementodademandadecombustíveisdocicloOtto. 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 200020012002200320042005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023 10 6 tep Figura 51: Consumo energético por fonte Fonte: Elaborado por EPE. 2000 2010 14,3% 68,5% 15,7% 1,4% 26,3% 55,9% 12,1% 5,6% 21,1% 59,2% 15,7% 3,9% 2023 2019/20 -9,3% 2020/21 +4,6% 2021/22 +6,4% 2022/23 +5,7% Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor de Transportes Página| 69 Figura 52: Intensidade energética por modo [tep/(10 6 t.km)] Fonte: Elaborado por EPE Figura 53: Atividade por modo [t.km] Fonte: Elaborado por EPE 1 10 100 1.000 20022005200820112014201720202023 66,9% 70,2% 68,8% 71,1% 19,8% 20,6% 17,0% 16,5% 13,1% 9,1% 14,1% 12,3% 2000201020202023 Aéreo Aquaviário Ferroviário Rodoviário -2,0% a.a. -2,1% a.a. -2,0% a.a. -4,3% a.a. -0,4% a.a. Rodoviário Ferroviário Hidroviário Aéreo Total TransportedeCargas Em2023,otransportedecargasbateunovorecordeemtermosdeeficiênciaenergética,reduzindoseuconsumoenergéticoporatividadede transporteemmais1,3%,comdestaqueparaotransporterodoviárioeaquaviário. Noquetangeaotransporteaquaviário,2023foirecordeemtermosdemovimentaçãoportuária,devidoaoaumentodasexportações,que registraram8%decrescimentoemtoneladasmovimentadas.Esseaumentodamovimentaçãoportuáriafoiviabilizadoporinvestimentose pelaotimizaçãodagestãoentreembarcaçõeseportos,permitindoreduziraintensidadeenergéticadestesetor. Paraosdemaismodos,odesempenhodasexportaçõesdeminériodeferro,soja,açúcar,milhoefarelodesoja,queatingiramrecordes históricos,contribuiuparaotransportedessesprodutostantoporferroviascomorodovias.Nestecontexto,houveanecessidadedeentrada demuitosnovoscaminhõespesados.Muitomaiseficientesdoqueafrotaexistente,melhorandoaeficiênciaenergéticadotransportede cargasrodoviário.Noentanto,issoelevouaparticipaçãodomodorodoviárionamatrizdetransportesdecargas.Limitandoosganhosde eficiênciasistêmicosquepoderiamtersidoatingidoscasoessacargativessesidomovimentadaporferroviasouhidrovias. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor de Transportes Página| 70 O licenciamento doméstico de caminhões em 2023 ficou 37% abaixo do recorde registrado em 2011 e 15% abaixo do valor atingido em 2022. Importante destacar que o licenciamento de caminhões semipesados e pesados, com 82 mil unidades, ficou 38% acima do valor médio registrado entre 2000 e 2019. Embora a estimativa seja que a frota circulante tenha crescido 1,3%, a atividade do transporte rodoviário de cargas aumentou 4,1%. A atividade econômica, em especial pelo bom desempenho do setor agropecuário, da mineração, da construção civil, e do comércio eletrônico, tem alavancado o mercado de caminhões pesados. Neste contexto, projeta- se o aumento da carga útil média transportada por caminhão. Por outro lado, a estimativa é que a intensidade de uso da frota tenha se reduzido em 0,6 pontos percentuais em 2023. Isso foi causado tanto pelo aumento da frota, como também peloincremento do uso dos modos hidroviários e ferroviários para o transporte de longo curso, particularmente para grãos. Em 2023, iniciou-se a nova fase P8 do Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve). Esse programa estimula a adoção de motores mais eficientes para atendimento aos novos limites de emissão. Em termos do indicador (km/L), houve piora de 0,6% para caminhões pesados e 0,5% para semipesados. Transporterodoviáriodecargas Figura 54: Frota de caminhões por categoria (milhões de unidades) Fonte: Elaborado por EPE Figura 55: Eficiência energética média de veículos novos vendidos (com carga) [km/L] Fonte: Elaborado por EPE Nota:OProgramadeControledeEmissõesVeiculares(Proconve)foiinstituídoparareduzirosníveisdeemissãodepoluentesporveículosautomotores.AfaseP8aplica-seaveículosnovospesadosvendidosapartirde 1 o dejaneirode2023,eestipulanovoslimitesmáximosdeemissãoparagasesdeescapamento,partículaseruído,equivalentesaosdanormaeuropeiaEuroVI. 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 1,8 200020012002200320042005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023 SemilevesLevesMédiosSemipesadosPesados 0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 200020012002200320042005200620072008200920102011201220132014201520162017201820192020202120222023 +1,3%a.a. +0,8%a.a. +1,1%a.a. +0,6%a.a. +0,8%a.a. +0,8%a.a. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor de Transportes Página| 71 0 10 20 30 40 50 60 20022005200820112014201720202023 10 9 litros RodoviárioOutros usosIndustrialAgropecuária Consumodeóleodieselebiodiesel Figura 57: Evolução do consumo de biodiesel rodoviário e percentuais médios de adição Fonte: Elaborado por EPE Divisão setorial do uso de óleo diesel Oanode2023registrourecordenademandadeóleodieselBparatransporte, comconsumode41bilhõesdelitrosporcaminhõese2,4bilhõesdelitrosparao transportedepassageirosporcomerciaisleves. Oincrementodademandadeóleodieselrodoviáriototalem2023foide1,7 bilhãodelitros(+3,3%).Desseaumento,oscaminhõesforamresponsáveispelo consumode946milhõesdelitros(78%dademanda),osônibuspor442 milhões,eoscomerciaislevesparatransportedepassageirospor268milhões. Importantedestacarqueopercentualmandatóriodemisturadebiodieselno óleodieselpassoupara12%apartirdeabrilde2023,expandindoaproduçãode biodieselem19%.Nestesentido,oaumentodomandatóriopermitiuquea demandaadicionaldeóleodieselBfossesupridapor970milhõesdelitrosde biodiesel,amenizandooaumentodademandadedieselfóssilparasomente 1,5%. 79,3% 15,1% 1,8% 3,8% 2000 78,7% 13,9% 1,7% 5,7% 2010 79,6% 14,0% 2,4% 4,1% 2023 2,5% 3,6% 4,8% 5,6% 7,0% 7,8% 9,7% 10,3% 11,2% 11,0% 10,0% 11,5% 0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 7,0 2005200720092011201320152017201920212023 10 9 litros Figura 56: Consumo de diesel e biodiesel rodoviário (bilhões litros) Fonte: Elaborado por EPE Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Setor de Transportes Página| 72 O setor de transportes é o maior consumidor de energia do País, seguido de perto do setor industrial. A principal razão para a elevada intensidade energética dos transportes é o perfil da matriz de transportes, extremamente dependente do modo rodoviário. Em 2023, o transporte de cargas registrou crescimento de 3,5%, pelo aumento da atividade econômica e da maior utilização de caminhões, conduzindo a uma elevação da demanda de óleo diesel. A demanda energética também cresceu, apesar de avanços na eficiência energética de cada modo. Em 2023, a atividade de transporte por passageiros ultrapassou os níveis pré-pandemia,crescendo 15%. O número de passageiros em ônibus, trens, metrôs e aeronaves ainda ficou abaixo dos patamares registrados em 2019, com migração de usuários do transporte coletivo para o transporte individual. Neste sentido, ocorreu o aumento da frota de automóveis e de motos. Apesar do transporte individual motorizado estar mais eficiente, comparativamente a outros anos, a perda de usuários do transporte público reduziu a eficiência sistêmica do setor, e elevou a demanda energética do transporte de passageiros. O aumento do licenciamento de comerciais leves esportivos (SUVs) e comerciais leves a diesel também elevou o consumo específico da frota. ConsideraçõesFinaisdoSetordeTransportes Por mais um ano, houve quebra de recorde, tendo a demanda por combustíveis do ciclo Otto crescidoa uma taxa expressiva de 5,7%.Em 2023, a demanda por etanol hidratado aumentou 7% (mesmo valor registrado pela gasolina C), permitindo que o etanol hidratado suprisse 21% da demandaenergética do transporte rodoviário individual. Quando se considera também a parcela de etanol anidro, o total de etanol combustível atendeu 37% da demanda total. No ano de 2023, as exportações e movimentação portuária, em patamares superiores ao histórico, elevaram a demanda por atividade de transporte. O transporte de cargas bateu novo recorde em termos de eficiência energética, reduzindo seu consumo energético por atividade de transporteemmais 1,3%. O transporte ferroviário e aquaviário se expandiram, mas o destaque foi o transporte rodoviário por caminhões. Apesar da maior eficiência em parte de caminhões semipesados e pesados vendidos, a demanda adicional por diesel desse segmento representou aproximadamente 1 bilhão de litros. A demanda de óleo diesel rodoviário elevou-se em 1,7 bilhão de litros em 2023. Esse aumento coincidiu com a entrada do novo percentual de adição obrigatória de biodiesel de 12% em abril, resultando em uma participação anual de11,5%. O biodiesel permitiu que quase 1 bilhão de litros do aumento total de óleo diesel rodoviário fosse suprido pelo combustível renovável. A expansão da oferta de biodiesel em 2023 foi de 19%. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Página| 73 Capítulo especial sobre o setor de ferroligas e silício metálico Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 74 1.Análisedosetordeferroligasesilíciometálico 1.1.Panoramageral Asferroligassãomateriaismetálicoscompostosporferroealgumoutroelementoquímico,taiscomomanganês,silício,cromoeníquel.Sãoutilizadasnaprodução metalúrgicaparaconferirpropriedadesdesejáveisaosmetais.Destinam-seprincipalmenteàproduçãodediferentestiposdeaço¹,contribuindocomoum importanteinsumoparaoaperfeiçoamentodaqualidadedosprodutossiderúrgicosaoagregarcaracterísticasespecíficasdeacordocomoelementoligado. Osilíciometálicoéumsemimetal,usualmenteclassificadonogrupodeferroligaspelasemelhançanoprocessamentoindustrial,obtidopelaredução carbotérmicadefontesdeSilício(quartzo)emfornoelétricos,porémcomaplicaçõesdiferenciadas.OSi-metálicograumetalúrgico,pormeiodeprocessosde refinamentoepurificaçãopodedarorigemaoSi-metálicograuquímico,grausolaregraueletrônico. [1] Tipos de aço, tais como: aço inoxidável, aço-ferramenta, aços microligados (ABNT NBR 8643 Produtos siderúrgicos de aço). Osetorindustrialbrasileirodeferroligasesilíciometálicocontribuiparaadescarbonizaçãodacadeiametalúrgicaeobtençãodenovosmateriaisestratégicos àtransiçãoenergética,impulsionadopelacrescentedemandapormetaiscadavezmaisespecializados,bemcomopeloscomponentesnecessáriosà fabricaçãodepainéissolaresebaterias. Figura S1: Exemplos de aplicações de ferroligas e silício metálico nos setores econômicos Fonte: Abrafe (2024) Silicone industrial Bloco de motor Semicondutores Painéis solares Materiais estruturaisTransformadores Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 75 1.1.1.Tiposdeligaseaplicações Ferro-Silício(FeSi):Éumaferroligadeferroesilício,geralmentecomteoresdesilícioentre15%e90%.Oferrosilícioéamplamenteutilizadonaindústriasiderúrgica paradesoxidaroaçoemelhorarsuaspropriedadesmecânicasemagnéticas. Ferro-Níquel(FeNi):ferroligascomumteordeNíquelentre15%e80%.Amaiorpartedoaçoinoxidávelcontémcercade8a10%deníquel,sendoutilizado principalmentenaproduçãodeaçoinoxidável. Ferro-Cromo(FeCr):ferroligadeferroecromoemdiferentesproporções,essencialnaproduçãodeaçosinoxidáveisespecificadoscommaiorresistênciaàcorrosão edureza. Ferro-Manganês(FeMn):ferroligadeferroemanganês,usadoprincipalmentenafabricaçãodeaçoparamelhorarsuaspropriedadesdeendurecimentoe resistência. Ferro-Nióbio(FeNb):ferroligacomteordenióbiode60a70%,principalfontedenióbionafabricaçãodosAçosdeAltaResistênciaeBaixaLiga,aplicadoemprojetos dealtatecnologiacomobateriadeveículoelétrico,equipamentoderessonânciamagnética,turbinadeavião,aceleradordepartículas,foguetesesondasespaciais. Ferro-Silício-Manganês(FeSiMn):ferroligausadaprincipalmentenasiderurgiacomodesoxidanteenaespecificaçãodepropriedadesmecânicasdoaço.Sua composiçãoelevaaresistênciaaodesgaste,adurezaeaductilidade,tornando-oessencialparaaproduçãodeaçosestruturaisedealtaresistência,alémde contribuirparaapurezaequalidademetalúrgicaemaçosespeciais. Ferro-Silício-Cromo(FeSiCr):ferroligautilizadaprincipalmentenaproduçãodeaçosinoxidáveiseligasresistentesàcorrosão.Suafunçãoprincipaléintroduziro cromoeosilícionoaço,elementosqueaumentamaresistênciaàcorrosãoeàoxidaçãoemaltastemperaturas,alémdecontribuirparaadurezaeaestabilidadedo material. SilícioMetálico:Osilíciometálicoéusualmenteclassificadonogrupodeferroligaspelasemelhançanoprocessoprodutivo,sendoobtidopelaredução carbotérmicadefontesdesilício(quartzo)emfornoselétricosaarcosubmerso.Dependendodasuaespecificação,graudepurezaeaplicação,osilícioé classificadocomograumetalúrgico,químico,solaroueletrônico.Algumasdassuasprincipaisaplicações,sãoasseguintes: ▪MetalurgiadoAlumínio:fontedesilícioparaformaçãodeligascomalumínio,aplicadasemdiversossegmentosindustriais. ▪Indústriaquímica:produçãodesilicones.Osilíciomoídoentraemreaçãocomcloretodemetilaemreatordeleitofluidizadoparaobtençãodossilanos,que posteriormentesãoderivadosparaproduçãodesiliconesousilícioultrapurificadoparaaindústriaeletrônicaoufotovoltaica. ▪Energia:osilícioéoelementocrucialnaproduçãodecélulassolaresfotovoltaicas. ▪IndústriaEletrônica:usadonaproduçãodesemicondutoresedispositivoseletrônicos,sendoessencialnafabricaçãodechipsecircuitosintegrados. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 76 1.2.1.AplicaçõesnoUsodeFerroligaseSilícioMetálico Asferroligaseosilíciometálicoapresentamdiversasaplicações,destacando-sealguns,taiscomo: Materiaisestruturais:ferroligassãoessenciaisnafabricaçãodoaço,empregadoemvigas,pilareseoutrasestruturas.Osilíciometálicoéoprincipal elementodeligaparaasligasdealumínio,presentenasesquadriasdeportasejanelas.Alémdisso,osilíciometálicoéamatéria-primaprincipalparaa fabricaçãodossilicones,presentesnosselanteseadesivosparaacabamentosnasobrascivis.Asílicaativaousílicafume,subprodutodafabricaçãode ferrosilícioesilíciometálico,éutilizadacomoaditivoparaoconcreto,contribuindoparaamelhoriadesuaspropriedadesfísicasemecânicas. Automóveis:asferroligasdesempenhamumpapelfundamentalnaproduçãodeaçosdealtaresistência,durabilidadeesegurança.Sãoutilizados,por exemplo,paradesoxidaroaçoemelhorarsuaspropriedadesmecânicas,garantindoasegurançaeaconfiabilidadedosveículos.Peçasfundidasde alumínio,comaltoteoremsilício,comoblocosdemotorepeçasestruturaisdebaixopeso,contribuemparaareduçãodoconsumodecombustíveis. Dispositivoseletrônicos:osilíciosedestacatambémnosdispositivoseletrônicoscomosmartphones,tabletsecomputadores.Eleéoprincipalmaterial utilizadonafabricaçãodesemicondutores,componentesessenciaisparaofuncionamentodessesdispositivos. Equipamentosdeenergiarenovável:osilíciometálicodesempenhaumpapelcrucialnafabricaçãodecélulassolaresfotovoltaicas.Essascélulassão essenciaisparaaproduçãodeenergiasolar,umafontelimpaesustentáveldeeletricidade.Osilícioéutilizadonacomposiçãodospainéissolares,onde convertealuzsolaremenergiaelétrica. Indústriadealimentos:equipamentosutilizadosnaproduçãoeprocessamentodealimentos,comomáquinas,fornos,tanques,tubulações,geladeirase recipientesdecozinha,osaçosinoxidáveis,produzidosapartirdoferro-cromoeferro-níquel,sãoamplamenteutilizadosdevidoàsuaresistênciaà corrosãoefacilidadedelimpeza. Cosméticosemateriaisdehigiene:ossiliconesestãopresentesnosmaisinovadoresprodutosparaocuidadodapele,comocremes,shampoose desodorantes. Materiaishospitalares:Ferro-cromoeferro-níquelestãopresenteseminstrumentoscirúrgicosemaçoinox.Ossilicones,quesãoproduzidosapartirdo silíciometálico,estãopresentesemequipamentoshospitalares,prótesescirúrgicaseatémesmomedicamentos,comoadimeticona,umsilicone medicinalindicadoparaoalíviodoexcessodegasesnoestômagoounointestino. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 77 1.2. Processo produtivo A produção de ferroligas e de silício metálico é um processo de alta intensidade energética, essencial para diversas indústrias, como a siderúrgica e a eletrônica. Este processo utiliza fornos elétricos de redução, que operam a elevadas temperaturas para converter óxidos metálicos em ligas contendo ferro ou em silício metálico, por meio de reações químicas de redução. A produção inicia-se com a mistura de matérias-primas, como minérios do metal desejado e uma fonte de carbono, que pode ser de origem mineral ou vegetal. Essa mistura é submetida a altas temperaturas nos fornos elétricos, onde o uso de energia elétrica é intensivo. A eficiência no consumo energético é uma variável crítica, viabilizando a produção em larga escala e contribuindo para a redução de custos de produção. Nos fornos de arco elétrico, a passagem de corrente elétrica entre os eletrodos gera calor, fundindo a carga e promovendo a reação de redução na presença de carbono, que transforma os óxidos metálicos em ferroligas ou em silício metálico. Durante a operação, os gases gerados são captados e passam por processos de remoção de material particulado, contribuindo para a sustentabilidade do processo. No caso das ferroligas, as propriedades desejadas –como a proporção de ferro e de elementos de liga (níquel, cromo, manganês, silício, entre outros) –determinam o tipo de forno, os insumos e os parâmetros operacionais aplicados. A produção exige controle rigoroso de qualidade e de processo, assegurando que as ferroligas ou o silício metálico atendam às especificações requeridas. A indústria brasileira de ferroligas e silício metálico tem evoluído em direção a tecnologias que aumentam a eficiência energética e a sustentabilidade, como o uso de biomassa e outras fontes renováveis de energia, em substituição aos combustíveis fósseis. Esses avanços são particularmente relevantes no contexto da transição energética, colocando o Brasil em posição competitiva para atender aos requisitos de baixa emissão de carbono exigidos pelo mercado global. Figura S2: Fluxograma do processo produtivo de ferroligas e silício metálico Fonte: Abrafe (2024) Fluxograma de produção do silício metálico Ilustração de um forno de produção de ferroligas Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 78 1.2.1.CustosdeProdução Aproduçãodeferroligasenvolvediversosfatoresdecustoqueafetamdiretamenteacompetitividadenomercadointernacional,dentreosquais,destacam-se: EnergiaElétrica:Aproduçãodeferroligaséaltamenteeletrointensiva,exigindograndequantidadedeenergiaelétricaparaalimentaçãodosfornosde redução,oqueseapresentacomoumavantagemcomparativaparaoBrasilemrelaçãoàmédiadomundoedospaísesdaOCDE,devidoaoelevadograu derenovabilidadedamatrizelétricanacional. Redutores:Essencialnoprocessoderedução,osredutores,comocarvãovegetal,carvãomineral,coqueeoutrosmateriaiscarbonosos,sãoutilizados pararemoverooxigêniodosóxidosmetálicos.OBrasiltemumavantagemnousodecarvãovegetalrenovável,masdependedecoqueecarvãomineral importados,oqueelevaoscustos.Emcontrapartida,paísescomoChinaeÁfricadoSul,comacessoabundanteacarvãomineral,conseguemreduzir significativamenteocustodeprodução. Eletrodos:Fundamentaisparaoprocessodefusão-redutora,oseletrodosdecarbonosãousadosparaconduzircorrenteelétricaaoforno,sendo consumidosduranteoprocesso.Ocustodoseletrodospodevariardependendodefatorescomoademandaglobaleopreçodasmatérias-primas(coque depetróleo,picheeantracito).OBrasilimportaumagrandepartedessasmatérias-primasoumesmooseletrodos,oquepodeaumentaroscustosde produção,especialmenteemmomentosdealtademandaglobal,comofoiobservadoemanosrecentes.Emcomparação,paísesprodutoresdeeletrodos ouquetêmmaioracessoaomaterial,comoaChina,podemterumavantagemcompetitivanesseaspecto. Matérias-Primas(minério):Ocustodasmatérias-primas,comoquartzo,minériosdeferro,cromo,níquelemanganês,variaconformealocalizaçãodas minasealogísticadetransporte.NoBrasil,ominérioéabundantementedisponível,oqueéumavantagem,masadistânciaentreasminaseoscentros deproduçãoeadeficiênciadeinfraestruturamodalpodemaumentarocustologístico. CustosAmbientaiseRegulatórios:Oscustosassociadosàsaçõesdemitigaçãodeemissõesdegasesdeefeitoestufa(GEE)podemseratenuadosno casobrasileiro,emfunçãodasalternativassustentáveisqueopaísdispõe,taiscomoousodocarvãovegetalnaindústriaemsubstituiçãoásfontes fósseisquesãotradicionalmenteutilizadasnamaioriadospaísesprodutoresdeferroligas. MãodeObra:NoBrasil,ocustodemãodeobraémoderadoemcomparaçãoaoutrospaísesprodutoresdeferroligas,oquetorneessefatordecusto menosrelevantedoqueosdemais. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 79 1.3.CompetitividadedoBrasilnoMercadoInternacionaldeFerroligas AcompetitividadedoBrasilnomercadodeferroligasédeterminadaprincipalmentepeloacessoarecursosenergéticossustentáveiscomoocarvãovegetale pelaabundânciaderecursosminerais,masenfrentadesafioscomaimportaçãodeeletrodosecustosdeenergia,alémdanecessidadedeimportaçãode redutores. Possui forte potencial competitivo, em especial por sua energia renovável e o uso de carvão vegetal na produção de ferroligas. No entanto, a dependência de redutores importados, como coque e eletrodos. Um dos maiores produtores de ferroligase tem uma vantagem competitiva significativa devido ao seu acesso barato a carvão mineral, eletrodos e energia. Apesar da pressão ambiental crescente, o custo de produção na China ainda é mais baixo do que em muitos outros países. Possui acesso abundante a carvão mineral, o que ajuda a reduzir os custos de produção. No entanto, problemas de infraestrutura e desafios políticos podem comprometer a competitividade em momentos de crise. Apresenta custos de energia relativamente competitivosem comparação com outros países desenvolvidos, graças ao acesso abundante a gás natural e recursos energéticos de baixo custo. No entanto, o custo de redutores e eletrodos ainda é elevado, o que pode reduzir a competitividade em comparação com regiões como Brasil, China e África do Sul. Enfrenta custos significativamente mais altos de energiadevido à dependência de fontes energéticas importadas e políticas ambientais. Além disso, os custos de redutores e eletrodos são elevados, tornando a produção de ferroligas na região menos competitiva em comparação com outras áreas do mundo. \\epe.lan\Arquivos\MeusDocs\flavio.almeida\My Documents\EPE\MATERIAIS\Identidade Visual\ICONES\Ícones de bandeiras dos países\Mundo completo\brazil.png \\epe.lan\Arquivos\MeusDocs\flavio.almeida\My Documents\EPE\MATERIAIS\Identidade Visual\ICONES\Ícones de bandeiras dos países\Mundo completo\china.png \\epe.lan\Arquivos\MeusDocs\flavio.almeida\My Documents\EPE\MATERIAIS\Identidade Visual\ICONES\Ícones de bandeiras dos países\Mundo completo\south-africa.png \\epe.lan\Arquivos\MeusDocs\flavio.almeida\My Documents\EPE\MATERIAIS\Identidade Visual\ICONES\Ícones de bandeiras dos países\Mundo completo\united-states-of-america.png \\epe.lan\Arquivos\MeusDocs\flavio.almeida\My Documents\EPE\MATERIAIS\Identidade Visual\ICONES\Ícones de bandeiras dos países\Mundo completo\european-union.png Brasil ChinaÁfrica do SulEstados UnidosEuropa Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 80 1.3.CompetitividadedoBrasilnoMercadoInternacionaldeFerroligas OmercadoglobaldeferroligasatingiuUS$53,4bilhõesnoanode2023eapresentaexpectativadealcançarcercadeUS$91,8bilhõesaté2032,oquerepresentaria umcrescimentomédiode6,2%a.a.Dentreosprincipaisfatoresparaisso,destacam-se: ▪expansãodaindústriasiderúrgicaglobal,particularmentenaseconomiasemrápidodesenvolvimentonaÁsia-Pacífico ▪acrescentenecessidadedeaçosdealtaresistênciaebaixaligaemváriasindústriase ▪osavançostecnológicosnosprocessosdeprodução. ▪orápidoprocessodeurbanizaçãoeindustrializaçãonessasregiõesaumentaanecessidadedeaçoe,consequentemente,deferroligas. Apesardosdesafiosenfrentados,caracterizadospeloelevadoníveldeinsegurançaquecomprometeuacapacidadederecuperaçãodaseconomiaspós- pandemia,aliadosaosconflitosinternacionaisRússia/Ucrânia,oBrasildestacou-senoaumentodaproduçãoedasexportaçõesdeferroligasedesilício metálico,mantendo-seaexpectativadecrescimentocontínuodosetor. [1] Substituição de importações refere-se a produção nacional do setor, suprindo a necessidade de importações de ferroligas e silício metálico para consumo interno. É calculado pelo faturamento total do setor de ferroligas e silício metálico sobre o saldo da balança comercial brasileira. Figura S3: Valores de Produção e Exportação de ferroligas e silício metálico (mil toneladas) Fonte: Abrafe (2024) 0 20 40 60 80 100 0 200 400 600 800 1.000 1.200 1.400 20132014201520162017201820192020202120222023 % 1.000 toneladas Produção (t)Exportação (t)Exportação/Produção (%) No Brasil, o faturamento do setor atingiu R$ 35,4 bilhões em 2022, sendo R$ 26,1 bilhões em exportações (73,7% do faturamento total). As exportações do setor, quando associadas à substituição de importações¹ contribuíram com o equivalente a 11% do saldo da balança comercial brasileira em 2022. A produção nacional de ferroligas e silício metálico superou a marca de 1 milhão de toneladas anuais desde 2018, atingindo 1,30 milhão em 2022. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 81 1.4.Panoramanacional 1.4.1.HistóricodosegmentodeferroligasnoBrasil OsetordeferroligasesilíciometáliconoBrasiltemsuasorigensnoséculoXVIII,masganhouimpulsosignificativonoiníciodoséculoXXcomalgunsmarcos: Em 1906... ...um pequeno laboratório da Escola de Minas em Ouro Preto, Minas Gerais, produziu ferro manganês usando um forno rudimentar. Durante a1ª Guerra Mundial, o laboratório foi ampliado e passou a produziu ferro manganês para as oficinas da rede ferroviária, devido ao desabastecimento de materiais importados. No entanto, as experiências em fornos elétricos foram interrompidas em 1919, levando à desativação da Usina da Escola de Minas. Na década de 1930, surgem pequenas empresas ligadas a instalações hidrelétricas, tais como a Companhia Brasileira de Carbureto de Cálcio (CBCC), fundada em 1912, a Companhia Nickel do Brasil, criada em 1932, a Elquisa- Eletroquímica Brasileira SA, fundada em 1934, e a Companhia Nacional de Ferroligas, estabelecida em 1940. Essas empresas foram fundamentais para o desenvolvimento do setor, que inicialmente enfrentou desafios como a baixa disponibilidade de energia elétrica e um mercado interno pequeno. A Companhia Siderúrgica Nacional, criada no mesmo período, foi um marco para o crescimento do setor. Na década de 1970 e final de 1980 o setor experimentou um grande desenvolvimento, impulsionado por grandes projetos hidrelétricos e expansão da siderurgia. Na década de 1970, com incentivos da SUDENE, algumas empresas de ferro- silício e silício metálico se instalaram na região norte de Minas, tais como LIASA, Minas Ligas, Inonibrás e Eletrosilex. No final da década de 1980, a implantação da hidrelétrica de Tucuruí e o Projeto Grande Carajás possibilitaram a produção de silício metálico na região norte com a Camargo Corrêa Metais (CCM). Neste período, o Brasil se tornou o 4º maior produtor mundial e o 3º maior exportador de ferroligas. A partir da década de 1990 houve aumento dos preços da energia elétrica, abertura do mercado brasileiro, estabilização da moeda e desvalorização do dólar, o que fez o setor passar por reestruturação significativa. Muitas unidades foram desativadas e as remanescentes tiveram que se adaptar às novas exigências de qualidade e produtividade. O setor também foi afetado pelo racionamento de energia elétrica sofrido em 2001, quando a produção sofreu significativa redução. Desde 2013 o setor vem se reestruturando e apresentando a retomada do seu crescimento e mais recentemente, houve uma expansão significativa na produção de ferro-níquel e ferro-nióbio no Brasil. Aproduçãodeferro-níqueltemcrescido,especialmenteparaatenderàindústriadeaçoinoxidável,enquantooferro-nióbio,consolidouoBrasilcomoumdos principaisprodutoresmundiais.Atualmente,oBrasilpossuicapacidadedeproduçãodecercade1,3milhõesdetoneladasporano,contacomcercade100 fornosemoperação,ocupaa6ªposiçãoentreosprodutoresmundiaiseencontra-seaptoemaduroparaaevoluireatenderàsdemandasfuturas. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 82 1.4.2.ProduçãoeExportação AproduçãodosetordeFerroligasesilíciometáliconoBrasilficouemtornode1milhãodetoneladasaolongodosanosde2005a2023,comlevequedaem2014,em virtudedacrisehídricaocorridanaqueleano,seguidadecrescimentoestávelnosanosseguintes.Asexportaçõesatingiramseumaiorpicoem2020,comvolumede 810miltoneladas,oqueequivaleua66%daproduçãonacionalnaqueleano. Nosúltimosanos,asexportaçõesseestabilizamentre500e600miltoneladas,eaproporçãoentreostotaisexportadoseproduzidosvariouentre50%e66%ao longodoperíodo2005–2023,evidenciandoapredominânciaexportadoradosetor. Em2023,aproduçãoatingiuovolumede1,29milhãodetoneladas,sendo: ▪23,3%deferroligasàbasedesilício ▪20,6%deferroligasàbasedemanganês ▪18,1%deferroligasàbasedeníquel ▪15,6%deferroligasàbasedecromo ▪15,1%desilíciometálicoe ▪7,1%deferroligasespeciais. Osetorexportou796miltoneladasem2023,ouseja,62%daprodução. [1] Substituição de importações refere-se a produção nacional do setor, suprindo a necessidade de importações de ferroligas e silício metálico para consumo interno. É calculado pelo faturamento total do setor de ferroligas e silício metálico sobre o saldo da balança comercial brasileira. AbalançacomercialbrasileiraregistrouumsaldorecordedeUS$98,8bilhõesem2023(aproximadamenteR$493bilhões),segundodadosdaSecretariade ComércioExterior(Secex)doMinistériodoDesenvolvimento,Indústria,ComércioeServiços(MDIC).Asexportaçõesdosetordeferroligasesilíciometálico somadasàsubstituiçãodeimportações¹,contribuíramcomR$27,4bilhões,representando5,5%dosaldodabalançacomercialbrasileiraem2023. Figura S4: Participação de cada tipo de liga e de silício metálico na produção em 2023 Fonte: Abrafe (2024) 23,3% 20,7% 18,1% 15,6% 15,1% 7,1% FeSiFeMnFeNiFeCrSi metálicoLigas especiais Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 83 1.4.3.Consumodeenergiaelétrica Osetordeferroligasesilíciometálicoéconsideradofortementeeletrointensivo,sendoaenergiaelétricapartesignificativadesuaoperação.Em2023,oconsumo totaldessesetoratingiuexpressivos(9.609,8GWh),representandoautilizaçãode82%dacapacidadeinstaladadasplantasindustriais.Essemontantedeconsumo tambémcorrespondeaaproximadamente4,5%detodoomercadolivredeenergianoBrasil. Omercadolivredeenergiateveumpapelcadavezmaisimportantenosúltimosanoserepresentou41%detodooconsumodeenergiaelétricanopaísem2024¹. Issodemonstraumacrescenteadesãodasindústriasàmigraçãoparaomercadolivre,embuscademelhorescondiçõestarifáriasemaiorprevisibilidadenoscustos deenergia,fatorcrucialparaacompetitividadedossetoreseletrointensivos. [1] Valor apurado até agosto de 2024 e disponível no Painel de Consumo de Eletricidade, acessível em Dashboard Resenha Essainterdependênciaentreaproduçãodeferroligasesilíciometálicoeomercadodeenergiaelétricarefleteodesafiocontínuodeequilibrarademanda crescentecomfontesdeenergiarenováveisecusto-efetivas,garantindoaviabilidadeeconômicadeumaindústriaessencialparadiversossetores econômicos. Figura S5: Consumo de energia elétrica (GWh) livre e cativo de janeiro à agosto de 2024 (eixo da esquerda) e razão [Consumo Livre]/[ConsumoCativo] (eixo da direita) Fonte: Dados do SIMPLES (EPE, 2024d). 37% 38% 39% 40% 41% 42% 43% 44% 45% 0 5.000 10.000 15.000 20.000 25.000 30.000 JANFEVMARABRMAIJUNJULAGO GWh Livre (GWh)Cativo (GWh)Razão Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 84 1.4.4.GeraçãodeEmpregoseDesenvolvimentoHumano Osetordeferroligasesilíciometálicotemsedestacadonãoapenasporsuarelevânciaindustrial,mastambémpelasuacontribuiçãosignificativaàgeraçãode empregoseaodesenvolvimentohumanonasregiõesondeatua.Desde2020,osetortemregistradocrescimentocontínuonacriaçãodepostosdetrabalho, atingindoseumaiorpicoem2023,comageraçãode62.135empregos,dosquais13.808sãoempregosdiretose48.327indiretos.Essaexpansãodaforçadetrabalho refleteoimpactopositivoqueosetorexercesobreaeconomialocalenacional. Alémdacriaçãodeempregos,osetordesempenhaumpapelcrucialnodesenvolvimentoregional,especialmenteemmunicípiosdointeriordosestadosondesuas fábricasestãoinstaladas.Compresençaem23municípiosde8estadosbrasileiros,osetortemcontribuídodemaneirarelevanteparaoaumentodoÍndicede DesenvolvimentoHumano(IDH)dessaslocalidades.DeacordocomdadosdoIBGEedoIPSBrasil,osmunicípiosqueabrigamfábricasdosetorapresentamumIDH 5%superioremcomparaçãoamunicípiosvizinhosdeportepopulacionalsemelhante,comdestaqueparaoIDHrelacionadoàEducação,queé4p.p.maiselevado¹. [1] 4 p.p refere-se a 4 pontos percentuais mais elevado. Figura S6: Comparativo IDH 2010 Fonte: IBGE –Atlas Brasil (2024) Figura S7: Comparativo IDHM 2000 -2010 Fonte: IBGE –Atlas Brasil (2024) 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 Banabuiú /Jaguaretama (CE) Bocaiúva /João Pinheiro (MG) Breu Branco /Pacajá (PA) Capitão Enéas /São João da Ponte (MG) Conselheiro Lafaiete /Vespasiano (MG) Corumbá /Ponta Porã (MS) Itapeva /Avaré (SP) Marabá /Parauapebas (PA) Nova Era /São Domingos do Prata... Passa Tempo /Desterro de Entre... Pirapora /São Francisco (MG) Pojuca /Inhambupe (BA) Santos Dumont /Visconde do Rio... São Gotardo /Carmo do Paranaíba (MG) São João Del Rei /Esmeraldas (MG) Várzea da Palma /Itamarandiba (MG) Municípios com ABRAFE Municípios sem ABRAFE 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 20002010200020102000201020002010 Média Municípios com ABRAFEMédia Municípios sem ABRAFE IDHM IDHM Renda IDHM Longevidade IDHM Educação Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 85 QuandocomparadosaoIDHmédiodoBrasil,essesmunicípiostambémapresentamresultadossuperiores,oqueevidenciaopapeldosetornoavançodas condiçõesdevidadaspopulaçõeslocais.OÍndicedeProgressoSocial(IPS),queavaliaaqualidadedevidadeformamultidimensional,confirmaessatendência. Aoanalisarosdadosmaisrecentes,verifica-sequeosmunicípioscomatuaçãodosetordeferroligasesilíciometálicotêmumaavaliaçãodeIPSemmédia6% superioremrelaçãoaoutraslocalidades,comumdestaquesignificativonoíndicedeoportunidades,queé10%maior. Essesnúmerosdemonstramqueosetornãosógeraempregosemovimentaaeconomia,comotambémimpulsionamelhoriasconcretasnascondiçõesdevidae nasoportunidadesoferecidasàspopulaçõesdasregiõesondeestápresente,contribuindodiretamenteparaodesenvolvimentohumanoesocial. [1] 4 p.p refere-se a 4 pontos percentuais mais elevado. 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0 Banabuiú /Jaguaretama - CE Bocaiúva /João Pinheiro - MG Breu Branco /Pacajá - PA Capitão Enéas /São João da Ponte - MG Conselheiro Lafaiete /Vespasiano - MG Corumbá /Ponta Porã - MS Itapeva /Ibiúna - SP Marabá /Parauapebas - PA Nova Era /São Domingos do Prata... Passa Tempo /Desterro de Entre... Pirapora /São Francisco - MG Pojuca /Inhambupe - BA Santos Dumont /Visconde do Rio... São Gotardo /Carmo do Paranaíba São João del Rei /Esmeraldas - MG Várzea da Palma /Itamarandiba - MG Municípios com ABRAFE Municípios sem ABRAFE Figura S8: Comparativo IPS 2024 Fonte: IPS Brasil (2024) Figura S9: Dimensões do IPS Brasil 2024 Fonte: IPS Brasil (2024) 72,9 65,1 40,7 68,7 63,1 37,1 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Necessidades Humanas Básicas Fundamentos do Bem-estarOportunidades Municípios com ABRAFE Municípios sem ABRAFE Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 86 1.4.5.Principaisempresaselocalizações AsprincipaisempresasprodutorasdeferroligasnoBrasil,ficamconcentradasnocentro-suldopaís,comdestaqueparaoestadodeMinasGeraisondeselocaliza maisdametadedasempresaslistadasaseguir. Figura S10: Localização geográfica das principais empresas de ferroligas no Brasil Fonte: Abrafe (2024)¹ [1] Mapa das localizações disponível em https://www.google.com/maps/d/u/0/edit?mid=1lwMFDtVLzwBwrw3hbO3gKdgwlkOmrIM&usp=sharing Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 87 EmpresaEstadoPrincipais destaques BOZELMGMaior produtora de Cálcio Silício do ocidente, sendo também produtora de outras ferro ligas em inúmeras granulometrias DOWPA e MG2 unidades de produção de silício metálico, uma no Estado do Pará (ex. CCM) e outra em Minas Gerais (ex. CBCC) ELETROLIGASMGProdução de ferro-manganês Alto Carbono e Ferro Silício Manganês FERBASABAMineração, metalurgia, recursos florestais e energia renovável. única produtora integrada de ferro-cromo das Américas FERLIGMGProduz atualmente FeSiMn 12-16%, com capacidade de 2.000 toneladas mensais FERMARPAFerro-manganês utilizando três fornos elétricos de redução, sendo dois de 12.5 MVA e um de 10.5 MVA GranhaLigasMG e MSProduz ferroligas de manganês e está posicionada entre os maiores produtores nacionais InonibrásMGProdução de ferro-silício e inoculantes voltada para processos de refino de metais em fundições de aço e ferro fundido. LIASAMGProdução de silício metálico LIBRA LIGASCEFerro-silício 75% e inoculantes Maringá Ferro-LigaPRFerro sílico-manganês e ferro manganês alto carbono, através de cinco fornos elétricos de redução. MINASLIGASMGFerro Silício, Silício Metálico e Microsílica Nova Era Silicon S.A.MGFerro silício para atender o mercado nacional e internacional RIMA IndustrialMGProdução e comercialização de ligas à base de silício e magnésio CBMMMGLíder mundial na produção e comercialização de produtos de nióbio Mineração TabocaAMUma das principais produtoras de estanho e nióbio no Brasil Anglo AmericanMG e GOMineração de minério de ferro e níquel e produção de ferro-níquel CMOCGOOpera minas de niobatos e fosfatos, produção de ligas ferro-nióbio Vale-Onça PumaPAProcesso de redução e fundição do minério de níquel e produção ferro-níquel Nexus LigasMGProduz diferentes ligas de manganês Tabela S1: Destaques das principais empresas de ferroligas no Brasil Fonte: Abrafe (2024) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 88 1.4.6.Destinodasexportaçõesdeferroligasesilíciometálicoem2023 Em2023,asexportaçõesdeferroligasforamdestinadasprincipalmenteàChina(15,8%),EstadosUnidos(15,45%)eJapão(11,9%).OspaísesdaUniãoEuropeia ficaramemquartolugar,seguidospeloReinoUnido.Noentanto,cercade40%dasexportaçõesforamdestinadasaoutrospaíses,taiscomoAustrália,Índia,Áfricado Sul,Turquia,México,CanadáepraticamentetodososvizinhosdaAméricadoSul. [1] Entrada na Europa continental a partir do porto de Roterdã na Holanda Tipos de ligas (t)ChinaEUAJapãoUE¹RUOutrosTotal Base Manganês-911-3.235-47.51151.657 Base Silício13.97339.10270.48815.75619481.604221.118 Base Cromo20.5657.2431.8067.3735413.28250.323 Base Níquel56.38521.5991.13023.11127.69982.171212.095 Especiais (FeNb)36.5346.0585.40617.6585023.53389.239 Silício Metálico57649.79316.96610.38631.84374.299183.863 Total128.033124.70695.79777.51959.841322.400808.295 Participação (%)15,8%15,4%11,9%9,6%7,4%39,9%100% DentreostiposdeligasexportadaspeloBrasil,asligasàbasedeSilício,deNíqueleasligasdeSilícioMetálicorespondempormaisde¾dototaldetoneladas eapresentamparticipaçõesnasexportaçõesde27,4%,26,2%e22,7%,respectivamente. 124.706 toneladas 40% Silício Metálico 31% Base Silício 17% Base Níquel 128.033 toneladas 31% Base Silício 29% Ligas Especiais 16% Base Cromo 95.797 toneladas 74% Base Silício 18% Silício Metálico 6% Ligas Especiais Tabela S2: Destino das exportações brasileiras por tipo de liga Fonte: Abrafe (2024) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 89 1.5.Desenvolvimentostecnológicos Algunsavançostecnológicosestãobeneficiandoaindústriadeferroligaspormeiodeinovaçõestaiscomo: NoBrasil,umdosdesenvolvimentostecnológicosnotáveiséatecnologiadeeletrodosdeautocozimentoparaaproduçãodesilíciometálico.Estainovação proporcionamelhoraproveitamentoenergéticoereduçãodecustosdeprodução,destacando-secomoumavançosignificativonaindústria.Ademandacrescente poraçosdemaiorvaloragregadoexigeníveisdeimpurezacadavezmenores,umavezquematérias-primasmaispurasimpulsionamoaprimoramentodastécnicas derefinodasferroligas. Aomesmotempo,acrescentetendênciaaplicaçãodepráticasmaissustentáveisassociadasaoatendimentoàsregulamentaçõesambientaisnoprocessos produtivos,taiscomooaproveitamentodasílicafumeeodesenvolvimentodebriquetesautorredutores.Dessaforma,asprincipaistecnologiassãoasseguintes: ▪TecnologiasdeControledeFornosElétricosdeRedução ▪Eletrodosdeautocozimentoparafabricaçãodesilíciometálico ▪Sílicafume ▪Briquetesautorredutores ▪AprimoramentodasTécnicasdeRefinodasFerroligaseSilício. Manutenção preditiva, aumentando a eficiência operacional. Fornos energeticamente eficientes e automação no manuseio de materiais, que otimizam os custos de produção e melhoram a pegada ambiental. Digitalização e a aplicação de práticas associadas à Indústria 4.0 que possibilitam monitoramento em tempo real e Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 90 1.5.1.TecnologiasdeControledeFornosElétricosdeRedução Nasúltimasdécadas,odesigneaoperaçãodosfornoselétricospassaramporavançossignificativos,comaindústriamovendo-seemdireçãoaumamaiorpotência eàmaximizaçãodaeficiênciaoperacional.Esseimpulsoparaumamaioreficiência,aliadoacondiçõesoperacionaismaisdesafiadorasamaiorvariabilidadedos minérios,temexigidoaevoluçãodossistemasdeinstrumentaçãoecontroledosfornosparagarantirumaoperaçãoseguraeeficiente. Sistemasdecontrolequebuscamomelhorajustedorendimentoelétricoaliadosaocontroledobalançodemassasparaotimizaçãodorendimentometalúrgicosão amplamenteutilizados.Aspectoimportantenaotimizaçãodaeficiênciaoperacionaldosfornoséaintegraçãoecoordenaçãodosequipamentosamontanteea jusantecomaoperaçãodoforno.Sãoobservadosavançosrecenteseminstrumentação,algunsdosquaisaindaestãoemdesenvolvimento,quecontinuarãoa moldarapróximageraçãodeoperaçõesdefornosmetalúrgicos.Tecnologiasemergentesprometemaindamaismelhoriasnaprecisão,confiabilidadeeeficiência dossistemasdecontrole. (Forno elétrico de redução)(Sistema supervisório de controle de fornos)(Sala de comando) Figura S11: Exemplo de forno elétrico de redução (esquerda) e de uma Sala de comando (direita) Fonte: Abrafe (2024) Figura S12: Tela de sistema supervisório de controle de fornos Fonte: Abrafe (2024) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 91 1.5.2. Eletrodos de auto cozimento para fabricação de silício metálico As ferroligas são produzidas em fornos elétricos de redução e utilizam eletrodos de carbono para conduzir a energia elétrica para a zona de reação. Normalmente são utilizados eletrodos de auto cozimento, conhecidos como eletrodos Soederberg. Os eletrodos de auto cozimento Soederberg são amplamente utilizados na indústria de ferroligas devido à sua eficiência e custo-benefício. Compostos por uma camisa cilíndrica de aço, que é continuamente alimentada na parte superior do forno elétrico por pasta de eletrólito feita de coque calcinado e piche, constituem uma coluna de eletrodo. A camisa de aço funciona como uma forma, fornecendo sustentabilidade mecânica e conduzindo a energia elétrica que gera calor para o processo. À medida que o eletrodo é consumido, a pasta é aquecida pelo próprio calor do processo, passando por amolecimento e carbonização, transformando-se em carbono sólido e a camisa se funde, incorporando ferro à liga que está sendo produzida. A partir de então, o eletrodo, agora formado por carbono sólido, conduz a eletricidade para a zona de reação, suportando as mais altas temperaturas. A principal vantagem dos eletrodos Soederberg é a redução de custos, pois eliminam a necessidade de pré-cozimento. Além disso, permitem uma operação contínua, fornecendo um suprimento constante de eletrodos e evitando interrupções na produção. Sua adaptabilidade a diferentes tamanhos de fornos e demandas de produção também é um ponto forte. No entanto, o uso desses eletrodos exige um controle rigoroso da qualidade da pasta e das condições operacionais, além de um gerenciamento adequado das emissões de poluentes liberados durante o processo de cozedura. Esses eletrodos são essenciais para fornos de arco submerso (SAF) na produção de ferroligas, devido à sua capacidade de serem continuamente alimentados e auto cozidos, o que os torna ideais para operações de grande escala na indústria de ferroligas. No entanto, devido à incorporação de ferro pela utilização das camisas de aço, os eletrodos Soederberg não são adequados para a fabricação do silício metálico, que tradicionalmente utiliza eletrodos pré-cozidos. No Brasil, houve um aprimoramento do design de camisas com o uso de novos materiais, como alumínio combinado com aço inox, sendo possível o total aproveitamento da tecnologia na produção de silício metálico, trazendo uma vantagem competitiva sem prejuízo às especificações das ligas produzidas. Figura S13: Representação de um eletrodo de auto cozimento Fonte: Abrafe (2024) Camisa metálica Pasta Eletrolítica Pasta Líquida Zona de cozimento Placas de contato Eletrodo de carbono Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 92 1.5.3. Sílica fume O setor de ferroligas investiu fortemente em sistemas de controle de poluição, destacadamente nas unidades de filtros de mangas para recuperação de particulados dos efluentes gasosos dos fornos de redução. A sílica fume, também conhecida como “microssílica”, é subproduto resultante da fabricação do ferro silício ou silício metálico.Quando o gás rico em SiO escapa do forno pelo sistema de exaustão, ele é rapidamente oxidado (SiO 2 ), formando a sílica fume, constituída por partículas sólidas quase esféricas de SiO 2 , com um tamanho médio de apenas ~0,15 milímetros. Anteriormente descartada no meio ambiente, a sílica fume agora é transformada em um produto tecnológico de alto valor agregado, amplamente utilizado na construção civil. A sílica fume aumenta a resistência, fluidez e vida útil do concreto, sendo utilizada como adição pozolânica amorfa de alta intensidade em concreto ou argamassa. Essa transformação proporciona diversos benefícios, como a redução da permeabilidade do concreto, a diminuição da exsudação, a melhoria das propriedades de fluidez, e o aumento das resistências à compressão e à flexão. Por isso, sua utilização é especialmente indicada para estruturas de concreto armado em ambientes de alta agressividade, oferecendo maior proteção contra o ataque de sais e águas salinas e, consequentemente, reduzindo os custos de manutenção das peças de concreto armado. Além disso, a sílica fume é aplicada na indústria de refratários, melhorando a fluidez dos materiais de fundição refratários e aumentando a resistência à temperatura e ao choque térmico. O setor continua investindo em pesquisa e desenvolvimento para encontrar novas aplicações para a sílica fume, tanto na construção civil e na indústria de refratários quanto nas indústrias de cerâmicas e fertilizantes. Assim, a transformação da sílica fume de um subproduto descartado em um valioso produto tecnológico reflete um avanço significativo em direção à sustentabilidade na indústria de ferroligas e silício metálico. Figura S14: Representação esquemática da produção de sílica fume Fonte: Abrafe (2024) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 93 1.5.4.Briquetesautorredutores Recentemente,aindústriadeferroligasesilíciometálicoveminvestindonodesenvolvimentodenovasaplicaçõesparareciclagemderesíduoseaproveitamento energético,dentreelasosbriquetesautorredutoresdesílicaecarbono,combinadosnaproporçãodeformaçãodecarbetodesilício,adiantandoumaetapano processodefabricaçãodasligasdesilícioemelhorandoaeficiênciaenergéticadoprocesso. Figura S15: Representação esquemática da função dos briquetes autorredutores no processo de produção de silício metálico Fonte: Abrafe (2024) Briquetes autorredutores Etapa de matéria-prima Ousodebriquetesautorredutoresdesílicaecarbonopodesubstituiretapasiniciaisnoprocessodeproduçãodematéria-primanecessáriaparaaprodução desilíciometálico,constituindoumaalternativaparaaumentodeeficiênciadoprocessodeumplantaindustrial. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 94 1.5.5.AprimoramentodasTécnicasdeRefinodasFerroligaseSilício. Altaeficiênciaderemoçãodasimpurezasestudadasquesãoprejudiciaisnaobtençãodoaçosãoalcançadascomocontínuoaperfeiçoamentodocontroledas matérias-primaseevoluçãodastécnicasderefino.Adeterminaçãoeconhecimentodaspropriedadesfísico-químicasdasescóriascomodensidade,viscosidade, propriedadesinterfaciaisepropriedadestermodinâmicasexercempapelfundamentalnocontroledorefino.Modelostermodinâmicosdesempenhamumpapel crucialnodesenvolvimentodoprocessoderefino,determinandoosparâmetrosdecontrolecomotempodesopro,vazãoeenriquecimentodeoxigênio,ea composiçãodaescóriasintética. Oequilíbriotermodinâmicoentreometaleaescóriaéusadoparapreverocomportamentodasimpurezaseajustaroprocessoderefinoparaobterligascombaixos teoresdealumínioecálcio.Osoutroselementosnãorefináveisnoprocessooxidantesãomonitoradosecontroladosatravésderigorosocontroledeentradadas matérias-primas,estandosobcondiçãocontrolada.Estedesenvolvimentotecnológicoresultouemumamelhoriasignificativanaqualidadedasligasproduzidas, essenciaisparaatenderasexigênciasdasiderurgiamodernaquedemandamateriaiscadavezmaispuros. Injeção de Oxigênio pelo topo do banho (metal líquido) Injeção de gases via plugue (poroso), no funda da panela Ilustração das reações Figura S16: Representação esquemática das técnicas de refino das ferroligas e do silício metálico Fonte: Abrafe (2024) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 95 1.6.Novastecnologiaseperspectivasdaindústriadeferroligasesilíciometálico Aindústriadeferroligasesilíciometálicoevoluiimpulsionadapelocrescimentosubstancialdomercadoepelaexpansãodaindústriaglobalmente.Economias emergentesinvestemfortementeemconstruçãoeinfraestrutura,aumentandoademandaporaçoesuasferroligasassociadas,aomesmotempoquenovas aplicaçõesparaosilícioestãopresentesnaevoluçãodaindústriaquímicaeeletrônica. Dentreasmudançasverificadasnomercadomundial,destacam-seademandaporprodutospersonalizados,afimdeatenderaosrequisitosespecíficosdesetores detecnologiaavançadacomoaeroespacialedefesa,eaparticipaçãodegrandesepequenasempresasfocadosempesquisaedesenvolvimentodeprodutos sustentáveisdealtaqualidade. Umdospré-requisitosfundamentaiscadavezmaisreforçadosparaaatuaçãonosegmentotemsidooenquadramentoàsregulaçõesambientais,oqueimplica investimentossignificativosemtecnologiasdeproduçãomaislimpaeinvestimentoemsistemasdecontroledepoluição,gerandooportunidadesdeinovação,tais comooaproveitamentoedesenvolvimentodenovasaplicaçõesparaasílicafumeobtidadafiltragemdosgasesefluentesdosfornos. Osavançosnautilizaçãodecarvãobiogênicodestacam-secomoexemplosdeaplicaçãodainovaçãotecnológicanapromoçãodasustentabilidadeeda eficiênciaoperacionalnosegmentodeferroligasesilíciometálico. Tecnologias de produção mais limpa e Sistemas de controle da poluição Figura S17: Exemplos de aplicações de novas tecnologias da indústria de ferroligas e silício metálico Fonte: Abrafe (2024) Utilização de ferroligas em matérias com alta especificação Pesquisa e desenvolvimento de produtos sustentáveis Aplicações na indústria eletrônica para setores de alta tecnologia Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 96 1.6.1.Fontesenergéticasparaproduçãodeferroligas 1.6.1.1Redutores(FontedeCarbono) Aproduçãodeferroligas,essenciaisparadiversasindústrias,dependefortementedefontesdecarbono.Essasfontesenergéticasnãosófornecemcalornecessário paraasreaçõesmetalúrgicas,mastambématuamcomoagentesredutores,removendoooxigêniodosminériosmetálicos.Asprincipaisfontesdecarbonoutilizadas sãoocarvãovegetaleocarvãomineral,cadaumacomsuascaracterísticas,vantagensedesafiosespecíficos. ▪Ocarvãovegetaléamplamenteutilizadonaproduçãodeferroligasdevidoàssuaspropriedadesespecíficasevantagensambientais. ▪Eleéproduzidoapartirdacarbonizaçãodamadeira,emumprocessoqueenvolveaqueimacontroladaemfornosespeciais.Acarbonizaçãodamadeira removehidrogênioeoxigênio,resultandoemummaterialricoemcarbono. ▪Ocarvãomineraléoutraimportantefontedecarbononaproduçãodeferroligas.Eleéextraídodeminaseapresentadiferentesvariedades,comoantracito, betuminosoesub-betuminoso,cadaumacompropriedadesespecíficas. ▪Ocarvãomineralpossuiummaiorteordeimpurezascomparadoaocarvãovegetal,oquepodeafetaraqualidadedasferroligasproduzidas. ▪Amineraçãodocarvãomineralenvolveaextraçãosubterrâneaouacéuaberto,seguidaporprocessosdebeneficiamentopararemoverimpurezasemelhorara qualidadedocombustível. ▪Ocarvãomineraléamplamentedisponívelemoutrospaísese,emmuitoscasos,maisbaratoqueocarvãovegetal,tornando-oumaopçãoviávelparamuitas indústrias,principalmentenoexterior. ▪Ousodocarvãomineralestáassociadoaimpactosambientais,particularmentenoqueserefereàemissãodegasesdeefeitoestufaepoluentes. ▪Oaltoteordeimpurezaspodereduziraeficiênciaeaqualidadedoprodutofinal. ▪NoBrasil,ocarvãovegetalémajoritariamenteproduzidoapartirdeflorestasplantadasdeeucalipto,umapráticaqueajudanasustentabilidadeambiental.O eucaliptocrescerapidamenteeéumafonterenováveldecarbono. ▪Ocarvãovegetalpossuimenosimpurezascomparadoaocarvãomineral,oqueresultaemmelhorreatividadeeeficiêncianaproduçãodeferroligas. ▪Porserproduzidoapartirdeflorestasplantadas,ocarvãovegetaléumafonterenováveldeenergia,contribuindoparaareduçãodasemissõesdegasesde efeitoestufa. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 97 1.6.1.2ProduçãodeCarvãoVegetalSustentável OBrasiléomaiorprodutormundialdecarvãovegetal(6,7milhõesdetoneladasem2023)provenientedeflorestasplantadasdeeucalipto,evemconsolidandosua liderançaglobalcomavançostecnológicosemdesigndefornos,controledeprocessoesustentabilidadequeseapresentampormeiodosprincipaisaspectos: Evolução no Design dos Fornos Dos antigos fornos “rabo quente” artesanais aos grandes fornos retangulares com operação mecanizada, o design dos fornos passou por mudanças significativas. Atualmente, reatores contínuos como fornos rotativos e retortas verticais aumentam a eficiência do processo, permitindo uma carbonização uniforme e otimizada. Controle Operacional Avançado A automação e o uso de sensores monitoram continuamente as etapas do processo de carbonização, controlando a temperatura e a atmosfera interna dos fornos. Esse controle mais preciso resulta em um carvão de maior qualidade e reduz a variabilidade do processo, otimizando o rendimento da matéria-prima e diminuindo perdas. Queima dos Gases Residuais A tecnologia moderna de queima de gases permite capturar e queimar metano, que tem impacto ambiental 28 vezes superior ao do CO₂. Além de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, a queima desses gases aproveita seu poder calorífico, economizando energia e, em alguns casos, gerando calor adicional para o processo. Figura S18: Evolução dos fornos de produção de carvão vegetal, fornos retangulares com queimador de gases e sistemas fornos-fornalha circulares com queima de gases. Fonte: Abrafe (2024) Fornos retangulares com queimador de gases Sistema fornos-fornalha circulares com queima de gases. Rabo quente CircularesRetangulares. Capacidade de 150 t de madeira Retangulares. Capacidade de 300 t de madeira Evolução dos fornos Aproveitamento de Subprodutos Os fornos modernos capturam subprodutos valiosos, como bio- óleo e extrato pirolenhoso, o que agrega valor ao processo e amplia o aproveitamento da biomassa. Tecnologia Acessível Tecnologias como o sistema fornos-fornalha desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) possibilitam que pequenos produtores adotem práticas mais limpas e eficientes. O sistema conecta pequenos fornos circulares a uma chaminé com queimadores de gases, reduzindo emissões e aumentando a eficiência, proporcionando uma solução sustentável e acessível. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 98 Figura S19: Reator vertical para produção de carvão vegetal / Fluxograma Sistema Carboval. Fonte: Abrafe (2024) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 99 1.6.1.2.MatrizEnergéticadosetordeferroligasesilíciometálico Aproduçãodeferroligaséaltamenteeletrointensivae,alémdasfontesdecarbono,requerumafonteextradeenergia,supridapelaenergiaelétrica.Ferroligase silíciometálicosãoproduzidosemfornoselétricosderedução.NoBrasil,aindústriadeferroligascontacomavantagemdamatrizelétricabrasileira,queéaltamente renovável,principalmentedevidoàdisponibilidadedefonteshídrica,eólica,solarebiomassa. AmatrizelétricabrasileiraqueconstituioSistemainterligadoNacional(SIN)épredominantementerenovável,comíndicesderenovabilidadeacimade80%oque reduzsignificativamenteapegadadecarbonodaproduçãodeferroligasnopaís.Visandoassegurardisponibilidadeecompetitividade,aindústriadeferroligasno Brasilveminvestindofortementeemfontesalternativasdeenergia,comosolareeólica,namodalidadedeautoprodução.Ousocombinadodocarbonobiogênico (carvãovegetal)efontesrenováveisdeenergiaelétricacolocaaproduçãodeferroligasesilícionoBrasilcomoamaisrenovávelmundialmente.Essemodelo integradodeenergiacontribuiparaareduçãodasemissõesdegasesdeefeitoestufaepromoveumaindústriamaisverdeecompetitivaglobalmente. 0% 20% 40% 60% 80% 100% 20132014201520162017201820192020202120222023 Gás Natural Coque de Carvão Mineral Outras não especificadas Eletricidade Carvão Vegetal e Lenha Aescolhadafontedecarbonoparaaproduçãodeferroligasdependedediversosfatores(disponibilidade,custo,impactoambientalerequisitostécnicos)eo carvãovegetaléaescolhapreferidaemmuitoscasos,especialmentenoBrasil,emfunçãodarenovabilidadeedomenorteordeimpurezas.Poroutrolado,o carvãomineral,adependerdedisponibilidadeecustos,continuasendoumaalternativaviável. A combinação de ambas as fontes pode ser estrategicamente utilizada para otimizar a produção de ferroligas, equilibrando eficiência, custo e sustentabilidade ambiental. Figura S20: Matriz energética do segmento industrial de ferroligas e silício metálico Fonte: EPE (2024a) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 100 1.6.2.Combustíveisalternativos OutroavançoimportantenoBrasiléautilizaçãodocarvãobiogênicocomosubstitutodocarvãomineralnaproduçãodeferroligas.Ocarvãobiogênico,produzidoa partirdebiomassavegetal,apresentaváriasvantagensambientaiseeconômicas:ReduçãodeEmissõesdeCO₂:Ocarvãobiogênicoéumafontedecarbononeutro, oquesignificaqueaquantidadedeCO₂emitidadurantesuaqueimaécompensadapeloCO₂absorvidopelasplantasduranteseucrescimento.Issocontribui significativamenteparaareduçãodapegadadecarbonodaindústria.Aproduçãodecarvãobiogênicopromoveousosustentávelderecursosflorestaiseagrícolas, incentivandopráticasdemanejoflorestalresponsável. Autilizaçãodecarvãovegetalreduzoscustosoperacionaisalongoprazo,umavezquepodeserproduzidolocalmente,diminuindoadependênciadeimportaçõesde carvãomineral.NoBrasil,aintegraçãodeenergiasrenováveis,comoasolar,eólicaehidrelétrica,nosprocessosdeproduçãodeferroligasesilíciometálicoestáse tornandoumapráticacomum.Essasfontesdeenergianãoapenasreduzemadependênciadecombustíveisfósseis,mastambémdiminuemoscustosoperacionais alongoprazoecontribuemparaasustentabilidadedosetor. Carbonobiogênicoéocarbonooriginadodefontesbiológicas,comoplantas,animaiseoutrosorganismosvivos.Elefazpartedociclonaturaldecarbono,sendoabsorvido pelasplantasduranteafotossínteseeliberadodevoltaàatmosferapormeiodarespiração,decomposiçãodematériaorgânicaouqueimadebiomassa. Aocontráriodocarbonofóssil,queéliberadodaqueimadecombustíveisfósseis(comopetróleo,carvãoegásnatural)eseacumulanaatmosfera,ocarbonobiogênicoé consideradopartedeumciclofechado,umavezquesuaemissãonãoaumentaaconcentraçãolíquidadeCO₂naatmosferaalongoprazo.Issofazcomquefontesde energiabaseadasembiomassa,queliberamcarbonobiogênico,sejamfrequentementevistascomoalternativasmaissustentáveis,desdequeorecursosejageridode maneirarenovável. Asemissõesresultantesdacombustãodebiomassadevemserrelatadasnoinventáriodeformaseparadadasemissõesoriundasdacombustãodecombustíveisfósseis. Issoéjustificado,poisoCO₂liberadonacombustãodebiomassaéigualaoCO₂retiradodaatmosferaduranteoprocessodefotossínteserealizadoporelamesma, permitindoserconsiderado“carbononeutro”eseridentificadoscomoCO₂biogênico.ValeressaltarqueasemissõesdeoutrosGEEoriundasdacombustãodebiomassa, comooCH 4 eN₂O,devemserconsideradasnormalmente(PBGHG,2008). Carbono Biogênico Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 101 1.6.3.EficiênciaEnergética OConsumoEspecíficoparaaproduçãodeferroligasesilíciometáliconoBrasilvariouentre63,8GJ/t¹e68,7GJ/taolongodosúltimos11anos,mantendo-seentorno deumvalormédiode67,3GJ/t.JáoConsumoEspecífico(Realizado)deEletricidadeoscilouentre7,29kWh/t²e8,54kWh/t,mantendo-seemtornodeumvalor médiodepróximode8kWh/taolongodosanos.OsvaloresdeConsumoEspecíficodaproduçãodeferroligasesilíciometálicovariamemfunçãodaparticipaçãode cadaligano“mix”deprodução,deformaqueligasmaisenergointensivastendemaaumentaroconsumoespecíficoglobaldaindústria. [1] GJ/t denota a unidade de medida Gigajoulepor tonelada de ferroliga e silício metálico. [2] kWh/t denota a unidade de medida Quilowatt-hora por tonelada de ferroliga e silício metálico. Figura S21: Consumo Específico de Energia (GJ/t) para produção de ferroligas e silício metálico no Brasil (2013 –2024) Fonte: Elaborado por EPE. Figura S22: Consumo Específico (Realizado) de Eletricidade (kWh/t) para produção de ferroligas e silício metálico no Brasil (2013 –2024) Fonte: Elaborado por EPE. 66,3 67,0 65,5 66,6 63,8 67,3 68,2 69,5 68,5 69,2 68,7 50 55 60 65 70 20132014201520162017201820192020202120222023 Consumo Específico (GJ/t) 7,29 7,53 7,86 8,54 8,09 7,98 8,14 8,41 7,95 8,188,18 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 20132014201520162017201820192020202120222023 Consumo Específico (kWh/t) Aproduçãodeferroligasesilíciometálicoéintensivanousodeeletricidade.Dessaforma,oacompanhamentodaevoluçãodoconsumoespecíficode eletricidade,emrelaçãoapadrõesdereferênciadeconsumoespecíficoporliga,éumapráticadosetorparaavaliaçãodaeficiênciaenergética.Analogamente aoconsumoespecíficodeenergia,oconsumoespecíficodeeletricidadevariaemfunçãodaparticipaçãodosdiferentestiposdeliganomixdeprodução. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 102 0,98 0,98 0,98 1,01 1,00 0,99 1,01 1,00 0,96 0,99 1,00 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 1,1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 20132014201520162017201820192020202120222023 Consumo Específico (kWh/t) ReferênciaRealizadoÍndice de Eficiência Energética [1] FeMn inclui FeSiMn + FeMn AC + FeMnMc Consumos de Referência (MWh/t) FeMn AC3,5 FeSiMn4,3 FeMn BC2,8 FeSi 75%8,6 FeSi 45%5,2 CaSi10,0 FeCr AC5,3 FeSiCr8,1 FeCr BC3,6 FeNi13,4 Si Metálico12,0 FeNb4,0 Figura S23: Evolução do Índice de Eficiência Energética de produção de ferroligas e silício metálico Fonte: Elaborado por EPE e Abrafe. Paradeterminaraevoluçãodaeficiêncianoconsumodeenergiaelétricadosetor,avalia-seoÍndicedeEficiênciaEnergéticacalculadocomoarazãoentreo ConsumoEspecíficodeEletricidadeRealizadoedeReferência.OConsumoEspecífico(Realizado)deEletricidaderesultadaapuraçãodoconsumototaldeenergia elétricadetodasasempresasdosegmentodeferroligasesilíciometálico,divididopelaproduçãototaldosetoremcadaano.JáoConsumoEspecífico(Referência) deEletricidadeéamédiaponderadadosconsumosespecíficosdereferênciadecadaliga(conformetabelaabaixo),ondeospesossãoaparticipaçãodecadaligana produçãofísicadecadaano. Aolongodosúltimosanos,oíndiceapresentouvaloresinferioresouiguaisa1namaioriadasvezes,indicandoqueoConsumoEspecífico(Realizado)deEletricidade manteve-sepróximodospadrõesdereferênciadaindústriabrasileiradeferroligasesilíciometálico. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 103 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 20132014201520162017201820192020202120222023 Consumo Específico (kWh/t) ReferênciaRealizado [1] FeMn inclui FeMn AC (alto carbono) + FeMn BC (baixo carbono) Consumos de Referência (MWh/t) FeMn AC3,5 Baixo FeSiMn4,3 FeMn BC2,8 FeCr BC3,6 FeNb4,0 FeSi 45%5,2 Médio FeCr AC5,3 FeSi 75%8,6 FeSiCr8,1 CaSi10,0 AltoFeNi13,4 Si Metálico12,0 Figura S24: Evolução do Consumo Específico de Eletricidade em função do “mix” de produção de ligas de “alto”, “médio” e “baixo” consumos específicos de referência Fonte: Elaborado por EPE e Abrafe. Noentanto,asflutuaçõesdoConsumoEspecíficodeEletricidade(RealizadooudeReferência)sãoresultadodacomposiçãodo“mix”deproduçãodeferroligasede silíciometálicoacadaano.Classificandoasligasemfunçãodeseuconsumoespecíficocomo“alto”,“médio”e“baixo”,verifica-seque,àmedidaqueaproporçãode ligasmaiseletrointensivasaumenta,aumentatambémoConsumoEspecíficodeEletricidadetotaldaprodução: ▪ConsumoEspecífico<5MWh/tcomo“baixo” ▪5MWh/t≤ConsumoEspecífico<10MWh/tcomo“médio” ▪ConsumoEspecífico≥10MWh/tcomo“alto” BaixoMédioAlto 28,3%“alto” 34,4%“médio” 37,3%“baixo” 42,4%“alto” 26,3%“médio” 31,3%“baixo” 37,1%“alto” 27,8%“médio” 35,1%“baixo” 38,2%“alto” 34,4%“médio” 27,4%“baixo” 36,9%“alto” 30,8%“médio” 32,3%“baixo” Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 104 1.7.Emissões 1.7.1.Renovabilidadedamatrizsetorial AmatrizenergéticadosegmentodeferroligasécompostamajoritariamenteporCarvãoVegetaleLenhaeEletricidade,oquecontribuiparaamanutençãodeníveis derenovabilidadeemtornode80%noperíodorecente.Arenovabilidadedamatrizelétricabrasileiraéumfatorchaveparaoatingimentodessesresultados,umavez queaolongodosanosfoigeradapredominantementeapartirdefontesrenováveiscomohidráulica,biomassa,eólicaesolar. Arenovabilidadedosegmentoindustrialdeferroligasesilíciometálicocontribuiparaoaumentodarenovabilidadedaindústriabrasileiradeformageral,uma vezqueopercentualdousodefontesrenováveisestáacimadamédiadossegmentosindustriais(64,7%em2023). 70,5 69,1 72,5 76,4 77,0 78,1 78,3 81,9 79,8 83,9 84,0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 20132014201520162017201820192020202120222023 Renovabilidade (%) Figura S25: Renovabilidade da matriz energética do setor de ferroligas e silício metálico Fonte: Elaborado por EPE. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 105 1.7.2.Inventáriodeemissões OinventáriodeemissõesdosetordeferroligasesilíciometálicofoielaboradopelaABRAFE,emparceriacomaFIEMG,CIT-SENAIeSINFERSI,atendendoao ProgramaMissãoCarbonoZerodaFIEMG¹,eseguindoosprincípiosdoProgramaBrasileiroGHGProtocol¹:relevância,integralidade,consistência,transparênciae exatidão.Participaramdoinventárioonzeunidadesdeempresasassociadas,maisde60%daABRAFE.Orelatórioapresentadadossignificativossobreaproduçãoe asemissõesdegasesdeefeitoestufa(GEE)dessasindústriasparaoano-basede2022,conformeaseguir: ProduçãoeCrescimento Aproduçãodesilíciometálicoem2022alcançou219miltoneladas,representandoumaumentode89%emrelaçãoa2015.Jáaproduçãodeferroligasdas associadasdaABRAFEfoide770miltoneladas,demonstrandoumcrescimentosignificativoaolongodosanos.Comautilizaçãode86%dacapacidadeinstalada,as associadasdaABRAFEproduziramjuntas989miltoneladasdeprodutosem2022. EmpregoseDesenvolvimentoRegional AsempresasassociadasàABRAFEgerammaisde60milempregosdiretoseindiretos,superandoosníveisdeempregopré-pandemia.Alémdisso,osetorcontribui paraodesenvolvimentoregional,comamaioriadasunidadesprodutivaslocalizadasemMinasGerais.Oíndicededesenvolvimentohumano(IDH)dosmunicípios comfábricasdosetorésuperioraodemunicípiosequivalentesnamesmaregião. ConsumodeRecursos Aproduçãodeferroligasesilíciometálicorequerumconsumosignificativodecarvãovegetaleenergiaelétrica.Em2022,foramutilizados1,534milhõesde toneladasdecarvãovegetale11,016GWhdeenergiaelétrica.Osetorjáutiliza84%deenergiadefontesrenováveis,emcomparaçãocom62%damédiadaindústria nacional. Emissõesapuradas Asemissõesforamcontabilizadaseconvertidasparatoneladasdedióxidodecarbonoequivalente(tCO 2 e),totalizando529.212,67tCO 2 eem2022.Considerando-se asemissõesdeEscopo1,foramcontabilizadas419.805,87tCO 2 e.JánoEscopo2,foramcontabilizadas109.406,80tCO 2 eeacategoriadeProcessosIndustriaisfoia principalresponsávelpelasemissões,com358.819,60tCO 2 e. [1] Detalhes sobre o Programa Missão Carbono Zero da FIEMG podem ser encontrados em: Missão Carbono Zero [2] Detalhes do Programa Brasileiro GHG Protocol podem ser encontrados em: Programa Brasileiro GHG Protocol OEscopo1éconstituídodascategoriasdeemissõesassociadasàsfontesquepertencemousãocontroladaspelaorganização,ouseja,asemissõesdiretas. AsemissõesdoEscopo2sãoindiretasesereferemàaquisiçãodeenergiaelétricaconsumidapelaorganização. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 106 Produto Emissões de tCO 2 e/t de liga (Escopo 1 + Escopo 2) Cenário FóssilSituação Atual % Descarbonização FeMn¹3,011,1861 FeSiMn2,981,1761 FeMn AC3,161,1663 FeMn Mc2,991,5149 FeSi7,110,6890 CaSi7,611,1585 Si metálico5,780,7288 Produção Total4,680,9680 Cenários de Emissões ▪Cenário Fóssil: considera hipoteticamente o uso de energia térmica e carvão mineral, totalizando 2.587.120,80 tCO 2 e. ▪Situação Atual:apresenta 79,5% menos emissões do que o cenário fóssil, com 529.212,67 tCO 2 e. ▪Cenário Descarbonizado:propõe o uso de 100% de carvão vegetal, associado ao uso de energia renovável, resultando em 224.212,59 tCO 2 e. Os dados da Tabela S3 permitem concluir que a situação atual do setor brasileiro de ferroligas e silício metálico representa alto grau de descarbonização para cada uma das ligas listadas em relação ao que pode ser representado por um cenário fóssil. Os maiores destaques ficam com as ligas FeSi, CaSi e Si metálico, apresentando potenciais de descarbonização iguais ou superiores a 85%. Oinventáriomostraqueosetorusaaltaproporçãodeenergiarenovável,contribuindoparapegadadecarbonosignificativamentemenoremcomparaçãoa outrospaíses,eaindareforçaaimportânciadacontabilizaçãodasemissõesdeGEEcomoferramentagerencialparaestabelecimentodemetas,avaliaçãode riscoseoportunidades,melhoriadasrelaçõescomstakeholderseparticipaçãodeprogramasdedivulgaçãodasemissõesdeGEEemercadosdecarbono. [1] Descarbonização de, por exemplo, no caso do FeMn, de 61% refere-se à redução de 3,01 tCO 2 e/t de liga (cenário Fóssil) para 1,18 tCO 2 e/t de liga (Situação Atual). Aspráticasadotadaspelosetorbrasileirodeferroligasesilíciometálico,taiscomoousodecarvãovegetaleenergiarenovável,resultamemumapegadadecarbono significativamentemenoredemonstramopapeldeliderançadoBrasilnadescarbonizaçãodaindústriaglobal.Afimdeilustraropotencialdedescarbonizaçãodeste setor,aABRAFEelaborouemseuinventárioumexercíciocomadoçãodecenários,identificandoapossibilidadedereduçãoadicionaldesuasemissões. OexercícioconsistiunacomparaçãodasituaçãoatualdoBrasilcomaspráticasrealizadaspelamédiadospaísesnorestodomundo,representadopelocenário fóssil,oqualconsideraaproduçãoapartirdeumamatrizenergéticaessencialmentetérmicafóssileusodocarvãomineralcomofontedecarbonodosprocessos. Tabela S3: Desempenho de Redução de Emissões por Produto no Cenário Brasileiro Fonte: Abrafe (2024) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 107 3,3% 14,6% 7,1% 1,5% 1,2% 89,7% 1,9% 13,7% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 0 50 100 150 200 250 300 Ferro-SilícioFerro-NíquelSilício metálicoFerro-CromoSilício-ManganêsFerro-NióbioFerro-ManganêsFerro-Silício-Cromo 1.000 toneladas BrasilBrasil / Mundo AproduçãomundialdeFerro-NióbioéconcentradamajoritariamentenoBrasil,seguidadoCanadáedaRússia.DeacordocomoServiçoGeológicodoBrasil,o Brasildetém95%dasreservasmundiaisconhecidas,emaissignificativasencontram-seemMinasGerais,Amazonas,Goiás,RondôniaeParaíba(SGB,2024). 2.3.Produçãomundialdeferroligaseparticipaçãobrasileira Aproduçãomundialdeferroligasesilíciometálicoem2021acumuloucercade61,4milhõesdetoneladas,enquantooBrasilfoiresponsávelporcercade1,3milhão detoneladas,representando2,1%departicipaçãomundial.Noentanto,apresençadoBrasilnocenáriointernacionalvariasignificativamenteemfunçãodotipode liga,apresentandodestaqueabsolutoemFerroNióbio(89,7%)eparticipaçõesrelevantesnaproduçãodeFerro-Níquel(14,6%),Ferro-Silício-Cromo(13,7%)eSilício metálico(7,1%). Figura S26: Produção nacional por tipo de liga (eixo da esquerda) e sua participação no cenário internacional (eixo da direita) Fonte: Elaborado por EPE e Abrafe. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 108 53,4 9,6 7,2 6,5 3,4 2,7 2,1 1,8 40,8 25,6 11,8 7,5 3,6 2,4 2,1 1,5 30,2 14,0 12,9 9,6 7,6 5,5 3,4 1,9 15,7 14,8 14,6 13,2 8,5 8,3 6,3 4,9 89,7 9,8 0,5 68,4 10,5 3,8 3,3 2,1 1,5 1,5 1,5 67,5 14,4 4,2 2,1 2,0 1,9 1,2 1,1 65,0 7,1 6,1 6,1 4,6 1,9 1,7 1,4 Ferro-Cromo (%) Ferro-Manganês (%) Ferro-Níquel (%) Produção total de ferroligas e silício metálico (%) Ferro-Silício (%) Silício-Manganês (%) Silício metálico (%) Ferro-Nióbio (%) Aseguir,sãodestacadasasclassificaçõesdospaísesemtermosdeparticipação(%)naproduçãointernacionaldeferroligasportipodeferroligaesilíciometálico em2021¹,destacandoaposiçãodoBrasilnosmercadosdeferroligasnosquaisopaísnãoestáentreos7primeirosclassificados. [1] Ano de 2021 é o mais recente disponibilizado pela Abrafe onde é possível fazer comparações entre os países. 9º 11º Figura S27: Participação da produção nacional por tipo de liga no cenário internacional Fonte: Elaborado por EPE e Abrafe. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Capítulo especial: setor de ferroligas e silício metálico Página| 109 2.3.1.PolíticasPúblicasePrivadasparaCompetitividadedaIndústriaBrasileira Estratégiasparaatenuaçãodecustos Afimdereduzirdificuldadescomocustosdeenergiaelétrica,tributoselevados,infraestruturalogísticadeficienteeentravesnolicenciamentoambiental,algumas políticaspúblicaseiniciativasprivadaspodemseraprimoradas: 1.LeilõesdeEnergiaRenovável:Aindústriadeferroligasparticipaemleilõesdefontesrenováveis(solar,eólica,biomassa),firmandocontratosdelongoprazo (PPAs)apreçosmaiscompetitivos. 2.AutoproduçãoePPAs:Incentivarautoproduçãodeenergiaecontratosdelongoprazocomfornecedoresdeenergiarenovável,garantindopreçosfixose previsíveis,protegendocontraavolatilidadedomercado. 3.EficiênciaEnergética:Investiremtecnologiasavançadasparacontroledefornoselétricosesistemasinteligentesqueotimizamoconsumoenergéticoem temporeal. OutrosFatoresqueAfetamaCompetitividade Alémdoscustosdeenergia,outrosfatores,comoinfraestruturalogísticadeficiente,retençãodecréditosdeICMS,burocraciaealtosencargosdelicenciamento ambiental,tambémprecisamserenfrentados: 1.InfraestruturaLogística:Investirnamodernizaçãodeportos,ferroviaserodovias,criandocorredoreslogísticoseficientesparaescoamentodasferroligas. 2.DevoluçãodeCréditosdeICMS:AutomatizaresimplificaradevoluçãodecréditosdeICMSaosexportadores,criandoumaplataformadigitalcomprazos definidos,aliviandooimpactofinanceirosobreasempresas. 3.AprimoramentosdosprocessosdeLicenciamentoAmbiental:Digitalizaroprocessodelicenciamentoafimdetorná-lomaiságilemenoscustoso,e simplificaçãodosprocessosassociadosaprojetosdemenorimpactoambiental,comincentivoatecnologiaslimpasepráticasambientaisresponsáveis. RegulamentaçãodoMercadodeCarbonoeValorizaçãodasFlorestasPlantadas ParavalorizaropapeldasflorestasplantadasnacapturadeCO₂,éessencialqueoBrasilavancenaregulamentaçãodomercadodecarbono: 1.IncentivosparaFlorestaseCertificaçãodeCréditosdeCarbono:Implementarpolíticasdeincentivosparaasempresasqueinvestememreflorestamento voltadoaosequestrodecarbonoecertificarasflorestasparamonetizaçãodacapturadecarbono,conformeocorrenomercadovoluntário. 2.NeutralizaçãodeEmissões:Investiremprojetosdeflorestasplantadasparaneutralizarasemissõesoperacionaisefortaleceraposiçãodaindústriaem mercadosinternacionais,comooeuropeu,queaplicambarreirasambientais(CBAM)¹.Esforçosdevemserdirecionadosparaqueosbenefíciosdessas práticassejamdevidamentereconhecidosemacordosinternacionais. [1] CBAM:Em16demaiode2023,aUniãoEuropeia(UE)publicouoRegulamento2023/956,quecriaoMecanismodeAjustedeCarbononaFronteira(CBAM,nasiglaeminglêsCarbonBorderAdjustmentMechanism),cujoobjetivo,emsuafase transitória,écoletardadose,nafaseregular,cobrarpelasemissõesdegasesdeefeitoestufa(GEE)incorporadasemdeterminadosprodutosintensivosemenergiaimportadospelaUniãoEuropeia. Página| 110 Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2024 Referências ABAL [Associação Brasileira do Alumínio]. Anuário Estatístico Alumínio 2023. ABAL, 2024. ABComm[Associação Brasileira de Comércio Eletrônico]. Dados Anuais: Principais Indicadores do e-Commerce 2023. Disponível em: LINK. Acessado em nov. de 2024. ABComm, 2024. ABRAFE [Associação Brasileira dos Produtores de Ferroligas e Silício Metálico]. Anuário Estatístico ABRAFE2024. ABRAFE, 2024. ANAP [Associação Nacional dos Aparistasde Papel]. Relatório Anual 2018-2019. ANAP, 2020. ______. Relatório Anual 2019-2020. ANAP, 2021. 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