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1ª Revisão Quadrimestral do PLAN 2026-2030 - Boletim Técnico

Emitido por elety
Assinado em 18/08/2026
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1ª Revisão Quadrimestral das Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2023-2027

15 de junho de 2026

  1. Apresentação
    Este informe tem como objetivo apresentar os principais resultados das previsões de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) para o período 2026 a 2030, no âmbito do Planejamento Anual da Operação Energética - Ciclo 2026 (2026-2030), realizadas em conjunto pela Empresa de Pesquisa Energética – EPE, Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE. As projeções foram realizadas tomando como base a avaliação da conjuntura econômica, o monitoramento do consumo e da carga até, respectivamente, fevereiro e março de 2026 através das Resenhas Mensais de Energia Elétrica da EPE, dos Boletins de Carga Mensais do ONS e dos InfoMercados Mensais da CCEE, bem como os desvios entre os valores observados e suas respectivas projeções elaboradas no Planejamento Anual da Operação Energética 2026-2030, em dezembro de 2025. Cabe ressaltar que os valores de carga e consumo apresentados estão considerando em sua composição a Micro e Minigeração Distribuída (MMGD). Para os valores realizados, a estimativa de geração considera as unidades geradoras existentes em março de 2026. Para os meses à frente, projeta-se a expansão desse tipo de geração utilizando-se como base a metodologia do modelo 4MD, como definido no Relatório Fase II do GT MMGD do CT PMO/PLD.
  2. Panorama econômico
    O panorama internacional nos primeiros meses de 2026 segue indicando uma expectativa de expansão para o PIB global, apesar do alto nível de incerteza global. Conflitos no Oriente Médio, como a guerra no Irã, devem ser importantes influências negativas para o crescimento, diminuindo o comércio mundial e exercendo uma pressão para aumento da inflação, em razão, principalmente, do aumento dos preços do petróleo e derivados. No momento de elaboração do cenário econômico da 1ª Revisão Quadrimestral, os impactos dos conflitos, bem como a sua duração e possível acirramento, ainda não se encontravam claramente definidos. Espera-se que nas próximas revisões haja maior certeza sobre os impactos do cenário externo na economia brasileira.
    No último relatório World Economic Outlook, publicado em janeiro de 2026, o FMI elevou suavemente a perspectiva de crescimento do PIB mundial para 3,3% (ante 3,1%). Houve aumento das expectativas para as economias avançadas (de 1,6% para 1,8%), puxada pela revisão para cima do crescimento dos EUA (de 2,1% para 2,4%). Para a Zona do Euro, a revisão para cima foi mais suave (1,2% para 1,3%). Em termos das economias emergentes e em desenvolvimento, houve uma alta para 4,2% (antes 4,0%), com a China tendo a revisão mais significativa do segmento (4,2% para 4,5%), e elevação de 0,2 p.p. da projeção para Índia (6,4%). O Brasil se destaca pela revisão para baixo, com ajuste de 0,3 p.p. (1,6%). Para 2026, a perspectiva é de alta de 2,6% do comércio mundial e expansão de 3,8% para a inflação global. Em relação à economia brasileira, o resultado para o 4° trimestre de 2025 indicou uma expansão da atividade de 1,8% contra o mesmo trimestre de 2024, uma desaceleração em relação ao observado nos anos anteriores. Pela ótica da oferta, o crescimento foi puxado pela alta da agropecuária (12,1%), enquanto indústria e serviços cresceram 0,6% e 2,0%, respectivamente. Na ótica da demanda, o principal destaque foi o consumo do governo (3,6%), seguido pelo consumo das famílias (1,0%). A formação bruta de capital fixo mostrou desaceleração no trimestre (-3,1%). O PIB brasileiro fechou o ano de 2025 com expansão de 2,3%, no nível esperado na nossa projeção no âmbito do PLAN 2025-2029. A indústria apresentou alta de 1,4% e, os serviços, de 1,8%. A agropecuária, principal destaque do ano em função de colheitas recorde, cresceu 11,7%.
    A ótica da demanda corrobora o ritmo de desaceleração da economia, com a formação bruta de capital (2,9%) e consumo das famílias (1,3%), menos da metade do crescimento observado em 2024 para os segmentos. O consumo do governo manteve uma taxa estável de crescimento (2,1%) em relação ao ano passado. Apesar da guerra tarifária, as exportações cresceram 6,2% e importações 4,5%.
    O crescimento de 2025 não gerou um carregamento estatístico relevante para 2026, visto que foi alinhada com o projetado no PLAN 2026-2030, entretanto foi feito um ajuste de 0,1 p.p. para baixo da projeção (2,0%). Essa revisão para baixo foi motivada pelo menor desempenho esperado da agropecuária e pelo cenário externo conturbado e altamente volátil. Em termos dos macrossetores econômicos, houve revisão significativa na projeção de crescimento da agropecuária (de 3,0% para 2,6%) em função da perspectiva de menores colheitas para as principais safras. Para o crescimento da indústria (2,4%) e dos serviços (2,7%), houve uma manutenção do patamar esperado no PLAN 2026-2030. No horizonte entre 2027 e 2030, foram mantidas as projeções para o crescimento do PIB apresentadas no âmbito do PLAN 2026-2030, com pontos de atenção qualitativos.
    Espera-se que o processo de desinflação ocorra de forma mais lenta do que o projetado no PLAN, em razão das pressões para o aumento dos preços no ano, com destaque para o petróleo e derivados, que, em decorrência dos conflitos no Oriente Médio, devem permanecer em patamares acima dos observados em 2025. Como consequência, espera-se que o afrouxamento da política monetária seja mais gradual e em menor nível. Tal cenário, associado a um ambiente de maior instabilidade, tanto no âmbito externo quanto interno, tende a impactar negativamente os investimentos da economia.
    Em contrapartida, espera-se que a implementação da reforma tributária impacte positivamente os investimentos no médio e longo prazo, com destaque para os investimentos em infraestrutura.
    Apesar de ser um fator de risco, a manutenção de preços elevados para o petróleo deve aumentar a arrecadação do governo, visto que o Brasil é um país exportador de petróleo. Diante do apresentado, espera-se que a economia brasileira cresça a uma taxa média de 2,4% a.a. no período entre 2026 e 2030. A Tabela 1, ao final deste documento, apresenta as taxas anuais de expansão do PIB. Em termos setoriais, espera-se um crescimento médio de 2,6% a.a. para a agropecuária, de 2,4% a.a. para a indústria e de 2,7% a.a. para os serviços.
    Destaca-se, no entanto, que há riscos relevantes para a concretização do cenário apresentado, como os efeitos de uma possível escalada nos conflitos no Oriente Médio, bem como outras questões geopolíticas, eventos climáticos extremos, crises sanitárias, questões fiscais, e outras incertezas políticas e econômicas.
  3. Previsão de mercado de energia elétrica O consumo de eletricidade no SIN, incluindo a parcela de MMGD não injetada na rede, foi de 49.410 GWh em fevereiro de 2026 mostrando diminuição de 0,1% em relação a fevereiro de 2025. Salienta-se que o consumo considerado no estudo, tanto seus montantes realizados como projetados, incluem a parcela de MMGD não injetada na rede.
    Entre as classes de consumo, o industrial está em uma tendência de queda nos últimos 3 meses, influenciada pela queda observada no Sudeste, onde houve retração de 27 dos setores industriais monitorados. Considerando a tendência do trimestre anterior a fevereiro de 2026, de fato, a indústria apresentou uma queda média de 0,2% no consumo. Já as classes comercial e residencial foram aquelas que apresentaram os maiores aumentos de consumo em relação a fevereiro de 2025, com variações de 1,8% e 0,1%, respectivamente. Entretanto, se considerarmos o crescimento observado no trimestre anterior a fevereiro de 2026, a classe residencial é a que mais colaborou para o crescimento no SIN, apresentando uma taxa de crescimento de 8,6% contra 6,9% da classe comercial. Dada a sucessiva queda no setor

1ª Revisão Quadrimestral das Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2023-2027

15 de junho de 2026 industrial e a tendência de aumento do setor residencial, o consumo da classe residencial em fevereiro superou o da classe industrial, recorde que aconteceu poucas vezes ao longo da história do acompanhamento do comportamento do consumo das classes no Brasil. Para o ciclo de planejamento entre 2026 e 2030, espera-se que o consumo total de eletricidade no SIN cresça a taxa média de 4,4% ao ano. Considerando as taxas de crescimento entre 2026 e 2030 das classes de consumo: 9,4% (comercial), outros (4,5%), residencial (3,0%) e industrial (2,5%). Destaca-se que um dos fatores que contribuem para o crescimento mais acelerado do consumo da classe comercial é o acréscimo de carga associado aos data centers ao longo do horizonte de projeção. Em 2030, a expectativa de acréscimo de carga de data center é de 3.457 MW médio, um crescimento de 60% em relação ao PLAN 2026-2030. Para a classe residencial, comercial e outros do Subsistema Norte, houve um impacto na taxa de crescimento maior em 2026 devido à interligação do Roraima ocorrida em setembro de 2025. Já para as demais classes de consumo ao longo do horizonte, observa-se uma taxa média de crescimento conforme a expectativa de crescimento do PIB para o horizonte 2026-2030 apresentada na Tabela 1.

4.Evolução da Carga do SIN e Subsistemas no período janeiro- maio/2026 No primeiro trimestre do ano de 2026, o comportamento da carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) foi influenciado por questões climáticas e econômicas. Sob o ponto de vista econômico, houve melhora do indicador de confiança do consumidor devido a manutenção da renda, do atual controle inflacionário e da redução da taxa de juros, reduzindo o pessimismo das famílias quanto as finanças pessoais. Os resultados da PNAD Contínua para o trimestre encerrado em março corroboram essa percepção, com recuo da taxa de desocupação e aumento da renda média mensal. Esse resultado não se reflete na confiança dos serviços e comércio, pois o mercado de trabalho ainda que resiliente, não tem tração suficiente para aquecer a demanda desses setores, especialmente em um ambiente de alto endividamento das famílias. A confiança da indústria, por apresentar estabilidade relativa no fim do trimestre, denota a cautela dos empresários em um contexto de elevado nível de incerteza no âmbito internacional e seus possíveis reflexos sobre a economia brasileira, que tendem a se sobrepor aos efeitos positivos da redução da taxa de juros em um ambiente onde o desempenho da indústria segue sendo influenciado pela atual política monetária. Essa percepção é corroborada pelo avanço da incerteza para um nível elevado.
Com relação aos fatores meteorológicos, no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, as temperaturas máximas se mantiveram entre a média e inferior à média mensal ao longo de todo trimestre, enquanto nos subsistemas Sul, Nordeste e Norte houve predominância de temperaturas próximas a média climatológica, sem ocorrência de anomalias significativas. A ocorrência de dois episódios de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) resultaram em acumulado de precipitação superior à média no subsistema Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, em especial, na Bahia. No subsistema Sul, o acumulado de precipitação se manteve em níveis inferiores aos esperados para o trimestre.
A junção dos fatores mencionados provocou no período janeiro- março/26 uma retração de 0,2% na carga do SIN, de 2,5% no SE/CO e de 0,4% no Sul e, um avanço de 4,7% na carga do Nordeste e de 6,3% no Norte em relação ao mesmo período do ano anterior. Considerando os valores verificados da carga de energia de janeiro a março, o valor estimado para abril e a previsão para o período de maio a dezembro, espera-se que a carga de energia registre, no período janeiro-dezembro/2026, crescimento de 3,1% no SIN, 1,9% no SE/CO, 3,4% no Sul, 6,4% no Nordeste e 4,4% no Norte quando comparado com igual período de 2025. 5. Previsão da carga de energia 2026-2030 A carga de energia do SIN prevista para 2026 apresenta crescimento de 3,1% em relação ao ano anterior, ou seja, 2.553 MW médios superior à carga verificada em 2025, situando-se 1.241 MW médios abaixo do valor previsto no Planejamento Anual da Operação Energética 2026-2030. Para o período 2026-2030, prevê-se um crescimento médio anual da carga de energia do SIN de 4,0% ao ano, significando uma expansão média anual nos cinco anos de 3.510 MW médios. Em 2030, a carga atinge 98.824 MW médios no SIN. A Tabela 1, a seguir, apresenta a premissa de PIB adotada nos estudos da 1ª Revisão Quadrimestral do Planejamento Anual da Operação Energética de 2026-2030 e a comparação dessas premissas com aquelas adotadas no Planejamento Anual da Operação Energética 2026-2030. Já as Tabelas 2, 3 e 4 resumem os valores previstos da carga de energia, em MW médios, as taxas de crescimento resultantes e os respectivos acréscimos de carga anuais por subsistema. A Tabela 5 mostra as diferenças entre as previsões de carga de energia, por subsistemas do SIN, entre a 1ª Revisão Quadrimestral 2026-2030 (1ª RQ 2026-2030) e o Planejamento Anual da Operação Energética 2026- 2030 (PLAN 2026-2030). Por fim, a Tabela 6 sintetiza os valores previstos de carga de energia de MMGD, em MW médios.

TABELAS ANEXAS Tabela 1 Projeção anual do crescimento do PIB (%) 1ª Revisão Quadrimestral 2026-2030 2026 2027 2028 2029 2030 2,0% 2,4% 2,5% 2,5% 2,5% Diferença entre Taxas (%) [1ª RQ 2026-2030] - [PLAN 2026-2030] 2026 2027 2028 2029 2030 -0,1% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0%

Tabela 2 Carga global de energia (MW médios) 1ª Revisão Quadrimestral 2026-2030 Subsistema 2026 2027 2028 2029 2030 Norte 8.627 9.034 9.330 9.653 10.011 Nordeste 14.111 14.813 15.582 16.187 17.353 Sudeste/CO 46.517 48.937 51.030 53.087 54.797 Sul 14.571 14.889 15.523 16.119 16.663 SIN 83.826 87.673 91.466 95.046 98.824

Inclui MMGD

Tabela 3 Carga de energia - Taxas de crescimento (% ao ano) 1ª Revisão Quadrimestral 2026-2030 Subsistema 2026 2027 2028 2029 2030 Norte 4,4% 4,7% 3,3% 3,5% 3,7% Nordeste 6,4% 5,0% 5,2% 3,9% 7,2% Sudeste/CO 1,9% 5,2% 4,3% 4,0% 3,2%

1ª Revisão Quadrimestral das Previsões de carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2023-2027

15 de junho de 2026 Sul 3,4% 2,2% 4,3% 3,8% 3,4% SIN 3,1% 4,6% 4,3% 3,9% 4,0%

Tabela 4 Carga de energia - Acréscimos/Decréscimos anuais (MWmédios) 1ª Revisão Quadrimestral 2026-2030 Subsistema 2026 2027 2028 2029 2030 Norte 366 407 296 323 358 Nordeste 851 702 769 605 1.166 Sudeste/CO 861 2.420 2.093 2.057 1.710 Sul 474 318 634 595 544 SIN 2.553 3.847 3.793 3.580 3.778

Tabela 5 Carga de Energia (MWmédio) Diferenças [1ª RQ 2026-2030] - [PLAN 2026-2030] Subsistema 2026 2027 2028 2029 2030 Norte -234 -65 -42 13 96 Nordeste -97 -56 -69 -44 524 Sudeste/CO -1,117 -539 -287 50 -8 Sul 206 28 89 77 61 SIN -1.241 -633 -309 97 674

Tabela 6 Geração de MMGD (MWmédios) 1ª Revisão Quadrimestral 2026-2030 Subsistema 2026 2027 2028 2029 2030 Norte 596 663 726 789 853 Nordeste 1.543 1.768 1.919 2.062 2.197 Sudeste/CO 4.026 4.327 4.682 5.046 5.425 Sul 1.565 1.655 1.757 1.856 1.953 SIN 7.729 8.413 9.083 9.754 10.428

Considera expansão da base