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Atlas da Eficiência Energética Brasil 2023 – Relatório de Indicadores

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Assinado em 18/08/2026
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Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2021 Capítulo Especial sobre o setor residencial em parceria com a Agência Internacional de Energia Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 2 Colaboradores Superintendentes Angela Oliveira da Costa Carla da Costa Lopes Achão Superintendentes Adjuntos Gustavo Naciff de Andrade Marcelo Castello Branco Cavalcanti Consultores Técnicos Arnaldo dos Santos Junior Patrícia Feitosa Bonfim Stelling Rachel Martins Henriques Rafael Barros Araújo Presidente Thiago Guilherme Ferreira Prado Diretor de Estudos Econômicos e Energéticos Giovani Vitória Machado Thiago Ivanoski Teixeira Diretor de Estudos de Energia Elétrica Reinaldo da Cruz Garcia Diretor de Estudos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis Heloisa Borges Bastos Esteves Diretora de Gestão Corporativa Angela Regina Livino de Carvalho Ministro de Estado Alexandre Silveira de Oliveira Secretário Executivo Efrain Pereira da Cruz Secretário de Planejamento e Transição Energética Thiago Vasconcellos Barral Ferreira Coordenação Técnica Flávio Raposo de Almeida Rogério Antônio da Silva Matos Coordenação Executiva Glaucio Vinícius Ramalho Faria Equipe Técnica Aline Moreira Gomes Allex Yujhi Gomes Yukizaki Ana Cristina Braga Maia Bruno Rodamilans Lowe Stukart Fernanda Marques Pereira Andreza Flávio Raposo de Almeida Gustavo Daou Palladini Lidiane de Almeida Modesto Mariana Weiss de Abreu Patrícia Messer Rosenblum Rogério Antônio da Silva Matos Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 3 A equipe da IEA que contribuiu para a execução deste relatório foi: Coordenação e Apoio Técnico Clara Camarasa Equipe Técnica Ana Lepure Esterelatóriopossuiumcapítuloespecial... queforneceumaanálisedetalhadadosetorresidencialnoBrasil,resultadodacooperaçãoentreaEPEeaAgênciaInternacionaldeEnergia(IEA). Nestecapítuloéapresentadaumaanálisenacionaleinternacionaldestesetor,comumfocoespecialnoconsumoporusofinaldeenergiaeno consumoporclassederenda. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 4 Sumário Objetivo............................................................................................05 Definições.........................................................................................07 Introdução........................................................................................14 Edificações........................................................................................27 Setor Residencial..............................................................................30 Setor de Serviços .............................................................................40 Setor Industrial.................................................................................47 Setor de Transportes........................................................................59 Capítulo especial sobre o setor Residencial brasileiro....................70 Referências Bibliográficas.................................................................98 Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 5 Objetivo Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 6 Objetivo EstedocumentotemporobjetivoprincipalomonitoramentodoprogressodaeficiênciaenergéticanoBrasil,atravésdeumaanálisedeindicadores. Em2014foipublicadooprimeirorelatóriodeindicadores,comdadosaté2012.Apublicaçãovemsendoaprimorada,eem2020passouasechamar “AtlasdaEficiênciaEnergéticanoBrasil–RelatóriodeIndicadores”.Estedocumentoatualizaecomplementa,deformamaissintética,osprimeiros relatórioscomdadosatéoano2022. Uma imagem contendo Interface gráfica do usuário Descrição gerada automaticamente Diagrama Descrição gerada automaticamente Mapa Descrição gerada automaticamente Capítulo especial Benchmarking de eficiência energética: Brasil no contexto global Capítulos especiais ▪Setor de Cimento no Brasil e no Mundo ▪Impactos da Covid-19 Capítuloespecial ▪IndústriaSiderúrgica Capítulo especial Transporte rodoviário de cargas e a comparação do caso brasileiro com países selecionados Janeiro 2023201420202021 2017 2022 Capítuloespecial ▪SetorResidencial Dezembro 2023 Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 7 Definições Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 8 ODEX OODEXéumindicadorqueapuraoprogressodaeficiênciaenergética.Podeseragregadoporsetor(industrial,residencial,serviçosetransportes)ou paraaeconomiacomoumtodo.OODEXéutilizadopelaUniãoEuropeia,noprogramaODYSSEEdatabaseparamonitoramentodosganhosde eficiência(Enerdata,2020). OODEXporsetor(porexemplo:indústria)ébaseadonosíndicesdeconsumounitárioporsubsetor(cimento,cerâmica,têxtiletc.)ponderadospela participaçãonoconsumototaldeenergiadosetor.Oconsumounitárioporsubsetorpodeserexpressoemdiferentesunidadescomobjetivode forneceramelhor“proxy”deavaliaçãodaeficiênciaenergética,taiscomooconsumopordomicílio,oconsumoporproduçãofísicaouoconsumopor atividadedetransporte(medidaemunidadescomopassageiro-quilômetroetonelada-quilômetro). Paraopresenterelatórioconsiderou-se2005comoanobase(valor=100),emfunçãoessencialmentedadisponibilidadededadosparaamaior parceladossetoresapartirdesseano.OdecréscimonoODEXdovalor100em2005para80emalgumdadoano,porexemplo,representaganhode eficiênciaenergéticade20%aolongodoperíodoanalisado.Emcontrapartida,casooODEXaumentede100para120,teráhavidopioranaeficiência energéticaaolongodosanosemquestão. NocasodoODEXglobal,omesmométodoéaplicadocomfatoresponderados,baseadosnasparticipaçõesdoconsumototaldeenergiafinaldecada setoremrelaçãoaototaldeenergiafinalconsideradoparatodosossetoresavaliados. Parafinsdesserelatório,foramconsideradosossetoresindustrial,residencialedetransportes.Demaissetores(energético,serviçoseagropecuária) nãoforamincluídosemfunçãodeindisponibilidadededadosnoformatoadequadoàapuraçãodoindicador. EstaediçãodoAtlasdeEficiênciaEnergéticasofreualteraçõesmetodológicas,quebuscaramaprimorararepresentatividadedossetoresnoODEX, bemcomooseucálculo.Portanto,asvariaçõesdedadoshistóricosdoODEX,verificadasnestaediçãoemrelaçãoàsediçõesanteriores,podemser justificadaspelasprincipaisalterações: ▪atualizaçõesdesérieshistóricasdedadosutilizadosnocálculodoODEX; ▪usodamédiamóvelde3anosparaoODEXdetodosossetores,emcompatibilizaçãocomametodologiapropostapelaOdysseedatabase; ▪aprimoramentosnaescolhadosindicadoresutilizadosparacálculodoODEXdossetoresresidencialedetransportes. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 9 Intensidade Energética Aintensidadeenergéticaserefereaomontantedeenergianecessárioparaproduzirumaunidadedeprodutofinaloudeserviço.Éarazãoentreum indicadordeenergia(toneladaequivalentedepetróleo[tep],Joule,calorias,Btu,entreoutras)eumindicadordeatividade(US$,R$,m²,tonelada- quilômetro,passageiro-quilômetro,entreoutros). Exemplosfictícios: ▪Intensidadeenergéticaindustrial:100tep/US$ppp2010 ▪Intensidadeenergéticadeedificaçãoresidencial:0,5tep/m² ▪Intensidadeenergéticadeedificaçãocomercial:200KJ/m² ▪Intensidadeenergéticanosetordetransportes:1.000tep/tkm AintensidadeenergéticadeumaeconomiacorrespondeàrazãoentreaOfertaInternadeEnergia(OIE)eoProdutoInternoBruto(PIB)dopaís.Este indicadornormalmenteéusadoparamediraeficiênciaenergéticadeumpaís.Noentanto,éimportanteconsiderarqueaestarazãonãoexpressa necessariamenteeficiênciaenergética,poisumpaíspodeteraintensidadeenergéticabaixaeserineficientedopontodevistaenergético.Basta considerarmosocasodeumpequenopaísquetemsuaeconomiabaseadanosetordeserviços,quepossivelmenteteráumaintensidadeenergética menorqueoutragrandenaçãocujaeconomiaébaseadanaproduçãoindustrial.Entretanto,osegundopaíspodeusaraenergiaparasuasindústrias deformamaiseficientequeoprimeiroausaparadesenvolverasuaeconomiabaseadaemcomércioeserviços. Destaforma,aintensidadeenergéticanãodeveseranalisadaisoladamente.Osganhosdeeficiênciasãoapenasumcomponentedestaanálise,que tambémdevelevaremconsideraçãoaestrutura(efeitoestrutura)daeconomiadeumpaís(presençadeindústriasenergointensivas,setordeserviços desenvolvidoetc.)easmudançasnaatividade(efeitoatividade),influenciadaspelotamanhodopaís(queimplicamemmaiordemandadosetorde transportes,porexemplo). Nesterelatório,oindicadorserácalculadodeduasformas:sobaóticadaOfertaInternadeEnergia(OIE),identificadacomoIntensidadePrimária(i)e sobabasedoConsumoFinalEnergético,denotadacomoIntensidadeFinal(ii).Asfórmulasdecálculodecadaindicadorseguemabaixo: I.OfertaInternadeEnergia(miltep)/PIB(M$[2010]) II.ConsumoFinalEnergético(miltep)/PIB(M$[2010]) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 10 Consumo Final Étodaaenergiaquechegaaossetoresconsumidoresparafinsenergéticosenãoenergéticos(matéria-prima,porexemplo).Nãoestãoincluídosneste conceitoasfontesutilizadascomoinsumooumatéria-primaparaaproduçãodeoutrosprodutosenergéticos.Estasatividadessãoclassificadas, segundooBalançoEnergéticoNacional,comoCentrosdeTransformação(exemplos:águautilizadaparageraçãodeeletricidadeoupetróleoqueserá transformadoemderivados). Deformageral,ossetoresdeconsumofinalnesterelatórioforamclassificadosdeacordocomamesmadivisãodoBalançoEnergéticoNacional,com exceçãodealgunssetoresenergointensivos,paramelhorrepresentaçãodoprogressodaeficiênciaenergéticanoBrasil. Oconsumofinalpodesercalculadoatravésdasseguintesparcelas: ▪Consumofinal=consumofinalprimário(+)consumofinalsecundário,ou; ▪Consumofinal=consumofinalnão-energético(+)consumofinalenergético Onde: ▪Consumofinalprimárioéoconsumodeenergiaprimária,ouseja,consumodefontesprovenientesdiretamentedanatureza.Exemplos:gás natural,carvãomineral,energiasolar,eólica,hidráulicaeosprodutosdacana-de-açúcar,entreoutros. ▪Consumofinalsecundárioéoconsumodeenergiasecundária,ouseja,consumodefontesoriundasdosdiferentescentrosdetransformação, quetêmcomodestinoosdiversossetoresdeconsumodaeconomia.Exemplos:eletricidade,gasolina,óleodiesel,etanol,entreoutros. ▪Consumofinalnão-energéticocorrespondeaoconsumodefontesque,emborapossuamconteúdoenergético,sãoutilizadoscomomatérias- primasparaoutrosfins.Exemplo:usodenaftaparaafabricaçãodetermoplásticos. ▪Consumofinalenergéticocorrespondeàutilizaçãodefontespelossetoresdaeconomiacomoenergia. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 11 INOVA-E AplataformadigitalINOVA-EfoicriadaparatornaracessíveisaosmaisdiversospúblicosasinformaçõesrelacionadasàinovaçãoemenergianoBrasil. Emseumódulodeinvestimentos,asinformaçõesestratégicasdisponibilizadasnaplataformaforamorganizadasemumaúnicabasededados, apresentandoumrelevantepanoramaparaacompreensãodastendênciasdeinvestimentosemPD&Demenergianopaís.Estepanoramainédito fornecidopelaINOVA-EbuscaapoiarEPE,MME,MCTI,entreoutrasorganizaçõesgovernamentais,privadasedasociedadecivil,naformulaçãoe promoçãodepolíticaspúblicasvoltadasànossatransiçãoenergética.Emsuamaisrecenteatualização,omódulodeinvestimentosemPD&Dda plataformapassoupordiversosaprimoramentosmetodológicos,queresultaramnaampliaçãodosinvestimentosmapeadoseinclusãodeprojetosno históricodosinvestimentos. InvestimentopúblicoemPD&D-OsinvestimentospúblicosdePD&DsãocalculadosapartirdosdispêndiosemprojetosdePD&Dreembolsáveise não-reembolsáveisrealizadospormeiodeinstituiçõespúblicasdefomentoàinovaçãonoBrasil.Nasestatísticasapresentadasnestaplataformafazem partedoescopodosinvestimentospúblicosemPD&Dosseguintesórgãosfederais:BNDES,CNEN,CNPq,FINEP;etambémdoestadodeSãoPaulo: FAPESP. InvestimentopublicamenteorientadoemPD&D-Osinvestimentospublicamenteorientadossereferemaoinvestimentoprivadoinduzidopor políticaspúblicas,sendocompulsórioparaasempresasdosetordeenergia.Sãorecursosqueseenquadramdentrodeprogramaspúblicoscuja finalidadeéinduzirasempresasaefetuareminvestimentosemPD&D.Nasestatísticasapresentadasnestaplataformafazempartedoescopoos projetosdeP&DreguladospelasagênciasANEELeANP. Paravisualizarosdadosesabermaisdetalhesacesseolinkevisiteaplataforma: PanoramadosinvestimentosdeinovaçãoemenergianoBrasil Logotipo Descrição gerada automaticamente Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 12 Setor de Transportes Atividade Aatividadenosetordetransporteé,internacionalmente,representadapelosindicadorespassageiro-quilômetrotransportadosetonelada-quilômetro transportados.Passageiro-quilômetroéumaunidadequeapresentaotrabalhorelativoaodeslocamentodeumpassageiroàdistânciadeum quilômetro.Damesmaforma,tonelada-quilômetroéaunidadequerepresentaotrabalhorelativoaodeslocamentodeumatoneladadecargaà distânciadeumquilômetro.Tambémchamadodemomentodetransporte. Intensidadedeuso Razãoentreaatividadedetransporteeadistânciapercorrida.Éexpressanasunidadestonelada-quilômetro/quilômetrooupassageiro- quilômetro/quilômetro. Rendimentoenergético Razãodadistânciapercorridaporpassageirosoucargaeoconsumodecombustívelemvolumeeexpressamedidadeautonomia.Usualmenteem quilômetros/litro.EminglêsédenominadoFuelEconomy. Consumodecombustível Representaovolumedecombustívelgastoparapercorrerumadadadistância,emgeral100km.Éexpressalitro/100km.EminglêsédenominadoFuel consumption. EficiênciaEnergética Razãoentreaestimativadeatividade(t.kmoup.km)eademandatotaldeenergia(emunidadescomJoule[J],Watt[W]outoneladaequivalentede petróleo[tep]). Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 13 Setor de Transportes VeículosLeves(porporte)¹ Automóvel Veículoautomotordestinadoaotransportedepassageiros,comcapacidadeparaatéoitopessoas,exclusiveocondutor; ComerciaisLeves ▪caminhonete–veículodestinadoaotransportedecargacompesobrutototaldeaté3.500kg; ▪caminhoneta–veículomistodestinadoaotransportedepassageiros; ▪utilitário–veículomistocaracterizadopelaversatilidadedoseuuso,inclusiveforadeestrada. VeículosPesados² Caminhões ▪Semileves–3,5t. 45 t. ¹CódigoNacionaldeTrânsito(BRASIL,1997) ²Anfavea(2023) PBT–PesoBrutoTotal;CMT–CapacidadeMáximadeTração Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 14 Introdução Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 15 Governança institucional da eficiência energética no Brasil Ministérios Entidades vinculadas Secretarias Comitês Programas de governo SNTEP:Secretaria Nacional de Transição Energética e Planejamento SDIC:Secretaria de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços SPU:Secretaria de Coordenação e Governança do Patrimônio da União SNH:Secretaria Nacional de Habitação SDUM:Secretaria Nacional de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano SMU:Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana SNASA:Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 16 Linha do tempo das Políticas de Eficiência Energética... 199019932000 200119851991 19841981 19821997 20022004 20032005 Portaria MIC/GM46 Programa CONSERVE Indústria e substituição de energéticos importados Decreto 87.079 PME:Programa de Mobilização Energética PBE | INMETRO PIˡ1.877 Institui oPROCEL Decreto 99.656 CICE -Comissão Interna de Conservação de Energia (revogado pelo Decreto 10473/2020) Decreto Federal 18/07/1991 Institui o CONPET Decreto Federal 08/12/1993 Selo de Eficiência Lei 9.478 Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e ANP Lei 9.991 PEE ANEEL: Investimentos em P&D e Eficiência Lei 10.295² Lei da Eficiência Energética (Índices mínimos -MEPS Minimum Energy Performance Standards) Decreto 4.059 e republicado pelo Decreto 9.864/2019 CGIEE/ GT Edificações Procel Indústria Procel EDIFICA Procel SANEAR Lei 10.847 Decreto 5.184 criação da EPE Notas:(1)PI=PortariaInterministerial (2)Motoreselétricostrifásicos,lâmpadasfluorescentescompactas,refrigeradoresecongeladores,fogõesefornosagás,condicionadoresdear,aquecedoresdeáguaagás,lâmpadasavapordesódiometálico, lâmpadasincandescentes,transformadoresdedistribuição,ventiladoresdeteto. Selo Conpet Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 17 20142019 202020112016 20102007 2018 2021 20222009 20172023 Decreto 6.996 (revogado) Decreto 11158/2022 (vigente) Redução de IPI para produtos com índice de eficiência energética A e B Etiquetagem de Veículos e Edificações Comerciais ... ao longo dos anos até os dias de hoje Etiquetagem Residencial IN¹02 MPOG Requisitos para edificações públicas federais e compras Selo Procel Edificações Não Residenciais Lei 13.280 Realocação de recursos do PEE para o Procel Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) Lei 13.576 Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) Programa Aliança PotencializEE Decreto 10.791 Criação da ENBPAr FGEnergia Fundo Garantidor para Crédito a EE(BNDES e recurso do PROCEL) Portal da Eficiência Energética (MME) Hoje! PNE 2030 Portaria MME 594 PNEF: Indicação de metas para Eficiência Decreto 9.557 Programa Rota 2030 Programa Brasil Mais Produtivo –Eficiência Energética (B+P EE) Selo Procel Edificações Residenciais RedEEIndústria e RedEE Edif. Públicos Nota:(1)IN=InstruçãoNormativa Interface gráfica do usuário, Aplicativo Descrição gerada automaticamente ProEESA: Projeto de EE em Sistemas de Abastecimento de Água Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 18 ENCEEtiqueta comparativa que classifica o desempenho energético Implementam as políticas e desenvolvem o mercado ETIQUETA DE ENDOSSO Premia os produtos mais eficientes LEI DA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA Regula os índicesmínimos de eficiência e o estabelecimento de requisitos de eficiência energética para edificações Programa Brasileiro de Etiquetagem INMETRO (1984) Índices Mínimos Lei Nº 10.295/ 2001 Selo PROCEL 1985 Eficiência Energética Programas de Eficiência Energética PEE/ANEEL PAR PROCEL Programa de PDI ANEEL Lei nº 9.991/2000 dispõe sobre os investimentos em P&D (atual PDI) e EE das concessionárias de energia elétrica. Atualmente 0,5% da Receita Operacional Líquida (ROL) das concessionárias. A partir da Lei nº 13.280/2016, que altera a Lei nº 9.991/2000, 20% dos recursos de EE são destinados para o Procel e 80% para o PEE/ANEEL. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 19 Participaçãoderenováveisnamatriz Historicamente,oBrasilsedestacaporserumpaíscomumaltopercentualdefontesrenováveisdeenergiaemsuaofertainterna quandocomparadoaorestodomundo.Nosúltimos20anos,aparticipaçãodasrenováveisnamatrizenergéticabrasileira,manteve- seestávelcomvaloressuperioresa40%,oquejáéumgrandedesafioparaoPaís.Maisrecentemente,entre2011e2014,houve umareduçãodaparticipaçãodasrenováveisnamatrizenergéticadevidoàquedadaofertahidráulica,associadaàmenorquantidade dechuvas.Apartirde2015,asfontesrenováveisretomamumatrajetóriadecrescimentocomaexpansãodaofertadederivadosda cana,eólicaebiodiesel,atingindo47%em2022comacontribuiçãotambémdasituaçãohidrológicafavorável. Figura 1: Comparação internacional da participação de fontes renováveis na Oferta Interna de Energia (OIE) Fonte: EPE (2023b) Figura 2: Evolução da participação de fontes renováveis na Oferta Interna de Energia (OIE) Fonte: EPE (2023b) 12% 14% 47% 89% 86% 53% OCDE 2020 Mundo 2020 Brasil 2022 RenováveisNão-renováveis 40,7% 47,4% 25% 30% 35% 40% 45% 50% 55% 60% 200020022004200620082010201220142016201820202022 Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 20 Asfontesrenováveiscresceramemritmomaisaceleradodevidoàexpansãodosetorsucroalcooleiroeafortepenetraçãodeoutrasrenováveis,comoas fonteseólica,lixíviaebiodiesel.Comumaparticipaçãoinexpressivaem2000,aenergiaeólicaapresentouparticipaçõescrescentesnamatrizenergética, chegandoa2,3%daOfertaInternadeEnergiaem2022.Jáalixívia,diretamenteassociadaàindústriadecelulose,contribuiucom3,7%daOIEem2022. Obiodieseltemsidofavorecidopelapolíticadeadiçãodestecombustívelnodieselfóssil.Em2022,opercentualdeadição(emvolume)ficouem10%ao longodetodooano.OBrasiléosegundomaiorprodutormundialdebiodiesel,atrásdosEstadosUnidoseamatéria-primamaisusadaparasua fabricaçãonoPaíséoóleodesoja. Figura 3: Oferta Interna de Energia (OIE) por fonte em anos selecionados Fonte: EPE (2023b) EvoluçãodaOfertaInternadeEnergia(OIE)porfonte Peloladodasfontesnãorenováveis,opetróleoeseusderivadosseguemcomoasmaioresfontes.Todavia,ogásnaturalfoiogrande destaque,tendoasuaparticipaçãoevoluídade5,4%em2000para10,5%em2022devidoàsuautilizaçãoemtermelétricasdebase eextensãodamalhadutoviária,oquepossibilitouseuusotantonasindústriascomonasedificaçõesresidenciais,comerciaise públicas. 45,6% 37,8% 37,2% 32,9% 35,7% 10,2% 13,6% 11,7% 10,5% 15,8% 14,0% 11,3% 12,5% 12,5% 12,1% 9,7% 8,3% 9,1% 9,0% 12,8% 21,1% 21,8% 27,0% 25,9% 20002010201520202022 Produtos da cana-de-açúcar / Outr. Ren Lenha e carvão vegetal Hidráulica Urânio (U₃O₈) / Outr. Não Ren Carvão mineral e coque de carvão Gás natural Petróleo e derivados Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 21 Evoluçãodoconsumoenergéticoporsetor Oprincipalmovimentoobservadonesteperíodofoiorecuodaparticipaçãodaindústriaemcontraposiçãoaoavançodosetordetransportes,que ultrapassouoconsumoindustrialnosanosde2018,2019e2022.Osetordetransportescresceuaumataxamédiade2,9%a.a.(2000-2022),edeforma maisacentuadaentre2000e2015,comcrescenteparticipaçãodosetorrodoviário.Em2020osetorfoiimpactadopelapandemiadaCovid-19eaos consequentesreflexosnaeconomiaenasrestriçõesdelocomoção,principalmentenomodoaeroviário,masserecuperoueem2022apresentouo maiorconsumodeenergiadentreosdemais. Figura 4: Consumo energético por setor em anos selecionados Fonte: EPE (2023b) 38,5% 38,1% 34,4% 34,1%34,0% 30,2% 31,1% 34,4% 32,9% 35,0% 13,2% 10,7% 10,4% 11,7% 11,3% 8,2% 11,0%11,0% 10,9% 9,2% 20002010201520202022 Setor energético Residencial Terciário e outros Agropecuária Transportes Industrial (exclusive uso não-energético) Na indústria, os segmentos que mais se destacaram foram papel e celulose (4,1% a.a.), alimentos e bebidas (2,75% a.a.) e ferroligas (2,6% a.a.). Cabe ressaltar que a produção de celulose e de açúcar são energointensivase utilizam os coprodutos lixívia e bagaço de cana, respectivamente, que são renováveis. Oagregadocimento/açoreduziusuaparticipaçãonoconsumoindustrialde29,9%para23,7%.Aindústriadocimento,alémdareduçãogradativadarelação clínquer/cimentode73,2%em2000para68,2%em2022(oclinqueréintensivonoconsumodeenergia).Osetorenergéticoéimpulsionadopelaprodução depetróleoeetanol,quenoperíodocresceramataxasanuaisde4,1%e4,3%.Aproduçãodeetanol,noentanto,caiu13,3%entre2020e2022. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 22 Entreosanos2010e2022,asintensidadesprimáriaefinalevoluíramàstaxasde0,07%e0,05%aoano,respectivamente,refletindoocrescimentoda OIEacimadocrescimentodoPIB.Entre2014e2022,aintensidadeenergéticaprimáriadiminuiuaoritmode0,4%a.a.Aintensidadedoconsumofinal, nomesmoperíodo,apresentoucrescimentoàtaxade0,1%a.a.Atendênciadecrescimentodasintensidadesenergéticaspodeestarassociadaao crescimentodaproduçãodeenergointensivosdebaixovaloragregadonapautaprodutiva,emrelaçãoaosdemaisprodutosmanufaturados. IntensidadeEnergética Entreosanos2000e2008,aintensidadeenergéticaprimáriapermaneceuestávelemtornode0,097tep/10³U$ppp[2010].A intensidadefinal,damesmaforma,estabilizou-seemvalorespróximosde0,087tep/10³U$ppp[2010].Em2009,osefeitosdacrise internacionalsobreaindústriacontribuíramparaareduçãodaintensidadeenergéticaprimáriapara0,093tep/10³U$ppp[2010]. Unidadesmaisineficientesecommaioresintensidadesforamdesativadas. Figura 5: Evolução da intensidade energética no Brasil Fonte: EPE (2023b) 0,097 0,097 0,093 0,099 0,097 0,088 0,087 0,085 0,086 0,087 0,070 0,080 0,090 0,100 0,110 20002001200220032004200520062007200820092010201120122013201420152016201720182019202020212022 tep/10³ U$ppp [2010] Intensidade Energética Intensidade Consumo Final Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 23 Figura 6: Evolução dos investimentos de PD&D em Eficiência Energética Fonte: EPE (2023c) OBrasilteminvestidoemEficiênciaEnergética Setorescompetitivoscomoaindústriadependemdaeficiênciaenergéticanodiaadiadosseusprocessosprodutivos,poissemela muitosnegóciospodemserinviabilizados.Mudançastecnológicasestãoentreasprincipaisfontesdecriaçãoderiquezae crescimentoeconômicodelongoprazo. DeacordocomaplataformaINOVA-E¹,entre2013e2022,oBrasilinvestiuquase5bilhõesdereaisempesquisa,desenvolvimentoe demonstração(PD&D)emprojetosdeeficiênciaenergéticaoriundosdeinvestimentospúblicosoupublicamenteorientados².Desse montante,maisdametadefoioriundadoBNDES,enquantoaANEELeaFinepcorresponderama13%e11%,respectivamente. DadosdaINOVA-Eapontamumamédiaanualdeinvestimentodecercade495milhõesdereaisaolongodedezanosdesérie histórica,considerandorecursospúblicosepublicamenteorientadosemprojetosdeP&DnoBrasil. Figura 7: Origem dos recursos (%) de PD&D em Eficiência Energética Fonte: EPE (2023c) 2013201420152016201720182019202020212022 Nota:Para informações sobre o INOVE-Ee significado das expressões “investimentos públicos” ou “publicamente orientados” acesse Definições Com base no INOVA-E, a versão anterior do Atlas apresentava participação de 56% do BNDES nos recursos para eficiência energética. Entretanto, os aprimoramentos metodológicos apresentados na versão atual da plataforma incluíram, na categoria eficiência energética, diversos projetos do histórico de financiamento do BNDES. O histórico para as demais fontes de recursos permaneceu inalterado. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 24 InvestimentosdePD&DemEficiênciaEnergética Figura 8:Natureza e modalidade dos investimentos, em milhões de reais -2013 a 2022 Fonte: EPE (2023c) Valor investido (em milhões de reais) 05001000150020002500 Outras eficiência energética não alocado Outras tecnologias de eficiência energética Tecnologias de eficiência energética aplicadas à Indústria Tecnologias de eficiência energética aplicada a residências e estabelecimentos comerciais Tecnologias de eficiência energética aplicadas ao setor de transporte rodoviário Publicamente orientado Público Nota:OsinvestimentossãoclassificadosdeacordocomametodologiadaINOVA-E.Ressalva-sequeemespecialprojetosdedemonstração,porsuanatureza,podemserafeitosamaisdeumacategoria tecnológicae/ouincluiroutrositensdoprojeto,adependerdoscritériosdofinanciador.Porexemplo,investimentosemeficiênciaenergéticaatravésdoBNDESFinempodemincluiritenscomo:estudose projetos(inclusivediagnósticoenergético),obrascivis,aquisiçãodemáquinaseequipamentos,etc. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 25 InvestimentosnoProgramadeEficiênciaEnergéticareguladopelaANEEL Asdistribuidorasdeenergiaelétricainvestem0,4%desuaReceitaOperacionalLíquida–ROLnoProgramadeEficiênciaEnergética reguladopelaANEEL,combasenaLeinº9.991/2000ˡ.Em2020foraminvestidosR$605milhões,somandoR$6,4bilhõesdesde 2008. Figura 9: Investimento realizado pelas distribuidoras de energia elétrica através do PEE/ANEEL –2008 a 2020 Fonte: ANEEL (2023a) Notas: (1)Apartirde2016opercentualdevidoparaaaplicaçãodoProgramadeEficiênciaEnergéticapassoude0,5%para0,4%daROLdasdistribuidoras,conformeLein°13.280de03/05/2016. (2)Resultadoscombaseemumaamostrade1.485projetosquedispunhamdedadosnooObservatóriodoProgramadeEficiênciaEnergética-OPEEnecessáriosparaacontabilizaçãodosresultados. R$ 0 R$ 100 R$ 200 R$ 300 R$ 400 R$ 500 R$ 600 R$ 700 R$ 800 2008200920102011201220132014201520162017201820192020 Milhões OsprojetosdatipologiaBaixaRendareceberamamaiorpartedosrecursos(55%),seguidospelosetorresidencial(17%)epoderpúblico(9%) (ANEEL,2023b)². Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 26 26 ODEX Nesterelatóriofoifixado2005comoanobase(100),abrangendoossetoresindustrial,residencial,transporteseoBrasildeforma global.Noperíodo,todosossetoresanalisadosapresentaramganhosdeeficiência,sendoosmaioresganhosnosetoresresidenciale detransportes,com20%e9%deganhosdeeficiêncianoperíodo,respectivamente.OODEXapuradoem2022mostraqueopaís, nesteano,encontra-secercade8,2%maiseficienteenergeticamentedoqueemrelaçãoa2005. Figura 10: ODEX Brasil Fonte: Elaborado por EPE 96,5 91,0 80,1 91,8 75 80 85 90 95 100 105 200520062007200820092010201120122013201420152016201720182019202020212022 Índice (100 = ano 2005) IndústriaTransportesResidencialODEX Brasil GANHOS DE EFICIÊNCIA (quanto menor, mais eficiente) Nota:Esclarecimentos sobre alterações no histórico do ODEX disponíveis em Definições Definições Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 27 Edificações Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 28 Evoluçãodoconsumodasedificações:setoresresidencial,comercialepúblico Aprincipalfontedeenergiautilizadanasedificaçõeséaeletricidade¹.Noanode2022,asresidênciasutilizaram46%deeletricidade, 22%GLPe26%delenha;jáosedifícioscomerciaisepúblicosutilizammajoritariamenteaeletricidadecom90%departicipação. Nota:osetorpúblicocontemplaosserviçospúblicosdeiluminaçãopúblicaesaneamento. [1] Deacordocomasériehistórica,aeletricidadeéaprincipalfontedesde2008. Em2022,asedificaçõesconsumiram239TWh,oquerepresenta41%daeletricidadedopaís.Considerandoaparticipaçãodaedificaçõesno consumodeeletricidade,podeseconsideraressesegmentocomomaiorpotencialdeeficiênciaelétrica. Δ Δ Comercial: 3,2% Público: 1,1% Residencial: 1,6% Comercial: 1,4% Público: -2,0% 71% 70% 67% 70% 68% 18% 20% 23% 20% 22% 20052010201520202022 52% 56% 55% 60% 65% 34% 37% 38% 34% 28% 20052010201520202022 Figura 11: Energia total demandada pelas edificações Fonte: EPE (2023b) Figura 12: Eletricidade demandada pelas edificações Fonte: EPE (2023b) Residencial: 3,8% Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 29 4 21 357 415 1378 1411 2545 3921 4428 4485 4609 4759 4.800 4.898 Figura 13: Evolução da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia em Edifícios –ENCE (quantidade de etiquetas emitidas) Fonte: INMETRO (2023) EvoluçãodaEtiquetagememEdifícios–PBEEdifica OPROCELEDIFICA-ProgramaNacionaldeEficiênciaEnergéticaemEdificaçõescompletaesseano20anosea etiquetagemdeedifíciosnoBrasilcompleta14anos,comaspublicaçõesdasmetodologiasparaaclassificaçãodo níveldeeficiênciaenergéticaparaedifícioscomerciais,deserviçosepúblicos.Em2010,paraosedifíciosresidenciais. Aetiquetapodeseraplicadaaoprojetoeaoedifícioconstruído.Osdadosacumulativosdafiguramostramo potencialdepenetraçãodestapolítica,queinformaosrequisitosdedesempenhodaedificação. Emsetembrode2022,foiaprovadoonovométododeavaliaçãodeconformidadeparaedificaçõesresidenciais,comerciais,deserviçosepúblicas.Aadoção dametodologiaseráobrigatóriaapartirde1ºdemaiode2024.EssanovametodologiatrásimportantesavançosepossibilitaqueoPBEEdificaesteja alinhadoanormabrasileiradedesempenhodeedificaçõeshabitacionaisaNBR15575/2021epermitequeoconsumidortenhaainformaçãodoconsumo potencialdoedifíciooudaunidaderesidencialetambémoquantoépossíveleconomizardeenergiaemrelaçãoaumedifíciopadrão. Nota:PBEéoProgramaBrasileirodeEtiquetagem As edificações residenciais de unidade habitacional autônoma são as mais etiquetadas, com participação de 92% do total acumulado no período. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 30 Setor Residencial Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 31 Evolução da participação energética das fontes na demanda residencial de energia Aeletricidadecontinuasendoafontedeenergiamaisutilizadanosdomicíliosbrasileiros,comumaevoluçãodaparticipação energéticadecercade13,6p.p.de2005a2022.Elapossuiusodisseminadonasresidências,podendoserutilizadanaclimatização deambientes,conservação,cocçãoepreparaçãodealimentos,aquecimentodeágua,iluminação,lavanderia,entretenimento, comunicações,belezapessoaleemequipamentoselétricoseeletrônicos. Figura 14: Evolução da participação energética das fontes na demanda residencial de energia Fonte: EPE (2023b) Percebe-seumareduçãodoconsumodalenhanacocçãodealimentosde2005a2015,emfunçãodamelhoriadascondiçõeseconômicasdas famílias.Desdeoanode2015,aparticipaçãoenergéticadalenhasemantémempatamaresemtornode25%. O Gás Liquefeito do Petróleo (GLP) mantém uma participação intermediária (22% em 2022), sendo o seu uso principal associado à cocção de alimentos. O Gás Natural (GN) está incluído em Outros (vide gráfico) e possui utilização ligada à cocção de alimentos e aquecimento de água, principalmente nas áreas urbanas do país com infraestrutura de distribuição. A energia solar térmica também está agregada em Outros e tem uso relacionado ao aquecimento de água. Nota:anotação“p.p.”refere-seapontospercentuais. 33% 39% 44% 45% 45% 26% 26% 26% 24% 23% 38% 31% 25% 25% 26% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 20052010201520202022 Eletricidade GLP Lenha Outros Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 32 Evoluçãodademandaresidencialelétricaeenergética Enquantooconsumodeenergiapordomicíliodiminuiu10,7%(quedade0,5%a.a.)de2000a2022,ademandadeeletricidadepor domicíliocresceu19%(avançode0,8%a.a.)nomesmohorizonte.Asdemandasdeenergiaedeeletricidadetiveramumaqueda bruscaem2001devidoaoracionamentodeenergiaelétricadopaís,queestimulouumamudançadehábitosepromoveumedidas deeficiênciaenergéticanasresidênciasbrasileiras. Figura 15: Evolução da demanda residencial elétrica e energética Fonte: Elaborado por EPE Ademandadeeletricidadeaumentoude2000a2022emrazãodoprogressoeconômicodasfamílias,doavançodocréditoparacomprade eletrodomésticos,depolíticasgovernamentaisdeligações,sobretudoemáreasruraisedeprogramashabitacionaiseestímulosparareduzirodéficit habitacionalbrasileiro.Emoutrosentido,oconsumodeenergiacaiunoperíodoemfunçãodareduçãodousodefontesmenoseficientesemtermos energéticos(biomassastradicionais–lenhaecarvãovegetal)eaconsequentesubstituiçãoporfontesmaismodernas(GLP,GNeeletricidade).Éimportante sinalizarqueoconsumodeenergiapordomicíliopassouaavançarapartirde2014,emrazãodavoltadousodasbiomassastradicionaisparaacocçãode alimentos,substituindooGLP,relativamentemaiscaro,principalmenteemfamíliasmaisempobrecidascomacriseeconômica. 0,30 0,40 0,50 0,60 1.200 1.500 1.800 2.100 2.400 200020022004200620082010201220142016201820202022 tep por domicílio kWh por domicílio Eletricidade Energia (eixo vertical direito) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 33 Efeitos das políticas de eficiência energética nos domicílios AspolíticasdeeficiênciaenergéticapodemincluirÍndicesmínimosdeeficiênciaenergética(ouíndicesmáximosdeconsumo), Etiquetagemcomparativa(compulsóriaouvoluntária)eSelosdeendosso. Essasiniciativassãoexecutadasnopaísdesde1984,comacriaçãodoProgramaBrasileirodeEtiquetagem(PBE),coordenadopelo INMETRO,quepassouaelaboraretiquetascomparativasdodesempenhoenergéticodeequipamentos,propiciandoumaeducação aoconsumidoreestimulandoafabricaçãodeprodutoscommaiorníveldeeficiênciapelaindústria. Em1993,foramcriadososselosPROCEL(paraequipamentoselétricos)eCONPET(paraprodutosqueutilizamcombustíveis derivadosdepetróleoegásnatural)afimdevalorizarosdispositivosmaiseficientesemtermosenergéticos. Existemaçõescomplementaresquebuscamreduzirademandadeenergianasresidências,incluindonormasdedesempenho(ABNT NBRN015.220eN015.575),padrõesdeetiquetagem(PBEEdifica)eselosdeendosso(ProcelEdifica)deedificações,alémdo estímuloaousodesistemasalternativosdegeraçãodeenergiaemhabitaçõesdeinteressesocial(HIS). Estima-sequeoconsumomédioanualporaparelhodearcondicionadotenhasidoreduzidoemmédia15,3%entre2005e2022(-1,0%a.a.),em consequênciadasregulamentaçõesdeíndicesmínimosdeeficiênciaenergéticainiciadaspelaPIMME/MCT/MDICn 0 364/2007equefoirevisadapela PIn 0 323/2011epelaPIn 0 2/2018. Jánocasodasgeladeiras,estima-sequeoconsumomédioanualporequipamentotenhasidoreduzidoemmédia11,5%entre2005e2022(-0,7% a.a.),emconsequênciadasregulamentaçõesdeíndicesmínimosdeeficiênciaenergéticainiciadasem2007pelaPIMME/MCTI/MDICn 0 362/2007,e quefoirevisadapelasPIn 0 326/2011ePIn 0 01/2018. DandoprosseguimentoàspolíticasiniciadasapartirdaLeiN 0 10.295/2001,conhecidacomoLeideEficiênciaEnergética,considera-seimportanteque asregulamentaçõesdeíndicesmínimosdeeficiênciaenergéticapossamserestendidasparaoutroseletrodomésticosdeusoresidencial,priorizando aquelescommaiorconsumomédioporequipamento. PI = Portaria Interministerial Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 34 Penetração de Sistemas de Aquecimento Solar (SAS) nas residências Figura 16: Penetração de Sistemas de Aquecimento Solar (SAS) Fonte: Elaborado por EPE Figura 17: Consumo Evitado de Energia Residencial (mil tep) Fonte: Elaborado por EPE 149 172 197 224 250 282 315 352 395 444 493 539 584 619 658 698 746 806 200520072009201120132015201720192021 AconversãodaenergiadoSolemenergiatérmicasebaseianaabsorção daradiaçãosolarenasuatransferência,sobformadecalor,paraum elementoquefornecerádeterminadoserviçoenergético. Ossistemasdeaquecimentosolardeáguasãocompostospeloscoletores solaresepeloreservatóriotérmico,localondeficaarmazenadaaágua aquecida.OsSASpossuemequipamentoscomplementaresde aquecimento,quepodemutilizarenergiaelétricaougás,equesão ativadosemperíodosdebaixaintensidadesolar,comoasnoiteseosdias nublados.OscoletoresereservatóriossãonormalizadospeloPrograma BrasileirodeEtiquetagem(PBE),coordenadopeloINMETRO. Aopassoque,paraosconsumidores,autilizaçãodeSASpodereduziro gastototalcomenergia,paraosetorelétrico,oseuusopodediminuiro consumonarede,ademandadepontaemperíodoscríticoseasperdas técnicasnosistema,contribuindoparapostergarnovosinvestimentosem geração,transmissãoedistribuição.Finalmente,dopontodevista ambiental,ousodeSASpodeajudarparaareduçãodeemissõesdeGEE. Aenergiasolartérmicaresidencialédestinadamajoritariamenteparaoaquecimento deáguaembanhosepiscinas,quepodemestarlocalizadasdentrodashabitaçõesou emáreasdelazerdeedifícios.Estimou-sequeoconsumoevitadodeenergianas residênciasdopaísfoide806miltepem2022pelousodeSAS. 0% 1% 2% 3% 0 20 40 60 80 100 200520072009201120132015201720192021 m² Área instalada (m²) por mil habitantes Participação de domicílios com SAS (eixo direito) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 35 A climatização de ambientes vem ganhando participação em razão do aumento do uso de condicionadores de ar à medida que as famílias vão tendo condições financeiras para realizar a compra, substituindo ventiladores e circuladores de ar, relativamente mais baratos e que consomem menos energia. A indução também pode acontecer pela presença de dias mais quentes na média ao longo dos anos. Evolução da participação energética dos usos finais na demanda residencial de energia Oprincipalusofinaldeenergianasresidênciasbrasileiraséacocçãodealimentos,seguidopelaconservaçãodealimentosepelo aquecimentodeágua.Areduçãodaparticipaçãoenergéticadacocçãodealimentosnoperíodoentre2005e2022podeser explicadapeloprocessodetransiçãoenergéticadasfamíliasmaisdesfavorecidasquesubstituemoconsumodebiomassas tradicionaisporcombustíveismaismodernoseeficientesàmedidaqueprogridemeconomicamente.Jáailuminaçãovemperdendo participaçãoaolongodotempoemfunçãodousocadavezmaisdisseminadodelâmpadasmaiseficientes,sobretudoas fluorescentescompactaseasdetecnologiaLED. Oaumentodaparticipaçãodeequipamentoselétricoseeletrônicospodeserexplicadopeloaumentodassuaspossespelasfamílias, queacompanhaumatransiçãotecnológicaedecostumes. Figura 18: Evolução da participação energética dos usos finais na demanda residencial de energia Fonte: Elaborado por EPE 64% 57% 52% 51% 50% 9% 10% 11% 12% 12% 10% 11% 12% 12% 12% 5% 6% 9% 10% 10% 5% 9% 10% 10% 10% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 20052010201520202022 Lavanderia Iluminação Entretenimento e comunicações Outros equipamentos elétricos Climatização de Ambientes Aquecimento de água Conservação de alimentos Cocção de alimentos Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 36 Evolução do percentual de domicílios que aquecem água por fonte de energia Aeletricidadeéafontedeenergiamaisutilizadapelasresidênciasbrasileirasparaaquecimentodeáguaatravésdoschuveiros elétricos.Estimou-sequeapossemédiadechuveiroselétricosnopaísfoide0,71equipamento/domicílioem2022eaparticipação dosdomicíliosqueutilizamenergiaelétricanoaquecimentodeáguaatingiu87,3%noano.Ademais,aparticipaçãodosdomicílios queutilizamenergiasolartérmicaparaaquecimentodeáguachegoua3,6%dototaldashabitaçõesqueaquecemáguaem2022. Existemregiõesdopaísquesãomuitoquentes,comooNorteeoNordeste,oquepodecontribuirparaosbaixospercentuaisdedomicíliosqueaquecem águaparabanho,comoilustraaPesquisadePosseeHábitosdeUsodeEquipamentos-PPH2019(PROCEL/ELETROBRAS).CálculosdaEPEutilizandoos dadoscoletadosnestapesquisaestimamquecercade35%dosdomicíliosbrasileirosnãoaqueciamáguaparabanhonopaísem2019,sendoquenoNorte (94%)enoNordeste(88%)essasestatísticasforammuitomaiores. Figura 19: Evolução do percentual de domicílios que aquecem água por fonte de energia Fonte: Elaborado por EPE Os aquecedores a gás, podendo ser instantâneos ou de acumulação, são uma alternativa aos chuveiros elétricos, principalmente em áreas urbanas com infraestrutura de distribuição de gás. Estimou-se que a participação dos domicílios que utilizam gás no aquecimento de água alcançou 8,4% em 2022. Esses equipamentos são normalizados pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), coordenado pelo INMETRO. Além disso, existem legislações de índices mínimos de aquecedores a gás, iniciadas pela publicação em 2008 da Portaria Interministerial MME/MCT/MDIC N 0 298 e que foi revisada em 2011 pela Portaria Interministerial N 0 324. 95% 93% 90% 88% 87% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 20052010201520202022 EletricidadeGásSolarOutros Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 37 Evolução do percentual de domicílios que cozinham alimentos por fonte de energia OGLPconsegueterumacapilaridadegrandenoBrasil,atingindo90%dosdomicíliosnacionaisem2022.Autilizaçãodogásnaturalé aindapequena(5,7%dashabitaçõesnacionais),restritabasicamenteàsáreasurbanasdecidadescominfraestruturadedistribuição. Figura 20: Evolução do percentual de domicílios que cozinham alimentos por fonte em relação ao total de domicílios nacionais Fonte: Elaborado por EPE O uso da eletricidade na preparação de alimentos vem crescendo ao longo do tempo, principalmente devido ao aumento da posse de micro-ondas (63% em 2022). Com a evolução da tecnologia e a diminuição de custo, aumentam as possibilidades das pessoas adquirirem esses tipos de aparelhos elétricos para uso doméstico, pelo fato de serem práticos e gerarem bons resultados. Incluem-se nesse conjunto de equipamentos, micro-ondas, fornos e fogões elétricos, sanduicheiras, grills, torradeiras, fritadeiras elétricas, panelas elétricas, entre outros dispositivos. Aparticipaçãodasbiomassastradicionais(lenhaecarvãovegetal)paraacocçãodealimentosnashabitaçõesdopaíscaiuentre2005e2015emfunçãodo progressodasituaçãoeconômicadasfamíliasbrasileirasmaisdesfavorecidas,masapresentouummovimentodereversãode2015a2018,emrazãoda pioradoquadroeconômico,composteriorreduçãonosanosseguintesaté2022. 0% 20% 40% 60% 80% 100% 200520072009201120132015201720192021 BiomassasGLPGNEletricidade (Fogão Elétrico)Eletricidade (Micro-ondas) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 38 Aconservaçãodealimentoséousofinalcommaiorconsumopordomicíliodopaís,emvirtudedeasgeladeirasestaremempraticamentetodasasresidências brasileiras,ficaremligadasàs24horasdetodososdiasdoanoeteremumconsumoespecíficosignificativo. Apesardapossebaixade0,18equipamento/domicíliodoscondicionadoresdearem2022,elespossuemomaiorconsumomédioporaparelho,oqueresultana segundaposiçãoentreosmaiseletrointensivosem2022(cercade17%dototaldoconsumoresidencialnoano).VentiladoreseCirculadoresdeArpossuemuma posseumpoucomaiorque1equipamento/domicílio,sendoumasoluçãodemenorcustoparaaclimatizaçãoambiental. Apossedechuveiroselétricoscaiuentre2005e2022.Nocasodoscongeladores,areduçãoéresultado,emgrandeparte,damudançadehábitodasfamíliasnas últimasdécadasquedeixaramdesubstituirosequipamentosqueatingiramofimdasuavidaútil,sendosucateados. Apenetraçãodeequipamentosmaiseficientes,emsubstituiçãoaosmaisantigos,tendeareduziroconsumomédiodoestoqueexistentenopaís. Eletricidade –usos finais, posse e consumo médio anual por equipamento Figura 22: Equipamentos no consumo residencial de energia elétrica Fonte: Elaborado por EPE Figura 21: Posse e consumo médio anual por equipamento Fonte: Elaborado por EPE 0,05,010,0 Condicionador de Ar Lâmpadas Chuveiro elétrico Máquina de lavar Geladeira Ventilador/Circulador Ar Televisão unidades/domicílio 29% 26% 25% 26% 21% 18% 15% 14% 12% 12% 15% 17% 11% 11% 8% 4% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 2005201020152021 Máquina de lavar Ventilador/Circulador Ar Televisão Lâmpadas Condicionador de Ar Chuveiro elétrico Geladeira 05001.0001.500 kWh/equipamento 2022 2005 Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 39 ODEX Residencial ODEXéumindicadorutilizadoparaavaliaroganhodeeficiênciaenergéticaemumperíodo.Estamedidaparaasresidênciasagregaa tendênciadeconsumodosdiferentesusosfinais(nocasoenergético),ouosprincipaisequipamentoselétricos(nocasoelétrico), combaseemseuspesosnoconsumototal. Figura 23: Evolução do ODEX residencial calculado para energia total e eletricidade Fonte: Elaborado por EPE Paraaeletricidade,observa-seumareduçãodoconsumoespecíficomédiodoestoquenacionaldeequipamentos,emfunçãodaprimeiracompraou substituiçãodeaparelhosobsoletosouemfinaldevidaútilporaparelhosmaiseficientes.Porsuavez,aoconsiderarasdemaisfontesdeenergia,épossível observarquehouveumadesaceleraçãodaquedadoODEXapartirde2014quepodeserexplicadapelaligeiraintensificaçãodousodelenhaparacocção devidoaoaumentodasrestriçõesorçamentáriaseaumentodopesodoGLPnasdespesasfamiliares,principalmenteparaasfamíliasdebaixarenda. Tendência de eficiência energética no setor residencial brasileiro entre 2005 e 2022. Enquanto o ODEX calculado para eletricidade assinalou queda de 15% (0,08% a.a.) entre 2005 e 2022, a retração do ODEX para a energia foi de 20% (1,1% a.a.). Observa-se, que nos últimos anos, o declínio do indicador é mais significativa para a energia elétrica, sugerindo a importância dessa fonte na conservação de energia residencial no país. 75 80 85 90 95 100 200520062007200820092010201120122013201420152016201720182019202020212022 Energia Eletricidade GANHOS DE EFICIÊNCIA (quanto menor, mais eficiente) Nota.AmetodologiadoODEXResidencialfoiatualizadadeformaaisolaroefeitoposseeusodoconsumoespecíficodosequipamentose,consequentemente,destacarosganhosdeeficiênciaenergéticapor equipamentos.OsequipamentosconsideradosnocálculodoODEXelétricosãolâmpadas,geladeiras,máquinadelavar,TV,chuveiroelétrico,arcondicionadoeventiladores.JánoODEXenergético,alémdo consumoenergéticodosequipamentoselétricosconsideradosnoODEXelétrico,sãoconsideradostambémoconsumodasdiferentesfontesenergéticasparaaquecimentodeáguaecocçãodealimentos. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 40 Setor de Serviços (comercial e serviços públicos) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 41 [1] Setores comercial e público conforme a classificação do Balanço Energético Nacional Panorama: evolução do consumo final energético, por fonte, no setor de serviços [1] Aeletricidadesemantémcomoaprincipalfontedeconsumofinaldeenergianosetorcom90%departicipação,oGLP(5,3%)eogás natural(1,2%).Caberessaltarqueosdadosdeconsumofinalnãoincluemautilizaçãodogásnaturaldestinadaàgeraçãode eletricidade,segundoametodologiadoBalançoEnergéticoNacional(BEN). Figura 24: Consumo final energético por fonte nos serviços Fonte: EPE (2023b) Aeletricidadeéafontepreponderantenessesetor,ecresceuapresentoucrescimentomédioanualde3%noperíodo.Aeletricidadeadvindade fontesolarfotovoltaicacresceu13,4%. 83,1% 88,1% 91,1% 91,2% 90,5% 20052010201520202022 Gás liquefeito de petróleo Gás natural Eletricidade Outros Óleo combustível A importância da eletricidade no consumo final do setor, pode estar associada a diversos fatores como a disponibilidade da eletricidade, o aumento da posse de equipamentos elétricos nos estabelecimentos, a automação dos processos e equipamentos, a substituição de equipamentos de uso de GLP e gás natural pela eletricidade, como por exemplo em fornos e fogões, entre outros fatores. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 42 Figura 25: Evolução do consumo de eletricidade e área do setor comercial Fonte: Elaborado por EPE Análise:SetorComercial Em2022,osetorcomercialatingiuoseumaiorpatamar,tantoemconsumodeeletricidadecomonaárea.Paraoperíodode2006- 2022,observa-seumaumentocrescentedaáreadeestabelecimentoscomerciaiscomtaxamédiaanualde2,8%,enquantono mesmoperíodooconsumodeeletricidadedosetorapresentaumaumentode3,6%a.a.OboletimeconômicodaABRAVA(Fevereiro de2023),apontaumcrescimentoem2022de6,9%paraosequipamentoscentrais(toneladaderefrigeração–TR)emrelaçãoa 2021,grandepartemotivadapelaretomadadosserviços. O acumulado do ano de 2022 teve alta no volume de serviços (receita) de 8,3%, comparado ao ano anterior, justificada em parte pela retomada das atividades turísticas, congressos, convenções, hotéis e restaurantes etc. O PIB da Construção Civil teve um aumento em 2022 de 7% (IBGE), o desempenho positivo acima do PIB Brasil 2,9%, contribui para a expansão da área construída e com o consumo de eletricidade. 2.000 2.500 3.000 3.500 4.000 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 100 200620082010201220142016201820202022 Área (milhões de m²) Eletricidade (TWh) Consumo de Eletricidade (GWh) Área (milhões m²) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 43 Figura 26: Consumo específico¹ por metro quadrado Fonte: Elaborado por EPE Indicadoressetoriais:evoluçãodoconsumoporm²dasedificaçõescomerciaisepúblicas Oconsumodeenergiapormetroquadradonasedificaçõescomerciaisepúblicascresceunoperíodode2006a2014,sobretudo comoaumentodaposseeusodeequipamentoselétricos.Noentanto,apartirde2014oindicadordemonstraestabilidadeaté2019 culminandoemvertiginosaquedanoanodepandemiadoCovid-19,comparcialretomadanosanosde2021e2022.Éimportante salientarqueambososindicadoresestãosobefeitodeeficiênciaenergética,vistoquepolíticasdeeficiênciaemcursoatenuamo crescimentodoconsumo.Entretanto,háoutrosefeitosquecorroboramparaastrajetóriasilustradas,como: ▪AimplementaçãodaResolução414/2010daAneel,quereclassificoupartedoconsumodeeletricidadedecondomíniosprediais, antescontabilizadanosetorresidencial,nosetorcomercial. ▪Oefeitoclimáticoqueintensifica/atenuaousodeequipamentosdecondicionamentoambientaltiascomocondicionadoresdear, ventiladores,entreoutros. ▪Criseshídrica,econômicaesanitáriaaolongodosúltimosanos. 2,5 3,0 3,5 4,0 25,0 30,0 35,0 40,0 20062007200820092010201120122013201420152016201720182019202020212022 tep/m² kWh/m² kWh/m² tep/m² ∆ [1] Não inclui consumo dos segmentos: iluminação pública, água, esgoto e saneamento. O consumo em tep considera todos os energéticos. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 44 Adistribuiçãodoconsumoenergéticoporsegmentonoperíodo,apresentacertahomogeneidade,emboraosetordeserviçossejaheterogêneonassuas característicasenoperfildeuso.Houveumaumentonoconsumodeenergiade2022,quandocomparadocomoanoanterior,comtaxade6,6%. Consumo de Energia por Segmento do Setor de Serviços 2006-2022 Observa-senafiguraumadiminuiçãodaparticipaçãodosegmentoAtacadoeComércioVarejista,saindode22%em2006para20% em2022.Estesegmentoéoquedetémamaiorparceladoconsumocom20%dototal.NapandemiadaCovid-19,em2020,o segmentodesaúdeganhouparticipaçãonoconsumofinalenergéticoemdetrimentodossegmentoscomérciovarejista,hotéise restaurantes. Figura 27: Consumo final energético por segmento no setor de serviços Fonte: Elaborado por EPE, a partir de EPE (2015) [1] Outros inclui condomínios prediais, locais públicos (teatro, clubes, museus, igrejas, galerias, etc.) e difusão da informação (cinemas, rádios, TV, telefonia, etc.) 22% 22% 22% 19% 20% 18% 18% 17% 14% 14% 13% 13% 14% 15% 15% 10% 9% 10% 9% 10% 10% 10% 9% 10% 9% 10% 10% 10% 11% 9% 7% 8% 9% 10% 10% 5% 6% 6% 8% 9% 4% 4% 3% 4% 4% 20062010201520202022 Educação Saúde Escritórios Iluminação Pública Água, Esgoto e Saneamento Edifícios Públicos Outros Hotéis e Restaurantes Atacado e Comércio Varejista Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 45 Figura 29: Participação do E-commerce no Varejo Tradicional –2010 -2022 Fonte: ABComm(2023) Participaçãodocomércioeletrôniconovarejotradicional Partedaretraçãodaparticipaçãodoconsumodeenergianocomérciovarejistaécorroboradapeloaumentodasvendasnainternet. Em2022,aparticipaçãonofaturamentodocomércioeletrônicoatingiu10,14%. Figura 28: Perfil das Regiões em compra eletrônica Fonte: ABComm(2023) 8% 16% 3% 56% 17% Centro-Oeste Nordeste Norte Sudeste Sul 2,7 2,8 2,9 3,2 3,5 4,0 4,2 4,6 5,0 6,0 7,8 7,9 8,8 2010201120122013201420152016201720182019202020212022 A Figura 29mostra a participação crescente do comércio eletrônico pela internet. A região Sudeste é o principal mercado de compras eletrônicas, contribuindo com 56%. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 46 Figura 30: Distribuição dos Gastos com a Energia Elétrica –2016-2022 Fonte: MGISP (2023) Perfildadespesacomenergiaelétricanaadministraçãopúblicafederal ÉpossívelanalisaroperfildadespesacomenergiaelétricanaadministraçãopúblicaFederalatravésdoPaineldeCusteioda Administrativo.Nomomento,opaineldisponibilizaainformaçãodadespesa,naFiguraX3observa-seadistribuiçãoporórgão.Na ausênciadedadosdeconsumodeeletricidade,taisinformaçõesauxiliamavisualizaçãodasmaioresdespesasparadirecionaras políticas,assimcomopriorizaraçõesparaaeficiênciaenergética. [1] Fundo nacional inclui por exemplo: Fundo Nacional da Saúde, Desenvolvimento da Educação, Índio, de Artes, Antidrogas, Cultura, Aviação Civil e etc. 20,6% 20,5% 17,6% 10,6% 8,8% 6,1% 5,5% 5,0% 2,5% 1,8% 0,9% 0,1% Fundo Nacional Universidade Administração Direta Empresa Pública Ministério Instituto Federal Autarquia Especial Fundação Pública Autarquia Sociedade de Economia Mista Agência Reguladora Hospital Universitário Noacumuladode2016a2022,observa-seque60%dadespesaestáconcentradaemtrêssegmentos:UniversidadeseFundoNacionalcom21%cadae AdministraçãoDiretacom18%.Essasinformaçõesauxiliamcompreenderquaissãoossegmentoseoperfildeusodaenergiaelétrica. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 47 Setor Industrial Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 48 144 119 200020022004200620082010201220142016201820202022 Evolução do consumo de energia e valor adicionado da indústria brasileira Figura 31: OIE, Consumo energético e Valor Adicionado das indústrias no Brasil (Número índice 2000 = 100) Fonte: Elaborado por EPE, a partir de EPE (2023b) e IBGE (2023a) Crise econômica global Após os impactos da COVID-19, a economia vem se recuperando, com crescimento de 3,7% a.a. (2020-2022). Odescolamentoentreoconsumoenergéticoeovaloradicionadoresultaemvariaçõesnaintensidadeenergética,queaumentouem2,1%a.aentre 2014e2020.Esseincrementonaintensidadenãoestárelacionadocomaeficiênciaenergéticadasplantasindustriais,esimcomoutrosefeitoscomo maiorparticipaçãodesegmentosenergoitensivos. Pandemia da COVID-19 Tendência de crescimento da atividade industrial e do consumo energético na indústria (intensidade energética se mantém relativamente estável). O enfrentamento decrises econômicas associadas ao cenário doméstico deteriorado se refletem na retração do PIB industrial devido à redução na produção dos bens industriais nacionais¹. [1] Bens industriais nacionais com algumas exceções Crise econômica brasileira Consumo final energético industrial Índice VA industrial (exclui setor energético) NÚMERO ÍNDICE (100 = ano de 2000) 2013 Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 49 Decomposição dos efeitos no consumo de energia: entre 2000 e 2022 o consumo energético da indústria aumentou em 1,7% ao ano Asindústriasdealimentosebebidasepapelecelulosesedestacamporcresceremtodohorizonte.Entretanto,noprimeiroperíodopraticamentetodosos segmentoscrescem,compoucavariaçãoestrutural.Jánosegundoperíodo,diversasindústriasreduzemsuaatividadeeperdemparticipação,emespecial têxtileoutrasindústrias,predominandosegmentosenergointensivos–aumentandoaintensidadedaindústrianacional. Figura 32: Decomposição¹ dos efeitos intensidade, estrutura e atividade Fonte: Elaborado por EPE, a partir de EPE (2023b) e IBGE (2023a) Os três efeitos principais que compõe a variação do consumo industrial são: o valor adicionado (variações no nível de atividade), a participação relativa dos segmentos industriais (isto é, a estrutura da indústria) e a intensidade de cada segmento (relação entre consumo energético e valor adicionado de cada segmento). Entre 2000 e 2010 houve grande aumento da atividade industrial, alteração moderada da estrutura enquanto o efeito intensidade foi tímido. As indústrias que mais cresceram no período foram alimentos e bebidas, mineração e pelotização e papel e celulose. No período entre 2010 e 2022 houve redução da atividade econômica mas o consumo aumentou em função de mudanças na estrutura, pelo aumento da participação de energointensivos, com consequente aumento da intensidade energética da indústria. A intensidade energética de cada segmento se mantém relativamente estável. >> Mais detalhes sobre a decomposição na seção [1] Decomposição da variação do consumo energético da indústria em efeito atividade, estrutura e intensidade, conforme método LMDI I (“logarithmic meanDivisiaindex methodI”) com decomposição aditiva (Ang & Liu, 2001). 60 85 87 + 21 - 10 + 4 + 11 - 0,0 - 0,5 2000Estrutura2010Estrutura2022 Consumo (milhões de tep) ConsumoAtividadeEstruturaIntensidade Definições Definições Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 50 ODEX do consumo de energia do setor industrial ParaocálculodoODEX,foiconsideradaavariaçãodoconsumoespecíficocombasenaproduçãofísicaparaossegmentosda siderurgia,papelecelulose,cimentoeaçúcar,edaintensidadeenergéticaparaossegmentosdeoutrosalimentícios,têxtil,química, cerâmica,ferroligas,outrosdametalurgia,mineraçãoeoutrasindústrias,eopesodecadasegmentonoconsumo. Em2022oODEXdaindústriaatingiuovalor96,5,oquecorrespondeaumganhodeeficiênciaenergéticade3,5%emrelaçãoà2005(reduçãomédiade 0,2%aoano).EmboraoODEXindustrialtenhasemantidorelativamenteestávelentre2020e2022,ossegmentosdequímicaepapeleceluloseforamos quemaiscontribuíramparaaeficiênciaenergéticanaindústrianoúltimoanoanalisado. Figura 33: ODEX industrial Fonte: Elaborado por EPE 100 99,9 100,0 100,1 99,5 98,7 98,5 98,7 98,7 98,3 98,5 98,5 98,2 97,3 97,0 96,4 96,4 96,5 90 92 94 96 98 100 102 200520062007200820092010201120122013201420152016201720182019202020212022 Índice (100 = ano 2005) GANHOS DE EFICIÊNCIA (quanto menor, mais eficiente) Definições Definições>> Mais detalhes sobre o ODEX na seção Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 51 Linha do tempo: políticas e programas de eficiência energética Figura 34: Principais destaques de políticas de eficiência ligadas ao setor industrial Fonte: EPE. Imagens: Ícones feitos por Freepikde www.flaticon.com 2021198520002011 20202022 1991 20011984 Programa Brasileiro de Etiquetagem [INMETRO/MDIC] ▪Motores elétricos de indução trifásicos até 250CV ▪Bombas e motobombas centrífugas até 25CV CONPET [MME] PROCEL² [ENBPar/MME] Lei Nº 9.991 | Programa de EE, P&D e Procel [ANEEL] ▪R$ 93 mi em 42 projetos do PEE/ANEEL na indústria (2009-2018), economizando 135 MWh/ano ▪Chamada de Projeto Prioritário nº 2/2015: substituição de motores elétricos ▪R$ 492 mi do P&D/ANEEL em eficiência Lei Nº 10.295 | Padrões mínimos de eficiência [MME/MCTIC/MDIC] ▪Motores elétricos de indução trifásicos até 500CV ▪GT Motores recondicionados PNEf Plano Nacional de Eficiência Energética [MME] PotencializEE Programa Investimentos Transformadores de Eficiência Energética na Indústria [MME/GIZ] RedEEIndústrias [MME/ GIZ/ AhkSão Paulo] FGEnergia Fundo Garantidor para Crédito a Eficiência Energética [BNDES e PROCEL] A Lei n°13.280/2016 alterou a Lei 9.991/2000, destinando 20% dos recursos de eficiência energética ao Procel. 2016 ▪Programa Aliança ▪Programa Brasil mais Produtivo EE ▪Estruturação por meio de indicadores e normalização ▪Promoção da gestão de energia ▪Índice de Malmquiste Data EnvelopmentAnalysis ▪Análise de impacto regulatório (AIR) para certificação compulsória de transformadores de distribuição ▪AIR da melhoria do serviço de reparo de motores ▪Implementação do Plano de Negócios para Rede Lamotriz ▪Ferramenta computacional para análise de sistemas de bombeamento ▪Programa Aliança 2.0 ▪EE Digital ▪Programa de EE em Sistemas de Ar Comprimido ▪Metodologia para Sistemas Térmicos e Motrizes ▪Estudo sobre sistemas motrizes ▪Avaliação da rede Lamotriz ▪Impacto do reparo de motores no rendimento ▪Aplicação de Sistemas Termossolares ▪Plano de comunicação de reparo de motores ▪Laboratório de reparo de motores [1] Lista não exaustiva [2] A Lei n°13.280/2016 alterou a Lei 9.991/2000, destinando 20% dos recursos de eficiência energética ao Procel. 1º PAR2º PAR3º PAR4º PAR Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 52 Perfil da indústria Ousodederivadosdepetróleoperdeparticipaçãodevidoàreduçãodousodoóleocombustívelemtodosossegmentos,emenor participaçãodocoquedepetróleonaindústriadecimento.Ocarvãovegetaltambémperdeparticipaçãopelareduçãodoseuusono setorsiderúrgico,mesmosendomaisutilizadopelosetordeferroligas.Alixívia(licorpreto)ganhaparticipação,acompanhandoa indústriadecelulose,queutilizaessecoprodutoemseusprocessos. Em2022,asindústriasdealimentosebebidas,ferrogusaeaçoepapeleceluloseforamasmaisrepresentativasemtermosdeconsumoenergético.A eletricidadeéafontemaisrelevanteevemganhandomodestaparticipação. Figura 35:Participação da indústria por segmento Fonte: EPE (2023b) Figura 36: Matriz energética da indústria Fonte: EPE (2023b) 23% 19% 20% 19% 19% 25% 27% 25% 30% 26% 10% 8% 8% 7% 7% 11% 12% 14% 16% 17% 8% 8% 9% 7% 9% 7% 8% 7% 6% 6% 20052010201520202022 Têxtil Ferroligas Mineração e pelotização Cerâmica Cimento Não ferrosos Outras indústrias Papel e celulose Química Alimentos e bebidas Ferro gusa e aço 15% 14% 13% 11% 10% 21% 21% 20% 21% 22% 14% 14% 15% 14% 14% 16% 13% 13% 14% 13% 18% 20% 18% 22% 18% 10% 11% 11% 9% 11% 5% 6% 7% 8% 9% 20052010201520202022 Demais fontes Lixívia Gás natural Bagaço de cana Lenha e carvão vegetal Carvão mineral e derivados Eletricidade Derivados de petróleo Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 53 85% 88% 91% 94% 97% 100% 200020022004200620082010201220142016201820202022 Mundo Brasil Siderurgia: difusão do lingotamento contínuo Oprocessodesolidificaçãodoaçolíquidopodesedarpormeiodolingotamentoconvencional¹oudolingotamentocontínuo.O lingotamentocontínuopodeserconsideradoumasdasinovaçõesradicaisnasiderurgiamundial,poispassouapermitiralto rendimentosemiacabado/açolíquido(cercade98%),sendomaiscompactoeconferindomelhorqualidadeaoprodutofinal. Figura 37: Taxa de difusão do lingotamento contínuo na siderurgia, Brasil e Mundo (percentual) Fonte: Worldsteel(2009, 2019, 2021, 2023) Adifusãomundialdolingotamentocontínuopassoude87,1%(em2000),para94,9%(em2010)eainda96,8%(em2022).Duranteesseperíodo,a importânciarelativadolingotamentocontínuonoBrasilfoisuperioràmédiamundial. [1] Utilizando lingoteiras, um molde que tem a função de receber metal ou liga metálica no estado líquido, quente, para formar determinada peça após o tempo de cura, quando o material se solidifica. 97,5% 96,8% Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 54 Avançosnormativos,pesquisasemquímicadocimento,desenvolvimentode novoscimentos,entreoutros,permitiriamoavançonaincorporaçãode adiçõesaocimento,emsubstituiçãoaoclínquer,quehojechegaemmédiaa 32%,reduzindoasemissõesdegasesdeefeitoestufaassociadasàcalcinaçãoe aousodaenergia. Cimento: consumo específico e conteúdo de clinquer AindústriadocimentonoBrasilpossuiumparqueindustrialmodernoeeficiente,eemconstanteatualização.Maisde99%daproduçãoéfeitaem fornosviaseca(maiseficiente),cercade40%doparqueindustrialpossuimenosde15anosecontacommaisde70%deseusfornosequipadoscom torresdepré-aquecedoresde4a6estágiosepré-calcinadores(EPE,2021).Modernosresfriadoresdegrelhaequipam80%dosfornosbrasileirose aproximadamente50%dosmoinhosdematéria-primasãoverticais,estesconsideradososdemenorconsumoelétrico. Figura 39: Índice de variação do consumo específico de cimento (clínquer e cimento) Fonte: Elaborado por EPE, a partir de EPE (2023b). Figura 38: Consumo energético específico na indústria de cimento Fonte: Elaborado por EPE, a partir de EPE (2023b). AFigura39permiteavaliar,separadamente,osconsumosespecíficostérmicoe elétricorelativosàsproduçõesdeclínquerecimento,respectivamente.O consumodeeletricidadesedámajoritariamentenaproduçãodecimento (moagem),eodecombustíveisnaproduçãodeclínquer(forno). Oconsumoespecíficotérmicodoclínquerreduziu17%aolongodetodo horizonte,enquantooconsumoespecíficoelétricodocimentoreduziu3%. 0,082 0,084 0,075 0,072 0,069 0,068 75% 73% 68% 64% 66% 68% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 0,000 0,025 0,050 0,075 0,100 200020052010201520202022 clínquer/ cimento tep/ ton. cimento Consumo específico do cimento (tep/ton)Conteúdo de clínquer no cimento (em massa) 100,0 95,4 96,7 89,4 82,2 83,3 97,6 93,9 94,9 95,9 97,0 70 80 90 100 110 200020052010201520202022 Número índice (100 = ano 2000) Consumo específico térmico do clínquerConsumo específico elétrico do cimento Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 55 Cimento: matriz energética e coprocessamento Amatrizenergéticadaindústriadecimentosofreumudançasaolongodotempo.Nascrisesdopetróleohouvemomentânea migraçãodeóleocombustívelparacarvão(mineralevegetal).Nosanos2000osetormigrouparaocoquedepetróleoimportadoem detrimentodoóleocombustível.Atualmente,ocoquedepetróleoéaprincipalfonte,emfunçãodebaixopreçoegarantiade abastecimento. Figura 40: Consumo final energético por fonte na indústria de cimento Fonte: EPE (2023b). Nota: “Outras” inclui gás natural, lenha, óleo diesel e GLP A participação do coprocessamento de resíduos vem ganhando representatividade, e chegou a 19% do consumo em 2022. A partir dos anos 2000, uma nova revolução energética começa a ganhar relevância, que é a dos combustíveis alternativos, caracterizados pelo coprocessamento de resíduos e pela utilização de biomassas. O coprocessamento tem diversos benefícios ambientais por fornecer uma destinação adequada aos resíduos e pela redução de emissões de GEE (uma vez que estes resíduos, em sua grande maioria, têm um fator de emissão menor que o dos combustíveis fósseis tradicionais). Esta transição energética exigiu –e exigirá ainda mais – investimentos do setor em adequação e adaptação do processo produtivo, além do aperfeiçoamento em monitoramento e controle (EPE, 2021). 55% 65% 74% 69% 62% 58% 15% 12% 13% 13% 14% 14% 14% 9% 8% 9% 17% 19% 200020052010201520202022 Outras Combustíveis alternativos Carvão mineral Carvão vegetal e lenha Eletricidade Óleo combustível Coque de petróleo Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 56 Papel e Celulose: perfil e reciclagem Aproduçãodecelulosevemaumentandoemritmomaisaceleradoqueaproduçãodepapel,comgrandesfábricasapenasde celuloseeaumentodasexportações,dadaagrandecompetitividadedoprodutobrasileiro.Em2020aproduçãodomésticade celulosejáeraodobrodaproduçãodepapel.Comoaproduçãodeceluloseémaisenergointensivaqueadepapel.Issointerferena evoluçãodoconsumoespecíficodosetor. Figura 41: Razão da produção celulose/papel no Brasil Fonte: Elaborado por EPE, a partir de Ibá(2023). Figura 42: Taxa de reciclagem de papel no Brasil e no Mundo Fonte: Elaborado por EPE, a partir de ICFPA (2023) e ANAP (2020 e 2021) Areciclagemdepapeléumaimportantemedidadesustentabilidade.Asubstituiçãodopapelproduzidoapartirdapastadeceluloseporaparasdepapeléuma açãodeeconomiacircularqueevitaoconsumoenergéticoeoutrosimpactosdaproduçãodecelulose. Osetortemumhistóricopositivoemlogísticareversa,tendoatingindoomarcode70%detaxadereciclagemem2020,acimadamédiaglobal,de60%.Ataxade reciclagemdeembalagenséaindamaior,chegandoa80%. Entretanto,cabeconsiderarqueareciclagemdopapelpodealterarascaracterísticasequalidadedoproduto,enemsemprepodeserutilizadoparaamesma aplicação,edependedeumacadeialogísticadecoletadasaparasdepapel,queestáparaalémdoslimitesfabris. Nota: Calculado pela coleta de aparas sobre o consumo aparente de papel. 106% 120% 144% 168% 206% 226% 200020052010201520202022 60% 63% 65% 68% 70% 66% 70% 58% 59% 59% 59% 60% 59% 60% 2014201520162017201820192020 Brasil Mundo Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 57 Papel e Celulose: matriz energética e renovabilidade Amatrizenergéticadosetordepapelecelulosenacionalapresentaaltonívelderenovabilidade,quechegaa88%¹.Osetorutiliza subprodutosdoprocessodeproduçãodecelulose,alixívia(licorpreto)eresíduosdemadeira,paracogeração.Ogásnaturalpassou aserutilizadonadécadade1980,esuaparticipaçãodesdeosanos2000érelativamenteestávelem7%,comusoprincipalmenteem caldeiras.Jáoóleocombustívelreduziusignificativamentesuaparticipaçãode16%em2000paraatuais2%,utilizadosnapartidade caldeiras,nosfornosdecaleemcaldeirasaóleocombustíveldepoucasplantas(EPE,2018). Figura 43: Consumo final energético por fonte na indústria de papel e celulose Fonte: EPE (2023b). [1] Assumindo a premissa de que a eletricidade consumida no setor é 100% renovável. Em 2022, o segmento produziu 75% da sua demanda elétrica, majoritariamente por fontes térmicas renováveis (94%), como a lixívia. 37% 43% 46% 50% 52% 53% 24% 23% 24% 22% 21% 20% 17% 16% 16% 16% 15% 15% 16% 8% 7% 9% 9% 10% 10% 10% 200020052010201520202022 Outras não-renováveis Óleo combustível Eletricidade Outras renováveis Lixívia Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 58 Alumínio: evolução da taxa de recuperação de sucata de alumínio Ataxadereciclagemdealumíniovemcrescendo,acimadamédiamundial,eatingiu59,3%em2022.Nesseano,oBrasilreciclou 100%daslatasdealumínioparabebidascomercializadas(ABAL,2023). [1] Utilizando lingoteiras, um molde que tem a função de receber metal ou liga metálica no estado líquido, quente, para formar determinada peça após o tempo de cura, quando o material se solidifica. Figura 44: Evolução da taxa de recuperação de sucata de alumínio Fonte: Elaborado por EPE, a partir de ABAL (2023). 35% 35% 34% 39% 46% 52% 54% 56% 54% 55% 55% 59% 29% 28% 29% 0% 20% 40% 60% 80% 201120122013201420152016201720182019202020212022 Taxa de reciclagem¹ Brasil Média mundial Areciclageméumaestratégiaparaaeconomiacircular,comdiversosbenefíciossocioambientais.Oconsumoelétricodoalumíniosecundário(reciclado)é inferioraodoalumínioprimário,queéeletrointensivo.SegundooWorldEconomicForum(2021),oconsumodoalumíniorecicladoédaordemde5%do consumodoalumínioprimário,dadoquetambémécorroboradoparaoBrasil,conformeapontadopeloestudodaEPE(2017). Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 59 Setor de Transportes Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 60 OconsumoenergéticodoSetordeTransportes Em2022,oconsumoenergéticonacionalaumentou2,9%emrelaçãoà2021,taxaligeiramenteinferioraoaumentodoPIB,de3,0%. Ademandaenergéticadosetordetransportescresceu5,0%em2022.Aatividadenotransportedepassageirosaumentou17%, porémaindaficando17%abaixodaatividaderegistradaem2019,antesdapandemia.Noentanto,issoocorreucomumaumentode somente6,4%nodispêndioenergético.Oaumentodaatividadenotransportedecargastambémcresceusignificativamente,em 6,1%.Masissonãosedeveuaumarecuperaçãodapandemia,umavezqueaatividadede2022ficou23%acimadaregistradaem 2019.Eesseaumentode6,1%naatividadefoialcançadocomumelevaçãode3,8%nademandaenergética. Figura 45: Consumo final e do setor de transportes no Brasil Fonte: Elaborado por EPE, a partir de dados da EPE (2023b) Industrial; 35% Não-energético; 8% Residencial; 12% Energético; 7% Agropecuária; 4% Outros; 5% Industrial; 32% Não-energético; 6% Residencial; 11% Energético; 9% Agropecuária; 5% Outros; 5% 2% 7% 12% 28% 0% 51% 3% 4% 17% 27% 5% 45% 2000 171 Mtep 2022 262 Mtep Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 61 Figura 46: Consumo do setor de transportes por fonte de energia (milhões tep) Fonte: EPE (2023b) EvoluçãodaparticipaçãodoconsumoenergéticodoSetordeTransportes Ademandaenergéticadosetorcresceu5,0%em2022.Esseincrementoocorreuemfunçãodocrescimentodotransportedecargas, mastambémdepassageiros.Destaqueparticularparaoaumentodademandadeóleodieseledegasolina,incentivadopelo incrementodoconsumodebens,maiormobilidadedapopulação,eelevaçãodasproduçõesagropecuáriaeindustrial.Ataxade crescimentoregistradaficouacimadaexpansãodoPIB,especialmenteemfunçãodarecuperaçãodamobilidadedapopulação depoisdofimdasrestriçõesimpostasduranteapandemia. Ossetoresaéreoedetransportedepassageirosaindaestãoabaixodademandapré-pandemia,emboraserecuperandoaospoucos ecomvaloresmaispróximosaosde2019.Otransportedecargastêmdemonstradoumamaiorrecuperaçãonosetor,contribuindo paraademandadeóleodiesel. 0 10.000 20.000 30.000 40.000 50.000 60.000 70.000 80.000 90.000 100.000 Milhões de tep Gás Natural Etanol Hidratado Etanol Anidro Querosene Gasolina Automotiva Óleo Combustível Biodiesel Diesel Eletricidade Gasolina de Aviação Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 62 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 20002001200220032004200520062007200820092010201120122013201420152016201720182019202020212022 10 6 tep Destaca-seocrescimentodagasolinaCnamatrizdetransporterodoviário,enquantohouvedesvalorizaçãodoetanoledoóleodieselemrelaçãoa2021.Em 2022,oGNVapresentouumacréscimodedemandade9,3%,comganhodeparticipaçãocontínuodesde2021,enquantooetanolhidratadoencontra-seem declínio.Nestacondição,oetanolhidratadoperdeparticipaçãonamatrizenergéticafrenteàgasolinaC,cujademandaaumentou2,9%. Transporte Coletivo Diesel B Transporte Cargas Diesel B Transporte Individual Gás natural veicular (GNV) Gasolina C Etanol Hidratado Diesel B Figura 47: Consumo energético por modo e fonte Fonte: Elaborado por EPE 3,1% a.a. (2000-2022) 2,4% a.a. 2,3% a.a. 16,5% a.a. 5,3% a.a. 2,9% a.a. 9,3% a.a. Taxas anuais de crescimento 2021/22 +4,5% 47% 8% 0,2% 6% 38% 0,6% 43% 7% 1% 13% 33% 2,8% 42% 6% 2,8% 10% 37% 2,4% Evoluçãodoconsumoenergéticorodoviário Entre2000e2022,ademandadotransportedepassageirosaumentouem2,2%a.a.,eadotransportedecargascresceu4,8%a.a..Oanode2022foi marcadoporumaretomadadotransporterodoviário.UmdestaquefoioaumentodademandadeCicloOttoem6,4%,primordialmenteparao transporteindividualdepessoas.Outrodestaquefoioaumentodotransportedecargas,particularmenteemfunçãoderecordesdesafrasdegrãos,mas tambémdevidoaumareduçãododesempregoeincrementodoconsumo.Aquedadademandaporetanolhidratado,devidoaumamenorofertapelas usinasdecanadeaçúcar,foimaisdoquecompensadapeloaumentodademandadegasolina. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 63 0 10 20 30 40 50 60 20012004200720102013201620192022 tep/10 6 p.km TransportedePassageiros Em2020,apandemiaimpactoudeformacontundenteademandaenergéticaporpassageirosnoBrasil,especialmentedevidoà diminuiçãodonúmerodepassageirosnotransportepúblico,mastambémdevidoaomenorcompartilhamentodeveículosprivados, reduzindoonúmerodepassageirosporautomóvel.Aofertadetransportedepassageirosserecuperoufortementeem2021e2022, comincrementodonúmerodetrens,automóveiseônibusemcirculação. Figura 48: Intensidade energética por modo [tep/(10 6 p.km)] Fonte: Elaborado por EPE Figura 49: Atividade por modo [p.km] Fonte: Elaborado por EPE Total Ferroviário Rodoviário Coletivo Hidroviário Aéreo Rodoviário Leves -0,6% a.a. +0,5% a.a. +1,1% a.a. -3,0% a.a. +1,8% a.a. -0,7% a.a. 0% 20% 40% 60% 80% 100% 2000201020202022 Aéreo Aquaviário Ferroviário Rodoviário Coletivo Rodoviário Leves Noentanto,esseaumentonãofoitotalmenteacompanhadoporumaelevaçãodonúmerodepessoastransportadas,umavezquenemtodosvoltaramao regimedetrabalhointegralmentepresencial.Alémdisso,oníveldedesempregoassociadoaosreajustesdetarifasdotransportepúblicotiveramreflexona demandaportransportes.Nestecontexto,muitosônibus,trens,metrôseaeronavescontinuaramcomocupaçãoinferioràregistradaemperíodospré- pandemia.Nosetoraéreo,voosinternacionaisseencontramemrecuperaçãoaindamaislenta,especialmentedevidoaoaumentonospreçosdaspassagens, eaocâmbio. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 64 60 61 62 63 64 65 66 67 0 10 20 30 40 50 200020022004200620082010201220142016201820202022 Frota de Automóveis Consumo Específico Oaumentodolicenciamentodecomerciaislevesesportivos(SUVs)também elevouoconsumoespecíficodafrota,vistoquesãoveículosmenos eficientes. Destaqueparacrescimentopercentualdoslicenciamentosefrotade automóveisecomerciaisleveseletrificados,cujafrotaaumentou68%em 2022,chegandopertode90milunidades,representandocercade0,2%da frotatotal. Transporteindividualdepassageiros Etanol: 17,9% Diesel: 4,0% Gasolina: 78% FlexFuel: 0% Híb. e Elétricos: 0% Etanol: 4,7% Diesel: 4,4% Gasolina: 48% FlexFuel: 43% Híb. e Elétricos: 0% Etanol: 0,9% Diesel: 5% Gasolina: 16% FlexFuel: 78% Híb. e Elétricos: 0,2 % Avendadeautomóveisacompanhouocrescimentodarendapercapita brasileiraaolongodadécadade2000.Nosúltimos3anos,foiobservadauma estabilizaçãodasvendasdeautomóveislevesemtornode2milhõesde unidades. OProgramaBrasileirodeEtiquetagemveicular(PBVE),InovarAutoeRota2030 promoveramamelhoriadaeficiênciaenergéticadosveículosnovos. Oaumentodaparticipaçãodeveículosflexfuelnafrotaavançourapidamente, reduzindoosganhosdeeficiênciamédiadafrota,vistoqueestesapresentam eficiênciaumpoucoinferioraosanálogosdedicados. Figura 50: Frota de automóveis e consumo específico de 2000 a 2022 Fonte: Elaborado por EPE Figura 51: Frota de leves por tipo de motorização em anos selecionados Fonte: Elaborado por EPE Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 65 65 CicloOttoeotransporterodoviárioindividual Taxas anuais de crescimento 2000-2022 Etanol Hidratado: 6,8% a.a. Etanol Anidro: 3,8% a.a. Gasolina A: 2,9% a.a. Gás Natural Veicular (GNV): 6,8% a.a. Oanode2022mantevearecuperaçãonademandadecombustíveisenamobilidadeurbana,chegandoavaloresequivalentesaosdopré-pandemia.A disseminaçãodavacinaçãoeavoltaaotrabalhopresencialpermitiuqueopaísserecuperasse.Contudo,boapartedessaretomadaseconcentrouno transporteindividual,oqueexplicaoaumentonademandadoCicloOtto.Porsuavez,aselevadascotaçõesinternacionaisdeaçúcarreduziramaofertade etanoldecana,quemesmocomumamaiorproduçãodeetanoldemilho,foiobservadoaumentosignificativodademandadegasolina. 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 20002001200220032004200520062007200820092010201120122013201420152016201720182019202020212022 10 6 tep Figura 52: Consumo energético por fonte Fonte: Elaborado por EPE 14,3% 68,5% 15,7% 1,4% 26,3% 55,9% 12,1% 5,6% 20,9% 58,5% 15,8% 4,8% Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 66 Figura 53: Intensidade energética por modo [tep/(10 6 t.km)] Fonte: Elaborado por EPE Figura 54: Atividade por modo [t.km] Fonte: Elaborado por EPE 1 10 100 1.000 2001200420072010201320162019 69,0% 71,2% 68,1% 68,9% 18,5% 19,2% 17,0% 17,5% 12,3% 9,5% 14,8% 13,5% 2000201020202022 Aéreo Aquaviário Ferroviário Rodoviário -2,4% a.a. -2,1% a.a. -2,2% a.a. -3,3% a.a. +0,4% a.a. Rodoviário Ferroviário Hidroviário Aéreo Total 2022 TransportedeCargas Noiníciodapandemia,aolongodosprimeirosmesesde2020,otransportedecargas,especialmenteporcaminhões,foiimpactado.Apesardisso, recuperou-serapidamente,terminandooanocomumcrescimentode5,8%.Desdeentão,elevêmcrescendodeformasubstancial.Essebom desempenhofoinovamenteregistradoem2021,destacandocomoumadasrazõesparaessecrescimento,oincrementonademandadebens, impulsionadopelasrestriçõesàmobilidade,epelareduçãodegastoscomserviços.Em2022,otransportedecargasnovamentecontribuiuparao aumentonademandadeóleodiesel,pelocrescimentodocomércioeletrônico,paratransportedebensentrefábricasecentrosdedistribuiçãoeentre centrosdedistribuiçãoeconsumidoresfinais,alémdotransportedegrãosparaportos. Ademandaferroviáriatambémserecuperou,comaentradadenovasconexõesincrementandootransportedosprodutosdoagronegócioporferrovias. Omaiorinvestimentoeminfraestruturaeaaltadasafranoanode2022contribuiuparaoaumentopercentualdaatividadedessemodo,quefoiomaior entreosdemais.Enquantoisso,emboraotransporteaéreoestejaemrecuperaçãoparavalorespré-pandemia,emboraospreçosdequerosenede aviação(QAV)tenhamaumentado,afetandoautilizaçãodestemododetransporte. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 67 Em2021,omercadobrasileirodecaminhõesregistrouforterecuperação, sendoalavancadopelaretomadadaatividadeeconômica,emespecial,pelo bomdesempenhodosetoragropecuário,damineração,daconstruçãocivil,e docomércioeletrônico.Em2022,ademandaporusodecaminhões permaneceuelevada,especialmentedevidoaoadiantamentodecomprasde caminhõesporcausadaexigênciademotoresaderentesànova regulamentaçãoProconveP8apartirde2023.Noentanto,problemascom semicondutoresprovocaramaparalisaçãodaatividadedefábricasdurante diversosmeses,prejudicandoafabricaçãodecaminhões. AintroduçãodenovasfasesdoProgramadeControledeEmissõesVeiculares (Proconve)estimulouaadoçãodemotoresmaiseficientesparaatendimento aosnovoslimitesdeemissão.Em2022,aeficiênciaenergéticadenovos veículosevoluiu,principalmentedossemileves,queapresentarammaior aumentodeparticipaçãonafrota,assimcomoosmédios.Aeficiênciados médiosfoiimpactadapelavendadeversõeselétricas,que,apesarde incipiente,começouaseexpandir.Aeficiêncianosetorapresentouum aumentode0,6%,comtodasascategoriasdemonstrandoevolução. Transporterodoviáriodecargas Figura 55: Frota de caminhões por categoria (milhões de unidades) Fonte: Elaborado por EPE Figura 56: Eficiência energética média de veículos novos vendidos (com carga) [km/l] Fonte: Elaborado por EPE Nota:OProgramadeControledeemissõesVeiculares(Proconve)foiinstituídoparareduzirosníveisdeemissãodepoluentesporveículosautomotores.AfaseP8aplica-seaveículosnovospesadosvendidosa partirde1 o dejaneirode2023,eestipulanovoslimitesmáximosdeemissãoparagasesdeescapamento,partículaseruído,equivalentesaosdanormaeuropeiaEuroVI. 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 1,8 20002001200220032004200520062007200820092010201120122013201420152016201720182019202020212022 SemilevesLevesMédiosSemipesadosPesados 0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 20002001200220032004200520062007200820092010201120122013201420152016201720182019202020212022 +1,3%a.a. +0,8%a.a. +1,2%a.a. +0,6%a.a. +0,6%a.a. +0,8%a.a. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 68 0 10 20 30 40 50 60 20002003200620092012201520182021 10 9 litros Consumodeóleodieselebiodiesel Figura 57: Consumo de diesel e biodiesel rodoviário (bilhões litros) Fonte: Elaborado por EPE Figura 58: Evolução do consumo de biodiesel rodoviário e percentuais médios de adição Fonte: Elaborado por EPE Divisão setorial do uso de óleo diesel *Comomedidapreventivaparaagarantiadoabastecimentodomercadointerno,aANP realizoutrêsreduçõestemporáriasdepercentualmandatório,aolongode2019e2020. Estasaçõestambémocorreramnoanode2021. Ademandadeóleodieselporcaminhõescresceu2,8%aoanoentre2000 e2019.Eapesardapandemia,quereduziuaproduçãoindustrialeo consumo,erestringiualivrecirculaçãodecaminhoneirosnoprincípioda pandemia,ademandadeóleodieselrodoviárioregistrourecuoude1,0% em2020,comcrescimentode9,3%em2021.Em2022,arecuperaçãose manteve,emboramaislenta,tendoumaumentode2,8%. Apartirdejaneirode2022asistemáticadecomercializaçãodebiodiesel entreprodutoresedistribuidorespassouaocorrervianegociaçãodireta, extinguindo-seosleilões. Opercentualmandatóriodemisturadebiodieselnoóleodieselfoide 10%emtodooanode2022,comoconsumodobiocombustívelcaindo 6,4%emrelaçãoaoanoanterior. B5 0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 20052007200920112013201520172019*2021 10 9 litros B2; B3 B3; B4 B5; B6; B7 B7; B8 9,12% B7 10,56% 9,72% 10% 10% Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 69 Osetordetransporteséomaiorconsumidordeenergiadopaís,seguidodepertodosetorindustrial.Aprincipalrazãoparaaelevadaintensidadeenergética dostransporteséoperfildamatrizdetransportes,extremamentedependentedomodorodoviário.Otransportedecargasregistroucrescimento,coma demandadeóleodieselaumentandopeloaumentodautilizaçãodecaminhões.Aliadoaumcrescimentodotransporterodoviárioindividualporautomóveis nopós-pandemia,existeumsetordetransportecomdemandacrescente,apesardeavançosnaeficiênciaenergéticadecadamodo. Aparticipaçãodotransporteindividualporautomóveisaumentouaindamaisademandaenergéticadotransportedepassageiros.Oaumentodamobilidade, comofimdasrestriçõespós-pandemia,representoureflexosprincipalmentenotransporteindividual,comaatividadedotransportecoletivoaindaabaixodos níveisregistradosem2019.Amobilidadetotaltambémaindanãoserecuperoucompletamente,podendoserreflexotantodotrabalhodeformahíbrida,que aindaperduraemgrandescentros,comopelataxadedesempregoesubempregoaindarelativamenteelevada.Avendadeautomóveistambémficoulimitada, especialmenteporquestõeslogísticas,queprejudicaramaprodução,etambémelevaramospreçosdessesbens. ConsideraçõesFinaisdoSetordeTransportes OaumentodademandadecombustíveisdocicloOttotevecomoprincipalcomponenteagasolinaA.Em2022,houveumamenordisponibilidadedeetanol hidratadopelasusinasdecana-de-açúcar,resultandoemumaquedanaparticipaçãodobiocombustívelde24%para21%.Essareduçãojustifica-se,sobretudo, peloaumentodaatratividadedoaçúcarnomercadointernacionalevariaçãodopreçospotdoBrentque,dentreoutrosfatores,resultaramemumaumentoda relaçãoentrepreçosdoetanolhidratadoepreçodagasolinaC(PE/PG). Otransporterodoviáriodecargascontinuoupreponderanteem2022,eregistroucrescimentosignificativo.Em2022,otransporteferroviáriocresceu,reflexo especialmentedoescoamentodasafraagrícola.Noentanto,amaiorpartedasafrarecordeaindafoitransportadaaoscentrosconsumidoresporcaminhões assimcomooutrostiposdecarga,comogranéislíquidos,queaindausamfortementeotransporterodoviário.Cabedestacarqueasvendasforamde caminhõesmaisenergointensivos,vistoquehouvealtaparticipaçãodecaminhõespesadosnestemontante. Em2022,arecuperaçãodademandadeóleodieselsemanteve,registrandoumaumentode2,8%.Opercentualmandatóriodemisturadebiodieselnoóleo dieselfoide10%emtodooperíodo,tendooconsumodobiocombustíveldiminuídoemrelaçãoaoanoanterior.Iniciou-seemjaneirodestemesmoanonova sistemáticadecomercialização,vianegociaçãodiretaentreprodutoresedistribuidores.Nãoobstante,oincrementodaeficiênciadafrotadecaminhõeslimitou oaumentodademandadeóleodiesel,apesardocrescimentodamovimentaçãodecargas. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 70 Capítulo especial sobre o setor residencial Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 71 Revelandodesigualdadesnospadrõesdeconsumodeenergiadosetorresidencial Ocasobrasileiroemumacomparaçãointernacional Estaanálisepretendediscutirospadrõesdeconsumodeenergiadosetorresidencialbrasileiropormeiodeumacomparação internacionalusandodiferentesperspectivasparaidentificarquestõesdepobrezaenergéticaepotenciaisdeeficiênciaenergética. Além disso, este estudo busca... ▪proporumametodologiaparamediradesigualdadenoacessoaosserviçosdeenergia ▪trazeralgunsexemplosdepolíticasdeeficiênciaenergéticafocadasnamitigaçãodapobrezaenergéticanoBrasil A motivação deste estudo é... Apoiarodesenhodepolíticaspúblicasfocadasnaerradicaçãodapobrezaenergética,namitigaçãodosGasesdeEfeitoEstufa(GEE), napromoçãodaEficiênciaEnergéticaenoalcancedosObjetivosdeDesenvolvimentoSustentável(ODS). Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 72 Demandaenergéticadosetorresidencialbrasileiroemcomparaçãointernacional DadosInternacionais EstaanáliseutilizadadosdaBasedeIndicadoresdeEficiênciaEnergéticaeUsosFinaisdaIEA(dezembrode2022)sobreaDemanda deEnergiadoSetorResidencialentre2000e2019. Abaseapresentadadosde57países,sendo: ▪21 países em desenvolvimento, de acordo com o FMI (2023)¹ ▪6 países latinoamericanos ▪2 países africanos ▪3 países dos BRICS Dados Brasileiros Nocasobrasileiro,foramconsideradasbasesdedadosadicionais: ▪Eletricidade-PesquisadePosseeHábitosdeUsodeEquipamentosElétricosnaClasseResidencial (PPH) ▪Lenha e Carvão vegetal – Annual Continuous PesquisaNacionalporAmostradeDomicílios(PNADCA/IBGE) ▪GLP e Gás Natural – Pesquisa de Orçamento Familiar (POF/IBGE) ¹ IMF’s World Economic Outlook Database (April 2023); A maioria dos países com clima predominantemente temperado, subtropical ou mediterrâneo. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 73 Países em Desenvolvimento Noentanto,oconsumototaldeenergiadoSetorResidencialnãopareceserumindicadormuitoconclusivo,porquenãodesconsideraoefeito populacional,queéumdosprincipaisimpulsionadoresdoconsumodeenergianosetorresidencial.ConsiderandoocasodoCanadáedosEUAcomo exemplo,valeapenanotarqueoCanadátemumademandaenergéticanosetorresidencialmuitomenordoqueoseuvizinho,apesardeterumaárea territorialequivalenteàdosEUA.IssopodeserexplicadopelofatodeosEUAteremumapopulaçãomuitomaiorqueoCanadá. Figura S1: Consumo total de energia do setor residencial (em mil tep) em 2019. Fonte: Elaborado por EPE a partir de IEA (2023) Comparação internacional do consumo total de energia do setor residencial Comparandooconsumototaldeenergiadasresidênciasentreospaíses,oBrasilfoiopaísresponsávelpelo8ºmaiorconsumode energiadomundoeopaísemdesenvolvimentocomomaiorconsumodeenergiaresidencial. 1 10 100 1.000 10.000 100.000 1.000.000 Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 74 ConsiderandooindicadorCEPC,oBrasilestánofinaldalistajuntocomoutrospaísesemdesenvolvimento,demonstrandoumapossívelcorrelação entreoconsumodeenergiapercapitaeoníveldedesenvolvimento.Observandoorankingnotamosqueos12CEPCmaisaltos(Grupo1)estão relacionadosaospaísesdesenvolvidosenquantoos12CEPCmaisbaixos(Grupo2)estãorelacionadosprincipalmenteaospaísesemdesenvolvimento. Comparação internacional do consumo de energia per capita (CEPC) do setor residencial Figura S2: Consumo de Energia Per Capita do Setor Residencial (10 -3 tep per capita) em 2019. Fonte: Elaborado por EPE Países em Desenvolvimento Poroutrolado,oConsumodeEnergiaPerCapitapodeserumindicadorinteressante.Aoobservarmosomesmogrupodepaíses selecionadosordenadospeloindicadorCEPC,vemosqueoCanadáeosEUAtêmomaiorconsumopercapita. 0 200 400 600 800 1000 1 Canadá 2 EUA 3 Finlândia 4 Noruega 5 Luxemburgo 6 Áustria 7 Estônia 8 Suécia 9 Dinamarca 10 Alemanha 11 Bélgica 12 Tchéquia 13 Letônia 14 Suíça 15 * Hungria 16 Irlanda 17 França 18 Polônia 19 Reino Unido 20 Croácia 21 Holanda 22 * Bielorússia 23 Itália 24 Lituânia 25 * Bósnia e Herzegovina 26 Eslovênia 27 Eslováquia 28 * Moldávia 29 Austrália 30 * Sérvia 31 * Romênia 32 Coreia do Sul 33 Grécia 34 Georgia 35 Japão 36 * Azerbajão 37 * Kosovo 38 * Ucrânia 39 Nova Zelândia 40 Bulgária 41 * Argentina 42 Espanha 43 Chipre 44 Suíça 45 Portugal 46 Estados Unidos da América 47 * Chile 48 * África do Sul 49 Malta 50 * Macedônia do Norte 51 * Albânia 52 * México 53 Hong Kong 54 * Brasil 55 * Colômbia 56 * Marrocos GRUPO 1 GRUPO 2 Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 75 Evolução do Consumo de Energia Per Capita (CEPC) do Setor Residencial Poroutrolado,os12paísescommenorCEPCdosetorresidencial(Grupo2)apresentaramumatendênciaestática.Istopodeindicarqueasfamíliasnão apresentammudançasnosseuspadrõesdeconsumooupossivelmentequeganhosdeeficiênciaforammitigadosporumaumentodeconsumopara atenderaumademandareprimidaporserviçosenergéticos(efeitobumerangue). Analisandoos12paísescommaiorCEPECdosetorresidencial(Grupo1),valenotarqueestegrupotendeuareduzirseuconsumo, possivelmentedemonstrandoganhosdeeficiênciaenergética. Figura S3: Evolução do Consumo de Energia Per Capita (CEPC) no Setor Residencial (10 -3 tep per capita). Fonte: Elaborado por EPE a partir de IEA (2023) 600 700 800 900 1000 1100 1200 2000200520102015 Média 1 Canadá 2 EUA 3 Finlândia 4 Noruega 5 Luxemburgo 6 Áustria 7 Estônia 8 Suécia 9 Dinamarca 10 Alemanha 11 Bélgica 12 Tchéquia 0 50 100 150 200 250 300 350 2000200520102015 Média 1 * Marrocos 2 * Colômbia 3 * Brasil 4 * México 5 * Albânia 6 Hong Kong 7 Malta 8 * África do Sul 9 * Chile 10 * Macedônia do Norte 11 Taiwan 12 Portugal GRUPO 1 GRUPO 2 Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 76 Áustria Itália Box 1. Decomposiçãoda variação do consumo de energia do setor residencial em países selecionados Aanálisededecomposiçãoestruturalparaos4paísesselecionados(IEA,2023)mostracomonos3paísesdesenvolvidososganhosdeeficiênciaexcederamo aumentodoconsumorelacionadocomaosefeitosatividadee/ouestrutura.Mas,nocasodoBrasil,umpaísemdesenvolvimento,osefeitosatividadeeestrutura superaramoefeitoeficiênciaenergética,demonstrandoumaumentonoconsumoparapossivelmenteatenderaumademandaenergéticareprimida. Portugal A + S > E A + S > EA + S < EA + S > E A + S < E S > A + EA + S > EA + S < E Brasil 200020102019 200020102019 2000 20102019 2000 20102019 Consumo(C)Atividade(A)Estrutura (S)Eficiência (E) Nota:A,SeEreferem-seaosvaloresabsolutosdecadaefeito. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 77 Padrões de consumo de serviços energéticos no setor residencial A análise dos indicadores agregados proporciona uma visão interessante do consumo de energia no setor residencial. No entanto, é importante analisar o consumo de energia de forma mais detalhada para compreender: ▪Quais as fontes energéticas consumidas; ▪Para atender a demanda de quais serviços de energia; ▪Por qual tipo de perfil socioeconômico do consumidor. Principaisserviçosenergéticosdemandadosnosetorresidencial Essas informações podem ajudar a melhorar o desenho, a implementação e o monitoramento de políticas públicas comprometidas com apromoção da eficiência energética e a redução da pobreza energética. Asfamíliasexigemserviçosenergéticos,maseasfontesenergéticas? Aescolhadefontesenergéticasdependerádefatoressecundários,comodisponibilidade,tecnologia,eficiência,custos,questõesculturais,políticas eambientais. ¹Outrosusoscomolazer,comunicação,limpezaetc. Iluminação Eletricidade, Querosene Aquecimento de Ambiente Eletricidade, Gás Natural, Calor de Processo, Lenha, Derivados de Carvão, Carão vegetal Refrigeração de Ambiente Eletricidade Cocção Eletricidade, GLP, Gás Natural, Lenha, Carvão Vegetal Refrigeração de Alimentos Eletricidade Aquecimento de Água Eletricidade, Gás Natural, Calor de Processo, Lenha, Derivados de Carvão, Carão vegetal Outros Usos¹ Eletricidade Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 78 26 % 21 % 10 % 9% 6% 2% 2% 2% 1% 1% Contextualizando os Serviços Energéticos no Setor Residencial Brasileiro Figura S4: Distribuição do consumo de energia por Serviços Energéticos e fontes no Setor Residencial Brasileiro em 2019. Fonte: EPE (2023b) Considerandoomixenergéticodosetorresidencial,aeletricidadeéafontedeenergiamaisconsumida,especialmentepara conservaçãodealimentos,refrigeraçãodeambientes,aquecimentodeágua,iluminação,cozinhaeoutrosusos(eletrodomésticos). Em2019,99,8%tinhaacessoaeletricidade. 9% 2% Ao analisar os serviços energéticos, cocção representa quase metade da demanda de energia e majoritariamento atendido por lenha e GLP. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 79 Comparação internacional dos padrões de consumo de serviços energéticos Figura S5: Distribuição do Consumo de Energia por Serviços Energéticos no Setor Residencial em 2019. Fonte: Elaborado por EPE com base em IEA (2023) Amaioriadospaísesselecionadostemoaquecimentoambientecomoprincipalserviçoenergético.Istopodeserexplicadopelofato deamaioriadospaísesdaamostradaIEAestarlocalizadaemregiõesdeclimatemperado,ousubtropical.Marrocos,HongKong, TaiwaneBrasilforamosúnicospaísescompoucaounenhumademandaparaesteuso,dadoqueestessãotambémosúnicospaíses daamostraqueseencontramemregiõescomclimatropicalouequatorial. Para comparar o nível de eficiência energética, é interessante analisar o consumo de energia per capita (CEPC) por serviço energético. Nesta análise, apenas a demanda energética para aquecimento ambiente não é considerada por não ser um serviço energético relevante no Brasil. 0% 20% 40% 60% 80% 100% 1 Luxemburgo 2 Dinamarca 3 Bélgica 4 * Bósnia e Herzegovina 5 Estônia 6 * Hungria 7 Áustria 8 Lituânia 9 * Kosovo 10 Tchéquia 11 * Moldávia 12 Nova Zelândia 13 Croácia 14 Holanda 15 Polônia 16 Itália 17 Alemanha 18 Letônia 19 Finlândia 20 Suíça 21 * Bielorússia 22 Eslováquia 23 Canadá 24 França 25 Eslovênia 26 * Romênia 27 Noruega 28 Reino Unido 29 * Sérvia 30 Irlanda 31 Suécia 32 Georgia 33 * Turquia 34 Grécia 35 * Ucrânia 36 Coreia do Sul 37 Bulgária 38 EUA 39 Espanha 40 Austrália 41 Chipre 42 * Albânia 43 Nova Zelândia 44 Japão 45 Portugal 46 Malta 47 * Marrocos 48 Hong Kong 49 Taiwan 50 * Brasil Média Aquecimento de AmbienteCocçãoIluminaçãoOutros*Refrigeração de AmbienteAquecimento de Água Nota:Paísesemdesenvolvimentoestãoidentificadoscom(*)nafrentedeseusnomes Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 80 Comparação Internacional| CEPC para cocção de alimentos Figura S6: Consumo de Energia Per Capita (CEPC) para Cocção no Setor Residencial de diferentes países em 2019 (10 -3 tep per capita). Fonte: Elaborado por EPE com base em IEA (2023) Aoordenarospaísessegundooconsumodeenergiapercapita(CEPC)paracocção,épossívelobservarque,dentreos10paísescom maiorCEPCparacocção,5sãopaísesemdesenvolvimento.PortugalseapresentacomoopaíscommaiorCEPC,sendoseguidopor MarrocoseBrasil. BRASIL PORTUGAL Adicionalmente,aoanalisarasmatrizesenergéticasdosetorresidencialdeambosospaíses,nota-se quetantoPortugalcomooBrasilapresentamumaelevadaparticipaçãodelenha.Issopodeestar relacionadoaoelevadoCEPCparacocçãodealimentos. 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 Nota:Paísesemdesenvolvimentoestãoidentificadoscom(*)nafrentedeseusnomes. 45% 27% 24% 2% 1% Eletricidade Biomassa GLP Solar Térmica Gás Natural 43% 29% 15% 11% Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 81 Comparação Internacional| CEPC para aquecimento de água Figura S7: Consumo de Energia Per Capita (CEPC) para Aquecimento de Água no Setor Residencial em diferentes países em 2019 (10 -3 top per capita) Fonte: Elaborado por EPE com base em IEA (2023) Analisandooconsumopercapitadeenergia(CEPC)paraaquecimentodeágua,épossívelobservarqueBrasileMarrocossãoos paísescommenorCEPCparaatendimentodademandaporserviçoenergético.Issopodeserexplicadoporaspectosculturaise tambémaspectosclimáticos.Comoosdoispaísesapresentamclimatropical,oaquecimentodeáguaéprovavelmenteexclusivopara banho. BRASIL NocasodoBrasil,outraparticularidadeéqueoaquecimentodeáguaéatendidoprincipalmenteporchuveiroselétricosesistemasolartérmico–duas tecnologiaslimpaseeficientes. 0 20 40 60 80 100 120 140 160 54% 20% 20% 5% Eletricidade Solar Térmica GLP Gás Natural Nota:Paísesemdesenvolvimentoestãoidentificadoscom(*)nafrentedeseusnomes Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 82 Comparação Internacional| CEPC para iluminação Analisandooconsumodeenergiapercapita(CEPC)parailuminação,épossívelnotarquepaísesdesenvolvidostendemaapresentar CEPCsuperiorapaísesemdesenvolvimento.NocasodoBrasil,épossívelobservarqueoCEPCparailuminaçãoestáabaixoinclusive queamédiadaamostradaIEA,indicandoaprováveleficáciadaspolíticasdeeficiênciaenergéticacomfocoemlâmpadasnoBrasil. NoBrasil,existemduaspolíticasprincipaisparapromoveraeficiênciaenergéticanailuminaçãodosetorresidencial:(i)padrõesmínimosdeenergiapara lâmpadasfluorescentescompactas(regulamentadosem2006e2010)elâmpadasincandescentes(regulamentadosem2010),e(ii)substituiçãode lâmpadasporempresasdedistribuiçãodeenergiaelétricaatravésdoProgramadeEficiênciaEnergética/ANEEL. Figura S8: Consumo de Energia Per Capita (CEPC) para Iluminação do Setor Residencial em diversos países em 2019. Fonte: Elaborado por EPE com base em IEA (2023) 0 5 10 15 20 25 30 35 Nota:Paísesemdesenvolvimentoestãoidentificadoscom(*)nafrentedeseusnomes Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 83 Comparação Internacional| CEPC para refrigeração de ambiente Emboraarefrigeraçãodeambientesejaumdosserviçosquedemandemmaiorconsumodeenergianosetorresidencial,nãoé necessariamenteumserviçoenergéticopopulardevidoarestriçõesderendimento,aspectosestruturais,climáticosouculturais.Por exemplo,muitospaísesnãodependemdoconsumodeenergiaparaconfortotérmicopornãoenfrentaremaltastemperaturas.Isso explicaarazãopelaqualmuitospaísesdaamostradaIEAtêmumCEPCbaixopararefrigeraçãodeambiente. Figura S9: Consumo de energia per capita (CEPC) para refrigeração espacial no setor residencial em diferentes países em 2019 (10 -3 tep per capita) Fonte: Elaborado por EPE com base em IEA (2023) EntreospaísesemdesenvolvimentonaamostradaIEA,oBrasiléopaíscomomaiorCEPCpararefrigeraçãodeambiente,apresentandoumCEPC equivalenteàmédiadaamostradaIEA.ÉinteressantedestacaraindaqueoBrasilpossuiumCEPCpararefrigeraçãodeambienteinferioraodoCanadáe daAlbânia,ambospaísescomtemperaturasmédiasmaisbaixasdoqueasencontradasnoBrasil.Issopodeserumaindicaçãodapobrezaenergéticano Brasil.Noentanto,estudosmaisprecisosdevemserdesenvolvidosparaavaliararealdemandapotencialderefrigeraçãodeambientecombaseem dadosclimáticosregionais(comotemperaturasenúmerodediascomcalorextremoenecessidadederefrigeraçãoespacial–coolingdegree-days). 0 10 20 30 40 50 60 70 Nota:Paísesemdesenvolvimentoestãoidentificadoscom(*)nafrentedeseusnomes Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 84 Comparação Internacional| CEPC para outros usos Analisandooconsumodeenergiapercapita(CEPC)paraoutrosusos,vemosqueospaísesemdesenvolvimentotendematerum menorCEPC.Porexemplo,oBrasilapresentao4ºmenorCEPCparaeletrodomésticos(incluindogeladeiras). OmenorCEPCparaeletrodomésticosempaísesemdesenvolvimentopodeestarrelacionadoàexistênciadeumademandareprimidaporoutrosserviços energéticos,principalmentenasclassesderendamaisbaixas.Portanto,especialmentenospaísesemdesenvolvimento,éimportanteanalisara desigualdadenoconsumodeenergia,especialmenteporclassesderenda. Figura S10: Consumo de Energia Per Capita (EPCC) para Eletrodomésticos (incluindo refrigeradores) no Setor Residencial em diferentes países em 2019 (10 -3 tep per capita). Fonte: Elaborado por EPE com base em IEA (2023) 0 25 50 75 100 125 150 175 200 Nota:Paísesemdesenvolvimentoestãoidentificadoscom(*)nafrentedeseusnomes Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 85 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 D1D2D3D4D5D6D7D8D9D10 EletricidadeGLPGNLenhaCarvão VegetalSolar Figura S11: Consumo Total de Energia por Fontes e Classes de Renda no Brasil em 2019 (em 10³ tep) Fonte: EPE (2023d) ConsumodeEnergiaporClassesdeRendanoBrasil NoBrasil,háumaconcentraçãosignificativadeeletricidadenasclassesderendamaisaltaedebiomassa(lenhaecarvãovegetal)nas classesdebaixarenda.Comoresultado,asclassesderendamaisbaixatendemaapresentarmaiorpotencialdeeficiênciaenergética devidoaousodefontesenergéticaconvencionais(lenhaecarvãovegetal),eumamaiordemandareprimidaporserviçosenergéticos prestadosporfontesenergéticasmodernas(eletricidade,solartérmica,GLPegásnatural).Entãoestaanáliseédivididaemdois gruposdefontes,deformaacontribuirmaisadequadamenteparaodesenhodepolíticaspúblicas. Renda 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 D1D2D3D4D5D6D7D8D9D10 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 D1D2D3D4D5D6D7D8D9D10 Fontes Energéticas Convencionais Fontes Energéticas Nota:TodasasclassesdeD1aD10possuemamesmaquantidadedepessoas(10%daPopulação,ou20,9Milhõesdepessoas).D1representaaclassederendamaisbaixaeD10significaaclassederendamaisalta. Fontes Energéticas Modernas Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 86 48 59 63 72 82 92 98 109 128 200 D1D2D3D4D5D6D7D8D9D10 4 5 5 7 8 11 12 15 20 41 D1D2D3D4D5D6D7D8D9D10 13 13 14 15 16 19 20 22 26 38 D1D2D3D4D5D6D7D8D9D10 8 9 9 10 10 12 12 14 16 23 D1D2D3D4D5D6D7D8D9D10 2 3 3 3 3 3 3 4 4 6 D1D2D3D4D5D6D7D8D9D10 5 6 6 6 7 8 9 10 11 16 D1D2D3D4D5D6D7D8D9D10 0,0 0,1 0,1 0,1 0,1 0,2 0,3 0,5 0,9 5,3 D1D2D3D4D5D6D7D8D9D10 0,0 0,1 0,2 0,2 0,2 0,4 0,5 0,8 1,4 8,0 D1D2D3D4D5D6D7D8D9D10 2 2 1 2 2 2 2 2 2 14 D1D2D3D4D5D6D7D8D9D10 11 20 22 26 30 31 32 34 36 38 D1D2D3D4D5D6D7D8D9D10 1 2 2 3 3 3 4 4 4 4 D1D2D3D4D5D6D7D8D9D10 1 1 1 1 2 2 3 3 4 6 D1D2D3D4D5D6D7D8D9D10 Refrigeração de ambiente Demanda de Fontes de Energia Modernas por Classes de Renda no Brasil Analisandoporfontesdeenergiaeserviçosenergéticos,épossívelnotarqueoconsumodeenergiapercapita(CEPC)tendea aumentaramedidaqueaumentaarendadasfamílias.Noentanto,aelasticidade-rendadependedafonteedoserviçoenergético. Figura S12:Consumo de energia per capita (CEPC) por usos e classes de renda (10 -3 tep per capita). Fonte: Elaboração própria com base em dados da EPE (2023d). OGLPparacocçãoéafontequeapresentaaelasticidademaisdiferenciada.Issopodeserexplicadopelofatodeserumafontedifundidaemtodasas classesderenda.Asúnicasexcepçõessão:asclassesderendamaisbaixa,ondeexisteumaelevadapenetraçãodelenhaecarvão,eaclassede rendimentomaiselevado,ondepartesignificativadousodecocçãoéatendidoporgásnaturaleeletricidade. Refrigeração de alimentosEletrodomésticosIluminaçãoAquecimento de água CocçãoAquecimento de águaCocçãoAquecimento de água Cocção Aquecimento de água Fontes Modernas Nota:TodasasclassesdeD1aD10possuemamesmaquantidadedepessoas(10%daPopulação,ou20,9Milhõesdepessoas).D1representaaclassederendamaisbaixaeD10significaaclassederendamaisalta. Solar GLPEletricidade GN Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 87 Box 2. Proposta de novos indicadores: ÍndicedeGinideEletricidadeeÍndicedeGinideEnergiaModerna OÍndicedeGinimostraarelaçãoentreaparticipaçãodeumgrupoespecíficodedomicíliosnototaldedomicílios(eixohorizontal)eaparticipaçãodademanda dessemesmogrupo(eixovertical).EstademandapodeseroconsumodeEletricidade(nocasodoÍndicedeGinideEletricidade)ouoconsumodeFontesde EnergiaModernas(nocasodoÍndicedeGinideEnergiaModerna).EstarelaçãoérepresentadapelacurvadeLorenz,representadanafiguraabaixo.: Osíndicesdeginideeletricidadeedeenergiamodernamedemadesigualdadenoacessoaosserviçosenergéticosfornecidosrespectivamenteporeletricidadee porfontesdeenergiamodernaselimpas.Estesindicadorespodemserutilizadosemconjuntocomoodexeoconsumodeenergiapercapitaparadesenhar, monitorareavaliaraspolíticasdeeficiênciaenergéticaedereduçãodapobrezaenergética. [1] Decil significa um intervalo que contém uma amostra que representa 10% dos dados. 0% 20% 40% 60% 80% 100% 0%20%40%60%80%100% CURVA DE LORENZ População Acumulada (ordenada da renda mais baixa para mais alta) Demanda acumulada de eletricidade ou fontes de energia modernas Índice de Gini de Eletricidade ou Índice de Gini de Energia Moderna A B A A + B = O Índice de Gini de Eletricidade e Índice de Gini de Energia Moderna são calculados com base na área entre a curva de Lorenz e a linha de igualdade (área A), que representa a perfeita ausência de desigualdade na distribuição do consumo de energia elétrica ou de fontes de energia modernas. Quanto maior a área entre essas duas curvas, maior será a desigualdade e o Índice de Gini. O índice pode variar entre 0 e 1. Quando é igual a zero, não há desigualdade; o que significa que todas as pessoas apresentariam o mesmo consumo. Por outro lado, se o índice for igual a um, significa a concentração máxima e, uma única pessoa seria responsável por consumir toda a demanda de eletricidade ou fontes de energia modernas do país. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 88 Figura S13: Curva de Lorenz para Eletricidade e Fontes de Energia Modernas no Brasil (2019) Fonte: EPE (2023d). Figura S14: Evolução dos Índices de Gini e do consumo de energia per capita no Brasil Fonte: EPE (2023d). Índice de Gini de Eletricidade e Índice de Gini de Energia Moderna para o Brasil O Índice de Gini de Eletricidade e o Gini de Energia Moderna foram calculados para o Brasil. De 2005 a 2014, ambos os indicadores diminuíram, indicando uma redução da desigualdade. Contudo, em 2015, os Índices de Gini mudaram de trajetória e passaram a apresentar tendências de aumento da concentração da demanda nas classes de renda mais altas. Em 2019, o consumo de fontes de energia modernas se mostrou menos concentrado que o consumo de eletricidade no setor residencial brasileiro. 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 0,00,10,20,30,40,50,60,70,80,91,0 Decis de Consumo de Energia do Setor Residencial Decis Populacionais Acumulados Diagonal de 45 graus (Linha de Ausência de Desigualdade) Participação no Consumo de Energia Elétrica do Referente Decil Populacional Participação no Consumo de Fontes Modernas de Energia do Referente Decil Populacional 0 20 40 60 80 100 120 140 0,05 0,10 0,15 0,20 0,25 0,30 200520062007200820092010201120122013201420152016201720182019 milésimo de tep Índice de Gini Consumo Per Capita de Energia Final (fontes Modernas) Índice de Gini Energético (Fontes Modernas) Índice de Gini Elétrico Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 89 Políticas de eficiência energética para reduzir a desigualdade no uso de fontes modernas Osetorresidencialbrasileiroadotadiversaspolíticasessenciaisdeeficiênciaenergética.EstesabrangemosÍndicesMínimosdePerformanceEnergética (MEPS),oProgramaBrasileirodeEtiquetagem(PBE)eselosdeendosso.OscritériosMEPSsãoaplicadosaosequipamentoslistadosnaFiguraS15.Os aparelhosqueatendemàsdiretrizesdoMEPStambémsãointegradosaoPBEepossuemselosdeendosso.Estasduasúltimasiniciativasincluem tambémoutroseletrodomésticoscomofornosmicroondas,máquinasdelavar,televisores,aquecedoressolaresdeágua,sistemasfotovoltaicos.Além disso,osetorresidencialbeneficiadeselosdeeficiênciaenergéticaespecificamenteconcebidosparaedifícios. Figura S15: Índices Mínimos de Performance Energética (MEPS) para equipamentos presentes nas residenciais brasileiras. Fonte: Elaborado por EPE OBrasilpossuioutraspolíticasfocadasemreduziradesigualdadenousodefontesmodernas.Porexemplo,oprogramadetarifasocialdeeletricidade oferecedescontosnafaturadeeletricidadeparafamíliasdebaixosrendimentoseoutrasfamíliasvulneráveis,comoobjetivodereduziropesodafaturade eletricidade.OutroexemploéoprogramaMinhaCasaMinhaVida,quesubsidiaaaquisiçãodemoradiaspopularesincorporandocritériosdeeficiência energética,comoaquecimentosolartérmicodeágua,paraajudarareduzirasdespesasdomésticascomeletricidade. 20062007200820092010201120122013201420152016201720182019202020212022 Lâmpadas Geladeiras e Freezers¹ Condicionadores de Ar Fogões e Fornos a gás Aquecedor de água a gás Ventiladores de teto Nota:Osíndicesmínimosdeperformanceenergéticaparageladeirasefreezersentrouemrevisãoem2022. Programa de Eficiência Energética da Distribuição de Energia Elétrica Além disso, o Brasil implementou o Programa de Eficiência Energética (PEE), obrigando as distribuidoras de energia elétrica a alocar anualmente uma parte de sua receita líquida para projetos de eficiência energética. Uma iniciativa importante do programa envolve a substituição de aparelhos elétricos obsoletos e ineficientes em domicílios de baixa renda por alternativas novas e energeticamente mais eficientes. De acordo com o relatório de 2023 da ANEEL, o PEE investiu notavelmente mais de R$ 1,9 bilhão (55%) em 274 projetos de eficiência energética dedicados a famílias de baixa renda entre 2009 e 2022. Analisando um subconjunto de 62 projetos de PEE destinados a 8.256 famílias de baixa renda de 2018 a 2022 (ANEEL, 2023), os resultados de como esses investimentos em eficiência energética contribuíram para uma redução de 6,9% no consumo mensal de energia elétrica dessas residências. Os ganhos de eficiência energética podem traduzir-se em benefícios significativos para estas famílias, tais como a redução do peso das faturas de eletricidade nos orçamentos familiares ou possível viabilização do acesso a serviços energéticos adicionais. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 90 90 PacotedePolíticasdeEficiênciaEnergéticaparaEdificações •Metas de eficiência energética em edificações, incluindo taxa de retrofit, crescimento de mercado e facilitação para decisões de investimento de longo prazo •Código de consumo de energia em edificações novas e reformadas são essenciais para acelerar a transição para edificações com zero emissões líquidas de carbono. •Níveis mínimos de eficiência energética para edificações, eletrodomésticos e equipamentos ajuda a garantir a performance e acelerar esse processo transição de através da padronização de serviços. •Regulações garantem que as construções sejam adaptadas para adotar mecanismos de resposta da demanda capazes de viabilidade maior flexibilidade para o sistema elétrico nacional. •Ter acesso ao consumo de energia das edificações permite identificar as opções mais eficientes ao comprar ou renovar edificações. •Tecnologias inteligentes e interativas permitem o acompanhamento em tempo real do consumo, a implementação de tarifas com melhor sinais de preço de forma a influenciar que este tenha uma postura mais ativa no mercado. •Programas de educação e treinamento para trabalhadores do setor de construção civil garante a oferta de mão de obra qualificada •Campanhas de conscientização a respeito consumo de energia encoraja adoção de ações de baixo custo, como por exemplo ajuste de termostatos de aparelhos de ar condicionado e geladeira •Incentivos financeiros como hipotecas ou iptuverdes, empréstimos baseados em nível de eficiência energética, isenção fiscal ou subsídios para aumentar o investimento em soluções de eficiência energética. •Processos administrativos acelerados, incluindo alvará rápido para edificações de alta performance de eficiência energética, pode encorajar a implementação de medidas de eficiência energética •Programas de premiação e reconhecimento pode encorajar o desenvolvimento de edificações, eletrodomésticos e equipamentos de alta performance em termos de eficiência energética. INFORMAÇÃO INCENTIVOSREGULAÇÃO Substituição de boilers alimentados a combustíveis fósseis por bombas de calor de alta eficiência pode reduzir o consumo de energia em até 75% Oportunidades imediatas As metas do cenário de zero emissões líquidas preveem que, a partir de 2030, todas as novas construções serão neutras em emissões líquidas de carbono e a cada ano 2,5% do estoque de edificações será reformado para alcançar esta neutralidade. Implementando todas as medidas de eficiência energética, eletrificação e mitigação de gases de efeito estufa é possível reduzir as emissões totais de CO2 no setor residencial em mais de 95% até 2050. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 91 91 Principaisrecomendaçõespolíticasparamelhoraraeficiênciaenergéticaemedificações ▪MelhorarodesempenhoenergéticodasedificaçõesatravésdaimplementaçãodePolíticasdeNíveisMínimosdeEficiênciaEnergética(eminglês, minimumenergyperformancestandards-MEPS)maisabrangentesparaedificações,abrangendoenvoltóriasdeedifícios,eletrodomésticoseoutros equipamentosdomiciliares.Inicialmente,osMEPSpoderiamserimplementadosdeformavoluntáriadeformaviabilizaratransiçãopararegimes obrigatórios. ▪DesenvolverregulaçõesparaimplementaçãodeMEPSeetiquetagemparalâmpadas,eletrodomésticoseoutrosequipamentosegarantirqueestas sejamatualizadasregularmente.Estasregulaçõesdevemfocaremprodutosqueproporcionemasmaioreseconomiasdeenergiaeosmaiores benefícioseconômicoseambientaisparaosusuárioseopaís. ▪Nocasodeedificaçõesjáexistentes,érecomendadaumacombinaçãodepolíticasdeMPESedepolíticasdeboaspráticaspararenovação,operação emanutençãodeformaaaumentaraeficiênciadeedificações. Regulação Incentivos ▪Regulaçãoefinanciamentoparaofereceracessoaespaçoscoletivoscomrefrigeraçãoparapessoassemar-condicionadoemseusdomicíliossão medidasfundamentaisparagarantirmelhorqualidadedevidaaosmaisvulneráveis. ▪Emboracondicionadoresdeareficientesreduzamoimpactodoresfriamentonossistemaselétricos,maisflexibilidadeénecessáriaparadistribuira demandadeeletricidadedeformainteligente. ▪Osgovernospodempromovermodelosdenegóciosinovadoreseincentivosderespostaàdemandaparaencorajarousodetecnologiasdigitais, comotermostatosinteligenteseoutroscontrolesaprimorados,queotimizemadistribuiçãodacurvadecargadeenergiapararefrigeraçãode ambientee. Informação ▪Paraedificações,essaspolíticaspodemsercombinadascomprojetosdemonstrativos,mecanismosfinanceiros,capacitaçãotécnica,programasde conscientizaçãodoconsumidoreintroduçãodeestruturastarifáriasqueajudemapromoverousoeficientedeenergia. ▪Aprimeiramedidaparareduziraquantidadedeenergianecessáriaparaorefrigeraçãodeedificaçõesdeveserodesenhodeumprojetoconstrutivo queajudeamelhoraraventilaçãonatural,aprimoresombreamentosinternoseexternoseoisolamentotérmicodaedificação,atravésda incorporaçãodecomponentesavançadosdeenvoltóriaqueevitemvazamentodear,alémdaimplementaçãodetelhadosreflexivos,instalaçãode geraçãodistribuídaporfontesdeenergiarenováveisesistemasdearmazenamentodeenergia. ▪ÉnecessárioumesforçomaiorparaexpandirefortalecerosMEPSdeaparelhosdear-condicionado,implementandometasqueajudemamelhorar progressivamenteaperformanceenergéticadosaparelhosemdireçãoaobenchmarkingtecnológico. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 92 92 IniciativasinternacionaisdeEficiênciaEnergéticaparafamíliasdebaixarenda AbasededadosdepolíticasdaIEAlistadiversaspolíticasdeeficiênciaenergética,eletrificação,fontesdeenergiarenováveis,mitigaçãodegasesde efeitoestufa,erradicaçãodepobrezaenergética,pesquisa,desenvolvimentoeinovação,dentreoutras.Diversossãoosprogramasdeetiquetagem, MEPSesubsídiosnacontadeluz,focalizadosounão.Abaixo,sãolistadasalgumasiniciativasinteressantesdequeconciliamapromoçãodeeficiência energéticaeerradicaçãodepobrezaenergéticaparafamíliasdebaixarenda,bemcomopolíticasdepromoçãodeeficiênciaenergéticaemhabitações deinteressesocial. Fonte:IEA (2023). Política de eficiência energética e erradicação de pobreza energéticaPaísAnoStatusTecnologia Recovery and resilience plan / CTD / Energy efficiency in buildingsPortugal 2021FinalizadoEquipamentos National recovery and sustainability plan / Green transition / RenovateGrécia2021Em vigorLâmpadas Cost of living package [Amendment to Energy Act]Tchéquia2022Em vigorTodas Subsidies for renovation and boiler upgrade for low income householdsÁustria2021Em vigorAquecedor "Update yourheating" programmeChile2021Em vigorAquecedor Municipal-level Measures to Lower Energy Bills for HouseholdsHolanda2021Em vigorTodas Social Climate FundUnião Europeia2021Em vigorTodas National CoolingStrategyRuanda2019Em vigorAr Condicionado Política de eficiência energética em Edificações de interesse SocialPaísAnoStatusTecnologia New HousingNAMAMéxico2012Em vigorEdificações Improving accesstoaffordablehousingprojectMéxico2022Em vigorEdificações Technical supportfor self-construction“Decide y Construye”México2022Em vigorEdificações Energy Efficiency and Renewable Energies in Existing HousingMéxico2018-2023FinalizadoEdificações New South Wales Austrália2009Em vigorEdificações Weatherization Assistance ProgramEUA2021Em vigorEdificações Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 93 Acesso a combustíveis e tecnologias limpos para cocção no Brasil Segundo as Nações Unidas, a utilização de biomassa para cozinhar pode causar vários problemas de saúde e ambientais, estando associada a quase 4 milhões de mortes prematuras todos os anos no mundo. Mulheres e crianças são afetadas de forma desproporcional, sofrendo com a fumaça tóxica, a escassez de tempo e as consequências da deterioração ambiental. Portanto, o acesso universal à cocção limpa faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030. Contudo, é importante destacar que o acesso a tecnologias limpas para cocção não significa necessariamente o consumo apenas de combustíveis limpos para cocção. Acesso a combustíveis e tecnologias limpos para cocção Assim como outros países, o Brasil está fazendo esforços para melhorar o acesso a combustíveis e tecnologias limpos para cocção. Segundo o IBGE, 96,1% da população brasileira tinha acesso a combustíveis e tecnologias limpos para cozinhar em 2015 (IBGE, 2023). Segundo o Banco Mundial, este valor subiu para 97% em 2021 (BM, 2023), sendo 81,5% nas zonas rurais e 99% nas zonas urbanas. A melhoria no acesso a combustíveis e tecnologias de limpeza para cozinhar concentrou- se principalmente nas zonas rurais. Figura S17: Porcentagem da população com acesso a fontes e tecnologias limpos para cocção no Brasil. Fonte: Elaboração própria com base em dados do IBGE (2023b). 99% 82% 97% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 20002003200620092012201520182021 (% população urbana)(% população rural)(% população) Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 94 DemandadefontesconvencionaisparacocçãoporclassesderendanoBrasil Em2022,segundoIBGE(2023),17,1%dosdomicíliosbrasileirosdeclararamaindautilizarlenhaoucarvãoparacozinhar.Essesdomicílios podemserdivididosemdoissubgrupos:osqueconsomemapenaslenhaparacozinhareosqueconsomemlenhaeoutroscombustíveis, principalmenteGLP,paracozinhar.EsteúltimogrupoéomaiscomumnoBrasil(16,3%).Istosignificaqueasfamíliastêmacessoafogõesa GPL,masmuitasvezesencontramnalenhacolhidaumasoluçãoparacozinharevitandooscustosdoGPLnoorçamentofamiliar. OconsumodebiomassaestáconcentradonasclassesdemenorrendanoBrasil,segundoIBGE(2023).Em2019,ametadedapopulaçãocomrendamais baixaeraresponsávelporaproximadamente80%doconsumodelenhadosetorresidencialparacocção.Amaiorpartedalenhaconsumidapelasfamíliasé coletadananaturezaeutilizadaemfogõesimprovisadoscomeficiênciamuitobaixa. Figura S18: Percentual da população que declara consumir biomassa para cozinhar no Brasil Fonte: Elaboração própria com base em dados do IBGE(2023). Figura S19: Distribuição Percentual por classes de renda da população que declara consumir biomassa para cozinhar no Brasil em 2019 Fonte: Elaboração própria com base em dados do IBGE (2023b). Nota:TodasasclassesdeD1aD10têm10%dapopulação,ouseja,20,0milhõesdepessoas.D1representaaclassederendimentomaisbaixoeD10representaaclassederendimentomaiselevado. 1% 1% 1% 1,2% 1% 15% 16% 18% 18,0% 16% 20162017201820192022 Só BiomassaBiomassa e GLP 26% 17% 15% 12% 9% 7% 5% 4% 3% 2% D1D2D3D4D5D6D7D8D9D10 Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 95 PolíticasparaimpulsionaracocçãolimpanoBrasil Autilizaçãodelenhaedefogõesimprovisadosparacocçãopodeestarfortementerelacionadacomoutrasvulnerabilidades socioeconômicas.Portanto,éimportantediscutiroutraspolíticaspúblicasvoltadasparaaerradicaçãodapobrezaeseus consequentesdesafios.Algunsprogramasdogovernobrasileiroforamelaboradosparaamenizarasvulnerabilidadesefacilitaro consumodefonteslimpasparacocçãoporfamíliasdebaixarenda,taiscomo: Nota:PormeiodoCadÚnico,ogovernobrasileirobuscaintegraraspolíticaspúblicas,fortalecendooacessoàsaúde,àeducaçãoeàassistênciasocial.AlémdeinscritasnoCadÚnico,asfamíliasparateremdireitoaoBolsaFamília devemterrendapercapitamensaldeatéR$218.Já,nocasodoAuxílioGás,afamíliaparaserbeneficiadapeloprogramatambémdeveestarinscritanoCadÚnico,alémdeterrendapercapitadeatémeiosalário-mínimoeser selecionadapeloscritériosdepriorizaçãodefinidospeloMinistériodoDesenvolvimentoeAssistênciaSocial,FamíliaeCombateàFome.Em2023,osaláriomínimoeradeR$1302. ProgramaAuxílioGás OAuxílioGáséumprogramadoGovernoFederalBrasileirocujoobjetivoéreduziropesodocustocomGLPparacocçãonoorçamentodasfamílias debaixarenda.Inicialmentecriadoem2001,oprogramafoiincorporadoaoBolsaFamíliaem2003erelançadoseparadamenteem2021emmeioà crisedecorrentedapandemiadeCOVID-19.Em2023,oAuxílioGásfoireforçadoe,desdeentão,osdomicíliosselecionadosrecebem bimestralmenteovalorequivalenteaumbotijãodeGLP,invésdemeiobotijão.OAuxílioGáspodesercombinadocomoutrosprogramassociais, comooProgramaBolsaFamília.Emagostode2023,maisde5,5milhõesdefamíliasreceberamoAuxílioGás,cujovalorfoideR$108,00porfamília norespectivomês. ProgramaBolsaFamília OBolsaFamíliaéumprogramadetransferênciaderendacriadopeloGovernoFederalBrasileiroem2003ereconhecidointernacionalmenteporter salvadomilhõesdefamíliasdafome.Seubenefícioéconcebidodeformaproporcionalaotamanhoeàscaracterísticasdafamíliaparagarantir rendabásicaàsfamíliasemsituaçãodevulnerabilidade.De2020a2022,devidoàpandemiadecovid,foicedidoàsfamíliasoauxíliodoAuxílio Emergencial.Em2023,oprogramaprevêbeneficiar21,2milhõesdefamílias.Emjunho,ovalormédiodobenefíciodoBolsaFamíliafoideR$ 705,40. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 96 96 Principaisrecomendaçõesdepolíticaparamelhoraroacessoacocçãolimpaemresidências ▪Elaborareimplementarincentivos,promovermodelosdenegóciosapropriadosecobriroscustosiniciaisdofogãomodernoelimpoparaincentivar aadoçãotecnológicaecriarumecossistemacompetitivoparaatoresdosetorprivado. ▪Seaplicável,reduziroueliminartarifasetaxassobrecomponentesdefogõesimportadosparaincentivarumamaiorparticipaçãonomercado. ▪Desenvolversubsídioscruzadosbemelaboradosentreconsumidoresdebaixarendaealtarenda,combinadoscomlinhasdefinanciamentoparaos usuáriosfinais. ▪Elaborarprogramasdetreinamentoeestratégiaseducacionaisqueconsideremastradiçõeslocaisenraizadasnaspráticasdecocçãotradicionalao enfrentarbarreirasàadoção. ▪Osprogramasdevemincluirotreinamentodevendedoresetécnicosdesegurança,oquepodefazeradiferençaentreaadoçãoduradouraouonão defogões. ▪Fornecerorientaçãoestratégicaeapoioparaareciclagemdaspessoasempregadasnosetordacocçãoineficienteparaacessaroportunidadesde empregodelongoprazo(incluindorealocaçãonaindústriadecocçãolimpa). ▪Osprogramasdevemconsiderarpercepçõessociaisdegênero,costumes,direitosdeterraeproteçãodavidaselvagem,alémdediferentes comunidadesétnicasdentrodomesmopaís. ▪Integraraculinárialimpacomosesforçosdeacessoàeletricidadeegarantirqueessesprogramasdefinamresultadosparaigualdadedegênero, padrõesdesaúde,práticasflorestais/agrícolas,incluindométricasparaacompanharoprogressodessesresultados. ▪Acompanharoprogressonaimplementaçãoeoscustosdastecnologiasdecocçãolimpaedisponibilizaressasinformaçõespublicamente.Isso apoiaráumaparticipaçãomaisdinâmicaebem-sucedidadosetorprivado. Regulação Incentivos Informação ▪Elaborarumavisãopolíticadealtonível,idealmentecomapoiointerministerialefinanciamentointernacional,commetasclaras,umplanode implementaçãodeterminadocomsubsídioseficazes. ▪Estabelecerumasupervisãoregulatóriaclarapormeiodeagênciaspodeajudaramonitoraromercadodefogõesdomésticos,garantirníveis mínimosdeeficiênciaparaqueimadoresefornecersuporteapenasaosprodutosaprovados. Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 97 97 Iniciativas internacionais para promoção da cocção limpa Equador ▪Promoçãodoprogramadecocçãoporindução(PEC). Peru¹ ▪Campanha“MeiomilhãodecozinhasmelhoradasparaumPerusemfumaça” ▪ProjetoHakuWiñay/NoaJayatai ▪FundodeInclusãoEnergéticaSocial(FISE) ▪ProgramaNacionaldeCozinha ▪ProgramadeDesenvolvimentoEnergético(EnDev) Kenya ▪EnvolvimentodasMulheresnaCadeiadeValordeFogões. ▪Campeões do ProgramaClean Cooking (Story of Change). ▪Aumentando funcionalidade de biodigestores para cocção limpa. Índia ▪Tecnologia de Cocção Limpa para mulheres dependentes da floresta ▪PAHAL ProgramadeTransferênciaDiretadeBenefíciosdoGLP(DBTL) ▪PMUY ProgramasobreligaçõesgratuitasdeGPLafamíliaspobres. Indonesia ▪Cocção Elétrica na Indonesia Asia e África ▪Programa de Mentoria “Mulheres e a cocção limpa” Malawi and Nigeria ▪Plano Energético Integrado (IEPs) queestabeleçamobjetivosclarostantoparaaelectrificaçãocomoparaoacessoàscozinhaslimpas. Nota:¹Detalhes dos programas disponíveis no Box 2 e Box 3 do relatório Clearing Upthe Smoke: Untappingthe Potentialof TailoredClean CookingPrograms in LatinAmerica(BID, 2020). Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 98 ABAL [Associação Brasileira do Alumínio]. Anuário Estatístico Alumínio 2022. ABAL, 2023. ABComm[Associação Brasileira de Comércio Eletrônico]. Disponível em: https://bitly.ws/36AWm. Acessado em nov. de 2023. ABComm, 2023. ANAP [Associação Nacional dos Aparistasde Papel]. Relatório Anual 2018-2019. 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Análise da Eficiência Energética em Segmentos Industriais Selecionados: Segmento Celulose e Papel. Disponível em: https://bitly.ws/36ATK. EPE, 2018. ______. Atlas da Eficiência Energética Brasil | 2019: Relatório de Indicadores. Disponível em: https://bitly.ws/36ATH. EPE, 2020. ______. Atlas da Eficiência Energética Brasil | 2020: Relatório de Indicadores. Disponível em: https://bitly.ws/36ATD. EPE, 2021. ______. Atlas da Eficiência Energética Brasil | 2021: Relatório de Indicadores. Disponível em: https://bitly.ws/36ASU. EPE, 2022a. ______. Transporte Rodoviário de Cargas Brasil | 2021: Benchmarking Internacional. Disponível em: https://bitly.ws/36AT3. EPE, 2022b. ______. A Indústria de Papel e Celulose no Brasil e no Mundo: panorama geral. Disponível em: https://bitly.ws/36ATg. EPE, 2022c. ______. Atlas da Eficiência Energética Brasil | 2022: Relatório de Indicadores. Disponível em: https://bitly.ws/36ATj. EPE, 2023a. ______. Balanço Energético Nacional –BEN. Disponível em: https://bitly.ws/36ATn. EPE, 2023b. ______. Inova-e. Disponível em: https://bitly.ws/36AWs. EPE, 2023c. ______. Consumo Residencial de Energia Elétrica por Classes de Renda. Disponível em: https://bitly.ws/36ATw. EPE, 2023d. Ibá[Indústria Brasileira de Árvores]. Dados Estatísticos: Histórico de Desempenho. Disponível em: https://iba.org/. Ibá, 2023. ReferênciasBibliográficas Atlas da Eficiência Energética –Brasil | 2023 Página | 99 ReferênciasBibliográficas IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística]. Séries Estatísticas. Disponível em: https://bitly.ws/36AWv. Acessado em out. de 2023. IBGE, 2023a. ______. Indicadores Brasileiros para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Disponível em: https://bitly.ws/36AWA. Acessado em nov. de 2023. IBGE, 2023b. ICFPA [International Council of Forest and Paper Associations]. 2023 Sustainability Progress Report. Disponível em: https://bitly.ws/36AWE. Acessado em out. de 2023. ICFPA, 2023. 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